Mostrar mensagens com a etiqueta Partidos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Partidos. Mostrar todas as mensagens

21 de maio de 2026

Um partido não é um grupo de escuteiros

Consagrados politólogos consideram que os partidos são as entidades mais antidemocráticas (do regime democrático), sobretudo pelos vícios associados à captura e preservação do poder interno. Mas nos últimos tempos, a situação tem-se agravado, mesmo em partidos que se arrogam referências dos Valores de Abril.



Os iluministas consideravam que o maior progresso feito pelo homem foi aprender a raciocinar correctamente. Sendo que pensar é, desde a Grécia antiga e sobretudo depois com Descartes, divergir, questionar, contestar. Actividades essenciais à profícua acção política, que os partidos, outrora centros de debate, deixaram de fazer, perdendo a sua essência (a alma). Actualmete são pequenos grupos, mais ou menos esfrangalhados, compostos por células familiares, onde grassa o unanimismo balofo, o fanatismo, o ódio à diferença e à verdade, a cultura de rebanho, o instinto de sobrevivência e o carreirismo. Tudo coisas abomináveis.

Um partido não é - nem devia ser – um grupo de escuteiros. Mas foi nisso que se transformou a concelhia do PS de Pombal – um grupo de escuteiros guiado, às cegas, por um trio ávido de conforto emocional que exaspera à mínima dissonância. No último plenário militantes tudo decorria como manda a praxe do escutismo: todos aqueles fulanos e fulanas concordavam, explicavam-se e elogiavam-se uns com os outros, reconhecendo com contentamento que são da mesma opinião. Mas bastou que um militante base fosse desafiado a falar e pronunciasse uma sigla aparentemente anódina (PS1/PS2) para o caldo amorfo se entornar, e vir ao de cima o mais execrável da cultura antidemocrática, com censor-mor a retirar palavra ao militante de base e proibi-lo, repetidamente, que repetisse a dita sigla. Tudo isto com o apoio ou a conivência da generalidade. 

Em política, quando se perde a decência (democrática) perde-se tudo. Mas na verdade, não se perde o que nunca se teve.

6 de maio de 2026

A realidade paralela que alimenta o unanimismo. Quem ganha com isto?


 


A minha costela masoquista levou-me a espreitar a gravação da Assembleia Municipal. A bem da verdade, se cada um de nós soubesse os mínimos do que se passa na coisa pública, talvez não deixássemos que a mesma chegasse a este estado, que o nível baixasse além da indigência. O Adelino Malho já aqui fez um bom resumo do que é aquele ajuntamento, por isso não importa repisar na forma, na deformada forma do órgão que deveria fiscalizar a actividade municipal.  Sendo assim, aqui deixo apenas duas notas para reflexão:

1. Os eleitos do PSD, incluindo os presidentes de junta, encarnam bem o papel da formiga no carreiro - mas nunca ousam ir em sentido contrário, como cantava Zeca Afonso, para nunca correrem o risco de lerpar e trepar às tábuas. Noutros tempos, a defesa da maioria (e do executivo) era feita com pensamento próprio. A excepção era o que agora se tornou regra: o elogio bacoco da actividade municipal, a lambebotice enfadonha. E a oposição? Prepara-se mal, fala a medo, deixou-se tomar pelos bullies que povoam a maioria. 

Olhando para o quadro de miséria que se abre à nossa frente, percebemos que é preciso afagar egos para singrar na vida: as assessoras/adjuntas que conseguiram um lugarzito nos gabinetes de ministros ou secretários de estado, os que ainda não conseguiram mas têm na vida esse objectivo, os que foram penosamente afastados e agora regressam, todos contentes. E voltamos aos presidentes de junta: só aqui é que são tidos como figuras políticas, só aqui têm a veleidade de perorar sobre as posições da oposição. Os que falam, gastam mais tempo a engordar o coro de ataque aos desgraçados do PS e Independentes do que a levantar os problemas - concretos e reais - das suas freguesias. Os que não falam, aprenderam rapidamente a rir, de gozo. Estão ali por inerência. Só para lembrar.

2. Custou-me, nesta assembleia, ver um homem que muito estimo (enquanto médico, mas também enquanto cidadão)  tecer loas a um dos ramos de enfeite do poder: a assembleia municipal sénior. José Grilo Gonçalves tem dedicado uma parte importante da sua vida à gerontologia. E saberá tão bem como eu que todos aqueles planos e estratégias "para o envelhecimento activo" não passam de balelas. Quem está nesta fase da vida sabe que lidar com a velhice dos pais é o verdadeiro desafio da idade adulta. E somos muitos. Não, não é com estes números de folclore (cujo critério de selecção já é, por si, duvidoso) que combatemos o idadismo, o isolamento, os dias dos que definham dentro de suas casas ou nas salas dos lares e centros de dia. Queremos dar visibilidade aos mais velhos? É incluí-los nas listas às juntas, à Câmara, à Assembleia. A intervenção de José Grilo teve o condão de colocar a nu a nossa realidade: por cada 100 jovens temos 261 idosos.

Depois de ouvir uns e outros tecer loas à eleição da jovem autarca, à realização da assembleia sénior e quejandos, uma pessoa fica a pensar que um dia destes ainda replicam os modelos na creche e no infantário; depois hão-de fazer a assembleia das mulheres, dos migrantes, dos canhotos e dos que usam bigode. Tudo serve para a fotografia, que é, afinal, o que lhes importa. 

Uma nota final para os que gostam de embandeirar em arco com "a juventude a discursar no 25 de abril". Que o façam uma vez, percebe-se. Que se torne prática, só se entende na lógica do "olhem para nós, em Pombal, que nos importamos com os jovens e com aquilo que pensam". Balelas. Duas coisas, senhores: o 25 de Abril é uma data política. Os partidos devem indicar para falar sobre ela quem entendem. Isto não é a jotalândia, ao contrário do que pensa o PSD, com anuência do PS - e do resto. 

23 de abril de 2026

O que nasce torto tarde ou nunca se endireita

O vereador não-eleito Manuel Serra, número dois da lista Chega, que assumiu o cargo após a renuncia do cabeça de lista Mithá Ribeiro, anunciou, hoje, na reunião da “junta”, que se desvinculava do partido e passava a vereador independente.

Bastaram seis meses para Manuel Serra despir a camisola que decidiu envergar; o que diz muito, ou tudo, da coerência e da consistência política que actualmente se pratica, em total desrespeito pelos eleitores. Porventura, assume agora o papel que sempre desejou representar, mas sério, correcto e digno seria a renúncia ao triste papel que continua a representar. 




5 de novembro de 2025

Sobre a triste realidade do ps local

Os partidos políticos não são – não podem ser - seitas ou associações mais ou menos secretas fechadas sobre si e imbuídas nos seus interesses mais ou menos legítimos; são – ou foram – um alicerce do regime democrático, com obrigações de transparência e prestação de contas aos seus militantes, simpatizantes, eleitores e cidadãos em geral.



Fui ao plenário do ps local com duas simples e óbvias curiosidades: que balanço se faria do processo e dos resultados eleitorais? Que consequências políticas seriam retiradas pelos responsáveis pelo sucedido? Conclusão (minha): tudo na mesma, como a lesma. Aqui o grande problema já não é a doença do doente, mas o doente da doença.

Logo de início, aquele que está e que tratam por presidente da concelhia esclareceu os pouquíssimos presentes (onde não marcou presença a maioria dos supostos dirigentes, ninguém do ps1 ou dos não-alinhados) que os responsáveis pelo sucedido não renunciariam ao mandato (não tomariam a única decisão óbvia, face ao desastre eleitoral - com o obrigatório pedido de desculpa aos militantes, acrescento eu). Perdeu-se totalmente o sentido do decoro, mas anacronicamente talvez seja a decisão apropriada para aquela enfermidade fatal, talvez seja preferível não tratar/amputar a gangrena, porque, na verdade, o que não tem remédio remediado está. 

Depois veio a avaliação dos resultados e as suas causas. E aqui saúda-se a grande diversidade de opiniões sobre os resultados (coisa rara e muito mal vista naquela casa) que ficaram “aquém do esperado”, para uns; foram “bons, pelo desempenho dos dirigentes e candidatos”, para outros; e, pasme-se, “muito bons, atendendo ao contexto”, para alguns. Sobre as causas e as explicações não vale a pena dar grandes notas - senti alguma náusea, mas resisti estoicamente em silêncio àquilo tudo.

Estamos perante criaturas que rebolam descontroladamente por um desfiladeiro, sem se darem conta das forças que as movem. Deixai-os ir que vão por Deus. 

14 de outubro de 2025

PS de Pombal

Ontem, depois do desastre, o PS de Pombal sussurrou qualquer coisa - sinal de que ainda está vivo! Alguém o ouviu dizer que “felicita o vencedor autárquico e promete oposição construtiva”. 

Se tivesse dito só a primeira frase, e, logo de seguida, se apagasse, mostrava autoconsciência e alguma sensatez. Assim, mostrou que continua a penar, a fazer o que não sabe nem deve tentar fazer - oposição construtiva. 


9 de setembro de 2025

Debates sobre as Autárquicas – candidatos afastados ou afastaram-se?

O novo canal televisivo “Conta Lá”, que se propõe a fazer uma ampla cobertura das próximas eleições autárquicas, gravou hoje, em Leiria, o debate com os candidatos à Câmara Municipal de Pombal, que será oportunamente transmitido, onde participaram unicamente Pedro Pimpão, candidato do PSD, e Luis Couto, candidato do movimento independente.

Pergunta-se: os outros candidatos não foram convidados, faltaram ou não quiseram participar? Como é óbvio, os eleitores gostavam de saber…


Adenda: perguntar “ofende”? Parece que sim…

Já sabíamos, há muito, que nesta malfadada terra vegeta uma “classe política” que abomina a crítica, ignorando que ela é a essência e a massa da própria política em Democracia. Mas parece que também não tolera a simples pergunta, neutra e óbvia. Deus nos livre de tamanha fragilidade.

25 de julho de 2025

Quem quer ser presidente da “Junta”?

Quem quer ser presidente da “Junta”? NINGUÉM!

Nos primórdios do Regime Democrático as eleições autárquicas eram disputadas pelos partidos, pelas figuras da comunidade e pelas pessoas comuns arreigadas a causas, crenças, propósitos ou projectos. Com o tempo tudo se foi esfumando até à descrença geral. Primeiro caiu-se na falta de escolha, com tudo o que isso implica. Depois no inimaginável de ninguém querer ser escolhido. Acreditem que não estou a efabular sobre a temática; é a realidade pura e dura, que é e é e não é sensível a estados de espírito nem a argumentos.

Sobre o doutor Matos e o doutor Mithá não vale a pena discorrer muito. As suas posturas e comportamentos políticos não deixam margem para duplas interpretações, e é até “crime” incomodá-los.

Já o doutor Pimpão é caso ligeiramente diferente: também não quer ser presidente da “Junta” – sabe lá ele o que quer fazer. Mas precisa muito do cargo.

Eis a nossa triste sina. 


NR: Há enigmas por detrás de certas movimentações políticas que só a antropologia, a sociologia e as ciências da mente conseguirão explicar.

20 de julho de 2025

Mota Pinto “out”

No dia em que Pedro Pimpão apresenta a recandidatura à câmara, fonte bem colocada no partido fez-nos chegar a informação que Mota Pinto está fora.

Há quatro anos, quando o Pedro anunciou a candidatura do Professor à Assembleia Municipal regozijámo-nos com escolha, porque era imperioso elevar o nível. Não nos enganámos: o Professor fez um bom mandato.

Mas a realidade política actual é o que é: a boa moeda acaba sempre “out”.

27 de março de 2025

Eleições Autárquicas – Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto (II)

O designado “processo autárquico” já arrancou nas principais forças políticas, sem fulgor e sem novidades. Para nossa triste sina, vamos ter que gramar com o doutor Pimpão por mais quatro anos, cheios de diversão e despesismo.



Por cá, a política é uma farsa, um faz de conta que não conta p`ra nada, nem para trocar umas ideias sobre o assunto.. As campanhas eleitorais degeneraram para uma espécie de jogos entre solteiros e casados, e não como aquilo que deveriam ser: disputas aguerridas, entre os melhores, pelo melhor - para todos. Mas são coisas diametralmente distintas. Nos jogos entre solteiros e casados todos podem participar, mesmo aqueles que não sabem dar um pontapé-na-bola, porque o propósito é a diversão não a competição, e ali o episódio caricato conta tanto, ou mais, que os golos marcados. Na disputa política tudo é diferente: é preciso saber jogar o jogo: conhecer as regras, dominar as técnicas, analisar e avaliar o contexto e os meios, definir as tácticas e as estratégias, escolher os protagonistas certos, conceber um plano e um programa sólidos, criar um discurso coerente e consistente e saber comunicá-lo. Tudo o que tem faltado à pobre oposição, e, pelo que se vai vendo, continuará a faltar no presente “processo autárquico”.

Não existirá - ao cimo da terra - actividade humana mais periclitante que a política, devido ao nível de exigência técnico-político e à sistemática exposição e escrutínio público. Por conseguinte, causa perplexidade e estranheza ver pessoas sem nenhuma preparação política atirarem-se para esta tórrida arena, como cavalos atreladas a uma carroça, largados por uma colina abaixo, sem saberem se puxam ou são puxados, numa correria desenfreada sem tempo para ponderarem aonde aquele movimento vai levar. E ainda há quem considere os gladiadores dos circos romanos loucos!

26 de março de 2025

Eleições Autárquicas – Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto (I)

“Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto” é o título de um livro de Mário de Carvalho, publicado em 1995, que li em 2005, e que agora, no prelúdio de novo “processo autárquico”, resolvi revisitar, porque nada como a boa ficção para compreender a triste realidade.

A narrativa, romanesca e em tom galhofeiro, plena de fina ironia e mordaz sarcasmo, gira em torno de um burocrata da pequena burguesia do funcionalismo, Joel Strosse, que sempre viveu de aparências e da posição adquirida, mas desiludido e frustrado com a vida (os novos tempos) decide ingressar no PCP. Aí encontra Vera Quitério, diligente e astuta funcionária do partido, que antes de lhe entregar a ficha de inscrição dispara a frase-cliché, que sempre usava naquelas circunstâncias: “Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”.

A beleza da frase, e a cuidadosa condução da conversa, nunca mais me saiu da memória. Daí que, neste periclitante contexto, tenha revisitado o livro. Com a premência que a situação exige, recomendo aos meus camaradas de partido - e aos outros, porque não - a sua leitura. Recebam-na como uma modesta contribuição para minorar desilusões, desgostos e desastres colectivos e individuais.


29 de janeiro de 2025

Chega aposta forte em Pombal

Gabriel Mithá Ribeiro, militante e deputado do Chega, eleito pelo círculo eleitoral de Leiria, será o cabeça de lista do partido à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano. A decisão ainda não foi divulgada pelo partido, mas o próprio já deu conhecimento da sua candidatura a algumas forças vivas do concelho.



A escolha desta figura nacional, sem laços à terra, mostra que o partido aposta forte em Pombal e que não possui uma figura local capaz de fazer um bom resultado.

É um desafio para o próprio, e uma ameaça para as outras candidaturas.   

22 de outubro de 2024

Aqui não mudam as moscas: multiplicam-se

 

Domingo, 20 de Outubro do ano da graça de 2024. Pombal. 

Tudo corre bem, aqui na terra. Os nossos mais altos representantes estão em êxtase, num corrupio de fotos, posts e selfies nas redes sociais, pois que lá em Braga (quase) todos se safaram numa lista para qualquer coisa. Manifestações de "interesse público", "bem-estar da comunidade" ou "dinâmicas em prol do território" adornam as fotos. 

À mesma hora, um post de uma moradora no lugar de Vale Coimbra (escusam de procurar, já se eclipsou) vai passando de feed em feed: há uma praga de moscas, são aos milhares; um terreno conspurcado por dejectos de galinha tresanda por ali. E atrai o quê? Moscas. 

A cidadã pede ajuda publicamente. Diz que esgotou todas as outras formas, fez todos os contactos ao alcance: GNR, Autoridade de Saúde, Protecção Civil, serviços da Câmara de Pombal e da Junta de Freguesia. Conta que alguns - como foi o caso da Protecção Civil - tão pouco lhe atenderam o telefone. 

As fotos impressionam. Do lado de cá do computador imaginamos o cheiro nauseabundo. À mesma hora, meio Pombal desdobra-se em corações noutro post: o de Carla Longo, a presidente da Junta de Freguesia - que agora faz parte do Conselho Nacional do PSD - a ofuscar as tentativas de Pedro Pimpão. A Charneca, ali tão perto do Vale Coimbra, está em altas. Já se sabe que mais vale cair em graça do que ser engraçada, e afinal isto anda tudo à volta da...Gratidão. 

Já aqui lembrámos várias vezes o quanto nos prometeram o céu, aqui na terra, em fatias de felicidade. E nós, pouco crentes, duvidámos. Agora até um cego vê o que nos está a acontecer: um poder inebriado  pelo barulho das luzes, a viver numa realidade paralela. Serviços paralisados, discursos ocos, uma tentativa de nos atirar areia para os olhos, uma conversa que cheira tão mal como a atmosfera do Vale Coimbra, a lembrar-nos como afinal isto anda tudo ligado. 

Para nosso desgosto, não se vislumbram mudanças. A história há-de contar, um dia, como Pombal foi aquela terra onde nem sequer mudam as moscas, como nas outras. 

Aqui multiplicam-se. 

9 de julho de 2024

Do estado a que chegámos



Na semana passada houve eleições para os órgãos internos do PSD e do PS, os dois maiores partidos no país, e também (supostamente) em Pombal. 

Por aqui, a política partidária tornou-se desgraçadamente desinteressante - até para nós, aqui no Farpas. Mas o pior, plasmado no que aconteceu nesses actos eleitorais, é o desencanto que se instalou dentro dos próprios partidos: no PS não apareceu ninguém para se candidatar aos órgãos concelhios, no PSD o que apareceu é sintomático desse estado a que chegámos, como bem pode o leitor apreciar: quatro jotas passados do prazo, um presidente da junta que acha que pode chegar a vereador, e o inerente Pimpão. (Humberto é um senhor, e por isso não debandou, já). 

Depois da ‘folha de rosto’, aparecem os empregados da política, passados, presentes e futuros - um misto do gabinete de Diogo Mateus com o de Pedro Pimpão. Já a era de Narciso Mota ficou paradoxalmente guardada para aquele órgão denominado “Conselho Estratégico”. Tudo fresco e vivo para pensar (n)o futuro, devidamente separado do mundo rural, etiquetado de “conselho das freguesias”.

Ora, uma vez arregimentados todos, todos, todos (até o tresmalhado José Gomes Fernandes) sentimos aqui a falta de João Pimpão. Imperdoável. 

12 de junho de 2024

Comemorar vitórias, enganar derrotas: o que dizem os resultados das eleições em Pombal




No início desta semana lá foi a Câmara para mais um passeio, desta vez na Redinha. E é curioso que a primeira saída do executivo pós eleições europeias (em que o presidente da Câmara e o PSD local tanto se empenharam) tenha acontecido precisamente ao território que menos votos deu ao partido, por mais loas que o presidente da junta lhes teça. 

Esmiuçando o escrutínio, percebemos então que há três freguesias-exemplo, onde o PSD alcança resultados acima dos 50%: Carnide, Abiul e Meirinhas. Ora, nesta última, cujo pavilhão (municipal, portanto tão nosso como lá da terra) se transformou em ninho de vitória laranja, com direito a um parque de estacionamento peculiar...  dá-se o caso paradigmático de ver o PS relegado para um quarto lugar na votação. Ao contrário, na Redinha, o partido (que continua a suportar o autarca local), consegue a sua melhor votação, num empate quase técnico com o PSD, perdão, a AD - o que já acontecera nas legislativas. 

Quanto ao resto, nada de especial a assinalar. É seguirem a comunicação social local nas suas redes sociais, e perceberem o efeito mundo ao contrário, em que os autarcas obedecem aos assessores*, como documenta a parte final deste vídeo, publicado pelo Pombal Jornal. 

*A voz é daquele assessor que, nas vésperas do 25 de abril, reproduziu graçolas sobre atirar comunistas do 7º andar. 




30 de outubro de 2023

Sinal de vida de uma oposição inepta, que nem conhece a lei que a regula

A recente acusação de João Pimpão, presidente da Junta de Freguesia das Meirinhas, pelo Tribunal Criminal de Leiria, pela prática de crimes de peculato, fez despertar a Concelhia do PS de Pombal de um longo sono sepulcral. Mas melhor seria que tivesse permanecido no maldito sono.

Tal como burro calado passa por sábio também inepto inativo passa por capaz. Já se sabia que era tanto ou mais inepta que o poder, mas com o recente comunicado vem mostrar que nem a lei que regula o seu papel conhece.

O João Pimpão não pode suspender o mandato por estar acusado em processo-crime, mas pode - e deve - renunciar. A concelhia do PS deveria saber isto! Se não o sabe, deveria aconselhar-se com quem sabe - jurista/advogado, se não têm lá nenhum/a.

Depois, também deveria saber que essa coisa da presunção da inocência aplica-se – deve ser observada – pelo juiz que decide no processo, não se aplica à política nem à vida em sociedade.

Estavam tão bem a dormir - todo o comunicado é patético.

29 de maio de 2023

PSD a duas vozes

O PSD nacional retirou a confiança política ao deputado Joaquim Pinto Moreira, arguido na operação Vortex.



Mas por cá, o PSD mantém a confiança política no João Pimpão, presidente da Junta das Meirinhas, ACUSADO de peculato no exercício da função de Chefe de Gabinete do ex-presidente da câmara, Diogo Mateus, igualmente acusado de peculato e de falsificação de documentos. 

O presidente do PSD, Luís Montenegro, justificou a decisão – política - afirmando que "o PSD não se conforma, nem quer contribuir para a degradação da política”. Mas, por cá, ninguém lhe dá ouvidos. Por cá, quanto maior a degradação da política melhor… 

27 de março de 2023

O Melodrama Socialista

Acto XXV – Sai & Fica

Enquanto o Pedro se diverte feliz no Reino das Maravilhas, qual borboleta saltitante de flor em flor, os (des)Socialistas representam, daqui a pouco, numa adega da terra, o próximo acto do seu melodrama intitulado “Sai & Fica”.



Este requentado melodrama é um folhetim de cenas da vida real que entrelaça intrigas e zangas de comadres num registo angustiante sem fim à vista; que há muito deixou de ser político (não interessava a ninguém a não ser aos próprios intérpretes), mas parece psicótico (com perda de ligação à realidade e alguns delírios). 

Daí se perceba a escolha de uma adega para a representação do próximo acto: é sempre melhor afogar as mágoas com bom vinho que a seco no divã do psiquiatra. Mas para que a coisa saia menos risível recomendo que bebam metade antes da representação e a outra metade depois.  

A Política é alta competição - mesmo a amadora. Não há papel mais tonto que (tentar) jogar um jogo de que se desconhece as regras. Quando criaturas com fome de celebridade se atiram para a arena pública sem saber quando avançar e quando parar, confundindo derrotas com vitórias (morais), ou afrontando regras sem poder para tal, o caminho para o desastre fica traçado. Uns merecem-no; outros nem tanto.

31 de outubro de 2022

O débil sinal de vida do PS local

Quis o destino ou alguém por ele que o PS local desse sinal de vida na véspera do dia de finados – ele há cada coincidência! Veio afirmar - em comunicado! - que “respeita resultados para desanexação freguesias”. Estava tão bem mudo, que é o seu estado natural, à espera de uma primavera qualquer. Mas não: quis dizer o que não vale a pena ser dito. Eis tudo quanto se pode arrancar daqueles cérebros.


Verdade seja dita: o PS local já só existe para respeitar resultados. Mas, coitados, ainda acreditam que fazendo esta débil e sonsa figura granjeiam respeito.

Deus lhes perdoe.

11 de outubro de 2022

A Democracia segue dentro de momentos (II)

Nota prévia: Ontem, a Paula Sofia abordou esta temática na sequência e a propósito das eleições para as concelhias do PSD e do PS. Agora, abordo-a na perspectiva do estado do regime.

Não há democracia sem partidos. Em Pombal já não há partidos (dignos desse nome).



Dos partidos pequenos não vale a pena falar. Mirraram. Resta o PSD, e o PS. Mas já não há por onde escolher, e que escolher. PSD e PS já foram diferentes, e adversários. Agora, são em tudo iguais execepto nas suas circunstâncias: um tem poder, e tem presente; o outro perdeu-o (há muito) e perdeu-se. Actualmente são meras chocadeiras, corpos estranhos, desligados da realidade e da comunidade, que se limitam a cumprir as rotinas e as formalidades indispensáveis à sua existência.

Nesta terra, onde a política é pátio de comédia, o partido no poder sobrevive ligado ao poder. O da oposição, irremediavelmente afastado do poder, estilhaçado e consumido pela intriga, mirra perdido no mais terrível purgatório, o abismo do vácuo, e na mais tenebrosa ignorância de não saber o que é, para que serve e o que fazer.

A classe política local – e não só - é má por uma necessidade iniludível de sobrevivência. Consequentemente, a mediocridade dos eleitos só pode surpreender quem desconhece a realidade dos aparelhos partidários. Mas uma coisa é certa: com tais partidos a comunidade dissolve-se pela indiferença e pela desistência.

O caminho, sem bifurcações, está traçado. Para atingir o resultado basta não fazer nada.

10 de outubro de 2022

A democracia segue dentro de momentos




O PS local acaba de eleger para seu representante máximo o jovem Joel Gomes (o nosso Joelito, de que certamente se recordarão), que assim sucede a Odete Alves - que se mantém apenas como membro da comissão política concelhia, mas de fora do secretariado. 

O jovem Joel, que está alheado de tudo o que é órgão autárquico e movimento cívico aqui na terra (e fora dela também não lhe conhece actividade), tenta assim manter-se à tona, na luta pela sobrevivência política. Rodeou-se de um conjunto de personalidades que já deram o nome para as listas em actos eleitorais - e que agora, por terem pago as quotas, foram parar aos órgãos do partido.

Já no PSD, que foi a eleições na altura do Bodo, promovendo Humberto Lopes (presidente da junta de Almagreira) a líder, aconteceu o contrário: houve quem aparecesse para votar, integrando as listas, sem sequer fazer parte dos cadernos...

E é neste caldo que andam a ser cozinhados aqueles que a seguir nos vão governar. Houve tempos em que nos partidos havia algum critério. Talvez ainda exista nalgumas terras. Noutras, simplesmente a malta já desistiu: na Batalha, Alvaiázere e Pedrógão Grande, o PS nem sequer apresentou listas, sendo que no último era poder até 2021; no penúltimo perdeu as eleições por pouco mais de 30 votos. E no primeiro...é como se tivesse ganho.