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24 de janeiro de 2025

É o progresso, estúpido!




Um corte com o passado marcou o arranque desta semana numa das ruas mais movimentadas de Pombal. Não, não foi só um corte com o passado. Quando as máquinas entraram pela antiga propriedade da família Vieira, encostada à unidade de saúde do São Francisco, arrasaram com uma parte importante do património arquitectónico da terra. Para os vizinhos, foi uma dor de alma. Talvez não tão grande como aquela que terão quando começar a erguer-se o edifício multifamiliar constituído por 43 (!) fogos, um condomínio fechado. Por ora, quem passa na rua Carlos Alberto Mota Pinto apenas pode admirar o lixo. 
A propriedade é grande. Quando olhamos para a floresta à procura da árvore (que é como quem diz para as imagens do Google), há (havia) um pulmão verde naquele nº 120, contrastando com o betão que cresce e se multiplica. 
Quando nos abeiramos da futura obra, só há máquinas e entulho. Aguardamos a todo o momento que lá seja colocado o respectivo aviso, para que toda a gente saiba aquilo que a Câmara decidiu, a escassos dias do Natal passado: um despacho que o vereador Pedro Navega assinou, em nome do presidente Pimpão, em consonância com o parecer de outro arquitecto, o chefe da Divisão de Obras Particulares, Júlio Freitas. Como Pombal é uma terra pequena e isto anda sempre tudo ligado, o promotor do empreendimento é também um velho conhecido dos meandros autárquicos: o engenheiro Sérgio Leal, ao leme da empresa B30 - Construção Civil e Obras Públicas, Lda. 
Ora, se há coisa de que Pombal precisa é de prédios. De prédios novos, de preferência deitando abaixo casas antigas. 
Nos anos 90 esta cidade tinha uma Associação de Defesa do Património (Cultural), que nestas alturas bem falta nos faz. Mas o progresso não se compadece com lérias, tão pouco com saudosistas. 
Esta é a era das smart cities, da dinâmica do território, e de quem tiver as unhas mais compridas para tocar guitarra. Avancemos, sem pudor. 

4 de março de 2024

Sobre os “políticos” da Pedra Seca

Estamos rodeados por todos os lados por políticos da pedra seca – criaturas de pensamentos atávicos, aspirações vagas, desejos fúteis, sentimentos envelhecidos e actos falhados, que agem para se entreter e vêm méritos nas tolices que praticam.

O dotor Pimpão é o maior exemplar desta espécie. Mas os seus colegas da Associação Terras de Sicó não lhe ficam nada atrás. Sem saberem ao que se dedicar, mas desejosos de mostrar serviço, atiraram-se aos chamados muros em pedra seca, lançando a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade – pobre Humanidade. Arranjaram, assim, uma empreitada para se entreterem por muitos anos, e um pretexto para muitas “notícias” encomendadas sobre a matéria. 



Basta ir uma vez à Serra da Sicó para se perceber a origem e necessidade daquelas toscas edificações, que acima de tudo serviam para arrumo das pedras que cobriam o solo e era necessário retirar para aproveitar todo e qualquer pedaço de terra para a economia de subsistência. Agora, uns quantos (poucos) teóricos do mundo rural, herdeiros de um surrealismo retardado eivado de romantismo bucólico, vêm ali arte e valor.

Para nossa desgraça, esta tontaria afecta tanto os protagonistas do poder como da oposição. Por exemplo, a dotora Odete, coitada, na ausência de melhor assunto – daquela cabeça nunca saiu nem sairá uma ideia – e desejosa de mostrar serviço, agarra-se a estas coisas, segue as suas anotações no caderninho, e farta-se de questionar e colocar pressão no dotor Pimpão. 

É por estas e por outras que estas terras não conseguem progredir mais rápido. Estamos manietados pelos políticos da pedra seca. Melhor dizendo: de cabeça seca.

27 de maio de 2022

Perdoai-lhe(s) Senhor

Na ausência de melhor assunto, e convencido que faria um número, o doutor Simões foi para a reunião da “Junta” criticar uma placa recentemente colocada na Capela do Louriçal, por esta designar o templo como capela e não como igreja. E dissertar sobre esta importante destrinça para a comunidade e para a civilização.

Bastou ao doutor Pimpão abrir o site da Direcção do Património Cultural para o doutor Simões ir ao tapete.

Temos o poder que temos... Mas a nossa maior desgraça é termos um poder inepto e uma oposição néscia. Uma oposição que não estuda, não trabalha, não sabe distinguir o essencial do acessório, não sabe estruturar e fundamentar convenientemente a acção política, limita-se a aproveitar umas tiradas de facebook, umas conversas de ocasião ou uns assuntos soprados aos ouvidos.

Pobres criaturas, mais dignas de piedade que de aversão.



7 de agosto de 2017

Obras tortas em Abiúl

Abiúl é, por estes dias (que deveriam ser de festa e oração), uma terra fora da Graça de Deus: obras tortas, igreja fechada e traições.
A câmara e a junta tiveram quatro anos para requalificar o centro da vila; mas, por conveniência ou incompetência, empurraram a intervenção para o final do mandato. Depois, fruto da contestação dos abiulenses, andaram com o projecto para trás-e-para-a-frente, simulando uma abertura que nunca existiu. Resultado: ficou tudo (ou quase) na mesma, menos o atraso e os transtornos, porque não conseguiram concluir as obras antes da realização das festas anuais.
As obras na igreja padecem dos mesmos pecados das realizadas no centro da vila (são duas faces da mesma moeda): intervenções sem planeamento, sem critério e sem estudo; que geram a contestação de muitos abiulenses, porque destroem equipamentos valiosos e irrecuperáveis. Resultado: obras embargadas e igreja fechada no mês - Agosto - mais crítico do ano – festa anual da N.ª Sr.ª das Neves e grande ocorrência de casamentos e baptizados.
Pelo meio muita traição e muito pecado mortal. E sem os confessionários disponíveis.

10 de abril de 2017

Contra o povo e o resto

As obras de requalificação da sede de Abiúl avançam aos solavancos, sem plano e sem norte, contra o povo e o resto. Estiveram paradas, supostamente, para introduzir correcções e melhorias no projecto. Puro engano. Percebe-se, agora, que foi um estratagema para arrefecer os ânimos da contestação. 
Pelo meio, D. Mateus fez uma longa visita à vila, com o seu executivo e staff, para, supostamente, ouvir os Abiulenses e os seus legítimos representantes. Propaganda. Não ouviu nada. O projecto avança, com meros retoques para enganar distraídos, como o poder autista sempre quis.
Entretanto, foram encontrados alguns vestígios históricos e uma estrada antiga que ninguém conhecia, por debaixo da existente. Vai ser tudo soterrado. A obra tem que avançar. O que fica escondido não se vê; sejam velhas condutas ou património.

10 de abril de 2016

Pombal Contemporâneo

O evento designado (erradamente) Mercado Medieval, organizado, este fim-de-semana, pela CMP, nada tem do longínquo e malfadado tempo medieval. É sim, na parte exposta, uma amostra do Pombal contemporâneo, muito próxima do Pombal tradicional.

Evocar o passado com o presente é desvirtuar o passado e puxar o presente para o passado. Ou não saber o que se quer.

15 de outubro de 2015

O Conquistador

Um órgão de informação local titulava: “Pombal “reconquista” castelo ao Estado Português”. É uma boa ou má “conquista”? É questionável que o interesse da câmara no castelo vá ao ponto de o possuir. Se é para o utilizar, faz mal - um castelo é, por natureza, uma ruína, e o interesse e a beleza das ruínas é o não servirem para nada. Se é para não o utilizarem, não se justifica tê-lo.
O movimento tem, essencialmente, a dimensão simbólica: reforça a marca-de-água de um estilo aristocrata, monárquico e conservador, que olha com redobrado interesse para tudo o que é passado e com muito desdém para tudo o que é futuro e o que isso significa - diversidade, criatividade, ruptura.

Quem passa muito tempo a olhar para trás, não tem tempo, nem sabe, olhar para a frente. É preciso olhar para o passado, mas o futuro constrói-se rompendo com o passado. 

3 de setembro de 2015

Para onde vai a “igreja velha” de Albergaria dos Doze (2)?

Noutras freguesias preserva-se a cultura material mais simbólica de uma população. Em Caxarias, por exemplo, guardou-se o depósito das águas que alimentavam as máquinas a vapor. Em Albergaria dos Doze, semelhante depósito, símbolo da arqueologia industrial da nação portuguesa, foi posto ao chão para se ganhar uma terceira linha férrea que nunca vê comboios.
Para Santiago de Litém está em execução o restauro do coreto. Em Albergaria pôs-se o coreto ao chão e agora algumas almas querem comprar a Igreja Velha para a demolir e poder estacionar o mesmo número de carros que aí já se estacionam [ou menos, ainda]. Quem é o ideólogo desta demolição? Falaram-me do vereador da cultura da CMP… Será? Temos de apurar! Quem mandou o desenhador ou o arquiteto fazer este projeto que destrói o monumento com mais raízes históricas em Albergaria?
Não serve atualmente? Vamos encetar a animação do Centro Cultural Pe. Petronilho (CCPP), Senhor Vereador, Senhores Presidentes, Senhores Membros da Comissão Fabriqueira e Senhores Membros das Associações Locais.
Bem quisemos, em 1995, depois de terminarmos o Restauro e Reforma da “Igreja Velha” para CCPP, fazer uma Comissão de Gestão para assegurar a manutenção, gestão e animação do Centro Cultural…
O Conselho Económico não quis! Portanto, não pode, agora, desinteressar-se pelo imóvel e pensar só em liturgia. O projeto foi acompanhado e aceite pelo então Rev.º Bispo de Leiria, D. Serafim Ferreira e Silva e, parece-nos evidente, não pode a paróquia desligar-se quer da manutenção quer da animação do imóvel. Muito menos vendê-lo à autarquia para que seja derrubado e dê origem a 11 lugares de estacionamento.
Deus não quer e os albergarienses não deixarão!
Farpa convidada de Ricardo Vieira

21 de agosto de 2015

A Pistola

Na última reunião do executivo o presidente da CMP resolveu fazer um número com uma tal pistola que a câmara tinha mas não sabia que tinha, há varias décadas.
Nada que surpreenda. A câmara é rica, mas não é rica coisa. E é típico dos ricos terem muita coisa que não sabem que têm. A câmara gaba-se frequentemente de estar na vanguarda da tecnologia e da informatização mas não inventaria nem informatiza o património. Logo, não sabe o que tem, controla o que não deve e não controla o que deve (controlar). Só assim se explica que um funcionário se tenha servido de centenas de milhares de euros ao longo de muitos meses e, quando, por mero acaso, detectaram a marosca e foram verificar as contas encontraram outra com um montante semelhante desconhecido.

Com as coisas que a câmara tem e que desconhece que tem, o presidente da câmara pode fazer um número todas as semanas, e expor, desta forma, os seus antecessores (e não só)!

24 de novembro de 2013

Quando o património é perigo



Neste concelho não tem existido grande interesse em preservar o património com algum valor. E não é por falta de dinheiro, porque gasta-se tanto em obras sem qualquer valor, que só pode ser por insensibilidade ou ignorância. Consequentemente, o património com algum valor vai-se degradando e perdendo. Mas permitir que essa degradação ponha em risco a segurança das pessoas é desleixo que roça a irresponsabilidade.
A baixa do centro de Abiúl é uma zona com História e ainda resistem alguns traços arquitetónicos dessa História que mereciam cuidada preservação. Um dos traços arquitetónicos com valor são os arcos do Paço dos Duques de Aveiro que correm risco eminente (pelo menos um deles) de ruir, colocando a vida dos transuentes em risco.
Quando o desleixo roça a irresponsabilidade estamos perdidos.

26 de fevereiro de 2013

Ó meu Pombal...


Ainda sobre a questão da dita regeneração do Largo do Cardal, não posso deixar de constatar o seguinte:

Este link contém uma súmula do projecto (páginas 13 e 14 sobre o Largo do Cardal), tendo sido este que foi apresentado, pelo menos, numa Assembleia de Freguesia, já que a Junta é parceira (no papel) deste projecto.


Este, sobre as alterações ao trânsito, contém uma montagem sobre como ficará o espaço. É neste que aparecem as tais IS (ou lá o que é):


Descubram as diferenças entre projectos. Isto ajuda à seriedade com que se quer que se olhe para a actuação de quem decide "regenerar"? Isto ajuda a que aceitem os argumentos sem desconfiança?


E entendamo-nos: regenerar, em muitos casos, tem servido como pretexto para gastar dinheiro estupidamente, decorando a betão ou a outros elementos, zonas que mereciam outro tratamento. Reaproveitar, redesenhar e repensar espaços públicos é bem-vindo desde que inserido numa estratégia. Infelizmente vê-se o resultado que a Praça Marquês de Pombal deu, ou o Castelo, onde a requalificação deu apenas de bom a Cafetaria e o tratamento à volta do Castelo - sem contar com as vergonhosas escadas tipo maison - ou ao pé do Cemitério. Excepção, claro, ao Parque Verde do Açude (mantendo eu que aquelas "varandas" são uma coisa perigosa - por favor, vão lá e vejam bem como aquilo está, mas que afecta a mais valia do espaço). Desde há anos que se trabalha a forma e não se preocupa com o conteúdo. O Castelo, fechado há anos, terá, pelos vistos, uma apresentação/filme. Mas a ocupação de espaços não é acautelada, o que condena o Celeiro do Marquês (espaço excepcional) a uma utilização espaçada ou o próprio Museu do Marquês (que até teve um prémio para a recuperação), que por ter uma exposição com horários de função pública é incapaz de atrair mais público.


Há 11 anos defendi um debate público alargado quando se enterrou uma fortuna num parque de estacionamento que não é usado e se converteu uma Praça que é o resto da nossa zona histórica, num momento à insipidez e à lógica do empedrar sem tornar o espaço aprazível (que continua sem o ser). Defendi que a autarquia, já que estava naquilo, podia perfeitamente equacionar serviços públicos na Praça ou ter um plano para ter vida. Obviamente, não tive retorno, sendo certo que eram, infelizmente, poucos os que naquela altura se preocupavam com aquela situação ou que criticavam as opções do partido do poder em sede de património, tendo este defendido, acerrimamente, uma intervenção que apenas iria ter placa de inauguração. Aliás, é uma constatação  que as vozes críticas, quando se trata de património, são sempre poucas demais. Que este golpe final, depois de tantos avisos e obra efectuada, sirva de exemplo e de mudança, principalmente com Outubro à porta.

Ontem, como hoje, é assim que a obra é feita. Mesmo com fundos comunitários na sua maioria, são milhões que não servem para reconciliar os cidadãos com a sua cidade, com algumas honrosas excepções. Lamento, por exemplo, não ter um Parque Verde a sério ou mais corredores verdes (a Junta queria um na Charneca, mas falta capacidade para reivindicar ou capacidade para gerar o dinheiro de outra forma) ou ainda ver a obra do CIMU Sicó começada. (http://noticiasdocentro.wordpress.com/2010/09/15/pombal-constroi-centro-de-interpretacao-e-museu-da-serra-de-sico/cimu-sico/)


Concluindo, fazer obra para placa, qualquer um, desde que tenha dinheiro, faz. Mesmo que sejam pontes que só dão para uma margem ou quase-aeródromos em terras que nem passeios têm. Mas preocupar-se com o retorno, como por exemplo, se tentou (e bem) fazer com a Expocentro, é uma excepção. Aliás, fosse isto um oásis e o poder cessante não desistiria enquanto as palmeiras não fossem abatidas, a água contida dentro de um lago de betão e o verde substituído por granito. E claro, uma placa de inauguração para cada uma destas requalificações.

26 de janeiro de 2012

Se o meu Castelo falasse (enésimo post)

Coisa mai linda
Castelo de Pombal reabre ao público em Junho, noticia o jornal "As Beiras", citando fonte da autarquia.
Portanto, somem-se a Novembro de 2011 mais 8 meses. E isto para festejar os 500 anos do foral manuelino.
Por partes: o facto de reabrir, depois de se gastarem 3 milhões de euros naquela colina e de estarmos à espera há tanto tempo, é o mínimo. Houve soluções interessantes aplicadas e outras que nem por isso. Há outras que, suponho eu e meio mundo, existirão, mas não sabemos. Não sabemos o que vai ser feito lá dentro. Não sabemos se se irá aproveitar a História Templária (sim, insisto nesta parte - lá fora por bem menos, vende-se de tudo). Não sabemos. Sabemos que há um filme que custou bastantes milhares de euros e haverá uma BD. Mas a nós não há fonte da autarquia que diga. Há um jornal que sabe de uma fonte da autarquia. O resto são suposições. E uma certeza: haverá uma placa enorme para inaugurar, pois claro. Se até em supermercados atingidos por cheias há, não haverá numa obra que, ironicamente, a penúltima vez que sofreu mexidas, era uma obra do regime?
A parte boa é a aposta no Castelo, na colina, nas actividades, no levar pessoas lá acima (disciplinem é o estacionamento entre o cemitério e a colina - penalizando os chicos-espertos que teimam em não saber ler placas de trânsito), onde suponho que a Cafetaria - um espaço agradável, admito - terá o seu papel. A outra parte é o aproveitamento de efemérides como o Foral Manuelino. Numa terra que trata, na maioria dos casos, a sua História ao pontapé e se fica pelo que é fácil (Marquês ad nauseaum, por exemplo), todo e qualquer evento equilibrado que sirva de pretexto para fazer as pessoas reencontrar a parte histórica é bem-vindo. É um esforço que interessa. 
É pena que não haja uma Carta Arqueológica no Concelho, que não haja um arqueólogo no quadro da Câmara (não há nenhum com cartão laranja que esteja disponível?), para juntar a um núcleo muito restrito de gente que está lá e se preocupa com estas questões. Mas a sociedade civil continua (onde faço um mea culpa também) por não se mobilizar e questionar os investimentos que não fazem sentido, como a cobertura de betão com que se tapou a colina ou a perfeita anormalidade que é a rua da encosta do Castelo. Ou a bela escadaria de acesso à porta principal. 3 milhões de euros é muito dinheiro e podia ter sido melhor gasto. Relembro que só em Leiria se gastaram perto de 600 mil euros para a prospecção arqueológica do Castelo. Num lado explora-se. Noutro esconde-se? É que ressalvando diferenças de área e de importância, aqui também se descobriu um muro no acesso ao cemitério, prontamente tapado por betão. Serviria de quê? Não sei. Não houve fonte da autarquia que informasse.
Por isso, enquanto Junho e esse programa de festas não chega, o nosso castelo altaneiro, mutilado pela aberração insegura que o IGESPAR (ou lá como aquilo se chama agora) fez à torre de menagem (mais uma vez, veja-se Leiria) e por aquela escadaria inenarrável, a lembrar um acesso a um qualquer centro de saúde, continua inacessível aos pombalenses. Esperemos que valha a pena, tal como a Cafetaria parece estar a resultar (recomendo a visita desde já). E ficamos à espera que alguma fonte da autarquia nos informe, por interposta pessoa, de futuros desenvolvimentos.

10 de setembro de 2011

Se o "meu" Castelo falasse...

Depois do que se gastou no Castelo, e onde há (poucas) coisas bem conseguidas e outras que não são francamente mais que dinheiro estragado, sou levado a concluir que a obra ainda não acabou. Senão, o Castelo já estaria aberto, o que faria todo o sentido, atendendo à existência e funcionamento da cafetaria. E se bem me lembro, o projecto também ia estragar mexer no interior. Como e para quê, não sei. Mas isso não é importante, o importante é uma grande e imponente placa de inauguração.

14 de março de 2011

Farpas dos Leitores

Recebido por email:

O tugurium romano de Atalaia

Numa busca na web encontrei um artigo interessante sobre uma escavação arqueológica realizada aquanda da construção da autoestrada A17.
Nessa escavação foi supostamente encontrado um tugurium romano.
Ainda bem que o sitio foi escavado, só é pena que a arqueologia em Pombal se resuma a acompanhamentos e sondagens obrigatórias ou seja, somente o que a lei obriga em caso de monumentos classificados e seus perimetros de protecção ou obras públicas.
O concelho está crivado de vestígios, há villas romanas conhecidas (ex: S.Tibério, cidade de Roda), há grutas cheias de espólio ancestral, etc, etc, etc...
Porque não investir valores semelhantes aos da obra da Ponte D.Maria em escavar algo conhecido, mas desconhecido ao mesmo tempo e que poderá revelar achados interessantes e dignos de museu!

SM
Acrescento eu: se ainda houvesse esperança de ter uma plaquita de inauguração antes de 2013, acho que se equacionaria essas hipóteses, mas como escavações arqueológicas são trabalhos longos...

11 de março de 2011

Na agenda

Neste deserto de ideias para o património e para a História há, contudo, alguns oásis que valem a pena ser mencionados. E um dos oásis tem a ver com as comemorações da Guerra Peninsular e da Batalha da Redinha, como o Adérito já mencionou, evento esse que foi ganhando mais dinâmica e abrangência, fruto de um conjunto de parcerias bem pensadas. Este ano é de Bicentenário e o programa, sem ser faustoso é adequado: desde exposição (itinerante, o que é coisa bem pensada) à feira oitocentista, passando pela recriação da batalha, desfile militar e um momento musical com hinos tocados pela Filarmónica. Fica a nota para o fim-de-semana (para aqueles que forem à manif - o ora signatário não vai -, lembro que o programa é de dois dias).

4 de março de 2011

Sobre a Ponte D. Maria

Informação aqui. Alguns destaques (que não dispensam a leitura de toda a memória descritiva):

A proposta para o desenho urbano da ponte D. Maria, visa essencialmente privilegiar a circulação pedonal em detrimento da circulação automóvel, aumentando por isso, consideravelmente, a área pedonal. O tipo de pavimento proposto, lajeado de granito, na zona de circulação pedonal, associado à calçada de pedra irregular, também de granito, na zona de circulação automóvel, foi escolhido de modo a realçar o carácter histórico deste espaço. A marcar o eixo da via, de sentido único, propõe-se a existência de lajeado de granito à semelhança da área reservada à circulação pedonal.

A introdução de elementos contemporâneos, como guarda-corpos, dissuasores e papeleiras, pretendem marcar no tempo este trabalho de requalificação da ponte D. Maria, de uma forma sóbria, mas não irreversível.

A opção de perfazer o metro de altura dos guarda-corpos com um elemento metálico, em detrimento da alvenaria, justifica‑se sobretudo por se entender que, desta forma, o elemento de segurança "guarda-corpos" no seu todo será mais "leve" e "transparente" possibilitando maior desfrute do rio Arunca por parte de quem circula na ponte D. Maria ou aí aproveita para descansar num dos quatro bancos de granito com que se pretende equipar esse espaço público de elevado valor cénico.


Nesta fase, abstenho-me de comentários. Penso que a descrição diz (quase) tudo.

15 de outubro de 2010

Na Agenda

Temos Tasquinhas novamente este fim-de-semana. De destaque, para mim (que não pude estar presente na inauguração - mais uma para o livro de ponto), a apresentação multimédia do projecto do Castelo, o roteiro turístico de Pombal e o folheto bilingue sobre o Museu do Marquês de Pombal. Sábado haverá tempo para ver in loco essas três novidades. Sobre o projecto do Castelo cheira-me que só mesmo em multimédia é que aquilo fará sentido (a história de não construir em zona non aedificandi, os belíssimo passeios, o rebordo a betão, enfim, um must de 3 milhões de euros - nem todos do município, atenção - o qual não acredito que se traduza numa mais-valia. A ver se a integração na RCMM pode colocar algo dentro do Castelo que possa justificar - sim, os Templários, podem servir para isso, num pequeno núcleo museológico com base também, aí sim, em multimédia). Já o roteiro turístico desperta-me curiosidade, querendo crer que é um trabalho que identifica, para além de outros, o património que este concelho tem, esteja ele no estado em que estiver. Mas disso darei conta depois de o ver. Até lá, cumpra-se o ritual, para muitos, de visita às Tasquinhas (desta vez, ao que consta, sem design).

30 de junho de 2010

Patrimónios Imateriais

A Câmara Municipal de Lisboa quer ver o fado reconhecido como património imaterial da humanidade. Apesar de crítico em relação a "uma certa acepção de fado" (não creio que tenha o peso representativo de nacionalidade que muitos lhe atribuem, sendo muito mais uma "canção de Lisboa" do que uma "canção de Portugal"), esta é uma iniciativa de inegável mérito, e que nos faz pensar a nós, pombalenses, em "outros termos patrimoniais". Temos nós, em Pombal, algum património imaterial? Cuidamos dele? Forçando ainda mais a questão: o que é que nos caracteriza como POMBALENSES, de forma não material? Que valores? Que traços culturais? Que manifestações artísticas?

25 de março de 2010

Se o meu Castelo falasse...

Há quem se espante que as obras de requalificação do Castelo andem a conta-gotas. Em primeiro lugar, se é tal como relatado na reportagem do Correio de Pombal, ainda bem. É porque perante achados o arqueólogo faz o seu trabalho. Ou seria possível alguém achar que um Monumento com pouco mais de 820 anos e ocupação humana muito anterior não tivesse nada para "mostrar"?

Já quanto às obras, no fim veremos o que resultará, sendo certo que já se vislumbra a esplanada no lado esquerdo do Castelo (quem olha de cá de baixo). Restará saber como é que a decoração a betão vai resultar no final. A bem da requalificação, pois claro.