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2 de maio de 2026

Sobre a reunião da assembleia da “junta”

A assembleia municipal – agora definitivamente no patamar “junta” – reuniu durante cinco longas horas, no último dia do mês. É uma dor de alma ver e ouvir aquilo. No entanto, aquelas criaturas são capazes de passar uma tarde inteira a dizer tolices ou banalidades requentadas sem se cansarem e sem noção do ridículo. 



Na verdade, tudo ali é vulgar, rotineiro, rasteiro e enfastiante. De um lado ao outro, das peças da mobília aos novatos, mais acima ou mais abaixo, nada daquilo anima, cativa ou engrandece.  Todos (ou quase) vão para ali cumprir a sua rotina, ler a sua folhita, sem graça e sem alma. De um lado debitam sermões de escuteiro ou de beata benfeitora, encharcados de sentimentalismo bacoco e de teologia positivista; do outro largam perguntas inconsequentes e críticas repisadas condenadas ao fracasso. Não há ali qualquer rasgo, qualquer improviso bem esgalhado ou uma réplica desarmante do adversário. Do lado da oposição, só o doutor Gonçalves revela alguma desinibição política e capacidade retórica, mas sem conteúdos preparados e enquadramento político perde-se facilmente no fogo fátuo das tiradas despropositadas.  

O presidente da “junta” cansa até ao sorriso repulsivo, só de ouvi-lo na cantilena de trivialidades e elogios sonsos, pontuados sistematicamente com as batidas estrondosas do “extraordinário” e do “notável” no bombo discursivo – parece ter nascido ou enlouquecido com a mania do notável e do extraordinário.

Sobre o grande assunto da agenda – Relatório de Gestão de 2025 – a bancada PS entregou a importante matéria ao inenarrável Conselheiro Acácio, que de gestão e dos seus instrumentos parece saber tanto como boi de palácios. Vai daí, fez o que sabe fazer: leu, cabisbaixo, a sua habitual ladainha de maneirismos e coquetismos discursivos, mas não resistiu à vaidade tola de lhe acrescentar o seu truque de retórica sofista barata: somou o que não é somável (resultados líquidos anuais - dos últimos anos)! A ignorância é muito atrevida. 

Mas as coisas são como são, e nestes jogos de soma nula acabam sempre por se equilibrar. Coube à doutora Catarina, porventura inadvertidamente, traçar o verdadeiro retrato do documento e do desempenho da câmara quando afirmou, e rematou, que “o nível de concretização vai de encontro aos documentos estratégicos e também ao programa eleitoral que foi sufragado”. 

A política é a única farsa onde o farsante acha que faz boa figura se se engrandece com ela. 


27 de dezembro de 2025

Desavença (im)perdoável

Há pessoas pequenas de mais para o lugar que ocupam. E também há pessoas (que se julgam) grandes de mais para o lugar que ocupam. Ambas as situações são problemáticas, mas é o que mais existe por aqui. O doutor Coucelo é um desses casos: um pombalense-de-gema dotado de enorme sapiência, grande e selectiva memória, que, manifestamente, se sente aperreado no lugar que ocupa, presidente da AM, porque, apesar de lhe conferir estatuto, coarta-lhe a eloquência discursiva. 

Na última reunião da AM, aquando da discussão das GOP e Orçamento, o novato Pinhão fez uma curta intervenção que teve tanto de vulgar como de correcta. Mas vá-se lá saber por quê, o doutor Coucelo aproveitou o momento para, sobre o pretexto de defender a história de Pombal, defender o seu PSD e passar um raspanete ao vulnerável principiante naquelas andanças. Como o atacado não se calou, o doutor Coucelo desligou-lhe o microfone e carregou no raspanete.

Foi um episódio triste, que não deveria ter terminado daquela forma. Mas para isso era necessário que na bancada do PS houvesse alguém com coragem. Se há; então vale a pena recordar a lição que Churchill deu ao novato e promissor político inglês, quando lhe explicou no parlamento onde se sentavam os adversários e onde se sentavam os inimigos. 


26 de dezembro de 2025

Ao que nós chegámos!

A reunião ordinária da AM de dezembro é a sessão mais importante do ano, porque é quando se discutem os documentos que estabelecem as opções políticas e as medidas que a câmara implementará no ano seguinte. É a sessão que marca, ou deveria marcar, a agenda política para os próximos tempos. Infelizmente já não é assim...  

Coube à menina JA (para nós será sempre menina), graduada recentemente em amanuense-mor da “junta”, relegando para papel ainda mais secundário a doutora Marto, outrora gestora-vedeta, a tarefa de ler os números que constam dos documentos provisionais, num tom e num modo que cansa e irrita neurónios pensantes.  

A dita oposição não fez melhor…. De lá saltaram, para a intervenção inicial das respectivas “forças” políticas, dois estreantes nestas andanças, Rui Pinhão e um tal Hugo, que da matéria em discussão mostraram saber tanto como boi manso de astronomia. Perante alguns dislates, o doutor Coucelo não perdeu a oportunidade para passar um raspanete ao Pinhão – atrito repetido ao logo de toda a sessão.


25 de dezembro de 2025

Rasteira aos “Patinhos”

É dos livros: as organizações que não aprendem extinguem-se. A dita oposição tem trabalhado afincadamente para a sua extinção – se é que já não alcançou esse desiderato.

Pode-se ser inocente sem se ser ignorante. No último mandato, a bancada do PS local na AM (PS2) autoflagelou-se com o chorrilho de propostas e recomendações, sempre inconsequentes, despropositadas ou irregulares. Mas neste novo mandato, a tontice prossegue… - nunca há nada é tão mau que não possa ficar pior.

O cinismo e a malícia são coisas mais velhas que a honestidade. Daí que tenha uma certa piada rasteirar um patinho e vê-lo de patas para o ar a dar às asas. Mas na política local, no campo da dita oposição, já não estamos na presença de patinhos, mas de anjinhos. O doutor Coucelo foi cruel na rasteira, rebuscada e pouco regular, que fez àquelas alminhas vulneráveis. 

Às vezes dizem-se e fazem-se coisas cruéis por simples caridade ou para não chorar. 

Ora vejam. 


23 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (II) – uma confrangedora mediocridade

O anterior regime (Estado Novo) não tinha grande paixão pela Educação, mas Salazar era tudo menos burro: sabia, e por isso decretou, que para exercer funções públicas era preciso saber ler e escrever.



A essência da Democracia é o confronto de ideias para, supostamente, através do debate e do contraditório, validar a mais virtuosa. Um processo que exige protagonistas com pensamento coerente e minimamente alicerçado e estruturado e alguma capacidade de persuasão. 

Por cá, tudo isso já foi mandado às urtigas há muito tempo. Mas os resultados das últimas eleições colocaram-nos perante uma nova realidade: já se pode exercer cargos políticos sem, sequer, saber ler, quanto mais falar ou discutir.  

O que mais nos irá acontecer?!

22 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (I)

Está a decorrer a reunião ordinária da Assembleia Municipal, com importantes assuntos na agenda: Impostos Municipais, Grandes Opções do Plano e Orçamento. Uma discussão agoniante e pobríssima, sem excepções, protagonizada por “políticos” impreparados, preguiçosos e desconhecedores da matéria (advogados & outros).

Quando não se domina uma determinada matéria, e se participa na discussão, foge-se inevitavelmente para temas paralelos ou marginais. Foi o que aconteceu. Mas ver advogados a fugir do importante tema Orçamento para falarem, sem qualquer conhecimento, de Crescimento Económico e Modelos de Crescimento/Desenvolvimento chegou a ser confrangedor e até patético.

Como costuma dizer um amigo, quando ouço advogados a discutir Economia e Modelos Económicos saco logo da pistola. Era o que aquilo merecia.    

14 de novembro de 2025

Sobre a primeira sessão da nova AM

A agenda remetia unicamente para formalidades destituídas de qualquer conteúdo ou relevância política: eleição dos representantes da AM numa dezena de instituições, onde nunca fazem nada nem dão conta (à assembleia) do nada que lá fazem. A política transformou-se nisto, formalidades e rituais destituídos de valor.

Mas adiante, que alguns episódios ocorridos são reveladores do que aí vem: impreparação, desiquilíbrios de vária ordem, pedantice e ordinarice aguda (brejeira).

Ora vejam…

20 de setembro de 2025

Última sessão da Assembleia Municipal

Realizou-se ontem a última sessão da AM (deste mandato) num ambiente de despedidas envergonhadas com várias ausências. A sessão serviu para o que estas sessões habitualmente servem: auto-elogios, um ou outro elogio e algumas notas de balanço.

O elogio da meritória dedicação à dita causa-pública, de que algumas daquelas risíveis figuras se acham imbuídas e empossadas, derrama um pedantismo bacoco, típico do provinciano com tiques aristocratas. Mas compreende-se: se não fosse assim, como é que a generalidade daquelas criaturas seria alguma vez tocada pelo elogio público? Já o unânime elogio ao desempenho do Professor, mesmo por aqueles que logo de início, de forma precipitada e tonta, o elegeram como adversário, nos parece justo e inevitável. Bastaram os primeiros acordes para percebermos que estávamos perante um regente de batuta recto e distinto. Não nos enganou. Mas ao contrário do que foi dito na sessão, não estamos nada convencidos que o seu exemplo perdure e frutifique nesta terra. 

No que se refere às intervenções de fundo, só merece nota o risível “sermão” que o bom-cristão doutor Coelho deu aqueles peixes, sempre preocupado com os pecadores mas ignorando os seus pecados e realidade l, mostrando até à náusea uma confrangedora dissonância cognitiva consigo e com a realidade que o rodeia, de que ele é o principal artífice. 

Já a verdadeira síntese do mandato do doutor Pimpão saiu, em poucas palavras e quase a pedir desculpa, da boca do doutor Couto: prejuízo nunca visto, muitas actividades (festas) e poucas obras. E não é opinião, é Relatório de Gestão.  

2 de julho de 2025

Mais um número do Conselheiro Acácio

Na epopeia do irrisório em que se transformou a política pombalense, despontam frequentemente casos e figuras surpreendentes. Por exemplo, o desconhecido Escapa passou rapidamente de figura de escape para conselheiro-mor da oposição e do regime.

A Ordem de Trabalhos da última Assembleia Municipal continha cerca de três de dezenas de pontos, alguns muito relevantes para o concelho, outros simplesmente para formalizar actos administrativos. 

Contudo, o nosso Conselheiro Acácio transformou um assunto puramente formal - Apreciação de Impugnação do Empréstimo Bancário, pelo concorrente do banco selecionado, votada por unanimidade pelo executivo municipal - num número mirabolante que sobressaiu de todo o debate. Fê-lo a partir de uma farfalhice administrativa, inventando desmembramentos, aditando hipóteses, acrescentando a sua antítese, e rebuscando tudo com os seus trocadilhos baralhou o distinto Professor de Direito, ao ponto de quase o enrolar. Estamos claramente perante uma criatura dotada de fino tacto político, capaz de ver uma agulha (política) num palheiro; e, mais, de fazer dela uma jóia; a que acrescenta uma retórica capaz de fazer chorar as pedras da calçada, cheia de locuções repolhudas, refinados trocadilhos e rapapés que baralham e torcem qualquer criatura formatada no raciocínio lógico. 

À valente! Ora vejam… 


29 de junho de 2025

“Enforcado” ou “enforcou-se”?

A política sem alinhamento, consistência e consonância na acção é uma brincadeira, que corre sempre mal – mesmo para os engraçados sempre sedentos de um brilharete. A dita “oposição” não percebe isto e nunca vai percebê-lo.

Quem quiser ajuizar o desempenho da dita “oposição” no presente mandato na Assembleia Municipal (no executivo não foi muito diferente) basta ver a última reunião. Ou nem tanto: basta ouvir a despropositada intervenção do dotor Anibal - mas houve mais e do mesmo género.  

Naquele seu estilo professoral, mas sempre inconsequente (politicamente), o dotor Anibal voltou a discorrer longamente sobre coisa de nenhum interesse ou valor - o irrelevante Plano Estratégico do dotor Pimpão, ignorado rapidamente por toda a gente. Mesmo alertado pelo presidente da assembleia, para o uso excessivo do tempo atribuído à sua bandada, insistiu até à náusea na desastrada e desastrosa divagação. 

Na resposta, o dotor Pimpão elogiou-o e colocou-lhe suavemente o laço - não (só) a ele, mas ao partido que supostamente representa. 



29 de abril de 2025

Quando o Conselheiro Acácio “emerdou” o Professor

Na última AM, assistimos, desconsoladamente e da forma mais insólita, à queda de um anjo, aos pés do Conselheiro Acácio. Quem diria?!

Saudámos a entrada do Professor na política pombalense, que bem necessitada estava de redenção depois dos múltiplos atropelos cometidos pela “doutora” Guardado. Fomos por aqui dando nota da dignidade e da exemplar forma como o Professor dirigia a magna assembleia. Mas eis que, insolitamente ou talvez não, o Professor soçobra e desilude numa questão simples para um Professor de Direito: aplicação da lei e do regimento. 

O Regime Democrático assenta em dois pilares que convém nunca esquecer nem deslaçar: a vontade da maioria e o primado da lei. O Professor deu “carta-branca” à imposição da “Vontade da Maioria”, fintando a lei com justificações esfarrapadas, sabendo que estava a ferir de nulidade o acto praticado -aprovação de Concurso Público sem entrega da documentação no prazo.

No trapezismo feito para justificar o injustificável, o doutor Fernandes foi parcial e enviesado na argumentação, porque não resistiu ao instinto de “derrotar”, mais uma vez, a oposição; mas, apesar de tudo, manteve uns laivos de consciência e de rectidão ao reconhecer que, nesta matéria, o regimento viola a lei; e lembrou, até, que nas assembleias das sociedades comerciais esta prática não é permitida - sendo-o, fere de nulidade o acto.

O trapezismodo Professor foi manifestamente inaceitável, porque lhe compete assegurar a conformidade do desenrolar da assembleia e das respectivas decisões, respeitando a lei e agindo com imparcialidade. Começou bem: suspendeu os trabalhos e reuniu a mesa para analisar a questão. Mas quando se esperava a decisão correcta, alicerçada na lei e nos Elementares Princípios do Estado de Direito Democrático, o Professor informou que a mesa decidira colocar o requerimento do PS à votação da assembleia, e que a decisão da assembleia seria por maioria e não por unanimidade (como o PS defendia). O doutor Coucelo anuiu prontamente com o habitual movimento vertical da cabeça, e a "doutora" Adelaide repetiu o gesto - “o companheirismo e o respeitinho são muito bonitos”. O Professor justificou a decisão com dois argumentos risíveis: (i) falha pontual do executivo na entrega atempada da documentação; (ii) e excepcionalidade da sua decisão. Bem sabemos - não é preciso ser Professor de Direito - que não há bons argumentos para decisões erradas. Mas alicerçar a decisão da mesa no carácter pontual do caso, que ainda por cima não é verdadeiro*, e na excepcionalidade da decisão da mesa, não lembra ao Diabo - a conformidade dos actos administrativos não tolera excepcionalidades ad-hoc à lei. 

A realidade diz-nos que nunca devemos esquecer que o homem de partido é sempre um homem partido, salvo raríssimas excepções. Tínhamos o Professor dentro dessas as excepções, erradamente. 




*NR: O executivo,  por desconhecimento das regras ou por manha, reúne regularmente nas vésperas das assembleias, contra aquilo que é regra e era boa-prática anterior.

24 de abril de 2025

Política pombalense – uma decadência extraordinária

A Assembleia Municipal (AM), definitivamente abocalhada pelos presidentes de junta, que ali debitam lamúrias ou lisonjas conforme os seus humores, reuniu ontem. Na véspera, a “Junta” reunira para cumprir a formalidade, sem ligar às formalidades mais elementares; gerando, desta forma, entropia e irregularidades que o presidente da AM resolveu mal – assunto que trataremos noutro post.



Assiste-se a uma degradação da acção política e a um estupor apático, tanto ao nível do poder como da oposição, que é preocupante, nomeadamente num tempo que deveria ser de efervescência e confronto político. A forma como decorreu última reunião da AM é paradigmática da triste realidade.

As reuniões da AM - tal como as da Assembleia da República - não são igualmente relevantes. A reunião de Abril, onde se discute o Relatório de Gestão do exercício anterior, foi sempre a mais relevante (politicamente), porque era ali que se fazia o balanço do desempenho do executivo; e, por isso, era nesta reunião que a oposição tinha obrigatoriamente que fazer prova de vida - mostrar a sua capacidade para ser alternativa. Agora, tudo é diferente, penoso, chocho e insípido. A bancada do poder, historicamente aguerrida e até trauliteira, vai agora para ali como quem vai para um velório, com as principais figuras a remeterem-se praticamente ao silêncio, suportando estoicamente o enfado. A dita oposição, de onde desertaram os figurões, e agora resumida ao Conselheiro Acácio e às 2 – Marias, arrasta-se penosamente no seu labirinto, sem ânimo e sem âncoras, sem as corriqueiras recomendações. O tempo do PAOD (Período Antes da Ordem do Dia) fica pelo meio, e o Relatório de Gestão não chega sequer a ser discutido – despacha-se com uma cábula trazida no bolso.

Como é que se sai disto? - perguntarão alguns leitores. Não sai; só se desce. E perguntarão outros: … mas não há esperança? Há, mas não é nas nossas vidas.

3 de março de 2025

Empréstimo de 10 Milhões – uma conversa tola sobre extravagâncias (I)

O assunto mais relevante da recente Assembleia Municipal foi a discussão e aprovação de um empréstimo bancário de 9854000 €, pela Câmara Municipal de Pombal.



Depois de estourar as poupanças herdadas e de colocar as contas no vermelho, com 3.6 milhões de euros de prejuízo, e a tesouraria em ruptura, o dotor Pimpão precisava de mais dinheiro para as suas extravagâncias. Por conseguinte, o empréstimo só surpreende no montante, não na sua aprovação, garantida à cabeça qualquer que fosse o montante ou finalidade. Daí que o executivo não tenha gastado tempo nem palavras para o justificar - limitou-se a indicar umas medidas meio-tontas ou sem necessidade de financiamento. Mas a realidade é outra: o dotor Pimpão precisa das contas bem recheadas para poder gastar à-vontade nas festas,  benfeitorias de fachada  - que também dão festa - e negócios ruinosos.

Nas questões de governação, a pior coisa que se pode fazer é meter dinheiro, em abundância, nas mãos de um desgovernado. Mas como o dinheiro não é deles - é nosso - a maioria fez o favor ao menino. E a oposição ajudou à festa, como é da sua natureza… 

As acções dos homens (e das mulheres) são danosas quer pela ignorância, quer pelos maus desejos. Neste caso, é pelas duas coisas. A prenda vai-nos sair cara – preparem-se para a subida da factura da água. A felicidade tola traz sempre enormes custos.

9 de outubro de 2024

E o regimento, censores?!

No (final do) período reservado às intervenções do público, Manuel Serra pediu a palavra, porventura para reforçar a oportuna intervenção do cidadão Jorge Cordeiro e/ou para fazer algum tipo de paralelismo com a sua longa luta contra a instalação de uma grande unidade avícola, na periferia da vila da Guia. Mas logo se levantaram várias vozes “não pode…”, “não pode…”, “não pode…”, de todas as bancadas. Não haja dúvida que o espírito censório supera as ideologias, e está mais disseminado do que se julga.

Perante a ridícula situação, o presidente da Mesa da AM em exercício - doutor João Coucelo -, porventura condicionado pelos protestos, não concedeu a palavra ao alistado e, pior, brindou a assembleia com uma justificação que teve tanto de pomposa como de patética.

Todos aceitaram a decisão. Todos menos o visado…

Passados largos minutos, possivelmente alertado para o erro que havia cometido, o presidente da mesa em exercício informou a assembleia que tinha cometido um erro ao não ter concedido a palavra a Manuel Serra, já que o regimento lhe concedia esse direito, e pediu desculpa pelo erro. Os erros acontecem, mas, neste cargo, acontecem mais quando se conduz os trabalhos mais pelo sentimento (“feeling”) que pelo regimento.

Depois: depois continuamos a padecer dos antigos vícios: democratas pouco democráticos; e espírito censor aguçado.


4 de outubro de 2024

Pimpão contra Pimpão & C.ª

Na última reunião da AM, o Pimpão João bateu e arrasou, sem dó e sem piedade, o Pimpão Pedro e tudo o que gravita à sua volta: o vereador Navega – apesar de tudo, o único que faz alguma coisa e sabe alguma coisa do que faz –, o responsável pela Divisão de Obras, a Fiscalização Municipal, a direcção da PMUGest, etc. Como diz o povo, só se perderam as que caíram no chão.

As acusações são graves: alicerçam-se em factos e documentos e não em simples opiniões, consubstanciam uma forma de fazer política e algumas poderão ter contornos criminais. Nada que nos surpreenda.

A aventura do Pedro, digamo-lo sem refolhos, terminou. Na verdade, na verdade, terminou quase no mesmo instante que começou. O efémero é assim, dá felicidade mas esvai-se rapidamente. A partir de agora, a vida política do Pedro será um tormento público que tem tudo para terminar numa agonia dolorosa à espera do golpe de misericórdia. Nada que não tivéssemos previsto. O destino previsível de um escravo da lisonja que se limita a pregar a felicidade tola, foge voluntária e descaradamente dos problemas, dissipa capital político na fanfarrice, doudejando por festas e eventos, inebriado pela alegre vaidade de aparecer, cai inevitavelmente num drama sociopolítico como este, carregado de incerteza e sofrimento, que pode não determinar o seu fim imediato, mas acarreta um declínio irreversível na indispensável relação de confiança com a população e os seus correligionários. Um drama que pelos sinais já é psicológico, mas se pode tornar psicopatológico. 

 


2 de outubro de 2024

AM – juntas ao poder

No poder não há vazios. A última reunião da Assembleia Municipal (AM) confirmou o que já se vinha notando há algum tempo: o empoderamento das juntas (dos presidentes de junta). Durante o PAOD (Período Antes da Ordem do Dia) - e ao longo da reunião - adoptaram um registo comum: cobrar promessas ao dotor Pimpão. Coisa nunca vista, por cá…



Descortinaram-se, ali, três bancadas: a do poder (PSD), desinteressada e desarticulada, sem adversário e sem missão, limitou-se a cumprir agenda, sem honra e sem brio; a da dita oposição (PS), sem estratégia e sem astúcia, e agora sem as predilectas “Propostas/Recomendações”, limitou-se a picar assuntos; e a dos presidentes de junta!, sintonizados na cobrança de promessas e na disputa do melhor quinhão no rancho municipal.

O arquitecto Guardado voltou a fazer uma boa intervenção sobre o Parque Verde mas ninguém o ouve… - aquilo vai acabar como benfeitoria cara para encher a agenda política. O dotor Siopa voltou para confirmar, por actos e confissão, o que já se sabia: está na bancada errada. O dotor Pimpão chegou atrasado, e sem avisar, mas ainda a tempo de cumprir os serviços mínimos e levar pancada dos presidentes de junta.

30 de julho de 2024

Presidentes de Junta nas Assembleias Municipais – uma excrescência da nossa Democracia

Os contratos interadministrativos celebrados entre as câmaras e as juntas de freguesia – também muito usados por cá – são estratagemas para transferir recursos do orçamento municipal para as juntas de freguesia. Passam pelas Assembleias Municipais como cão por vinha vindimada porque se convencionou que são coisa virtuosa. Mas não são; padecem de vários vícios, nomeadamente formas de subordinação política e fraco controlo do convénio e dos dinheiros públicos.



Agora, a Direcção-Geral da Administração Legal, as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a Inspecção-Geral de Finanças vieram dizer que os ditos contratos são ilegais porque foram votados pelos presidentes de junta com assento nas reuniões das assembleias municipais. Coisa óbvia mas contestada por uma dita Associação Nacional das Assembleias Municipais – há associações para tudo o que possa proporcionar fácil acesso aos orçamentos públicos.

No entanto, a excrescência maior não é votação dos interadministrativos pelos presidentes de junta nas assembleias municipais ou os próprios contratos, é a presença dos presidentes de junta nas assembleias municipais - uma distorção democrática que viola os mais elementares princípios democráticos, como bem explicou, há tempos, o constitucionalista Vital Moreira.  

Por cá, a excrescência vai em crescendo, com os presidentes de junta a monopolizarem o debate político e servindo-se de tudo para esbulhar o orçamento municipal. Então, o das Meirinhas chega a ser obsceno.

28 de junho de 2024

AM – a realidade estava guardada para o fim

A política pombalense caiu numa pasmaceira completa, pavorosamente monótona e desajeitadamente insípida, que desinteressa até aos mais interessados. Num ápice, passámos do mais maçante despotismo para o mais estéril desportivismo, protagonizado por criaturas que não nos representam, nos não conhecem nem nos querem conhecer, receosos de que os conheçamos a eles(as).

As reuniões da “Junta” - executivo municipal – tornaram-se intelectualmente insuportáveis, com figurantes protegidos por um pacto de “não-agressão” que só beneficia o fraco poder. As reuniões da Assembleia Municipal deslizam penosamente para verdadeiros exemplares de assembleias de freguesia, monopolizadas pelos presidentes de junta - coisa nunca vista nesta terra e em terra alguma. Resultado de uma maioria desinteressada e de uma minoria debilitada; de onde só sobressaem os Pimpões, mais pelos modos e tom que pelo resto. 

Mas a realidade é áspera, nomeadamente para mentes balofas. O dotor Pimpão pode continuar imerso na bolha mediática que ele próprio criou e insufla, iludido pelo efeito mágico das festas e eventos, inebriado pelos muitos milhões que sistematicamente apregoa, mas uma coisa é certa: a realidade será sempre a realidade, senão para o iludido, pelo menos para quem a sente.

No meio de tanta banalidade e obscenidade, untada com banha (bajulação) rançosa, ainda surge, de vez em quando, uma voz lúcida, que expõe a realidade, ou parte dela, como deve ser, sem cerimónia nem brandura. Foi o que fez o presidente Humberto, falando sobre o projecto ECO Freguesias, quando afirmou que o executivo prometeu muito mas “em três anos não conseguiu colocar nenhum Ecoponto na freguesia de Almagreira”, e noutras, porque o que interessa é a bandeira - um desleixo, entre muitos, com o essencial.

Sigam as festas, e os eventos.

10 de maio de 2024

AM – fraco rei e fraca gente

Uma imagem vale por mil palavras. Vou poupar nas palavras.

Por falta de vontade e pontos de interesse, hesitei postar sobre a última Assembleia Municipal (AM). Mas, pensando melhor, o estado da coisa é digno de nota… 



Já houve tempos em que as reuniões da AM eram o ponto alto da política pombalense: o verdadeiro palco para os representantes do povo exporem as preocupações e as aspirações do povo, com coragem e galhardia. Era ali que se fazia a verdadeira prova de vida (política), se perdia ou ganhava peso político. Ia-se para ali com gosto e alegria, com aquele brilhozinho nos olhos que denota coisa preparada. Ou com o comprimido tomado à entrada.

Actualmente, tudo é diferente… 

A imagem anexa mostra bem o desprazer, penoso e amargurado, que perpassa daquelas almas desencantadas e/ou sofridas, dispersas pelo imenso vazio sem ordem e sem sentido.

No canto de rodapé pode ver-se o que resta do destroçado PS: as 3 Marias abandonadas ao destino.

1 de março de 2024

A pergunta que ficou sem resposta em Abiul – um berbicacho

A presidente da junta de Abiul (Sandra Barros), para além de ter recebido bem os membros da AM, dizem eles, fez, logo na abertura, no seu estilo discreto e oportuno, uma boa intervenção. Para além de, como é da praxe, agradecer alguns investimentos e apoios fez também os inevitáveis pedidos… E obteve as habituais respostas. 

Até aqui tudo bem – tudo como é da praxe.



Mas para o final da sua intervenção, a presidente guardou a pergunta maldita, que muitos membros da assembleia conhecem e deveriam fazer, mas não fazem. Perguntou se os contratos de arrendamento das antigas escolas primárias, para exploração turística privada, realizados há mais de dois anos, ainda estavam em vigor, porque ainda nada foi concretizado e as escolas estão abandonadas, com muito arvoredo, os residentes a reclamar e a junta nada pode fazer! E deu o exemplo da escola de Almezinha, um edifício com três salas e bom espaço adjacente com valor para os residentes. Não obteve resposta!

O dotor Pimpão fala muito, e muito alto, porque não é verdadeiramente questionado - só lhe dão deixas (compreensíveis se vindas da bancada da maioria, mas indesculpáveis se “deixadas” pela dita oposição).

Aos que nos rotulam de só criticar por criticar, relembro que na altura da adjudicação tracei, aqui, o destino desta tola ilusão – a conversão das antigas escolas primárias para Alojamento Turístico. Não me enganei. O resultado está à vista. Às vezes até tenho pena de acertar tantas vezes no prognóstico destas tolices camarárias. Mas enfim – de onde não há não se pode tirar. 

Os estragos desta tolice não se ficam só pelo abandono destes imóveis – já assim estavam – e pelos custos administrativos do processo de adjudicação. Como era previsível, esta hasta pública só atrairia um ou outro oportunista, um ou outro falso empreendedor, sempre pronto a colar-se e a medrar à custa do Estado. Quando viram que isso não era viável abandonaram as ideias e os imóveis. Uns não mexeram uma palha porque queriam que a câmara fizesse o investimento inicial na requalificação dos imóveis, obrigação que nunca esteve no contrato, para eles depois cobrarem as rendas se algum perdido por ali aparecesse. Outro, consta, converteu ou quer converter o edifício para habitação particular, em total violação do contrato. Como a câmara faz algumas coisas só para mostrar que faz (alguma coisa), não controla as coisas nem se dá ao respeito, não exigiu obras no prazo e não cobrou as rendas devidas. Resultado: em vez de resolver um problema menor arranjou dois ou três - meteu-se num berbicacho financeiro e jurídico!

Estamos neste ponto. Cantemos o refrão dos Deolinda:

“Ai, ai, ai, Viriato, queremos ver, 

Como é que vai resolver o berbicacho”.