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18 de março de 2024

Feliz é quem diz: quando há dinheiro há palhaços

 



Estava a malta descansada a comemorar Abril como deve ser, este ano, e eis que abre o alçapão para ressuscitar a ditadura da felicidade. Podemos não dar uma para a caixa no que respeita à juventude, à confrangedora feira que se finou no domingo, mas é de pequenino que se ensina aos catraios que o que importa é a felicidade. O resto logo se vê. Atentem, pois, no programa preparado pelo pelouro da dita, para esta tarde de quarta-feira - dando (mais) uso à tenda no Cardal. 

Como as estrelas maiores ficam sempre para o fim, lá se arranjou maneira de tornar orador mais um apóstolo da Felicidade, que atualmente desempenha as funções de chefe de Divisão de Desenvolvimento Social e de Saúde na Câmara de Pombal. Para os que se intrigavam com o papel de 'vereador oficioso' que desempenha em atos oficiais, ao lado do executivo, eis a resposta. 

A 'jornada' termina com o Tochas, longe dos tempos em que usava o seu humor para denunciar como é que o rei ia nu em Pombal. Mudam-se os tempos, os autarcas, as vontades, continua a haver dinheiro e por isso há palhaços.

Sorriam! estão a ser captados :))))))

29 de dezembro de 2023

Assobia para o lado


 

As redes sociais andam agitadas com a última novidade da Base.gov, onde a câmara de Pombal é obrigada a revelar tudo o que não consegue esconder, em matéria do que é gastar o nosso dinheiro. Sem rei, mas com muito rock. 

Depois de amanhã há passagem de ano - tão reclamada durante tantos anos - e claro que a grupeta de Pedro Pimpão não fazia por menos: Carlão, um nome sonante da cena musical, é cabeça de cartaz. E mesmo que a atuação aconteça às 22h30 (hora a que a maioria dos pombalenses estará a jantar, em casa ou num restaurante), é noite de reveillon e é caro atuar na província: 34 mil euros é quanto nos vai custar. Depois, quando finalmente a malta sair de casa para fazer a festa no Jardim do Cardal, sobrarão umas migalhas para o Dj Nuno Fernandez e os Bagunçada, dois miúdos simpáticos que já estão habituados a levar com os fins de festa (quem não se lembra de Agosto nas Meirinhas?)

Entretanto, o nosso presidente regressou às redes (depois de mais umas férias) para embandeirar em arco com as notícias sobre o prémio com que a API o distinguiu: Promoção da Imprensa. Se eu não conhecesse tão bem o que está na génese destes prémios (e de quem os idealiza), quase pensava que houve ali um engano no artigo (in)definido, pois que para Pedro Pimpão o prémio faria sentido se fosse Promoção NA Imprensa. 

E eu, que o conheço desde os tempos em que ele andava "lá pelos corredores do jornal" (como gosta de lembrar) não percebo como pode um autarca fazer alarde de um prémio destes, quando a imprensa e a rádio na sua terra chegaram ao que se sabe. Há quanto tempo não se lembra o leitor de uma reportagem, de uma entrevista (a sério, sem ser um guião com deixas para autarcas brilharem), de uma notícia que belisque a beleza da realidade perfeita? Há quanto tempo despareceu a imprensa incómoda, de que foram percussores o pai e o tio do nosso autarca-modelo?

Bem vistas as coisas, é fazer como canta o Carlão: assobia para o lado. 

19 de maio de 2023

Eleições no Sporting de Pombal: do desinteresse colectivo à join-venture


 


De hoje a oito dias há eleições que vão ditar os próximos anos do Sporting Clube de Pombal. O futuro é outra coisa. 

É sabido que não somos dados a bairrismos e que o nosso sentimento de pertença se esvai numa estrofe do 'Ai meu Pombal', e por isso ninguém estranha que sejam meia dúzia os que vão bola ao domingo à tarde.

Acontece, porém, um fenómeno nos últimos anos. É uma espécie de quarto segredo de Fátima revelado em capítulos: as últimas vezes em que houve eleições aparecem rapazes cheios de vontade de as ganhar. E dali têm saltado para outras responsabilidades maiores, mesmo que o clube aparentemente não dedique grande importância ao trampolim. 

Ora, o que acontece desta vez está para além dessas ânsias. Há duas listas, com slogans irrepetíveis, e por isso os sócios são chamados a embarcar na evolução na continuidade (Continuar o Rumo Certo) ou partir para outra dimensão (Uma equipa sem igual). É esta última (e inovadora) proposta que propõe transformar o SCP numa coisa moderna, em registo SAD. Pois se somos uma smart city, destilamos felicidade  às colheradas e temos características de comunidade solidária...porque não havemos de dar esse passo? Isso de clube da vila é tão jurássico como as cadeiras do estádio. Vejo-me facilmente a assistir a um Cristina talks no municipal, apresentado pelo guru Pedro Roma e pela presidente da junta, Carla Longo, que decidiu marimbar-se para a independência e integrar uma das listas. É de mulher. Ou falta de noção, só. 

E anseio pelo tocante testemunho/apadrinhamento de Pedro Pimpão nas redes. Nada temas, Pedro. Isto é tudo vosso. 



27 de dezembro de 2022

Marcha do pequeno autarca

Numa altura do ano em que abundam os jantares das colectividades e instituições, deixo uma pequena marcha para ser cantada pelos nossos jovens autarcas que, coitados, não têm tido parança.

Marcha do pequeno Autarca

Somos pequenos Autarcas
Mas já fortes e leais
Amamos e respeitamos 
Nossas farras e arraiais.
Queremos espalhar amor
E a plebe seduzir
Desejamos já ser grandes
Pra muitas festas curtir.

Cabeça erguida, sereno olhar
Seguindo em frente a marchar
Somos pequenos mas amanhã
Juntos  iremos petiscar.
E se algum dia preciso for
Passar o dia a apertar a mão
Iremos com a fé em Deus
E com Pombal no coração.

4 de agosto de 2022

Altruísmo ou egoísmo?

Nesta madrasta terra, cultiva-se uma espécie de altruísmo, aparentemente alegre e confiante, que justifica todas coisas e fá-las parecer boas porque desperta “belos sentimentos” de compaixão nos sofredores. 

Porque não há actos absolutamente “desinteressados”, a generalidade dos filósofos tem muito pouca estima pela compaixão (uma coisa muito cristã). Na bondade e na compaixão há por vezes uma insolência que parece malícia, no aproveitamento dos sentimentos mais básicos para benefício próprio. 

O apelo sistemático às emoções conduz a um hipersentimentalismo que, no lugar de fortalecer, debilita e deprime. Lá se vai a felicidade.

«Não havia ‘nexexidade’!». 


25 de julho de 2022

O Pedro, a imagem e a felicidade

O profeta Pedro acredita que as suas promessas já estão a surtir efeito – no que esta criatura não acredita! Vai daí, encomendou à Aximage - Comunicação e Imagem, Lda um inquérito de opinião sobre a felicidade do rebanho, já em curso.



O Pedro acredita em amanhãs radiantes, onde tudo é amor e felicidade; tal como acredita que as almas caridosas alcançarão o paraíso celeste, e, com ele, os pombalenses atingirão a felicidade terrena. Por isso, age politicamente por determinismo metafísico, sonhando conciliar o inconciliável e dar felicidade ao infeliz, ou seja, unir todos e tudo na adoração à sua pessoa.

Para o Pedro a política é diversão e ilusão; onde ele se dedica a procurar estrelas no céu, porque acredita que o céu estrelado gira em torno do destino do homem. Arranjava-se paciência para ouvir os desejos do Pedro se pudéssemos passar longas tardes no Arunca estendidos numa canoa. Mas infelizmente tal não é possível: o Arunca não é usufruível, e a vida para o cidadão comum não é um brinquedo ou uma fábula encantadora.

Não há criatura mais infeliz que o escravo dos seus desejos. A sôfrega paixão pela empatia conduzirá o nosso profeta ao desespero. E nós ao mesmo marasmo.

Cumpra-se o destino… Que mais se pode fazer?

2 de abril de 2022

O Pedro e a Felicidade

Na ausência de melhor a que se agarrar, o Pedro quis fazer da felicidade um programa político. Desconhece, coitado, que a (ação) política e a (pregação da) felicidade são inconciliáveis – atrapalham-se e anulam-se. 

O Pedro (enquanto figura pública) viveu sempre no reino da fantasia, mas vai deixar de viver… Para ele a política é um simples jogo de aparências onde basta aparecer, dissimular e fingir. Esquece-se que os problemas não se resolvem com fintas ou toques de magia. E quem lhe confiou os destinos da câmara esqueceu-se que um simples escuteiro não dá necessariamente um profeta, nem um presidente de junta dá um respeitável presidente de câmara.

Supostamente, o Pedro “estudou” (fez um MBA) sobre Felicidade - ao que a Academia chegou! -; mas não sabe articular duas ideias sobre a teologia que diz prosseguir. Praticou administração autárquica; mas não sabe nada de administração autárquica. Não sabe porque não aprende, não sabe porque nem sequer tenta aprender. 

Eis a sua - e a nossa - maior desgraça (política).         

               

28 de março de 2022

Fazer umas coisas...



O mundo do trabalho (mas também o do associativismo) tem mudado de forma radical nos últimos tempos. Essa mudança encontra-se alavancada numa nova forma de planear a ação das organizações (qualquer que seja a sua tipologia) assente no desenho e implementação de projetos, sobretudo pela forma como tal possibilita o acesso a fundos da União Europeia.
Quando um avaliador de candidaturas recebe uma dessas propostas, começará por se focar na análise de necessidades efetuada localmente, na definição de objetivos que dela decorre e no alinhamento destes com as atividades propostas. Posteriormente, atentará no potencial de impacto nas pessoas e nas organizações e as formas de avaliar e de monitorizar os resultados.
Neste processo, cabe ao avaliador distinguir um verdadeiro projeto, com significado para o seu público-alvo, de um conjunto de atividades soltas a que poderíamos chamar "fazer umas coisas..." O primeiro decorre de uma verdadeira planificação e de uma visão clara do que se entende vital e verdadeirame te transformador. O segundo costuma ser falta de preparação misturada, por vezes, com arrogância e incapacidade de escutar sugestões que sigam em sentido contrário.
A Resolução 66/281 adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 28 de junho de 2012 sugere aos Estados-Membro a comemoração do Dia Internacional da Felicidade a 20 de março, através de atividades de educação e de conscientização públicas. Essas atividades, deveriam contribuir para a inclusão, a equidade, a sustentabilidade, a erradicação da pobreza, de modo a promover a Felicidade e o Bem-Estar de todas as Pessoas.
O que aconteceu em Pombal recentemente foi mais uma prova de que estamos no ponto de "fazer umas coisas" para colocar nas redes sociais, de modo a garantir que tudo fica na mesma, que quem está bem continua bem e quem está mal fica cada vez pior. As necessidades locais estão bem identificadas. O problema é que não existe vontade, nem capacidade, para se definirem objetivos claros, concretos e mensuráveis (SMART), para se desenharem atividades alinhadas com esses objetivos nem com as necessidades do público-alvo. Não se envolvem parceiros que sejam mais-valias (onde ficou a Educação? No pedido de vídeos de legalidade duvidosa aos professores das A.E.C.?), nem se faz uma avaliação estruturada. Em resumo, este tipo de ação não apresenta qualquer potencial de impacto, pelo que se resume unicamente a um desperdício de verbas, sem qualquer retorno para as cidadãs e para os cidadãos.
A um avaliador de projetos caberia a tarefa de reprovar uma candidatura assim desenhada(?). Às e aos munícipes de Pombal pede-se que tomem nota desta e de outras ações semelhantes e que se questionem se foi este o sentido que quiseram ao seu voto.

Luís Gonçalves
(professor)

19 de março de 2022

Felizes e mal pagos



Desde muito cedo que aprendi a conviver com a agricultura e com as hortas. Para lá do seu emprego, os meus pais sempre cultivaram largas extensões de terreno em pontos diversos da freguesia. Todavia até cuidar de catos e suculentas parece ser uma tarefa para a qual não terei sido talhado. Afinal, os conhecimentos não se partilham por osmose e, para saber do mester, é preciso trabalhá-lo e estudá-lo.

Verdades como esta são consideradas lapalissadas na maior parte do mundo civilizado. Porém, cá no nosso cantinho interior, à beira-mar encurralado, nada disso parece importar. 
Décadas de estudos em ciências da educação parecem ser meros apontamentos de rodapé nos currículos de especialistas, pois ser filho de docente parece ser condição suficiente para se perorar sobre tal matéria. E se ainda juntarmos umas digressões pelas escolas no âmbito do Parlamento dos Jovens bem como umas generalidades na Comissão Parlamentar de Educação, temos um cocktail que garante um conhecimento alargado sobre a matéria (com custos que descobriremos a curto prazo). 

Em Pombal, parece viver-se uma ficção. Publicam-se documentos encomendados a consultores, que apresentam pouca ligação à realidade local e, ultimamente, enveredou-se pelo caminho do "se pensar nisso com muita força, vai acontecer". No filme "Bruce, o Todo-Poderoso", a personagem principal consegue mudar o seu mundo apenas com a força de  vontade. Mas, até no mundo encantado do cinema se percebe que não é bem assim. Menos no tal concelho que resiste estoicamente à cultura do conhecimento, qual aldeia gaulesa do Astérix. Por lá, basta "querer muito", sobretudo se começarmos a "querer muito" desde o pré-escolar e a falar para as câmaras sobre o que é a felicidade (aguarda-se com expectativa o que dirá a Comissão Nacional de Proteção de Dados). 
Depois, levam-se esses testemunhos a conferências sobre "Happy schools", debitam-se banalidades durante 20 minutos perante nos novos gurus (resta saber quem os elevou a tal) e, no final, tudo se resume à defesa de uma Estratégia Nacional para a Felicidade e Bem-estar (onde estava tal autarca entre 2011 e 2015, quando o índice de pobreza em Portugal aumentou? Estaria a seguir uma expressão dos guias turísticos de Punta Cana? "Nosotros somos como los portugueses: j#didos pero felices") e que "os autarcas devem  ser facilitadores e não obstáculo". 

Basicamente, nesta lógica, os autarcas são meros relações públicas ou, se quisermos, uma espécie de Rainha de Inglaterra a quem basta ler um discurso, sobretudo se tiver sido soprado ao ouvido por esses grandes especialistas da Universidade Atlântica (com qualidade internacional reconhecida pelo Convento) ou por escribas de livros de auto-ajuda para quem o querer é suficiente para se ser feliz. Que o digam aquelas mães que se levantam todos os dias às 5 da manhã para ir fazer limpezas e que chegam a casa pelas 8 da noite... Ou as pessoas que vivem encurraladas entre um morro e um linha de caminho de ferro... Ou as pessoas que vivem sozinhas por essas aldeias deste interior/litoral... ou as mulheres que sofrem num mundo completamente dominado por homens... ou as pessoas que fogem de uma guerra que não poupa ninguém... estou ansioso por escutar,  amanhã, os testemunhos destas pessoas, na convenção da felicidade.

Luís Gonçalves 
professor

8 de março de 2022

A Felicidade encomendada


 

O Pedro vai acolher na sua cidade - que por acaso também é nossa - a I Convenção do Dia Internacional da Felicidade, um tema que o deixa como peixe na água. A Câmara a que preside, em nosso nome, vai sustentar esta horda de gente feliz, liderada pela I Have the Power, uma marca dominada em Portugal por um guru da felicidade (Adelino Cunha), verdadeira máquina de fazer acontecer sonhos, a avaliar pelo marketing associado. 

Até aqui, nada contra. A oposição há-de encarregar-se de perguntar alguma coisa sobre isto numa reunião pública, qualquer coisa que tenha visto "nas redes sociais", leia-se Farpas. Ora se o Teatro Cine está tanto tempo às moscas, é deixar esta gente espalhar emojis amarelinhos e corações e sorrisos e amor entre si. 

Onde é que o sorriso fica amarelo desmaiado? É naquela parte em que as escolas da cidade receberam indicações para gravar vídeos com as criancinhas, a propósito da Felicidade, para serem usados numa palestra que teria como orador o dr. Pedro Pimpão. De permeio, alterou-se o programa. O Pedro já não vai ser orador...pelo menos não consta no elenco, a não ser que apareça como convidado-surpresa. Mas continua a apelar ao povo que se inscreva na convenção. E a Câmara continua a pagar um anúncio para que isto seja um sucesso e nos apareça como publicidade patrocinada no facebook. 

Mas o que foi que nós fizemos para merecermos isto?