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25 de novembro de 2022

Uma estreia a não perder

Não me canso de elogiar o percurso artístico do Teatro Amador de Pombal (TAP). Gosto da  coragem que tem em se desafiar permanentemente, procurando sempre novas e estimulantes parcerias. Desta vez, o convite foi feito ao encenador Miguel Sopas, ilustre pombalense e antigo elemento do grupo, e o resultado dessa parceria poderá ser visto no próximo sábado, dia 26 de Novembro, no Teatro-Cine de Pombal.

A Farsa do Juiz da Beira é a primeira incursão do TAP na obra de Gil Vicente. Parabéns! O processo criativo passou, em larga medida, pela Casa Varela, o que também merece o meu aplauso. Aliás, a Casa Varela está intimamente ligada à génese do Prisma Quintet, o original quinteto de palhetas (clarinete baixo, clarinete soprano, fagote, saxofone alto e oboé) que irá interpretar a música que José Peixoto escreveu para a peça. Se faltassem motivos para, no sábado, encher o Teatro-Cine, fica a nota de que a cenografia e os figurinos estão a cargo da experiente e talentosa Ana Limpinho

Uma palavra para a importância da Casa Varela no processo de profissionalização da actividade artística em Pombal. O trabalho iniciado por Filipe Eusébio, no mandato de Diogo Mateus, e a continuidade que tem sido dada ao projecto no mandato de Pedro Pimpão está, há que reconhecer, a dar frutos. O testemunho do Prisma Quintet, relatado aqui pelos elementos do grupo, é só um exemplo do potencial que a Casa Varela tem como centro de experimentação artística. Mas - e não fossemos nós o Farpas -, o sucesso não pode deixar sem resposta as legítimas dúvidas que muitos têm em relação a este equipamento municipal. Nomeadamente: Qual o seu modelo de gestão? Quem é o responsável pelo projecto artístico? Qual o orçamento anual previsto para o seu financiamento? Todos temos a ganhar com uma Casa Varela pujante, mas gostaríamos de a ver com uma gestão autónoma e transparente, capaz de definir o seu próprio percurso.  


12 de abril de 2021

Enfim, a Casa Varela

 As dores de parto da Casa Varela estão aqui arquivadas neste blogue, há vários anos. Mais do que aqueles em que esteve em obras, a cargo de uma mão cheia de construtores, saltitando de plano em intenção, sem nunca existir para ela um projecto definido. Ou melhor, existiram tantos, avulso, que o edifício parecia saído do conto infantil "Pedro e o Lobo": quando finalmente era verdade, já ninguém acreditava. Afinal, não foi um restaurante, nem um espaço de co-work, nem um hostel, nem uma pousada. É desde há uns meses um Centro de Experimentação Artística e acabou de abrir as portas ao público, ainda que timidamente - como tem de ser, em tempo de pandemia.

Enquanto no andar de cima continuam a acontecer residências artísticas, no de baixo está uma exposição de Nuno Mika. Chama-se "Interactivity" e resulta de duas instalações de arte digital, que podem ser experimentadas até Junho,  de quarta-feira a sexta-feira, das 16h00 às 21h00 e sábado e domingo, das 10h00 às 13h00 (por agora).

Talvez este não seja o destino que cada um de nós imaginou para a Casa Varela. Como falava há dias com o Filipe Eusébio (diretor artístico), cada um tinha uma ideia para ela. Mas vê-la abrir as portas à arte e abrir-se ao público é uma boa notícia. Falta-lhe (mais) autonomia, que lhe permita comunicar por meios próprios e construir a própria identidade, mesmo tratando-se de um equipamento municipal. Mas isso vai-se experimentando, e se esperámos tantos anos para a ver de pé, nada nos impede de acreditar que possa ter autonomia, personalidade, independência. Abrir-se ao mundo e trazer o mundo aqui, através da arte, independentemente da origem dos artistas. Além de tudo, é muito bom ver alguma coisa de novo e alternativo a acontecer numa cidade que está presa ao estigma bafiento do Marquês e parece caminhar só para o passado.



25 de outubro de 2020

A Saga Varela

Ao fim de anos de avanços e recuos sobre o que fazer da Casa Varela, a Câmara Municipal de Pombal (CMP) apresentou, em Agosto deste ano, o seu Director Artístico. Seria de esperar que, para além da circunstância do nome, algo mais fosse dito aos pombalenses. E a  verdade é que foi, mas tudo passou nas entrelinhas.

O que há sabíamos.

1. A Casa Varela foi adquirida pela CMP sem que esta tivesse definido para ela qualquer programa. Com o menino nos braços, havia que dar um destino à coisa para poder justificar aos eleitores a pertinência de compra. E foram várias as propostas apresentadas: uma escola de artes e ofícios, um espaço para albergar uma loja do cidadão ou serviços municipais, um restaurante, um hostel, um espaço de co-working, um gabinete de apoio ao emprego e ao empregador. 

2. Depois de uma reunião com os artistas locais em 2014 (já lá vão 6 anos; o Daniel Abrunheiro e o José Gomes Fernandes ainda escreviam no Farpas!), ficou no ar a ideia (ver aqui, aqui, aqui e aqui) de que a CMP pretendia destinar o local a uma casa das artes. 

3. Em Janeiro, numa reunião camarária, foi assumido que a Casa Varela seria "um espaço de promoção e criação artística, performance e exposições" que "pretende abranger áreas culturais diversificadas, como a música, artes cénicas, pintura, escultura entre outras formas de arte, promovendo também trabalhos de experimentação e residências artísticas". Em coerência com essa proposta, a CMP decidiu abandonar a ideia do restaurante, optando por construir, no piso -1 do edifício, uma sala de ensaios numa tipologia de open-space, que também poderia ser destinada a exercícios performativos e espectáculos intimistas. 

O que ficámos a saber

1. A grande novidade foi a escolha de Filipe Eusébio como Director Artístico da Casa Varela. O Filipe é uma pessoa dinâmica, com muita experiência na área teatral e com fortes ligações aos agentes culturais de Pombal. A sua escolha tem todos os ingredientes para agradar aos nossos artistas e, pessoalmente, desejo-lhe o maior sucesso nas suas novas funções.

2. O cargo de Director Artístico da Casa Varela é um cargo de confiança política. Se assim não fosse, não haveria razão para as suas funções terminarem nas eleições. Este facto compromete a autonomia de Filipe Eusébio, deixando-o refém dos humores do Presidente da Câmara.

3. Em declarações ao Jornal de Leiria, Diogo Mateus garantiu que no próximo Orçamento Municipal será contemplada uma verba de investimento e funcionamento anual, mas que, "num futuro a médio prazo, entre as várias possibilidades de modelo económico em estudo, está uma “fundação com pernas para andar”, com apoio mecenático, da comunidade e também da autarquia". Aqui está está uma belíssima forma de não se dizer nada! Mas, se atentarmos bem, o que Diogo Mateus nos quer dizer é que, da Autarquia, a Casa Varela apenas irá ter orçamento para funcionamento e pouco mais, remetendo para um "futuro a médio prazo" um modelo económico que viabilize a infra-estrutura.

O que gostaríamos de saber (e a nossa imprensa não pergunta)

1. A conferência de imprensa de apresentação de Filipe Eusébio foi totalmente dominada por Diogo Mateus. Esta opção deixa transparecer algo que merecia ser esmiuçado: o projecto artístico é da autoria do Presidente da Câmara ou do novo Director Artístico? Qual o contributo de pessoas como André Varandas (indignamente descartado pela Autarquia já depois da referida reunião de Janeiro) na elaboração do referido projecto? 

2. Qual o modelo de gestão da Casa Varela? Qual a autonomia do seu Director Artístico (já sabemos que é pouca)? Será que todas as suas decisões terão que ser ratificadas pela vereação? 

3. Será que a CMP, que já possui espaços como o Celeiro do Marquês, o Teatro-Cine, a Biblioteca Municipal, entre outros, necessitava de adquirir mais um edifício para cumprir as funções atribuídas à Casa Varela? Se a resposta é sim, como gostaria, subsiste a dúvida: qual a estratégia municipal para a cultura que permita dinamizar todas estas infra-estruturas? Qual o papel que a Autarquia reservou para os artistas no meio disto tudo: dinamizadores autónomos ou utentes subservientes?

2 de setembro de 2020

O senhor Feliz e a senhora Contente

Os partidários da política colaborativa, do consenso fácil e oco, têm no vídeo abaixo um belo exemplar da dita.

Nele, a doutora Odete dá a “deixa”, com o seu “gostaria de perguntar” e o seu “gostaria de conhecer”, que entremeia sempre com um elogiozinho bacoco. 

O doutor Mateus, manhoso, implacável, e sabendo que a doutora Odete está ali só para marcar presença, aproveita a “deixa” para bater forte na “oposição”, e para discorrer sobre programação cultural, liberdade e criação artística, com o asseio intelectual de um verdadeiro vendedor de banha-da-cobra, indo ao ponto de apontar o museu, o teatro cine e a biblioteca como locais onde impera a liberdade de pensamento e a absoluta liberdade criativa - não se riam. 

Se a doutora Odete não fosse unicamente um ramo de enfeite deste andor, tinha trazido a debate o tenebroso processo da “contratação” do programador cultural profissional de Coimbra – a forma como foi usado e descartado por não se subjugar a um poder só quer “criados” e só pensa em propaganda.

O doutor Mateus e a doutora Odete são o senhor Feliz e a senhora Contente da comédia política pombalense. Com uma grande diferença em relação à dupla verdadeira. No Feliz&Contente, a “deixa”, tal como a piada, era dada ora por um ora pelo outro; aqui, a doutora Odete dá as “deixas” e o doutor Mateus atira os foguetes e colhe os louros.

É a política colaboracionista no seu esplendor.


6 de janeiro de 2020

Afinal, ele ouve-nos…

A CMP decidiu abandonar a ideia peregrina de construir um restaurante no rés-do-chão da Casa Varela.
Desfez a tempo; logo, sem grandes custos… Se ouvisse mais, desfazia muita ideia tonta; por exemplo o mamarracho nos Pois, ainda no tosco.


3 de abril de 2019

Estão a perceber, estão a perceber…?

Como é que eu sou o maior? – diz ele com aquelas perguntas e com o riso de gozo.
Mesmo perante o desastre que tem sido a Casa Varela.
Com a oposição a concordar e a aplaudir!
E ele a gozar com eles e connosco!
Inacreditável!

1 de agosto de 2016

Casa Varela vira restaurante

A jornalista pergunta: E a Casa Varela, quando terá a utilidade cultural de que se tem falado nos últimos anos?
Responde D. Diogo: “Será aberto um concurso público para as obras ainda este mês. É um processo que sob o ponto de vista arquitectónico e funcional está resolvido. A ideia é que venha a dar lugar a um espaço expositivo, performativo e de produção, ao mesmo tempo que terá actividades em regime cowork (espaços de trabalho partilhados), sendo que na base, ao nível da cave, será um equipamento hoteleiro, de restauração, que dará apoio a toda a frente ribeirinha”. Ahhh! “O promotor do investimento é o município de Pombal, mas não significa que não possamos a ter outras entidades a participar, nomeadamente na programação de actividades e dinamização do espaço.”
Estão a ver a frente ribeirinha? E a escassez de oferta de restauração na zona?
Ao longo de mais de duas décadas, a câmara abriu pela cidade, e não só, vários negócios de restauração e cafetaria. Ainda não conseguiu equilibrar a exploração de nenhum! E insiste, insiste, insiste! Paga munícipe.

25 de julho de 2014

O mistério da Casa Varela

Ainda não se sabe ao certo o que aquilo vai ser - pelo menos ninguém o veio dizer publicamente - mas o certo é que hoje à noite arranca por lá o projecto Rupturas - a emigração portuguesa, (embora originalmente escrito em desacordo ortográfico), num conjunto de espectáculos, performances e exposições. Sabe-se muito pouco sobre o que vai ser, mas o punhado de gente da terra envolvida leva-me a crer que há-de ser bom. É sempre bom ter gente a fazer coisas pela terra onde vive.
O que ainda não consegui perceber foi se a Câmara está com vergonha de contar do que se trata, se foi decidido muito em cima da hora ou se, inexplicavelmente, se esqueceu de o divulgar. Além de uma referência curta  no programa do Bodo, não há nada na cidade que o promova. Bastava que tivesse uma pequena parte da divulgação feita à reunião com os "agentes culturais", em Maio passado...
O melhor é irmos ver como é, para contar como é que foi.