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23 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da AM (II) – uma confrangedora mediocridade

O anterior regime (Estado Novo) não tinha grande paixão pela Educação, mas Salazar era tudo menos burro: sabia, e por isso decretou, que para exercer funções públicas era preciso saber ler e escrever.



A essência da Democracia é o confronto de ideias para, supostamente, através do debate e do contraditório, validar a mais virtuosa. Um processo que exige protagonistas com pensamento coerente e minimamente alicerçado e estruturado e alguma capacidade de persuasão. 

Por cá, tudo isso já foi mandado às urtigas há muito tempo. Mas os resultados das últimas eleições colocaram-nos perante uma nova realidade: já se pode exercer cargos políticos sem, sequer, saber ler, quanto mais falar ou discutir.  

O que mais nos irá acontecer?!

14 de novembro de 2025

Sobre a primeira sessão da nova AM

A agenda remetia unicamente para formalidades destituídas de qualquer conteúdo ou relevância política: eleição dos representantes da AM numa dezena de instituições, onde nunca fazem nada nem dão conta (à assembleia) do nada que lá fazem. A política transformou-se nisto, formalidades e rituais destituídos de valor.

Mas adiante, que alguns episódios ocorridos são reveladores do que aí vem: impreparação, desiquilíbrios de vária ordem, pedantice e ordinarice aguda (brejeira).

Ora vejam…

1 de novembro de 2025

Sobre a rísivel política pombalense

Ontem assisti de enfiada a dois ajuntamentos políticos: tomada de posse dos titulares dos órgãos municipais e plenário de militantes do partido socialista. Às vezes fazemos coisas por fazer - por mera curiosidade ou pela simples necessidade de ocupar o tempo. Do primeiro evento ainda vieram dois croquetes e um copo de espumante mole; do segundo só náusea*. As coisas são o que aparentam. E o nada é uma existência como outra qualquer. 


A pompa colocada pelos figurões locais na instalação dos órgãos municipais já ultrapassa em muito a da tomada de posse dos órgãos da República. Mas isto vai em crescendo. E não se admirem que a próxima seja na Expocentro com festa rija, antes e depois. O paroquialismo tem destas coisas - enche de artificialidade a vacuidade reinante.

O doutor Pimpão recitou um belo sermão, onde prometeu “trabalho” (os convidados e o público presente comportaram-se com muita dignidade, não se riram), humildade e esperança. Quem não tem nada para oferecer faz bem prometer esperança – o mais “belo” e mais triste sentimento cristão. 

O doutor Matos formalizou a posse, …, e pôs-se a andar… 

E o doutor Coucelo (presidente da AM) ainda teve tempo para cometer uma “gaffe” imperdoável em figura tão experiente na matéria: na eleição de listas, nomeadamente quando há lista única (o habitual por aqui) não há “votos a favor”, “votos contra” e “abstenção”. 

O doutor Matos formalizou a posse, …, e pôs-se a andar… 

• NR: sobre o plenário do partido socialista talvez diga mais alguma coisa…

10 de outubro de 2025

3 de outubro de 2025

Pedro - o entertainer

 A Política já foi uma coisa séria, respeitável e respeitadora dos representados. Agora é uma coisa fútil - uma diversão, um espectáculo, uma armadilha para captar atenções e apanhar vontades tolas. 

No início da desventura do Pedro, como presidente da câmara (da junta), escrevi por aqui que política está para o Pedro como o voar está para a mosca. Com o tempo percebemos que o Pedro é e encarnou a configuração da mosca voadora, predestinada ao ócio, ao vício e à voluptuosidade. Uma criança, alegre e frívola, que brinca à política, em campanha ou fora dela. 


20 de setembro de 2025

Última sessão da Assembleia Municipal

Realizou-se ontem a última sessão da AM (deste mandato) num ambiente de despedidas envergonhadas com várias ausências. A sessão serviu para o que estas sessões habitualmente servem: auto-elogios, um ou outro elogio e algumas notas de balanço.

O elogio da meritória dedicação à dita causa-pública, de que algumas daquelas risíveis figuras se acham imbuídas e empossadas, derrama um pedantismo bacoco, típico do provinciano com tiques aristocratas. Mas compreende-se: se não fosse assim, como é que a generalidade daquelas criaturas seria alguma vez tocada pelo elogio público? Já o unânime elogio ao desempenho do Professor, mesmo por aqueles que logo de início, de forma precipitada e tonta, o elegeram como adversário, nos parece justo e inevitável. Bastaram os primeiros acordes para percebermos que estávamos perante um regente de batuta recto e distinto. Não nos enganou. Mas ao contrário do que foi dito na sessão, não estamos nada convencidos que o seu exemplo perdure e frutifique nesta terra. 

No que se refere às intervenções de fundo, só merece nota o risível “sermão” que o bom-cristão doutor Coelho deu aqueles peixes, sempre preocupado com os pecadores mas ignorando os seus pecados e realidade l, mostrando até à náusea uma confrangedora dissonância cognitiva consigo e com a realidade que o rodeia, de que ele é o principal artífice. 

Já a verdadeira síntese do mandato do doutor Pimpão saiu, em poucas palavras e quase a pedir desculpa, da boca do doutor Couto: prejuízo nunca visto, muitas actividades (festas) e poucas obras. E não é opinião, é Relatório de Gestão.  

27 de fevereiro de 2025

Sobre o nosso Conselheiro Acácio

Como qualquer terra portuguesa, Pombal também tem as suas figuras típicas, com as suas grandezas e miudezas - também tem o seu Conselheiro Acácio. 

Como não podia deixar de ser, o nosso conselheiro tem muitas parecenças com o do Eça: o formalismo discursivo cheio salamaleques, maneirismos e etiquetas antiquadas, uma pedanteria balofa e uma delicadeza excessiva que ofende todos os patamares da inteligência. Mas tem, também, algo que o distingue do seu semelhante. Falta-lhe a impressiva feição mental e a capacidade de representação da figura retratada pelo Eça.

O nosso conselheiro não impressiona, cansa; repete continuamente “Senhor Presidente” e “Sua Excelência”, numa postura corporal e numa entoação de voz em que não há como saber se pergunta, elogia ou censura. E por medo ou timidez, ferra os olhos no papel que o suporta e nunca olha para o mencionado. O outro, o célebre, “Sempre que dizia – El Rei! Erguia-se”.

 


NR: E abusou tanto nos salamaleques que deixou a sua correligionária apeada, sem tempo para usar da palavra. 

9 de outubro de 2024

E o regimento, censores?!

No (final do) período reservado às intervenções do público, Manuel Serra pediu a palavra, porventura para reforçar a oportuna intervenção do cidadão Jorge Cordeiro e/ou para fazer algum tipo de paralelismo com a sua longa luta contra a instalação de uma grande unidade avícola, na periferia da vila da Guia. Mas logo se levantaram várias vozes “não pode…”, “não pode…”, “não pode…”, de todas as bancadas. Não haja dúvida que o espírito censório supera as ideologias, e está mais disseminado do que se julga.

Perante a ridícula situação, o presidente da Mesa da AM em exercício - doutor João Coucelo -, porventura condicionado pelos protestos, não concedeu a palavra ao alistado e, pior, brindou a assembleia com uma justificação que teve tanto de pomposa como de patética.

Todos aceitaram a decisão. Todos menos o visado…

Passados largos minutos, possivelmente alertado para o erro que havia cometido, o presidente da mesa em exercício informou a assembleia que tinha cometido um erro ao não ter concedido a palavra a Manuel Serra, já que o regimento lhe concedia esse direito, e pediu desculpa pelo erro. Os erros acontecem, mas, neste cargo, acontecem mais quando se conduz os trabalhos mais pelo sentimento (“feeling”) que pelo regimento.

Depois: depois continuamos a padecer dos antigos vícios: democratas pouco democráticos; e espírito censor aguçado.


3 de maio de 2024

Pior presidente

No seu último programa na SIC Notícias, José Miguel Júdice afirmou que “Marcelo Rebelo de Sousa já ganhou o campeonato de pior presidente da República”. O comentador considerou que “a indiscrição e falta de decoro representam uma falha grave do Presidente da República, minando a sua credibilidade e respeitabilidade”. Apesar de óbvia, a constatação é perturbadora pela degradação que provoca no mais alto cargo na nação. Mas já muito antes, quando Marcelo Rebelo de Sousa tinha altas taxas de popularidade, Pacheco Pereira, outro influente comentador do PSD, tinha prognosticado mau fim para o presidente Marcelo, com base na máxima “quem vive pelos media morre pelos media” - devido à sua obsessão pela aparição e opinião. 

Por cá, algo de muito semelhante está a acontecer: o presidente Pimpão tem-se esforçado e conseguirá rapidamente o título de pior presidente da CMP. O estilo e os métodos que tem usado foram plasmados da fórmula usada pelo “mestre”. Consequentemente, o resultado não poderia ser diferente.



O resultado da desvariada comédia e comedoria praticada de forma obsessiva pelo dotor Pimpão&C.ª chegou mais rápido que o esperado: contas no vermelho - 3.6 milhões de euros de prejuízo, o primeiro nas últimas décadas - e uma câmara bloqueada operacional e financeiramente, incapaz de dar resposta às solicitações mais básicas. Mas outra coisa não seria de esperar: sem exigência e priorização da acção e sem compromisso e responsabilização de dirigentes e prestadores de serviços é impossível atingir desempenho aceitável em organizações cuja capacidade de resposta tende a estar sempre aquém das solicitações, como é o caso das câmaras municipais. Mas o presidente Pimpão não tem sequer consciência disto. Inebriado pelo entusiasmo vazio e pelo alegre doudejar por festas e eventos vê méritos e contentamento alheio nas tolices que pratica. Pessoas assim não merecem compreensão nem compaixão… 

O Pedro é um rapaz divertido que gosta de diversão. Se lhe tirassem a capacidade de fazer despesa a sua governação seria inofensiva. Assim é um desastre que perdurará por muito tempo.  

5 de abril de 2024

A mentira tem perna curta…

O povo costuma dizer que a mentira e a manipulação - seu parente próximo - têm perna curta. Mas correm rápido, e custam a apanhar.

Numa das suas “notícias”, o Jornal de Leiria desta semana titulava “Tribunal Constitucional dá razão a Independentes de Pombal”. E acrescentava logo no primeiro parágrafo: “Dois anos após o pedido de um eleito municipal do PSD de Pombal da perda de mandato na assembleia municipal contra Luís Couto, eleito pelo Oeste Independentes, por, alegadamente, ter concorrido em duas listas nas autárquicas de 2021, o Tribunal Constitucional (TC) concluiu não haver violação da lei eleitoral”.


Quem lê a “notícia” fica convencido que o Tribunal Constitucional se pronunciou sobre a regularidade do caso do independente do oeste que concorreu por duas listas de independentes e que o denunciante e/ou o presidente da Assembleia Municipal levou o caso até à última instância, ao Tribunal Constitucional. Ora, tanto uma coisa como a outra são redundantemente falsas. A CNE pronunciou-se nos seguintes termos: “Embora possa suscitar dúvidas o âmbito de aplicação desta norma, concluiu o TC, no seu acórdão n.º 508/2013, que... a limitação aqui instituída ser válida apenas relativamente ao mesmo órgão autárquico”. Só mentes muito crédulas ou muito perversas podem retirar estas ilações que a notícia refere.

O Farpas acompanhou este processo e teve conhecimento da decisão da CNE. Por achar o assunto pouco relevante e por seguir o critério de não dar relevância ao que é irrelevante deixou o caso na gaveta. Até porque sabemos do efeito perverso que a “publicidade”, mesmo se negativa, tem para agentes irrelevantes.

Por tudo isto, desconfiei da “notícia”. Achei pouco verosímil que o Professor de Direito tivesse embarcado na litigância compulsiva contra um pobre coitado, irrelevante e isolado nestes meandros, que nestas e noutras coisas deixa sempre alguma coisa a dever à ética política. Mas que um jornal com alguma reputação na região se preste a estas coisas é demais. Mas neste panorama informativo já se compreende quase tudo.   

3 de novembro de 2023

Má-fé, descontrolo e obscuridade na câmara

A proposta de Aquisição de Combustíveis a Granel foi à Assembleia Municipal, acompanhada pela polémica mal desenvolvida na reunião do executivo. Às dúvidas sobre o estrondoso aumento da estimativa de consumo de combustíveis para 2022, o doutor Coelho acrescentou o pedido de esclarecimento sobre furto de combustíveis nas instalações da câmara – o boato corre às claras e cheio de pormenores na praça pública.

Sobre a primeira questão, o doutor Pimpão, contrariado e crispado, disse que a doutora Marto já tinha informado o doutor Simões que estimativa de consumo de combustíveis para 2022 foi fortemente empolada para se obter maior peso negocial e melhor preço – a chico-espertice saloia já vai neste nível! Sobre o furto de combustíveis nada disse para além de autovitimização.



Já era tempo de o doutor Pimpão meter na cabeça que o exercício da actividade administrativa rege-se por um vasto conjunto de princípios e valores, que, no seu conjunto, asseguram a boa-governação da coisa pública e a respeitabilidade perante os cidadãos, nomeadamente o princípio da boa-fé negocial. É grave que o doutor Pimpão, a doutora Marto e o(s) dirigente(s) não pautem o seu comportamento pelos valores do respeito, da lisura, da rectidão, da urbanidade, da correcção e da integridade”. Mas mais grave mesmo é o desplante de assumir publicamente que a câmara recorre a truques de vigarista na contratação pública. Isto não é sério; isto não é coisa de gente séria.

Por outro lado, sobre a questão, muito grave, do furto de combustível, o doutor Pimpão não desmentiu nem confirmou, só se vitimizou. Incumpriu mais uma vez os deveres de responsabilidade e transparência. Quem se escusa, se acusa.

PS: Enquanto se discutia o furto de combustíveis, João Pimpão lançava apartes: "fui eu e o Diogo; fui eu e o Diogo; ...". Já sabíamos que João Pimpão não respeita a Justiça nem as Instituições Políticas; mas expor, desta forma, o seu ex-presidente é demais. Eis a pimpolhada no seu esplendor.

25 de outubro de 2023

Retrocesso nas Reuniões Camarárias

Até a doutora Odete já percebeu que o doutor Pimpão não quer que tenhamos acesso aos vídeos das reuniões do executivo. Percebe-se, mas não se pode aceitar tal desaforo.

Em boa hora, D. Diogo iniciou a boa prática de transmitir e disponibilizar livremente as reuniões do executivo e da assembleia municipal. Foi o meio caminho para a sua desgraça...

O doutor Pimpão quer evitar que a história se repita; não percebendo, coitado, que já começou desgraçado - por si, por quem o acompanha e pela forma como acedeu ao poder. Desconhece que na vida política cair em desgraça é o que se pode ter por mais certo. E desconhece também que há duas formas, bem distintas, de cair: com honra ou sem honra (dignidade).

Infelizmente, o retrocesso não é só nas transmissões – melhor assim fosse. É em TUDO. E mais uma vez, tal como com o outro, são os correligionários da maioria que mais se preocupam com o estado da “nação”, que mais fazem para acelerar o inevitável desfecho: uns pressionam os serviços a disponibilizarem os vídeos; outros fazem-nos chegar casos cabeludos.

Em dois malfadados anos a situação enegreceu muito. Enegreceu tanto que até uma praga de baratas (tontas) invadiu e parece querer tomar conta da cidade! Serão as pragas de D. Diogo ou o cerco a apertar-se?

PS: … como vês, Pedro, furámos rapidamente o cerco. 

1 de março de 2023

A autodestruição do PS local em directo

A câmara decidiu entregar o Café-Concerto a privados.

O PS1 (do executivo municipal) enalteceu a medida, prestou ajuda na redacção do contrato e fez reparos à renda exigida – logo corrigida pelo poder. 

O PS2 (da Assembleia Municipal) rejeitou a concessão do espaço à exploração privada, com uma ladainha primária que só visava demarcação do PS1. 

O PS0 (da concelhia) calou-se - não se fez ouvir. Não existe nem pode existir neste contexto de guerrilha interna. 

Estas criaturas perderam, há muito, o respeito pelo partido. Agora, desceram mais um degrau: perderam o respeito por elas próprias.



                                                                ------- xxxxx -------

A autodestruição do PS local é um processo que vem de longe, mas acentua-se a cada passo e com cada novo protagonista. É uma espécie de doença degenerativa irreversível. 

É verdade que ainda ali há meia dúzia de criaturas sensatas e com alguma capacidade política. E outra meia dúzia com vontade de fazer alguma coisa pelo partido. Mas naquele ambiente doentio, de intriga e divisionismo constante, tudo putrifica e nada frutifica. Um partido não é, nem deve ser, um grupo de meninos e meninas de coro; mas não pode viver num clima de guerrilha constante. Há momentos para fazer a guerra e momentos para usufruir da paz. A pior guerra é a que não se faz abertamente – nunca gera paz.

O partido entrou na mais deliberada paródia do ridículo e da autoflagelação; precisa de quebrar a cadeia de autodestruição, de fechar para balanço, e de se sentar no divã para umas sessões de psicoterapia.

22 de fevereiro de 2023

A cobardia no seu esplendor

Nietzsche afirmou que a coragem é a virtude suprema, a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. Como é suprema, é rara; logo, a maioria das pessoas não é corajosa nem precisa de o ser para a maior parte das actividades humanas.  

No extremo oposto temos a cobardia: a mais baixa das fraquezas humanas. E pelo meio temos uma vasta maioria de pessoas que tem pelo menos a coragem de ser sincero consigo mesmo: sabe-se não corajosa mas não é cobarde.

Nas sociedades modernas, a conquista do poder faz-se pela política, pela coragem, não pela cobardia. Por cá, temos um poder fraco e mole, sem propósitos, sem capacidade e sem maneiras. Mas quando mais precisávamos de uma oposição responsável, ousada e honrada, calha-nos umas almas resignadas com fome de celebridade ou de sobremesas da vida, uns franco-atiradores de cartuchos sem carga e sem remetente, e umas línguas de libertino sem coragem para a libertinagem que por detrás de páginas anónimas defecam e farejam o seu fedor. 

Vive-se um caldo de intriga onde se desenvolvem todas as fraquezas que são com ele solidárias: a insensatez, a inépcia, o desequilíbrio mental, o egoísmo, a hipocrisia e a cobardia. 


20 de dezembro de 2022

Diversão e servilismo

Ramalho Ortigão escreveu, nas Farpas, que a Política, outrora nobre actividade, transformou-se numa actividade reles porque assenta no servilismo inato e ignaro; às vezes até desinteressado, mesmo sem esperar recompensa imediata, apostando no prémio de reserva, a crédito.

Subscrevo.


30 de junho de 2022

Felicidade? Pesadelo!

Na AM da tarde e noite passada, o debate no Período Antes da Ordem do Dia (PAOD) foi e terminou chocho, como de costume, desligado da realidade e centrado no exibicionismo bacoco. Até que veio o período de participação dos munícipes. E surpreendentemente coube a uma munícipe – Célia Cavalheiro – o papel de dar um banho de realidade aqueles figurões, do poder e da oposição. 

O processo Kafkiano que a Célia viveu e contou na AM é tão aterrador que não merece mais palavras do que aquelas que ela usou (ver vídeo). Expõe até às entranhas a burocracia paralisante, o funcionalismo disfuncional, a desumanidade gritante.

Bem pode o profeta Pedro apregoar com pomposidade e adjectivos eloquentes, sempre no grau superlativo, que a felicidade das borboletas a voar sobre as flores e as bolas de sabão a subir ao sabor do vento está a caminho, que a realidade nunca cederá às promessas vãs nem às políticas de fachada. 


 

21 de junho de 2022

O regresso do Zé das Placas

Uma das grandes qualidades de um político é a sua capacidade de inaugurar. E se dúvidas houvesse que, em Pombal, temos os melhores, é ver o nosso jovem edil, todo pimpão, a seguir os passos do seu narciso mentor. 

Aqui tudo se inaugura! Minto. Tudo aquilo onde se pode colocar uma placa de mármore, se inaugura. O importante é gravar para a posteridade o nome de Sua Excelência, o Senhor Presidente da Câmara que, muitas vezes, num rasgo de modéstia, também concede essa honra a um ou outro figurante. 

Desta vez, "aproveitando o início das tradicionais festas em honra de Santo António", o séquito municipal foi à Machada inaugurar "as obras de requalificação da Rua Principal e Largo da Capela". Que orgulho! E que feliz coincidência a inauguração cair logo no dia da festa! Um dia em cheio, como se pode ver nas fotos (e que fotos!) disponibilizadas na página do Município. 

Quero aqui deixar os meus sinceros parabéns ao Pedro Pimpão. Um verdadeiro senhor na arte de inaugurar! Os pombalenses podem contar com ele para uma verdadeira orgia de vaidade e placas de mármore nos próximos anos.