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21 de abril de 2023

Pombal - do concelho charneira ao concelho desfavorecido

O diretor do Centro Distrital de Leiria da Segurança Social, João Paulo Pedrosa, não sai de Pombal. Compreende-se: uma terra desfavorecida precisa de muito apoio. 

Já houve um tempo em que esta terra viveu a ilusão da grandeza; agora vive da pecanez do assistencialismo do Estado e da caridade da cistandade. Pelo meio sonha com a felicidade; mas caminha para a calamidade. 



Este evangelho dos fracos, este culto da esmola e da compaixão, não é a favor dos desfavorecidos, é a favor do(s) profeta(s). 

Desgraçada terra que derrete o que tem e o que não tem em “capelinhas”. 

19 de julho de 2022

Sobre bons samaritanos, subsídios e boa comidinha

A 4 do corrente mês, o executivo municipal (“junta”) discutiu e aprovou - por maioria ou por unanimidade, ainda não se sabe* - a atribuição de um subsídio ao Rotary Clube de Pombal, no valor de 350 € (em dinheiro), destinado ao pagamento de refeições; mais um animador musical, para animar uma confraternização. 

Durante a discussão a doutora Catarina informou que achou melhor trocar a oferta do animador musical por 580 €, destinados à compra de 200 bonés e 500 t-shirts (?). A doutora Catarina é muito fofa e simpática, mas nisto de preparar propostas para levar às reuniões do executivo não acerta uma. Deveria ser rapidamente dispensada destas tarefas burocráticas e empregada unicamente no social socialite.

Mas depois de tudo isto, que já seria muito, perguntará o leitor: o Rotary queria o subsídio concretamente para quê? Bela pergunta, e bela história, que este maldizente escriba tem muito gosto em explicar.

Uma tal associação cívica, intitulada “Cavaleiros do Céu”, promoveu juntamente com o Rotary Clube de Pombal e o Rotary Clube de Leiria, nos dias 22, 23 e 24 de julho, o baptismo de voo para crianças e jovens com deficiência – iniciativa nobre e louvável. Nesta fase da história, pensará o leitor: então, o subsídio de 350 € para refeições destina-se ao pagamento de um lanche às crianças, depois do voo. Puro engano. O subsídio foi pedido, foi atribuído e foi destinado ao pagamento de 10 refeições, a 35 €/pessoa, aos pilotos, organizadores e patrocinadores do solidário evento.

Gente fina confraterniza e assinala a caridadezinha em grande. Ou como canta o J. Barata Moura:

“Vamos brincar à caridadezinha

Festa, canasta e boa comidinha

Vamos brincar à caridadezinha”

PS: * o executivo ainda não percebeu que o principal objectivo da reunião é decidir, não discutir; e que o principal interesse do eleitor é saber o que e quem decidiu.

Adenda: o subsídio foi aprovado, por maioria, com 5 votos a favor e uma abstenção (da doutora Odete).


30 de junho de 2022

Felicidade? Pesadelo!

Na AM da tarde e noite passada, o debate no Período Antes da Ordem do Dia (PAOD) foi e terminou chocho, como de costume, desligado da realidade e centrado no exibicionismo bacoco. Até que veio o período de participação dos munícipes. E surpreendentemente coube a uma munícipe – Célia Cavalheiro – o papel de dar um banho de realidade aqueles figurões, do poder e da oposição. 

O processo Kafkiano que a Célia viveu e contou na AM é tão aterrador que não merece mais palavras do que aquelas que ela usou (ver vídeo). Expõe até às entranhas a burocracia paralisante, o funcionalismo disfuncional, a desumanidade gritante.

Bem pode o profeta Pedro apregoar com pomposidade e adjectivos eloquentes, sempre no grau superlativo, que a felicidade das borboletas a voar sobre as flores e as bolas de sabão a subir ao sabor do vento está a caminho, que a realidade nunca cederá às promessas vãs nem às políticas de fachada. 


 

27 de junho de 2022

O social sem racional

O doutor Luís não percebeu, e na verdade não é coisa para se perceber…

O paradoxo é simples: o executivo – “a junta” – levou à reunião uma proposta de não renovação da isenção do pagamento das facturas de água, a uma munícipe comprovadamente com carências financeiras, por esta não consumir água da rede. Ou seja: o executivo queria que ela gastasse - desperdiçasse – a água da rede, do município, nossa.

Há tanta carência! Deus nos acuda!



12 de outubro de 2021

A Cercipom - e o que ela representa


Foto: Município de Pombal

 O poder político e institucional da terra e da região foi em peso à inauguração das novas instalações do Centro de Formação e Inclusão Socioprofissional da Cercipom. É uma daquelas obras justas e necessárias, que "nunca dividiu" os actores políticos locais, como bem sublinhou no seu discurso o ainda presidente da Câmara, Diogo Mateus. De resto, por ser caso raro, sublinhou-o. A provar o que dizia, juntaram-se todos para a fotografia, para a posteridade. Foi bonito. 

Mas o que fica, para lá do edifício novo, onde a autarquia investiu mais que oportunamente um milhão de euros, é a determinação de quem tem erguido esta obra social desde 1979, ano em que foi fundada a Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Pombal. E para lá dos órgãos sociais, há alguém que está lá sempre, discreta, atenta, sem nunca se colocar em bicos de pés como é tão típico cá no burgo: Preciosa Santos. Quem a viu atrás do micro, não a fazer discurso mas a assegurar o protocolo, domingo passado, percebeu-lhe de novo a grandeza. Formalmente, é ela a directora-geral da Cercipom. Na prática, é ela a alma daquela casa onde trabalham 100 pessoas, para apoiar 570. Dessas, 270 estão fisicamente nas instalações.

Sabemos que a sorte dá muito trabalho, e que às vezes é Preciosa. Na Cercipom tem sido assim. Não sei há quantos a conheço, mas não me lembro nunca de a ver - de perto ou de longe, sem saber que é observada, que é quando melhor compreendemos o trabalho dos outros - sem que tivesse um sorriso ou um genuíno esgar de preocupação com os outros, longe dos holofotes que, já se sabe, esta área não atrai. 

No domingo, através de um ecrã de telemóvel, senti uma obrigação imensa de dizer obrigada à Preciosa por tudo o que ela tem feito por esta comunidade. Porque como poucos encaixa naquelas notas breves que compõem a segunda parte da nossa linha editorial, que a muitos passa despercebida.


7 de maio de 2021

Oh, os pobrezinhos...

Há uma canção que pelo menos a vereadora Ana Cabral há-de conhecer bem, que podia servir de banda sonora para acompanhar as fotografias tão lindas e verdejantes que a Câmara de Pombal exibiu nas redes sociais: "vamos brincar à caridadezinha", de José Barata Moura.

O insólito aconteceu no dia 3 de Maio, que só por acaso é Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas esse, por cá, não convém assinalar. Pode dar ideias. E então, o pé de câmara estava lá a registar o momento descrito como 'desenvolvimento social': O Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Diogo Alves Mateus, visitou esta segunda-feira, 3 de maio, o edifício da antiga escola básica dos Penedos, que após obras de recuperação permitiu alojar um munícipe em situação social de vulnerabilidade, atestada quer pela Junta de Freguesia de Almagreira, quer pela Comissão Social de Interfreguesias Carriço, Louriçal e Almagreira.

A necessidade de exibição chega a este ponto, fazendo tábua rasa dos direitos dos outros, os tais mais vulneráveis. Ou então pelo menos naquele dia D. Diogo não se lembrou de uma citação bíblica que era suposto conhecer de cor: "Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo" - MT 4, 2-4a.

Foi (s.) Mateus quem o disse. O verdadeiro.



2 de abril de 2019

Afinal, o que nasce torto pode endireitar-se

O projecto para o autismo nasceu torto; mas, apesar de tudo, é reconfortante saber que a câmara está empenhada em colocá-lo no caminho dos seus nobres propósitos. O presidente da câmara afirmou, na última reunião do executivo, e vereadora da educação e da acção social corroborou, que o “projecto nasceu pela porta errada”; logo, para ter continuidade “tem que correr irrepreensivelmente bem”. Estamos de acordo.
A Política deveria ser sempre isto: assumir rapidamente o erro e corrigir o tiro quando se erra; ou fazer bem à primeira.

4 de outubro de 2018

Trapalhadas nos transportes escolares

Aldina Pedro (PS) questionou os critérios de concessão dos passes escolares, partindo do caso do seu sobrinho/irmã(!).
Diogo Mateus teve alguma dificuldade em explicar a trapalhada existente com a atribuição dos diferentes tipos de passes escolares, mas foi claro no essencial: todos os alunos do concelho, que frequentem o ensino obrigatório, têm direito a transporte gratuito. O que surpreende deveras é que a sua vereadora Ana Cabral, com os pelouros da Educação e da Acção Social, e os serviços da câmara, desconheçam isso. Na reunião com os pais, sobre este problema, a vereadora Ana Cabral afirmou que o assunto seria reencaminhado para o Gabinete Jurídico. Perguntada se a câmara devolveria o dinheiro, entretanto pago, caso o Gabinete Jurídico considerasse que os alunos têm direito a passe gratuito, teve o desplante afirmar que o que foi pago não seria devolvido.

26 de julho de 2018

Com razão mas sem emenda


Às vezes escolhe bem os assuntos, e consegue , até, defendê-los bem - como foi o caso. Mas nem nessas situações consegue fazer boa figura, porque, pelo meio e pelo fim, debita a cassete toda - um extenso rol de lamúrias repisadas até à exaustão.

PS: o vídeo é a parte que se aproveita, da longa intervenção.

13 de março de 2018

Misérias



Uma Nota Informativa proveniente da CMP (“assinada” por um não-funcionário) relata “a entrega de 20 cabazes por parte de famílias de etnia cigana a outras famílias carenciadas” e acrescenta que a “ação que se decorreu no âmbito do Projeto 3I`s”. Ao lê-la, fica-se na dúvida se o autor disse o que queria ou o que não queria. Pouco importa. Importa, sim, o que o caso, em-si, representa: a carência inteira no seu esplendor; e a material não é, com certeza, a parcela maior.
A bondade, como bem disse Pessoa, é um capricho temperamental: não temos o direito de fazer os outros vítimas de nossos caprichos, ainda que de humanidade ou de ternura”. Esta nem isso tem (humanidade e ternura); mete no mesmo saco bondade e compaixão, e rega tudo com o mais escabroso proveito mediático; onde a graça e a felicidade de uns, é a vergonha e a mágoa de outros. Para Nietzsche “a compaixão tem uma impudência própria como companheira: pois, querendo ajudar de toda forma, não se embaraça nem com os meios de cura nem com a espécie e a causa da doença, e desenvoltamente lida como um charlatão com a saúde e a reputação do paciente”.
Atingimos o estágio onde a (feitura da) bondade e compaixão se tornaram um vício; e a sua ostentação uma patologia social. Mas convém lembrar que a bondade honesta é a que a Natureza nos presenteia, ou a que é doada sem mostrar o rosto. 

7 de abril de 2011

CLASSIFICADOS #3

Procura-se Candidato independente à Câmara Municipal de Pombal Com disponibilidade aos fins-de-semana Requisitos: - Sem amarras partidárias; - Sem interesses pessoais a defender; - Capaz de assumir responsabilidades; - Capaz de congregar pessoas e de trabalhar em equipa; - Com mais vontade de "ficar" do que de "ir".

5 de abril de 2011

CLASSIFICADOS #2

Político c/ pouco uso oferece-se para lugar (elegível) em lista para as legislativas. - S/ carta de condução; - Boa mobilidade dos membros posteriores; - Facilidade em acatar ordens; - Disponibilidade para ausências prolongadas da sua residência.

3 de abril de 2011

CLASSIFICADOS #01

Partido de grande implantação nacional, recruta para os seus quadros: - Político profissional (c/s experiência) para cargo a desempenhar em Lisboa. Requisitos: - Sem problemas ósseas na coluna vertebral; - Experiência como contorcionista (prefer.) Oferece-se: - Remuneração acima da média - Perspectiva de carreira - Regalias sociais diversas

28 de abril de 2009

E as medidas anti-crise

Nada. Só propaganda.
O meu camarada Adelino Mendes desafiou Narciso Mota a fazer um balanço da implementação das medidas, como prometido. Não saiu nada, disse que iam fazer…
Eis a apregoada gestão por objectivos no seu melhor!

10 de março de 2009

Narciso Mota tira aos pobres para dar aos ricos

O meu camarada João Coelho demonstrou, mais uma vez, na última AM, que nas questões essenciais da gestão da camarária quase tudo nos separa em relação a Narciso Mota e ao PSD.
Narciso Mota decidiu não alargar a Acção Social Escolar (ASE) a 400 potenciais beneficiários do 1.º ciclo, em contra corrente com aquilo que o governo fez para o 2.º e 3.º ciclos e a maioria dos municípios fez para o 1.º ciclo. Consequentemente, 400 famílias de baixos rendimentos ficaram sem apoio para adquirir, este ano, ano de crise, manuais e refeições para os filhos. Em contrapartida, Narciso Mota anunciou no plano anti-crise que vai pagar, em 2009-2010, os manuais escolares a todos os alunos do 1.º Ciclo.
Confrontado com estas opções, erradas e profundamente injustas, que tiram aos mais desfavorecidos para dar aos mais favorecidos, Narciso Mota limitou-se a dizer: “só tomo decisões planeadas”.
Ora, pelos vistos, é aí que deve estar o problema. Neste caso, como em muitos outros, melhor seria que não planeasse, e melhor ainda que não decidisse!

2 de março de 2009

Eliminar um vereador

A AM foi rica no que concerne às medidas de combate à crise. Houve de tudo: mais Estado ou menos Estado, mais Câmara ou menos Câmara, reduzir impostos ou aumentar a despesa, apoios a todos ou só a alguns, etc., etc., etc.
Mas a mais original veio, de certeza, de José Gomes Fernandes: “eliminar um vereador a tempo inteiro”. Segundo ele, em tempos de crise tem que se reduzir a despesa, e se as empresas estão a fazer cortes no pessoal a câmara deveria dar o exemplo.
Reduziam-se as despesas e as TRAPALHADAS. Digo eu.

28 de fevereiro de 2009

Os assuntos da AM

O Go!Shopping e as medidas anti-crise foram os verdadeiros assuntos da última AM, pela sua importância e relevância e porque serviram para evidenciar as diferenças entre o PSD e o PS. Mais o primeiro do que o segundo.
Ficou claro que o PS é frontalmente contra o empreendimento, no Casarelo, e o PSD apoia-o, de forma envergonhada, porque Narciso Mota o quer a todo o custo.
Ficou claro que PS faria mais e de forma diferente para minimizar as consequências da crise. Como a crise não atinge todos mas essencialmente os desempregados ou as pessoas que ficaram sem rendimentos para as necessidades básicas, o PS reforçaria e centraria nesses o apoio e não em todos por igual como faz o PSD com intuitos claramente eleitoralistas.

9 de fevereiro de 2009

Prioridades invertidas

Pombal é um concelho com uma estrutura social de base rural caracterizada por população dispersa, isolada e envelhecida, enfraquecida pela forte emigração e migração. Neste quadro, uma rede de apoio social torna-se premente.
O governo tem apostado e incentivado a criação de estruturas de apoio social dirigidas às pessoas mais necessitadas. Muitos municípios têm seguido o exemplo do governo.
No Distrito de Leiria, os concelhos de Figueiró dos Vinhos, Leiria, Batalha, Nazaré e Bombarral, em cooperação com instituições de solidariedade social e misericórdias, colocaram em funcionamento unidades de cuidados continuados. Os concelhos de Pedrógão Grande, Alvaiázere, Ansião, Marinha Grande, Porto de Mós e Caldas da Rainha irão igualmente avançar e já apresentaram as respectivas candidaturas.
E Pombal, sendo dos mais necessitados, porque espera?
Infelizmente, aqui, as prioridades estão, quase sempre, invertidas.