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9 de julho de 2019

O regresso de António Pires

António Pires acaba de ser eleito director do Agrupamento de Escolas da Guia, num processo eleitoral que destronou António Duarte (que nos últimos anos dirigia as escolas do oeste, mas acabou por ser excluído do concurso) e teve a particularidade de reunir dois ex-vereadores da Câmara de Pombal: António Pires e...Fernando Parreira (também excluído).
Há uma certa ironia no destino que reveste esta chegada de António Pires à Guia. 
Antes de ter sido vereador - que mal aqueceu o lugar, saindo em ruptura com o presidente Diogo Mateus, meses depois de eleito - pelo PSD, dirigiu com mestria o extinto Agrupamento Marquês de Pombal. Foi lá que deu nas vistas, que Diogo o foi buscar para a lista, qual grande aposta para a Educação e Cultura. 
Pires - que nas últimas autárquicas apoiou a candidatura de Narciso Mota e foi eleito para a Assembleia Municipal através do movimento independente que a suportou - regressa à ribalta pela porta da Guia. Ora a Guia é nada menos que a terra de Manuel António, o actual presidente da comissão política do PSD - que tudo fez para o afastar de qualquer cargo de direcção escolar. Tantas voltas que a vida dá...

5 de fevereiro de 2019

O presente envenenado



O impoluto Diogo Mateus escolheu para coordenadora do programa CLDS-4G a psicóloga Rita Mota, filha de Narciso Mota.
Como? - perguntará o leitor atento, sabendo da chacina política que o presidente tem feito ao seu antecessor; da humilhação constante nas reuniões públicas e gravadas, do processo que corre em tribunal movido pela nora do mesmo Narciso, contra a Câmara Municipal, onde também trabalha. 
Como? - terá perguntado a vereadora do PS, Odete Alves, na última reunião de câmara, convencida de que esta nomeação cheira a "uma forma de silenciar ou controlar" o agora vereador da oposição.
Como? tem razões para se interrogar Teresa Silva, presidente da direcção da APEPI - a entidade gestora do dito programa CLDS-4G, ligação que vinha do tempo em que a sua IPSS  e a Câmara tinham uma relação umbilical, em que também ela era uma mulher social-democrata, ao ponto de dar o nome da deputada (e ex-secretária de Estado) do PSD, Teresa Morais, à Casa Abrigo. No meio social toda a gente sabe que a filha de Narciso Mota não era a escolha da APEPI para coordenadora técnica deste projecto - que dura há anos e ninguém sabe muito bem o que é, para que serve, que resultados se apuram do meio milhão de euros investido, de cada vez que cai "no terreno". E toda a gente sabe que Diogo não perdoa nem esquece. E que, na verdade, esta nomeação - para um cargo pago a peso de ouro, com dinheiros públicos - é uma espécie de presente envenenado, qual pescadinha de rabo na boca: a filha daquele que foi seu adversário, que lhe lhe chama vingativo todos os dias, que levou com ele muitos do PSD, como Teresa Silva. 
O futuro há-de mostrar como este caso é um isco e quem o vai morder.  

27 de março de 2018

A queda do império


As notícias sobre essa galinha dos ovos de ouro (nascida e criada no Louriçal) estão a sair a conta-gotas. Nem tudo é mau, neste relambório. Para os restaurantes cá do burgo cumpre-se aquela máxima de que 'não há boa nem má publicidade, há publicidade'. Nesta notícia da revista Sábado sobre os "crimes de corrupção activa e passiva, peculato, falsificação de documento agravada, burla qualificada e abuso de confiança qualificado", em que, segundo a acusação do Ministério Público, o Estado "foi prejudicado em 30 milhões de euros, sendo que parte desse dinheiro foi gasto em jantares, férias, viagens e cruzeiros", também sai prejudicado um restaurante dos nossos, pois que a designação correcta é 'Os Amigos da Velha Caroca'. Feito o reparo, sempre gostava de saber o que têm agora a dizer os camisola-amarela desta vida, que há coisa de dois anos rasgaram as vestes em defesa deste modelo. 

Para memória futura, fica o registo: "Em 2006, a acusação refere que foram consumidas, às refeições, bastantes garrafas de vinho "cujo preço variou entre €75 e €120 a garrafa".  Já em 2007, o ano em que o valor das facturas apresentadas foi mais elevado, registaram-se €8.673,74 gastos em restaurantes como O Manjar do Marquês, Cervejália, Amigos da Velha ou Puttanesca. 

No ano seguinte, os arguidos foram clientes de dois restaurantes principalmente: O Manjar do Marquês e o Tirol. Os restaurantes emitiram facturas no valor de €2.100 e de €2.671,10, respectivamente, ao longo do ano".

3 de dezembro de 2017

A presidente c'est moi



A primeira reunião da Assembleia Municipal tinha tudo para ser cordial e simultâneamente inócua, atendendo à ordem de trabalhos, dominada pela eleição dos diversos membros para representar a AM (e a todos nós) em vários organismos. Já se sabe que, na sua maioria, aquilo servirá de muito pouco, mas já que é assim há tanto tempo (não é dr João Coucelo?) seria uma chatice mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma.
Ora acontece que esta nova AM começa mal, partindo da (des)orientação dos trabalhos e da postura da nova presidente, Fernanda Guardado: bem sabemos que a tentação de imitar D. Diogo é grande, mas...como em tudo na vida, é preciso ter corpo para a mania. 
Foi arrogante ao mostrar uma enorme inflexibilidade na atribuição do uso da palavra aos membros da assembleia, nomeadamente  nas interpelações à mesa, colando-se aos tiques autoritários do presidente da Câmara. 
Fica-nos a dúvida: se o desempenho a que assistimos foi porque quis, ou porque não sabe mais.
É verdade que acordou tarde para a vida política, ainda assim já anda nas lides autárquicas há anos suficientes para perceber como se faz, como se honra o legado de Menezes Falcão, António Rocha Quaresma, Luís Garcia ou José Grilo Gonçalves, num passado recente. Fernanda Guardado foi parcial, porque tratou com toda a parcimónia a bancada do seu partido, e usou de toda a prodigalidade para com as bancadas da oposição.
O mais grave foi quando propôs – e foi aceite – a dispensa da votação de uma lista conjunta com o argumento de que, se era conjunta, seria aprovada por unanimidade. A votação de pessoas é sempre nominal e por voto em urna. Os partidos podem acordar uma lista conjunta, mas o voto é sempre nominal e secreto. E o resultado da votação só é considerado válido após a contagem dos votos em urna.
Em suma: mostrou que não sabe conduzir a assembleia. Tendo em conta que esta reunião (extraordinária) se limitava a cumprir formalidades habituais, o que será no futuro, quando a actividade política for a sério? 
Há ainda a manifesta insensatez na forma como tratou o caso JGF e inerentes ocupações desse lugar, mas esse é um caso que merece um post, de tão rico que é. 

23 de novembro de 2017

A insustentável leveza da transparência


A Câmara de Pombal faz um brilharete no todo regional (e nacional) no que respeita à transmissão, em vídeo, das reuniões públicas. O Farpas agradece, a população também deveria agradecer, tal como os media locais, que poderiam fazer grande número com o feito, bastando que trabalhassem o que resulta desta plataforma. E é muito. Diogo fá-lo porque sabe que joga em vantagem, que é dono e senhor da estratégia, da táctica, do exercício retórico, e - mais importante de tudo - da forma como comunica, fazendo uso certeiro de todo o tipo de expressão, mais ao menos a antítese do que acontece no filme 'O Discurso do Rei'. Aqui, o nosso monarca é muito mais razão do que emoção. E é dessa sua característica que decorre a escolha dos ajudantes. São escolhas à partida incompreensíveis para quem analisa a postura superior, acima da plebe. Mas basta descascar essa laranja para alcançar a explicação: há trabalho que tem de ser feito, preferencialmente pelos outros. Assim se percebe a tentação de serem, quase todos, mais papistas que o papa, tentando agradar para receber um louvor, um afago. Assim se explica que um falso avençado - com as funções de assessoria na área da comunicação - seja lesto a dar ordem à prestadora de serviços que é a  Pombaltv, ordenando que cesse a transmissão, como aconteceu naquela primeira reunião do executivo. 
Há colheres de chá que saem caras.

3 de outubro de 2017

Assumir a derrota, é Claro



Passaram dois dias das eleições autárquicas e não se ouviu uma única declaração do PS sobre os resultados eleitorais que dizimaram o partido nas urnas do concelho de Pombal. O candidato à Junta, Aníbal Cardona, veio ontem agradecer aos que o apoiaram e nele votaram (e são mais 500, no caso, na freguesia de Pombal, quando comparados os resultados). 
De Jorge Claro não é conhecida qualquer mensagem. 
Vamos então a factos: o PS partiu para estas eleições como um condenado à forca. Arrastou-se pelo concelho sem qualquer mobilização, sem aquilo que é vital numa campanha - e que, por exemplo, no vizinho Ansião, foi decisivo para a vitória histórica: energia. Escolheu candidatos às juntas como quem vai ali fazer um solteiros-casados, entregando esse processo a quem pouco ou nada percebia dele. Não tem gente - poderão dizer. Porque não quer, digo eu. Ao longo dos últimos anos o PS foi votando ao abandono e ao desprezo todos aqueles que se aproximaram do partido em eleições autárquicas. Não falo daqueles que gostam de coleccionar camisolas, mas de tantos que tinham vontade (tão importante...) de fazer acção política. O PS fez sempre vista grossa a tudo o que aparecia de 4 em 4 anos, definhou por dentro e isso notou-se cá fora, contrastando com o crescimento que o partido foi revelando a nível nacional - pela primeira vez expresso também no distrito de Leiria, velho bastião laranja. Talvez embalado por essa onda, este ano, pela primeira vez em muitos, um grupo de jovens abeirou-se do partido para ressuscitar a JS. Deram-lhe o jardim do Cardal para encher, é claro que foi um fiasco e nunca mais se ouviu falar deles. Nesse dia, o candidato à Câmara foi ao palco discursar e não fez sequer uma referência à juventude que organizava a festa.
Neste último mandato, o PS não se mostrou oposição nem alternativa, optando por uma postura morna, sem levantar ondas (para isso já basta o Farpas...), aprovando quase tudo sem reservas, como quem quer passar entre os pingos da chuva sem se molhar. Acontece que o eleitorado (que vota, cerca de 50%) divide-se entre prós e contras. E dentro desse, havia um eleitorado fiel ao PS que foi desaparecendo, por não se rever na forma e no conteúdo. Basta olhar para os resultados e percebe-se bem para onde fugiu. Para quem achava que a entrada de Narciso Mota na corrida e a alegada cisão que provocou no PSD viria beneficiar o PS, aí está a resposta.

*foto: Pombal Jornal

29 de setembro de 2017

Então, Fernanda?


A Rádio Clube de Pombal emite amanhã à noite o último dos debates, mas nem por isso menos importante: o dos candidatos à Assembleia Municipal, gravado esta noite, nos estúdios da rádio. Ora acontece que o debate ficou coxo, pois que a cabeça de lista do PSD não apareceu. Tanta expectativa que tínhamos em saber como é que a potencial vencedora lida com o debate político, e afinal ficamos na mesma. Já sabíamos, porém, que Fernanda Guardado lida mal com os rivais em campanha... mas era esperado que, no único debate entre os oito candidatos àquele órgão máximo do município - metade dos quais são mulheres - mostrasse algumas das capacidades exigidas a quem o pretende liderar. Das duas, três: ou Fernanda não quis ir ou o partido não deixou. Ou aquilo em Vila Cã está mesmo tremido, de modo que todos são poucos para vestir a camisola e fazer número...