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26 de maio de 2025

Quem tramou Zé Paulo?

 Nos corredores da Câmara pairam partículas que tendem a formar-se um novelo. Não é nada que nos surpreenda - de tal forma aqui o temos exposto - mas um e outro acontecimento vão fazendo levedar este bolo, até que um dia destes azede. Um dia, só não sabemos quando.

O mais recente episódio foi o concurso para um novo cargo de direcção - o de Chefe de Unidade de Desporto e Juventude - lugar que, em teoria, acaba de ser criado. Mas na prática era há muito ocupado por uma rapaz da terra que toda a gente conhece: o José Paulo Oliveira, o Zé Paulo Bimba, nome que lhe advém do pai, mestre Bimba, já desaparecido. Faço esta referência porque estamos na terra onde o presidente da Câmara puxa por esses galões "da comunidade", a toda a hora, como se fossemos a vila dos anos 80, em que todos se conheciam e partilhavam os mesmos gostos e lugares. Dirá o leitor que este já não é o tempo "das cunhas", em que ser da Jota significava uma garantia de emprego na Câmara, de que foi expoente máximo o reinado de Narciso Mota. 

Mas o tempo afigura-se manifestamente pior. 

O que aconteceu no final do mês passado com o concurso para chefe da Unidade de Desporto é revelador de quem manda agora na Câmara (o director municipal, recordemo-nos), que neste caso foi o presidente do júri do concurso. Pimpão lava daí as mãos, como Pilatos. 

Ora atente-se na acta final (pública) do concurso para perceber como se faz: o segredo está em desenhar bem o guião da entrevista pública de selecção, sobretudo quando na prova escrita os resultados eram outros.  E então basta um ponto percentual para fazer a diferença entre dois candidatos que revelam exactamente o mesmo perfil para o cargo.

Ora, falta aqui dizer que, em resultado deste concurso - que colocava em pé de igualdade um superior hierárquico e um subordinado - o júri pendeu, à luz da subjectividade que implica a entrevista, para o subordinado. É a vida - dirão. 

O novo chefe é agora Paulo Fernandes, que até agora dividia o tempo entre as funções de assalariado do Município e treinador de natação do Núcleo de Desporto Amador de Pombal, uma prática comum nos espaços desportivos municipais, a que José Paulo nunca aderiu, mas foi permitindo de forma conivente, nomeadamente nas piscinas.

Como bem dizia um dirigente do PSD, "quem tem unhas é que toca viola". 



18 de outubro de 2022

Pombal, temos um problema...


Por: Sidónio Santos

Fui desafiado pelos responsáveis deste Blog para dar a minha opinião sobre a situação política de Pombal, com especial enfoque neste primeiro ano de mandato do atual executivo.

O meu distanciamento da atividade política, faz com que se consiga efetuar uma avaliação sem influencia partidária ou de grupos de opinião formatados, embora mantenha intacto o meu pensamento político e por isso continuo a acreditar que chegamos a esta “estatização” devido a 30 anos de MAIORIA ABSOLUTA de um partido político, cujas decisões não precisam de ser discutidas, apresentadas e consensualizadas para serem implementadas. Por isso, há cada vez mais decisões inúteis e realização de obras cuja prioridade e funcionalidade são discutíveis. A bem da verdade, é necessário também referir que os projetos alternativos nunca conseguiram alcançar uma projeção que permitissem quebrar esta maioria do PSD.

Esta situação, fomentou um problema de génese em Pombal, pois normalizou a ideia de que a política é um EMPREGO e deixou de ser uma MISSÃO ou um SERVIÇO a Pombal e aos Pombalenses. Esta filosofia, associada ao amiguismo, está bem enraizada na cultura do atual executivo e equipas constituídas, e já nos está a criar um problema   que vai piorar com o tempo.

Mas vamos por partes:

Acredito que o atual executivo municipal seja bem-intencionado, mas durante este ano já é mais do que evidente a falta de preparação, pensamento político e desarticulação da equipa que nos governa. Para o exercício destas funções, não basta ser simpático, bem-parecido ou ter conhecimentos técnicos, mas sim ter capacidade de gestão operacional, estratégica de várias áreas de atuação de um Município e de um organismo público desta natureza.

Isto já era mais do que evidente na campanha, pois quem apresenta um programa com mais de 100 medidas ou propostas denota a ausência de uma ideia clara e do que é considerado prioritário para o Concelho, tendo este receio sido confirmado após a tomada de posse, com a decisão “inovadora” na designação e distribuição dos pelouros que apenas serviram para alimentar capas de jornais e que na realidade aumentaram a inoperacionalidade interna da Câmara devido à desarticulação orgânica.

É esta a realidade caótica criada que veio justificar em parte a abertura do concurso para contratação de um Diretor Municipal para fazer o trabalho que na sua maioria competia ao Presidente e tentar meter ordem na casa. 

Esta decisão é um “crime de lesa a pátria” (expressão utilizada frequentemente por Narciso Mota), pois além do custo que lhe está associado (+/-200 000€ de salários em 3 anos), vai provocar mais inoperacionalidade interna.  Como dizia um ex-PSD e apoiante do atual presidente “Até se viesse de borla, era uma má decisão”, devendo-se exigir ao Presidente que faça o trabalho para o qual foi eleito. Contratar alguém para fazer o seu trabalho e pagar com dinheiro de todos nós, aumentando despesa fixa é uma medida de gestão incorreta e que não foi validada pelos eleitores. É apenas mais um reflexo dos efeitos nefastos da maioria absoluta, pois confunde-se com poder absoluto. 

Hoje, se não fosse a enorme quantidade de imigrantes que o Concelho tem vindo a receber, com todos os benefícios e desafios que isso acarreta, os dados da demografia e da atividade económica seriam piores e as aldeias estariam mais desertificadas. Esta é uma dinâmica social a que o município não tem dado a devida atenção.    


Em suma, este ano de mandato tem sido caracterizado essencialmente por uma política de fachada e de representação, que se consubstancia:

1)Executar obras lançadas pelo anterior executivo, mas não se questionar porque não existem obras estratégicas em lançamento;

2)Estar presente em todos os eventos, mas não se questionar porque é que há cada vez menos eventos e qual o impacto dos mesmos para o Concelho;

3)Visitar empresas instaladas para promover o investimento privado, mas não se questionar porque não há nenhuma empresa de grande dimensão a querer instalar-se em Pombal;

4)Querer fazer uma residência para estudantes de ensino superior, mas não se questionar se tem comunidade estudantil e ensino superior que o justifique;

5)Contratar uma empresa externa para elaborar um Plano Estratégico para Pombal, mas não se questionar se essa empresa conhece as especificidades do Concelho de Pombal;  

Quando se faz e não se questiona porquê, decide-se com pouca responsabilidade. 

Pombal, temos um problema….Ainda faltam 3 anos de mandato!

* Economista, ex-candidato à Câmara pelo CDS-PP 

5 de fevereiro de 2019

O presente envenenado



O impoluto Diogo Mateus escolheu para coordenadora do programa CLDS-4G a psicóloga Rita Mota, filha de Narciso Mota.
Como? - perguntará o leitor atento, sabendo da chacina política que o presidente tem feito ao seu antecessor; da humilhação constante nas reuniões públicas e gravadas, do processo que corre em tribunal movido pela nora do mesmo Narciso, contra a Câmara Municipal, onde também trabalha. 
Como? - terá perguntado a vereadora do PS, Odete Alves, na última reunião de câmara, convencida de que esta nomeação cheira a "uma forma de silenciar ou controlar" o agora vereador da oposição.
Como? tem razões para se interrogar Teresa Silva, presidente da direcção da APEPI - a entidade gestora do dito programa CLDS-4G, ligação que vinha do tempo em que a sua IPSS  e a Câmara tinham uma relação umbilical, em que também ela era uma mulher social-democrata, ao ponto de dar o nome da deputada (e ex-secretária de Estado) do PSD, Teresa Morais, à Casa Abrigo. No meio social toda a gente sabe que a filha de Narciso Mota não era a escolha da APEPI para coordenadora técnica deste projecto - que dura há anos e ninguém sabe muito bem o que é, para que serve, que resultados se apuram do meio milhão de euros investido, de cada vez que cai "no terreno". E toda a gente sabe que Diogo não perdoa nem esquece. E que, na verdade, esta nomeação - para um cargo pago a peso de ouro, com dinheiros públicos - é uma espécie de presente envenenado, qual pescadinha de rabo na boca: a filha daquele que foi seu adversário, que lhe lhe chama vingativo todos os dias, que levou com ele muitos do PSD, como Teresa Silva. 
O futuro há-de mostrar como este caso é um isco e quem o vai morder.  

2 de março de 2018

Palhaçada - disse ele.




A política local baixou ao nível menos zero, como se percebe pelas intervenções das reuniões filmadas. Aqui no Farpas em particular (e no concelho em geral) agradecemos para sempre a Diogo Mateus o rasgo de transmitir em directo as reuniões de Câmara e Assembleia Municipal, pois que assim se percebem as honras ganhas à conta da transparência. Tem sido um exercício interessante ver a contenção de alguns vereadores, no momento em que se lembram das câmaras, e a exibição de outros, tirando disso partido. Uns e outros devem sempre lembrar-se que a vida dá muitas voltas; que isto de vestir uma camisola é um risco: por vezes encolhe na lavagem e depois fica-lhes um tanto ridícula.
E há feitiços que se voltam contra o feiticeiro.
Este excerto, em que o presidente diz a Narciso Mota e a Micael António que "não tomaram os medicamentos" bate todos os níveis.
Para quem gosta de encher a boca a falar de honra e respeito, é como se lhe fugisse o pé para a chinelo, usar maldosamente da expressão para diminuir alguém que foi para ele como um pai. E é triste.
Fazia aqui falta agora o conselho amigo de Ana Gonçalves, a propósito de ter (ou não ter) consciência pesada. 
Daqui continuamos a apreciar a "palhaçada", Diogo. Ainda que nos pareça ofensivo para os palhaços.

22 de fevereiro de 2017

Câmara rica, concelho pobre

A mensagem passou ontem: 

"O presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, não escondeu hoje a sua satisfação pela aquisição dos terrenos da Quinta do Casarelo, no centro da cidade. São seis hectares de terrenos, avaliados em cerca de cinco milhões de euros, e pelos quais o município deverá despender cerca de 65 mil euros. Uma operação que permitirá ao município “desenvolver uma nova cidade”, e disponibilizar espaços para que, essencialmente os jovens casais, possam construir as suas casas com custos controlados. Ontem, em conferência de imprensa, o autarca social-democrata explicou que o negócio foi efectuado no âmbito de uma hasta pública promovida pela Autoridade Tributária, executando, assim, a empresa proprietária dos terrenos, localizados na zona envolvente ao Castelo da cidade e mercado municipal."

Tudo o que se pudesse dizer agora sobre tamanha façanha, seria obsceno. Houve um feito maior neste mandato de Diogo Mateus, um mérito que ninguém lhe pode negar, a ele e (especialmente) ao seu gabinete: a facilidade com que qualquer linha de propaganda é transformada pelos mensageiros em notícia, sem enquadramento dos factos nem qualquer réstia de memória. E tudo ao preço de likes, sorrisos, e pancadinhas nas costas. Ou talvez não.