27 de dezembro de 2025

Desavença (im)perdoável

Há pessoas pequenas de mais para o lugar que ocupam. E também há pessoas (que se julgam) grandes de mais para o lugar que ocupam. Ambas as situações são problemáticas, mas é o que mais existe por aqui. O doutor Coucelo é um desses casos: um pombalense-de-gema dotado de enorme sapiência, grande e selectiva memória, que, manifestamente, se sente aperreado no lugar que ocupa, presidente da AM, porque, apesar de lhe conferir estatuto, coarta-lhe a eloquência discursiva. 

Na última reunião da AM, aquando da discussão das GOP e Orçamento, o novato Pinhão fez uma curta intervenção que teve tanto de vulgar como de correcta. Mas vá-se lá saber por quê, o doutor Coucelo aproveitou o momento para, sobre o pretexto de defender a história de Pombal, defender o seu PSD e passar um raspanete ao vulnerável principiante naquelas andanças. Como o atacado não se calou, o doutor Coucelo desligou-lhe o microfone e carregou no raspanete.

Foi um episódio triste, que não deveria ter terminado daquela forma. Mas para isso era necessário que na bancada do PS houvesse alguém com coragem. Se há; então vale a pena recordar a lição que Churchill deu ao novato e promissor político inglês, quando lhe explicou no parlamento onde se sentavam os adversários e onde se sentavam os inimigos. 


26 de dezembro de 2025

Ao que nós chegámos!

A reunião ordinária da AM de dezembro é a sessão mais importante do ano, porque é quando se discutem os documentos que estabelecem as opções políticas e as medidas que a câmara implementará no ano seguinte. É a sessão que marca, ou deveria marcar, a agenda política para os próximos tempos. Infelizmente já não é assim...  

Coube à menina JA (para nós será sempre menina), graduada recentemente em amanuense-mor da “junta”, relegando para papel ainda mais secundário a doutora Marto, outrora gestora-vedeta, a tarefa de ler os números que constam dos documentos provisionais, num tom e num modo que cansa e irrita neurónios pensantes.  

A dita oposição não fez melhor…. De lá saltaram, para a intervenção inicial das respectivas “forças” políticas, dois estreantes nestas andanças, Rui Pinhão e um tal Hugo, que da matéria em discussão mostraram saber tanto como boi manso de astronomia. Perante alguns dislates, o doutor Coucelo não perdeu a oportunidade para passar um raspanete ao Pinhão – atrito repetido ao logo de toda a sessão.


25 de dezembro de 2025

Rasteira aos “Patinhos”

É dos livros: as organizações que não aprendem extinguem-se. A dita oposição tem trabalhado afincadamente para a sua extinção – se é que já não alcançou esse desiderato.

Pode-se ser inocente sem se ser ignorante. No último mandato, a bancada do PS local na AM (PS2) autoflagelou-se com o chorrilho de propostas e recomendações, sempre inconsequentes, despropositadas ou irregulares. Mas neste novo mandato, a tontice prossegue… - nunca há nada é tão mau que não possa ficar pior.

O cinismo e a malícia são coisas mais velhas que a honestidade. Daí que tenha uma certa piada rasteirar um patinho e vê-lo de patas para o ar a dar às asas. Mas na política local, no campo da dita oposição, já não estamos na presença de patinhos, mas de anjinhos. O doutor Coucelo foi cruel na rasteira, rebuscada e pouco regular, que fez àquelas alminhas vulneráveis. 

Às vezes dizem-se e fazem-se coisas cruéis por simples caridade ou para não chorar. 

Ora vejam. 


24 de dezembro de 2025

BOAS FESTAS

 


Um “belíssimo” retrato

Para ilustrar a última reunião da “junta”, os profissionais da propaganda municipal (presidente e ajudantes) resolveram tirar e publicar um retrato que ilustrasse a reunião e a realidade subjacente (aos seus desígnios).

Sim senhora! Revelam surpreendente habilidade. 



23 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (II) – uma confrangedora mediocridade

O anterior regime (Estado Novo) não tinha grande paixão pela Educação, mas Salazar era tudo menos burro: sabia, e por isso decretou, que para exercer funções públicas era preciso saber ler e escrever.



A essência da Democracia é o confronto de ideias para, supostamente, através do debate e do contraditório, validar a mais virtuosa. Um processo que exige protagonistas com pensamento coerente e minimamente alicerçado e estruturado e alguma capacidade de persuasão. 

Por cá, tudo isso já foi mandado às urtigas há muito tempo. Mas os resultados das últimas eleições colocaram-nos perante uma nova realidade: já se pode exercer cargos políticos sem, sequer, saber ler, quanto mais falar ou discutir.  

O que mais nos irá acontecer?!

22 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (I)

Está a decorrer a reunião ordinária da Assembleia Municipal, com importantes assuntos na agenda: Impostos Municipais, Grandes Opções do Plano e Orçamento. Uma discussão agoniante e pobríssima, sem excepções, protagonizada por “políticos” impreparados, preguiçosos e desconhecedores da matéria (advogados & outros).

Quando não se domina uma determinada matéria, e se participa na discussão, foge-se inevitavelmente para temas paralelos ou marginais. Foi o que aconteceu. Mas ver advogados a fugir do importante tema Orçamento para falarem, sem qualquer conhecimento, de Crescimento Económico e Modelos de Crescimento/Desenvolvimento chegou a ser confrangedor e até patético.

Como costuma dizer um amigo, quando ouço advogados a discutir Economia e Modelos Económicos saco logo da pistola. Era o que aquilo merecia.    

Sobre a reunião da “junta”

Decorreu, hoje, a reunião mensal da “junta” transmitida e aberta à participação do público, num registo muito tranquilo, cordial e até informal. Uma verdadeira reunião de junta, já a roçar a conversa de café, sem temas relevantes ou polémicos - os que havia tinham sido reservados para a reunião reservada.



O presidente conduzui a coisa com muita descrição e despacho. Isto para ele, agora, já é só um proforma obrigatório. 

O vereador não-eleito, agora assumidamente no papel de porta-voz dos fregueses – coisa que lhe cai como uma luva de seda -, apresentou-se contido, sereno, generoso e até indulgente com o presidente e ajudantes.

O Conde do Oeste transmitiu, muito bem, as suas preocupações (coisas do seu condado) e distribui um ou outro confete e auto-elogio.

O resto assistiu.


21 de dezembro de 2025

O novo sítio do Pimpas - e o que ainda falta dizer sobre a chegada à ANMP


Há qualquer coisa de patológico nesta necessidade constante que Pedro Pimpão tem de partilhar notícias sobre si próprio. Mas esta síndrome do culto da personalidade atingiu agora o auge, a propósito da sua chegada à pseudo liga dos campeões da política autárquica, que é a Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Muitos camaradas me têm perguntado por ele, sobretudo depois das primeiras entrevistas. É verdade que conheço o Pedro desde menino, que o vi dar os primeiros passos na política, o único caminho que acabou por trilhar. Mas também é verdade que nunca deixo de me surpreender com esta escalada, a dele e de outros, na região, no país e no mundo. Se os líderes mundiais são os que são, neste momento, por que razão nos havemos de surpreender com esta ascensão de Pimpão ao lugar cimeiro dos autarcas?

O Adelino Malho já aqui disse o que isso (não) representa, na prática, mas é preciso estarmos todos conscientes do que vai significar para nós, munícipes, os que aqui vivemos e pagamos impostos.

Soube que esta jogada estava a preparar-se poucas semanas depois das eleições autárquicas, mas custava-me a crer. Pedro fez o seu caminho direitinho dentro do partido (sobretudo desde que Rio saiu de cena e entrou Montenegro), construiu uma imagem de bom rapaz, de quem diz sempre que sim a todos (menos aos que se lhe opõem, pois que é um unanimista militante). No dizer de um companheiro de partido hoje com responsabilidades grandes, é aquele que “está sempre em cima do muro e a meio da ponte”. Isso garantiu-lhe uma aura de bonomia, cimentou o lado escuteiro, permitiu-lhe chegar à Câmara antes do tempo previsto, afastando com pinças (e ajudas várias) Diogo Mateus do caminho. Não nos esqueçamos deste pormenor.

Depois foi eleito representante dos autarcas social-democratas. Quando soaram as primeiras notas a indiciar que poderia ir para a ANMP, duvidei. Faltava-lhe peso político. Mas não descuremos a capacidade do Pedro construir estratégias. Talvez seja esse o (único) trabalho que faz bem. Rodeou-se dos que lhe haveriam de valer, de alguma forma. Quando vi um artigo de Luís Marques no Expresso (sobre ele), quando foi ao Expresso da Meia Noite, depois ao Observador, e tudo isso há mais de um mês, comecei a acreditar que não era assim tão inverosímil a chegada dele lá acima. Fez acordos com o PS (que ainda não percebeu que vai ser comido de cebolada nesta caldeirada), com os independentes, e seguiu viagem. O que dali vai sair logo se vê, se não for nada é nada.

Mas no meio disto, há uma Câmara que supostamente ele devia gerir, ou, num cenário destes, ter um ou uma vice-presidente à altura.  Acredito, genuinamente, que na sua cabeça o está fazer, através de terceiros. Quando foi buscar um director municipal para (lhe) fazer o trabalho, seria essa a linha de raciocínio. Foi exactamente isso que perceberam alguns novos presidentes de Junta, logo na primeira reunião.

E esse é o perigo. Não há terra que singre sem peso político (o que implica liderança e decisão) sobretudo quando não é ancorado no crescimento económico, pilar do desenvolvimento.

Os vazios costumam ser perigosos, como nos mostra a história, pela forma como são ocupados. E sim, há quem esteja à espreita, a ver se o molde lhe serve.

No meio deste estado a que chegámos, talvez a única réstia de alento no interesse político da terra seja a chegada de João Coelho à vereação, que cria desconforto e desassossego, tão importante neste charco de águas paradas. Mas não chega.

O Pedro começa agora a distribuir o seu jogo fora daqui, entre “máquinas” e “campeões” de outro campeonato. E nós, na liga dos últimos, cá nos havemos de aguentar: um plano e orçamento que repete obras prometidas há duas décadas, o canto da sereia à escala do Arunca.

Basta analisar tudo o que tem dito nesta nova pele para perceber que aplicará uma receita de sucesso: colocar nos píncaros os que trabalham na administração local, falar-lhes ao jeito, pedir que lhes paguem melhor. Mais ou menos como começou por fazer aqui, elevando os funcionários à condição de “heróis de capa azul e amarela”. Música para tantos ouvidos. E o dom de os converter em votos.

Siga a dança, Pedro.


*O Sítio do Pimpas era o nome do blogue que criou na primeira década de 2000, quando decidiu que iria ser político profissional.



19 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da “junta”, da passada semana (II)

O vereador não-eleito (doutor Coelho) monopolizou a reunião da “junta”, tanto no período-antes-da-ordem-do-dia como no seguinte, com assuntos e intervenções de todo o tipo, relevantes e irrelevantes, oportunas e inoportunas, atrevidas e azoinadas. Atreveu-se, até, por ignorância ou insensatez (política), a usar o surrealista tema da garantia da qualidade da água dos fontanários dispersos pelo concelho, em desuso para fornecimento de água para consumo humano há décadas, para abespinhar o presidente. 



Quando o PS local teve um programa político estruturado, consistente e coerente, coisa rara, colocou em causa a qualidade da água do sistema de abastecimento público, e defendeu uma solução segura que felizmente foi implementada com sucesso. Mas nem nessa altura via nos fontanários arcaicos uma alternativa necessária ou adequada para fornecimento de água para consumo humano – coisa rara, irracional e totalmente desincentivada pela autoridade de Saúde Pública. 

Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe que não é possível garantir a qualidade e a segurança da água nos fontanários, pela simples razão de a Natureza não ser controlável. Mas há criaturas, de cariz antropocêntrico, que julgam que sim! O doutor Coelho é uma delas. Pegou na ideia tonta do controlo da água dos fontanários por duas razões, uma oportunística, outra intrínseca. Oportunística porque tudo lhe servirá para abespinhar o presidente. Intrínseca porque tudo igualmente lhe servirá para passar a imagem do cândido romântico muito sensível aos sonhos revivalistas de algumas pessoas. Os fontanários caem-lhe, aqui, como sopa no mel. Deus lhe perdoe.

18 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da “junta”, da passada semana (I)

 A “junta” reuniu na passada semana com uma vasta agenda (mais de setenta pontos) e pontos relevantes para a comunidade, cidadãos e empresas; nomeadamente o orçamento municipal e os inerentes impostos municipais.



(Só agora damos nota da dita reunião porque só há pouco tivemos acesso ao áudio da reunião; e porque confiamos cada vez menos em relatos feitos pelos actores da trama…).

A reunião foi animada, e picada, tanto no período-antes-da-ordem-do-dia como no seguinte, com o vereador não-eleito – doutor Coelho – a monopolizar o debate, imbuído do seu propósito supremo: abespinhar o presidente - intento que tem conseguido atingir com alguma mestria.

Mas vamos ao que realmente importa: os impostos municipais. O orçamento traz boas notícias: não aumenta os impostos municipais – ficam pelas taxas mínimas, excepto na derrama. O resto também se mantém: vai derreter muito dinheiro onde não devia. Mas do mal, o menos.

8 de dezembro de 2025

Sobre a propaganda e a infeliz realidade

Todos (os que nos lêem) ainda devem estar recordados do arrojado projecto de requalificação e restruturação da Central de Camionagem, orçado em mais de 4 milhões de euros, que colocaria Pombal nos píncaros do futurismo e da mobilidade suave e inclusiva, e proporcionaria conforto, ócio e bem estar a quem viaja ou simplesmente se distrai. 




O projecto incluía uma Gare Intermodal de Transportes que uniria tudo e todos, as duas margens, com uma passagem subterrânea e outra aérea através de um pórtico monumental de entrada na cidade, que seria o orgulho dos pombalenses (mas logo contestada); uma plataforma que ligaria os diferentes meios de transporte, públicos e privados, com novas bolsas de espera; um segundo piso na Gare subdividido em espaços hoteleiros e restaurantes e/ou bares; e novas zonas verdes (sempre a promessa verde), com espaços de estar, lazer e parque infantil. Eis aqui, levemente resumido, o leque do que nos foi prometido. 

E, agora, o que temos? O que nos ofereceram e oferecem? Temos uma Central de Camionagem retocada, meio abandonada e encerrada ao fim de semana, sem um simples barraco, no local ou próximo, para os passageiros de fim-de-semana esperarem os autocarros minimamente abrigados da chuva e do vento frio ou do sol escaldante. E uma mini-praça, rodeada de lixo, que usaram para meter uma estatueta de mau-gosto de uma criatura viva que não diz nada à terra.

Mas palavras, para quê?! É Pombal no seu melhor...


3 de dezembro de 2025

Retrato de família abrigado da chuva




Na semana passada a Câmara promoveu um daqueles momentos em que as fotos falam. Foi a assinatura dos "contratos-programa de desenvolvimento desportivo" que "representam um esforço municipal de 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝟰𝟲𝟬 𝗺𝗶𝗹 𝗲𝘂𝗿𝗼𝘀, que serão canalizados para o apoio da atividade e 𝗽𝗿𝗮́𝘁𝗶𝗰𝗮 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗶𝘃𝗮 𝗱𝗲 𝟯𝟰𝟬𝟴 𝗮𝘁𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝟭𝟴 𝗺𝗼𝗱𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀, 𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗮𝗶𝘀 𝟮𝟳𝟬𝟮 𝘀𝗮̃𝗼 𝗮𝘁𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼", segundo a autarquia.
Poucos momentos explicam tão bem o tipo de associativismo que temos nesta terra, liderado por quem, para fazer o quê, e como o poder autárquico se alimenta de tudo isto. Está ali plasmado neste "retrato de família", tirado ao mesmo tempo em que, para tapar a cabeça, a manta de retalhos que cobre as infraestruturas desportivas de Pombal deixa os pés à mostra. À mesma hora, a tão saudada vinda da selecção feminina alemã de sub-23 era o espelho disso mesmo: as raparigas não puderam equipar-se no Estádio Municipal onde treinavam porque os balneários não reúnem o mínimo de condições. Fizeram-no no pavilhão Eduardo Gomes, o único que temos na cidade, também ele apenas adaptado a dias sem chuva, tal como acontece de resto nos pavilhões da Redinha e Louriçal. Está tudo bem. Para voarmos mais alto não podemos ligar a estas minudências. Ou então cortamos logo o mal pela raíz: há poucos dias, um camarada radialista queixou-se aos representantes do poder de que na cabine de imprensa do pavilhão chovia como na rua. Um nem sequer sabia que "aquilo era um espaço para a imprensa", outro atravessou-se logo a resolver com prontidão, avisando que, se era assim, proibia o relato e pronto. 
Esta é a cidade que escancara as portas a tudo o que é associação do sector, depois do poder ter acabado com a imprensa livre. Desafio os leitores a pesquisarem no site da Associação Nacional de Imprensa Regional o que disseram aqui os oradores - não há-de ser muito diferente do que aqui vão dizer os que vierem, a 18 de Dezembro, comemorar o Dia Nacional da Imprensa. Por isso a piada faz-se sozinha.
O retrato é que não. 

29 de novembro de 2025

Montenegro coloca Pimpão na ANMP

Corre pelo espaço midiático que o doutor Pimpão vai para presidente da Associação Nacional de Municípios (ANMP). Seria uma benção para Pombal se ele fosse mesmo. Mas não vai; ou melhor dito: vai e fica. 

A notícia – do nosso conhecimento há muito tempo - foi metida a correr com um intuito claro: fazer crer aos papalvos que há mérito na coisa, na designação e no designado. Mas é exactamente ao contrário… A escolha - de Luís Montenegro, não dos autarcas - tem todo o racional: se é para não fazer nada, nem sequer lobbying/pressão junto do governo, quem melhor que doutor Pimpão?



Isto é o regime no seu melhor. Um regime que se desenvolveu da forma que se conhece, através da multiplicação de cargos e mordomias pelos próprios protagonistas políticos, para seu prórpio benefício. O método segue inevitavelmente a mesma lógica: há um cargo (por exemplo, presidente de câmara), desempenhado por vários titulares; se há vários titulares pode-se criar uma associação que os represente, os auto-promova e faça lobbying em seu benefício. As coisas funcionam sempre assim, e neste caso em concreto (ANMP) ficaram-me claras, há muito tempo, quando dava os primeiros passos na política local, e um(a) então influente figura do PSD local me explicou para que servia a ANMP. Numa das muitas conversas sobre política, expunha-lhe o meu espanto pela rápida transformação política e pessoal do recente presidente da câmara Narciso Mota, que de criatura politicamente imberbe, naif até,  rapidamente se transformara num cacique controlador de tudo e de todos. Explicou-me ele(a), então, que tudo se devia à “escola” de dirigismo/caciquismo que era a ANMP, onde as reuniões serviam essencialmente para os presidentes de câmara conviverem e partilharem as dificuldades/objecções que os adversários e forças vivas locais lhes colocavam, que os mais rodados e astutos já tinham vivido e, com gozo, partilhavam com os novatos os estratagemas que, se fossem aplicados com eficácia (pulso), anulariam os opositores e os meios de fazer oposição. 

O doutor Pimpão vai com o mandato de não fazer nada, até porque é o que mais gosta de fazer, mas a ANMP continuará a cumprir o seu secreto desígnio.

27 de novembro de 2025

Sobre a reunião da “junta”

A nova “junta” - agora mais no formato e no espírito de comissão de festas e melhoramentos - reuniu hoje com o novo elenco. Aos iniciais juntou-se, para completar o esfrangalhado elenco, o vereador não-eleito: doutor Coelho. 



A agenda listava os habituais assuntos correntes da actividade camarária. Mas tanto no período-antes-da-ordem-do-dia como nos da ordem-do-dia a reunião decorreu com grande informalidade e cordialidade, com os assuntos da agenda a serem tratados com o habitual simplismo e falta de rigor pelo executivo e alguma parcimónia pela dita oposição. 

O vereador não-eleito foi o mais interventivo. Consta (e ele também assim crê) que pode participar, falar e fazer política à-vontade! Fala bem, pausadamente, e com alguma propriedade nos assuntos tratados e não-tratados, no tom meloso e escandido que os burgueses gostam de ostentar, mas isso não chega...

O Conde do Oeste representou-se bem - esteve, como é da sua natureza, cordial e indulgente.

Os restantes membros da "junta" – a doutora Marto, o mestre-escola Marco, a nossa familiar menina-JA (Carol para os amigos) e a enfermeira Patrícia marcaram presença.

22 de novembro de 2025

Pombal e o Poder de Compra dos pombalenses

O Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, referente a 2023, recentemente publicado pelo INE, disponibiliza três indicadores de síntese que traduzem o poder de compra manifestado em cada região e por concelho. O Indicador per Capita do poder de compra (IpC) é o mais relevante porque traduz o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, tendo por referência o valor nacional.

Para nós, interessa-nos perceber como se comportou o nosso Pombal, no último ano e no último quadriénio, em termos absolutos e comparativamente aos concelhos da sua região. A Região de Leiria (NUTS III) obteve um IpC (92,73) abaixo da média nacional, com Leiria (103,52) a superar a média nacional. Os restantes concelhos ficaram abaixo da média nacional; mas Pombal, com IpC de 84,18, ficou não só abaixo da média nacional como bem abaixo da média da sua região (92,73). E mais preocupante que o baixo valor de IpC é o fraco ritmo de aproximação do concelho aos valores médios. No último quadriénio, Pombal cresceu unicamente 1,46 pp, ao rimo de 0,37 pp/ano. Decididamente os números confirmam aquilo que já sabíamos há muito: as festarolas e a diversão podem distrair momentaneamente, mas não trazem riqueza e bem-estar.  

Mas interessa igualmente dar nota do crescimento significativo dos concelhos de Figueiró dos Vinhos (6,39 pp), Alvaiázere (5,81 pp), Castanheira de Pêra (4,93 pp) e Ansião (3,90 pp) no último quadriénio; e Ourém, um concelho vizinho e já meio do interior, com IpC de 87,63, afastou-se definitivamente de Pombal. 

Siga a festa.



NR: As descidas dos valores da Marinha Grande devem estar associadas a uma causa especial, provavelmente metodológica, que não consegui apurar.

20 de novembro de 2025

Ao PSD não basta ganhar e esmagar. Precisa de brincar na lama


 


Mal se soube que o lugar de vereador do PS na Câmara de Pombal iria ser ocupado por João Coelho, o PSD não perdeu tempo a pôr as unhas de fora. Ontem à noite disparou um comunicado vil, completamente desmedido, travestido de nota à imprensa. Diz o PSD que "lamenta que o PS Pombal tenha enganado os pombalenses" e que "a renúncia de Fernando Matos demonstra estratégia socialista premeditada". Quanto à primeira, já lá vamos. Quanto à segunda, era bom, era. Significava que no PS Pombal havia estratégia. 

Lendo atentamente o laudo timbrado pelo PSD, percebe-se bem o desconforto: que bom seria se ali continuasse para todo o sempre doutora Odete, mas não podendo ser, que fosse o doutor Fernando Matos, "o meu amigo Fernando Matos" - como a ele se referiu nos debates o todo-poderoso Pedro Pimpão. Ora, quer dizer que isto de o PS só ter um vereador foi uma grande vitória, mas isto de ter João Coelho ali a incomodar é uma chatice. E sim, até poderia ter sido premeditado, mas estou em crer que Coelho só não foi candidato porque não quis. É passível de crítica? É. Pode o PSD vir dizer que foi premeditado? Não. 

Ora vamos então fazer um exercício de memória, coisa que - já se percebeu - rareia no PSD local. Poderíamos começar pelo topo, quando essa reserva moral do partido que é Durão Barroso decidiu dar de frosques do lugar de maior responsabilidade - o de Primeiro Ministro - para a Comissão Europeia. Bem sei que nessa altura o presidente da concelhia do PSD, João Antunes dos Santos, à época adolescente, o mais alto que via era a presidência da associação de estudantes da Secundária de Pombal. Mas aconteceu, e isso sim, foi enganar os portugueses, colocando Santana Lopes no poder. Mas vamos descer na hierarquia do país, para ser mais fácil: 2009, Leiria. A medalhada deste ano no 11 de Novembro, Isabel Damasceno, agora intocável presidente da CCDR, perdeu as eleições para a Câmara de Leiria, quando se preparava para um terceiro mandato. Renunciou ao mandato do PSD, deixando o partido tão esfrangalhado em Leiria como o PS em Pombal desde 1993. Claro que dessas autárquicas que colocaram o PSD neste pedestal em que hoje senta, JAS não tem memória. Ainda não era nascido. Mas fazemos o obséquio de lhe contar: nesse ano em que veio ao mundo, muita coisa aconteceu. Por exemplo, o executivo com que Narciso Mota ganhou a Armindo Carolino, foi logo estraçalhado nos primeiros meses, quando a promessa do vereador para as Finanças da Câmara, César Correia, bateu com a porta e renunciou ao mandato. Mas outros se haveriam de seguir (o próprio João Coucelo, agora essa espécie de senador do PSD que até sabe de cor a letra dos Vampiros), ao longo do reinado de 20 anos. Quem havia de dizer que o PSD local chegaria a este estado de dar tiros nos próprios pés, armando-se em arauto da moral, fazendo letra morta da lei - que prevê isso tudo, no universo das suspensões e renúncias, num impulso infantil.

Por fim, vamos descer à terra de de Joãozinho, Vila Cã. Há dois mandatos consecutivos que a população elege um presidente da junta que passa a maior parte do tempo ausente. Conta-se pelos dedos da mão (e sobram) as assembleias municipais em que se foi ele próprio, ao invés de se fazer representar pela substituta.

Pensando bem, percebe-se que pelo menos há estratégia. O PSD atirou ontem ao inofensivo PS porque era preciso anular um outro escrito: a carta aberta do movimento Pombal Independentes à presidente dos Bombeiros, Ana Cabral, que é também secretária da AM. O episódio (que deveria ter vindo a público logo na hora, durante a campanha, até para se perceber que, dos 9 membros da direcção, 6 iam nas listas do PSD em lugares de destaque) mostra bem como o PSD controla, à descarada, as associações e instituições do concelho. De resto, o dia terminou em cheio, com a eleição da mais nova das irmãs Longo para a presidência da Associação de Pais da escola Gualdim Pais. Ah, também lá está o comandante dos bombeiros. 


14 de novembro de 2025

Sobre a primeira sessão da nova AM

A agenda remetia unicamente para formalidades destituídas de qualquer conteúdo ou relevância política: eleição dos representantes da AM numa dezena de instituições, onde nunca fazem nada nem dão conta (à assembleia) do nada que lá fazem. A política transformou-se nisto, formalidades e rituais destituídos de valor.

Mas adiante, que alguns episódios ocorridos são reveladores do que aí vem: impreparação, desiquilíbrios de vária ordem, pedantice e ordinarice aguda (brejeira).

Ora vejam…

A breve vida do doutor como vereador




A comissão política concelhia do PS emitiu ontem um comunicado em que dá conta da renúncia de Fernando Matos ao cargo de vereador. Por ironia, o comunicado está datado de 13 de Outubro, um lapsus calami a fazer sentido, por se tratar do dia seguinte às eleições. 
Na verdade, o médico Fernando Matos foi (ao contrário que aqui escrevi, e do que parecia) o maior erro de casting da história do PS local. Percebeu-se, desde cedo, que não tinha qualquer apetência - tão pouco jeito - para a política. O que até hoje me interroga, qual quarto segredo de Fátima, é isto: porque é que este homem aceitou candidatar-se?
Quando esta semana faltou à cerimónia do Dia do Município, depois de ter abandonado a cerimónia da tomada de posse, a meio, senti vergonha alheia. Por ele, pelo partido, pelos mais de 3.500 eleitores que votaram nele. 
Ao contrário do que pensam e dizem alguns socialistas da praça, não me parece que a renúncia de Fernando Matos fragilize o partido. Acredito mesmo que pode ser a tábua de salvação, nomeadamente se o lugar for ocupado pela promessa de João Coelho. 

12 de novembro de 2025

Almoço e festa, paga o pagode

Ontem, o doutor Pimpão ofereceu grande almoço e festa aos funcionários da câmara e equiparados, aos políticos e às outras figuras do ramalhete, e às respectivas famílias. No mês que vem, repete a façanha… 



Estes desmandos, obscenos, praticados com o nosso dinheiro sem o nosso consentimento, ascendem a muitas dezenas de milhares de euros - porventura centena! 

Isto já não é só a fanfarronice das festas e bolos; isto é gozar com o pagode, com o que é nosso e deveria ser usado para o que é essencial e justo. 

E o que faz a dita oposição? Enche a mula e cala-se.


10 de novembro de 2025

Dia do Município: O regresso dos que nunca foram




 


Em vésperas da celebração do Dia do Município, ficámos a saber pelo Pombal Jornal* que a Câmara vai distinguir três figuras com medalha de Ouro. Muitos de nós somos do tempo em que a medalha de ouro constituía uma excepção, em si, precisamente para não se banalizar. E por isso nunca estranhámos os anos em que não foi entregue nenhuma desse grau. Mas agora que Pombal voa por cima da carne seca, como explicar às redes sociais (o que importa, afinal) que a maltosa da 'Comissão de Melhoramentos' não encontrou ninguém por aqui que tenha desempenhado feito suficiente para tal? Vai daí, ocorreu-lhes pendurar a medalha ao peito de três figuras que fazem a sua vida bem longe daqui. Mal podemos esperar pelas justificações de Pedro Pimpão & sua tropa para entender as razões. 

Comecemos por Paulo Mota Pinto. Nos últimos anos desempenhou (bem, como era seu dever) o papel de presidente da Assembleia Municipal. Além de ser filho do malogrado Primeiro-Ministro Mota Pinto (cuja ligação a Pombal sempre foi sempre esbatida), e de ter feito essa paragem na AM, que razões encontramos para o medalhar? Depois, Isabel Damasceno. Tenho ainda mais dificuldade em compreender qual é o fundamento. Depois de perder a Câmara de Leiria, em 2009 (deixando o PSD local quase como o PS daqui, sem margem para voltar ao poder), tem administrado a CCDR Centro. Faz bem o seu trabalho? Ainda bem. É para isso que todos pagamos. A não ser que a ligação familiar (o marido é natural de Pombal) já sirva de justificação para as medalhas. Por fim, Ana Paula Duarte. Quem?! É natural que o leitor não saiba quem é. A actual reitora da Universidade da Beira Interior, na Covilhã (onde mora há décadas) nunca manteve qualquer ligação a Pombal que não fosse estritamente pessoal e familiar.

Uma pessoa olha para a lista dos galardoados (o jornal divulgou-a também) e não se espanta com nada. Mas não deixa de se espantar com a lata do poder: Nenhum dos três distinguidos a ouro mora em Pombal, nenhum escolheu esta terra para viver ou trabalhar, o que indicia bem o nosso nível de desfalecimento. 

*o jornal tornou-se oficialmente o portal de informação autárquica. No dia em que o depauperado gabinete de comunicação remetia para mais tarde a divulgação do programa do 11 de Novembro, já ela se passeava em meia página de publicidade, ao detalhe, na edição. Ao lado, no editorial, um queixume a propósito de uma queixa sobre um alegado "artigo de opinião" do presidente-candidato-amigo Pimpão. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conclui o óbvio: há coisas que não são ilegais, mas são imorais. Pensando bem, por que precisa o Pedro de um gabinete de comunicação? Não admira, por isso, que neste mandato tenha dispensado dois terços dos que o compunham. 


5 de novembro de 2025

Distribuição de tarefas na 'Comissão de Melhoramentos'

Esta manhã reuniu pela primeira vez a Comissão de Melhoramentos - sucedânea da 'junta' - sem grandes novidades. A craveira de cada um dos titulares já deixava adivinhar que tanto fazia Pedro como Paulo à frente das obras ou das licenças, mas vale a pena partilharmos como os nossos leitores o essencial desta salganhada. Há, neste elenco, uma super-vereadora identificada, uma velha conhecida do Farpas; Ana Carolina Jesus assume então o pelouro das Obras Particulares e Fiscalização Municipal, do Urbanismo e Habitação, mas também a Gestão, Administração e Financiamento, Recursos Humanos e Gestão Organizacional, Freguesias, Associativismo e Cidadania, Proteção Civil e Segurança, e ainda uma competência antiga em que terá adquirido experiência nos últimos anos: Gestão de Cemitérios.

Isabel Marto, a única que transitou do executivo anterior, prepara-se para um mandato mais levezinho: Ambiente e Ecologia, Inovação e Empreendedorismo, Águas e Saneamento Básico,Transportes e Mobilidade,Smart Cities e Transição Digital, e ainda Património e Equipamentos Públicos.

A enfermeira Patrícia Rolo assume, claro, o pelouro da Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento Ativo. Calhou-lhe também o Turismo e Promoção Territorial; Desenvolvimento Rural, Agricultura e Florestas, Espaços Verdes e Jardins, Proteção e Bem-estar Animal. E por último, dois inusitados pelouros: a Cultura (um workshop no TAP vale sempre alguma coisa) e outro novo - Rede Social, Interculturalidade e Inclusão. Recuperando as intervenções que teve, ao tempo da assembleia de freguesia do Oeste, a propósito dos imigrantes que viriam trabalhar para a Lusiaves...a coisa promete.

Por último, Marco Ferreira. Sem surpresas, Pimpão entregou (finalmente e oficialmente) ao ex-companheiro da bola o Desporto e Juventude; Educação e Formação Profissional; Ensino Superior, Ciência e Conhecimento (por via das dúvidas, se vier o Politécnico, o desaire terá um rosto); Rede Viária e Conservação do Espaço Público; Mercados e Feiras; Comércio Tradicional; Defesa do Consumidor e Direitos dos Munícipes. Eu voto na contratação do Caló como adjunto. 

E Pimpão, tem pelouros? Tem. Planeamento Estratégico e Desenvolvimento Territorial; Economia, Atração de Investimento e Empreendedorismo; Obras Públicas; Assuntos Jurídicos, Transparência e Integridade; Felicidade e Desenvolvimento Sustentável (what else?), e por últimos, duas escolhas que lhe assentam que nem uma luva: Comunicação, Protocolo e Relações Externas. E Diáspora e Internacionalização. Que se é para voar, que seja daqui para fora. 

Nota de rodapé: Manuel Serra (CH) e Fernando Matos (PS)

*fotografia publicada pelo Pombal Jornal





Sobre a triste realidade do ps local

Os partidos políticos não são – não podem ser - seitas ou associações mais ou menos secretas fechadas sobre si e imbuídas nos seus interesses mais ou menos legítimos; são – ou foram – um alicerce do regime democrático, com obrigações de transparência e prestação de contas aos seus militantes, simpatizantes, eleitores e cidadãos em geral.



Fui ao plenário do ps local com duas simples e óbvias curiosidades: que balanço se faria do processo e dos resultados eleitorais? Que consequências políticas seriam retiradas pelos responsáveis pelo sucedido? Conclusão (minha): tudo na mesma, como a lesma. Aqui o grande problema já não é a doença do doente, mas o doente da doença.

Logo de início, aquele que está e que tratam por presidente da concelhia esclareceu os pouquíssimos presentes (onde não marcou presença a maioria dos supostos dirigentes, ninguém do ps1 ou dos não-alinhados) que os responsáveis pelo sucedido não renunciariam ao mandato (não tomariam a única decisão óbvia, face ao desastre eleitoral - com o obrigatório pedido de desculpa aos militantes, acrescento eu). Perdeu-se totalmente o sentido do decoro, mas anacronicamente talvez seja a decisão apropriada para aquela enfermidade fatal, talvez seja preferível não tratar/amputar a gangrena, porque, na verdade, o que não tem remédio remediado está. 

Depois veio a avaliação dos resultados e as suas causas. E aqui saúda-se a grande diversidade de opiniões sobre os resultados (coisa rara e muito mal vista naquela casa) que ficaram “aquém do esperado”, para uns; foram “bons, pelo desempenho dos dirigentes e candidatos”, para outros; e, pasme-se, “muito bons, atendendo ao contexto”, para alguns. Sobre as causas e as explicações não vale a pena dar grandes notas - senti alguma náusea, mas resisti estoicamente em silêncio àquilo tudo.

Estamos perante criaturas que rebolam descontroladamente por um desfiladeiro, sem se darem conta das forças que as movem. Deixai-os ir que vão por Deus. 

1 de novembro de 2025

Sobre a rísivel política pombalense

Ontem assisti de enfiada a dois ajuntamentos políticos: tomada de posse dos titulares dos órgãos municipais e plenário de militantes do partido socialista. Às vezes fazemos coisas por fazer - por mera curiosidade ou pela simples necessidade de ocupar o tempo. Do primeiro evento ainda vieram dois croquetes e um copo de espumante mole; do segundo só náusea*. As coisas são o que aparentam. E o nada é uma existência como outra qualquer. 


A pompa colocada pelos figurões locais na instalação dos órgãos municipais já ultrapassa em muito a da tomada de posse dos órgãos da República. Mas isto vai em crescendo. E não se admirem que a próxima seja na Expocentro com festa rija, antes e depois. O paroquialismo tem destas coisas - enche de artificialidade a vacuidade reinante.

O doutor Pimpão recitou um belo sermão, onde prometeu “trabalho” (os convidados e o público presente comportaram-se com muita dignidade, não se riram), humildade e esperança. Quem não tem nada para oferecer faz bem prometer esperança – o mais “belo” e mais triste sentimento cristão. 

O doutor Matos formalizou a posse, …, e pôs-se a andar… 

E o doutor Coucelo (presidente da AM) ainda teve tempo para cometer uma “gaffe” imperdoável em figura tão experiente na matéria: na eleição de listas, nomeadamente quando há lista única (o habitual por aqui) não há “votos a favor”, “votos contra” e “abstenção”. 

O doutor Matos formalizou a posse, …, e pôs-se a andar… 

• NR: sobre o plenário do partido socialista talvez diga mais alguma coisa…

31 de outubro de 2025

Até sempre, Rocha Quaresma


Da esquerda para a direita: Vaz de Morais, A. Rocha Quaresma, Manuel Pimentel, Álvaro da Silva, Orlando Cordeiro e Jorge Dinis, durante a inauguração ao monumento aos heróis do Ultramar.


Houve um tempo em que sonhámos muito, neste país, e neste concelho. Um tempo em que a luta política era a sério, em que cada um sabia bem os valores que defendia, o lado a que pertencia, sem que isso beliscasse o essencial: a construção de uma terra melhor para todos, mais justa e solidária.

António Rocha Quaresma fez parte desse tempo. Atravessou a ditadura a caminho da revolução, ajudou a fazê-la, e até a documentá-la, nos dias claros de Abril.

Quando o conheci, no início da década de 90, ainda se emocionava, amiúde, quando se aproximava o aniversário da Revolução. Naqueles idos de 92/93, coube-lhe a responsabilidade de voltar a presidir à Assembleia Municipal (já acontecera antes), quando Menezes Falcão bateu com a porta, no mandato de Armindo Carolino. 


É a ele que os jornalistas desta terra devem um dos poucos passos que o poder político deu em prol da valorização do trabalho da imprensa. Naquele tempo éramos quase sempre uma meia dúzia a assistir às reuniões da Assembleia (duas rádios, dois ou três jornais, por vezes camaradas de Leiria ou Coimbra), num salão nobre novo. Lá do alto, da mesa, Rocha Quaresma percebeu a falta de condições em que trabalhávamos. E foi por sua iniciativa que a sala passou a contar com duas bancadas laterais, destinadas à comunicação social. Devemos-lhe isso, os dos da minha geração. Mais tarde aboliram-nas, de forma condizente com o que sucedeu à imprensa.


Percebi que se foi afastando, progressivamente, nos anos que se seguiram à derrota do PS. Como tantos, num misto de desencanto e aceitação.  


Partiu esta sexta-feira, 31 de Outubro, sem nos avisar. Que a terra lhe seja leve. 

23 de outubro de 2025

“Junta” reuniu pela última vez

 A “Junta” reuniu hoje pela última vez. Aleluia. Aleluia. Aleluia.

O lado positivo deste ansiado final, que é também um reinício, é que daquelas sete criaturas cinco vão-se … - e só uma por vontade própria (Pedro Navega).  O que diz tudo sobre o seus desempenhos… O lado negativo, é que ainda temos que gramar com duas delas (Pedro Pimpão e Isabel Marto) por mais quatro anos.



Mas o ridículo maior, das longas enfiadas de auto-elogios e enaltecimentos, a que todas aquelas criaturas se prestaram, veio, como não poderia deixar de vir, das duas criaturas que supostamente faziam parte da oposição (Odete Alves e Luís Simões); sempre no registo de donzelas de belos sentimentos, incompreendidas, mas sempre colaborantes e cheias de razão. Se alguma dúvida ainda houvesse sobre a falta de tino e de preparação daquelas belas-almas, as suas últimas palavras confirmaram que saíram sem consciência das exigências do cargo que ocuparam, do papel que representaram, da sua circunstância, do seu desempenho e de como tudo o que fizeram contribuiu decisivamente para o desastre eleitoral do partido que representam e onde militam.

Deus lhes perdoe.

21 de outubro de 2025

Do Oeste ao Faroeste: como repor a "normalidade" democrática na Guia

Se houve freguesia onde a população nunca engoliu a agregação, foi a Guia. Para sermos rigorosos, não foi bem a população da freguesia, mas antes um nicho dela, oriundo da vila. Acresce que, nos últimos dois mandatos, a ferida ficou em carne viva à conta de polémicas várias, e sobretudo porque o PSD perdeu ali (na União de Freguesias) as eleições duas vezes. 

Ora, nas eleições do dia 12, cumpriu-se a máxima da "Guia aos Guienses", devolvendo a freguesia aos aguerridos, e voltando a colocar todas as peças no seu lugar, o que inclui, claro está, o PSD no poder. E estava tudo pronto para essa nova vida da terra quando uma sucessão de episódios caricatos nos veio mostrar que às vezes é ténue e a linha que separa o Oeste do Faroeste. O que nos fez soar campainhas foi um comunicado do PSD Freguesia da Guia (assinado pela futura presidente da Junta, Sandra Mendes), demasiado "explicativo". Pois que, afinal, ao contrário do que anunciavam os cartazes, Carlos Mota Carvalho não vai ser o Secretário da Junta de Freguesia, mas antes o Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia. É certo que esse é um papel que lhe assenta muito melhor, doutorado que é em presidências de clubes e associações. Porém, o que teria sido honesto de todas as partes era assumir-se, perante o eleitorado, que esta sempre foi a jogada.

É certo que as eleições acabaram na noite de 12 de Outubro, mas o processo eleitoral só fica concluído com a instalação dos órgãos autárquicos. Na maioria das Freguesias o acto acontece nos próximos dias, e talvez o caso da Guia possa servir de exemplo às restantes, onde uma horda de novos autarcas nem sempre conhece as linhas com que se cosem os processos legais (e naturais) da democracia. Lembremos por isso os senhores e senhoras presidentes que são os únicos automaticamente eleitos. Os executivos não são indicados, nem nomeados. São eleitos, em assembleia própria, tal como está bem explico na lei. Que é a mesma para todos, e não consta que a Guia seja um cenário de Western.



15 de outubro de 2025

O dia seguinte aqui no aeródromo

 



As eleições passaram e ganharam os do costume. Talvez bastasse esta frase para resumir o que se passa em Pombal, só que não. O que tentamos fazer aqui no Farpas é deixar uma marca, para quem vier depois, e por isso é importante juntar a esse repositório algumas notas sobre este momento que parece inédito. 

1. O PODER.  O PSD continua a fazer bem o seu trabalho,  e a fazê-lo sem oposição. A ideia de "vitória histórica", aplicada às 17 freguesias do concelho, pode colar bem nos que chegaram há pouco, nas redes sociais e no discurso global, mas é preciso ser-se rigoroso: não é a primeira vez que o PSD domina tudo, com as suas pessoas (Carnide, 2001, com um movimento supostamente independente, liderado por Eusébio Rodrigues). A única excepção, nalguns actos eleitorais dos últimos 32 anos (desde que o PS perdeu a Câmara) terá sido o Louriçal, freguesia que ficou aliás conhecida como "a aldeia gaulesa", em duas ocasiões. E mesmo assim, numa delas, aconteceu com um candidato que vinha do PSD. Não haja ilusões: terá sempre bons resultados o poder que se perpetua, tem as suas peças bem distribuídas no xadrez (desafio-vos a olhar para a composição de associações e instituições), enquanto põe a mão no ombro dos que ousam levantar a cabeça.

2. A 'OPOSIÇÃO'. a)O PS continuará a somar derrotas enquanto não tiver coragem de se assumir como oposição. O comunicado divulgado ontem, a prometer "oposição construtiva" (música para os ouvidos de Pedro Pimpão, que logo o aproveitou) mostra bem que ali não há vontade nenhuma de tirar ilacções sobre escolhas e resultados, causas e consequências. Resta saber o que vai fazer com o único lugar na vereação, para o qual Fernando Matos não tem o mínimo de apetência.

b) O movimento Pombal Independentes - criado a reboque do efeito bem sucedido no Oeste, nos últimos anos, deu em quase nada. Apesar de Luís Couto ser eleito há muito como adversário preferencial de PSD e PS (o que indiciava bem o potencial), faltou-lhe coragem - para confrontar, denunciar (o episódio com a direcção da AHBVP, a propósito da cedência de um espaço, é épico) e mensagem. Pode ter o condão de trazer de novo para o espaço público um homem como António Moderno, cujo papel foi relevante na construção do poder local democrático neste concelho.

c) o Chega. Manuel Serra foi eleito sem fazer um único dia de campanha, sem programa, mas também não era preciso. Não é por acaso que André Ventura usou a sua cara em todos os cartazes de todos os concelhos deste país. O antigo presidente da União de Freguesias do Oeste, que até há meses era militante e dirigente do PSD, apanhou boleia do partido que mais rapidamente o levaria ao destino: a cadeira de vereador na Câmara Municipal. Alcança a maior percentagem de votação nas freguesias onde, aposto, nem sequer o conhecem. 

Perante este estado da arte, e sabendo nós que ninguém consegue parar o vento com as mãos, este post é especialmente dirigido àqueles que, vivendo aqui, têm a honestidade de perceber que esta hegemonia não é boa para ninguém. Faz mal à democracia, dissipa a massa crítica, asfixia o ambiente. Mas isso só percebe quem está fora da bolha laranja, que é gigante, e onde cabe sempre mais um. O único caminho é levantar a cabeça e ser cidadão. Na rua, no bairro, na colectividade, num colectivo qualquer. Ir às Assembleias de Freguesia, à Assembleia Municipal, participar nas reuniões da escola e do clube dos filhos. E abrigar-se do vento. 


14 de outubro de 2025

PS de Pombal

Ontem, depois do desastre, o PS de Pombal sussurrou qualquer coisa - sinal de que ainda está vivo! Alguém o ouviu dizer que “felicita o vencedor autárquico e promete oposição construtiva”. 

Se tivesse dito só a primeira frase, e, logo de seguida, se apagasse, mostrava autoconsciência e alguma sensatez. Assim, mostrou que continua a penar, a fazer o que não sabe nem deve tentar fazer - oposição construtiva. 


12 de outubro de 2025

Autárquicas 2025 em Pombal – tudo na mesma

O PSD voltou a ganhar; e os outros a perder. Por conseguinte, o doutor Pimpão continuará a presidir à “junta” e às juntas, acompanhado por criaturas ainda mais imberbes que ele. E os outros continuarão a assistir, ou a desistir. E assim tudo continuará na mesma, devagar e devagarinho, como a lesma. É uma vitória que tem tanto de plena – arrebanhou todos os “tachos” - como de pequena, que não traz nada de novo, só estragos no dia seguinte. 

O resto é só derrotados. Todos iguais (na fatalidade), e todos diferentes (no estado de espírito momentâneo:  uns felizes, com pequenos nadas; outros desiludidos, com o estilhaço das ilusões ocas; e outros simplesmente aliviados do martírio a que inutilmente se submeteram).  

A “história” eleitoral repete-se demasiado por aqui. A repetição, como diz a psicanálise, protege da agitação da vida individual, impõe a paz mortal de uma cultura que bane a surpresa, é “morte”. Os resultados mostram o declínio da confiança dos cidadãos nos políticos locais, nos partidos e no poder local, uma orfandade colectiva e uma falta de sentido de colectividade e de comunidade assente numa representatividade justa e plural. 

Em Democracia é a oposição que determina o exercício do poder. Deixaremos de ter oposição, papel reservado simbolicamente a um ou outro ramo de enfeite. Na verdade, já não a tínhamos; e daí vem, com certeza, uma das explicações para este desastre da dita oposição. 

O PS não conseguiu nada (relevante), nem poderia conseguir, míngua para o mínimo absoluto. Só mentes muito etéreas poderam crer em coisa diferente… Nas coisas dos humanos, a essência precede sempre a existência. E como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. É um resultado que deixa marcas no partido e em quem deu a cara pela aventura. Mas sejamos justos: a responsabilidade maior não deve ser assacada aos que deram a cara pela desventura, mas a quem traçou todo o guião e, depois, perante o evidente desastre, se escondeu na toca.

O Chega participou e mostrou o que é... Pelo meio e no final, proporcionou o cumprimento do desejo de Manuel Serra: chegar a vereador.  

O Independente Luís Couto cumpriu com brio o desafio inglório de tentar chegar a vereador. Jogava nestas eleições a afirmação do seu movimento político e o seu destino político. Falhou. A política nunca é só um desafio pessoal. Falhou o objectivo. 

Do resto não vale a pena falar - o nada é nada. 


10 de outubro de 2025

Ao que a realidade obriga

 


Uma mão esfrega a outra e as duas pintam a cara.

Atenção aos próximos capítulos.

Debate entre os candidatos à câmara - remake

Decorreu ontem à noite o segundo debate entre os candidatos (participantes) à câmara, organizado e moderado pelos órgãos de “informação” locais (Pombal Jornal, Rádio Clube de Pombal e Rádio Cardal).



O debate foi melhor que o anterior - já teve laivos de debate - por três razões: (i) era muito difícil fazerem pior que no anterior; (ii) foi melhor preparado e moderado pelos moderadores; e (iii) alguns candidatos estiveram melhor. Só uma coisa piorou: a assistência – a rapaziada do PPD/PSD, juvenil e adulta, com o deputado da nação em particular realce. Mas a coisa continua pobre: continua-se a afunilar o debate para temas de política geral (Saúde, Educação, Habitação, Ambiente, Economia, Turismo, Segurança, etc.), onde só se debitam banalidades, e a passar-se ao lado da discussão das   competências, desempenho, insuficiências e organização da câmara.

De entre os candidatos com maior responsabilidade política-eleitoral – Pedro Pimpão (PSD) e Fernando Matos (PS) - ficou no ar uma dúvida porventura insolúvel: qual deles é o mais lunático: o que quer voar sobre Pombal ou o que quer(eria) subir de elevador para o castelo? Mas quem anda com os pés assentes na terra e se preocupa com coisas realmente importantes, como a liberdade individual e a privacidade, tem que ficar alarmado quando sete daquelas alminhas defendem a criação de uma política municipal e a colocação de câmaras de vigilância nos espaços públicos. Aqui, palmas para o candidato da IL (Ricardo Santos) que quebrou o unanimismo.

Uma nota final para os candidatos do CDS (Telmo Lopes) e dos Independentes (Luís Couto), que estiveram francamente melhor que os restantes e melhor que no debate anterior. 

8 de outubro de 2025

Breve história de um debate que era da Junta mas os candidatos não sabiam


 

Na foto, da esquerda para a direita: João Gonçalves (CDS), Carla Longo (PSD), António Costa (CDU), António Sintra (Pombal Independentes), Patrício Martins (Chega) e Clara Pascoal (PS)

Sou eleitora da Junta de Freguesia de Pombal há mais de 20 anos, já integrei uma lista que lhe queria dar outra vida mas não aconteceu, também fiz parte da Assembleia de Freguesia - um tempo que me permitiu, entre outras coisas, conhecer melhor como funciona (politicamente falando) o Pedro, actual presidente da Câmara. 

Ao contrário do que muitos pensam - e dizem, incluindo candidatos - a Junta de Pombal não é uma área de descanso na hierarquia municipal. É certo que ocupa um espaço privilegiado na sede de concelho, mas desengane-se quem pensa que tem tudo feito, à conta da Câmara. Primeiro porque é uma freguesia muito mais rural do que se imagina. Não apenas porque a cidade se ruralizou nos últimos anos, mas também porque os 700 km de estradas de que fala a presidente da Junta ligam aldeias e lugares que parecem ter ficado nos anos 60. Nunca recuperámos das diversas vagas de emigração, e não fora a imigração (que serve, nesta campanha, para mascarar o desfalecimento, nomeadamente a plena ocupação das escolas), muitas aldeias desta freguesia estavam já quase abandonadas. 

Ora, o debate de ontem - com seis candidatos e mais de duas horas e meia de duração - tinha muito terreno para palmilhar. Só que uma confusão generalizada (que começou nos temas propostos para discussão e acabou no equívoco de vários candidatos) não contribuiu em nada para o esclarecimento. Há candidatos , que não perceberam ao que se estão a candidatar. Há outros para quem afinal está tudo bem, e isto só precisava de mais um pózinhos, qual comissão de melhoramentos. O único momento que se assemelhou a um debate foi breve, entre a actual presidente da Junta, Carla Longo (PSD), e a candidata do PS, Clara Pascoal. 

Terminada a conversa, abri os desdobráveis que me deixaram na caixa do correio. Só tinha da Carla Longo e do António Sintra. São programas cheios de boas intenções, ao estilo "agora é que vai". E numa coisa ela já ganhou: calou uma certa oposição, arregimentando para a sua lista uma panóplia de gente que sempre combateu aquela forma de fazer política - até perceber que era melhor fazer parte do ramalhete. Juntaram-se vários presidentes de clubes, que assim sossegam. É mais ou menos como diz o seu mentor Pimpão: "até os comemos!"

6 de outubro de 2025

Breves notas sobre o debate (III)

Quem já passou por um processo de recrutamento minimamente estruturado sabe que há um momento que pode ser decisivo; é quando, no final da última entrevista, o recrutador faz a pergunta da praxe: “para terminar, num minuto, convença-me que é a pessoa indicada para a função?”

Perante este desafio, imaginem que um qualquer imberbe, sabendo que a pergunta lhe iria ser colocada, levava de casa um papelinho com a resposta preparada e, no momento certo, sacava-a do bolso, colocava-a em cima da mesa, ferrava os olhos nele e lia-o o melhor que sabia. Estão a ver a cena? E o resultado?

No famigerado “debate” entre os “candidatos/participantes” na eleição para a CM Pombal, o moderador deu a inevitável deixa final: um minuto para cada candidato fazer o apelo ao voto na sua candidatura. Os OITO candidatos limitaram-se a cumprir a formalidade. A maioria comportou-se como o imberbe candidato ao emprego: sacou da cábula que levava no bolso e leu-a com o jeito que Deus Nosso Senhor lhe deu!

Querem o melhor retrato da pobreza franciscana que nos colocaram na rifa? Ei-lo.   



5 de outubro de 2025

Breves notas sobre o debate (II)

O debate – se isso se pode chamar a banalidades debitadas sem jeito e sem qualquer contraditório - foi uma verdadeira enfiada de vulgaridades e sandices. Mas uma, pela clareza e respectiva quantificação, destacou-se e fica para posteridade. 

A emblemática proposta saiu, logo a abrir, da boca do candidato da CDU – Egídio Farinha: 1% do orçamento municipal para a Cultura, e a criação de uma Escola de Artes! Logo o alertaram que a câmara já gasta mais de 3% do orçamento nessa área. Mas ele manteve-se impávido – já tinha deixado o seu número.  

O nada não comporta superioridade, nem inferioridade, nem comparação. Caímos nisto.


4 de outubro de 2025

Breves notas sobre o debate (I)

O debate entre os candidatos (participantes) à CM Pombal, organizado pelo Jornal de Leiria, foi o evento político mais enfadonho e insipiente a que já assisti. Mas numa coisa estavam todos alinhados: enfastiar o assistente - o moderador deu o exemplo e os candidatos seguiram o mote. Foi um verdadeiro jogo perde-perde: os candidatos perderam algum eleitor ainda indeciso, o jornal perdeu leitores (ali e no após).



Durante o debate veio-me à cabeça uma dúvida que frequentemente me surge: será que a política emburrece as pessoas que a exercem? É uma dúvida legítima porque grande parte das pessoas que a exercitam já provaram que possuem alguma inteligência e sensatez.

Custa a aceitar que gente que supostamente sabe estar e pensar represente cenas que roçam o ridículo, se limite a debitar raciocínios que não valem um ovo quebrado e intenções irrealizáveis ou ruinosas se porventura alguém as tentasse implementar.