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12 de junho de 2024

Comemorar vitórias, enganar derrotas: o que dizem os resultados das eleições em Pombal




No início desta semana lá foi a Câmara para mais um passeio, desta vez na Redinha. E é curioso que a primeira saída do executivo pós eleições europeias (em que o presidente da Câmara e o PSD local tanto se empenharam) tenha acontecido precisamente ao território que menos votos deu ao partido, por mais loas que o presidente da junta lhes teça. 

Esmiuçando o escrutínio, percebemos então que há três freguesias-exemplo, onde o PSD alcança resultados acima dos 50%: Carnide, Abiul e Meirinhas. Ora, nesta última, cujo pavilhão (municipal, portanto tão nosso como lá da terra) se transformou em ninho de vitória laranja, com direito a um parque de estacionamento peculiar...  dá-se o caso paradigmático de ver o PS relegado para um quarto lugar na votação. Ao contrário, na Redinha, o partido (que continua a suportar o autarca local), consegue a sua melhor votação, num empate quase técnico com o PSD, perdão, a AD - o que já acontecera nas legislativas. 

Quanto ao resto, nada de especial a assinalar. É seguirem a comunicação social local nas suas redes sociais, e perceberem o efeito mundo ao contrário, em que os autarcas obedecem aos assessores*, como documenta a parte final deste vídeo, publicado pelo Pombal Jornal. 

*A voz é daquele assessor que, nas vésperas do 25 de abril, reproduziu graçolas sobre atirar comunistas do 7º andar. 




4 de junho de 2024

Meirinhas – o novo cavaquistão

Realiza-se hoje nas Meirinhas o maior evento de campanha do PSD - agora "rebaptizado" AD – para as eleições europeias na região, com as suas maiores figuras do momento: S. Bugalho e L. Montenegro.



Com Narciso Mota, e depois com Diogo Mateus, Pombal conquistou o estatuto de concelho cavaquistão na região. Mas nos últimos anos perdeu o título para as Meirinhas, por mérito dessa outra grande figura local: o presidente da junta João Pimpão.

Não deve ser fácil uma pequena freguesia arcar com esta responsabilidade de realizar a enfiada de grandiosos eventos do PSD nacional na região. Por isso, este esforço e este dinamismo, que belo uso têm dado ao dispendioso pavilhão que muito nos custou, deve ser realçado, e até subsidiado. 

Força João. O PSD está contigo. E nós também.

26 de maio de 2019

Alerta CM


Os resultados para as eleições europeias ficaram disponíveis no site da Câmara Municipal pouco depois das 22 horas, sem grandes razões para a tradicional festa laranja.
Podemos falar de um alerta C(âmara) M(unicipal), e por isso, depois de roerem as unhas dos pés, alguns dirigentes social-democratas têm contas para fazer.
O PSD foi o único partido a fazer campanha em Pombal, mas as fracturas internas e uma imitação do todo nacional travaram um resultado à moda laranja: esmagador (como nas Meirinhas. Carnide ou Abiul, que ainda honram este convento).
De maneira que ali no Largo do Cardal e na Rua Dr. Luís Torres, já se está a esmiuçar este escrutínio. 
Se esta fosse uma terra normal, estes resultados não quereriam dizer mais nada além do que são: uma abstenção medonha, uma vitória do PS e a ascensão do BE a terceira força política. Mas não é. De modo que, esta noite, há a reter três ou quatro coisas:
1. O PS ganhou em Pombal (cidade/freguesia) pela primeira vez em muitos anos e na Redinha (onde o presidente da junta publicava no seu facebook a propaganda do Basta
2. O PSD tem em Carnide (percentualmente) e nas Meirinhas (de facto) o seu inabalável bastião
3. A Câmara esforçou-se bem par esta abstenção de 72%, contribuindo com animação de rua e evocação do Marquês de Pombal. Bom trabalho.
4. Resta saber o que vai o PS fazer com isto.

Os resultados estão aqui.

26 de maio de 2014

Mais resultado(s) de Pombal

O município disponibiliza aqui todos os resultados eleitorais do concelho. Ora acontece que Carnide nunca falha: a percentagem de 80% de votantes na AD, perdão, na AP, consegue suplantar o partido globalmente mais votado no concelho-charneira: a Abstenção, com 75%.


25 de maio de 2014

Eleições europeias - resultado(s), I

Pela primeira vez nos últimos anos, o pessoal das mesas de voto da freguesia de Pombal não terá recebido os tradicionais cinco euros de que aqui falava o JGF, neste post. 
- A culpa é do Farpas! 
apontava-se nos corredores da Escola Secundária de Pombal.
Para já é tudo.

9 de maio de 2014

Casa de ferreiro espeto de pau

Andam, novamente, os partidos políticos atarefados com mais uma campanha eleitoral e a preparação das eleições europeias. Esses trabalhos incluem, também, os convites para membros das mesas eleitorais.  
Mas, como, passados sete meses, a câmara ainda não pagou as senhas de presença das últimas autárquicas, tem havido muitas recusas.

Para quem se gaba muito de ser um bom pagador não está nada mau!

9 de junho de 2009

Ainda as análises...

Desde as primeiras eleições europeias (1987) que os partidos do centrão têm concentrado a votação: começou nos 60% e chegou nas últimas aos 77%. Nestas, caíram para 58%, havendo que ter em conta os 6% de eleitores que fizeram questão de votar em branco ou nulo (a abstenção foi elevadíssima, mas digamos que essa variável já era expectável, restava era saber o número exacto). Este cenário que poucas vezes se viu (apenas 1985, em legislativas, em que o fenómeno PRD arrecadou quase 20% dos votos), levanta questões sobre o que poderá acontecer em Setembro. Para que fique bem claro, afasto qualquer espectro de ingovernabilidade nem acho que esse argumento seja utilizável fora do discurso partidário e em campanha. O que parece ser de considerar é que a maioria dos eleitores desconfia do "seu" centrão. "Parece" apenas porque as Europeias são eleições diferentes, em que o voto de protesto pode ser utilizado com maior à vontade. Quer isto dizer que duvido que a soma dos dois maiores partidos seja inferior a 60% nas próximas eleições. Duvido, mas não só não tenho certezas como muitas vezes até me engano. No entanto, não querer retirar ilações de todos os resultados de Domingo, parece-me mais que má táctica, uma péssima estratégia.

7 de junho de 2009

Está tudo normal em Pombal ocidental

Vá, confesso. Quase tinha saudades dos sapatos de berloques, da camisa azul-bebé e da franja ligeiramente grande e bem ao lado, que veste qualquer Jota (SD) que se preze. Davam pulinhos ainda agora na TV, enquanto Paulo Rangel (qual sapo transformado em príncipe) e Manuel Ferreira Leite falavam ao país, quase incrédulos com a vitória que lhes caíu nos braços. Hoje, tal como outras vezes no passado, quer no país, quer aqui em Pombal, não foi o PSD que ganhou. Foi o PS que perdeu. E enquanto os dois grandes se vão esgrimir em argumentos daqui até às legislativas, sobra espaço para registar essa emocionante vitória do Bloco de Esquerda, também em Pombal, coisa ainda mais rara. Porque Pombal até pode parecer um mundo à parte mas não é. Num concelho que bate recordes de abstenção em todos os actos eleitorais, os mais de 73 por cento destas europeias são mais do mesmo. O resto é quase o costume: o PSD e a supremacia, o PS (cada vez mais) envergonhado, o CDS e os fiéis, a CDU e os seus, o BE em ascenção, os brancos cada vez mais, tal como os nulos. Os nulos. Eles andam aí.

Resultados para conferir aqui e aqui.

2 de junho de 2009

Só neste país

Existe uma enraizada mania nacional que consiste em dizer, por tudo e por nada, mal do país. Como diz Sérgio Godinho no seu mais recente álbum: só neste país é que se diz "só neste país, só neste país".

Este exercício de estilo, aparentemente inofensivo, contribui, em larga medida, para o estado de depressão colectiva em que nos encontramos. Não quero com isto dizer que não existam motivos válidos para justificar a nossa descrença. Existem, não são poucos e alguns deles também me desmotivam e me fazem pensar que não vale a pena acreditar no nosso sucesso como nação. Mas, numa altura de eleições, de consagração de democracia e de exaltação da cidadania participativa, esse exercício deveria ser evitado.

Portugal é um país essencial à construção europeia e tem aí um papel importante a desempenhar. Mas, para isso, temos que acreditar nas nossas capacidades, nos nossos valores e procurar estar no centro de todas as decisões, de forma activa e participante.

Acabei de chegar de uma viagem de trabalho à Suécia e Dinamarca. Em ambos os países encontrei grande indiferença em relação à campanha eleitoral. Não vi cartazes nem pessoas empenhadas em discutir a Europa; nas televisões falou-se mais sobre a Susan Boyle (não ganhou, coitadinha…) que nas eleições do dia 7. Os nórdicos podem até ser mais cultos, organizados e loiros que nós mas não têm a nossa paixão, a nossa imaginação (conseguimos ver no Vital Moreira o elo perdido que liga o Gepeto ao Avô Cantigas), o nosso espírito inventivo e de desenrasque.

A riqueza da Europa está nessa multiculturalidade e é nisso que eu acredito.

29 de maio de 2009

Eleições Europeias

As eleições europeias resvalaram, definitivamente, para a mais baixa politiquice.
Tal deve-se a várias razões. Enumero as que julgo mais importantes:
· Desvalorização das eleições europeias; estão transformadas em primárias para as legislativas;
· Falta de pensamento político estruturado sobre a Construção Europeia; a Europa tem servido para nos alimentar um pouco a auto-estima e os bolsos de alguns;
· Impreparação da maioria dos candidatos; o que os leva a resvalar para aquilo que sabem fazer – politiquice;
· Cultura demagógica da classe política actual; recorrem sistematicamente a discursos ambíguos que misturam anti-europeismo, nacionalismo e provincianismo;
· Os media e os eleitores interessam-se essencialmente pelos sound bites e pelas picardias.
Resultado? Nada de relevante se discute, e quem o tenta fazer é rapidamente atacado por todos os lados. O tratamento dado à questão do Imposto Europeu é um exemplo paradigmático da politiquice reinante.

4 de maio de 2009

NÃO SE DEVE DESRESPEITAR O SENHOR PROFESSOR!




O Constitucionalista e Professor Catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra, Vital Moreira, agora transvertido ( para usar o estilo de J. Sócrates ) em candidato ao Parlamento Europeu, foi bárbaramente agredido no passado 1º de Maio, segundo rezam as crónicas e a TV. Após ter visto e revisto as imagens televisivas do acontecimento, não vislumbro nada de particularmente grave, senão umas garrafas de água pelo ar, e um manifestante a agarrar-lhe pelo casaco ( ou colarinho ? ). Barbaramente agredido ? Talvez, se pensarmos que lhe chamaram "traidor"," capitalista", tentando desse modo o impedir de continuar a sua caminhada por entre os manifestantes. O Senhor Doutor de Coimbra, não devia ter sido incomodado no seu passeio, como o foi por alguns manifestantes mais exaltados, pelo que se devem repudiar tais comportamentos. O que desde já, faço. Mas daí, acusar o PCP ( e porque não o B.E. ? ) de estimular ou ser autor moral de tais comportamentos, vai uma enorme distância. Por isso, havendo um pedido de desculpas, estas devem ser apresentadas pelo Senhor Professor e Partido Socialista ao PCP, por via de profirerem acusações completamente infundadas.

22 de abril de 2009

Demagogia

A qualidade da democracia de uma determinada sociedade não se afere apenas, por exemplo, pela inexistência de um aparelho estatal (ou outro) que reprima o exercício da liberdade de expressão ou de imprensa.

Com efeito, para que um regime democrático atinja o mínimo exigível de qualidade é também necessário que os respectivos intervenientes políticos sejam sérios e capazes.

Ora, o debate sobre as eleições europeias a que assistimos no programa "Prós e Contras" da RTP 1 foi - se dúvidas, claro, ainda houvesse - elucidativo acerca da qualidade dos nossos políticos e, consequentemente, da democracia Portuguesa.

De facto, foi absolutamente confrangedor assistir a um debate pautado pelo insulto pessoal, pela total ausência de ideias e por uma demagogia que já nem sequer se preocupa em ser coerente na aparência.