Se houve freguesia onde a população nunca engoliu a agregação, foi a Guia. Para sermos rigorosos, não foi bem a população da freguesia, mas antes um nicho dela, oriundo da vila. Acresce que, nos últimos dois mandatos, a ferida ficou em carne viva à conta de polémicas várias, e sobretudo porque o PSD perdeu ali (na União de Freguesias) as eleições duas vezes.
Ora, nas eleições do dia 12, cumpriu-se a máxima da "Guia aos Guienses", devolvendo a freguesia aos aguerridos, e voltando a colocar todas as peças no seu lugar, o que inclui, claro está, o PSD no poder. E estava tudo pronto para essa nova vida da terra quando uma sucessão de episódios caricatos nos veio mostrar que às vezes é ténue e a linha que separa o Oeste do Faroeste. O que nos fez soar campainhas foi um comunicado do PSD Freguesia da Guia (assinado pela futura presidente da Junta, Sandra Mendes), demasiado "explicativo". Pois que, afinal, ao contrário do que anunciavam os cartazes, Carlos Mota Carvalho não vai ser o Secretário da Junta de Freguesia, mas antes o Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia. É certo que esse é um papel que lhe assenta muito melhor, doutorado que é em presidências de clubes e associações. Porém, o que teria sido honesto de todas as partes era assumir-se, perante o eleitorado, que esta sempre foi a jogada.
É certo que as eleições acabaram na noite de 12 de Outubro, mas o processo eleitoral só fica concluído com a instalação dos órgãos autárquicos. Na maioria das Freguesias o acto acontece nos próximos dias, e talvez o caso da Guia possa servir de exemplo às restantes, onde uma horda de novos autarcas nem sempre conhece as linhas com que se cosem os processos legais (e naturais) da democracia. Lembremos por isso os senhores e senhoras presidentes que são os únicos automaticamente eleitos. Os executivos não são indicados, nem nomeados. São eleitos, em assembleia própria, tal como está bem explico na lei. Que é a mesma para todos, e não consta que a Guia seja um cenário de Western.


