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25 de março de 2019

Uma espécie de jornalismo

A assembleia de freguesia de Vila Cã reuniu, de forma extraordinária, na passada quinta-feira. Assisti à maior parte da reunião; postei, de forma resumida, o que vi, ouvi e senti; e partilhei a coisa, com mais pormenores, com algumas pessoas. No dia seguinte, uma delas enviou-me a “notícia”, publicada pelo “jornal” local, com o comentário seguinte: o teu relato não bate com a notícia do jornal; quem está a mentir?
Fui ler a “notícia”. Fiquei estupefacto quando li: A Assembleia de Freguesia de Vila Cã vai exigir que a presidente da junta, a independente Ana Tenente, se demita das funções. Ou então irá requerer a sua “interdição imediata para o exercício do cargo”. A decisão foi tomada numa sessão extraordinária daquele órgão, realizada na noite desta quinta-feira (21 de Março)”.
Publiquei um post que retirei logo de seguida por admitir que aquela inenarrável assembleia, no registo de “assembleia popular” de outros regimes, tivesse aprovado, no final, uma moção com as recomendações relatadas na “notícia”.
Entretanto, consegui obter o registo sonoro de toda a reunião. A gravação comprova que nenhuma proposta, moção ou recomendação foi discutida.
Eis o jornalismo que se pratica por cá. Um jornalismo que não informa; desinforma.

9 de agosto de 2017

Vila Cã: o triunfo das mulheres, a derrota do PS

                                                       foto da Ana Tenente in Pombal Jornal

A freguesia de Vila Cã continua pequena no tamanho e grande em disputa autárquica. Em quatro anos, muita coisa mudou. Maria José Marques (PSD) passou de primeira apoiante de Ana Tenente para principal adversária no acto eleitoral que se aproxima. Ana Tenente, actual presidente da junta, perdeu exército mas volta a batalhar como independente, com o apoio de Narciso Mota. O CDS vai a jogo com Liliana Silva - a jovem e dinâmica presidente da associação local, no dizer da JSD. E o PS, que ainda há oito anos alcançou 40% dos votos, fica de fora. A um partido que quer ser levado em conta como alternativa ao poder exige-se mais do que isso, numa terra em que até os independentes formam listas.

13 de julho de 2017

Oh da guarda…

Em Vila Cã os casos graves sucedem-se: a "presidenta"/funcionária compra e vende, contrata e descontrata, faz e desfaz, sem dar cavaco a ninguém.
Agora, alterou o contrato vitalício com a empresa que explora a pedreira para benefício desta e prejuízo da Junta, sem autorização da assembleia de freguesia e, ao que se diz, com a colaboração de dirigentes do PSD local.
A promiscuidade da situação presidente/funcionária, conjugada com o resto que se conhece, só poderia dar nisto.                                         Um caso de polícia.

3 de maio de 2017

Eu é que sou a presidente da Junta!


O que está a acontecer em Vila Cã é paradigmático de como os cargos são para exercer e não para deter, sob pena de correr mal. E na verdade, tinha tudo para correr bem: Ana Tenente foi eleita nas últimas eleições autárquicas pela esmagadora maioria dos eleitores daquela freguesia. Era conhecida e respeitada enquanto funcionária da Junta de Freguesia. Renegada pelo PSD, encabeçou uma lista independente e ganhou, prova maior de que, quando quer, o povo sabe bem fazer a destrinça. Mas falhou alguma coisa no exercício do poder. Sucederam-se demissões, as contas da junta estão mal explicadas, sobram acusações. Na sexta-feira passada, a reunião da Assembleia de Freguesia foi longa e dura, tal como se percebe pela reportagem publicada no Pombal Jornal - e, sobretudo, pelos relatos que correm na rua. Também fica provado, uma vez mais, que de nada valeu a Ana Tenente ceder às pressões de D. Diogo e seus apaniguados no processo da extinta Associação de Pais, que levaram à sua demissão enquanto presidente da Assembleia Geral. Dobrar a espinha nunca fortaleceu ninguém, só enfraquece.
Por esta altura ainda não é certo - mas é provável -  que a actual presidente (que quer manter-se no cargo e está pronta para se recandidatar) conte com o apoio de Narciso Mota. A confirmarem-se as intenções, há-de defrontar pelo menos mais duas mulheres nas urnas: pelo PSD a ex-secretária da Junta e sua antiga aliada, Maria José Marques, pelo CDS a jovem presidente do Centro Social, Liliana Silva. Por isso, bastaria ao PS ter um pouco de tino e encontrar um(a) candidato(a) à margem desta embrulhada para sair vencedor. A ver vamos, como diz o cego. 

9 de março de 2017

Quem quer casar com a carochinha?*


Está a Ana bem contente
Nos tortulhos, tão afã
Desiludida anda a gente
Já não é independente
A moça de Vila Cã

Condivou-a o Narciso
“Há para si e há para os seus!”
Muito riso, pouco siso
Nem sempre abunda o juízo
E derrete-se com Mateus

Descartou-a D. Diogo
Na primeira eleição
Mas o partido é engodo…
Pior que noite de bodo
Para qualquer João Ratão

Convidou-a o PS
Pela voz de Jorge Claro
Do resto logo se esquece
Do Sidónio ao CDS
Haja quem lhe dê amparo


*canta-se assim, na freguesia de Vila Cã, onde o vento mudou.

10 de novembro de 2016

Polo Escolar de Vila Cã ficou na gaveta

Por esta altura, Vila Cã deveria estar a inaugurar o seu Polo Escolar. Foi (quase) tudo programado: a câmara assegurou o financiamento e o projecto, e a junta o terreno onde erguer o edifício.
Só que, a junta adquiriu (parte de) um terreno que estava (está) em regime de co-propriedade; e ninguém se entende sobre a parte que foi comprada. 
Resultado: o Polo Escolar ficou na gaveta. Incompetência ou negociata? 

8 de agosto de 2013

O João Faria gosta é de dinossauros, não é de criancinhas

Pombal etc e Tal
1. Gostei de ver (e de ler) tantos comentários à nova candente questão da política à pombalense, nomeadamente Vila Cã. Eu não voto nem em Vila Cã nem em qualquer das outras freguesias do Concelho, por isso estou à vontadinha para achar mal que a dita freguesia possa vir a ser encarada como uma creche: uma questão de garotos, à imagem do que os partidos nacionais mostram e apontam. Se o anterior presidente “anda lá fora a lutar pela vida”, pois muito bem, não deve ser ele o presidente. Mas, pergunto eu, por alma de quem é que se lembraram disto? Não conheço o rapazinho, mas custa-me a hipótese de os próximos quatro anos serem uma imitaçãozita da tripa-forra que foi, lembram-se?, a Pombal Viva-Vila Verde. Tipo coisa assim: elege-se o miúdo e pronto, mini-queima-das-fitas no adro da Igreja Paroquial de São Bartolomeu, festival de “deejays” no meio dos carros-de-bois e das máquinas de sulfatar do Pocilgão, encontro de motards de mola nas calças na Garriapa, festival de tunas universitárias-tipo-Relvas na eira do ti’ Manel de Trás os Matos etc. etc. etc. etc.
Não acho bem. Acho que cada freguesia deveria merecer dos merceeiros do P(h)oder Local outra consideração. Acho que brincar com as pessoas não pode dar coisa boa – porque nunca deu. Sobretudo quando as pessoas não dispõem de, digamos, cabeça minimamente instruída para se não deixarem levar por cachopos. Aquilo bíblico do “Deixai vir a Mim as criancinhas” é para outro contexto. Vila Cã não é a Galileia, porra.

2. Jantei no passado dia 1 do corrente Agosto em sítio agradabilíssimo: nos Netos, Almagreira, em casa do há muitos anos emigrado Ernesto Andrade. Para além do gentilíssimo anfitrião, foram circunstante companhia o Zé Gomes Fernandes, o Adelino Malho e o Zé Guardado (candidato à Câmara pelo CDS). Só queria que vós fôsseis moscas para assistir à cena. A pombalidade foi, naturalmente, o mais recorrente assunto. As costeletas de vaca, largas como as raquetes do Luís Faria no tempo do Clube de Ténis de Pombal, pingaram suco. A pinga era boa, toda ela de marca não barata. O melão era daquele espanhol de Almeirim, mas entrou que nem mimo. Para acta de tal assembleia, fica este ponto 2. Com, naturalmente, um especial agradecimento ao Ernesto Andrade, esperando que para o ano haja mais.

3. À guisa de rodapé, deixo-vos de seguida com a crónica que publiquei hoje em Santarém (semanário O Ribatejo). Porquê? Porque me parece que o assunto dela, sendo de mais lato objectivo, pode bem ser que vos interesse:

Lembrando Manuel Dias

A vida não me deu muito tempo para deixar crescer a flor-do-sal que era a minha amizade com um homem bom chamado Manuel Dias. Deu-se ele ao trabalho de morrer sem aviso, aqui há umas temporadas. Era um exímio cultor da Língua Portuguesa, que toda a vida foi o instrumento de trabalho dele. Jornalista, escritor, exímio narrador oral de episódios da vida, graves uns, hilariantes outros. Um destes últimos é o que me traz hoje a esta coluna.
Contou-me o Man’el que, de certa vez que um clube português da bola se deslocou à Grécia para um desafio uefeiro, um muito conhecido figurão dessa arte do coice e da cabeça que integrava a comitiva foi a uma “casa-de-tia”, como se diz no Norte. Era em Atenas. O referido figurão tinha consigo uma apreciável maquia, como parece ser costume entre os futeboleiros a partir de determinado nível. Acudindo-lhe ao faro venéreo certa senhora profissional circunstante, chamou o empregado e perguntou-lhe quanto é que em dólares lhe ficaria o gasto pela companhia e o doce usufruto da referida. O empregado foi e veio.
“ – Ela diz que são cem dólares”, informou.
O cliente nosso protagonista disse assim então ao rapaz:
“ – Diz-lhe que está bem, mas avisa-a de que eu gosto de bater um bocadito!”
O empregado foi e veio.
“ – Ela quer saber se o bocadito é muito ou pouco.”
E o figurão:
“ – Diz-lhe que é só até ela largar os cem dólares.”
Como o nosso jornal vai parar duas semanas para o mais que merecido descanso do pessoal, resolvi cronicar este episódio hílare em alternativa às coisas algo macambúzias que aqui costumo plasmar. Mas desde já aviso que há rabo mal escondido de gato irónico nesta minha prática. Por outras palavras: vou ser mauzinho. Noutros termos: vou figurar bitaite azedo. De outros modos: vou-me às canelas da Merkelzita local, aquela que mente que não mente.
A culpa é do meu saudoso Manuel Dias. Fosse ele vivo, que a história ateniense acima exposta seria rebuçado narrativo de bem melhor embrulho linguístico. Paciência, hei que ser eu a fazer-lhe as vezes. Ora, que poderá ter Maria Luís Albuquerque que ver com a anedota helénica? Pelo lado figurado (e, note-se, devidamente separadas as águas contextuais do prostíbulo de luxo que deu cenário ao episódio pícaro e caricato dos cem dólares), tem ela, não muito, mas tudo que ver.
Porque, tal como a mim, já várias vezes terá apetecido ao meu Leitor bater na agora ministra. Mas, claro, não muito.

Só até ela largar os “swaps”.

Daniel Abrunheiro