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26 de janeiro de 2026

Do negócio de porcos à porca da política

O assunto parecia encerrado, desde há vários anos, mas eis que renasceu: a Câmara de Pombal equaciona aprovar a exploração de uma suinicultura na renascida freguesia da Mata Mourisca, que vai afectar pelo menos oito localidades de duas freguesias. Não há como dourar a pílula - quem mora na Mourisca de Baixo, nas Biqueiras, nas Castelhanas, na Moita de Boi e outros lugares limítrofes corre o risco de passar a viver infestado pelos cheiros e pela merda. Vamos dizer isto com todas as letras, para ver se os senhores e senhoras autarcas percebem bem. 
Está em marcha uma petição - que pode e deve ser assinada por qualquer um, seja ou não morador, pois que numa terra que aceita tudo é melhor todos porem as barbas de molho - mas é preciso endurecer esta luta. É preciso ir à reunião de Câmara, ir à Assembleia Municipal, ir a todo o lado expor o que não era suposto: a mesma Câmara que entre 2019 e 2021 travou a criação de porcos no meio das pessoas, à beira de uma ribeira, está agora a vacilar e pondera aprovar o que vai ser - não duvidem - um atentado ambiental. 
Na aldeia onde nasci e onde moram os meus já há meses que se sabe disto. Nas outras também se foi anunciando, a partir do momento em que o dono da Suinijanardo (empresa proprietária da pocilga, ofereceu uns porcos assados para um torneio de cartas. Com pés de lã, foi avançando. Na semana passada convidou os presidentes das junta das freguesias afectadas e uma comitiva da Câmara para visitar a pocilga-modelo, na freguesia de Colmeias, concelho de Leiria. Lá foi uma comitiva liderada pela vice-presidente Isabel Marto e a super-vereadora Ana Carolina Jesus ver como é, supondo que a ideia é contar como é que foi. 
Ficámos a saber disso na sexta-feira passada, numa reunião com a população na Associação de moradores da Mourisca de Baixo (na foto), onde o presidente da junta da Mata Mourisca - o estreante Nelson Matias - informou os presentes desse e outros pormenores. Por exemplo, de como andou de fita métrica na mão a medir as estradas circundantes, para concluir que dificilmente ali passariam os camiões a que o negócio obriga. Seria cómico, se não fosse trágico. O problema não é a estrada nem o piso. O problema é o cheiro, o problema é a merda. O problema é travar o licenciamento de uma indústria que não vai criar sequer postos de trabalho quanto mais riqueza (a não ser para o proprietário), ou qualquer bem-estar, antes pelo contrário. Vai comprometer a qualidade de vida dos que ali moram, agora e no futuro.
E por isso é preciso firmeza nesse parecer que as autarquias são chamadas a dar. "Ah, porque se não licenciar a Câmara tem que indemnizar o proprietário". Das duas uma: ou usa a sua litigância para o que importa, ou usa o dinheiro para bons fins. O que não pode é usar o poder que o povo lhe conferiu para comprometer o futuro.
Na assembleia popular de sexta-feira ficou uma nota positiva para o presidente da Junta do Louriçal, Célio Dias, que se mostrou frontalmente contra a engorda de porcos. Pessoalmente tenho zero simpatia pela figura, mas pode bem vir a ganhar a minha admiração. Diz ele que as únicas botas que engraxa são as suas, por isso cá estaremos para ver. Igualmente curiosa foi a aparição/participação dos senhores do PS (mesmo que a esmagadora maioria dos presentes não soubesse quem eram, e nem eles tenham tido o bom senso de se apresentar), que ali foram misturar alhos com bugalhos.



15 de junho de 2025

Cheira “bem”, cheira a Pombal

A felicidade só é possível no Céu. Mas o crente e bom-cristão dotor Pimpão prometeu-a aos pombalenses, na Terra! Cumpriu. 

26 de novembro de 2024

É a (má) economia, estúpido

Nesta terra (Pombal) poucos comem do que gostam; a maioria come a merda que lhe colocam no prato: uma chusma de aviários e pocilgas que infestam o ar, os solos e os rios; explorações de barros, argilas e areias que esburacam o solo, destroem habitats, fauna e flora e nada estabilizam e ou recuperam; pedreiras que esventram e dinamitam a serra, poluem o ar e a água e desfeiam o espaço e a panorâmica (o postal da terra); explorações de caulinos que de esporádicas se multiplicam pelo concelho, destruindo solos, lençóis freáticos e cursos de água; matadouros e indústrias de processamento de carnes com seus inevitáveis impactos ambientais.



Agora são os do lugar da Pipa e arredores a sentir as dores de uma nova exploração de caulinos que está prestes a entrar-lhes pelas terras adentro. Umas dores que ninguém vai ouvir, e só os poucos que ainda lá vivem vão sentir. Passar-se-á tudo como de costume: os de Albergaria e de Santiago estão-se nas tintas para as dores dos do Barrocal ou do Chão do Ulmeiro, tal como os das Meirinhas se estão nas tintas para as dores dos da Guia, e vice-versa, e por aí adiante. Pessoa bem dizia que a humanidade (a sociedade) só sente a chuva quando ela lhe cai em cima. 

A exploração dos Recursos Naturais e a preservação do Ambiente são naturalmente conflituantes, mas devem e podem ser harmonizados através de uma correcta avaliação dos custos das externalidades e dos benefícios económicos e através de um plano de acompanhamento regular da exploração, coisa nunca feita. O governo central e organismos regionais limitam-se a licenciar as explorações, seguindo os planos de ordenamento do território, nacionais e locais, e depois é o tradicional deixa-andar. O executivo municipal escuda-se no argumento da competência do licenciamento para fugir às suas responsabilidades na permissão para licenciamento e no acompanhamento dos impactos, porque não quer desagradar a ninguém - comportam-se como criados de quarto do capital explorador, disponíveis para todo o tipo de serviço à espera da subvenção para a campanha. Mas como fugir dos problemas nunca deu bom resultado para o mexilhão, estamos “condenados” a aceitar o inaceitável, a viver nesta triste sina de tudo o que é mau nos calhar e só nos calhar o que é mau.

Vamos de mal a pior: éramos pobres em riqueza material mas ricos em riqueza natural. Agora temos o pior dos dois mundos: condenados a viver pobres em espaços imundos e repulsivamente feios. Mas com a fanfarra sempre a tocar e o arraial sempre a girar. Bem-vindos ao reino da felicidade tola.

8 de novembro de 2024

Bem-vinda, sra Ministra

 


Se não cancelar a visita (como aconteceu hoje com a ministra da Saúde, presa por arames), a ministra do Ambiente estará em Pombal amanhã para acompanhar a apresentação do índice de sustentabilidade municipal (!) e visitar as obras que decorrem no rio Arunca. 

Exortamos aqui o presidente da Câmara a levar Maria da Graça Carvalho ao sítio onde o Arunca ainda parece um rio, junto ao Açude. Esta manhã estava assim, lavadinho com espuma amarelada, no sítio do costume. 

22 de outubro de 2024

Aqui não mudam as moscas: multiplicam-se

 

Domingo, 20 de Outubro do ano da graça de 2024. Pombal. 

Tudo corre bem, aqui na terra. Os nossos mais altos representantes estão em êxtase, num corrupio de fotos, posts e selfies nas redes sociais, pois que lá em Braga (quase) todos se safaram numa lista para qualquer coisa. Manifestações de "interesse público", "bem-estar da comunidade" ou "dinâmicas em prol do território" adornam as fotos. 

À mesma hora, um post de uma moradora no lugar de Vale Coimbra (escusam de procurar, já se eclipsou) vai passando de feed em feed: há uma praga de moscas, são aos milhares; um terreno conspurcado por dejectos de galinha tresanda por ali. E atrai o quê? Moscas. 

A cidadã pede ajuda publicamente. Diz que esgotou todas as outras formas, fez todos os contactos ao alcance: GNR, Autoridade de Saúde, Protecção Civil, serviços da Câmara de Pombal e da Junta de Freguesia. Conta que alguns - como foi o caso da Protecção Civil - tão pouco lhe atenderam o telefone. 

As fotos impressionam. Do lado de cá do computador imaginamos o cheiro nauseabundo. À mesma hora, meio Pombal desdobra-se em corações noutro post: o de Carla Longo, a presidente da Junta de Freguesia - que agora faz parte do Conselho Nacional do PSD - a ofuscar as tentativas de Pedro Pimpão. A Charneca, ali tão perto do Vale Coimbra, está em altas. Já se sabe que mais vale cair em graça do que ser engraçada, e afinal isto anda tudo à volta da...Gratidão. 

Já aqui lembrámos várias vezes o quanto nos prometeram o céu, aqui na terra, em fatias de felicidade. E nós, pouco crentes, duvidámos. Agora até um cego vê o que nos está a acontecer: um poder inebriado  pelo barulho das luzes, a viver numa realidade paralela. Serviços paralisados, discursos ocos, uma tentativa de nos atirar areia para os olhos, uma conversa que cheira tão mal como a atmosfera do Vale Coimbra, a lembrar-nos como afinal isto anda tudo ligado. 

Para nosso desgosto, não se vislumbram mudanças. A história há-de contar, um dia, como Pombal foi aquela terra onde nem sequer mudam as moscas, como nas outras. 

Aqui multiplicam-se. 

7 de outubro de 2024

Cheira mal nos Redondos, cheira mal em Pombal

No período regimental reservado para intervenções do público, o cidadão Jorge Cordeiro - ex-assessor de Diogo Mateus - fez uma oportuna intervenção na Assembleia Municipal. Expôs com clareza o drama dos habitantes da Aldeia dos Redondos e lugares limítrofes: o cheiro nauseabundo que emana regularmente de um aviário próximo.

Já houve um tempo, por volta das décadas de 70, 80 e 90 do século passado, em que o concelho estava povoado por pequenos aviários, que cresceram como cogumelos, dentro e fora das localidades. Eram outros tempos, tempos onde tudo era permitido e a sobrevivência mandava desenrascar. Na transição do século, o amadorismo, a falta de escala e as queixas da população condenou a esmagadora maioria destas pequenas explorações avícolas à morte.

Actualmente o concelho está a ser novamente invadido por aviários e afins, por grandes explorações avícolas, que se aproveitam da permissividade da "classe política" reinante e aclamante, débil e dócil (com o capital oportunista). Prometeram-nos o paraíso na terra, cheio de bem-estar e felicidade. Mas servem-nos um “desenvolvimento” malcheiroso, sem presente e sem futuro. Um modelo que já condenou a Aldeia dos Redondos à morte, como bem diz o Jorge Cordeiro, e arrisca fazer deste grande aviário uma terra malcheirosa. O que cheira mal, FAZ MAL.


28 de junho de 2024

AM – a realidade estava guardada para o fim

A política pombalense caiu numa pasmaceira completa, pavorosamente monótona e desajeitadamente insípida, que desinteressa até aos mais interessados. Num ápice, passámos do mais maçante despotismo para o mais estéril desportivismo, protagonizado por criaturas que não nos representam, nos não conhecem nem nos querem conhecer, receosos de que os conheçamos a eles(as).

As reuniões da “Junta” - executivo municipal – tornaram-se intelectualmente insuportáveis, com figurantes protegidos por um pacto de “não-agressão” que só beneficia o fraco poder. As reuniões da Assembleia Municipal deslizam penosamente para verdadeiros exemplares de assembleias de freguesia, monopolizadas pelos presidentes de junta - coisa nunca vista nesta terra e em terra alguma. Resultado de uma maioria desinteressada e de uma minoria debilitada; de onde só sobressaem os Pimpões, mais pelos modos e tom que pelo resto. 

Mas a realidade é áspera, nomeadamente para mentes balofas. O dotor Pimpão pode continuar imerso na bolha mediática que ele próprio criou e insufla, iludido pelo efeito mágico das festas e eventos, inebriado pelos muitos milhões que sistematicamente apregoa, mas uma coisa é certa: a realidade será sempre a realidade, senão para o iludido, pelo menos para quem a sente.

No meio de tanta banalidade e obscenidade, untada com banha (bajulação) rançosa, ainda surge, de vez em quando, uma voz lúcida, que expõe a realidade, ou parte dela, como deve ser, sem cerimónia nem brandura. Foi o que fez o presidente Humberto, falando sobre o projecto ECO Freguesias, quando afirmou que o executivo prometeu muito mas “em três anos não conseguiu colocar nenhum Ecoponto na freguesia de Almagreira”, e noutras, porque o que interessa é a bandeira - um desleixo, entre muitos, com o essencial.

Sigam as festas, e os eventos.

28 de março de 2024

Sobre ingenuidades e grandolândias

A Citrinolândia foi à reunião da “junta”. Sabe o que é, caro leitor? Não, com certeza. Não se importe. Ninguém sabe… Mas é por esta e por outras que Pombal continua a ser o campeão das futilidades e irrelevante no essencial.

Nada descompõe melhor uma tolice que uma ingénua observação (ou pergunta). O dotor Simões possui aquela ingénua esquisitice mental que, neste novo mundo da realidade ilusória e da virtual realidade, se tornou um atributo necessário para toda a figura pública fazer figura. Se ele não tivesse feito a ingénua observação sobre a Citrinolândia a coisa passava despercebida, e a tolice maior ficava escondida. 

Perante a ingénua observação, o dotor Pimpão, manhoso, saltou fora da conversa e passou a palavra à dotora Marto - um bom-cristão não atira uma criatura indefesa, que prende a língua e choca com as palavras quando tenta usar termos caros, para o martírio. Para nós, meros espectadores desta comédia de província, é sempre um deleite assistir à estratégia, à ciência, à investigação e ao palavreado que estas criaturas, politicamente impreparadas, colocam na justificação do seu voluntarismo estéril. 

Ora ouçam...


16 de fevereiro de 2023

Diário de um RP

Hoje foi dia de reunião pública da Câmara, que nesta nova dimensão das (i)responsabilidades autárquicas quer dizer 'dia de briefing'. Pedro Pimpão já disse que não se importa nada de ser  Relações Públicas (RP). Nós também não nos importaríamos, se além disso fizesse o seu trabalho. Ora acontece que o nosso autarca decidiu ficar-se pelo prazer, mandando o dever para a sarjeta. 

Já vai sendo tempo da oposição não o importunar com perguntas incómodas - como por exemplo como é que se justifica que há um ano esteja por resolver a situação dos esgotos públicos que vertem para um terreno privado na freguesia do Louriçal, sem percebermos quem é que mente, se o presidente da junta, se o da Câmara - sobre coisas sérias, pois que um verdadeiro RP não tem margem para chatices. Vendo bem, está transformado no verdadeiro programador (cultural e desportivo) e divulgador de eventos.  Mas para dar um pendor comovente ao cargo, agora juntou um momento de necrologia, que distingue pombalenses de primeira e de segunda: há os que merecem um voto de pesar, e os que só merecem condolências. Aguardamos então pelo momento dedicado aos nascimentos, que por certo está a guardar para juntar à divulgação do "cheque bebé". 

Percebe-se, finalmente, por que razão mantém aquele insípido gabinete de comunicação: ele é o verbo. E o sujeito. E o predicado. E se não responde...é porque não sabe.


14 de dezembro de 2022

Sobre rios e ribeiras (secas)

No passado dia 3 de dezembro, o município promoveu as I Jornadas do Rio Arunca. O evento pretendia “melhorar o conhecimento, a articulação e a acção dos diversos intervenientes”. 



Acreditando no relato de alguns participantes, a coisa parece ter tido êxito.  Os vereadores da “oposição” vieram de lá deslumbrados: “ficaram a saber” - vejam bem – “que o rio não é só água”.  E nós ficámos a saber que a doutora Odete e o doutor Simões aprendem coisas simples - o que, apesar de tudo, é um pequeno alívio.

Logo de seguida, na mesma reunião, as Contas do Bodo (?) foram apresentadas - um dito Resultado Financeiro; um dito cômputo geral de 351.963 euros! Perante isto, a dita “oposição”, que tinha andado quase seis meses a pedir as contas, não quis ou não soube dizer uma única palavra! Eu acredito mais na primeira hipótese – a mais preocupante.

O estado do Rio Arunca é preocupante, porque durante meio ano já não é rio. Mas o estado da política pombalense ainda é mais preocupante…

25 de agosto de 2022

A política ambiental 'de carregar p'la boca'


 

O executivo lá veio, todo pimpão, fazer propaganda de mais um feito: o investimento de meio milhão de euros (isto enquanto houver dinheiro vai ser um fartote, quando se acabar logo se vê...) num autocarro (além de outros quatro veículos ligeiros) todos eles consentâneos com a nova ambição, que - já se sabe - é verde. Ecológica, portanto. Mesmo que os peixes morram no Arunca todos os dias. Mesmo que este contrato já tivesse sido assinado pelo anterior executivo, quem sabe andar nisto é o Pedro. E divulgá-lo bem.

O que pelos vistos ninguém sabe que, como dizem os antigos, os carros não andam com água. Nem os elétricos. Ora, como é sabido, a cidade de Pombal dispõe de apenas um único posto de abastecimento com duas tomadas de carregamento para os carros elétricos (na avenida Heróis do Ultramar). Portanto, ainda bem que a Câmara dá exemplo, e pelo menos a aquisição do autocarro foi aprovada "com o respectivo carregador", segundo o comunicado da autarquia. 

3 de maio de 2022

Comissão Lusiaves – a hipocrisia no seu esplendor

Antigamente, as crianças de tenra idade eram educadas – entre outras coisas - para não mentirem, porque era feio, dizendo-lhes “se mentires caem-te os dentes”. A profecia cumpria-se, mas o método não provou.

Se a profecia se cumprisse com os adultos, Daniel Ferreira tinha perdido os dentes todos, na AM, quando apresentou o relatório da Comissão Lusiaves. Deu-se ao desplante de afirmar que os trabalhos da comissão decorreram “com bom entendimento e cordialidade entre todos os membros da comissão”, quando eles sabem, e nós também porque já aqui o contámos, que o ambiente entre os membros da comissão foi de cortar-à-faca, com condicionamentos de vária ordem, acusações, traições, ameaças, e ofensas entre os membros da comissão e a exteriores – algumas com inequívoca dimensão criminal.

Apesar de a comissão ser constituída por “políticos” supostamente socialistas, sociais-democratas e liberais, quiseram, logo à partida, limitar a liberdade individual, com a imposição do conhecido “centralismo democrático”, típico de partidos e criaturas pouco democráticas, numa matéria onde a transparência das posições políticas deveria ser uma condição básica. Nesta obsessão controladora distinguiram-se os dois representantes do PS, que, sentindo-se impotentes para aplicar os seus métodos, quiseram escorraçar um membro da comissão. Como não o conseguiram, fizeram uma participação ao presidente da AM, exigindo a sua exclusão, unicamente por este não aceitar o pacto de sigilo e a limitação da sua liberdade individual de acção por fazer parte da comissão. Soube-se agora, no decurso da AM, que os controleiros mais empedernidos, os do PS, partilhavam a informação recolhida com o seu grupo.

Quando a coisa aqui foi exposta, perceberam o ridículo da situação; um deles não foi sequer à AM, o outro meteu a viola no saco e esperou calado que ninguém trouxesse à baila a inenarrável participação.

Na AM, o relatório continuou a ser arma de arremesso pessoal e político, alvo de todo o tipo de tropelias. Foi distribuído no dia da reunião – contra todas as regras elementares da seriedade e responsabilidade política -, usado para mais despiques e consumições, e acabou aprovado sem ser lido (excepto os membros da comissão) - o presidente da AM nem as conclusões/decisão leu, como se viu!

Não saímos disto, desta zanguizarra que só descredibiliza a política e as instituições.



2 de maio de 2022

Exploração de inertes; Interesse público?!

Os paradoxos são coisas estranhas, fora do senso comum e aparentemente ilógicas, mas ao mesmo tempo muito elucidativas.

A câmara levou à AM um pedido de uma empresa privada que solicitava a extensão da zona de exploração de areia, na periferia do aquífero da Mata do Urso, acompanhado de um parecer favorável alicerçado no designado interesse público da exploração.

Sendo a matéria sensível, e alicerçada unicamente no difuso conceito/critério do “interesse público”, que por cá ainda ninguém quis e soube densificar, deu polémica e proporcionou todo o tipo de contradições e situações patéticas.

Nada como um paradoxo para fazer luz sobre o verdadeiro pensamento dos nossos políticos sobre questões fundamentais. O apregoado “interesse público” sai-lhes da boca recorrentemente, nomeadamente quando não encontram verdadeiros argumentos, mas na hora da verdade é um empecilho sempre pronto a pregar-lhes rasteiras.

Rico empecilho!


24 de agosto de 2021

Quem foi que se queixou da falta de espaços verdes?


Estou em crer que os candidatos - todos - que andam por aí a falar da necessidade de mais espaços verdes, estão especializados em distrair o eleitorado. É uma técnica usada pela Câmara durante o mês de Agosto, em que o Arunca se apresenta de leito cheio e alindado com um repuxo, e - pelos vistos - massificada.

Ora acontece que, para lá da cortina, o rio vai assim, neste estado verdejante. Escusam de incomodar os especialistas, de tentar perceber o que está a acontecer ao curso de água: há o milagre das rosas e há o milagre das algas. Deleitem-se. 

22 de março de 2021

Um registo verde a cair de maduro

 Tive que olhar duas vezes para ter a certeza de que não estava ver fotos da década de 90, quando o Dia da Árvore era tudo o que tínhamos em Pombal (e em Portugal, no resto do país não era muito diferente) para pensar no Ambiente e em como seria importante melhorar o planeta para cá continuarmos. 

Tive que olhar duas vezes para as fotografias porque não me parecia possível que em pleno 2021 uma Câmara - que se acha a última coca-cola do deserto em matéria de chavões eco-sustentáveis  mas depois acaba com jardins e privilegia praças - mandasse fazer uns bonés de propósito para a fotografia. O retrato era, afinal, muito mais rebuscado: o Município envolveu naquele excerto de política do enfeite os seus "colaboradores" - como foi amplamente replicado pelos media locais, que há muito desistiram do jornalismo - enfiou-lhes um boné e toca de os pôr a plantar árvores, que bonito. A ideia de plantar estas 140 árvores (que nos fazem falta, estas e muitas mais) foi "repor a pegada carbónica provocada pela quantidade de papel consumido, durante o ano de 2020, nos diversos serviços municipais", diz a autarquia. Todo o mise en scène foi devidamente fotografado e filmado e difundido por colaboradores - esses sim - já que se há feito a registar nas contas de merceeiro do Largo do Cardal é que o Município não criou um único posto de trabalho na área da comunicação. Primeiro valeu-se de um falso recibo verde, agora de avenças e acrescentos enxertados de outros departamentos. E como os delegados sindicais também devem ter desistido de Pombal,  não vimos ninguém importar-se com isso de chamar colaboradores aos trabalhadores, pois que moderno. 

Moral da história: há quem goste de enfiar a carapuça e bater a pala, porque ainda por cima aparece no jornal e nas redes sociais, disfarçado de "colaborador" de multinacional em registo de responsabilidade social. E pensam vocês: isto não é nada face ao que aí virá, em matéria de coaching motivacional.

Há gostos para tudo. 


*fotos de André Malheiro, publicados no jornal O Pinheirinho

30 de setembro de 2020

Os amigos (e os inimigos) do Rio Arunca


Um grupo de cidadãos está a organizar-se para defender o rio Arunca, assumindo uma importante faceta da sociedade civil.

No tempo em que os jornais e as rádios tinham gente a trabalhar e verdadeira independência, essa seria a notícia - e a nota de imprensa da câmara ocuparia o lugar que merece: uma breve, tanto mais quando o anúncio do prolongamento do corredor ribeirinho deveria fazer corar de vergonha o executivo de Diogo Mateus: andamos nisto há quantos anos, mesmo? Há quantos programas eleitorais enchemos chouriços com essa promessa, a reboque do tal parque verde? 

Mas num tempo de mundo ao contrário, com as Redacções depauperadas e o jeito que dá ter a papa feita, qualquer texto-propaganda ganha terreno ao valor-notícia. E por isso a "carta aberta dos Amigos do Arunca" - enviada aos órgãos de comunicação local e regional, não encontrou eco na imprensa escrita aqui do burgo. Uma busca rápida encontra-a aqui, no Região de Leiria, e aqui, na Rádio Clube de Pombal. Há ainda registos de uma entrevista de alguns dos Amigos do Arunca na Rádio Cardal.

Muito estranhei não ver o nosso Pedro Pimpão dar as boas-vindas ao novo movimento nas suas redes sociais. Também ele foi (quase) lesto a divulgar a propaganda municipal na página da Junta de Freguesia. 

Mas nada me surpreendeu que a "resposta" à carta aberta dos amigos do Arunca, por parte da Câmara, fosse um comunicado. Mesmo que o comunicador não saiba que a localidade se chama Flandes e não Frandres, e que seja citado um projectista secreto. 

Esta tarde reúne a Assembleia Municipal. Espero para ver quem é que se chega à frente com o tema. Ah, espera, estão lá representados dois fervorosos ambientalistas: Diogo Mateus, o próprio presidente da Câmara, e José Gomes Fernandes, indefectível membro da bancada do PSD. Afinal, foram eles os fundadores da Aurora, a última associação ambiental que nasceu e morreu à beira do Arunca. Bem que podiam voltar ao activo e dar uma mãozinha a este novo movimento. 

*foto desta manhã, 30 de setembro, com a bela da espuma dos dias

15 de outubro de 2019

Isto cheira mal, senhores


Há coisa de duas semanas algumas dezenas de habitantes reuniram-se na sede da antiga Junta de Freguesia da Mata Mourisca, por causa de uma pecuária cujo processo de licenciamento está há meses na Câmara Municipal de Pombal, correndo o risco de ser aprovado. Fica entre as localidades de Moita do Boi e Mata Mourisca.
Há quase 20 anos que aqueles pavilhões ali estão, de pé, sem nunca terem sido utilizados para fim com que foram construídos: este mesmo, o das suiniculturas. Mas o antigo proprietário atirou a toalha ao chão, de modo que a população andava descansada. Depois vendeu aquelas instalações a uma empresa de Janardo (Leiria), dedicada a este negócio de porcos. 
É preciso não conhecer aquele população para acreditar que é assim, de ânimo leve, que se instala uma pecuária junto daquelas casas e perto daquela ribeira sem que haja um levantamento popular. Melhor fora que todos fizessem o trabalho de casa, a começar pelos presidentes da Junta do Louriçal, José Manuel Marques, e da União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, Gonçalo Ramos, que garantiram de viva voz aos fregueses que estão a seu lado, para o que der o vier, que tratariam do assunto em reunião aprazada com o presidente da Câmara. Perante o registo a que nos habituaram nas reuniões da Assembleia Municipal - em que um passa a graxa e outro o pano - é melhor que a população se ponha esperta. E se quer garantir que é (mesmo) ouvida, que o faça por sua conta. Pois que as cautelas do autarca do Louriçal em querer manter "para já" a comunicação social de fora podem resultar aqui no burgo, mas não mais do que isso. 
Não duvido nada que um e outro estejam desse lado da barricada, pois que ninguém gosta de levar com cheiro a merda de porco ao pé da porta (mesmo com as ridículas garantias da técnica que apontava como solução o cheiro dos eucaliptos a 'cortar' o outro), mas têm aqui uma excelente oportunidade de mostrar de que massa são feitos, senhores. É esse o "modus operandi" que se espera, Gonçalo.

7 de junho de 2019

Embandeirar em arco


Foi bonito de ver sete freguesias do concelho de Pombal serem galardoadas com uma bandeira Eco XXI. 
- E o que quer isso dizer? (pergunta legitimamente o leitor).
Ora, quer dizer que as freguesia de Almagreira, Carnide, Carriço, Louriçal, Meirinhas, Pombal e União das Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca podem agora içar a sua bandeira verde Eco-Freguesias XXI, "prémio que avalia e reconhece o trabalho realizado pelas autarquias locais em prol do reforço da sustentabilidade dos seus territórios, na vertente ambiental, económica e sociocultural", segundo a notícia do site municipal.
Muito bem. O verde vai bem com as favas das Meirinhas, mas também pode ir com as ervilhas do Carriço, ou com a erva que cresce nalguns arruamentos do Louriçal. Ou mesmo com os ramos de eucalipto da estrada dos Malhos, na freguesia de Pombal. Ah, espera...
O verde-esperança fica muito bem nesta fotografia, a fazer lembrar uma reunião da Maçonaria. Será por isso que, por exemplo, o presidente da Pelariga se mostrou irado na publicação do companheiro Pimpão? Ou seria antes porque o lugar (nas fotos) lhe foi ocupado por um mensageiro do regime?
De maneira que não saímos disto. Fomos feitos para a bandeira, para este faz-de-conta-que-nos-preocupamos-com-o-ambiente-e-assim.
O que vale é que temos um presidente da Câmara bondoso, que dispensa os seus funcionários para comparecerem nestas cerimónias. Pelo menos aqueles que fazem menos falta, e que têm missões autárquicas. Ah, espera..