Que o regime (democrático) está
doente poucos o negam; e ninguém o quer tratar. O afastamento das pessoas dos
partidos e da participação política confirmam-no, nomeadamente nas eleições .
Há muito que os partidos deixaram
de representar a sociedade, as profissões e as pessoas - as suas expectativas e
interesses -; transformaram-se num charco onde só sobrevivem os aparelhistas
(jotas e caciques) à espera de tachos ou honrarias, um ou outro predador de
fraco gosto, e meia-dúzia de pobres de espírito.
O retrato local é deprimente, o
do país não é diferente. Os mesmos aboletados do poder e os mesmos rufiões de
espírito, cujo traço comum é a superficialidade, o oportunismo e a destreza para
tecer as teias de aranha que os nutrem. Falta-nos uma classe política dotada da
ousadia própria da consciência, capaz de afirmar ideias, de se ligar às pessoas
e à sociedade.
A cegueira é muito rara nos
indivíduos, mas nos partidos é regra. As listas de candidatos a deputados da
Nação, que os principais partidos nos apresentam, em Leiria, ilustram-no: Cavaleiros(as)
da Triste Figura com fome de celebridade ou das sobremesas da vida, que não
representam nada nem ninguém; de que não se pode esperar nada, porque é
perfeitamente inútil esperar.
Perante isto, em quem votar?
- No camaleão próximo do
lusco-fusco mental? Na paraquedista feminista? No vaidoso cobiçoso? No dizedor
de graçolas sem coragem para a libertinagem? Na noviça de retórica oca? No ex-jota aparelhista insaciável? No profeta do amor, da vontade e do optimismo
vazio? Na aparelhista feminista? Na mensageira da mensagem beata? No
controleiro que só serve para dar recados? Na esganiçada requentada sempre envolta
em virilidades? No mal menor: no partido que provavelmente menos comprometa as
suas condições de vida.