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29 de novembro de 2025

Montenegro coloca Pimpão na ANMP

Corre pelo espaço midiático que o doutor Pimpão vai para presidente da Associação Nacional de Municípios (ANMP). Seria uma benção para Pombal se ele fosse mesmo. Mas não vai; ou melhor dito: vai e fica. 

A notícia – do nosso conhecimento há muito tempo - foi metida a correr com um intuito claro: fazer crer aos papalvos que há mérito na coisa, na designação e no designado. Mas é exactamente ao contrário… A escolha - de Luís Montenegro, não dos autarcas - tem todo o racional: se é para não fazer nada, nem sequer lobbying/pressão junto do governo, quem melhor que doutor Pimpão?



Isto é o regime no seu melhor. Um regime que se desenvolveu da forma que se conhece, através da multiplicação de cargos e mordomias pelos próprios protagonistas políticos, para seu prórpio benefício. O método segue inevitavelmente a mesma lógica: há um cargo (por exemplo, presidente de câmara), desempenhado por vários titulares; se há vários titulares pode-se criar uma associação que os represente, os auto-promova e faça lobbying em seu benefício. As coisas funcionam sempre assim, e neste caso em concreto (ANMP) ficaram-me claras, há muito tempo, quando dava os primeiros passos na política local, e um(a) então influente figura do PSD local me explicou para que servia a ANMP. Numa das muitas conversas sobre política, expunha-lhe o meu espanto pela rápida transformação política e pessoal do recente presidente da câmara Narciso Mota, que de criatura politicamente imberbe, naif até,  rapidamente se transformara num cacique controlador de tudo e de todos. Explicou-me ele(a), então, que tudo se devia à “escola” de dirigismo/caciquismo que era a ANMP, onde as reuniões serviam essencialmente para os presidentes de câmara conviverem e partilharem as dificuldades/objecções que os adversários e forças vivas locais lhes colocavam, que os mais rodados e astutos já tinham vivido e, com gozo, partilhavam com os novatos os estratagemas que, se fossem aplicados com eficácia (pulso), anulariam os opositores e os meios de fazer oposição. 

O doutor Pimpão vai com o mandato de não fazer nada, até porque é o que mais gosta de fazer, mas a ANMP continuará a cumprir o seu secreto desígnio.

13 de fevereiro de 2025

Marcelo veta desagregação das freguesias

A agregação das freguesias foi uma farsa improvisada pelo governo da PaF - Passos Coelho/Miguel Relvas - para enganar a Troika. Entretanto, a Assembleia da República resolveu reverter o processo, aprovando por ampla maioria a desagregação das famigeradas uniões de freguesia.



A agregação foi um acto tão vil como este, agora, da desagregação; ambos movidos unicamente pelo mais descarado oportunismo político, sem nunca atenderem ao primordial interesse do país, ao seu coerente e adequado modelo organizativo. Marcelo, como é seu timbre, não quis ficar atrás e compôs o ramalhete: vetou a lei por considerar que existe “falta de compreensão e transparência pública do processo legislativo” e “capacidade para aplicar … o novo mapa já nas eleições autárquicas de Setembro ou Outubro deste ano”. Há boas razões políticas para concordar ou discordar da medida, mas não me parece que os pretextos usados pelo presidente sejam minimamente razoáveis, porque julgo que toda a gente compreende o que está em jogo e a aplicação da norma é coisa lógica e natural.

Há em cada coisa aquilo que ela é, e que a anima. Marcelo é intriga, e entropia. O hábito da intriga desenvolve todas as fraquezas que são com ela solidárias. Marcelo tornou-se um empecilho do regime. Deixa um amplo contributo, se não para a obsolescência do regime, pelo menos para a demonstração da inutilidade do cargo que ocupa.


Nota de Rodapé: o veto tem o mérito de facilitar a vida às estruturas concelhias dos partidos. Em Pombal são menos quatro listas, menos cinco dezenas de candidatos onde está a ser muito difícil encontrá-los. 

9 de janeiro de 2024

Pombal, terra de peregrinação e paródia

Bem sei que vivemos tempos em que a aparecer é código postal para o sucesso fácil, e que a política actual adoptou o modelo, mas o excesso enjoa e indispõe almas mais frugais.

Esta paróquia está definitivamente transformada em pátio de comédia, onde criaturas apinocadas, mais dignas de piedade que de aversão, desfilam constantemente em cortejos jocosos ou representam farsas improvisadas. 


20 de dezembro de 2019

20-12-2019 – o dia em D. Diogo deu o golpe de misericórdia na moribunda oposição

Nos seis anos que leva à frente da câmara, D. Diogo acumulou muitos erros na administração da autarquia; mas foi voraz na acumulação de poder. Só que: o vício mata o viciado. Hoje, D. Diogo rapou o resto do poder - deu o golpe de misericórdia na moribunda oposição.
Em política há derrotas que fortalecem, e vitórias que enfraquecem. Hoje, D. Diogo ganhou, mas perdeu. E iniciou o movimento de queda.

12 de fevereiro de 2019

Descentralização, uma não-reforma

A descentralização em curso foi desenhada para ser ao gosto de cada um, como convém a quem gosta de mexer nas coisas para que tudo fique na mesma. É uma “não-reforma”: não acrescenta nada de relevante, entretém; não é a reestruturação de que o país necessita; nem agradará à maioria das autarquias – para umas é uma mão cheia de nada, para outras é uma mão de problemas. No final, a esmagadora maioria acabará por aceitá-la, com mais ou menos dificuldade, porque acrescentará mais uns euros aos orçamentos municipais e adocicará a partidarite com mais uns tachos para distribuir. Pelo meio, anuncia-se a próxima reforma: regionalização. Coitado do doente.
O processo de descentralização do Estado para as autarquias não tem obedecido a uma estratégia, a um plano, ou uma lógica sequer, que permita dotar o país de um modelo administrativo coerente, consistente e adequado à sua realidade socioeconómica. Cada governo faz as suas experiências, ao sabor de impulsos supostamente reformadores que têm resultado em mais entidades, mais assimetrias, mais entropia.
Portugal consolidou o seu território no final da reconquista e, logo de seguida, D. Dinis desenvolveu um modelo de administração assente no municipalismo, que se manteve até aos nossos dias. O municipalismo faz parte do código genético do país; logo, deve ser aprofundado e adaptado à realidade socioeconómica. Não faz sentido existirem freguesias com mais de 25.000 habitantes e concelhos com menos de 2.500. Logo, indispensável é a reformulação do mapa de concelhos de forma a dar massa crítica ao municipalismo dotando-os de capacidade para proporcionar condições de vida idênticas, nomeadamente ao nível dos serviços do Estado, mas nisto ninguém quer mexer; mexe-se no resto e estraga-se o que está enraizado e funciona.
O país não tem nenhuma tradição ou cultura regionalista - nem os distritos vingaram - e as nossas regiões sempre foram unicamente similaridades geográficas, nunca tiveram identidade ou autonomia política.
A estrutura administrativa do país não pode estar sempre em reformas e nunca reformada. Por isso comungo de Pessoa quando diz: “Se alguma coisa odeio, é um reformador. Um reformador é um homem que vê os males superficiais do mundo e se propõe curá-los agravando os fundamentais”. É o que se tem passado com as reformas da estrutura administrativa do país desde a Revolução Liberal – pelo menos!

13 de janeiro de 2018

Pombal não é Portugal

Rui Rio ganhou a Santana Lopes. Sinal de que há ainda algum bom-senso no PPD. 
Mas custa a acreditar que tanto militante, e tanto político profissional, escolha Santana Lopes para candidato a primeiro-ministro.
Portugal ainda é muito diferente de Pombal. E Pombal continua a ser o que é.

22 de junho de 2017

Uma tragédia colectiva

O fogo de Pedrogão-Grande foi uma verdadeira tragédia colectiva.
Tragédia porque deixou as populações de três concelhos (Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera) entregues ao enigma do destino, um destino cruel que roubou a vida a dezenas de pessoas e impôs um sofrimento imerecido a milhares. Colectiva na medida em que nela todos participaram: uns como actores/vítimas, outros como figurantes; uns com culpa inconsciente, outros consciente; uns sofrendo, outros sublimando o sofrimento.
Foi uma tragédia onde as pessoas afectadas mostraram uma serenidade e uma dignidade assinaláveis; ao contrário de outros – dos figurantes -, que se aproveitaram da desgraça alheia para capitalizar. Foi, também, uma oportunidade para os epiléticos das ideias apontarem culpados, causas e soluções - como se houvesse causas únicas e soluções fáceis e imediatas. Alguns foram ao ponto de apontar o eucalipto como o grande culpado. Coitado do eucalipto!
É já possível afirmar que a tragédia ocorreu porque, perante a conjugação de condições extremas - climatéricas, terreno e floresta –, foi dada a resposta normal. A floresta é o único factor que o Homem pode controlar - os outros não estão nas suas mãos. Convém, por isso, ganhar consciência de que é a Natureza que condiciona o Homem e não o Homem que condiciona a Natureza. O estado da floresta é resultado de escolhas individuais, de condicionantes que veem de muito longe e de formas e estilos de vida que mudaram profundamente. Mas uma coisa é evidente: se não se ordenar o território e a floresta vão ocorrer mais tragédias como esta. Muitos culpam o governo e as entidades oficiais pelo estado a que chegámos, esquecendo-se que a responsabilidade é de todos, e que a resistência à mudança, que tem que ser profunda para produzir os efeitos necessários, é geral. Naquela zona, a Natureza fez reset na floresta. É uma oportunidade para recomeçar bem e de forma mais fácil.
A tragédia serviu também para uma malta se comover, poder derramar boas lágrimas e livrar-se da culpa inconsciente e do sofrimento ao realizar actos compassivos. Desde a antiguidade que os Homens sempre situaram a compaixão num nível baixo, na hierarquia dos sentimentos morais; e com razão, mas estavam longe de imaginar o alarde que vai, na contemporaneidade, pelas redes sociais.
Para Nietzsche a compaixão (pública) não tem por objectivo o prazer do outro; pois ela abriga no mínimo dois elementos de prazer pessoal, e é, desta forma, fruição de si mesma: primeiro como prazer da emoção, e depois, quando impele à acção, como prazer da satisfação no exercício do poder.
O folclore de “solidariedade” que a tragédia de Pedrogão Grande desencadeou e o aproveitamento dela se está a fazer, repugna o ser mais cálido. Como bem refere o cálido F. Pessoa: “nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociais de moral. Já a palavra “dever” é para mim desagradável como um intruso. Mas os termos “dever cívico”, “solidariedade”, "humanitarismo", e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas”. 

24 de maio de 2016

Um cartaz caracterizador

A má arte revela o artista que a produziu, tal como a pedra talhada revela o pedreiro que a talhou.
O cartaz da JSD (na figura) revela o(s) criador(es) e divulgador do cartaz. Se F. Pessoa fosse vivo, diria, ao olhar para aquilo, que “A este género de espírito chama-se ordinariamente apenas grosseria. Nada há mais indicador da pobreza da mente do que não saber fazer espírito senão com pessoas”.
O PSD deixou, há muito tempo, de ser um partido de matriz social-democrata. Talvez nunca o tenha sido se descontarmos o período pós-revolucionário – altura em que, de certeza, não conseguiria ser o que hoje é. Nos últimos tempos, tornou-se um partido ultraliberal, com uma agenda política centrada no desmantelamento do Estado Social (Educação Pública, Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social) e até na limitação de outras funções associadas à soberania do Estado. Mas a rapaziada (crescida) da JSD é, ainda, mais extremista do que o partido, o que não surpreende - os dirigentes do partido têm de lá saído, e não tem saído grande coisa.
A colagem do PSD, e da JSD, à polémica do momento sobre os contratos de associação entre o Estado e os colégios privados, revela tudo sobre a agenda ideológica do partido: retalhar a Escola Pública em contratos de associação com os privados, e depois estender o modelo à Saúde e à Segurança Social. Há muito que o PSD abdicou da construção de um Estado melhor, que assegure serviços de qualidade aos cidadãos, para se transformar no maior defensor do Estado subordinado aos interesses particulares.
Esta polémica política não se baseia em critérios de racionalidade económica, é puramente ideológica e emblemática, tanto para a corrente liberal como para a social-democrata. A corrente social-democrata assenta o desenvolvimento da sociedade num contrato social com os cidadãos em que o Estado fornece serviços públicos a todos os cidadãos, com altos padrões de qualidade, e os cidadãos financiam os serviços com impostos. A corrente liberal e ultraliberal – do PSD actual – defende que o afortunado - “os que têm unhas é que tocam viola” - não pode ser reprimido no exercício da tirania sobre os desafortunados.

Nesta guerra ideológica, vale tudo: ataques de carácter, baixeza política, enxovalho de ministros; pincelado com muita ignorância e falta de memória política. O cartaz da JSD inscreve-se neste ardil. 

8 de abril de 2016

Sai um Panteão

Os deputados da região têm andado numa azáfama mediática. Na última semana o Pedro sobressaiu com um bom número: conceder ao Mosteiro da Batalha o estatuto de Panteão Nacional. Desta vez, sejamos justos, o nosso deputado foi imaginativo - já estávamos fartos da lengalenga à volta do Aeroporto de Monte-Real e da transformação do IPL em Universidade. Poucos se lembrariam de utilizar o mosteiro para sepultar os famosos cá da terra - Narciso Mota, Lemos Proença, Fernando Costa, por exemplo - mas o Pedro tem este feeling político, adquirido no prolongado estágio na Jota, que lhe permite ver em antecipação aquilo que os outros não enxergam. Hoje, a política faz-se destes números que não requerem grande elaboração ou fundamentação, mas têm uma enorme capacidade de atrair “likes” e daí saltarem rapidamente para as páginas dos jornais e os noticiários das rádios e televisões.
Há muito tempo que a acção política abandonou o terreno do concreto, a busca do “bem comum”, a racionalização das relações sociais, para se centrar no fantasioso, no virtual, no efémero, no megalómano ou até no bizarro. Neste terreno, a aptidão do político consiste em saber quais são as paixões que podem ser despertadas com mais facilidade e que mais benefício mediático pode trazer, no imediato, ao mentor.
A coisa vai avançar? Claro que não. Mas isso pouco importa. O número está feito e capitalizado. Se avançasse, lá teriam as nossas criancinhas de fazer visitas de estudo ao mosteiro para conhecer os grandiosos cá da terra.

25 de janeiro de 2016

Notas soltas sobre os resultados das presidenciais

A fé não move montanhas. 
Duas surpresas: (i) o senso comum dos eleitores; (ii) a fé de algumas criaturas políticas.
Numa eleição sem recandidato presidente, invulgar foi só aparecer um candidato potencialmente vencedor, e nove candidatos perdedores. Sinal de que o cargo de Presidente da República se tornou pouco atractivo. Consequentemente ganhou quem tinha que ganhar e perdeu quem tinha que perder.
A esquerda perdeu. A direita ganhou mas chupa no dedo…. O PS – Costa – foi o perdedor que não saiu derrotado.
Marcelo R. Sousa: ganhou, e encontrou o registo para assegurar a reeleição e contornar o tédio que o cargo lhe vai provocar. Hipocondríaco como é, vai fugir a sete pés dos conflitos potencialmente perdedores. A direita não pode contar com ele, Costa também não, mas fica a depender unicamente de si e dos seus “compagnons de route”.
Sampaio da Nóvoa: perdeu mas capitalizou. Vai andar por aí. Em 2026 será candidato potencialmente vencedor.
Marisa Matias – cumpriu o papel (nestas circunstâncias).
Maria de Belém: o “soufflé” era de fraquíssima qualidade – deslaçou-se assim que a temperatura subiu. Penoso.
Edgar Silva: erro de casting. Prova-se mais uma vez que os votos não têm dono.
Vitorino Silva (Tino das Rans): ganhou o campeonato da II Liga - é o menos mau dos maus.

5 de outubro de 2015

Eleições e a arte de formar Governo

Os resultados das eleições de ontem permitem-nos prever o futuro político próximo de instabilidades governativa e partidárias.
O PS vai desempenhar o papel de fiel da balança: para o lado que se posicionar faz maioria parlamentar. Porém, não pode aliar-se ao BE e ao PCP para chumbar um governo da coligação PSD/PP e formar governo alternativo porque o BE e o PCP querem Portugal fora da moeda euro e até da comunidade europeia. Em caso de aliança com o BE e PCP, estes dois partidos iriam ganhar força, enquanto o PS iria perder apoio social.
Também não pode aliar-se à coligação PSD/PP, porque a combateu como alternativa e avisou até que iria chumbar o orçamento que ainda não existe ou que ainda não é conhecido e porque terá de estar na oposição para recuperar apoio social e se constituir como alternativa de governo.
Resta então ao PS viabilizar o governo e o orçamento da coligação, com condições, e apresentar propostas, fazendo maioria parlamentar de esquerda, chumbar propostas da coligação e apoiar as propostas do BE e do PCP, fazendo chumbar ou aprovar leis para limitar, impedir ou impor muitos atos de governação da coligação PSD/PP. Simultaneamente, vai desgastando o governo até provocar eleições antecipadas, talvez após um pouco menos de dois anos de governação.
Ao governo da coligação PSD/PP resta negociar permanentemente com o PS e tentar governar, apesar de algumas leis contrárias que irão ser aprovadas pela oposição. Se os entraves forem muitos, se conseguir passar a mensagem de vítima e se não sofrer o efeito do desgaste, talvez procure o momento certo para forçar o chumbo da oposição e ir a eleições antecipadas.
O BE, partido da moda e dos privilegiados do regime desta democracia, poderá continuar a ganhar mais terreno ao PS, como na Grécia e em Espanha, continuando demagogicamente a exigir mais e a afirmar que se pode gastar mais e mais e a omitir como iria obter as necessárias receitas.
Internamente, o PS continuará dividido e a acreditar que não tem uma personalidade que consiga unir as diversas fações, mantendo, assim, Costa na liderança, apesar dos conflitos.

Enquanto os atores e profetas partidários vão comunicando com as massas e vão apalpando a sua sensibilidade, alguém deveria saber que sem legislação que reduza a despesa pública e que torne Portugal mais competitivo face aos outros países, que reduza a burocracia e os impostos, promovendo o investimento e a consequente criação de emprego, não haverá governo que faça milagres… Sem produção de riqueza não há distribuição de bens.

25 de setembro de 2015

O PS não apanhou a onda

O PS corre sérios riscos de perder as eleições, quando deveria estar, nesta altura, perto da maioria absoluta. Tudo por culpa dos erros cometidos por António Costa e pela direcção do partido. Mas com o Seguro seria pior: a coligação de Direita estaria próxima da maioria absoluta. António Costa deveria ter ouvido mais o Pacheco Pereira e menos os tecnocratas da economia. O combate deveria ser político e não económico. Ao aceitar as premissas da EU e, por conseguinte, da Direita, ficou politicamente manietado. O PS quis fazer as coisas correctamente - cenário macroeconómico (visão redutora da política), programa eleitoral e medidas do programa de governo – quando deveria fazer as coisas correctas. Em política, nomeadamente na oposição, não é necessário fazer as coisas bonitas, mas fazer as coisas certas, não perder tempo (cartuchos) com os meios, mas centrar o discurso político nos fins, fazer o desgaste do governo antes da pré-campanha e um discurso afirmativo, pela positiva, durante a campanha. Infelizmente, o PS tem feito as coisas ao contrário. Perdeu muito tempo a acusar a coligação de Direita de não ter programa, quando ninguém se importa com isso, porque toda a gente, apoiantes e opositores, sabe com o que conta da Direita: a mesma política. A Direita tem uma coisa mais forte do que um programa eleitoral: uma praxis política e uma agenda política consistente, aplicada sem grandes hesitações (se exceptuarmos a falhada redução da TSU) e nenhuma inflexão. O PS deveria ter combatido, empenhadamente, a praxis governamental – e havia muito por onde o fazer - em vez de esperar o seu desgaste. Não o fez e, pior do que isso, desgastou-se no debate público das propostas emblemáticas do seu programa eleitoral – Redução da TSU, Financiamento da Segurança Social, Impostos (Iva da Restauração), Contrato Trabalho Único, etc. – que se mostraram ininteligíveis pelo cidadão de instrução média e/ou de duvidosa eficácia política, económica ou orçamental. 
Sendo expectável que as sondagens não estão a captar a realidade submersa, pode haver surpresas, mas não resta tempo para o PS apanhar a onda.

17 de setembro de 2015

Esquerda? É a Natureza Humana

Em Portugal, apesar de a Direita ter submetido o País a um violento programa de austeridade, com as consequências conhecidas – empobrecimento, desemprego, pobreza e emigração – o PS corre sério risco de perder as eleições.
Na Europa, nos países mais afectados pela crise financeira e pelas políticas de austeridade, a Esquerda raramente conseguiu capitalizar o descontentamento; e nos países menos afectados pela crise, a direita conservou tranquilamente o poder.
O padrão de comportamento dos eleitores no espaço europeu deveria inquietar os políticos de Esquerda e os cidadãos com consciência de esquerda. Os factos mostram que a Esquerda, apesar da sua policromia, não é atactiva, nomeadamente quando o eleitorado (de esquerda) precisa mais dela. O assunto inquieta muita gente e tem proporcionado muito debate, mas as explicações são geralmente pouco consistentes e raramente vão além do perfil do líderes ou da pertinência de uma ou outra proposta.
Mas a vida ensina-nos que a explicação para os enigmas sociais ou políticos está nos clássicos da literatura ou nos filósofos que estudaram essas matérias. Lendo-os, percebe-se que a explicação para determinados fenómenos que nos parecem estranhos está nas profundezas da Natureza Humana, que nada ou pouco mudou desde a Antiguidade; e, por conseguinte, continua a determinar o curso da Humanidade, oscilante mas improgressiva, variável mas inaperfeiçoável.
Os traços mais marcantes da Natureza Humana são o egoísmo e o medo. São eles que determinam a esmagadora maioria das nossas escolhas, tomadas com base em desejos primários e crenças sem grande base racional, corrigidas esporadicamente quando confrontados com a realidade dos factos. No outro lado da Natureza Humana encontramos a fraternidade, mas sem a predominância do egoísmo e do medo.
Isto explica, em grande parte, a natureza das escolhas políticas nas duas fases dos ciclos económicos. Na fase recessiva, as escolhas são determinadas essencialmente pelo pior aspecto da natureza humana e aquela que mais necessita ser modificado para que o mundo possa ser mais saudável: o egoísmo. Na fase expansionista, onde a abundância atenua o egoísmo e o medo, vem ao de cima o lado mais nobre do ser humano e as escolhas tendem a privilegiar o interesse público, a justiça e a equidade.
O problema é que a política, em vez de procurar atenuar o que há de pior na Natureza Humana, aproveita-se disso.

21 de março de 2015

As delícias da nomeação

Meus caros amigos, atentem nesta noticia, que é um mero exemplo de uma triste realidade portuguesa:

António Brigas Afonso assume liderança do Fisco na quarta-feira

Esta noticia é de 15 de Julho de 2014. É uma nomeação politica, como tantas outras. Temos destas coisas todos os dias, e a todos os níveis da administração pública, seja ela central ou local.
Muito poderia ser dito sobre as nomeações. São justificadas, pelos seus defensores, por serem para o desempenho de "cargos de confiança politica". Outras nomeações formalmente diferentes mas iguais na sua essência, são aqueles "contratos de prestação de serviços" que tanto se assinam por esses (estes?) municípios fora.
Ora, mesmo dando de barato que tal processo, só por si, não é criticável (já que essa discussão daria para um rio de argumentos), o que me parece indesmentível é que ele, uma vez iniciado, deve ser levado até ao fim. E como tal, deve produzir consequências quando as coisas correm mal.
Para tentar ser mais concreto, vou exemplificar, usando o caso acima identificado: a ministra nomeia este sr. António Brigas Afonso (este e nenhum outro... tinha que ser ESTE), ao invés de levar a que o cargo entre numa natural progressão de carreira, porque o cargo exige CONFIANÇA POLITICA!
Muito bem. Senhora Ministra, mas tem que ser mesmo este cavalheiro? "Sim, este e só este... este é que é o special one, aquele em quem eu confio, do ponto de vista técnico, pessoal, politico...".
Ora, acontece que as coisas por vezes não correm bem. O homem fez asneira, e o governo limita-se a dizer que "ele fez muito bem em demitir-se" e a fazer uma cara de virgem ofendida.
Fica mal, meus amigos. Fica muito mal, até porque há menos de um ano, este mesmo governo nos obrigou a pagar o ordenado a este senhor porque "este é que é o tipo que tem a minha confiança".
No mínimo, é preciso assumir o erro da escolha. Mas bom mesmo era que o aval que lhe deram para o contratar, fosse efectivamente cobrado agora, que se viu o erro. Só assim se tinha (a meu ver) legitimidade para se continuar a nomear pessoas. É que isto de cometer erros com o dinheiro dos outros, é muito bonito, e particularmente fácil.
O exemplo dado foi para pegar num caso actual, que todos reconhecem. Mas isso também se passa por cá, a nível municipal. Vamos começar a apontar os casos?

17 de março de 2015

Pombal 2020


E se a visita de Maria Luís Albuquerque se compreende e se saúda, a iniciativa levada a cabo pelo PSD no Louriçal no passado Sábado, apesar de louvável, tem aspectos difíceis de entender. 

Primeiro a parte boa. A Europa 2020 é a estratégia de crescimento da UE para a próxima década. Portugal não pode, de maneira nenhuma, passar ao lado dessa estratégia e, como tal definiu um acordo de parceria com a Comissão Europeia que designou por Portugal 2020. Dar a conhecer o Portugal 2020 - e em particular o Programa Operacional Centro 2020 - às nossas empresas e instituições é uma iniciativa louvável, uma vez que as oportunidade de financiamento são muitas. Além do mais, existe uma vontade política na Europa de financiar os "países com baixo desempenho", lote em que Portugal se encontra juntamente com o Luxemburgo e todos aqueles que aderiram à UE depois de 2004. 

Agora, o que já não se percebe é porque é que o Governo delega a promoção e divulgação deste importantíssimo programa no PSD. Será que quer capitalizar ganhos político-partidários de uma iniciativa que, claramente, não lhe pertence? A estratégia Europa 2020 que enquadra todos estas programas regionais não pode ser partidarizada! O dinheiro que vai ser distribuído - e é muito - é de todos os contribuintes europeus e, por isso, o mínimo que se exige é que sejam as instituições que nos representam que nos informem destes programas.

Parece que também foi constituído um projecto Pombal 2020 (que tem uma página web), coordenado por David Mota (investigador). Não conheço a pessoa em causa - apesar do apelido me ser familiar - e, sinceramente, não sei quem o nomeou. O que sei é que se um dos objectivos do projecto Pombal 2020 for o de ajudar as empresas e instituições a compreender e a aceder à informação do programa Centro 2020, exige-se que ele deixe de estar sob a alçada de uma força partidária e que seja assumido pela Câmara Municipal.

Maria Luís Albuquerque em Pombal


A convite da JSD distrital de Leiria, a Ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, desloca-se amanhã a Pombal a fim de debater "sobre os mais variados temas da agenda política nacional". Citando Cavaco Silva: já "cheira a pré-campanha eleitoral".

Maria Luís Albuquerque é um peso-pesado da política nacional e, mesmo sendo previsível o conteúdo da sua intervenção, o debate que irá decorrer amanhã, pelas 21h, no Teatro-Cine é, à nossa escala, um grande acontecimento político. Mas mais do que isso: o facto da Ministra ter aceite vir a Pombal debater com os nossos jovens é bem revelador do crescente protagonismo que a JSD de Pombal tem vindo a assumir no contexto nacional. Temos homens!

31 de dezembro de 2014

Pedro, porque te esqueceste de mim?

Quando soube que enviaste um exemplar cartão de boas festas aos pombalenses fiquei tão orgulhoso por ti, que nem imaginas. Interroguei-me, até: como foi o Pedro lembrar-se disto? E ser assim tão generoso, tão simpático, tão otimista? Conheço-te o suficiente para saber que és um cavalheiro, mas nunca pensei que a tua generosidade fosse tanta. Imagino o que te custou mandar fazer e levar aos habitantes deste vasto concelho tão valiosa mensagem. Bem sei que para ti o material não conta muito; mas, porra, isto sai caro, e os tempos são de vacas magras.
A tua mensagem de boas festas está um “must” – tem lá tudo o que um humilde mortal ambiciona: felicidade, saúde e sucesso. Tudo o que és e tens. É verdade que é um pouco redundante, mas para a humilde criatura, que não distingue muito bem as dimensões da bem-aventurança, está perfeita.
Diria, ainda, mais bem de ti, se não te tivesses esquecido de mim. Não compreendo a discriminação a que votaste este admirador, pombalense, votante, pai de família e bom pagador de impostos. Foi esquecimento? Perdeu-se no correio? Achas que não mereço? Gostava de saber.

Feliz 2015. 

26 de janeiro de 2013

Demissão de Paulo Júlio

Paulo Júlio pediu a demissão, e foi aceite, do cargo de secretário de Estado da Administração Local, porque foi acusado pelo Ministério Público de ter beneficiado um familiar, num concurso para chefe de divisão, em 2008, quando era presidente da câmara de Penela (coisa que se faz por outras bandas, às descaradas).
Fica, no entanto, uma dúvida: a demissão de Paulo Júlio revela sentido de estado ou pressa em abandonar a RATA?

24 de setembro de 2011

Laisser faire, laisser passer!

Entinga-se a IGAL, que é incómoda. O (des)governo das autarquias locais fica agora com a rédea um pouco mais solta. Para mal dos nossos pecados...
Para os mais curiosos, recomenda-se uma vista de olhos pelo site do IGAL. É possivel ver as inspecções que já foram feitas, por distrito/concelho. Pombal está isento!