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7 de outubro de 2024

Cheira mal nos Redondos, cheira mal em Pombal

No período regimental reservado para intervenções do público, o cidadão Jorge Cordeiro - ex-assessor de Diogo Mateus - fez uma oportuna intervenção na Assembleia Municipal. Expôs com clareza o drama dos habitantes da Aldeia dos Redondos e lugares limítrofes: o cheiro nauseabundo que emana regularmente de um aviário próximo.

Já houve um tempo, por volta das décadas de 70, 80 e 90 do século passado, em que o concelho estava povoado por pequenos aviários, que cresceram como cogumelos, dentro e fora das localidades. Eram outros tempos, tempos onde tudo era permitido e a sobrevivência mandava desenrascar. Na transição do século, o amadorismo, a falta de escala e as queixas da população condenou a esmagadora maioria destas pequenas explorações avícolas à morte.

Actualmente o concelho está a ser novamente invadido por aviários e afins, por grandes explorações avícolas, que se aproveitam da permissividade da "classe política" reinante e aclamante, débil e dócil (com o capital oportunista). Prometeram-nos o paraíso na terra, cheio de bem-estar e felicidade. Mas servem-nos um “desenvolvimento” malcheiroso, sem presente e sem futuro. Um modelo que já condenou a Aldeia dos Redondos à morte, como bem diz o Jorge Cordeiro, e arrisca fazer deste grande aviário uma terra malcheirosa. O que cheira mal, FAZ MAL.


2 de fevereiro de 2021

O estado a que chegámos: da incúria à xico-espertice


A SIC abriu o noticiário desta noite com laivos de proximidade a Pombal: o marido da responsável distrital da Saúde Pública, Odete Mendes (natural de Vermoil), foi vacinado contra a covid-19, sem fazer parte de nenhum dos grupos indicados como prioritário. Estava "ali à mão", que é como quem diz dentro do carro, como explicou aos jornalistas em tom exasperado outra médica de Saúde Pública, Ana Silva. 
As notícias dos últimos dias sobre a vacinação mostram bem o oportunismo e a xico-espertice que reina nas instituições de solidariedade social deste pobre país - que de resto explica bem o número de casos elevados que proliferam lá dentro. Mas não é só. Este encobrimento tácito nas estruturas da Saúde públicas chega a dar náuseas. Ao mesmo tempo que Armínio Azevedo negava, ao telefone, ter sido vacinado, a mulher, Odete Mendes, confirmava-o de viva voz e consciência tranquila. 
E o que tem isto a ver com o facto de Pombal continuar sem delegado de Saúde? - perguntará o leitor, perante a incapacidade do vereador Pedro Murtinho em explicar, na reunião de câmara, o que é que o poder político tem feito por isso. Ora acontece que Odete Mendes foi a mesma que passou por cima de uma ordem de José Ruivo, em novembro, dando parecer positivo a um torneio de xadrez onde o marido iria participar, quando as indicações do então delegado de saúde iam no sentido contrário. É a mesma com quem D. Diogo reúne. Só não sabemos se também já falaram desse gesto demagógico do nosso presidente da Câmara, que mandou emitir um comunicado a anunciar que prescindia da vacina, sob o argumento de que "o Estado deve ser criterioso e que o Plano Nacional
de Vacinação seja executado a um ritmo muito elevado”, privilegiando  "os cidadãos com mais de 80 anos". Diz o autarca-modelo que isso de considerar prioritários os responsáveis  locais pela Proteção Civil (como é o caso dele) “resulta de um processo lamentável de atropelo e respeito pelas pessoas mais prioritárias e mais confrontadas com o risco". Em certa medida, lá tem a sua razão. Só corre risco aquilo que existe. E em Pombal, não sabemos nada da Proteção Civil nesta pandemia. 
Ora, perante este lodaçal em que andamos a escorregar todos os dias, espero que D. Diogo guarde uma réstia do seu moralismo para as conversas com a coordenadora da USP Pinhal Litoral. E já agora, que Pombal não apareça nas notícias um dia destes. Certamente não aparecerá, porque quando a excepção se torna regra, entramos no registo do cão que mordeu o homem. E como se sabe, só o contrário é notícia.

28 de janeiro de 2021

A saúde que (não) temos




Passaram quase dois meses desde que o delegado de Saúde pediu a exoneração. Não foi substituído. Mas ninguém parece importar-se com isso.

Desde final de novembro que "a vida é sempre a perder", como cantam os Xutos, no que diz respeito à situação de Pombal face à pandemia. Mas o poder político parece mais preocupado com passeios no parque, exibicionismo de boas práticas disto e daquilo, do que em bater o pé e exigir que um concelho como este - que tem só um dos números mais elevados do distrito no que respeita à letalidade por covid-19, à data de hoje 566 casos activos - tenha o que merece: uma autoridade de saúde que não comande a pandemia à distância.

Depois da saída de José Ruivo, a médica que supostamente o viria substituir ficou "retida" em Leiria. E é a partir daí que somos vistos, que é coordenado o estudo epidemiológico, segundo as regras ditadas pela tutela: o rastreio de contactos dos infectados faz-se a 48 horas, e não a 14 dias, como defendia o anterior delegado de saúde. Talvez isso explique por que razão, até novembro, Pombal era uma exemplo a quebrar cadeias de contágio. É claro que entretanto o efeito bola de neve ganha escala... E por mais competentes que sejam os profissionais de saúde que a partir de Leiria coordenam o trabalho do ACES Pinhal Litoral, não é bem a mesma coisa do que estar no terreno. Saber se naquela localidade há um parque industrial, um supermercado ou um café. Ou já não nos lembramos de como era até novembro?

Qualquer cidadão bem intencionado (e não de bem...) imagina o esforço hercúleo que médicos, enfermeiros e administrativos estão a fazer por cá, para que o Centro de Saúde de Pombal e as Unidades de Saúde Familiar (São Martinho e Marquês, na cidade; e Vale do Arunca e Sicó) continue a trabalhar com a aparente normalidade. Contando que as falhas de meios humanos são imensas, que faltam médicos, que ainda recentemente a Unidade de Saúde Pública esteve três semanas sem administrativa. 

E nisto, temos quase 3000 utentes sem médico de família.

A reboque da pandemia, há um tecido social que se fragiliza e precisa de apoio. Imaginemos uma família infectada, sem rede, que ainda por cima tenha a seu cargo um idoso. Quem é que a apoia? Noutros concelhos essa é uma articulação que está a ser feita pela Protecção Civil. Mas aqui preferimos gerir egos e questiúnculas, concentrando esforços no que é acessório e não no que é essencial. A propósito, por que deixámos de ter o tradicional briefing com/para a imprensa, logo quando era mais preciso? Por que deixamos de ter boletins epidemiológicos?

Recordo que temos 1 presidente da Câmara e 8 vereadores. 13 presidentes de Junta. Uma presidente da Assembleia Municipal. 27 membros eleitos por 5 forças políticas. Será que algum mexeu uma palha em nome deste elefante na sala?

Passaram quase dois meses desde que o delegado de Saúde pediu a exoneração. Não foi substituído. Mas ninguém parece importar-se com isso.

 



14 de setembro de 2020

Uma preocupação constante


A Câmara de Pombal está naqueles dias do mês: preocupa-se. Este verão foi fértil em matéria de preocupação municipal, difundida(como deve ser) pelo gabinete de informação e propaganda. 

Estava o comum dos mortais munícipes a pensar que as preocupações faziam parte da vida dos serviços.

Que na Câmara de Pombal haveria perto de 500 pessoas a trabalhar para encontrar soluções em vez de problemas.

E eis que a verdade é revelada em comunicado: a Câmara de Pombal está preocupada com o Ambiente em Agosto. Com a Covid-19 em Setembro. Apostamos que em Outubro há-de ser com a Educação?

Sim, escusam de ficar descansados. Que anda alguém a tratar-vos da saúde. 

18 de abril de 2020

25 de Abril sempre. Sempre.





Numa manhã de sol como a deste sábado, há uma nuvem que paira no espaço público e mediático. Baixou um espírito de indignação nuns quantos a propósito da decisão - conhecida estes dias - de manter a cerimónia evocativa do 25 de Abril na Assembleia da República.
O melhor dos argumentos saiu da boca de João Almeida, aquele rapaz do CDS que não se revelou de direita o bastante para chegar a líder: Ora se não comemorámos a Páscoa, porque vamos comemorar o 25 de Abril? Há quem goste de confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira, e quanto a esses não podemos fazer muito mais que apelar aos crentes (como o 'nosso' João Antunes dos Santos, agora no patamar cimeiro da JSD distrital, que pede perdão a Deus mas diz que sabe bem o que mereciam os que decidiram manter a cerimónia) que rezem muito, batam tantas vezes com a mão no peito até lhes sair a Grândola. 
Há outros, porém, mais comedidos nos argumentos: como é o Governo tem a lata de pedir confinamento, de proibir ajuntamentos, e agora leva 130 pessoas para dentro do hemiciclo. Convém lembrar que esse número não andará longe do mesmo número de deputados, assessores e outros actores que no último mês se têm reunido naquele mesmo espaço, para aprovar as medidas que têm permitido o lay-off simplificado, por exemplo, que alimenta os escritórios de advogados por estes dias, que permite a muitas empresas sobreviverem - e a outras, que as há, a aproveitarem-se mais uma vez do Estado. Tal como há oito anos, a propósito da intervenção da Troika, também agora a pandemia se tem revelado uma senhora de costas muito largas. Mas disso teremos tempo para falar, nos tempos que aí vêm. Por hoje, falemos de Abril. De como para muitos a cereja no topo do bolo seria passar por cima da data, como se fosse domingo de Pascoela ou Dia da Espiga. 
Num tempo como o que estamos a viver, em que saíram do armário tantos agentes da autoridade, sempre pontos a apontar o dedo às compras do vizinho, a ditar o que são bens de primeira necessidade, a moralizar comportamentos do outro, é imperioso que se assinale a data. E que nesse sábado de Abril a casa da Democracia possa - com as devidas precauções, como é indiscutível - lembrar que a liberdade ainda está a passar por aqui, mesmo que para desgosto de muitos. 
De Pombal, continuamos sem notícias. Mas daqui nunca esperámos milagres.

28 de março de 2020

Ana e as máscaras



Já todos tínhamos percebido que a câmara foi "só" a intermediária do negócio na aquisição das máscaras para as IPSS. Também percebemos que esse foi um assunto tratado no seu gabinete, e que por isso, na conferência de imprensa (em que participei, a título profissional, e onde fiz a pergunta) o presidente respondeu completamente ao lado. Talvez nem sequer tivesse conhecimento desse episódio. Talvez.

E por fim percebemos que, no mesmo dia em que aqui publiquei o post (denunciando a vergonha que é pedir aquele dinheiro às IPSS) o gabinete da propaganda tenha enviado para os jornais uma listagem de apoios que incluída diverso material de protecção individual.

A senhora vereadora diz que do seu gabinete não saiu nenhum e-mail com a factura para as IPSS. Talvez seja melhor perguntar ao seu pessoal, o que quer dizer então que "a câmara serve apenas como intermediário", e que "cada máscara tem o preço unitário de 55 cêntimos" - como de resto já foi confirmado por várias responsáveis de instituições envolvidas. Poderá ela desmentir isto?

Conheço a Ana Cabral há muitos anos, desde os tempos em que era educadora de infância - de excelência. Mais tarde acompanhei-lhe o percurso na Biblioteca Municipal, denunciei a injustiça de que foi alvo por parte de Narciso Mota (com o apoio de muitos que agora a bajulam), e espantei-me mais tarde com a aproximação ao PSD, que a colocaria neste lugar onde se encontra.

Ninguém lhe pede que seja especialista em Acção Social ou em Saúde, que deveriam ser pelouros entregues a quem fosse da área. Se houvesse gente da área na equipa de Diogo Mateus. Se ele ainda tivesse equipa.

A Ana fez uma escolha. Mas que não tenha ilusões: se houver próxima, será ela a escolhida.

24 de março de 2020

Falas bem, mas…

Diogo Mateus esteve-se nas tintas para a pandemia, durante duas a três semanas. Primeiro, ignorou-a; depois, usou-a para o servicinho político - para despachar a vereadora e o director.

Agora todo ele é humanidade e o estadista de vistas largas - veio propor a  existência de uma “lista actualizada de pessoas em quarentena, administrativa ou clínica, para controlo das autoridades de saúde e de protecção civil”. Diogo Mateus não está preocupado com as pessoas; está preocupado em controlar.

Diogo Mateus é perigoso mesmo sem lei; com uma lei que lhe permitisse o controlo nominal da vida (dos movimentos) das pessoas em quarentena, que tende a ser a maioria, caíamos na perfeita ditadura. Seria de fugir. Enquanto houvesse tempo.

21 de março de 2020

Da sanidade e insanidade


Da sanidade da quarentena

1. Cumpro a mesma rotina: dou aulas no horário de sempre, reuno por Skype ou ZOOM, estudo.
2. Visto a roupinha tal e qual como se fosse para sair, trabalho num sítio fixo (não no sofá) e faço as pausas às mesmas horas; vou menos às compras.
3. Reforço as minhas convicções relativas ao papel do estado e à importância insubstituível da ciência.

Da insanidade da quarentena

1. Somos encharcados com tudo e mais alguma coisa pelo WhatsAPP, email & etc. Para mim o melhor vídeo, até agora, é este (tornei-me fã dos Little Big).
2. Todos somos especialistas em COVIDs.
3. Há quem pense que a democracia está suspensa e comece a acreditar em Dons Sebastião. 

Felizmente, não é o caso do Farpas.

28 de fevereiro de 2020

Alerta CMP: o coronavírus e o 'delegado' de Saúde



Pára tudo, que o doutor Micael está atento a esses irresponsáveis do Ministério da Saúde e da DGS. 

Ele não quer ser alarmista mas está alarmado.

Ele não quer meter política nisto mas tudo lhe serve para tentar a aproximação à maioria, e ao PSD.

Ele tinha 'outros assuntos' mas o que importam as miudezas do concelho quando o país precisa dele?

7 de novembro de 2016

Desta água não beberei


O aviso é tímido, e por isso não é de estranhar que a maioria dos mortais continue a abastecer garrafões a rodos. Tem data de 23 de setembro, o que deve significar que Junta de Freguesia, Câmara Municipal e demais entidades competentes estão sabedoras das análises que ditam algumas propriedades da água da Charneca como "não conforme". 
Aqui no Farpas não somos de intrigas e por isso não vamos relacionar o facto com a proximidade do malfadado cemitério. Para mais, se a malta anda a beber água há dois meses e ainda cá estão todos, rijos como um pêro, é como dizia aquele antigo vereador do ambiente: "prefiro beber água de uma fonte, por mais poluída que ela esteja...". É claro que se finou, politicamente, mas isso agora já não interessa nada.