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8 de maio de 2024

O passeio dos alegres




Há uma marca deste executivo que já fica para a história: o passeio, em forma de roteiro pelas freguesias, disfarçado de "visita de trabalho". Pedro Pimpão foi 'beber' alguns tiques popularuchos de Narciso Mota (que intensificou uma iniciativa criada por Armindo Carolino, no século passado) e assim espalha a sua magia. É ele próprio a personificação da 'inspiração para uma vida mágica', que absorveu do mentor. 
Vista de longe, a ideia parece boa: o executivo vai ao concelho real inteirar-se dos problemas reais, mete vereadores, técnicos, presidentes de junta e quejandos num autocarro, e seguem felizes, pela estrada fora. Faça chuva ou faça sol, de mãos nos bolsos ou braços cruzados, não há semana sem passeio. Ele é Carriço, Carnide, Almagreira ou Abiul, ele é serra e é praia, é a vida a acontecer pelas freguesias, numa roda vida que pouco diz ao pacato cidadão. Se não tiver Facebook, só saberá desses movimentos se passar os olhos pelos jornais, que replicam fotos e declarações, embora não de forma tão aprimorada como a rádio, que acumula imagens nas suas redes sociais, como se de informação se tratasse. 
Os desertos de notícias (estudados ao pormenor pela Universidade da Beira Interior, em 2022) hão-de debruçar-se em breve sobre esse fenómeno: territórios que só aparentemente não estão ameaçados. Ou lembra-se o amigo leitor de alguma notícia (de verdade), incómoda para o poder, com pendor de denúncia, nos últimos anos? Ah, para 'dizer mal já há o Farpas'. 
Detive-me, porém, nas imagens divulgadas hoje, um total de 21 fotografias do passeio. No tempo em que os animais falavam, havia nas Redacções uma regra: evitar o 'Portugal sentado' - fotos de salas ou bancadas de gente acomodada. Depois vieram os gabinetes de imprensa com mais gente que qualquer Redação, nalgumas terras (e as redes sociais, esse maná inesgotável). Na nossa, não é preciso ir tão longe. 
O bom das fotos é que quase sempre falam. E as de hoje, da visita à freguesia de Almagreira, mostram que o (nosso) mundo mudou. Dizem-nos que a alegada 'Oposição' está tão empenhada nestas visitas como o poder. Houve um tempo em que o PS/Pombal organizava as suas próprias visitas. Procurava mostrar o que estava por fazer, e apontava soluções. Agora chegámos ao cúmulo do partido que (hipoteticamente)quer ser poder não só acompanhar a caravana com gosto, como até publicar a propaganda nas suas redes sociais! E ai que de quem aponte um defeito, que a cópia, por ser sempre pior que o original, copia também o pior da gestão de redes: responder a quem está descontente. Aqui chegados, concluímos que é muito mais o que os une que aquilo que os separa. Depois não adianta chegar à noite das eleições e levantar um brinde 'à estupidez humana', como aconteceu nas últimas, de má memória.
À frente nesta corrida, vai João Pimpão. Verdadeiro camisola amarela, não só os manda à fava (e eles gostam) como descreve bem a coisa numa palavra: incrível. 

*fotos do Município de Pombal e Facebook da Rádio Cardal 

5 de agosto de 2020

O Bodo na imprensa local: quem o viu e quem o vê!

A propósito de um texto que escrevi, a pedido do Jornal de Leiria, sobre o Bodo, dei por mim a consultar os jornais locais no Arquivo Municipal de Pombal. Estava à procura de notícias do início do século XX, para saber se a gripe Espanhola tinha conseguido impedir a realização das Festas. Pelos visto, tal não aconteceu.

Dessas leituras respigo algumas pérolas que evidenciam claramente o seguinte: em Pombal, o jornalismo do início do século XX dá 10 a 0 ao do início do século XXI. A coragem que havia na imprensa local, contrasta com o tom frouxo e servil dos jornalistas que agora (não) temos. Este facto também me leva a concluir que os pombalenses de então eram bem mais exigentes do que a maioria de nós face ao poder instituído. 



Festa do Bodo
Contra o que parecia depreender-se da leitura do edital mandado afixar pela Exma Câmara Municipal para a arrematação das festas do Bodo, foram apresentadas diferentes propostas para cada um dos diversos serviços a executar. Fez-se o que sempre nos pareceu razoável. O que não é razoável, é que indicando o edital que as propostas deveriam entrar na Secretaria da Câmara até ao dia 10, se recebessem propostas ainda no dia 11. O que também nos não parece razoável é que essas propostas, que até à sua abertura em sessão deviam constituir segredo, fossem contra todas as praxes estabelecidas abertas antes de apreciadas e talvez discutidas e até antecipadamente patrocinadas! (...)

Pondo de parte a proposta de Júlio Severino, temos de reconhecer que das restantes propostas a mais vantajosa era a do Sr. Baptista, porque além de ter mais lumes fazia uma diferença de 10$000 réis. Pois contra toda a expectativa, a proposta do Sr Baptista foi rejeitada, entregando-se a ornamentação e iluminação ao Sr Martins!! Porquê? O que levaria os ilustres edis a inclinar-se para esta proposta, quando é certo que o Sr. Baptista se comprometia a fazer precisamente a mesma coisa ou ainda mais por menos 10$000 réis do que a proposta do Sr. Martins? 

Francamente não compreendemos! Mas também não merece a pena estar a matutar nestas manigâncias. Pois se já o tal má língua nos dizia outro dia: - mais vale cair em graça do que ser engraçado!



As Festas do Bodo
Nos próximos dias 29, 30 e 31, devem realizar-se nesta vila as costumadas e tradicionais festas em honra da Senhora do Cardal. O programa é o mesmo dos anos anteriores. Em Pombal, triste é dizê-lo, não há inovações. A festa é este anos a expensas do nosso estimado amigo e assinante Joaquim António dos Santos Júnior. 



O Marquês e as festas do Bodo
Pasmai ó gentes! Recortamos do programa das festas que aí vão realizar-se este bocadinho precioso: "Durante os dias da festa estará exposto ao público na sala das sessões da Câmara Municipal o caixão onde estiveram os restos mortais do Marquês de Pombal" Isto é supinamente ridículo! Mais do que isso - totalmente estúpido e degradante! O caixão do grande Marquês de Pombal em exposição numas festas puramente reacionárias? 

Digno de ver-se
Continua exalando um fétido repugnantíssimo, oferendo a quem por ali passa um triste e nauseante espectáculo e a quem por ali vive um verdadeiro perigo para a saúde, o Ribeiro da Ponte Pedrinha. Se há por aí alguma alma que sinta amor pela terra e que não queira mostrar a nossa pouca dedicação pela limpeza aos forasteiros, trate-se daquilo quanto antes, para que em ar de troça, aqueles que nos visitem não nos venham perguntar se o ribeiro assim também faz parte das nossas belezas naturais e artificiais, como o castelo, o forno, o caixão do Marquês, o parque, etc, etc.



O Bodo de Pombal
Lá se passaram aqueles tradicionais dias de festa, que este ano foram dias de festa... pobre, tendo custado dinheiro de festa rica. Missas e sermões; sermões e procissões; novenas e foguetões; fracas iluminações e que nos conste com fartura nada mais nestes dias de tantas expansões.  

O Bodo de Pombal! Quem o viu e quem o vê! Quem o viu nos tempos em que havia gosto e se primava por em tudo o demonstrar. Quem o viu nos tempos em que havia amos à terra, superior ao mercantilismo, e o vê agora! Que diferença! (....) 

Cremos que é esta a opinião geral e registamo-la fazendo eco com o nosso protesto dos protestos dos outros. Pombal exige que melhor o honrem e que tanto não o aviltrem.

29 de junho de 2020

Pés-de-micro


Todos sabemos que a imprensa regional é muito vulnerável face ao poder político. O facto das Câmaras Municipais serem os principais anunciantes locais tem favorecido relações de subserviência que em nada prestigiam jornalistas e políticos. No caso de Pombal, esta situação é particularmente grave e o Farpas, em 2012, colocou à discussão o tema “Imprensa de Pombal: morreu ou mataram-na?” num dos seus primeiros debates públicos. 

Não vou repetir o que já dissemos aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui. É triste constatar que, com o passar dos anos, nada se tenha aprendido. Mas, depois da recente entrevista de Diogo Mateus à Rádio Cardal, não posso deixar de voltar ao tema. Por muito respeito que me mereçam os profissionais da rádio, aquilo a que assistimos não foi a uma peça jornalística; foi um exercício de auto-promoção do presidente da Câmara com a conivência do seu entrevistador. 

Um presidente da Câmara que use a comunicação social a seu bel-prazer,  fazendo uso da sua posição dominante para aniquilar o jornalismo livre, não respeita a democracia. É um déspota. Um jornalista subserviente, que não confronte os seus entrevistados, permitindo sistematicamente que eles digam o que bem lhes apetece, não cumpre o seu papel. É um pé-de-micro. 

20 de dezembro de 2019

Muito mais do que apenas fumaça


Não são de Pombal mas foram o único projecto jornalístico que deu visibilidade aos 10 anos do FarpasGanharam, recentemente, o Prémio de Ciberjornalismo, do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber), da Universidade do Porto, pelo segundo ano consecutivo.  Antes disso, foram galardoados com o prémio podcast do ano, na primeira entrega dos Prémios Podes, os melhores podcasts portugueses.

Quando estiverem connosco, em Abril de 2018, tinha acabado de ganhar uma bolsa de apoio no valor de 80 mil euros atribuída pela Open Society FoundationsMas não se ficaram por aqui. Já este ano, voltaram a ser galardoados pela mesma fundação com uma bolsa de 175 mil euros e a sua série documental “Palestina, histórias de um país ocupado” foi a vencedora do prémio Gazeta Revelação 2018, uma das categorias dos Prémios Gazeta, os mais importantes do jornalismo nacional, atribuídos pelo Clube de Jornalistas.

Afirmam ser um projecto jornalístico independente, progressista e dissidente. São isso e muito mais. São muito bons e merecem o nosso apoio e o meu forte aplauso.

30 de maio de 2019

O Tal Canal


A pombalTV faz este ano 5 anos de existência. Passado todo este tempo, continuo sem perceber ao certo que canal é este -  que não tem emissão regular e cuja maioria dos posts, à laia de “notícias” são textos escritos e copiados de outros meios de comunicação. Será então um videoblog sobre curiosidades locais ou um jornal online? Algo mais? 

Expliquem-me por favor, porque um canal de televisão certamente não é.
Durante algum tempo perguntei-me como poderia sobreviver este “canal de televisão” sem conteúdos próprios e sem uma emissão regular. Não existe nada de original que possa cativar um audiência a não ser o esporádico vídeo sobre as actualidades do concelho. E como sobrevive a pombalTV apenas com publicidade residual? Algo de estranho se passava, ou então seria este canal local um fenómeno de estudo e um caso único a nível mundial. Por essas razões decidi investigar.

Ao analisar alguns documentos oficiais disponibilizados online, no site http://www.base.gov.pt, pude facilmente descobrir qual a principal fonte de rendimento deste “canal de televisão”.
Desde a sua origem que a principal fonte de rendimentos da pombalTV é precisamente a Câmara Municipal de Pombal. Este Canal/Videoblog/Não Sei o Quê, entre 2014 e 2017 recebeu qualquer coisa como 27.443,76€ para a transmissão de Assembleias Municipais, Reuniões de Câmara e transmissão de outros eventos  não especificados.

Desse total, 12 821,21€ foram para a Criação da Agenda Municipal. A CMP paga um balúrdio por um formato pré feito onde se alteram mensalmente os textos dos eventos, e as fotos ou videos, mas se mantém toda uma base pré criada. Alguns destes “templates” encontram-se facilmente online a baixo custo em qualquer website de produção audiovisual que venda conteúdos "pré fabricados". Trabalho mínimo, lucro máximo.

Em Maio de 2018 mais um contrato por ajuste direto no valor de 4 218,00€ uma vez mais por Serviço de Transmissão de Imagens de Eventos Municipais, duração 365 dias, em relação ao trabalho em si, nada especificado uma vez mais.

Já este ano,  a 21 de Maio de 2019, foi feito novo contrato com a pombalTV no valor de 16.872,00€, relativo a, uma vez mais, Aquisição de Serviços de Transmissão de Imagem, um contrato bastante mais chorudo  que o anterior e com a duração de apenas 214 dias. 

Mas afinal contrata-se o quê especificamente? Quando e como? Que transmissão? Onde está ela? Online onde? Não existe divulgação pública destes concursos? É para depois afirmarem por escrito que não havia mais ninguém a participar? Os documentos existem foram aprovados e estão assinados. Sem se dar conhecimento à população é difícil realmente aparecer concorrência.  Não servem o Facebook e as outras plataformas oficiais para isso também? Para informar os cidadãos? Porquê tanto secretismo?

A CMP escolheu a pombalTV porquê? Pelo conjunto de profissionais que a compõem? Pelos equipamentos de última geração que possui? Pela larga experiência no meio? Pelo impressionante currículo do director do canal? Ou será realmente o preço do “pacote”?
Não me parece que nenhuma dessas razões seja suficientemente válida para deixar a concorrência para trás, cega, surda e muda. Neste momento a equipa da pombalTV é composta exclusivamente  pela Dona/Gerente/Jornalista/Comercial/Camara/Diretora/Editora/Produtora, Ana Rita Silva Ribeiro,  cujo percurso profissional se resume à criação e manutenção da pombalTV.  

Pessoalmente conheço mais de uma dezena de profissionais no concelho, com trabalho reconhecido na área, com todo o equipamento necessário e conhecimento prático que poderiam facilmente assegurar alguns destes serviços contratados exclusivamente à pombalTV.
Será que alguém me pode explicar qual foi a razão para este “contrato às escuras” e nada transparente? Tudo isto foi feito sem concurso público e nem sequer foi dado conhecimento em reunião camarária. Parece-me assim que se trata mais uma vez de um caso de “compadrio” que  ignora  completamente a existência de outros profissionais e empresas do ramo.

Fica aqui uma última questão: não possui a CMP um Gabinete de Comunicação?
Sei por experiência profissional que ficaria mais barato ao contribuinte adquirir os equipamentos necessários e dar formação aos técnicos da CMP (como fazem as outras câmaras da região) para realizar esses trabalhos de captação e transmissão de imagem que subcontratar outra empresa. Atenção que quando digo mais barato falo em dezenas de milhares de euros. Porque é que a CMP não o faz? Qual o interesse no modelo actual? Não defende certamente os interesses do contribuinte…

Uma sugestão final: mude-se o nome da pombalTV para CMPombalTV, assim talvez a coisa seja mais facilmente explicada e justificada.
Falamos de um orgão de comunicação social independente, mas afinal onde está a imparcialidade e transparência do mesmo quando este é financiado quase na totalidade pela Câmara Municipal e especialmente através deste tipo de contratos?
Continuo a achar tudo isto muito estranho, talvez alguém me consiga explicar o que realmente se passa afinal com o “tal canal”?

7 de maio de 2018

Mais dignidade!


Só há dois factos interessantes a saber num prémio literário: quem são os vencedores (os verdadeiros protagonistas) e qual o júri (quem prestigia o  prémio). No caso do “Prémio Literário António Gaspar Serrano” é tudo o que não ficamos a saber pelos comunicados da Junta e as notícias da comunicação social.

Em Pombal, os vícios repetem-se. Os meninos da Junta estão apenas interessados em promover-se, organizando galas bacocas onde podem tirar selfies para o facebook fazer discursos pedantes. A comunicação social não revela qualquer curiosidade, não tem espírito crítico, não quer saber. Faz alarde da iniciativa da Junta e despreza quem devia promover.

Que eu saiba, os nomes dos vencedores apenas foram publicitados na primeira edição. António Serrano, vulto maior da vida pombalense, merecia que o evento fosse tratado com outra dignidade. 

11 de fevereiro de 2018

Ajudas deturpadas

Anteontem, na AM, Henrique Falcão insurgiu-se contra a deturpação que um pasquim da terra praticou ao titular: “oposição chumba orçamento de 38 M€”. Na verdade, o orçamento foi aprovado por maioria (grande).
A deturpação não foi inocente: o pasquim sabe bem o que fez: procurou, mais uma vez, ajudar uns, rebaixando outros (pensam eles). Neste caso, por falta de jeito congénita, fê-lo mal: exagerou na dose. Mas, por este caminho, a medalha de ouro está garantida.

PS: Não se percebe o agastamento de Henrique Falcão (ou do CDS): votou favoravelmente o orçamento; e não é oposição.

3 de fevereiro de 2018

Os guardiões do status quo

A comunicação social em Pombal está pouco interessada no debate político. Aliás, a comunicação social em Pombal está pouco interessada em tudo o que transcende os comunicados do Município, a actividade frenética de Pedro Pimpão e dos jogos da bola ao Domingo. O debate político é desconfortável, causa polémica, obriga à tomada de posição, não é inspirador nem mágico. 

No que diz respeito a jornalismo, as nossas rádios e jornais andam a brincar ao faz-de-conta. O amadorismo é grande e a vontade de assumir o papel de quarto poder é nula. Numa terra previsível, onde quase nada acontece fora da órbita Paços do Concelho, um jornalista empenhado tem obrigação de estar atento ao que de novo acontece, sobretudo quando isso corresponde a legítimas preocupações de muitos dos seus concidadãos. 

Não tenho a pretensão de considerar a actividade do Farpas como meritória. O facto é que, ao fim de dez anos, o blogue tem sabido sobreviver em terreno hostil. O debate que promovemos para discutir os investimentos anunciados pela Autarquia para os Poios, Redinha, foi muito participado e plural. Interessou aos partidos políticos, interessou às associações locais, interessou aos pombalenses que encheram o Café-Concerto. Só não interessou à nossa comunicação social. 

Não se pode, simultaneamente, bajular o poder e reivindicar o estatuto de jornalismo independente. A comunicação social em Pombal escolheu o seu caminho. O poder atribuí-lhe as respectivas medalhas de mérito.

16 de novembro de 2017

Os dias da rádio, das medalhas e outros contentamentos


As duas rádios locais que sobrevivem em Pombal comemoraram no ano passado 30 anos. Nessa altura o facto passou quase despercebido ao público, mas este ano a Câmara quis condecorá-las, numa linha coerente com a massagem que Diogo Mateus já lhes fizera, no discurso da tomada de posse, como aqui escrevemos. 
É certo que a atribuição de medalhas se banalizou de tal forma que o caso poderia, à partida, nem merecer qualquer reflexão. Mas merece. Porque ambas passaram dos 30 com o suor e a dedicação de muita gente, nem todas as contas estão saldadas, e não são as medalhas que pagam contas. E porque a um órgão de comunicação é exigida outra responsabilidade que não ao cidadão comum. Por isso, agora que as medalhas estão arrumadas num canto qualquer e continua tudo na mesma, como a lesma; agora que a poeira assentou e as fotografias não passam de memória na espuma dos dias, vale a pena reflectirmos sobre o que são as rádios, o que fazem, com quem e para quem. E não, não precisa de vir nenhum(a) iluminado(a) mandar postas de pescada pela blogosfera. Esse é um exercício que está ao alcance de todos e de cada cada um: ouvir. Ouvir a rádio desde manhã até à noite. Uma vez ao dia, que seja. Como acontecia dantes, quando a audiência era palpável, quando a hora do noticiário era sagrada, com os departamentos de informação eram autênticas redacções, com jornalistas profissionais; quando as grelhas de programação tinham eco nas ruas, quando toda a gente sabia que programa passava, feito por quem e a que horas; quando havia departamentos comerciais, quando a economia respirava com fôlego e o trabalho das rádios era levado a sério, a começar por dentro. Depois disso, podemos falar. 
Diz a Câmara que a sessão solene do Dia do Município "serviu também para homenagear as duas rádios de Pombal, enaltecendo a Rádio Clube de Pombal (Medalha de Mérito Municipal Associativo, prata) e a Rádio Cardal (Medalha de Mérito Municipal Empresarial, prata) pelo seu contributo para a promoção e solidificação do debate público, na consolidação da Democracia e como baluartes das mais essenciais liberdades, a de expressão e a de informação". A sério? Chega a ser comovente ver o poder político enaltecer desta forma os media locais, na exacta medida em que é de valor ver os peitos esticados para a condecoração. Os mesmos que se queixam da desigualdade de tratamento, da falta de transparência na aquisição da publicidade institucional, da desonestidade patronal, do incumprimento, da falta de meios, da falta de gente. Mas Pombal é este oásis em que o politicamente correcto tem de ser imagem de marca, em que o retrato tem de sair bonitinho, tapando o sol com a peneira. Quantos postos de trabalho se criaram nos últimos anos? Quantos programas? Que projectos?
Nenhuma empresa e/ou instituição de comunicação está livre das dificuldades que há anos tomam conta do sector. Da mesma maneira que, pelo andar da carruagem, ninguém está livre de ser apanhado no rol das medalhas. Mérito? Aqui chegados, resta-nos concluir que 'tudo está no seu lugar, graças a Deus'.

10 de novembro de 2017

Medalhas de (de)Mérito

A Câmara Municipal de Pombal (CMP) atribuiu a Medalha de Mérito Empresarial (prata) à Rádio Cardal, “pelos mais de 30 anos de vida e pelo trabalho desenvolvido na área da comunicação social”.
Recentemente, a CMP foi distinguida com o 6.º lugar num ranking municipal sobre Transparência, e logo de seguida arrasada pela Inspecção Geral de Finanças por desrespeitar de forma grosseira os princípios da legalidade, da concorrência e da transparência na contratação pública
O Mérito Empresarial está para a Rádio Cardal como a Transparência está para a CMP.
Apresentar a Rádio Cardal como exemplo do Mérito Empresarial é ofensivo para todo o tecido empresarial do concelho, e gabar-lhe o trabalho desenvolvido na área da comunicação social, quando há muito não a faz (ou a faz de forma irregular), é desfaçatez pura.
Quando o mal remendado gaba o roto, e o roto propagandeia o mal remendado, perdeu-se definitivamente o sentido do ridículo.
A distância entre a bondade e a maldade é curta - ténue até -, ao contrário daquilo que o senso comum apregoa. A distinção que a CMP fez à Rádio Cardal não foi uma bondade, foi uma MALDADE. 

18 de março de 2015

O homem da propaganda

O mi(ni)stério da propaganda da CMP está com uma densidade populacional ao nível do Bangladesh.
O nome não é bem esse, em Pombal a coisa travestiu-se de "Gabinete de Apoio à Presidência". É um GAP (acrónimo feliz, e que poderia suscitar uma torrente de trocadilhos)!
A noticia aparece melhor explicada aqui, e revela aos mais distraídos os restantes nomes a que se junta este profissional com passado na propaganda (embora médica - talvez o executivo esteja convalescente), e passado e presente ainda mais determinante para a função, enquanto filiado no PSD, dirigente concelhio do PSD e membro da AM. Ficamos então com a seguinte equipa de "apoiantes do presidente" para estas coisas das notícias: Jorge Gaspar Cordeiro, Anselmo Câmara, João Pimpão e Andreia Marques. Quatro elementos! Isto numa terrinha em que a comunicação social é "do regime" ou não existe, e é menos competente do que aqueles que a estão a filtrar para o presidente. O exagero é flagrante. Ou a contratação talvez se deva a insatisfação face ao trabalho desenvolvido pelo actual equipa.
Há aqui três aspectos que julgo merecerem atento olhar, e que me preocupam:
1 - Sendo pessoas pagas com o dinheiro dos impostos de todos nós, quero (queremos?) que sejam produtivos. Estão definidas hierarquias? Para além da hierarquia natural nos paços do concelho (em que qualquer funcionário ou eleito é subalterno do presidente), há um "chefe" de tão vasta equipa?
2 - Qual a razão para tanta preocupação com a imprensa? Essa preocupação geralmente tem intuitos "controleiros" e é própria de outros tipos de regimes que não aquele que elegeu este executivo.
3 - O Anselmo Câmara é filiado no PSD? Se não for, é o único nestas condições, em tão requintada equipa. Será essa a razão para ter sido o sacrificado na sua avença?

6 de fevereiro de 2015

Há opiniões mais brilhantes que outras

Mais uma vez, o Pombal Jornal!
Quem é a Letícia Marques? Não a conheço, mas gostava de conhecer. Na secção "Pombal Leitores", responde a Pedro Brilhante com inteligência e "tino". Começa por dizer, no primeiro parágrafo, que "...uma pessoa de sucesso não deve dar erros ortográficos, ainda mais se se trata de uma pessoa muito opinativa". Concordo, e acrescento: os méritos que contribuem para que um jovem se faça politico, estão completamente desvirtuados. Os maus políticos que temos, resultam em boa parte de um processo perverso de selecção natural. Saber escrever com alguma correcção, por exemplo, não faz um politico. Mas ajuda! 
Igualmente do meu agrado foi o desmontar da análise (também ela turva, a meu ver) que Pedro Brilhante fez, na edição anterior, ao comparar os governos de Sócrates e Coelho. Claro que Brilhante tem legitimidade para a fazer, e é de bom tom que defenda a sua dama - isso é o normal quando se assume uma posição, e eu também não sou isento nas apreciações politicas que faço -, mas com a mesma legitimidade me é dado discordar. E discordo, principalmente, do que parece ser a conclusão de que o governo de Passos é bom, por ser "menos mau" que o de Sócrates. Um governo "menos mau" só pode alegrar uma voz amplamente partidarizada. Para o comum cidadão, como eu, não traz grande conforto comparar a m%&a com o c@§(#)%ão, ainda que uma cheire menos mal que a outra.
O meu cumprimento, Letícia!

Je suis Pombal Jornal

Ponto prévio: ter imprensa local é SEMPRE melhor do que não a ter. Por aí, desejo longa e próspera vida ao Pombal Jornal.
Agora que está este ponto esclarecido, deixem-me perguntar: mas o que é isto, meus amigos?
Noticiar coisas como esta é patético, na minha opinião. Desadequado, no mínimo. Mas enfim...
Uma noticia sobre "o amor que a cor não separou" é, a meu ver, profundamente racista, pois parte do princípio que seria expectável que uma mulher branca e um homem preto tivessem que estar separados por esse facto.
Mas o topo do mau gosto é publicar uma fotografia (não a reproduzo aqui por pudor) de uma mulher vestida de preto, e com a seguinte legenda: "Lucília Bregieiro junto ao saco com as ossadas do pai que ficaram esquecidas na cozinha onde deflagrou o incêndio". Não sei como rotular este momento jornalístico. Também não sei se a senhora fez pose junto ao saco com as ossadas do pai, ou se a fotografia foi tirada sem preparação. E não sei qual das duas hipóteses me escandaliza mais.
Muitas (mas nem todas são boas) razões para comprar o Pombal Jornal. Tantas que voltarei a este tema nos próximos dias, com mais apontamentos.

22 de fevereiro de 2014

Praxado

Definitivamente, a praxe está a tornar-se um vírus. Evito vir aqui para não ser praxado com a praxe. Procuro desenfastiar-me com uma palestra sobre “o poder da comunicação” – do presidente da ERC – e sou praxado com 310 diapositivos de fotos de grafitis.

Um fastio, regado com muito bafio.

29 de janeiro de 2014

Vem aí a Pombal TV

Já tem página no Facebook e roda por aí em recolha de imagens e contactos multimedia. As rádios locais marcaram os anos 80, os jornais os anos 90, e há muito tempo que não tínhamos nada de novo na área.
A iniciativa parte de dois jovens da terra, cheios de projectos e sonhos. Oxalá os concretizem e a terra os mereça. Porque é preciso é criar desassossego...

24 de outubro de 2012

Sugestão em tempos de crise


Fica o repto à sociedade pombalense, principalmente numa altura em que a crise matou o nossa imprensa escrita. Ou não terá sido a crise?

12 de setembro de 2012

Mais um prego



Acto: Pub. - Sentença Declaração Insolvência 

Referência: 3178595 
Processo: 1220/12.0TBPBL, 2º Juízo 
Espécie:  Insolvência pessoa coletiva (Requerida) 
Data: 12-09-2012 



Insolvente: Anotando - Sociedade Editora Lda 
        

Por outras palavras, a empresa que é dona (presumo que ainda o seja) d'"o Correio de Pombal" foi decretada insolvente, ou seja, incapaz de cumprir as suas obrigações. 
 
Não quer isto dizer que o Jornal deixe de ser publicado imediatamente ou que não venha um plano de recuperação a ser aprovado, mas parece ser mais um prego no caixão da comunicação social em Pombal, no que concerne à capacidade de informar. Caixão esse que é mais formal que material, pois não é preciso ser-se especialista na arte de informar, mas apenas na arte de ser informado, que a boa vontade (e alguns casos de abnegação) só não chega para garantir um jornal. 
 
Assim se avança para o fim da comunicação social escrita em Pombal. Alguns dirão que mais vale, atendendo ao que existe/existia. Outros, muito mais, lamentarão. O espelho de uma terra também é feito da órgãos de informação que ajudam aos laços de comunidade. Mais uma herança deste 20 anos e de equilíbrios com o poder, projectos que não estão alinhados com as expectativas dos seus destinatários, conjectura geral de crise? Independentemente do diagnóstico e das responsabilidades que se queiram apurar, a triste realidade poderá ser esta. Há quem continue a informar em Pombal e na região (e ainda bem), mas um jornal não é apenas um adereço, é algo que informa com base em factos. E isto quando se faz bem, é bom. Para a comunidade. Para todos.