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27 de dezembro de 2025

Desavença (im)perdoável

Há pessoas pequenas de mais para o lugar que ocupam. E também há pessoas (que se julgam) grandes de mais para o lugar que ocupam. Ambas as situações são problemáticas, mas é o que mais existe por aqui. O doutor Coucelo é um desses casos: um pombalense-de-gema dotado de enorme sapiência, grande e selectiva memória, que, manifestamente, se sente aperreado no lugar que ocupa, presidente da AM, porque, apesar de lhe conferir estatuto, coarta-lhe a eloquência discursiva. 

Na última reunião da AM, aquando da discussão das GOP e Orçamento, o novato Pinhão fez uma curta intervenção que teve tanto de vulgar como de correcta. Mas vá-se lá saber por quê, o doutor Coucelo aproveitou o momento para, sobre o pretexto de defender a história de Pombal, defender o seu PSD e passar um raspanete ao vulnerável principiante naquelas andanças. Como o atacado não se calou, o doutor Coucelo desligou-lhe o microfone e carregou no raspanete.

Foi um episódio triste, que não deveria ter terminado daquela forma. Mas para isso era necessário que na bancada do PS houvesse alguém com coragem. Se há; então vale a pena recordar a lição que Churchill deu ao novato e promissor político inglês, quando lhe explicou no parlamento onde se sentavam os adversários e onde se sentavam os inimigos. 


29 de novembro de 2025

Montenegro coloca Pimpão na ANMP

Corre pelo espaço midiático que o doutor Pimpão vai para presidente da Associação Nacional de Municípios (ANMP). Seria uma benção para Pombal se ele fosse mesmo. Mas não vai; ou melhor dito: vai e fica. 

A notícia – do nosso conhecimento há muito tempo - foi metida a correr com um intuito claro: fazer crer aos papalvos que há mérito na coisa, na designação e no designado. Mas é exactamente ao contrário… A escolha - de Luís Montenegro, não dos autarcas - tem todo o racional: se é para não fazer nada, nem sequer lobbying/pressão junto do governo, quem melhor que doutor Pimpão?



Isto é o regime no seu melhor. Um regime que se desenvolveu da forma que se conhece, através da multiplicação de cargos e mordomias pelos próprios protagonistas políticos, para seu prórpio benefício. O método segue inevitavelmente a mesma lógica: há um cargo (por exemplo, presidente de câmara), desempenhado por vários titulares; se há vários titulares pode-se criar uma associação que os represente, os auto-promova e faça lobbying em seu benefício. As coisas funcionam sempre assim, e neste caso em concreto (ANMP) ficaram-me claras, há muito tempo, quando dava os primeiros passos na política local, e um(a) então influente figura do PSD local me explicou para que servia a ANMP. Numa das muitas conversas sobre política, expunha-lhe o meu espanto pela rápida transformação política e pessoal do recente presidente da câmara Narciso Mota, que de criatura politicamente imberbe, naif até,  rapidamente se transformara num cacique controlador de tudo e de todos. Explicou-me ele(a), então, que tudo se devia à “escola” de dirigismo/caciquismo que era a ANMP, onde as reuniões serviam essencialmente para os presidentes de câmara conviverem e partilharem as dificuldades/objecções que os adversários e forças vivas locais lhes colocavam, que os mais rodados e astutos já tinham vivido e, com gozo, partilhavam com os novatos os estratagemas que, se fossem aplicados com eficácia (pulso), anulariam os opositores e os meios de fazer oposição. 

O doutor Pimpão vai com o mandato de não fazer nada, até porque é o que mais gosta de fazer, mas a ANMP continuará a cumprir o seu secreto desígnio.

3 de outubro de 2025

Pedro - o entertainer

 A Política já foi uma coisa séria, respeitável e respeitadora dos representados. Agora é uma coisa fútil - uma diversão, um espectáculo, uma armadilha para captar atenções e apanhar vontades tolas. 

No início da desventura do Pedro, como presidente da câmara (da junta), escrevi por aqui que política está para o Pedro como o voar está para a mosca. Com o tempo percebemos que o Pedro é e encarnou a configuração da mosca voadora, predestinada ao ócio, ao vício e à voluptuosidade. Uma criança, alegre e frívola, que brinca à política, em campanha ou fora dela. 


17 de setembro de 2025

Diogo Mateus condenado

Saiu hoje a sentença sobre o processo que corria no Tribunal Criminal de Leiria contra o ex-presidente da câmara (Diogo Mateus) e o seu chefe de gabinete (João Pimpão), por uso indevido de recursos camarários (viatura e respectivas despesas) em benefício próprio – assunto que mereceu ampla divulgação por aqui, aqui,...



Diogo Mateus foi condenado a quatro anos de prisão, por um crime de peculato na forma continuada e por falsificação de documentos, com pena suspensa por igual período (quatro anos). João Pimpão saiu absolvido dos crimes de peculato e peculato de uso em co-autoria.

No Estado de Direito as pessoas (só) são condenadas pelo que vão acusadas e pelo que fica provado em julgamento…  Muita cumplicidade política; pouca cumplicidade criminal. Na verdade, para o Tribunal só conta o que está na acusação. Ainda bem.

14 de setembro de 2025

O sítio do Pimpas: como viver numa realidade paralela

A família social-democrata está hoje como gosta: à mesa, boa comida e boa bebida, baile com o Graciano e resto do espectáculo abrilhantado pelo Toy. A Expocentro tomada por eles, que são muitos, esmagando qualquer concorrência que se apresente a eleições. É assim há muitos anos, e desta vez promete ser (quase) assim, também. 

O tom festivo é de celebração. Nas redes, uns e outros mostram-se no registo David e Golias. Fazendo fé na máquina poderosa que montaram e exibem, seria escusado ir a eleições. Mas nada disso é novo, como bem sei o (e)leitor. Divido coma  directora do Pombal Jornal, Manuela Frias, a frase com que abre o último editorial do único jornal da terra: “não é novidade para ninguém”. 

O que é novo aqui, por estes dias, é a subversão total do género jornalístico “artigo de opinião”, que nessa mesma edição Pimpão assina, na página 4. Pensava eu que já não iria surpreender-me mais, nem com políticos nem com os media da terra (que há muitos anos entraram no registo de não levantar ondas, quanto menos notícias melhor, porque isso só dá chatices…), quando me deparei com um exercício de propaganda básico, mascarado de artigo de opinião. O título – “Pombal cresceu: resultados que falam por si” é uma versão resumida do infomail que Pedro Pimpão fez chegar às caixas de correio, há dias, com o balanço do mandato autárquico. Chama-lhe, em estrangeiro, “accountability”, prestação de contas, por assim dizer. Fazendo fé nos seus números, das 236 medidas que havia proposto para uma década, há quatro anos, estamos com 217 executadas ou em execução, o que corresponde a 92%. Se fosse assim, estávamos prontos a abrir telejornais a toda a hora. Como não é, enganamos o eleitorado com vídeos e “notícias” que o povo vai papando como se o fossem, de facto. “Diz que ela estava ali em baixo, ao fundo da ladeira, a dar uma entrevista”, disse-me o meu pai, nos seus 82 anos, para quem a internet e o digital são coisa de que ouve falar na rádio e na tv. Ele não se dá conta, mas a poderosa máquina de comunicação da campanha que voa mais alto usa desse artifício, sem que ninguém lhe peça prova dos factos.

O Pedro é um caso de estudo. Ele consegue visualizar um jardim num monte de entulho, e pior, acreditar que é real. No rol dessas medidas que elenca, detive-me, por exemplo, na “promoção de um envelhecimento activo, saudável e feliz”. 

A minha geração chegou àquela idade em que mal acabámos de cuidar dos filhos e temos agora de cuidar dos pais. E por isso cada um de nós sabe o que nos diz a realidade no concelho de Pombal: muitos velhos, a maioria com doença e/ou demência, sem respostas. 

Passaram mais quatro anos e continuamos sem parque verde. Há décadas que alimenta os programas eleitorais. Mas na requalificação urbana e quejandos, estamos quase a rebentar a escala. Com os tantos milhões que enterrámos no Explore Sicó (CIMU Sicó que Deus tem), já tínhamos feito pelo menos 10 parques verdes, com piscinas e tudo.

Passaram mais quatro anos e não há notícia de nenhuma grande empresa a querer instalar-se aqui. Toda a gente sabe que uma cidade só cresce e se desenvolve com trabalho, com emprego, que depois traz gente, leva à fixação, e assim promove um ciclo (não vicioso, mas de virtude). Toda a gente sabe? Não. Há quem acredite em unicórnios e smart cities e proximidades encenadas. 

Feitas as contas, o Pedro está a fazer tudo bem: o que lhe falta na Câmara em matéria de comunicação sobra-lhe na campanha. Há dinheiro, muito dinheiro, bons materiais e conteúdos. Mas como sabe que há uma franja (muito importante e vasta) que não vai às redes, é preciso lançar-lhe o isco à moda antiga, nessa coisa fora de moda que são os jornais. O pior é que – tenho disso a certeza – o Pedro sabe bem que aquilo não se faz. Nasceu numa família de jornalistas, cresceu no meio, tem um jornalista como mandatário. 

Não por acaso, o livrinho que mandou para as caixas do correio termina a agradecer à comunicação social. Pudera. Qual é o autarca que não quereria jornais e rádios amiguinhos, que nunca beliscam o poder?

O meu primeiro director, no primeiro jornal onde trabalhei (O Correio de Pombal) dizia sempre o mesmo: “se dizem bem de ti, desconfia. É porque não estás a fazer o teu trabalho”. Era o tempo em que os jornais ainda diziam “as verdades que incomodam em vez das mentiras que encantam”, uma frase tornada célebre por um ex-secretário de Estado da Comunicação Social: o social-democrata Feliciano Barreiras Duarte. 

Nos tempos que correm, parece que estamos condenados apenas a comer gelados com a testa. Ou já algum dos outros candidatos (existem mais 7, pasme-se) tem o seu artigo de opinião pronto a publicar?

* o sítio do Pimpas era o nome do Blogue de Pedro Pimpão e da coluna de opinião que assinava na imprensa local, ao tempo da Jota.



9 de agosto de 2025

Ninguém explica ao Luís!

O Luís - rapaz humilde e esforçado - apresentou-se sozinho na última reunião da “Junta”, cheio de dúvidas e inquietações, disposto a fazer figura. E fez…

Naquela sala funesta, onde quase todos(as) já atiraram a toalha ao chão, e fazem-se de mortos(as), o Luís, depois de queimar quatro anos entre o fútil e o inútil, ainda continua a esbracejar, a clamar que “gostaria de perceber” - isto, aquilo e aqueleoutro… É verdade que às vezes tentaram explicar-lhe as coisas, e até ajudá-lo a fazer melhor, mas parece ouvir sem escutar… Parece padecer de uma esquisitice mental difícil de entender, e sozinho perde-se facilmente. Deixa-nos sem deixar memória. E não consta que tenha aprendido alguma coisa durante os quatro longos anos em que simplesmente nos enfadou. 

Humilde como é, alcançará com certeza o reino dos céus. 

1 de julho de 2025

Desenlaces de ajustes de contas da política pombalense…

Quando se zangam as “comadres” sabem-se as verdades - assim reza o povo o povo, e com razão.

O mal estar entre Diogo Mateus e Pedro Brilhante era coisa antiga e profunda, mas tomou novas proporções quando Diogo Mateus retirou os pelouros ao vereador em outubro de 2019. A partir daí assistiu-se a uma refrega empolgante em todas os campos (político, midiático, pessoal e até judicial), amplamente difundida por aqui.


Na esfera judicial, Pedro Brilhante avançou com queixa(s) contra o presidente e o seu chefe de gabinete – João Pimpão - por ele usar a viatura, que lhe estava atribuída para uso oficial, em deslocações particulares, e por descontar as despesas da viatura no fundo de maneio da presidência, à responsabilidade de João Pimpão. Diogo Mateus respondeu da mesma forma: apresentou queixa contra Pedro Brilhante por este ter usado uma viatura da câmara para fins particulares (por exemplo, deslocação a um encontro da JSD em Pedrogão Grande, no dia 7-12-2018,…) – facto(s) que Pedro Brilhante sempre negou.

O processo em que são visados Diogo Mateus e João Pimpão conhecerá a sentença amanhã... Já o que visou Pedro Brilhante terminou - viemos agora a sabê-lo depois de João Pimpão ter recordado o caso na última AM e requerido cópias da decisão - com o MP a propor, depois de apurar os factos, “a aplicação da suspensão provisória do processo ao arguido Pedro Brilhante, por um prazo não inferior a 3 meses, mediante o pagamento à CMP de quantia não inferior a 300 euros”, que o arguido aceitou, e a câmara anuiu.

A leviandade é muito má conselheira.

27 de abril de 2025

Quem se mete com o Pimpão, leva


Ficou claro na última reunião da Assembleia Municipal que Pedro Pimpão já escolheu o seu adversário para as próximas eleições autárquicas. Pelo tom crispado com que respondeu a Luís Couto, candidato à Câmara pelo movimento Pombal Independentes, percebeu-se também – de novo – que o sentido democrático deste presidente vai buscar o seu quê de inspirador a Narciso Mota: também ele acenava com “os prints” das publicações que lhe desagradavam. Também ele considerava que as notícias “negativas” prejudicavam a boa imagem da Câmara. Em rigor, toda a resposta de Pimpão a Couto (vale a pena recorrer ao vídeo da AM para esse deleite) denota um registo da criatura à imagem do criador – que de resto recuperou para a sua permanente campanha.

Mas centremo-nos na questão que mais importa: a tão almejada (por ele) vinda do IPL para Pombal, sobre a qual parece que “quase ninguém” é contra, segundo Pimpão. E se for, está a contas.

Ora há aqui vários equívocos nesta forma atabalhoada como o Pedro vê o desempenho do cargo institucional que ocupa. Mas o crucial é este de considerar que não vai explicar os benefícios do ensino superior em Pombal a quem não acredita, porque seria “como falar de Deus a um não crente”.

Errado, Pedro. O presidente da Câmara não tem só obrigação de responder, em sede da AM ou noutra, sobre os custos hipotéticos ou reais -  que serão avultados, ninguém tenha ilusões. Tem obrigação de os justificar.

 

Depois há o lado incongruente destes números, bem diferentes dos que Pimpão gosta de passar nas redes sociais, ora na rua, ora na festa, ora na missa, ora à mesa do café, mas sempre com a aura de bom cristão – que acumulou minutos de silêncio por estes dias, em memória do Papa, para compensar este ruído, talvez.

Um presidente para todos, todos, todos, menos os que o contrariam.

27 de março de 2025

Temas que queimam nas mãos de Pimpão


 A reunião pública que aconteceu esta quarta-feira na Câmara Municipal foi farta em temas quentes, daqueles que escaldam a vida dos cidadãos. 

Da agenda faziam parte alguns deles, e o vereador socialista Luís Simões levou outro, bastante pertinente: as condições em que funciona o externato A Falinha, arrendado à Câmara Municipal (pela módica quantia de 15 mil euros por mês) para albergar a escola Conde Castelo Melhor, enquanto decorrem as obras de requalificação do edifício. Ora, desde o início do ano lectivo que se acumulam as queixas de pais e professores quanto à falta de condições do edifício para albergar as crianças com o bem-estar devido. Toda a intervenção que a oposição faça para o denunciar é justa. E necessária. 

Já sabemos que Pimpão lida mal com a crítica, que foge do desconforto municipal como o diabo da cruz. Mas esperava-se que, ao fim de um mandato, e ao cabo de uma vida inteira na via profissionalizada da política, tivesse estofo e coerência para ser ele próprio o escudo da autarquia nas matérias mais delicadas. Porém, continua "em cima do muro" (como tão bem o caracteriza um dirigente do partido), qual puto charila que atira a pedra e esconde a mão. 

O tema da Falinha queima? Atira-se para a vereadora Catarina Silva, que ainda vai "validar" as denúncias levadas pelo vereador Simões.

O tema do Cimu Sicó queima? Atira-se essa batata quente directamente para as mãos da vereadora Gina, cada vez mais arredada da cena política e pública, resgatada agora para relatar a canseira que foi a BTL, e para justificar mais umas milenas que continuamos a enterrar na serra. São mais de cinco milhões derretidos em forma de betão, ao longo de uma década, sem que sequer se saiba o que vai ser aquilo. O desnorte é tal que a vereadora ainda lhe chama Explore Sicó, nome com que fora rebaptizado por este executivo, mas na agenda de trabalhos voltou a chamar-se Cimu.

O tema do traçado do TGV queima? Atira-se a batata quente para a vereadora Isabel Marto, que lá esteve na sessão de esclarecimento em Leiria, enquanto o presidente estava ocupadíssimo na BTL.

Só não atirou batatas quentes ao vereador Pedro Navega, talvez porque já basta o forno atolado com que tem de lidar todos os dias. Ou porque é dado como certo fora da próxima lista à Câmara. 


27 de fevereiro de 2025

Sobre o nosso Conselheiro Acácio

Como qualquer terra portuguesa, Pombal também tem as suas figuras típicas, com as suas grandezas e miudezas - também tem o seu Conselheiro Acácio. 

Como não podia deixar de ser, o nosso conselheiro tem muitas parecenças com o do Eça: o formalismo discursivo cheio salamaleques, maneirismos e etiquetas antiquadas, uma pedanteria balofa e uma delicadeza excessiva que ofende todos os patamares da inteligência. Mas tem, também, algo que o distingue do seu semelhante. Falta-lhe a impressiva feição mental e a capacidade de representação da figura retratada pelo Eça.

O nosso conselheiro não impressiona, cansa; repete continuamente “Senhor Presidente” e “Sua Excelência”, numa postura corporal e numa entoação de voz em que não há como saber se pergunta, elogia ou censura. E por medo ou timidez, ferra os olhos no papel que o suporta e nunca olha para o mencionado. O outro, o célebre, “Sempre que dizia – El Rei! Erguia-se”.

 


NR: E abusou tanto nos salamaleques que deixou a sua correligionária apeada, sem tempo para usar da palavra. 

8 de novembro de 2024

Candidato do PS à câmara - já saiu fumo branco (amarelo)

Há novidades que não o são, ou são como a pescada - aquela coisa que antes de o ser já o era. Contudo, algumas destas novidades merecem ser tratadas como tal... 



O PS local (já) tem candidato à câmara. É o dotor Coelho. (Aquilo do convite/sondagem ao outro foi só para disfarçar o inevitável). E já o comunicou à Federação Distrital, mesmo antes de o ter feito aprovar na Comissão Política e apresentado aos militantes em plenário. Percebe-se: é candidato do PS2. Mas a coisa começou logo a correr mal. Sabendo que o dotor Coelho aprecia coquetismos e gosta de se fazer importante, mandaram rapidamente uma emissária à primeira reunião da nova Comissão Política Distrital com ordem expressa para pedir ao líder distrital – Gonçalo Lopes – que viesse rapidamente a Pombal fazer - simular - um convite ao (auto)designado cabeça de lista à câmara. Mais um passo em falso, ou como diz o povo, as cadelas apressadas parem os cães cegos. Gonçalo Lopes recusou fazer a figura patética – haja alguém com tino.

A pescada tem a especial particularidade de ser popular, mas ninguém verdadeiramente a aprecia – come-se porque, dizem, faz bem ao fígado e às tripas. Mas duas vezes seguidas enjoa.

31 de outubro de 2024

Será que o tribunal vai na mentira?

Ontem, Diogo Mateus e João Pimpão começaram a ser julgados, no Tribunal Judicial de Leiria, pelos crimes de peculato e peculato de uso em co-autoria e falsificação de documentos (DM). 



Em causa está o uso da viatura de serviço pelo então presidente da câmara, nas suas deslocações para frequentar o Curso de Defesa Nacional em Lisboa, e o desconto das respectivas despesas pelo Fundo de Maneio do Gabinete de Apoio ao Presidente, a cargo de João Pimpão. Mas poderiam estar dezenas de deslocações privadas... 

Toda a gente minimamente informada sabe que Diogo Mateus fez o dito curso a título particular, por "honroso" convite de "prestigiados oficiais" – como ele próprio o afirmou em reunião da câmara. Mas ao tribunal, declarou que o curso fazia parte do âmbito da sua formação e responsabilidades como presidente da câmara. E mais: afirmou que pagou a propina para não onerar o município! Um benemérito? Ou um hipócrita extremo? 

É esta a mesma criatura que ficou conhecida, na câmara e no exterior, como o Fitipaldi das auto-estradas, pelas multas por excesso de velocidade que apanhava frequentemente, que não pagava - como era sua obrigação - e recusava a identificação do condutor, obrigando assim a câmara a ter que suportar as multas pelo dobro. 

Bem diz o povo: apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo.

27 de junho de 2024

Pimpão chuta com o pé que tem mais à mão


 


A primeira página do Região de Leiria desta semana aparece nas bancas travestida de caderneta de cromos. Em primeiro plano, o nosso Super Pimpão. 

Ainda embriagado pelo sucesso da Pombal Cup (que teve a proeza de colocar até um antigo adversário como Aníbal Cardona a tecer loas ao folclore 'desportivo' que gostamos de pagar aos outros), mal refeito do fogo de artifício e de mais uma festa, em que até finos tirou, o nosso autarca é a estrela maior da reportagem do RL com uma mão cheia de presidentes. Foi ele o escolhido para capa. E vejam só, a ironia: Pombal não é capa de jornal pelo inauguração de um qualquer equipamento (cultural, desportivo, turístico). Não é capa pela atração de um qualquer investimento que aqui criasse postos de trabalho e fixasse emprego. Tão pouco pela mudança de qualquer paradigma. É capa porque o presidente da câmara dá chutos na bola. Máquina. Campeão. 

Espreitando a Assembleia Municipal desta tarde, é muito óbvia a realidade paralela em que estamos a viver no Largo do Cardal. Pimpão disse a da altura que só lhe dá vontade de rir. Que Deus ta conserve Pedro. A nós dá-nos muitas vezes vontade de chorar. Mas depois de assistirmos ao notório ambiente de cortar à faca que perpassa da expressão das vereadoras, e sobretudo aos olhares da vereadora Isabel Marto...retiramo-nos de fininho. 

20 de junho de 2024

A bola de sabão rebentou

Ontem abordei, aqui, a formação da última bola de sabão da política pombalense. 

Hoje comunico-vos que a bola de sabão rebentou. Não como a "justificação" apresenta o patético episódio, mas como aqui foi descrito.



Os justificativos soam-nos aos ouvidos como badaladas de um dobre de finados.

Do néscio episódio não virá mal nenhum à terra.  

Enterrem-se as ilusões e as misérias. Paz às suas almas.

19 de junho de 2024

Dotor Coelho – o salvador

O dotor Coelho julga-se, há muito, imbuído do dever supremo de enfrentar e derrotar o dotor Pimpão nas urnas. Nos últimos tempos, o que fez na política pombalense resume-se a esse desígnio, que (só ele) viu escrito nas estrelas.


 

Ontem deu mais um passo para o precipício: reuniu com três almas penadas - um tarólogo e dois anões-políticos - e decidiu, logo ali, apresentar a sua candidatura à presidência do partido (PS) e da câmara municipal, e convocar uma conferência de imprensa para anunciar as “boas-novas”. Do menu faz (ou faria) parte a apresentação do cabeça de lista à Assembleia Municipal (AM). Mas antes de arrancar, dois fortes reveses ocorreram: a primeira escolha rejeitou o convite, e a segunda também. Nada que desanime o dotor Coelho, homem para quem os sonhos e as ilusões políticas são como as bolas de sabão nos lábios de uma criança – fazem-se e desfazem-se continuamente com um pequeno sopro. 

Mas convenhamos: o dotor Coelho não é um joão-ninguém qualquer; é homem decente e respeitado, de boas famílias, de qualidades incomuns e congénitas, bom falante, mas conhecido pelos seus caprichos, altivez e suspicácias. Um bom-cristão que encarna na plenitude o antigo cavaleiro andante, abnegado lutador contra moinhos de vento. Um inconseguido cheio de qualidades. Um profeta sem rebanho.

Que Deus o acompanhe neste sacrifício.

13 de junho de 2024

Obras nas Meirinhas – Coisas à Pança

“A quem hás-de castigar com obras, não trates mal com palavras, pois bem basta ao desditoso a pena do suplício, sem o acrescentamento das injúrias”.

                                            - Conselho de D. Quixote ao Pança; in D. Quixote. 

Apressadamente, porque o jantar/comício da AD a tal obrigava, a junta das Meirinhas – João Pimpão – implantou às três pancadas, sem licença e sem autorização das entidades oficiais, um parque de estacionamento em Reserva Agrícola Nacional (RAN) e leito de cheia, nas traseiras do ao Pavilhão Municipal das Meirinhas. O desmando chocou muitos residentes e não residentes; e já mereceu queixa no Ministério Público.



Pelo que se sabe, neste caso a câmara foi simples criada de serviço do presidente da junta. Foi tudo feito em família. Mas perante a sujeira do caso não pode lavar as mãos, ignorar os seus contornos políticos e jurídicos, como se nada tivesse a ver com a coisa. Deve embargar imediatamente a malfeitoria, a fim de salvaguardar a sua competência e autoridade perante o caso e a comunidade. 

Há muito que política pombalense rola sobre o modus faciendi da política do facto consumado - forma ordinária e antidemocrática de administrar e fazer obra. Só assim se percebe que João Pimpão, criatura que nutre enorme desprezo pela lei e pelos modos de actuação democrática, grande inventor de esquemas, atalhos e desvios, e que existe (politicamente) para mandar e estourar dinheiro, se tornasse expoente maior da espécie. Na verdade, uma certa estupidez de espírito tornou-se atributo necessário se não para todo decisor público, ao menos para os que querem apresentar obra e gastar dinheiro sem critério.

Mas desengane-se quem pense que a construção do dito parque de estacionamento em RAN e leito de cheia é uma qualquer precipitação de percurso. Não, não é; é o modus operandi da criatura. São múltiplas as queixas que circulam de boca-em-boca e nos invadem a caixa mensagens; e não se resumem ao desditoso parque, estendem-se à forma como a criatura usa e abusa do poder - que não tem - para alargar arruamentos sem o consentimento dos proprietários afectados e outros desmandos. 


3 de maio de 2024

Pior presidente

No seu último programa na SIC Notícias, José Miguel Júdice afirmou que “Marcelo Rebelo de Sousa já ganhou o campeonato de pior presidente da República”. O comentador considerou que “a indiscrição e falta de decoro representam uma falha grave do Presidente da República, minando a sua credibilidade e respeitabilidade”. Apesar de óbvia, a constatação é perturbadora pela degradação que provoca no mais alto cargo na nação. Mas já muito antes, quando Marcelo Rebelo de Sousa tinha altas taxas de popularidade, Pacheco Pereira, outro influente comentador do PSD, tinha prognosticado mau fim para o presidente Marcelo, com base na máxima “quem vive pelos media morre pelos media” - devido à sua obsessão pela aparição e opinião. 

Por cá, algo de muito semelhante está a acontecer: o presidente Pimpão tem-se esforçado e conseguirá rapidamente o título de pior presidente da CMP. O estilo e os métodos que tem usado foram plasmados da fórmula usada pelo “mestre”. Consequentemente, o resultado não poderia ser diferente.



O resultado da desvariada comédia e comedoria praticada de forma obsessiva pelo dotor Pimpão&C.ª chegou mais rápido que o esperado: contas no vermelho - 3.6 milhões de euros de prejuízo, o primeiro nas últimas décadas - e uma câmara bloqueada operacional e financeiramente, incapaz de dar resposta às solicitações mais básicas. Mas outra coisa não seria de esperar: sem exigência e priorização da acção e sem compromisso e responsabilização de dirigentes e prestadores de serviços é impossível atingir desempenho aceitável em organizações cuja capacidade de resposta tende a estar sempre aquém das solicitações, como é o caso das câmaras municipais. Mas o presidente Pimpão não tem sequer consciência disto. Inebriado pelo entusiasmo vazio e pelo alegre doudejar por festas e eventos vê méritos e contentamento alheio nas tolices que pratica. Pessoas assim não merecem compreensão nem compaixão… 

O Pedro é um rapaz divertido que gosta de diversão. Se lhe tirassem a capacidade de fazer despesa a sua governação seria inofensiva. Assim é um desastre que perdurará por muito tempo.  

5 de abril de 2024

A mentira tem perna curta…

O povo costuma dizer que a mentira e a manipulação - seu parente próximo - têm perna curta. Mas correm rápido, e custam a apanhar.

Numa das suas “notícias”, o Jornal de Leiria desta semana titulava “Tribunal Constitucional dá razão a Independentes de Pombal”. E acrescentava logo no primeiro parágrafo: “Dois anos após o pedido de um eleito municipal do PSD de Pombal da perda de mandato na assembleia municipal contra Luís Couto, eleito pelo Oeste Independentes, por, alegadamente, ter concorrido em duas listas nas autárquicas de 2021, o Tribunal Constitucional (TC) concluiu não haver violação da lei eleitoral”.


Quem lê a “notícia” fica convencido que o Tribunal Constitucional se pronunciou sobre a regularidade do caso do independente do oeste que concorreu por duas listas de independentes e que o denunciante e/ou o presidente da Assembleia Municipal levou o caso até à última instância, ao Tribunal Constitucional. Ora, tanto uma coisa como a outra são redundantemente falsas. A CNE pronunciou-se nos seguintes termos: “Embora possa suscitar dúvidas o âmbito de aplicação desta norma, concluiu o TC, no seu acórdão n.º 508/2013, que... a limitação aqui instituída ser válida apenas relativamente ao mesmo órgão autárquico”. Só mentes muito crédulas ou muito perversas podem retirar estas ilações que a notícia refere.

O Farpas acompanhou este processo e teve conhecimento da decisão da CNE. Por achar o assunto pouco relevante e por seguir o critério de não dar relevância ao que é irrelevante deixou o caso na gaveta. Até porque sabemos do efeito perverso que a “publicidade”, mesmo se negativa, tem para agentes irrelevantes.

Por tudo isto, desconfiei da “notícia”. Achei pouco verosímil que o Professor de Direito tivesse embarcado na litigância compulsiva contra um pobre coitado, irrelevante e isolado nestes meandros, que nestas e noutras coisas deixa sempre alguma coisa a dever à ética política. Mas que um jornal com alguma reputação na região se preste a estas coisas é demais. Mas neste panorama informativo já se compreende quase tudo.   

26 de março de 2024

Dotora Gina na corda-bamba

Já se sabia que o clima na “junta” andava agitado, entre os vereadores e o dotor Pimpão – problemas de coordenação e de excesso de felicidade. Mas recentemente soubemos - e comenta-se nos “mentideiros” locais – que o dotor Pimpão quis substituir a dotora Gina pelo seu ajudante de campo - Marco Ferreira. Para tal, preparou o terreno e as contrapartidas: tentou convencer a dotora Gina das vantagens mútuas da sua renúncia; e prometeu-lhe colocação numa empresa municipal.  

A dotora Gina, confrontada com a delicada situação e a contrapartida, mostrou abertura e ficou de dar resposta na segunda-feira seguinte. Mas, depois de pensar e se aconselhar, recusou. 

Agora estamos assim: com uma “vereadora” (que nunca o foi) materialmente demitida... Trapalhadas de “junta” - de rapaziada.





PS: Toda a espécie de comunicação social que por aqui ainda existe conhece este relevante facto político, mas não informa porque não quer incomodar o poder.