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21 de outubro de 2025

Do Oeste ao Faroeste: como repor a "normalidade" democrática na Guia

Se houve freguesia onde a população nunca engoliu a agregação, foi a Guia. Para sermos rigorosos, não foi bem a população da freguesia, mas antes um nicho dela, oriundo da vila. Acresce que, nos últimos dois mandatos, a ferida ficou em carne viva à conta de polémicas várias, e sobretudo porque o PSD perdeu ali (na União de Freguesias) as eleições duas vezes. 

Ora, nas eleições do dia 12, cumpriu-se a máxima da "Guia aos Guienses", devolvendo a freguesia aos aguerridos, e voltando a colocar todas as peças no seu lugar, o que inclui, claro está, o PSD no poder. E estava tudo pronto para essa nova vida da terra quando uma sucessão de episódios caricatos nos veio mostrar que às vezes é ténue e a linha que separa o Oeste do Faroeste. O que nos fez soar campainhas foi um comunicado do PSD Freguesia da Guia (assinado pela futura presidente da Junta, Sandra Mendes), demasiado "explicativo". Pois que, afinal, ao contrário do que anunciavam os cartazes, Carlos Mota Carvalho não vai ser o Secretário da Junta de Freguesia, mas antes o Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia. É certo que esse é um papel que lhe assenta muito melhor, doutorado que é em presidências de clubes e associações. Porém, o que teria sido honesto de todas as partes era assumir-se, perante o eleitorado, que esta sempre foi a jogada.

É certo que as eleições acabaram na noite de 12 de Outubro, mas o processo eleitoral só fica concluído com a instalação dos órgãos autárquicos. Na maioria das Freguesias o acto acontece nos próximos dias, e talvez o caso da Guia possa servir de exemplo às restantes, onde uma horda de novos autarcas nem sempre conhece as linhas com que se cosem os processos legais (e naturais) da democracia. Lembremos por isso os senhores e senhoras presidentes que são os únicos automaticamente eleitos. Os executivos não são indicados, nem nomeados. São eleitos, em assembleia própria, tal como está bem explico na lei. Que é a mesma para todos, e não consta que a Guia seja um cenário de Western.



15 de outubro de 2025

O dia seguinte aqui no aeródromo

 



As eleições passaram e ganharam os do costume. Talvez bastasse esta frase para resumir o que se passa em Pombal, só que não. O que tentamos fazer aqui no Farpas é deixar uma marca, para quem vier depois, e por isso é importante juntar a esse repositório algumas notas sobre este momento que parece inédito. 

1. O PODER.  O PSD continua a fazer bem o seu trabalho,  e a fazê-lo sem oposição. A ideia de "vitória histórica", aplicada às 17 freguesias do concelho, pode colar bem nos que chegaram há pouco, nas redes sociais e no discurso global, mas é preciso ser-se rigoroso: não é a primeira vez que o PSD domina tudo, com as suas pessoas (Carnide, 2001, com um movimento supostamente independente, liderado por Eusébio Rodrigues). A única excepção, nalguns actos eleitorais dos últimos 32 anos (desde que o PS perdeu a Câmara) terá sido o Louriçal, freguesia que ficou aliás conhecida como "a aldeia gaulesa", em duas ocasiões. E mesmo assim, numa delas, aconteceu com um candidato que vinha do PSD. Não haja ilusões: terá sempre bons resultados o poder que se perpetua, tem as suas peças bem distribuídas no xadrez (desafio-vos a olhar para a composição de associações e instituições), enquanto põe a mão no ombro dos que ousam levantar a cabeça.

2. A 'OPOSIÇÃO'. a)O PS continuará a somar derrotas enquanto não tiver coragem de se assumir como oposição. O comunicado divulgado ontem, a prometer "oposição construtiva" (música para os ouvidos de Pedro Pimpão, que logo o aproveitou) mostra bem que ali não há vontade nenhuma de tirar ilacções sobre escolhas e resultados, causas e consequências. Resta saber o que vai fazer com o único lugar na vereação, para o qual Fernando Matos não tem o mínimo de apetência.

b) O movimento Pombal Independentes - criado a reboque do efeito bem sucedido no Oeste, nos últimos anos, deu em quase nada. Apesar de Luís Couto ser eleito há muito como adversário preferencial de PSD e PS (o que indiciava bem o potencial), faltou-lhe coragem - para confrontar, denunciar (o episódio com a direcção da AHBVP, a propósito da cedência de um espaço, é épico) e mensagem. Pode ter o condão de trazer de novo para o espaço público um homem como António Moderno, cujo papel foi relevante na construção do poder local democrático neste concelho.

c) o Chega. Manuel Serra foi eleito sem fazer um único dia de campanha, sem programa, mas também não era preciso. Não é por acaso que André Ventura usou a sua cara em todos os cartazes de todos os concelhos deste país. O antigo presidente da União de Freguesias do Oeste, que até há meses era militante e dirigente do PSD, apanhou boleia do partido que mais rapidamente o levaria ao destino: a cadeira de vereador na Câmara Municipal. Alcança a maior percentagem de votação nas freguesias onde, aposto, nem sequer o conhecem. 

Perante este estado da arte, e sabendo nós que ninguém consegue parar o vento com as mãos, este post é especialmente dirigido àqueles que, vivendo aqui, têm a honestidade de perceber que esta hegemonia não é boa para ninguém. Faz mal à democracia, dissipa a massa crítica, asfixia o ambiente. Mas isso só percebe quem está fora da bolha laranja, que é gigante, e onde cabe sempre mais um. O único caminho é levantar a cabeça e ser cidadão. Na rua, no bairro, na colectividade, num colectivo qualquer. Ir às Assembleias de Freguesia, à Assembleia Municipal, participar nas reuniões da escola e do clube dos filhos. E abrigar-se do vento. 


8 de outubro de 2025

Breve história de um debate que era da Junta mas os candidatos não sabiam


 

Na foto, da esquerda para a direita: João Gonçalves (CDS), Carla Longo (PSD), António Costa (CDU), António Sintra (Pombal Independentes), Patrício Martins (Chega) e Clara Pascoal (PS)

Sou eleitora da Junta de Freguesia de Pombal há mais de 20 anos, já integrei uma lista que lhe queria dar outra vida mas não aconteceu, também fiz parte da Assembleia de Freguesia - um tempo que me permitiu, entre outras coisas, conhecer melhor como funciona (politicamente falando) o Pedro, actual presidente da Câmara. 

Ao contrário do que muitos pensam - e dizem, incluindo candidatos - a Junta de Pombal não é uma área de descanso na hierarquia municipal. É certo que ocupa um espaço privilegiado na sede de concelho, mas desengane-se quem pensa que tem tudo feito, à conta da Câmara. Primeiro porque é uma freguesia muito mais rural do que se imagina. Não apenas porque a cidade se ruralizou nos últimos anos, mas também porque os 700 km de estradas de que fala a presidente da Junta ligam aldeias e lugares que parecem ter ficado nos anos 60. Nunca recuperámos das diversas vagas de emigração, e não fora a imigração (que serve, nesta campanha, para mascarar o desfalecimento, nomeadamente a plena ocupação das escolas), muitas aldeias desta freguesia estavam já quase abandonadas. 

Ora, o debate de ontem - com seis candidatos e mais de duas horas e meia de duração - tinha muito terreno para palmilhar. Só que uma confusão generalizada (que começou nos temas propostos para discussão e acabou no equívoco de vários candidatos) não contribuiu em nada para o esclarecimento. Há candidatos , que não perceberam ao que se estão a candidatar. Há outros para quem afinal está tudo bem, e isto só precisava de mais um pózinhos, qual comissão de melhoramentos. O único momento que se assemelhou a um debate foi breve, entre a actual presidente da Junta, Carla Longo (PSD), e a candidata do PS, Clara Pascoal. 

Terminada a conversa, abri os desdobráveis que me deixaram na caixa do correio. Só tinha da Carla Longo e do António Sintra. São programas cheios de boas intenções, ao estilo "agora é que vai". E numa coisa ela já ganhou: calou uma certa oposição, arregimentando para a sua lista uma panóplia de gente que sempre combateu aquela forma de fazer política - até perceber que era melhor fazer parte do ramalhete. Juntaram-se vários presidentes de clubes, que assim sossegam. É mais ou menos como diz o seu mentor Pimpão: "até os comemos!"

4 de outubro de 2025

Uma espécie de debate, numa espécie de eleições



Pela primeira vez nestas eleições juntaram-se os oito candidatos à Câmara num debate, promovido - como vem sendo hábito - pelo Jornal de Leiria. Foram duas horas de angústia (como podem ler aqui), muito pior do que este, em 2017, que reunia o mesmo número de candidatos, ainda na era pré-Chega. Um retrato do nosso desfalecimento enquanto concelho - onde só as máquinas dos candidatos (cada uma à sua dimensão) parecem dar conta das eleições autárquicas. Estamos mesmo prontos para levantar voo e desaparecer no éter.

25 de setembro de 2025

Pérolas Pombalinas - Autárquicas'25 #4 O PROFETA PEDRO




 A visão - apocalíptica - da hegemonia do PSD em todas as freguesias, em todos os órgãos, em todos os lugares, anda a tomar conta dos comícios do partido. Mas o discurso do Pedro no mega jantar da Expocentro, entre o fadinho tocado pelo Graciano e o Toy a mandá-los por a cerveja no congelador, fica esta imagem, ao estilo evangelizador, a fazer lembrar os bispos do Reino de Deus sempre ladeados por duas servas, foi épico. 

Nada temam: O Pedro diz que isto está garantido para os próximos 40 anos. O que é que interessa se a última grande empresa a instalar-se aqui já foi há mais de 30 anos? Temos hectares a perder de vista para as indústrias do além. Ah, espera, isto vai lá é com a escola superior de qualquer coisa.

23 de setembro de 2025

Pérolas Pombalinas – Autárquicas`25 #3 – Meirinhas Independentes

Talvez porque seguimos isto da política, caem-nos no regaço, todos os dias, pérolas da campanha autárquica. Daí que sentimos o dever de criar uma rubrica a que chamámos “PérolasPombalinas – Autárquicas`25”. 

Hoje (algum dia teria que ser), chegou-nos ás mãos não mais um desses pechibeques de campanha que andam por aí nas redes sociais, mas sim uma pérola das verdadeiras: um pequeno vídeo, realizado pelos candidatos à junta das Meirinhas pelo movimento “Meirinhas Independentes”, que expõe de forma crua e fria o que é a verdadeira acção política de João Pimpão – dos Pimpões, porque está ali exposto o seu verdadeiro ADN.

João Pimpão é um homem de acção, não de pensamento – na verdade, um homem de acão nunca é um homem de pensamento. Quando se confiam actividades complexas, que exigem reflexão e planeamento, a homens de acção o resultado é o que o vídeo mostra. Só por este vídeo, estes rapazes merecem ir para a junta.   



22 de setembro de 2025

E agora, doutor Mithá?

 


As notícias desta segunda-feira dão conta de que o deputado da Nação Gabriel Mithá Ribeiro renunciou ao mandato. Foi o partido que o anunciou, numa nota à imprensa. O caso ocorre precisamente um dia depois do lançamento do livro “Por dentro do Chega”, da autoria do jornalista Miguel Carvalho – e que conta com uma portentosa entrevista daquele que é um dos ideólogos da extrema direita em Portugal.

É claro que tudo isto nos passava ao lado, não fora o facto de Mithá Ribeiro ser candidato à Câmara de Pombal. E de repente, instala-se a dúvida: renunciará à candidatura? É o mais provável. Parece, afinal, que havia alguma premonição neste processo autárquico. O candidato do chega quase não deu às caras até agora, à excepção da tourada de Abiul e da tertúlia do Tirol. Chegou a ter anunciada uma apresentação mas cancelou-a. Apresentou uma lista à AM que o tribunal recusou, e nunca deu aos pombalenses uma palavra sobre isso.

Prevemos que esta trapalhada caia como sopa no mel para Pimpão & sua tropa. Bem podem acender as velinhas todas à Sra do Cardal: Deus escreve sempre direito por linhas tortas.

E agora? Sobra para o conde Manuel Serra? Assim como assim, é o único que aqui conhecemos.

* foto Jornal de Leiria

14 de setembro de 2025

O sítio do Pimpas: como viver numa realidade paralela

A família social-democrata está hoje como gosta: à mesa, boa comida e boa bebida, baile com o Graciano e resto do espectáculo abrilhantado pelo Toy. A Expocentro tomada por eles, que são muitos, esmagando qualquer concorrência que se apresente a eleições. É assim há muitos anos, e desta vez promete ser (quase) assim, também. 

O tom festivo é de celebração. Nas redes, uns e outros mostram-se no registo David e Golias. Fazendo fé na máquina poderosa que montaram e exibem, seria escusado ir a eleições. Mas nada disso é novo, como bem sei o (e)leitor. Divido coma  directora do Pombal Jornal, Manuela Frias, a frase com que abre o último editorial do único jornal da terra: “não é novidade para ninguém”. 

O que é novo aqui, por estes dias, é a subversão total do género jornalístico “artigo de opinião”, que nessa mesma edição Pimpão assina, na página 4. Pensava eu que já não iria surpreender-me mais, nem com políticos nem com os media da terra (que há muitos anos entraram no registo de não levantar ondas, quanto menos notícias melhor, porque isso só dá chatices…), quando me deparei com um exercício de propaganda básico, mascarado de artigo de opinião. O título – “Pombal cresceu: resultados que falam por si” é uma versão resumida do infomail que Pedro Pimpão fez chegar às caixas de correio, há dias, com o balanço do mandato autárquico. Chama-lhe, em estrangeiro, “accountability”, prestação de contas, por assim dizer. Fazendo fé nos seus números, das 236 medidas que havia proposto para uma década, há quatro anos, estamos com 217 executadas ou em execução, o que corresponde a 92%. Se fosse assim, estávamos prontos a abrir telejornais a toda a hora. Como não é, enganamos o eleitorado com vídeos e “notícias” que o povo vai papando como se o fossem, de facto. “Diz que ela estava ali em baixo, ao fundo da ladeira, a dar uma entrevista”, disse-me o meu pai, nos seus 82 anos, para quem a internet e o digital são coisa de que ouve falar na rádio e na tv. Ele não se dá conta, mas a poderosa máquina de comunicação da campanha que voa mais alto usa desse artifício, sem que ninguém lhe peça prova dos factos.

O Pedro é um caso de estudo. Ele consegue visualizar um jardim num monte de entulho, e pior, acreditar que é real. No rol dessas medidas que elenca, detive-me, por exemplo, na “promoção de um envelhecimento activo, saudável e feliz”. 

A minha geração chegou àquela idade em que mal acabámos de cuidar dos filhos e temos agora de cuidar dos pais. E por isso cada um de nós sabe o que nos diz a realidade no concelho de Pombal: muitos velhos, a maioria com doença e/ou demência, sem respostas. 

Passaram mais quatro anos e continuamos sem parque verde. Há décadas que alimenta os programas eleitorais. Mas na requalificação urbana e quejandos, estamos quase a rebentar a escala. Com os tantos milhões que enterrámos no Explore Sicó (CIMU Sicó que Deus tem), já tínhamos feito pelo menos 10 parques verdes, com piscinas e tudo.

Passaram mais quatro anos e não há notícia de nenhuma grande empresa a querer instalar-se aqui. Toda a gente sabe que uma cidade só cresce e se desenvolve com trabalho, com emprego, que depois traz gente, leva à fixação, e assim promove um ciclo (não vicioso, mas de virtude). Toda a gente sabe? Não. Há quem acredite em unicórnios e smart cities e proximidades encenadas. 

Feitas as contas, o Pedro está a fazer tudo bem: o que lhe falta na Câmara em matéria de comunicação sobra-lhe na campanha. Há dinheiro, muito dinheiro, bons materiais e conteúdos. Mas como sabe que há uma franja (muito importante e vasta) que não vai às redes, é preciso lançar-lhe o isco à moda antiga, nessa coisa fora de moda que são os jornais. O pior é que – tenho disso a certeza – o Pedro sabe bem que aquilo não se faz. Nasceu numa família de jornalistas, cresceu no meio, tem um jornalista como mandatário. 

Não por acaso, o livrinho que mandou para as caixas do correio termina a agradecer à comunicação social. Pudera. Qual é o autarca que não quereria jornais e rádios amiguinhos, que nunca beliscam o poder?

O meu primeiro director, no primeiro jornal onde trabalhei (O Correio de Pombal) dizia sempre o mesmo: “se dizem bem de ti, desconfia. É porque não estás a fazer o teu trabalho”. Era o tempo em que os jornais ainda diziam “as verdades que incomodam em vez das mentiras que encantam”, uma frase tornada célebre por um ex-secretário de Estado da Comunicação Social: o social-democrata Feliciano Barreiras Duarte. 

Nos tempos que correm, parece que estamos condenados apenas a comer gelados com a testa. Ou já algum dos outros candidatos (existem mais 7, pasme-se) tem o seu artigo de opinião pronto a publicar?

* o sítio do Pimpas era o nome do Blogue de Pedro Pimpão e da coluna de opinião que assinava na imprensa local, ao tempo da Jota.



12 de setembro de 2025

Pérolas Pombalinas – Autárquicas`25 #2 – "Consigo". "Não Consigo"

Ontem à noite, aquela coisa a que chamam “Tertúlias do Marquês” - uma espécie de clube do charuto do antigamente que se junta regularmente para deglutir uns comes e bebes e se ouvirem - convidou para animar o repasto, sem critério que se enxergue, três candidatos à câmara municipal: Pedro Pimpão, Fernando Matos e Mithá Ribeiro!

Os croquetes apresentaram-se bem… A conversa, que se queria cavalheiresca, nem tanto: azedou quando a claque forasteira questionou a imparcialidade da moderadora e trouxe à liça arrufos antigos mal resolvidos com o candidato-presidente.  

Mas a "figura" da tertúlia coube - como estava predestinado - ao “Consigo”. Reconheceu o óbvio: “Não Consigo”. Não consigo fazer-me ouvir.

10 de setembro de 2025

Pérolas pombalinas - Autárquicas'25 #1

#o doutor teve que abandonar

O debate proporcionado pela nova plataforma digital 'Conta Lá' teve o condão de marcar o arranque da campanha eleitoral. E logo ali, no dia de ontem, caiu-nos a primeira pérola, inspirando a nova rubrica do Farpas, que começa hoje e só termina dia 12, ao cair do pano.

Ora nesse debate (gravado em Leiria) o Doutor, candidato do PS, não compareceu. Mais tarde, com o caso nas bocas do mundo, publicou na sua página oficial um 'esclarecimento', que pode ser lido aqui. Nas redes, os apoiantes mais directos desunharam-se a partilhar a 'justificação'. Uma horda de bons-cristãos socialistas veio desculpá-lo, e desculpar-se. 

O episódio entra directamente para o top 10 das pérolas, venham as que vieram. o Doutor está para o concelho de Pombal como o homem do fogo ao pé da porta. Mas nada temam: já confirmou a presença numa espécie de debate, à porta fechada, que acontece amanhã à noite, no Tirol, por iniciativa da 'Tertúlia do Marquês'. Amanhã explicamos do que se trata. 


 

27 de agosto de 2025

Os bandarilheiros de Abiul

 Sandra Barros, que daqui a um mês e meio termina um ciclo de 12 anos como presidente da Junta de Abiul, foi uma das (poucas) boas surpresas nos últimos anos, no domínio autárquico. Pese embora a estrangeirinha que fez ao CDS depois de vencer a primeira vez, cumpriu os seus mandatos com discrição e competência. E tinha tudo para deixar o nome bordado a ouro naquela freguesia. Mas eis que vem a público a sua participação no novo elenco do PSD. Numa primeira impressão, poderia parecer que se candidata a presidente da mesa da assembleia (o que também é discutível, mas a malta já encara com naturalidade), só que não: o cartaz é explícito. E foi ainda mais explícita a utilização da página de Facebook da presidente/candidata, criada há quatro anos. Mesmo que um rebate de consciência tenha obrigado a apagar a ousadia...há coisas que deixam marca. Uma vez na net, sempre na net...

Ora, sabendo nós que o candidato Celso Mendes foi escolha de segunda ou terceira água, está bem de ver o que vai acontecer ali, o jogo de faz-de-conta-que-ela-já-não-é presidente mas na prática...será. 

Tanta chatice atormentou outros casos, como o presidente da Pelariga, por exemplo, e afinal estava encontrada a solução para contornar a limitação de mandatos. Um problema, isto das leis e das regras da democracia. Coisas terrenas, que pouco afectam quem voa lá no alto.



20 de agosto de 2025

Fazer a festa antes do tempo

O povo, na sua imensa sabedoria, costuma dizer que é mau sinal festejar antes do tempo. Esta manhã o Pedro veio às redes embandeirar em arco porque, pasme-se, o PSD é a única força política que concorre em todas as freguesias. 

Percebo a euforia, a sensação de vitória antecipada, mas o Pedro esquece-se (como tantas vezes) que continua a ser presidente da Câmara. E ver-se a este espelho deveria fazê-lo corar de vergonha. Porque esta foi a estrada que ajudou a abrir, num concelho onde prevalece o "medo de dar o nome", de "dar a cara", de afrontar o poder. E é um bocadinho triste embrulhar-se nesta lençol de vaidade, mesmo que depois misture ali não-sei-quê de humildade. 

Por este andar, chegará o dia em que dispensa eleições.

O que gostaríamos de ver: que os anos teriam ensinado alguma coisa ao Pedro, e que esta forma de despovoamento o preocupava, enquanto autarca. Mas ao contrário, prefere viver numa realidade paralela. Ah, sempre precisa do PS para alguma coisa: não contente com os 10 slogans que o acompanham, ainda se socorre do slogan usado pelo malogrado António José Rodrigues, nas autárquicas de 2001 - Vamos a isto Pombal!

Vamos pois. Com toda a lata.



18 de agosto de 2025

A Liga dos Últimos à moda de Pombal

 Sabemos que até ao lavar dos cestos ainda é vindima, e por isso não estranhámos a correria desenfreada que aconteceu esta tarde no Tribunal de Pombal, no dia - e hora - limite para a entrega das listas candidatas às eleições autárquicas de 2025, marcadas para 12 de Outubro próximo. 

Na verdade, só esse formalismo legal ainda nos faz acreditar num acto sério. Porque tudo o resto nos leva a crer que as eleições em Pombal são uma espécie de Liga dos Últimos, tal o amadorismo. 

Estas serão umas das eleições mais concorridas em termos de candidaturas (desta vez são 8candidatos, tal como em 2017), o que não quer dizer disputadas. Pimpão vai embalado pelo PSD, na frente da corrida. De cada vez que o vejo partilhar coisas sobre "voar mais alto" não consigo evitar a imagem: a equipa "de excelência" (que faz arrepiar muito social-democrata) é como uma tripulação dentro do cokpit de um avião de passageiros, mas com carta de mota - aplicada também por estes dias ao PM e seu (des)governo. A paz laranja vai ser abalada aqui pelo Chega, que apresentou (em segredo) as listas, já na semana passada. Quem as viu, garante que a da Assembleia Municipal (encabeçada por Paulo Costa, um imigrante radicado nas Meirinhas) é a mais representativa de todo o concelho, por incluir gente de todas as freguesias. Já a lista à Câmara, encabeçada pelo doutor Mithá Ribeiro, deixamos para o (e)leitor descobrir a origem/residência dos que a integram, à excepção do dissidente Manuel Serra. Chegou a estar marcada uma apresentação, mas foi "adiada", não se sabe para quando. Não é que isso interesse, que a maioria do eleitorado do CH vota no senhor que aparece em todos os cartazes, em todos os concelhos. E isso assegura votos, muitos votos. A nós calhou-nos o (único) ideólogo do partido, que de tanto querer regredir ao antigo regime esta semana ilustrou um post com o símbolo da vila de Pombal. Alguém o avise que isto se tornou cidade em 1991.

Também o Movimento Pombal Independente já tinha entregue as listas na semana passada. É ululante a disputa entre João Coelho e João Pimpão, que elegeram Luís Couto como ódio de estimação. Podem trazer as pipocas. Para esse filme e para outros que se anunciam, nomeadamente no PS: afinal a candidata a São Simão de Litém desistiu da corrida; há meia dúzia de freguesias sem candidatura socialista, e continuamos sem saber nada do candidato à Câmara. Seria cómico, se não fosse trágico. 

Feitas as contas ao elenco, temos Pedro Pimpão (PSD), Gabriel Mithá Ribeiro (CH),  Fernando Matos (PS), Luís Couto (MPI), Ricardo Santos (IL), Telmo Lopes (CDS), Egídio Farinha (CDU) e Célia Cavalheiro (BE). Agora escolha.

Adenda: Afixadas as listas no Tribunal de Pombal, constatamos que houve trocas de última hora e algumas surpresas. A mais relevante: o Chega apresentou uma outra lista à AM, encabeçada por um tal Sebastião Ferreira Fartaria, com residência em...Amor. De resto, em toda a lista, procurar um natural ou residente no concelho é como encontrar uma agulha no palheiro. Esta troca resulta das guerras fraticidas (que já existem) dentro do CH.O líder da distrital, deputado na AR e candidato à Câmara de Leiria, Luís Paulo Fernandes, não se cruza com Gabriel Mithá Ribeiro. Ora, o último desautorizou o primeiro (que ajudou no processo autárquico por todo o distrito, à excepção de Pombal), para espanto dos funcionários judiciais que receberam as listas. Por outro lado, o partido de Ventura candidata-se também à Junta de Freguesia de Pombal (com Patrício Accoto Martins) à Junta de Carnide e à de Vermoil. Isto promete.





30 de julho de 2025

Quem tem medo dos independentes?

Há muitos anos, numa das campanhas autárquicas mais disputadas, um amigo que integrava a lista do PS à Assembleia Municipal costumava ironizar quando via aproximar-se a caravana do PSD: "lá vêm eles com tudo: as bandeiras, a jota, até a Senhora do Cardal!". Nesse tempo (que resultou na primeira eleição de Diogo Mateus para presidente, derrotando nas urnas Adelino Mendes), não podíamos imaginar o estado a que haveríamos de chegar em 2025, tão-pouco que chegaria a hora da Senhora do Cardal entrar mesmo na campanha. Foi João Pimpão quem a trouxe, num post facebokiano ao final do dia de domingo, em que se indignava com o que chamou "uma falta de respeito e uma vergonha pelas pessoas".

O João é um óptimo presidente da Junta da terra onde foi parar, mas é (muitas vezes) politicamente destravado. Mostrou-o ao longo de todo o mandato na AM, espicaçando os adversários para lá do limite. E se a coisa não descambou mais vezes, foi porque o órgão era presidido por um senhor: Paulo Mota Pinto. Adivinha-se por isso o que aí vem, no futuro, com João Coucelo ao leme. A não ser que tenhamos surpresas. 

Ora, a suposta vergonha e falta de respeito teria sido perpetrada pelo Movimento Pombal Independentes, liderado por Luís Couto enquanto candidato à Câmara, e que escolheu o domingo do Bodo para apresentar a sua candidatura, bem como das equipas que o acompanham. O professor António Moderno (candidato a presidente da AM) tomou conta do evento e esperou pelo final da procissão para falar. Excesso de zelo, talvez, já que este é um estado republicano e laico, o evento decorria num espaço privado, como é o Hotel Pombalense. Mas ao João, em particular, e ao PSD em geral, isso não interessa nada. Gosto de os ver desfilar na procissão, concentradíssimos em mostrarem-se nas suas fatiotas domingueiras, a transbordar moral e bons costumes. Quem ia no cortejo, porém, admirou-se com outras vergonhas, como as tascas do Bodo das Freguesias (isso dará outro post) permanecerem abertas, com o movimento próprio de tasca, na praça por onde passa a procissão.

Não é de agora o ódio colectivo dos partidos aos movimentos independentes, assim como não é de agora o ódio a Luís Couto, que neste mandato foi deputado único pelo Movimento Oeste Independentes. Todos sabemos que a maioria dos movimentos é independente, mas pouco. Que na sua maioria são compostos por degenerados dos partidos. A este, em particular, poderíamos apontar muitas características passíveis de crítica, desde logo por se concentrar demasiado numa região, o Oeste, em detrimento do resto. Mas o que acontece, grosso modo, é mais ataque de carácter do que crítica politica. E isso tem outro nome. A não ser que PS e PSD estejam com medo de alguma coisa, para além do Chega.




22 de julho de 2025

O voo (solitário) do Pimpão




Ia dizer aqui que Pedro Pimpão deu anteontem o pontapé de saída para a campanha eleitoral das autárquicas 2025, mas não é verdade: nem ele deu pontapé nenhum, porque apenas materializou o estado de levitação em que vive (desde sempre), nem a campanha começou agora. 

Nestas eleições, o camião da vitória que o PSD popularizou com Narciso Mota foi destronado pela avioneta. Pimpão levantou voo. Convidou o concelho inteiro para embarcar com ele, mas uns tiveram de abandonar, outros parecem ter uma consulta às 5. Muitos tinham a expectativa de ver apresentada a lista de vereadores que o vai acompanhar, porque adivinha-se uma razia: o único vereador que ele queria manter, o arquitecto Pedro Navega (que salvou a honra do convento tantas vezes, neste mandato) quer outros voos, regressando à vida profissional. 

O Pedro percebeu (!) que com esta equipa não vai a lado nenhum, e quer substituir cada uma das três vereadoras. Ainda não decidiu qual delas vai encaixar na PMU, na dúvida entre Isabel Marto ou Catarina Silva. Sendo assim, estão abertas pelo menos três vagas de emprego para o próximo quadriénio, fora os apêndices, vulgo adjuntos/as ou secretários/as. 

Porém, o que resta do partido não acha muita graça a essa secção de recursos humanos com ligação directa entre a rua Luís Torres e o Largo do Cardal. Um hábito interrompido ao tempo de Diogo Mateus e que o Pedro retomou, a todo o gás. Há desconforto instalado com tamanho à-vontadinha.

Mas voltemos então ao domingo passado, ao jardim das Tílias, à apresentação onde era suposto o povo conhecer a lista à Câmara, e os candidatos às juntas. Da primeira nem sinais, dos segundos…nem todos apareceram. De resto, aconteceu o mesmo com o mandatário, Luís Marques, e com o presidente da Comissão de Honra (que bela maneira de arranjar uma guia de marcha para um presidente da AM incómodo), Paulo Mota Pinto.

Como Pimpão continua a viver nas nuvens, talvez acredite mesmo que os últimos quatro anos foram notáveis e extraordinários. Para quem vive na terra, sabemos que foram quatro anos a fazer de conta que evoluímos e desenvolvemos. 

O Parque Verde? Não temos. Embandeirar em arco por ter "desbloqueado o processo"? Menos, Pedro.

A mobilidade? Era com as bicicletas, que não promoveu, e se tornaram um flop. 

O CIMU Sicó? Há-de tornar-se, um dia, o centro natural das obras que ninguém sabe para que servem mas onde enterramos milhões. 

Mas calma, que vamos ter uma residência para estudantes. Estudantes de quê? E onde? Lá estão vocês com perguntas chatas. “Se faz é porque faz, se não faz é porque não faz”. 

E sim, o Pedro cumpriu o desígnio de sermos uma smart city: já não precisamos de semáforos, o comércio vai encolhendo para a avenida, voltámos a ter os táxis no Cardal…com jeitinho ainda voltamos a ser vila. 

Por agora Pombal voa mais alto. O problema vai ser quando aterrar.


8 de julho de 2025

São canos, senhores. E cheira a fim de regime

 O que aconteceu hoje na freguesia da Redinha deveria entrar para os anais da história: uma ministra (por sinal uma académica, das poucas que ainda estão no Governo) veio nas suas tamanquinhas inaugurar uma rede de esgotos. Estamos em 2025, e tudo nas imagens que a Câmara (e a querida imprensa local) divulga cheira a mofo, ou a fim de regime. A bandeira que cobre uma pedra, os metros de passadeira que parecem ombrear com os de cano enterrado. Talvez tenha faltado o padre cura para benzer a obra, mas estava D. Diogo (regressado à terra), e com isto fica assegurada a solenidade do acto.

Daqui até às autárquicas, o Pedro vai desunhar-se em inaugurações. Por ora, ainda sem Mithá Ribeiro (e o amanuense Manuel Serra) a morder-lhe as canelas, vai fazendo de conta que está tudo como dantes: o PSD a distribuir jogo, o PS a vê-lo passar, como se nestas eleições não se adivinhasse um pequeno cataclismo. Parece-me bem que continuemos num clima festivo. A cidade a condizer, com arrais e foguetes no ar (veja-se a decoração deste Bodo), as ruas esventradas, o povo indignado nas redes sociais, sem a alegria que costumava ter. Por ironia, José Cid há-de vir à festa cantar esses versos. 

Está tudo bem. Tudo bem. 






27 de abril de 2025

Quem se mete com o Pimpão, leva


Ficou claro na última reunião da Assembleia Municipal que Pedro Pimpão já escolheu o seu adversário para as próximas eleições autárquicas. Pelo tom crispado com que respondeu a Luís Couto, candidato à Câmara pelo movimento Pombal Independentes, percebeu-se também – de novo – que o sentido democrático deste presidente vai buscar o seu quê de inspirador a Narciso Mota: também ele acenava com “os prints” das publicações que lhe desagradavam. Também ele considerava que as notícias “negativas” prejudicavam a boa imagem da Câmara. Em rigor, toda a resposta de Pimpão a Couto (vale a pena recorrer ao vídeo da AM para esse deleite) denota um registo da criatura à imagem do criador – que de resto recuperou para a sua permanente campanha.

Mas centremo-nos na questão que mais importa: a tão almejada (por ele) vinda do IPL para Pombal, sobre a qual parece que “quase ninguém” é contra, segundo Pimpão. E se for, está a contas.

Ora há aqui vários equívocos nesta forma atabalhoada como o Pedro vê o desempenho do cargo institucional que ocupa. Mas o crucial é este de considerar que não vai explicar os benefícios do ensino superior em Pombal a quem não acredita, porque seria “como falar de Deus a um não crente”.

Errado, Pedro. O presidente da Câmara não tem só obrigação de responder, em sede da AM ou noutra, sobre os custos hipotéticos ou reais -  que serão avultados, ninguém tenha ilusões. Tem obrigação de os justificar.

 

Depois há o lado incongruente destes números, bem diferentes dos que Pimpão gosta de passar nas redes sociais, ora na rua, ora na festa, ora na missa, ora à mesa do café, mas sempre com a aura de bom cristão – que acumulou minutos de silêncio por estes dias, em memória do Papa, para compensar este ruído, talvez.

Um presidente para todos, todos, todos, menos os que o contrariam.

18 de janeiro de 2025

O médico Fernando Matos é o candidato do PS à Câmara


 

O PS de Pombal aprovou esta tarde, por unanimidade (e presumível aclamação), a escolha do médico Fernando Matos para candidato à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano.

É um nome forte e uma cartada bem jogada, talvez a melhor dos últimos 30 anos. Porque é um nome conhecido e respeitado na praça, porque o efeito surpresa joga sempre a favor nestas coisas.

Fernando Matos viveu na sua bolha da saúde, entre o público e o privado, e chega a esta idade sem qualquer envolvimento político na terra (e fora dela). É sempre estranho quando isso acontece. Mas como vivemos o tempo do sebastianismo - veja-se o caso do Almirante para a presidência da República - pode ter aqui as condições ideais para singrar. Os próximos tempos ditarão até que ponto esta aparição vais ser suficiente para curar o PS, mas tem pelo menos o condão de se fazer respeitar, enquanto candidato, pelo adversário hegemónico que é o PSD. E isso já é bastante. 

Posto isto, abram alas para o senhor doutor. Hoje o PS pode acender os incensos todos, porque este número já ninguém lho tira.