A 4 do corrente mês, o executivo municipal (“junta”) discutiu e aprovou - por maioria ou por unanimidade, ainda não se sabe* - a atribuição de um subsídio ao Rotary Clube de Pombal, no valor de 350 € (em dinheiro), destinado ao pagamento de refeições; mais um animador musical, para animar uma confraternização.
Durante a discussão a doutora Catarina informou que achou melhor trocar a oferta do animador musical por 580 €, destinados à compra de 200 bonés e 500 t-shirts (?). A doutora Catarina é muito fofa e simpática, mas nisto de preparar propostas para levar às reuniões do executivo não acerta uma. Deveria ser rapidamente dispensada destas tarefas burocráticas e empregada unicamente no social socialite.
Mas depois de tudo isto, que já seria muito, perguntará o leitor: o Rotary queria o subsídio concretamente para quê? Bela pergunta, e bela história, que este maldizente escriba tem muito gosto em explicar.
Uma tal associação cívica, intitulada “Cavaleiros do Céu”, promoveu juntamente com o Rotary Clube de Pombal e o Rotary Clube de Leiria, nos dias 22, 23 e 24 de julho, o baptismo de voo para crianças e jovens com deficiência – iniciativa nobre e louvável. Nesta fase da história, pensará o leitor: então, o subsídio de 350 € para refeições destina-se ao pagamento de um lanche às crianças, depois do voo. Puro engano. O subsídio foi pedido, foi atribuído e foi destinado ao pagamento de 10 refeições, a 35 €/pessoa, aos pilotos, organizadores e patrocinadores do solidário evento.
Gente fina confraterniza e assinala a caridadezinha em grande. Ou como canta o J. Barata Moura:
“Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha”
PS: * o executivo ainda não percebeu que o principal objectivo da reunião é decidir, não discutir; e que o principal interesse do eleitor é saber o que e quem decidiu.
Adenda: o subsídio foi aprovado, por maioria, com 5 votos a favor e uma abstenção (da doutora Odete).