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26 de janeiro de 2026

Do negócio de porcos à porca da política

O assunto parecia encerrado, desde há vários anos, mas eis que renasceu: a Câmara de Pombal equaciona aprovar a exploração de uma suinicultura na renascida freguesia da Mata Mourisca, que vai afectar pelo menos oito localidades de duas freguesias. Não há como dourar a pílula - quem mora na Mourisca de Baixo, nas Biqueiras, nas Castelhanas, na Moita de Boi e outros lugares limítrofes corre o risco de passar a viver infestado pelos cheiros e pela merda. Vamos dizer isto com todas as letras, para ver se os senhores e senhoras autarcas percebem bem. 
Está em marcha uma petição - que pode e deve ser assinada por qualquer um, seja ou não morador, pois que numa terra que aceita tudo é melhor todos porem as barbas de molho - mas é preciso endurecer esta luta. É preciso ir à reunião de Câmara, ir à Assembleia Municipal, ir a todo o lado expor o que não era suposto: a mesma Câmara que entre 2019 e 2021 travou a criação de porcos no meio das pessoas, à beira de uma ribeira, está agora a vacilar e pondera aprovar o que vai ser - não duvidem - um atentado ambiental. 
Na aldeia onde nasci e onde moram os meus já há meses que se sabe disto. Nas outras também se foi anunciando, a partir do momento em que o dono da Suinijanardo (empresa proprietária da pocilga, ofereceu uns porcos assados para um torneio de cartas. Com pés de lã, foi avançando. Na semana passada convidou os presidentes das junta das freguesias afectadas e uma comitiva da Câmara para visitar a pocilga-modelo, na freguesia de Colmeias, concelho de Leiria. Lá foi uma comitiva liderada pela vice-presidente Isabel Marto e a super-vereadora Ana Carolina Jesus ver como é, supondo que a ideia é contar como é que foi. 
Ficámos a saber disso na sexta-feira passada, numa reunião com a população na Associação de moradores da Mourisca de Baixo (na foto), onde o presidente da junta da Mata Mourisca - o estreante Nelson Matias - informou os presentes desse e outros pormenores. Por exemplo, de como andou de fita métrica na mão a medir as estradas circundantes, para concluir que dificilmente ali passariam os camiões a que o negócio obriga. Seria cómico, se não fosse trágico. O problema não é a estrada nem o piso. O problema é o cheiro, o problema é a merda. O problema é travar o licenciamento de uma indústria que não vai criar sequer postos de trabalho quanto mais riqueza (a não ser para o proprietário), ou qualquer bem-estar, antes pelo contrário. Vai comprometer a qualidade de vida dos que ali moram, agora e no futuro.
E por isso é preciso firmeza nesse parecer que as autarquias são chamadas a dar. "Ah, porque se não licenciar a Câmara tem que indemnizar o proprietário". Das duas uma: ou usa a sua litigância para o que importa, ou usa o dinheiro para bons fins. O que não pode é usar o poder que o povo lhe conferiu para comprometer o futuro.
Na assembleia popular de sexta-feira ficou uma nota positiva para o presidente da Junta do Louriçal, Célio Dias, que se mostrou frontalmente contra a engorda de porcos. Pessoalmente tenho zero simpatia pela figura, mas pode bem vir a ganhar a minha admiração. Diz ele que as únicas botas que engraxa são as suas, por isso cá estaremos para ver. Igualmente curiosa foi a aparição/participação dos senhores do PS (mesmo que a esmagadora maioria dos presentes não soubesse quem eram, e nem eles tenham tido o bom senso de se apresentar), que ali foram misturar alhos com bugalhos.



28 de maio de 2024

Louriçal Rico, Louriçal Pobre





A festa dos 31 anos de reelevação do Louriçal a vila foi um momento insólito: o presidente da junta está apostado em deixar o nome inscrito nas placas, agora que caminha para o final do seu último mandato, e por isso não há tempo a perder. Aproveitando a destemperada ideia desta Câmara de construir parques verdes em todas as freguesias (como se nas freguesias não bastasse manter cuidado o acesso ao verde, felizmente natural, e como se não tivéssemos ao abandono vários parques de merendas, a começar precisamente pela freguesia do Louriçal), ali se gastaram umas centenas de milhares de euros, porque o povo precisa de apreciar a paisagem. O povo, que não foi visto nem achado na "festa" de sábado, mas há-de continuar a pagar estes desvarios. O povo, que há dois anos não tem médico de família, mas pagou um Centro de Saúde de última geração. E agora paga, quando precisa, consultas numa clínica privada, lá na vila. É o conceito de progresso, que até deu nome à farmácia. 

Não vamos aqui esmiuçar os quase750 mil euros ( 747.397,84 €, acrescidos de IVA) que Câmara e Junta esbanjaram ali. Ou os 65 mil que a família Rico Sofia (afastada há décadas do Louriçal) encaixou com a venda dos terrenos, tão pouco tentar compreender o que está por trás desta inusitada ação benemérita, que se traduziu em doar uma parte de um dos terrenos. O que aqui importa é refletir sobre aquilo em que o Louriçal se tornou. Na época em que um presidente-pavão-armado-em-figurão parece letra de forma, não bate a bota com a perdigota. Como é que uma freguesia tão rica em património, culturalmente tão relevante, chega a este estado de ramo de enfeite? Ao presidente da junta colou-se o da assembleia de freguesia (lá na terra o povo acredita que o segundo se prepara para substituir o primeiro), que embora colecione cursos e "livros", entre a pose e as medalhas, não conseguiu ainda disciplinar a junta no que toca à gramática e ortografia. 

No resto, o que não tem remédio remediado está. 



29 de junho de 2022

A arte(s)emrede, o Louriçal e a esperteza saloia

 O Grupo de Cavaquinhos do Louriçal integrou este ano o projecto Recanto - promovido pela Artemede - uma iniciativa soberba que juntou os rappers Capicua e Nerve, e ainda um grupo Coral de Abrantes. Quem os acompanha há anos não fica espantado, pois sabe que ali está um tesouro do património cultural deste concelho. 

O Grupo de Cavaquinho do Louriçal foi criado pelo Luís Miranda e pela Cristina Diniz, um casal de professores que chegou ao Instituto D. João V no início dos anos 90, como tantos, para fazer do Louriçal aquilo em que se tornou. E o Luís tornou-se louriçalense de coração. Ali construiu uma casa, ali lhe nasceu um filho, ali fundou uma escola de música, ali tocou e cantou com várias gerações. Ali ensinou, também, com o seu exemplo, que um homem não é um rato. Nem uma enguia. Tão pouco é um fantoche. E por isso, muito antes da sangria que mandou para o desemprego dezenas de famílias [de professores] quando o Estado fechou a torneira ao modelo que crescia no privado, o Luís saiu. Contou-me tudo em detalhes, por duas vezes, a última numa noite das festas de Agosto, na esplanada do Sol Dourado, antes das festas serem organizadas pelos donos-daquilo-tudo. 

O Luís morreu a 29 de Agosto de 2019. Deixou um legado imenso à Cultura deste concelho. E ao Louriçal em particular. O Grupo de Cavaquinhos fez o luto, a Cristina e o João também, até que no outono passado pegaram nos instrumentos e continuaram a viagem, como tinha de ser. 

O projecto Recanto integrou também uma componente de "Arte na Rua". Os alunos de Artes da Escola Secundária de Pombal foram desafiados a pintar 12 quadros/painéis, alusivos às 12 músicas que o Grupo apresenta no espectáculo. Mas eis que à última hora, essa sumidade que é o presidente da Junta local, decide "não ferir susceptilidades". E deixa de fora o quadro com a imagem do próprio Luís Miranda. Porquê? Porque o edifício onde os painéis foram afixados é um prédio devoluto, propriedade do grupo GPS, última entidade patronal do Luís, a quem ele ousou afrontar. 

E lá de cima, ele deve ter rido muito: cigarro no canto da boca, abanando a cabeça, e dedilhando o cavaquinho, sem lhes passar cavaco. Porque não é qualquer zé manel que apaga a marca que aqui ficou, para sempre Luís. 

Quanto ao painel...esteve onde tinha de estar, como acontece com o cavaquinho, desde a partida: em palco.


foto: Jorge Pereira/Louriçal





23 de novembro de 2021

O monumento do soldado conhecido


Quando o meu pai tinha a idade do meu filho, cruzava os rios de Angola numa guerra que não era dele. Que não escolheu, que nunca quis, mas como não era livre de escolher, foi lá parar. Ainda assim, teve sorte. Calhou-lhe a Marinha, a parte menos má. Lá em casa dos meus pais os álbuns são feitos de recordações boas desse tempo: o meu pai a sorrir, sempre, ao lado de um amigo da terra, dos amigos que fez a bordo da fragata, dos nativos que posavam para a foto sem expressão, ao lado de um exército que lhes ocupava a terra deles.

Depois há apenas  uma foto do meu tio Germano, de que já aqui falei. Não teve a mesma sorte. Foi parar à Guiné. E de lá nunca regressou, verdadeiramente. Muitos voltaram numa caixa de chumbo. Outros, como ele, em frangalhos. Nunca saberemos o que pensaria da estátua mal-amanhada que a Junta do Louriçal plantou agora na vila, adornada com uma frase: "que a memória não se apague". Como se alguma vez ela se pudesse apagar. Como se fosse possível apagar o dia em que a GNR irrompeu pela Moita do Boi com um batalhão de guardas e cães à procura do meu tio, feito agente da autoridade depois da guerra, em permanente luta com os seus fantasmas, que afogou no fundo de um poço no quintal da minha avó. Andámos dias à procura dele, sem sabermos que era impossível encontrar quem nunca voltara. O rapaz bonito que partiu para a guerra não era o mesmo. Como ele, tantos outros. A Liga dos Combatentes sabe disso muito bem. Muitos psiquiatras também. 

Eu percebo que o presidente da Junta do Louriçal tenha uma certa obsessão em dar continuidade ao plano traçado por Diogo Mateus, de que era o maior discípulo, e por isso tenha planeado uma cerimónia próxima do 25 de Novembro (que este ano ameaça ser menos vigoroso, até que enfim). Mas se quer fazer alguma coisa pelos ex-combatentes, comece por dentro. Por perceber como é que estão estes homens e as famílias deles. Saberá que há ainda feridas abertas que tentam sarar com ansiolíticos e outros solutos? E fazer um protocolo com a Liga? Ou levar um Núcleo para o Louriçal? A não ser que... isto que isto da estátua seja uma ideia peregrina do presidente da Assembleia de Freguesia, Célio Dias, experiente numa guerra que nos tem ceifado muitas vidas, como atesta o cemitério do Louriçal: os acidentes rodoviários. Foi ele, de resto, que veio ao facebook fazer a defesa da estatueta, com toda a autoridade - diga-se. Afinal, ele não é só presidente da Assembleia, nem um louriçalense que gosta muito da terra para ir ao domingo e para reunir. É também um ilustre membro do Conselho Municipal de Segurança, acabado de designar pela Assembleia Municipal. Célio não gostou das críticas que surgiram à volta de tão nobre soldado de pedra, feito à dimensão do biscoito que marca estes mandatos da Junta. E retorquiu. É justo. Eu acho que a coisa merecia um livro. É só uma ideia...

13 de agosto de 2020

Democracia à moda do Louriçal

O João Pedro Domingues denunciou hoje no seu perfil de Facebook o que eu julgava ser impensável, pelo menos à descarada: o presidente da Junta do Louriçal, José Manuel Marques, um dos  barões do PSD local, terá ameaçado a Associação Pik-Nik de não a subsidiar com mais um tostão enquanto o dirigente João Pedro não deixar de fazer publicações nas redes sociais como as que são conhecidas.
O João Pedro - que nas últimas eleições foi candidato pelo Bloco de Esquerda à Junta de Freguesia do Louriçal - faz um importante trabalho de denúncia pública sobre o que é preciso melhorar na vila e na freguesia. E o senhor José Manuel não gosta, está bem de ver. Eu tenho dúvidas de que o senhor José Manuel goste de alguma coisa que não seja a paz podre, o saudosismo latente nas suas intervenções na Assembleia Municipal, o beija-mão. Para sorte minha  (e dele, sobretudo), já não nos cruzámos na vida pública do Louriçal. Quando eu lá morava, quando eu lá estudava e participava da vida da minha aldeia e da minha freguesia, ele recusava sempre os convites do PS para integrar as listas autárquicas à Junta de Freguesia. Justificava então que "tinha uma porta aberta". Era chato. Mas um dia percebeu que havia uma maneira de escancarar a porta, desde que fosse pelo PSD. E assim se tornou esse autarca modelo, paladino da liberdade de expressão - e de imprensa, não esquecer que acolhe, protege e tem lugar cativo naquela espécie de jornal que se faz no Louriçal. 
Talvez valha a pena lembrar que nem a Junta e as verbas são dele. Assim como é importante sublinhar o mesmo à Associação Pik-Nik. Se embarcou nessa chantagem é grave. Se não embarcou deve vir a público denunciá-lo. Estamos sentadinhos à espera. 

adenda: esperámos, e noite dentro a Associação veio emitir um comunicado, que diz tudo. Basta saber ler. https://www.facebook.com/lourical.futsal/photos/a.292929168188695/765995650882042


9 de dezembro de 2019

A pecuária da Mata Mourisca, o 'modus operandi' e o carro-vassoura

No registo certo (afinal, mais vale tarde que nunca), o presidente da União de Freguesias da Ilha, Guia e Mata Mourisca levantou finalmente na Assembleia Municipal a questão da pecuária que ameaça abrir portas e cheiros naquela região - como aqui foi alertado, em Outubro último.
Depois disso, já o assunto se espalhou nas notícias.
Gonçalo Ramos percebeu, enfim, como deve ser o modus operandi: de forma clara e concisa partilhou com todos a preocupação e questionou a Câmara. Estava feito. Mas o presidente da Junta do Louriçal (que lida mal com a democracia, como facilmente se percebe, pelo desagrado manifestado com a falta de unanimidade noutros assuntos) achou que tinha alguma coisa a acrescentar. Mais: estava a achar-se tanto, que quase parecia a entidade máxima da autarquia. Ora, perante a resposta de Diogo Mateus - que, pasme-se, garantiu que a Câmara vai procurar 'compatibilizar, se for compatibilizável, a convivência humana sobre a convivência animal', percebe-se bem o desconforto causado. O poder não gosta de ser importunado, e José Manuel Marques arriscou-se muito...

ps1:  Gostei muito de ouvir D. Diogo  dizer  que governa para as pessoas. Ele não tem dúvidas. Eu às vezes tenho. Mas isso sou eu, que não fui tocada pela sabedoria de Cavaco, ao tempo da hegemonia laranja no todo nacional. 

ps2: que deleite, aquela conversa acompanhada das mais belas expressões, entre Manuel António e José Gomes Fernandes - este último regressado à linha da frente do partido. Que deleite. 

15 de outubro de 2019

Isto cheira mal, senhores


Há coisa de duas semanas algumas dezenas de habitantes reuniram-se na sede da antiga Junta de Freguesia da Mata Mourisca, por causa de uma pecuária cujo processo de licenciamento está há meses na Câmara Municipal de Pombal, correndo o risco de ser aprovado. Fica entre as localidades de Moita do Boi e Mata Mourisca.
Há quase 20 anos que aqueles pavilhões ali estão, de pé, sem nunca terem sido utilizados para fim com que foram construídos: este mesmo, o das suiniculturas. Mas o antigo proprietário atirou a toalha ao chão, de modo que a população andava descansada. Depois vendeu aquelas instalações a uma empresa de Janardo (Leiria), dedicada a este negócio de porcos. 
É preciso não conhecer aquele população para acreditar que é assim, de ânimo leve, que se instala uma pecuária junto daquelas casas e perto daquela ribeira sem que haja um levantamento popular. Melhor fora que todos fizessem o trabalho de casa, a começar pelos presidentes da Junta do Louriçal, José Manuel Marques, e da União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, Gonçalo Ramos, que garantiram de viva voz aos fregueses que estão a seu lado, para o que der o vier, que tratariam do assunto em reunião aprazada com o presidente da Câmara. Perante o registo a que nos habituaram nas reuniões da Assembleia Municipal - em que um passa a graxa e outro o pano - é melhor que a população se ponha esperta. E se quer garantir que é (mesmo) ouvida, que o faça por sua conta. Pois que as cautelas do autarca do Louriçal em querer manter "para já" a comunicação social de fora podem resultar aqui no burgo, mas não mais do que isso. 
Não duvido nada que um e outro estejam desse lado da barricada, pois que ninguém gosta de levar com cheiro a merda de porco ao pé da porta (mesmo com as ridículas garantias da técnica que apontava como solução o cheiro dos eucaliptos a 'cortar' o outro), mas têm aqui uma excelente oportunidade de mostrar de que massa são feitos, senhores. É esse o "modus operandi" que se espera, Gonçalo.

1 de julho de 2019

Socialista mas pouco

Desde que assumiu as funções de Directora Pedagógica (!) do Instituto D. JoãoV, a doutora Patrícia quase não voltou a pôr os pés na Assembleia Municipal. Não sei como é que a democracia local sobreviveu à sua ausência, à sua intervenção (numa bancada que é tudo menos oposição), mas lá se aguentou. 
Até que a doutora Patrícia voltou, na semana passada, com um coro de pais do Louriçal.
O que aconteceu na sexta-feira, 28 de Junho, é grave. Já o fora no passado, quando o Governo socialista teve a coragem de acabar com o regabofe dos colégios privados que, anos a fio, enriqueceram à custa dos contratos de associação - e a bancada do PS, invertebrada, fez coro com o PSD. Mas desta vez foi pior. 
Já aqui postámos o essencial da traição que a bancada socialista representa para o Governo, mas falta analisar, em detalhe, o caso de Patrícia Carvalho. A intervenção fala por si, só que é preciso lembrar aos munícipes que a moça não é apenas uma deputada municipal, eleita numa lista supostamente alternativa ao poder vigente. Ela é também militante, membro da estrutura local, e - pior - integra os órgãos da Federação Distrital do PS. Com aquele registo de quem vai ler a segunda leitura, disse tudo o que precisávamos saber: "temos o mesmo propósito, o mesmo objectivo", para justificar a aliança com o PSD. Junta-se ainda o objectivo pessoal da doutora Patrícia, que tem todo o direito de querer manter o seu posto de trabalho e lutar por ele, mas o dever ético de separar as águas. Diz ela acreditar que "a política deve ser o exercício do bom senso". Nós também. Por isso é que lhe recomendamos que mude de bancada, em memória e respeito pelos muitos que lutaram para a afirmação do PS neste concelho, e que a esta hora darão voltas no túmulo perante aquela intervenção - que é um prego fundo no caixão do PS em Pombal.

28 de junho de 2019

Causas que valem ouro


A reunião de hoje da Assembleia Municipal tem promessa de muito público: os pais - e amigos, por assim dizer - do Instituto D. João V, do Louriçal, vêm reclamar junto do poder autárquico o apoio (político) que sabem existir aqui: a indignação perante o corte de turmas naquela escola privada, no âmbito dos contratos de associação. Em termos práticos, que o Governo continue a financiar a iniciativa privada, independentemente do números de vagas nas escolas públicas.
Já aqui contei neste post a minha ligação ao IDJV, e como assisti ao crescimento do gigante dos colégios. Sei bem como é importante para o que resta do Louriçal manter o Instituto de portas abertas, num declínio que começou há vários anos: assisti ao processo de despedimento de vários amigos professores, e antes ainda ao encerramento de fábricas, às falências, num tempo em que, em contraciclo, o grupo GPS crescia.
A visão do empresário António Calvete e a iniciativa empresarial foram muito bem compensadas financeiramente pelo Estado (que somos todos nós, afinal) ao longo de muitos anos. Os tempos são outros, para toda a gente. De maneira que a notícia de ontem, aqui publicada - sobre as barras de ouro no valor de um milhão de euros, e os 200 mil euros em dinheiro vivo encontrados numa das casas da família - só pode ser uma cabala. Se não for, é injusto. O IDJV quer abrir três turmas de 5º ano e o Estado só lhe financia uma. Mas o que é que impede a administração de as abrir? Dinheiro?

29 de agosto de 2018

Feitos num 8


É como estamos, afinal. A bem da verdade, o monumento ao biscoito do Louriçal foi pago por todos os munícipes do concelho. Para que conste: em Julho, em reunião de Câmara, foi aprovado um subsídio no valor de 8 mil euros, para o efeito. É a gastar. Quem pode, pode.

13 de agosto de 2018

O biscoito e a festa do Louriçal


Está inaugurado com pompa e circunstância o monumento ao Biscoito, coisa singela que terá custado aos cofres do erário público escassos oito mil euros. É uma capicua curiosa. Numa terra que deu à luz vários e tão bons artistas plásticos, o rasgo autárquico não foi além de um biscoito em pedra (ou seja lá o que for) encomendado a um homem do norte.
No sábado, o séquito da Câmara, o garboso presidente da junta e meia dúzia de politiqueiros embandeiraram em arco com o biscoito de pedra. Na gaveta deste executivo está o projecto da Confraria do Biscoito (já que o PS lá foi passear, podia ter aproveitado para o lembrar), por se tratar de uma acção defendida pela anterior junta. E aqui para nós, com toda essa massa não fazíamos umas acções que defendessem melhor o biscoito e o levassem longe? Mas o povo anda contente com a obra, e já se sabe que o que não enche o olho não traz votos. Desconfiamos é que fique tão contente com o rumo que as festas levam: é olhar para o recinto fechado e para o exterior e perceber o desinteresse por parte das colectividades. Mas esse é um balanço que fica para depois, que ainda as festas vão a meio.

14 de setembro de 2017

Um comício para (lhes) tratar da saúde


Na noite passada caiu por terra a teoria de que o povo já não vai a comícios. Vai, se for levado com jeitinho. Foi o que aconteceu no Louriçal, onde uma praça de gente madura compareceu,obedientemente, a um evento criado pela designada "Comissão de Utentes do Pólo de Saúde do Louriçal da UCSP Vale do Arunca", sob a forma de debate, subordinado ao tema "Louriçal - o futuro terá saúde?". A organização - a cargo do responsável pela dita comissão, um farmacêutico que por coincidência acumula o cargo com o de secretário da actual Junta de Freguesia - deu uma lição de marketing político às melhores agências: usou a palavra "Futuro", convidou os diversos candidatos à Junta, mais o presidente da Câmara, e amplificou no palco o boato que circula há semanas por ali - esses malandros esquerdalhos querem fechar o centro de saúde do Louirçal. E levá-lo para a Pelariga, na melhor das hipóteses...
A mim não me espanta que a praça se encha de gente, em plena campanha eleitoral. Nem tão pouco que a desinformação seja moeda de troca no vale-tudo das eleições. E logo no Louriçal, onde o PSD nem sequer tem razões para se preocupar. Mas custa-me ver a manipulação. E como quem cala consente, é penoso ver o silêncio das entidades competentes, como a ARS. Já perceberam que as respostas por escrito não levam a lado nenhum, ou depois da noite passada é preciso fazer um desenho?

13 de agosto de 2017

A privatização das festas do Louriçal


A organização das festas do Louriçal (a cargo de uma espécie de associação criada para o efeito pelo magnata António Calvete) tem vindo a progredir a passos largos na transformação das festas num evento privado, com o apoio da Junta e da Câmara (que contribui com dinheiro nosso para aquilo). Este ano a comissão deu um passo maior na prossecução desse objectivo, ao vedar por completo as festividades. Por exemplo, quem quer ir jantar às tasquinhas (a cargo de colectividades que usam o voluntariado dos seus dirigentes e sócios para servir às mesas e ainda pagam uma bela factura à organização) tem de pagar primeiro o respectivo ingresso (por 4 ou 8 euros por dia, conforme o artista) para poder entrar no recinto. O mesmo acontece com quem ir levar as crianças aos carrosséis, comprar uma fartura ou algodão doce. Nem se percebe por que razão foram as ruas enfeitadas, pois que as despiram de festa, privando o povo de a viver.
Para cereja do bolo, resta dizer que, até hoje, nos últimos quatro anos, ninguém prestou contas de qualquer edição das festas. Calvete diverte-se com os amigos nos bares, os políticos desfilam por lá no dia da inauguração, e enchem as mesas ao jantar. Neste domingo, havia espaço livre à hora de almoço nas tasquinhas, e ruas desertas na vila. Talvez a esta hora o presidente José Manuel Marques já tenha percebido que não há almoços grátis. Ou não.

13 de abril de 2017

O último apaga a luz

As freguesias endinheiradas são assim: fazem festas que põem as do Bodo num chinelo, não prestam contas a ninguém, e ainda se dão ao luxo de iluminar os caminhos de noite e de dia.

Louriçal, às 14h30 do dia 11 de Abril, deste ano da graça de 2017...


e...hoje, 13 de Abril, às 10 da manhã. Fotos do João Pedro Domingues, que quer ser presidente da junta dessa bela localidade. E há coisas que não é preciso ser iluminado para ver.

17 de agosto de 2016

Hey, DJ, falta saber o preço das Festas do Louriçal


Quando em Julho de 2015 foi constituída a associação recreativa Critérios e Tradições, com sede no Louriçal - cujo principal objecto é organizar as festas de Agosto - estava aberto caminho para que os poderes públicos contribuíssem para a boda. A Junta de Freguesia assegura "oficialmente" 10 mil euros, mais a iluminação e outras miudezas (que rondarão os 30 mil euros) e a Câmara Municipal mostra a generosidade galopante para com o Louriçal com um apoio de 5 mil. O presidente da comissão/associação/organização é o benemérito António Calvete, que - já se sabe - é uma alma generosa. Este ano quis verbalizar todo o sentimento louriçalense ao discursar, na abertura das festas. Toda a gente percebeu que está encontrado o director de campanha de Diogo Mateus (João Pimpão, já foste), tal o nível elogioso que imprimiu nas palavras que lhe dirigiu.  Disse também que nunca o Louriçal conheceu um executivo da Junta tão bom como este, o que é de uma abnegação sem tamanho, já que ele próprio foi presidente da mesma junta. É certo que isso só aconteceu "porque já na altura o José Manuel não quis". No Louriçal, todos sabem disso. O actual presidente escudava-se sempre no facto de "ter uma porta aberta". Ora aí está: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A porta continua aberta e a Junta...também.
Desse momento único na sessão solene das Festas do Louriçal ficam duas impressões:
1. Ninguém sabe quanto custam as festas. 
2. Não há almoços  discursos grátis.
Mas sabe-se que os recintos ficaram mais vazios este ano. Nem todas as colectividades acederam pagar entre os 500 e 2000 euros (para alguns pequenos expositores 300 euros também é dinheiro) dependendo do espaço, ao que acrescia a venda obrigatória das pulseiras, 10 euros cada, para os quatro dias de festa. Talvez os mais antigos se lembrem como a ganância matou as festas do Louriçal, há muitos anos, antes de renascerem nos anos 90. E esses também mereciam alguma programação, durante o dia, que não fosse apenas o rancho e a banda filarmónica, nos dias 13 e 15.
O resto esquece-se tão depressa como aquela intenção manifestada em tempos por certo ex-vereador, ao tempo de Narciso Mota, que por tudo queria convencer o então presidente a demolir a casa de Calvete, por falta de licença. Mas isso foi noutra vida.


19 de agosto de 2015

Não há festa como esta...



Foi um festão valente, o do Louriçal, que animou o Largo da Feira durante quatro dias, no 15 de Agosto mais concorrido da região. Ficam para memória futura vários momentos e diversos registos, como aquele em que o presidente da Junta local subiu ao palco, logo a seguir ao José Cid, num remake dos tempos de Narciso Mota em pleno Bodo. O homem agradeceu e agradeceu e voltou a agradecer, sobretudo "ao dr. Calvete", que supostamente preside à "comissão" organizadora. É bom ver o magnata do Louriçal de regresso à organização das festas, devolvendo à comunidade parte do que ela já lhe deu. Todas as terras deveriam ter um assim, que transforma uma festa num festival de verão. 
Gostei de quase tudo; de ver as colectividades a facturarem em grande (mesmo que tenham pago 1500 euros por uma tasquinha; 1000 por uma barraca de cerveja no recinto, com a obrigatoriedade de terem de comprar o produto à organização), depois de se terem comprometido a vender as célebres pulseiras, por dez euros cada, que davam acesso aos espectáculos dos quatro dias.
Não gostei de ver a vila despida de festa. Nem me pareceu justo o preço de 250 euros exigido às colectividades que quisessem estar apenas com um stand, do lado de fora do recinto. 
A festa deste ano - com entradas pagas, o que é justo - teve um orçamento na ordem dos 17 mil euros*
 Parece que afinal a organização esteve a cargo de uma nova colectividade, o que diz bem da pujança cultural que o Louriçal vive, por estes dias. Chama-se "Critérios e Tradições - Associação Recreativa" , foi criada no mês passado e tem sede no...edifício da Junta de Freguesia. Assim poupa-se espaço.
Estamos em crer que, para o ano, nem isso será preciso. Com a inauguração da nova zona industrial do Louriçal, vão vir charters de empresas cujos lucros servirão para custear o certame. E assim sempre fazem companhia àquela que já lá comprou um lote.

*o único valor publicamente conhecido. A não ser que os espectáculos estejam a preço de liquidação total.

6 de maio de 2015

Louriçal: quem quer festa sua-lhe a testa...


Estão a concorrer com o Bodo as grandiosas festas do Louriçal. O cartaz - que foi publicamente conhecido e promovido muito antes da festa da cidade - é tão ou mais arrojado que o do ano passado. A única chatice é que o do passado saiu caro à Junta de Freguesia local. Soube-se agora, em pública reunião da assembleia de freguesia, que o prejuízo ultrapassou os 30 mil euros, qualquer coisa como cinco vezes mais do que o previsto. Se o orçamento daquela que é a maior Junta do concelho (jóia da coroa para o PSD nas últimas eleições) anda nos 640 mil euros...é fazer as contas, como dizia o outro.
Para evitar males maiores, este ano a autarquia mudou de plano: vai atribuir um subsídio de 16 mil euros à nova Comissão de Festas do Louriçal (não havia uma desde os tempos da chamada festa do Seco...), presidida pelo benemérito António Calvete. 
Entretanto, somam e seguem os Serões Culturais pelas colectividades da freguesia. Honra seja feita a José Manuel Marques, o primeiro presidente de um executivo social-democrata a promover a iniciativa que, até agora, era um exclusivo dos socialistas. E mérito, já agora, pois que nunca a Câmara contribuira com um tostão para o evento, e desta vez chegaram aos cofres da Junta 4.500 euros...

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11 de junho de 2013

Nas asas do investimento no Louriçal

O PSD anunciou neste 10 de de Junho o candidato à Junta de Freguesia do Louriçal, o primeiro a ser publicamente revelado depois dos candidatos à Câmara e Assembleia Municipal.Chama-se José Manuel Marques, é empresário, presidente da associação do Valarinho (uma aldeia daquela que é a segunda maior freguesia do concelho), a melhor cartada que o partido conseguiu para tentar recuperar a Junta, essa espinha atravessada na garganta do poder, nos últimos anos.
O anúncio acontece poucos dias depois da escritura de mais um terreno comprado pela Câmara Municipal com o objectivo de ampliar o Parque Industrial do Louriçal. Quando a aquisição foi aprovada, na reunião de Câmara de 20 de Maio, ficaram para memória futura as intenções do presidente da Câmara: continuar a comprar terrenos, incluindo "uma parte da quinta do dr. Calvete", para o mesmo efeito. É verdade que há empresas a clamar pelas infraestruturas desde 2009 mas...é preciso ter calma. Não dar o corpo pela alma, como dizia o outro. As eleições autárquicas são só agora, em 2013. E além disso o Louriçal está cheio de encantos: tem até mais eleitores do que habitantes, segundo os últimos censos.