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3 de dezembro de 2025

Retrato de família abrigado da chuva




Na semana passada a Câmara promoveu um daqueles momentos em que as fotos falam. Foi a assinatura dos "contratos-programa de desenvolvimento desportivo" que "representam um esforço municipal de 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝟰𝟲𝟬 𝗺𝗶𝗹 𝗲𝘂𝗿𝗼𝘀, que serão canalizados para o apoio da atividade e 𝗽𝗿𝗮́𝘁𝗶𝗰𝗮 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗶𝘃𝗮 𝗱𝗲 𝟯𝟰𝟬𝟴 𝗮𝘁𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝟭𝟴 𝗺𝗼𝗱𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀, 𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗮𝗶𝘀 𝟮𝟳𝟬𝟮 𝘀𝗮̃𝗼 𝗮𝘁𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼", segundo a autarquia.
Poucos momentos explicam tão bem o tipo de associativismo que temos nesta terra, liderado por quem, para fazer o quê, e como o poder autárquico se alimenta de tudo isto. Está ali plasmado neste "retrato de família", tirado ao mesmo tempo em que, para tapar a cabeça, a manta de retalhos que cobre as infraestruturas desportivas de Pombal deixa os pés à mostra. À mesma hora, a tão saudada vinda da selecção feminina alemã de sub-23 era o espelho disso mesmo: as raparigas não puderam equipar-se no Estádio Municipal onde treinavam porque os balneários não reúnem o mínimo de condições. Fizeram-no no pavilhão Eduardo Gomes, o único que temos na cidade, também ele apenas adaptado a dias sem chuva, tal como acontece de resto nos pavilhões da Redinha e Louriçal. Está tudo bem. Para voarmos mais alto não podemos ligar a estas minudências. Ou então cortamos logo o mal pela raíz: há poucos dias, um camarada radialista queixou-se aos representantes do poder de que na cabine de imprensa do pavilhão chovia como na rua. Um nem sequer sabia que "aquilo era um espaço para a imprensa", outro atravessou-se logo a resolver com prontidão, avisando que, se era assim, proibia o relato e pronto. 
Esta é a cidade que escancara as portas a tudo o que é associação do sector, depois do poder ter acabado com a imprensa livre. Desafio os leitores a pesquisarem no site da Associação Nacional de Imprensa Regional o que disseram aqui os oradores - não há-de ser muito diferente do que aqui vão dizer os que vierem, a 18 de Dezembro, comemorar o Dia Nacional da Imprensa. Por isso a piada faz-se sozinha.
O retrato é que não. 

12 de abril de 2021

Enfim, a Casa Varela

 As dores de parto da Casa Varela estão aqui arquivadas neste blogue, há vários anos. Mais do que aqueles em que esteve em obras, a cargo de uma mão cheia de construtores, saltitando de plano em intenção, sem nunca existir para ela um projecto definido. Ou melhor, existiram tantos, avulso, que o edifício parecia saído do conto infantil "Pedro e o Lobo": quando finalmente era verdade, já ninguém acreditava. Afinal, não foi um restaurante, nem um espaço de co-work, nem um hostel, nem uma pousada. É desde há uns meses um Centro de Experimentação Artística e acabou de abrir as portas ao público, ainda que timidamente - como tem de ser, em tempo de pandemia.

Enquanto no andar de cima continuam a acontecer residências artísticas, no de baixo está uma exposição de Nuno Mika. Chama-se "Interactivity" e resulta de duas instalações de arte digital, que podem ser experimentadas até Junho,  de quarta-feira a sexta-feira, das 16h00 às 21h00 e sábado e domingo, das 10h00 às 13h00 (por agora).

Talvez este não seja o destino que cada um de nós imaginou para a Casa Varela. Como falava há dias com o Filipe Eusébio (diretor artístico), cada um tinha uma ideia para ela. Mas vê-la abrir as portas à arte e abrir-se ao público é uma boa notícia. Falta-lhe (mais) autonomia, que lhe permita comunicar por meios próprios e construir a própria identidade, mesmo tratando-se de um equipamento municipal. Mas isso vai-se experimentando, e se esperámos tantos anos para a ver de pé, nada nos impede de acreditar que possa ter autonomia, personalidade, independência. Abrir-se ao mundo e trazer o mundo aqui, através da arte, independentemente da origem dos artistas. Além de tudo, é muito bom ver alguma coisa de novo e alternativo a acontecer numa cidade que está presa ao estigma bafiento do Marquês e parece caminhar só para o passado.



22 de setembro de 2019

Desporto molhado, desporto abençoado

Toda a gente sabe que a função dos pavilhões desportivos da cidade é acolher peregrinos em épocas altas para Fátima. E que nos intervalos há uns clubes que praticam duas ou três modalidades, com a mania de entreterem os miúdos cá da terra. E de receberem, em jogos oficiais, clubes visitantes.
Ora acontece que há anos que o Pavilhão Eduardo Gomes mete água por todos os lados, sempre que chove, danificando o piso, tornando-o impróprio para a prática. Aconteceu hoje outra vez.
Rezam pouco, os dirigentes desportivos cá do burgo. As preces junto do poder local não têm servido para mais que engordar a lista do #PombaléDesporto.
Estudassem.


20 de janeiro de 2019

Uma “brilhante” trapalhada

O nosso douto e rigoroso presidente também não lê os documentos que leva às reuniões do executivo. Falha indesculpável, presidente: sabe bem que não pode confiar no trabalho do vereador.
O documento “cheira-mal” por todos os lados! Não são só as profundas incongruências jurídicas; mostra que quem o fez não tem noção nenhuma do que estava a fazer.
PS: a doutora Odete esteve muito bem a secretariar o executivo – merecia uma avença jurídica. O presidente, logo a seguir, deu-lhe bem a paga.

18 de fevereiro de 2018

Seguir a pista ou ignorá-la?



A pista coberta de atletismo é um filão que o Município de Pombal nunca conseguiu explorar, por inabilidade ou desmazelo. Na verdade, tem servido de muito pouco além de encher a boca e compor programas eleitorais, como está bem de ver.  A instalação da pista foi um bom legado que ficou da vintena de Narciso Mota no concelho, mas o(s) executivo(s) de Diogo Mateus tinha(m) obrigação de a promover, de conseguir com isso mais do que umas dormidas para os hotéis da terra. É confrangedor perceber que a única pista in door no país não é aproveitada de outra maneira, fazendo (mesmo) de Pombal a capital do atletismo de Inverno. 
Ontem à tarde a pista voltou a receber o campeonato nacional de clubes, amplamente anunciado nas tv's dos grandes. Em Pombal, tirando para a meia dúzia que se interessa pela modalidade, o evento passou ao lado. E no Expocentro, ficaram a nu as fragilidades de sempre: não há segurança contratada para o evento; o espaço não oferece condições mínimas de conforto (e segurança, nomeadamente as bancadas) a quem queira assistir às provas, e a Câmara mostra bem o nível de interesse e aposta na iniciativa quando faz a festa com dois ou três funcionários. Com o presidente em viagem pelas américas e o vereador do desporto, Pedro Brilhante, ocupado com o cargo da Jota e o congresso do PSD, tudo o que sobrou foi a presença do vereador Pedro Murtinho, e de Pedro Pimpão, no fato de deputado da nação.  

26 de janeiro de 2018

O falso diálogo

*Foto partilhada pelos vereadores Pedro Brilhante e Ana Maria Cabral

A Câmara reuniu com uns quantos dirigentes desportivos para discutir o Pavilhão Multiusos. Com a simulada discussão, a câmara quis atingir dois objectivos (políticos): obter a concordância do grupo (escolhido à medida, de entre os mais colados e adocicados pelo regime) para a - há muito decidida - localização do pavilhão; segundo, aproveitar o “número” para propagandear uma gestão participativa – abrangente, dizem.
É muito discutível, para não dizer desapropriado, que na decisão da localização de um pavilhão participem unicamente dirigentes desportivos; mas é claramente redutor, que na suposta decisão da localização e valências de um Pavilhão Multiusos (para vários usos: desportivos, recreativos, culturais, sociais, etc.) participem, unicamente, dirigentes desportivos.
O estilo autoritário de exercício do poder não envolve ninguém na decisão, nem os dirigentes mais próximos (ministros); e quando simula a participação, usa e compromete, ainda mais, os já comprometidos.

6 de outubro de 2016

Importa-se de repetir, senhor presidente?

Disse mesmo que "não há uma delas que não tenha uma parque infantil decente..."? Quando é que marcamos uma visita guiada à EB1 de Pombal, a funcionar desde o ano passado no edifício Conde Castelo Melhor? Não é decente. Pela simples razão de que não existe.

9 de agosto de 2016

Onde pára a praça de Táxis?

Está a tornar-se provisoriamente definitiva a localização arranjada à pressa, há três anos, para os táxis da cidade de Pombal. Se bem se lembram, estavam ali ao Cardal, antes da regeneração urbana. Pela dose de paciência manifestada até agora, os taxistas de Pombal não são apenas a antítese dos de Lisboa: merecem a medalha municipal da tolerância, exequo para quem utiliza o serviço, na sua maioria idosos. De forma que o senhor Cardoso, 90 anos já batidos, tem um dilema de cada vez que vem a Pombal, à segunda-feira: esperar pelo autocarro até às 18, e desidratar nos 40º à sombra, ou apanhar um táxi, mal se despache das suas voltas, e desidratar mais depressa. 


23 de março de 2015

Idade das trevas


Por incrível que pareça, o que se vê acima é uma fotografia. Foi tirada ontem, às 22 horas, numa das ruas principais da aldeia onde moro. A iluminação pública, como tem sido hábito, ligou só após este horário, e depois de 3 horas de "trevas". É só por lá, ou é uma generalidade nas aldeias do concelho?
Eu também sou favorável à poupança, mas isto é claramente um exagero.

10 de outubro de 2013

Enfim, o estádio das Meirinhas


Domingo próximo vai ser inaugurado o famigerado estádio das Meirinhas, agora despromovido a campo de futebol.
O programa das festas é tão bom que merece ser emoldurado.
O espaço vai receber o nome de um homem grande, que deixou uma marca profunda em tudo o que é desporto e cultura da terra: António Mota Assis. Até percebo a forma airosa que a Câmara encontrou para minimizar os estragos: assim é impermeável à crítica - pensarão certos conselheiros.
A uma semana da tomada de posse do novo executivo municipal, Narciso Mota despede-se com chave de ouro das Meirinhas.

7 de outubro de 2013

Verdes são os campos

No Alto dos Crespos há poesia no ar e dinheiro no chão. Não num, mas em dois campos de futebol (um deles polidesportivo) crescem pastagens e devia crescer também alguma vergonha na cara dos autarcas: há clubes nas redondezas que agradeciam um espaço como aqueles para treinar ou jogar. Depois do muito que vi e ouvi ao longo das últimas semanas, fica claro que a filosofia/critério para conseguir espaços e apoios (exibidos como se fossem medalhas, nalguns casos, por parte das direcções das colectividades) é elementar, meus caros: quem não chora não mama. E quem sabe chorar com o timbre certo e a côr adequada, tem tudo o que quer. Mesmo que a utilidade seja...nenhuma.