Haverá com certeza poucos erros maiores do que dar
importância a coisas que não a têm. A polémica sobre a paternidade/maternidade
da ideia do alargamento do horário da biblioteca municipal em época de exames sempre me
pareceu um deles. Mas, como a polémica tem andado por aqui e exacerbou-se nos últimos
tempos, admiti que poderia estar a cometer um erro de avaliação, não sobre a
paternidade/maternidade da iniciativa que pouco valorizo na ação política, mas
sobre o mérito da coisa. Como procuro não escrever sobre o que não sei ou não
conheço, meti-me ao terreno.
Eis os dados de uma amostragem significativa:
- Dia 10, 10:30 h: 6 frequentadores, com mais de 35 anos,
3 na net, 2 a estudar, 1 a ler jornais;
- Dia 11, 10 h: 4 frequentadores, com mais de 35 anos, na
net;
- Dia 14, 10 h, 5 frequentadores, 3 a estudar, 2 na net,
com mais de 35 anos.
Nos três dias um único frequentador repetido, com mais de
50 anos, na net.
Eis o ridículo da polémica, que espelha a política que por
cá – não só, melhor fosse - se vai fazendo.
A política tradicional era ideologia - reflexão, análise,
ideias, programa político. Atualmente é, essencialmente, (a)parecer - “iniciativas”
e propaganda. O modelo proveio das “jotas”, mas rapidamente foi adotado pelos partidos.
O resultado está aí: ausência de ideias, acão no modo tentativa-erro,
lideranças ineptas. Nos principais partidos a realidade é confrangedora.