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6 de fevereiro de 2020

A tua cidade...é minha e é nossa

“O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” 
Leonardo Boff

Todos os dias os lugares por onde passamos, vão sendo usados por uns e por outros. Como eu, são visitantes, moradores e vizinhos, pessoas do próprio concelho ou vindas de fora, que de um lugar para o outro, se deslocam, permanecem, brincam ou fazem compras. Tudo isso, acontece todos os dias, numa multiplicidade de atividades que se acumulam, num constante pisar e repisar dos lugares públicos da cidade de Pombal, que goza de uma centralidade que remonta à sua fundação e que nos dias de hoje mantém e conserva. 
Assim nos relacionamos com os lugares que valorizamos…
Existem também um sem número de agentes que se preocupam com o bom funcionamento da cidade de Pombal. Todos juntos, estão encarregues de garantir o bom funcionamento de todos estes espaços urbanos e procuram perceber como podem melhorar o seu desempenho e tornar a cidade de Pombal mais resiliente.
Seguramente foi com esse propósito, que se aprovou a Operação de Reabilitação Urbana da zona central de Pombal, delimitada por uma área de 54,3 hectares. Através dela justificaram-se, um conjunto de investimentos para realizar na “Área de reabilitação urbana: a área territorialmente delimitada que, em virtude da insuficiência, degradação ou obsolescência dos edifícios, das infraestruturas, dos equipamentos de utilização coletiva e dos espaços urbanos e verdes de utilização coletiva, designadamente no que se refere às suas condições de uso, solidez, segurança, estética ou salubridade, justifique uma intervenção integrada, através de uma operação de reabilitação urbana aprovada em instrumento próprio ou em plano de pormenor de reabilitação urbana” ORU - memória descritiva, pág 02. 
A noção de intervenção integrada cumpre-se aqui pela concentração e a proximidade das intervenções urbanísticas, ao invés de outras operações do género, que reconhecem nas obras apenas um efeito catalisador, quando na verdade a transformação dos espaços publicas dá-se através de um conjunto de medidas sociais e económicas claramente identificadas e incrementadas, durante um período de tempo que idealmente vai para além de um mandato. Nesse clima as obras são um fator de indução de novas dinâmicas económicas e sociais dentro da cidade e quando bem acompanhadas, transformam e mobilizam um concelho e uma região.
Para o centro de Pombal: Que imagem queremos? …O que é que pretendemos? …Quem serão os futuros moradores? …Que atividades económicas e sociais serão necessárias? …Que função poderá desempenhar, no quadro mais alargado do concelho? São apenas algumas das questões que terão que ser respondidas. Mas antes, urge re-conhecer a atual realidade de Pombal, contextualizar e refletir sobre ela.
Para os investimentos previstos serem potenciadores de mudança é necessária uma ampla e profunda reflexão ao longo de todas as fases de incrementação deste projeto, a ser liderado pela Câmara Municipal de Pombal em estreita delegação/participação dos agentes que atuam dentro deste perímetro (IEFP, Associações empresarial e comercial, Misericórdia, Bombeiros, IPSS, Igreja, CNEs etc…) e a uma comunidade organizada em torno de associações de moradores pronta a participar construtivamente. 
É num clima de partilha sincera e de apresentação das motivações de cada parte, que se constrói uma comunidade resiliente, fortemente identificada com os seus espaços urbanos e seus equipamentos públicos. Um centro urbano construído a pensar nas necessidades das suas estruturas civis, capaz de dar respostas aos múltiplos usos e contribuir para valorizar, cuidar e proteger os valores do concelho de Pombal, no seu contexto regional.

Carlos Vitorino
Arquiteto, orador no debate sobre Urbanismo, a cidade e o espaço público, promovido pelo Farpas a 27 de Janeiro

22 de maio de 2019

E agora para algo completamente fracturante: as esplanadas

Este post é uma singela contribuição para a causa que o vereador Michael António abraçou neste mandato: as esplanadas e suas idiossincrasias.
Desde que voltou à Câmara que anda preocupado com a esplanada do Buda Bar. O processo conheceu duas fases: a primeira, em que Diogo Mateus rebatia ferozmente os argumentos inócuos do seu ex-companheiro de partido e de bancada; e a segunda, em que surpreendentemente (ou não) o presidente começou a fazer coro ao lado de Michael, mostrando uma atitude musculada de "chamar a polícia e fechar aquilo", se preciso for.
Ora, numa das ruas que ainda tem algum movimento em Pombal - a prof Gonçalves Figueira - está esta beleza de esplanada. Será este o modelo?

28 de novembro de 2018

Quem cair, que (a)tire a primeira pedra


Era moderno, era a regeneração urbana que ia revolucionar a zona história e potenciar o comércio, era a negação da calçada portuguesa e era, sobretudo, a surdez do poder político aos avisos lançados por aqui. Falámos do projecto a primeira vez há 8 anos, neste post do João Melo Alvim. E há seis também.  E muitas outras vezes depois disso. Sobre o tipo de piso, são muitos os posts em arquivo a propósito das "cardaleiras", como ficaram conhecidas.
Agora desafiamos os nossos leitores a encontrarem designação para as ratoeiras que todos os dias fazem cair cidadãos, sobretudo na Rua Capitão Tavares Dias. Voltamos ao mesmo: se os nossos autarcas caminhassem pela cidade, já tinham percebido o estado em que está. Se vissem para lá da passadeira entre a Câmara e o Nicola, não enchiam a boca com termos ao estilo "regeneração urbana". E se batessem com os joelhos no chão, como ainda ontem aconteceu a duas pessoas, nestas pedras partidas, levantadas ou soltas, talvez tivessem noção do perigo que ali está.
Até lá, continuem a passear-se no Cardal.