30 de março de 2024

Ana Cabral no topo dos bombeiros

Meio Pombal regozija com a cooptação da dotora Ana Cabral para presidente dos bombeiros. E o Farpas não poderia desassociar-se deste feito. É lindo ver uma bombeira atingir o topo da organização. Mas na verdade, a novidade é só no género – no resto tem sido esta a regra.

A dotora Ana é uma criatura amorosa. E os bombeiros devem estar carentes de amor. Eis a mulher certa, no lugar certo, no tempo certo. Eis a felicidade no seu esplendor.

 


28 de março de 2024

Sobre ingenuidades e grandolândias

A Citrinolândia foi à reunião da “junta”. Sabe o que é, caro leitor? Não, com certeza. Não se importe. Ninguém sabe… Mas é por esta e por outras que Pombal continua a ser o campeão das futilidades e irrelevante no essencial.

Nada descompõe melhor uma tolice que uma ingénua observação (ou pergunta). O dotor Simões possui aquela ingénua esquisitice mental que, neste novo mundo da realidade ilusória e da virtual realidade, se tornou um atributo necessário para toda a figura pública fazer figura. Se ele não tivesse feito a ingénua observação sobre a Citrinolândia a coisa passava despercebida, e a tolice maior ficava escondida. 

Perante a ingénua observação, o dotor Pimpão, manhoso, saltou fora da conversa e passou a palavra à dotora Marto - um bom-cristão não atira uma criatura indefesa, que prende a língua e choca com as palavras quando tenta usar termos caros, para o martírio. Para nós, meros espectadores desta comédia de província, é sempre um deleite assistir à estratégia, à ciência, à investigação e ao palavreado que estas criaturas, politicamente impreparadas, colocam na justificação do seu voluntarismo estéril. 

Ora ouçam...


27 de março de 2024

O irreal social


 *créditos do fotógrafo Mário Cantarinha

Este ano a excursão à feira de Nanterre voltou a ser uma ocasião de grande convívio, desta vez alargado a meia dúzia de presidentes de junta. Estou em crer que foi a forma que o Pedro arranjou de zelar pela felicidade de seus autarcas, proporcionando-lhes uma visita à cidade-luz. Alguns dos autarcas exibiram, contentes (pois claro) as suas fotos nas ruas de Paris, by night. 

Estranhamente, nas redes sociais do presidente e da Câmara - que são a mesma coisa - nem um sinal da presença na feira/festa da comunidade emigrante. Talvez porque esta visita foi demasiado relâmpago: Pimpão arrancou mesmo antes da sessão de encerramento, deixando o stand entregue a Ana Fernandes, técnica da Adilpom que já está habituada a estas lides.

Diz-se na Câmara que este presidente governa a autarquia a partir do facebook. Aqui no Farpas acreditamos que era perfeitamente dispensável aquele alargado gabinete de comunicação, pois que ele mesmo escreve, fotografa, filma e partilha as coisas mais inusitadas. Se a realidade fosse o Instagram ou o Facebook, estaríamos perante um caso de dedicação e trabalho árduo. O problema é que as obras e os projetos ainda não acontecem a partir do ecrã. Mas não percamos a esperança. A página do Município de Pombal já responde às pessoas, quando sujeita a críticas. É preciso acreditar. De resto, isto é mais ou menos como o refrão que cantavam os Ban, no final dos anos 80 : "Não me dês moral, dá-me um ideal irreal social popular"

26 de março de 2024

Dotora Gina na corda-bamba

Já se sabia que o clima na “junta” andava agitado, entre os vereadores e o dotor Pimpão – problemas de coordenação e de excesso de felicidade. Mas recentemente soubemos - e comenta-se nos “mentideiros” locais – que o dotor Pimpão quis substituir a dotora Gina pelo seu ajudante de campo - Marco Ferreira. Para tal, preparou o terreno e as contrapartidas: tentou convencer a dotora Gina das vantagens mútuas da sua renúncia; e prometeu-lhe colocação numa empresa municipal.  

A dotora Gina, confrontada com a delicada situação e a contrapartida, mostrou abertura e ficou de dar resposta na segunda-feira seguinte. Mas, depois de pensar e se aconselhar, recusou. 

Agora estamos assim: com uma “vereadora” (que nunca o foi) materialmente demitida... Trapalhadas de “junta” - de rapaziada.





PS: Toda a espécie de comunicação social que por aqui ainda existe conhece este relevante facto político, mas não informa porque não quer incomodar o poder.

25 de março de 2024

O 25 de Abril na Ilha

 



O café Lanheiro estava à pinha: novos e velhos reunidos para ouvir "histórias do25 de Abril nas tabernas", naquela que terá sido a mais genuína iniciativa das comemorações dos 50 anos da revolução -  testemunhos de quem a viveu, sob diversas formas. Durante a tarde de domingo, esteve ali tudo:  o povo e a forma como vivia, sem paz, pão, habitação; os privilegiados da Guia (Artur Carreira e Amândio Neves assumiram-no e contaram-no com grande generosidade, desde a campanha de Humberto Delgado às lutas estudantis em Coimbra), os que não conseguiram escapar à guerra e combatiam contra a vontade, os que foram vítimas do processo de descolonização. E os que cresceram a ouvir as histórias dos pais e avós, que já nunca conheceram a ditadura mas têm consciência e valorizam as portas que abril abriu. Ao fundo, uma fotografia antiga dos homens que criaram a primeira Comissão de Melhoramentos da Ilha, essa terra especial onde o tempo fez cinza da brasa. Um mão cheia deles. 

"Estes homens sofreram muito. Ninguém imagina. O povo vivia mal". As palavras da Ti Preciosa, viúva de um desses homens, avó da Patrícia, que agora gere o Lanheiro (antiga taberna) vão ecoar-me por muito tempo. O medo. O medo de falar, de agir, de ser "chamado a Pombal", à Câmara, ou ao capitão Gonzaga. Os pides infiltrados entre a populaça, controlados pelos homens poderosos da terra. As diferenças tão vincadas entre uma aldeia como a Ilha (que podia ser a minha Moita do Boi) e a Guia, "que ao pé de nós era uma cidade". As diferenças tão vincadas na sociedade. E a declaração emocionada de António Moderno, professor jubilado: "Ninguém imagina a alegria que eu sinto em olhar à minha volta e ver que o neto do sapateiro é engenheiro, que toda a gente tem instrução, quando naquela altura havia três ou quatro licenciados. O 25 de Abril foi o dia mais feliz da minha vida".

A ilha é uma terra especial. Dali sempre brotou intervenção pública, sobretudo cultural. E ontem, ao ver aquele encontro de gerações e de interesses (que terminou com a brilhante atuação dos músicos André Ramalhais e Evandro Capitão, a acompanhar a declamação da poesia de Ary dos Santos pela Lina Oliveira), tive a certeza de que ali se cumpriu Abril. 

Só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse.

22 de março de 2024

A paródia pousou arraiais nas Meirinhas

Nos últimos dias, o dotor Pimpão prosseguiu e reforçou a sua desenfreada empreitada de festas, eventos e conferências. E não se prevê abrandamento. 



Anteontem esteve nas Meirinhas (e em mais uma enfiada de eventos), com a rapaziada, a dar posse a outro presidente da junta! Se fosse para substituir o que lá meteram, e que há muito perdeu todas as condições para se manter no cargo, vá-que-não-vá; mas não, foi só para se entreter, e entreter a rapaziada.

Gabo-lhe a fértil imaginação e a frivolidade festiva que consegue colocar nesta contínua paródia. Vai conseguir terminar o mandato sem queimar um único neurónio. É obra. 

No início do mandato, a dita oposição exigiu-lhe participação oficial em todos os eventos organizados pela câmara. A sua ambição sempre foi ser ramo de enfeite do poder; da qual, a evidente concertação política com o Pimpão é a mais escabrosa amostra. Mas como até neste frágil ponto falharam, mereciam um valente castigo: ser obrigados a acompanhar o dotor Pimpão na sua desmesurada empreitada de festas, eventos e conferências. Talvez assim nos víssemos livres dos pimpões e das oposições.

19 de março de 2024

Sobre a reunião da “junta”

A “junta” reuniu outra vez, quinta-feira. A reunião foi rápida e simples; serviu unicamente para cumprir as formalidades e as obsequiosidades habituais. O presidente - um esforçadíssimo relações-públicas que se consome numa infinita e sobre-humana enfiada de eventos e conferências - gastou rapidamente a pouca voz que lhe restava nos obrigatórios obséquios. Depois, coitado, ficou sem goela para responder às frágeis observações…



A dita oposição cumpriu a sua condição: reiterou os obséquios e recolheu a senhazinha.

Siga a festa.

18 de março de 2024

Feliz é quem diz: quando há dinheiro há palhaços

 



Estava a malta descansada a comemorar Abril como deve ser, este ano, e eis que abre o alçapão para ressuscitar a ditadura da felicidade. Podemos não dar uma para a caixa no que respeita à juventude, à confrangedora feira que se finou no domingo, mas é de pequenino que se ensina aos catraios que o que importa é a felicidade. O resto logo se vê. Atentem, pois, no programa preparado pelo pelouro da dita, para esta tarde de quarta-feira - dando (mais) uso à tenda no Cardal. 

Como as estrelas maiores ficam sempre para o fim, lá se arranjou maneira de tornar orador mais um apóstolo da Felicidade, que atualmente desempenha as funções de chefe de Divisão de Desenvolvimento Social e de Saúde na Câmara de Pombal. Para os que se intrigavam com o papel de 'vereador oficioso' que desempenha em atos oficiais, ao lado do executivo, eis a resposta. 

A 'jornada' termina com o Tochas, longe dos tempos em que usava o seu humor para denunciar como é que o rei ia nu em Pombal. Mudam-se os tempos, os autarcas, as vontades, continua a haver dinheiro e por isso há palhaços.

Sorriam! estão a ser captados :))))))

15 de março de 2024

Pombal - Exposições e Feiras para encher agenda (II)

O cenário em redor da tenda que acolhe a “Feira de Formação e Orientação Vocacional” (belo nome para coisa nenhuma), integrada na Semana da Juventude, mais parece uma exposição das forças de segurança e bombeiros que coisa ligada à juventude. E do recheio (da tenda) pode dizer-se com segurança que é coerente com o embrulho (com a face). É coisa para espantar juventude – autêntico espantalho.

Reconheço que tenho uma certa aversão às polícias (às forças de segurança em geral), que atribuo às memórias de infância - ao medo que os meus avós e vizinhos me transmitiram quando ordenaram reclusão imediata e trancas na porta quando o boca-a-boca anunciava a entrada da GNR a cavalo na aldeia - e ao comportamento autoritário das polícias, mesmo em Democracia. Porventura por estas experiências, mas também pelo sentir de alguns jovens, não vejo sentido e préstimo na presença das Polícias neste tipo de evento,  nenhuma afinidade na associação das polícias à juventude num evento cujo propósito, dizem, é a formação e orientação vocacional dos jovens. Mas o equívoco maior nem será a monopolização do evento pelas forças de segurança e afins, é todo o cenário e enredo do evento: uma mimetização pobre (de mau-gosto) e infrutífera dos eventos organizados pela União Nacional e pela Mocidade Portuguesa, mas sem o rigor, o foco e qualidade cénica que o antigo regime colocava na coisa.  



Lá dentro, encontrei meia dúzia de “gatos-pingados” e “barracas” abandonadas; e uma tentativa, meio-falhada, de interagir com os jovens, em que, a muito pedido, participei por misericórdia. No final, tive uma curta conversa com o jota assalariado na câmara que supervisiona a coisa, onde apontei a obsolescência do modelo, o peso dado às polícias e afins, e a descabida presença da JSD. Ao que ele me respondeu, com uma sinceridade cativante, que os jovens têm mostrado algum interesse e até já tinham várias adesões. 

Não há nada mais enternecedor que a confissão de um bom-cristão tenrinho. Perdoai-lhes Senhor…

14 de março de 2024

Pombal - Exposições e Feiras para encher agenda (I)

Por norma não participo nas iniciativas da câmara. Considero-as desinteressantes – destinadas simplesmente a preencher agenda – e, vezes demais, de grande mau-gosto. Evito, assim, o desprazer pessoal e mais reacções críticas.   



Ontem, alertado por amigos/as e desafiado pelo presidente da “junta”, fui ver a exposição “50 anos, 50+5 rostos – as marcas do tempo”, integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 Abril 74, patente nos Claustros dos Paços do Concelho. E, aproveitando a passada, visitei a “Feira de Formação e Orientação Vocacional” (belo nome para coisa nenhuma), integrada na Semana da Juventude, a decorrer no Jardim do Cardal. Com esta dose dupla fiquei imunizado por um longo período. Contava ir a uma palestra que me pareceu interessante e se realiza hoje, integrada nas Comemorações do 25 Abril de 74, mas perdi o interesse - não posso arriscar uma terceira dose seguida.

A exposição “50 anos, 50+5 rostos – as marcas do tempo”, é coisa sem critério e sem trambelhos, sem propósito e sem lógica que se perceba, mais digna do 24 Abril que do 25 Abril, com rostos do passado (alguns já desaparecidos) e sem passado ligado ao 25 Abril – salvo raríssimas excepções.

O curador – desconhecido! - diz-nos que a amostra “é um exercício que nos mostra o passado, o presente e o futuro através do olhar dos pombalenses e pela objectiva de Victor Freitas”. Do passado vá-que-não-vá, mas do presente e do futuro cruzes canhoto e Deus nos livre destes apóstolos e destas apologias.

Custa a aceitar que o comissário das comemorações, Luís Marques (pessoa culta e com forte vivência do período), tenha dado aval a isto! Agora, já só se pede que não levem pela frente a ideia peregrina de distribuir o vídeo realizado pelas escolas, para ser utilizado como instrumento formativo sobre tão importante período da nossa História recente.  

11 de março de 2024

Eleições Legislativas – resultados e consequências

1 – A AD (o PSD) ganhou

A AD ganhou porque tinha de ganhar… Os astros (PSD, PR, PGR, PS, Media, e CDS…) alinharam-se para esse fim. Não é uma vitória com sabor a derrota porque sabe bem à maioria conjuntural o afastamento do PS do poder. Mas é uma vitória forçada, arrancada-a-ferros, que pelas suas contradições e frágeis condições políticas dificilmente corporizará uma alteração significativa dos status e responderá às expectativas dos descontentes.


 

2 – O PS perdeu

O PS perdeu porque tinha de perder… - cumpriu-se o que estava escrito nas estrelas. Mas no final da noite eleitoral chegou a pairar o improvável: a vitória do PS. Teria sido um mau fim para este ciclo político, tanto para o PS como para o Regime. O PS precisa de uma cura de oposição, de fazer mea-culpa dos seus erros e a síntese dos seus importantes sucessos, a fim de reassumir rapidamente o seu preponderante papel na política nacional.

3 – O Chega triunfou

O Chega triunfou, e provocou um pequeno terramoto que abalou todos, de uma ponta a outra do Regime, com fortes ondas de choque no centro-direita, e na esquerda.

Ao contrário do que muitos afirmam, o Chega não é um verdadeiro partido de extrema-direita, falta-lhe substrato ideológico, é essencialmente um partido populista, de protesto, que é muito eficaz a aglutinar descontentamento, mas sem perfil de poder – é de contra-poder. Até há pouco, foi um problema eleitoral e de poder para o centro-direita; nestas eleições foi um problema eleitoral para a esquerda, comeu eleitorado tradicional da esquerda a sul. Enquanto for liderado por A. Ventura – um demagogo extremo -, e a conjuntura lhe for favorável, vai ter sucesso eleitoral e mediático. 

4 – A IL e o BE falharam

Dois opostos que, numa conjuntura que lhes era favorável, falharam: a IL falhou a afirmação; o BE falhou o renascimento. Enfrentarão ambos tempos difíceis. Nos próximos tempos, a IL jogará a sua sobrevivência, tenderá para a desagregação. O BE resumir-se-á ao nicho onde se acantonou (Ideologia de Género e LGBT).

5 – O PCP mumificou  

O PCP secou e mumificou, por erros próprios e pelos ventos dos novos tempos. Custa ver o partido de Cunhal entregue a estas fracas figuras. Mas as coisas são como são: o igualitarismo levado ao extremo leva à mediocridade completa.

6 – O Livre brotou

O Livre é um epifenómeno metropolitano programaticamente inócuo que não resistirá à próxima intempérie.

7 – O PAN

O PAN não adianta nem atrasa - irrelevante.

8 – O Regime

Nestas eleições, todo o Regime foi a jogo e saiu combalido. Diria, até, que foi derrotado pelo povo. Os partidos de poder (PS e PSD) perderam influência e poder. A Presidência da República perdeu poder e legitimidade (se Marcelo tivesse a dignidade de Sampaio, perante a situação política criada, renunciava). A Justiça fragilizou-se ainda mais… O dito quarto poder (media) perdeu por simpatia e má figura.

9 – O populismo

O populismo medrou muito, mais à direita que à esquerda. E vai continuar a medrar porque a realidade socioeconómica de toda a EU é terreno fértil para o discurso demagógico e de protesto.

10 – Líderes partidários – vencedores e perdedores

Destas eleições (só) saiu um vencedor: André Ventura (facto que não carece de explicação). A globalidade perdeu. Uns mais que outros, uns pelos resultados (em termos absolutos ou em função das expectativas), outros pelo enfraquecimento das suas condições políticas.

Luís Montenegro conseguiu uma vitória tangencial, mas o resultado e o quadro parlamentar saído das eleições deixam-no com poucos graus de liberdade para exercer os cargos de primeiro-ministro e de presidente do PSD. Em princípio, é líder a prazo. O “não é não” foi a sua mais ousada cartada política, que, ao contrário do que muitos laranjas pensam, pode ser muito valiosa para ele e para a coesão do próprio partido.

Pedro Nunes Santos perdeu, mas manteve intactas as condições políticas para liderar o PS e a oposição. Tem o perfil apropriado para líder da oposição - na noite eleitoral já o mostrou.

Rui Rocha perdeu nas urnas (em função das expectativas e circunstâncias) e perdeu capital político para se afirmar. Abusou no discurso neoliberal. E pior: levou uma cabazada do discurso conservador e corporativista. É líder a prazo.  

Mariana Mortágua perdeu nas urnas (em função das expectativas e circunstâncias) mas não perdeu as poucas condições políticas que dispõe para fazer crescer o partido. Manter-se-á à frente do Bloco.

Rui Tavares ganhou nas urnas mais três deputados, mas não passará de grilo falante de uma sociedade unipessoal inócua. 

Paulo Raimundo perdeu nas urnas e perdeu as condições para fazer política no parlamento – na verdade o PCP já as tinha perdido no último mandato com aquela fraquíssima bancada.   

Nuno Melo ganhou um balão de oxigénio para se manter ligado à máquina mais uns meses.

Inês Sousa Real não ganhou nem perdeu nada. Manteve o que tinha: o ordenado e as respectivas mordomias.

As eleições em que o PS foi ultrapassado pelo Chega



Quando as televisões avançaram ontem à noite com projeções distritais, os primeiros dados apontavam o Chega em segundo lugar no distrito de Leiria. Não aconteceu. Foi o PS o segundo partido mais votado. Mas em Pombal, onde a realidade consegue sempre superar a ficção, já não tivemos essa sorte. 

Os números finais mostram que o PSD se mantém na liderança - como sempre, como dantes - e que o PS fica remetido a humilhantes 18,28% de votantes, numa eleição em que a abstenção acompanhou, também aqui, (e ao contrário do que é hábito) o retrato nacional: o voto de protesto, dos que são anti-sistema, e que por isso nunca votavam, foi arrebanhado pelo populismo. Conheço muitos dos que votaram ontem neles, e que esperam (coitados) alguma coisa dali.

Mas é preciso olhar melhor para o que nos dizem os números relativamente ao concelho de Pombal, que já não está no topo da lista dos municípios onde a coligação da AD faz brilharetes. Os possíveis, diga-se, no meio deste estado de sítio. No que toca à vitória do PSD/CDS no distrito, estão à frente de Pombal concelhos como Alvaiázere (50,56%), Ansião (43,27%), Pedrógão Grande (41,42%) e Batalha (42,61%). 

Aqui, o Chega só não ultrapassou o PS nas freguesia de Pombal, Redinha, e União de Santiago de Litém, São Simão de Litém e Albergaria dos Doze. A AD consegue o seu melhor resultado em Abiul (51,63%), Carnide (52,43%) e  por fim das irmãs desavindas de Vermoil e Meirinhas, ambas na casa dos 48%. E é precisamente em Carnide e Meirinhas que o Chega consegue resultados quase nos 25% de votação. Acima dos 20% são várias. Em suma, o PS consegue o seu resultado menos mau na Redinha e em Pombal, e o pior em Carnide e Meirinhas, na casa dos 8%. 

Do resto, o que dizer? A IL mantém-se como quarta força política, crescendo em votos e percentagem (5,22%), e o BE manteve-se mais ou menos estável no concelho de Pombal, enquanto quinta força política, com menos de 4% dos votos. Se já em 2022 notámos a descida da CDU no concelho, desta vez ficou-se na 9ª posição, com  apenas 1,22% dos votos. Uma nota ainda para o Livre, que vai crescendo, também no concelho de Pombal: mais do que duplicou das últimas eleições. 

Feitas as contas, duas notas apenas como rodapé deste quadro: 

1. João Antunes dos Santos foi eleito deputado da AD, devolvendo a Pombal um lugar no parlamento, valha isso o que valer, já que a vitória de pirro da coligação precisará de muito jogo de cintura para se conseguir aguentar no Governo. Não, ninguém quereria estar na pele de Montenegro. 

2. Ao contrário do que acontece no todo nacional, aqui, como em algumas geografias, o Chega poderá ser um problema nas autárquicas, mordendo os calcanhares do PSD. Esta seria mais uma oportunidade para o PS perceber que é preciso ser oposição, combativa, sem medos, e sem paninhos quentes. Porque o ruído chegará, para ocupar um espaço vazio. 

De resto, amparemo-nos na poesia de Manuel António Pina: "ainda não é o fim nem o princípio do mundo. Calma, é apenas um pouco tarde". 


Resultados do concelho de Pombal aqui.

4 de março de 2024

Sobre os “políticos” da Pedra Seca

Estamos rodeados por todos os lados por políticos da pedra seca – criaturas de pensamentos atávicos, aspirações vagas, desejos fúteis, sentimentos envelhecidos e actos falhados, que agem para se entreter e vêm méritos nas tolices que praticam.

O dotor Pimpão é o maior exemplar desta espécie. Mas os seus colegas da Associação Terras de Sicó não lhe ficam nada atrás. Sem saberem ao que se dedicar, mas desejosos de mostrar serviço, atiraram-se aos chamados muros em pedra seca, lançando a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade – pobre Humanidade. Arranjaram, assim, uma empreitada para se entreterem por muitos anos, e um pretexto para muitas “notícias” encomendadas sobre a matéria. 



Basta ir uma vez à Serra da Sicó para se perceber a origem e necessidade daquelas toscas edificações, que acima de tudo serviam para arrumo das pedras que cobriam o solo e era necessário retirar para aproveitar todo e qualquer pedaço de terra para a economia de subsistência. Agora, uns quantos (poucos) teóricos do mundo rural, herdeiros de um surrealismo retardado eivado de romantismo bucólico, vêm ali arte e valor.

Para nossa desgraça, esta tontaria afecta tanto os protagonistas do poder como da oposição. Por exemplo, a dotora Odete, coitada, na ausência de melhor assunto – daquela cabeça nunca saiu nem sairá uma ideia – e desejosa de mostrar serviço, agarra-se a estas coisas, segue as suas anotações no caderninho, e farta-se de questionar e colocar pressão no dotor Pimpão. 

É por estas e por outras que estas terras não conseguem progredir mais rápido. Estamos manietados pelos políticos da pedra seca. Melhor dizendo: de cabeça seca.

3 de março de 2024

Câmara deixou de disponibilizar os vídeos das reuniões

A câmara deixou de disponibilizar o vídeo da reunião aberta à participação do público (a última de cada mês), como era da praxe. 

O dotor Pimpão procura, com certeza, proteger-se e livra-nos do mal – das figuras tristes.

Faz bem – aquilo não tem interesse nenhum e de más figuras já estamos fartos.

1 de março de 2024

A pergunta que ficou sem resposta em Abiul – um berbicacho

A presidente da junta de Abiul (Sandra Barros), para além de ter recebido bem os membros da AM, dizem eles, fez, logo na abertura, no seu estilo discreto e oportuno, uma boa intervenção. Para além de, como é da praxe, agradecer alguns investimentos e apoios fez também os inevitáveis pedidos… E obteve as habituais respostas. 

Até aqui tudo bem – tudo como é da praxe.



Mas para o final da sua intervenção, a presidente guardou a pergunta maldita, que muitos membros da assembleia conhecem e deveriam fazer, mas não fazem. Perguntou se os contratos de arrendamento das antigas escolas primárias, para exploração turística privada, realizados há mais de dois anos, ainda estavam em vigor, porque ainda nada foi concretizado e as escolas estão abandonadas, com muito arvoredo, os residentes a reclamar e a junta nada pode fazer! E deu o exemplo da escola de Almezinha, um edifício com três salas e bom espaço adjacente com valor para os residentes. Não obteve resposta!

O dotor Pimpão fala muito, e muito alto, porque não é verdadeiramente questionado - só lhe dão deixas (compreensíveis se vindas da bancada da maioria, mas indesculpáveis se “deixadas” pela dita oposição).

Aos que nos rotulam de só criticar por criticar, relembro que na altura da adjudicação tracei, aqui, o destino desta tola ilusão – a conversão das antigas escolas primárias para Alojamento Turístico. Não me enganei. O resultado está à vista. Às vezes até tenho pena de acertar tantas vezes no prognóstico destas tolices camarárias. Mas enfim – de onde não há não se pode tirar. 

Os estragos desta tolice não se ficam só pelo abandono destes imóveis – já assim estavam – e pelos custos administrativos do processo de adjudicação. Como era previsível, esta hasta pública só atrairia um ou outro oportunista, um ou outro falso empreendedor, sempre pronto a colar-se e a medrar à custa do Estado. Quando viram que isso não era viável abandonaram as ideias e os imóveis. Uns não mexeram uma palha porque queriam que a câmara fizesse o investimento inicial na requalificação dos imóveis, obrigação que nunca esteve no contrato, para eles depois cobrarem as rendas se algum perdido por ali aparecesse. Outro, consta, converteu ou quer converter o edifício para habitação particular, em total violação do contrato. Como a câmara faz algumas coisas só para mostrar que faz (alguma coisa), não controla as coisas nem se dá ao respeito, não exigiu obras no prazo e não cobrou as rendas devidas. Resultado: em vez de resolver um problema menor arranjou dois ou três - meteu-se num berbicacho financeiro e jurídico!

Estamos neste ponto. Cantemos o refrão dos Deolinda:

“Ai, ai, ai, Viriato, queremos ver, 

Como é que vai resolver o berbicacho”.