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10 de fevereiro de 2026

Pobres de nós

 



Passam nas próximas horas duas semanas da noite em que o vento nos atravessou, e para muitos de nós não há meio de ver o tempo e o modo a melhorar. Dos milhares que, no distrito de Leiria, continuam sem electricidade e sem comunicações, uma boa parte está no concelho de Pombal. Para maior infortúnio, a maioria não sabe sequer a dimensão da catástrofe, porque lhes falta comunicação, acesso à informação. Dei comigo estes dias quase a bendizer esse buraco negro, ao imaginar os meus pais a carregarem ainda mais esse fardo, se vissem imagens do que a tempestade provocou em muitos lugares à nossa volta. Mas por outro lado, o quanto lhes faz falta (a eles e a tantos) a companhia da TV. O quanto lhes faz falta, a eles e a tantos, a electricidade que permite o básico: ver o caminho, de noite, até à cama, encher o depósito de água, conservar alimentos, gestos que tomamos como banais até nos serem tirados. Talvez agora já dê para imaginar um pequeno laivo do que é viver na Ucrânia ou na Palestina, ou em tantos lugares do mundo. Aqui as nossas bombas são agora naturais: o vento e a água, depois do fogo.

Deixei passar este tempo para poder olhar com discernimento para o quadro que temos à frente. Apesar da nossa parca presença na TV (acabaram-se aqui os directos mal os rios e as cheias nos ganharam, em mediatismo), as imagens que nos chegaram (aos privilegiados que por estes dias têm luz, água e comunicações) mostram a pobreza em que vive tanta gente. Talvez este temporal tenha destapado definitivamente o que andamos a mascarar há demasiado tempo. Na semana passada, um grupo de bombeiros de Oeiras que encontrei numa pastelaria da cidade confirmava isso mesmo. Logo a eles, de carros novos e bem equipados, calhou a reposição de telhados entre Vermoil e Albergaria dos Doze. “O problema é que muitos telhados estão todos podres”, diziam. Por isso o problema não vai resolver-se com telhas ou lonas, será muito mais complexo.

No meio da desgraça, em Pombal também esta não veio só. Tivemos o azar de não ter presidente da Câmara nesta altura. E por mais diligente que a vice Isabel Marto tenha parecido, percebe-se que foi talhada para números e gabinetes, nada para comunicar e liderar. O que aqueles briefings nos mostraram foi uma “equipa” deslaçada, cada um para seu lado, sem qualquer coesão muito menos liderança. Só assim se compreende que o chefe da Unidade de Turismo tenha vindo a público prestar declarações, como se ainda fosse chefe de gabinete do presidente da Câmara.

Nas Juntas, foi mais ou menos “a cada cor seu paladar”. Houve de tudo: a falta de noção e de empatia com quem estava sem luz, a comer o que calhava e de chapéu aberto dentro de casa, enquanto decorriam jantaradas ao som do acordeão com bombeiros e demais voluntários. Chama-se decoro, e também se aprende. Houve o empenho e rapidez em reparar telhados de igrejas enquanto chovia na cama de fregueses, ou tão só o acto de ignorar as pessoas. Sobram porém alguns bons exemplos. A saber: na Redinha, a Junta distribuiu panfletos quando percebeu que só acede às redes sociais quem tem electricidade ou comunicações; no Louriçal, o presidente Célio Dias tem posto a sua experiência militar e formação em psicologia ao de cima. A procura da população para lhe explicar de viva voz o que está a acontecer é fundamental, e deveria fazer parte do manual de procedimentos em catástrofe. Assim como um cidadão deve ter um rádio de pilhas e uma lanterna, as autarquias deveriam ter um megafone para falar às pessoas, quando não há outra comunicação. E imprimir panfletos físicos, com informação. Impressiona como é que o PSD é capaz de imprimir jornais de campanha num estalar de dedos e agora não replicou o modelo.

[Já que falamos em jornais e em campanha(s), sentiu-se como nunca a falta das rádios locais. Da básica reportagem, de dar voz às pessoas. Temos um problema sério aqui, que é confundir jornalismo com comunicação, servindo de pé de microfone aos autarcas ou replicar comunicados da Câmara, esquecendo (ou desconhecendo) que são apenas uma parte das fontes. Em contraponto, boa cobertura por parte do Pombal Jornal, que já está nas bancas.]

Numa breve pesquisa pelo que disseram e fizeram estes dias os vários presidentes de Junta, não é possível passar ao lado de João Pimpão. No seu estilo próprio, agora numa cruzada contra a E-Redes, tornou-se (para o bem e para o mal) a figura desta depressão. No meio do barulho (que às vezes é preciso fazer, como aconteceu em São Simão de Litém, com a brava Isabel Costa), mobilizou tudo o que podia. E uma coisa é certa: na tarde de 30 de Janeiro,  quando fui às Meirinhas em reportagem, havia mais equipas de limpeza naquela freguesia do que nalgumas sedes de concelho onde estive.

Não conheço Ricardo Grilo, do Carriço, mas o que vi, através da web rádio Onda Certa, deu para perceber a lucidez e clareza do presidente do Carriço. Mas conheço outros, de quem esperava mais, no meio de uma catástrofe.

E antes de tudo, esperava mais, esperava alguma coisa do Governo do meu país. A sensação de abandono e desamparo não nos vai largar, durante muito tempo. É o Estado que tem obrigação de responder, a montante e a juzante. Falhou em tudo, a começar pela Protecção Civil, que cada vez mais nos parece uma falácia.

Passaram 14 dias e há milhares de familiares, amigos, vizinhos e conhecidos nossos que não têm luz, que não têm televisão, que às vezes não têm água. Que ainda não viram o grau de destruição nas aldeias e cidades à sua volta. Mas que estão, muitos deles, destruídos. Desde logo os idosos, cuja saúde mental está francamente debilitada depois do trauma. A esses, era preciso, primeiro que tudo, olhar nos olhos e dar uma palavra. Não eram precisos cabazes alimentares, nem podemos estar à espera que vejam as publicações da Câmara no Facebook.

O que nos valeu, afinal? Nós mesmos, uns e outros, a entreajuda por vezes comovente que chegou de longe, amiúde. Mas vai acabar. E vai ser precisa muita energia para reconstruir esta região. Para já, dava jeito a elétrica. A outra pode vir depois.

6 de junho de 2024

Pelouros e poleiros: da reorganização dos serviços à trapalhada geral




Eis que junho nos traz novidades, embora pouco frescas e muito menos airosas: Pedro Pimpão acaba de reforçar as suas funções, retirando um conjunto de pelouros às suas vereadoras, assumindo ele mesmo essa responsabilidade. Temos homem, temos presidente!

A partir de agora a vereadora Gina Domingues deixa de se preocupar com a Cultura e Associativismo. Assim como Isabel Marto lava as mãos da Organização Administrativa e Financeira, e Catarina Silva vê-se agora sem a Gestão de Recursos Humanos. Neste baralhar e dar de novo que o presidente experimenta a pouco mais de um ano do fim do mandato, só Pedro Navega escapa à sangria. Ou melhor, ainda sai reforçado (ganha o Trânsito, que até agora estava nas mãos da vereadora Gina). 

Estava bem de ver que aquele elenco de pelouros a metro (50, no total) esticou até não ter mais por onde. E agora, o que fazer? Sobra para quem? Para Pimpão, nosso incansável Pimpão, que entretanto arranjará maneira de distribuir mais tarefas ao vereador oficioso - Marco Ferreira - entre as sessões motivacionais do doutor Agostinho Lopes, diretor-geral, perdão, municipal. 

Aguardamos pois, com toda a expetativa, as explicações que certamente dará aos pombalenses, a propósito desta dança de cadeiras. 



27 de setembro de 2023

Da eloquência da oposição - ou da organização


É sempre um deleite ouvir boas intervenções, bem preparadas, e posições bem defendidas - sobretudo neste mandato, em que o nível baixou consideravelmente, a começar pelo executivo municipal e a acabar nas bancadas, pobres bancadas.

Ora, quando acontecem intervenções excepcionais percebemos por que razão foi agora colocado um púlpito na AM. Mesmo que ilustres modestos - como o doutor Siopa - prefiram, por vezes, falar da bancada, sentados, com todo o respeito e deferência pelos demais, mormente os que são desprovidos de eloquência. Ainda assim, há quem se entusiasme de tal modo que acaba por açambarcar o já de si reduzido tempo disponível para toda a bancada do PS. E então, quando chegou a vez do líder “espraiar apontamentos”, a ocasião estava reduzida a pó, cinza e nada. Valeu ali a (já habitual) prontidão do presidente da mesa, Paulo Mota Pinto, que - julgando tratar-se de alguma riposta política - concedeu a Coelho o tempo que já não tinha. Porque isto é como diz o povo: de onde não há, não se pode tirar. 

23 de junho de 2022

O investimento de 12 milhões que não veio para Pombal e foi para a Figueira




 Soubemos por estes dias que a Figueira da Foz vai receber um investimento (inicial)de 12 milhões de euros - coisa pouca - alusivo a uma unidade de combustíveis avançados. Trata-se de uma unidade industrial que vai ser construída junto ao porto marítimo, e que promete ser das mais desenvolvidas no mundo na produção de combustíveis avançados, com poupanças estimadas entre 92 e 98% das emissões de CO2 (dióxido de carbono) comparativamente aos combustíveis fósseis usados no setor rodoviário.

Ora, e o que nos interessa isto? - perguntam os leitores do Farpas?

É que segundo o presidente da Câmara da Figueira da Foz, "a nova unidade estava inicialmente projetada para o concelho de Pombal". Mas Santana Lopes mexe-se bem. 

Segundo as notícias, numa primeira fase serão criados 36 postos de trabalho, dos quais 18 altamente qualificados e, no final, prevê-se que a empresa crie mais de 100 .  Dentro de dois anos, o investimento projetado será de 47 milhões de euros, tornando-se num dos grandes operadores europeus na produção de combustíveis avançados.

E é isto. Tomem lá mais um bocadinho da nova ambição, oferecida de bandeja aos municípios vizinhos. 

7 de abril de 2022

Tripoli, a febre do 'ouro branco' no Louriçal


De repente, descobriu-se que aqueles terrenos do Casal da Rola e dos Casais do Porto são ricos em Tripoli, um mineral usado pelas empresas de cerâmica. Há uma empresa que quer explorar até ao tutano o que puder dali, e há um grupo de populares pronto a dar luta, a virar a lei do avesso para se defender. Porque a Câmara - já se sabe - anda 'aos papeis', e diz que sim a tudo. E a Junta, que fica sempre bem nas fotografias (sobretudo na capa do jornal da terra) também não pode beliscar-se com o poder económico.
Ora atente-se no esclarecimento esclarecido do vereador Pedro Navega, esclarecendo o muito que há para esclarecer...

16 de março de 2022

Nós e as obras tortas

 

É uma espécie de malapata que se nos colou, como naquela rábula do diabo que vai embora mas deixa cá o secretário: o vereador das obras-tortas já se foi, mas as obras tortas continuam. A requalificação do viaduto engº Guilherme Santos é a primeira grande obra do mandato do Pedro (embora já tenha sido lançada pelo anterior executivo) mas está a revelar-se um desastre em matéria de planeamento. Ao princípio, até lhe demos o benefício da dúvida. Parecia que este executivo tinha importado os princípios urbanos, ao fazer a obra durante a noite, e a coisa arrancou a todo o gás. Durou pouco. De repente, a obra parou. Nem pavimento velho nem novo, e sucederam-se nas redes sociais [alerta Odete, toma nota no teu caderninho preto para a próxima reunião de câmara!] denúncias de pneus furados nos ferros que ficaram ali, levantados, entre rotundas. Solícita, a Câmara mandou remendar aqui e ali esses buracos. Mas...e a obra, Pimpão? Perdão, E a obra, Navega? Tu não nos falhes, que do convento do Cardal nos chegam notícias de que ainda és tu que tens salvo essa honra, neste novo elenco...será que a máquina da propaganda anda a espalhar fake news?

5 de dezembro de 2021

O Natal do tio Pedro, do primo João, e dos amigos dele(s)



João Vila Verde (ao fundo) e o "tio Pedro" na inauguração do Natal
 

A Câmara de Pombal decidiu manter boa parte da programação de Natal agendada para estes dias e isso merece um valente aplauso. Num tempo em que é tão mais fácil embarcar no cancelamento dos espectáculos (como está a acontecer em tantas cidades, como se isso cancelasse o vírus, como se algum dia nos fossemos ver livres dele), atirando ainda mais para a míngua os artistas e técnicos, fechando ainda mais o público, que vive há dois anos como sabemos, é bom viver numa terra que escapa a essa "virose", chamemos-lhe assim. 

Mas,

Vamos lá saber, afinal, que festividades são estas, quem as está a fazer, quanto custam, e quem as vai pagar. Pois...não se sabe. Chegou a estar anunciada uma conferência de imprensa destinada ao efeito, mas foi cancelada com a mesma rapidez. 

O pouco que se sabe, porém, por portas travessas, é bastante para que Pedro Pimpão venha rapidamente a público explicar o resto. É o mínimo que se exige ao presidente da Câmara, "o tio Pedro", que chamou as criancinhas para junto de si, sexta-feira ao final do dia, para carregar no botão que supostamente ligaria as luzes e faria disparar o fogo de artifício, inaugurando assim o Natal da cidade. Só que às 18 horas de anteontem apenas o Cardal tinha iluminação. E foi preciso montá-la à pressa, como de resto está ainda a acontecer nas outras ruas da cidade. Minutos antes, funcionários de uma empresa da área, funcionários municipais, funcionários da PMU e outras figuras andavam numa roda viva a pendurar adornos e gambiarras. Mas o tio Pedro conseguiu. Pouco passava das 18 quando o Pombal Jornal fez o directo no Facebook, ele e as crianças contaram de 10 a zero, rebentaram uns foguetes, seguiram para o bosque encantado no Jardim das Tílias, para a Casa do Pai Natal, e seguiram para a fotografia. 

No resto da cidade, hoje, domingo, ainda não há iluminação. 

Agora surpreendam-se: o grande obreiro desta espécie de Natal-em-modo-Bodo, que inclui carrosséis durante um mês inteiro, junto à Biblioteca, é nada menos que um velho conhecido deste município: João Vila Verde, ex- administrador executivo da empresa municipal Pombal Viva, exonerado por Narciso Mota, depois de contas por explicar e prejuízos acumulados. A empresa acabou por ser extinta. Quem não sabe do que estamos a falar, tem nos arquivos do Farpas muito para explorar. O epílogo está aqui e aqui   O resto é pesquisar. Há muito por onde, entre 2008 e 2009 - foram anos fartos. 

Agora só falta Pedro Pimpão entregar-lhe de novo o Bodo. É desta que eu volto a acreditar no pai natal, nos duendes e tudo. Já que temos um bosque, pode bem ser que se levante de lá um anão de jardim e caminhe na minha direcção. Ora se eu vi um presidente de junta publicitar, orgulhoso, trabalhos da sua empresa para isto - coisas que antigamente davam perda de mandato... - Jingle Bells. 


2 de novembro de 2021

Um dia a parede veio abaixo



Não é uma casa devoluta nem um edifício em ruínas. É o Centro Escolar de Pombal, construído há quatro anos, Um mandato autárquico. Desde o princípio que alertámos aqui para o que estava a acontecer. Mas o Farpas é maldizente, o Farpas só aponta os defeitos, o Farpas não vê as maravilhas da terra, morra o Farpas, pim. Neste post, e neste, e neste , está contada a história desta obra torta.

Esta manhã, depois das fortes chuvadas do fim de semana, uma parede lateral ruiu. Por sorte, ninguém se magoou. Desta vez. Mas talvez seja melhor não confiarmos muito e sempre no além, nas energias e nos unicórnios. 

É preciso por mãos naquilo, rapidamente, antes que não dê para remediar. 

2 de junho de 2021

Explore Sicó...até ao tutano

Num dos thriller's de fim de mandato com que D. Diogo presenteia os súbditos, amiúde, chegou a vez do Cimu-Sicó, agora renomeado de "Explore Sicó". Não, não é um filme sobre a pedreira que esventra a serra todos os dias sem que o poder local mexa um dedo para o impedir. Nem nenhum documentário sobre o canhão do Vale dos Poios. É um vídeo promocional daquele mamarracho que o ainda presidente está empenhado em deixar para quem lhe suceder. Feitas as contas, terminando a obra, nem cinco milhões de euros vão chegar para pagar a factura. A última contabilidade apontava para dois milhões e 200 mil euros enterrados na serra. 

E o mais grave, sabemos, nem é tanto o não saber o que se vai lá fazer. A isso já estamos habituados. É mesmo a existência daqueles gigantes de betão, que haveremos de pagar caro, muito caro, para sempre entranhados numa paisagem única. 

Às vezes, aqui no Farpas, duvidamos da sanidade mental dos eleitos. E não é só dos que têm funções executivas. Também nos compreender que a maquete gigante, no valor de 250 mil euros, tenha passado na AM sem contestação.

E de pensar que tanto nos insurgimos contra o mamarracho do Cardal. E que foi o próprio Diogo Mateus que agarrou na proposta do farpeiro (à época vereador) Aníbal Cardona e mandou demolir a coisa. 

Eu confesso que muito gostava de saber o que pensam daquilo os candidatos já anunciados ao cargo de presidente da Câmara: Pedro Pimpão (desse não sabemos a opinião sobre nada, é muito poupadinho), Odete Alves, Jaime Portela, Célia Cavalheiro e Nuno Carrasqueira. Será que sabem que quem vai atrás molha no vinagre?




18 de setembro de 2019

Precisamos de mais escolas? Para quê?



No Dia (municipal) da Educação, ficámos a saber que o Município vai investir cinco milhões de euros (!) em três novas escolas do primeiro ciclo: Guia, Vila Cã e Pelariga.
Das três, só a Guia encontrará aqui alguma justiça no investimento - pois que o Centro Escolar vem com muitos anos de atraso, numa comunidade onde ainda vai havendo alunos: há 78 crianças matriculadas no primeiro ciclo. Embora haja apenas 19 no pré-escolar público, a esperança cresce para os anos seguintes com as que transitam da Acurede, por exemplo, uma das mais antigas IPSS's do concelho com a valência de creche e jardim de infância. Nessa altura, quando estiver construído o centro escolar da Guia, só não sabemos se ainda haverá espaço para manter aquele pólo da Mata Mourisca (um dos primeiros a ser construído, numa altura em que já abriu com salas vazias). Actualmente tem apenas 30 crianças no primeiro ciclo. As coisas melhoram ligeiramente na Ilha, onde há 65 crianças, e (alguma) esperança no futuro, com 47 no pré-escolar.
Quanto aos outros, estamos a investir em quê? Na satisfação das vontades dos caciques locais? 
No ano passado a freguesia de Vila Cã tinha 39 alunos no primeiro ciclo. Ficando a mais ou menos 2 km de distância da vizinha Abiul - que exibe um novo pólo escolar, onde não falta espaço - qual é a ideia? 
Deixamos para o fim o caso da freguesia da Pelariga, onde havia apenas 30 crianças no ano passado. Ora, no lugar da Machada, a escola albergava 62 - o que se explica com o número de crianças que emanam dos dois infantários privados. Ou melhor, que emanavam. Porque um deles - O Berço dos Afectos - acabou de fechar portas este verão. Resta apenas o Zero Seis. 
Expliquem-nos então, para que serviram as obras na escola da Machada? Ou alguém acredita que a construção de uma nova escola na Pelariga é sustentável sem agregar as crianças dali?
Em 2015, uma reportagem do Jornal de Leiria noticiava que faltavam 700 alunos para preencher a capacidade dos centros escolares de Pombal. Passaram quatro anos, Pombal perdeu população. De tal forma que, nas próximas eleições autárquicas, o executivo volta a ser constituído apenas por sete vereadores, perdendo dois. 
Há décadas que não há registo de grandes investimentos industriais, geradores de emprego. É isso, afinal, que faz crescer e fixar população. Diogo Mateus pode dourar a pílula e até culpar o Governo por este destino (o argumento da redução de turmas aos privados é de ir às lágrimas), que não se livra de ficar associado ao maior declínio deste território. A não ser que esteja a guardar para o final aquele trunfo que anunciou na primeira eleição, que eram os empresários da América Latina que andavam de olho em Pombal. Se vierem charters deles, isto vai. 

1 de agosto de 2018

A eficácia da farpa


Menos de 24 horas separam estas duas imagens do prédio 'Carlos Baptista'. Depois da denúncia feita aqui, no domingo à tarde, as pedras foram removidas do local e os mínimos de segurança repostos.
Falta-nos contar, ainda, que a estrada que liga os Motes aos Malhos começou a ser pavimentada no dia seguinte à denúncia pública do processo movido ao munícipe contestatário
E isso é tudo o que importa: que isto de denunciar sirva para melhorar o que está mal. 

23 de março de 2018

O abandono da zona histórica



Nos últimos 20 anos o poder autárquico enterrou milhões de euros na zona histórica de Pombal, sempre com a promessa de a revitalizar, de a fazer renascer. Primeiro foi Narciso Mota que prometeu a lua aos moradores e comerciantes - no tempo em que existiam, ainda - convencendo-os de que um parque subterrâneo traria charters de visitantes à praça Marquês de Pombal. Nesse tempo a Câmara comprou quase tudo e reconstruiu, a começar pelo Celeiro do Marquês. Transformou a cadeia em museu, inaugurou o Arquivo, e manteve ali a casa mortuária na Igreja do Carmo, afastando qualquer possibilidade de ver singrar um ou outro bar. Chamou Centro Cultural ao celeiro mas nunca teve um projecto para lá, pelo que as obras de cosmética não resultaram em nada, como é hábito nessas acções. Depois veio Diogo Mateus. Estava construído um Centro de Negócios ali à esquina, mas como não havia negócios a solução foi transferir para lá as Finanças, onde as pessoas vão porque são obrigadas e nunca de vontade. E isso faz toda a diferença para quem passa pelo centro histórico ou o visita. Com o tempo, o comércio praticamente desapareceu. Do pograma 'Porta Aberta' de que a Câmara tanta propaganda fez, resta uma loja. A Praça tornou-se num lugar inóspito, associado a funerais e outras despedidas, e finou-se a coméstica. 
Quando esta semana por lá passei, no dia em que chegava a primavera  (apesar de só hoje estar anunciada para a cidade), dei com um terreiro perigoso de pedra partida. Está assim pelo menos desde o verão, desde os espectáculos que ali decorreram no âmbito do Festival Sete Sóis Sete Luas. Depois falaram-me de (mais) um evento da Junta de Freguesia e do bem intencionado Pedro Pimpão. Boa ideia, sim senhor. Bem pode a Junta enfeitar as praças, e clamar por levar gente à zona histórica. Enquanto a Câmara se estiver nas tintas e não quiser fazer nada pelo coração da cidade, o comércio continuará a afunilar na avenida Heróis do Ultramar. Quando morrerem os últimos habitantes e as últimas lojas fecharem portas, a zona histórica não servirá nem para museu. É isso que queremos?

18 de fevereiro de 2018

Seguir a pista ou ignorá-la?



A pista coberta de atletismo é um filão que o Município de Pombal nunca conseguiu explorar, por inabilidade ou desmazelo. Na verdade, tem servido de muito pouco além de encher a boca e compor programas eleitorais, como está bem de ver.  A instalação da pista foi um bom legado que ficou da vintena de Narciso Mota no concelho, mas o(s) executivo(s) de Diogo Mateus tinha(m) obrigação de a promover, de conseguir com isso mais do que umas dormidas para os hotéis da terra. É confrangedor perceber que a única pista in door no país não é aproveitada de outra maneira, fazendo (mesmo) de Pombal a capital do atletismo de Inverno. 
Ontem à tarde a pista voltou a receber o campeonato nacional de clubes, amplamente anunciado nas tv's dos grandes. Em Pombal, tirando para a meia dúzia que se interessa pela modalidade, o evento passou ao lado. E no Expocentro, ficaram a nu as fragilidades de sempre: não há segurança contratada para o evento; o espaço não oferece condições mínimas de conforto (e segurança, nomeadamente as bancadas) a quem queira assistir às provas, e a Câmara mostra bem o nível de interesse e aposta na iniciativa quando faz a festa com dois ou três funcionários. Com o presidente em viagem pelas américas e o vereador do desporto, Pedro Brilhante, ocupado com o cargo da Jota e o congresso do PSD, tudo o que sobrou foi a presença do vereador Pedro Murtinho, e de Pedro Pimpão, no fato de deputado da nação.  

18 de setembro de 2017

Daqui fala a mãe


O novo Centro Escolar de Pombal abriu hoje as portas, pela primeira vez. Entraram por ali adentro 194 crianças, que a partir de agora hão-de correr pelos corredores impregnados do cheiro a novo, ocupando então seis salas do primeiro ciclo e três do pré-escolar. Eram quatro, mas as inscrições não chegaram para tanto. Fui lá hoje pela primeira vez e trago uma sensação agridoce: não é tudo perfeito mas é melhor, muito melhor do que a escola Conde Castelo Melhor, onde outros tantos meninos continuam a brincar num recreio pobre, a almoçar num refeitório que ecoa e amplia os gritos de miúdos e graúdos, enfim, o verdadeiro "reformatório do século XIX", como tão bem lhe chamou (em tempos passados) o director do Agrupamento. E isso devia bastar para fazer corar de vergonha o nosso poder político, um município que escolheu para lema na educação o "sucesso escolar 100%". Como tão bem lembra Catarina Pires neste exercício de memória, "a escola deve ser o principal instrumento de criação de igualdade de oportunidades e justiça social."

Só que não é. Em Pombal, não é. Bem pode Diogo Mateus esgrimir argumentos e vantagens de "não ter uma escola com 400 alunos", para justificar a opção de requalificar a velhinha EB1 em vez de construir o Centro fora dali, que isso não apagará os factos deste ano lectivo: há meninos a chorar na Conde, tristes porque não tiveram a mesma sorte que os outros. Houve um sorteio, como é sabido, que ditou as turmas bafejadas. "Isso daqui a uns dias passa", hão-de dizer-me. Pois passa. "No meu tempo também não tinha melhores condições e ninguém reclamava". Pois não. Só que o tempo não anda para trás, o mundo é outro, e a nossa exigência na aplicação dos dinheiros públicos também o deveria ser. 
Descendo na cronologia, uma nota importante: a reunião no ginásio da escola secundária de Pombal, segunda-feira passada, entre o agrupamento, a Câmara, a Junta (afinal o presidente sempre se dignou a aparecer, depois de anunciar em edital que não fazia sentido reunir com os pais e falar de AEC's, almoços e ATL, por estar em fim de mandato...) e os pais. Demorei oito dias a digerir aquilo. Era um anfiteatro cheio de pais, a maioria mais ansiosos que os filhos, muitos que ali entravam pela primeira vez. Lembrei-me naquela hora da minha primeira reunião do género a que assisti, no velhinho ginásio da EB1, salva pelo entusiasmo da professora Trindade, então à beira da reforma. Falta entusiasmo e faltam sorrisos nestes encontros a que a Escola chama de acolhimento, efeito bálsamo para pais à rasca. Na segunda feira passada, o presidente da Câmara anunciou a todos aquilo que já se adivinhava quando passávamos perto da obra: o Centro Escolar não estava pronto, as aulas só poderiam começar na semana seguinte. E por mais que tenha apreciado a forma frontal como ali foi falar aos pais, isso não apaga o desrespeito da revelação tardia. Mais uma vez, tudo começa e acaba na comunicação, ou na falta dela. E num caso destes, bastava aos pais terem sido avisados atempadamente do adiamento da abertura, para que pudessem (re)organizar a sua vida. Mas os pais estão condenados ao papel de espectadores neste processo educativo, são encarados pela escola como figuras decorativas na estrutura, e quando assim não é...é uma chatice. Não vem mal ao mundo que uma obra se atrase, desde que estejamos todos preparados para isso. Porém, parece que esta nem se atrasou. Naquela reunião ficámos a saber que o caderno da encargos previa a entrega da obra até 15 de Outubro (!) Sendo assim, é tempo de embarcarmos naquele discurso fofinho do "em Pombal temos muita sorte, estamos muito bem, quem dera ao país estar como nós"? Não, não é. É tempo de sermos exigentes com o poder que nos governa e com a oposição que deveria perceber estas coisas antes de as assinar de cruz. Ou só agora repararam que os meninos não cabem todos na escola nova, aprovada por unanimidade, como é costume?
Sobre a obra da escola nova, falta dizer que ainda não houve bênção, embora precise. O piso do recreio não inspira confiança a um crente. As salas de aula são demasiado pequenas para turmas com 26 meninos. O resto é bom: espaço amplo no refeitório e na biblioteca. O ginásio ainda não está pronto mas promete. Temos metade do problema resolvido. Dentro de poucos anos talvez esteja todo ele sanado. E eu, que continuo a defender a escola pública e as lutas dos professores (mesmo que nem todos nem sempre o mereçam) acredito que os nossos filhos vão ser felizes ali. De resto, não podemos esperar que toda a gente nos compreenda, que quem opta pelo privado para a educação dos filhos saiba colocar-se no nosso lugar. Essa deveria ser a primeira condição para um titular de cargo público, seja ele qual for. 

5 de setembro de 2017

E agora, rezamos?



O poder político encontrou neste ano eleitoral uma forma inédita de fazer inaugurações: agora designam-nas por "bênção" dos edifícios, chamam o padre da freguesia e a banda filarmónica, convidam (parte) da população a juntar-se à festa e depois exibem-se nas redes sociais as fotografias do momento. Foi assim em Vermoil e foi assim no Louriçal. Ora, como falta menos de uma semana para o novo centro escolar de Pombal abrir as portas às seis turmas contempladas com a novidade, e a obra continua em marcha (quando deveria ter sido entregue a 15 de Agosto) está na altura de começarmos uma novena... Será que Pombal ainda faz parte do Estado laico? Ou retrocedemos à monarquia da santa madre Igreja e ninguém nos avisou?

26 de maio de 2017

Jovens velhos - a feira das vaidades


A "Feira da Juventude"  que este fim de semana vai ocupar a zona desportiva da cidade está anunciada nos espaços do Município, desde cedo. E permite chegar, antecipadamente, a uma conclusão: a organização precisa urgentemente de um up grade. É mais um exemplo de um evento cristalizado, feito sem energia nem garra, sem ousadia nem irreverência, sem nada daquilo que deve caracterizar a juventude. E não estou a falar da crítica corrente de trazer bandas de fora para tocar neste palco, em vez de bandas da terra (não podemos nem devemos ficar fechados na concha, e os jovens de Pombal também merecem ver bandas como os Firts Breath After Coma, por exemplo). Mas encher um pavilhão de jotas, stands e ginásios, como se fosse 1989 ou 2001, é um tudo-nada deprimente. Para uma geração que respira em modo digital, é confrangedor perceber que o pelouro superiormente dirigido pelo "jovem" Renato Guardado não se deu sequer ao trabalho de criar este ano uma imagem para as redes sociais, prevalecendo a do ano passado...
Não há um vídeo promocional - que aluda à interacção e faça crer aos jovens que são importantes para o Município. Isso diz muito do empenho que esta Câmara-jovem-e-dinâmica coloca naquilo que faz. Ou de como, em pequenos gestos, lhes vem ao de cima o "para quem é, bacalhau basta". Está bom para Pedro Pimpão distribuir abraços e fotos, para Diogo Mateus desfilar, e para meia dúzia de apaniguados fazerem de figurantes - consciente ou inconscientemente. 

18 de maio de 2017

O triunfo dos porcos

Foto: Pombal Jornal

Por estes dias há uma realidade desmancha-prazeres a mostrar o Arunca em todo o seu esplendor: uma nova descarga mexeu na dita e, já se sabe, quanto mais lhe mexemos mais ela cheira mal. Não fica bem nas fotografias ao estilo I love Pombal, nem nos discursos paz-e-amor de Pedro Pimpão. Uma chatice, portanto. Mas quem fica mal nesta fotografia é uma Câmara que recebe prémios de tudo e um par de botas, não sei quê florida e acessível. Pior do que passar quatro anos sem cumprir a grande obra prometida - o parque verde (alô meninos da Jota, cadê as fotografias em 3D, tão bonitinhas?) - é chegar ao fim com este legado: Pombal soma e segue todas as semanas com descargas no rio. À falta de um pelouro do Ambiente que se veja, talvez esteja na hora de ressuscitar a Aurora, uma associação criada há muitos anos por vários ambientalistas cá do burgo, entre os quais se contava nada menos que... o actual presidente da Câmara! 
Por vezes, somos forçados a concordar com  Diogo Mateus. Por exemplo, quando dizia, aqui há tempos, numa reunião do executivo: "somos todos trampa". O Arunca que o diga, em cor e cheiro. 

6 de abril de 2017

Da série "Faz & Desfaz"

Decorriam a bom ritmo as obras de construção dos passeios na minha Moita do Boi - entre a Guia e o Louriçal - quando os moradores foram surpreendidos não com uma marcha lenta, mas com uma marcha atrás. Diz que afinal a aldeia só precisa de passeios de um lado da estrada (o direito, certamente). E então é ver os trabalhadores afincadamente a desfazer o que ainda agora tinham feito. Isto a mim choca-me. A vocês não?


22 de fevereiro de 2017

Câmara rica, concelho pobre

A mensagem passou ontem: 

"O presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, não escondeu hoje a sua satisfação pela aquisição dos terrenos da Quinta do Casarelo, no centro da cidade. São seis hectares de terrenos, avaliados em cerca de cinco milhões de euros, e pelos quais o município deverá despender cerca de 65 mil euros. Uma operação que permitirá ao município “desenvolver uma nova cidade”, e disponibilizar espaços para que, essencialmente os jovens casais, possam construir as suas casas com custos controlados. Ontem, em conferência de imprensa, o autarca social-democrata explicou que o negócio foi efectuado no âmbito de uma hasta pública promovida pela Autoridade Tributária, executando, assim, a empresa proprietária dos terrenos, localizados na zona envolvente ao Castelo da cidade e mercado municipal."

Tudo o que se pudesse dizer agora sobre tamanha façanha, seria obsceno. Houve um feito maior neste mandato de Diogo Mateus, um mérito que ninguém lhe pode negar, a ele e (especialmente) ao seu gabinete: a facilidade com que qualquer linha de propaganda é transformada pelos mensageiros em notícia, sem enquadramento dos factos nem qualquer réstia de memória. E tudo ao preço de likes, sorrisos, e pancadinhas nas costas. Ou talvez não.

25 de agosto de 2016

Obras paradas


Logo depois deste post, foi um ar que se deu às máquinas em movimento. Sendo assim, resta-nos agradecer ao Município de Pombal este acto nobre de saber ler o Farpas e emendar o erro. Vêem como não custa nada fazer as coisas bem feitas?