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21 de maio de 2026

Um partido não é um grupo de escuteiros

Consagrados politólogos consideram que os partidos são as entidades mais antidemocráticas (do regime democrático), sobretudo pelos vícios associados à captura e preservação do poder interno. Mas nos últimos tempos, a situação tem-se agravado, mesmo em partidos que se arrogam referências dos Valores de Abril.



Os iluministas consideravam que o maior progresso feito pelo homem foi aprender a raciocinar correctamente. Sendo que pensar é, desde a Grécia antiga e sobretudo depois com Descartes, divergir, questionar, contestar. Actividades essenciais à profícua acção política, que os partidos, outrora centros de debate, deixaram de fazer, perdendo a sua essência (a alma). Actualmete são pequenos grupos, mais ou menos esfrangalhados, compostos por células familiares, onde grassa o unanimismo balofo, o fanatismo, o ódio à diferença e à verdade, a cultura de rebanho, o instinto de sobrevivência e o carreirismo. Tudo coisas abomináveis.

Um partido não é - nem devia ser – um grupo de escuteiros. Mas foi nisso que se transformou a concelhia do PS de Pombal – um grupo de escuteiros guiado, às cegas, por um trio ávido de conforto emocional que exaspera à mínima dissonância. No último plenário militantes tudo decorria como manda a praxe do escutismo: todos aqueles fulanos e fulanas concordavam, explicavam-se e elogiavam-se uns com os outros, reconhecendo com contentamento que são da mesma opinião. Mas bastou que um militante base fosse desafiado a falar e pronunciasse uma sigla aparentemente anódina (PS1/PS2) para o caldo amorfo se entornar, e vir ao de cima o mais execrável da cultura antidemocrática, com censor-mor a retirar palavra ao militante de base e proibi-lo, repetidamente, que repetisse a dita sigla. Tudo isto com o apoio ou a conivência da generalidade. 

Em política, quando se perde a decência (democrática) perde-se tudo. Mas na verdade, não se perde o que nunca se teve.

12 de abril de 2026

Ditadura Democrática em Pombal – a suprema tontice do PS local

Na ausência de melhor apreciação, o PS local, nomeadamente pela voz do seu líder na Assembleia Municipal (dotor Manuel Gonçalves), acusa o dotor Pimpão de exercer uma Ditadura Democrática em Pombal!



A acusação tem tanto de inverosímil como de contraditória. Por isso, só pode advir de quem perdeu, há muito, o tino (político). Se por um lado, a expressão é uma contradição nos termos, porque não se pode ser uma coisa e a outra em simultâneo, por outro, o classificativo “Ditadura”, ao estar bem estabelecido pela História e pela Ciência Política, e por estar bem presente, de forma traumática, na nossa memória colectiva, não deveria ser usado corriqueiramente, nomeadamente pelos ditos democratas. Mas o pior nem está na dimensão contraditória da imputação, já de si muito relevante e reveladora; está na total e absoluta inverosimilhança da mesma. Se há faceta que o dotor Pimpão não tem – mesmo - é de ditador. E digo mais: é a sua antítese.

A crítica política, para ser eficaz, tem de cumprir, no mínimo, duas condições: ser minimamente verosímil e ser bem-apresentada e explicada. Regras que o PS local parece desconhecer ou é incapaz de implementar. Mas pior: parece desconhecer totalmente a terra onde vive e a forma como é exercido o poder. Os problemas do concelho, ao nível do exercício do poder, não estão, de certeza, nos supostos abusos de poder do presidente da câmara para condicionar os outros poderes, nomeadamente da oposição; estão, acima de tudo, na impotência da dita oposição para exercer o poder que lhe compete – o contrapoder.

Sobre o exercício do poder que se faz, ou não faz, por cá, convinha que os actores políticos metessem uma coisa muito simples nas cabeças: o dotor Pimpão só se preocupa com uma coisa aparentemente muito simples e ao mesmo tempo complexa: ser amado. Se para isso for necessário abdicar do exercício do poder, abdica (abdicou). É isso que ele tem feito, com sucesso, sem contrapoder.

1 de março de 2026

Pombal já voou. Agora segurem-se.




Se algum dos estimados leitores tiver paciência para ver o vídeo da Assembleia Municipal, comece pelo fim. Pode ser pela intervenção da antiga vereadora e deputada Ofélia Moleiro - que depois do corte com o partido, à conta do apoio ao amigo Narciso Mota, voltou em ombros (tal como ele), e é agora uma espécie de padroeira dos eleitos e dos heróis de capa azul e amarela, vulgo trabalhadores. Aqueles a quem pagamos, tu e eu, todos nós, para fazerem o seu trabalho. Pasme-se: não são voluntários. 

Comece pois pela intervenção da doutora Ofélia, incumbida de fazer um laudatório que incluiu até o "importante troféu" que o doutor Nelson Pedrosa recebeu, na BTL (aquele evento onde os nossos autarcas vão pavonear-se, e tirar muitas fotos e publicar nas redes), por causa do seu desempenho nos dias que se seguiram à catástrofe. Em contraponto, não gostou do pedido de uma comissão de inquérito à resposta da Protecção Civil, em Pombal, aos acontecimentos de 28 de Janeiro. "Isto é criar um circo dentro desta assembleia", disse ela, sem se dar conta de que, com essa imagem, só estaria a ofender os palhaços e os malabaristas. Não é bonito, doutora Ofélia. Mesmo quando nos dedicamos ao contorcionismo. Assim como não é bonito ver os seus companheiros tornarem a Assembleia Municipal numa taberna. Não acredito que se reveja na chafarica em se tornou o órgão. Quem chegou agora à política e nunca conheceu outra coisa, até pode achar normal. Mas não é. 

Foi o que aconteceu neste sábado, num salão a que chamamos Nobre. Tenho o maior respeito pelo trabalho de João Pimpão, enquanto presidente de Junta, mas perco-o totalmente quando entramos na intervenção político-partidária. Nos últimos quatro anos foi travado pela mão firme de Paulo Mota Pinto, que nunca permitiu a escalada, mas agora, com João Coucelo, faz o que quer, diz o que quer, e sobra-lhe tempo. Destrata os pares da bancada do PS, e tem um coro ao lado e atrás de si: Daniel Ferreira, de Vermoil (melhor fora que aplicasse energias no tanto que falta fazer na sua freguesia), Fernando Neves, de Albergaria (é melhor não falarmos desta freguesia, por agora...) e outros que tais. Tem também uma voz afinada do outro lado, o ex-presidente Eusébio Rodrigues, de Carnide (que finalmente conseguiu voltar à ribalta) com pérolas do nível "se não quer ouvir, tape os ouvidos". Pese embora os que, igualmente do PSD, também sentiram vergonha do estado a que chegou a AM, o que fica desta primeira sessão pós calamidade é uma luta na lama.

Podemos discutir se os eleitos do PS têm moral para falar do que se passa terreno. Mas ali representam cada um dos eleitores que votou neles. E desrespeitar isso é desrespeitar a democracia. Para mais, têm tanta moral como certos eleitos do PSD, que saberão da realidade nas aldeias (e nos subúrbios da cidade, onde só houve luz na semana passada e ainda não há internet nem televisão) pelo ecrã do telemóvel ou pelas imagens da TV. 

"Nos tempos que correm, o que o povo quer saber é quando e quem lhes resolve os problemas". A frase de Manuel Gonçalves terá sido das mais acertadas que ali se disseram. Mas o PSD - a quem não basta ganhar e ter tudo, precisa de espezinhar - gosta pouco que o questionem. Onde é que já se viu questionar a actuação do socorro na tempestade? Quem é que tem o topete de não estar agradecido e embevecido com o exército dos coletes e dos casacos amarelos ou laranja? Quem ousa viver sem encher a boca com a palavra resiliência, e com o jargão "juntos somos mais fortes"?

O Pedro acredita convictamente que os serviços que lidera conseguiram proteger as pessoas.  Diz que tem dificuldade em perceber as críticas, ou mesmo o "tribunal das redes sociais", onde mora a maior parte do tempo, como sabemos. Não compreende ele que o confrontem com a pouca visibilidade de Pombal nos media nacionais, porque depois dizem que é só propaganda. Esse é o ponto, meu caro Pedro. Chama-se comunicação.

Posto isto, se o estimado leitor for daqueles a quem ainda ninguém foi perguntar se estava vivo, se precisa de alguma coisa, ou não encontrou nenhum dos membros das equipas multidisciplinares que os autarcas asseguram que andam no terreno, é porque teve azar. E livre-se de perguntar pelo Plano de Acção Climática, que deveria ter sido aprovado até Dezembro do ano passado. Leiria já tinha. "E então? Em Leiria aconteceu pior que em Pombal!" - atirou João Pimpão. Vamos mesmo comparar a resposta?Claro que assim não discutimos o elefante na sala: o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil. E o serviço que o sustenta. Da parte dos presidentes de Junta, só Sandra Mendes, da Guia, pôs o dedo nessa ferida.

Portanto, agora que foi aprovado o plano tridimensional Pombal avalia, Pombal Protege, Pombal Renasce, nada temam. Pombal está bem arrumado. Já voou mais alto.

8 de janeiro de 2026

PS de Pombal

O PS de Pombal – o que dele resta – queixa-se frequentemente da pouca divulgação pública dada à sua actividade. Hoje, fazemos-lhe um pequeno favor: divulgamos um “auto-retrato” daquilo – sem comentários.


25 de dezembro de 2025

Rasteira aos “Patinhos”

É dos livros: as organizações que não aprendem extinguem-se. A dita oposição tem trabalhado afincadamente para a sua extinção – se é que já não alcançou esse desiderato.

Pode-se ser inocente sem se ser ignorante. No último mandato, a bancada do PS local na AM (PS2) autoflagelou-se com o chorrilho de propostas e recomendações, sempre inconsequentes, despropositadas ou irregulares. Mas neste novo mandato, a tontice prossegue… - nunca há nada é tão mau que não possa ficar pior.

O cinismo e a malícia são coisas mais velhas que a honestidade. Daí que tenha uma certa piada rasteirar um patinho e vê-lo de patas para o ar a dar às asas. Mas na política local, no campo da dita oposição, já não estamos na presença de patinhos, mas de anjinhos. O doutor Coucelo foi cruel na rasteira, rebuscada e pouco regular, que fez àquelas alminhas vulneráveis. 

Às vezes dizem-se e fazem-se coisas cruéis por simples caridade ou para não chorar. 

Ora vejam. 


19 de dezembro de 2025

Sobre a reunião da “junta”, da passada semana (II)

O vereador não-eleito (doutor Coelho) monopolizou a reunião da “junta”, tanto no período-antes-da-ordem-do-dia como no seguinte, com assuntos e intervenções de todo o tipo, relevantes e irrelevantes, oportunas e inoportunas, atrevidas e azoinadas. Atreveu-se, até, por ignorância ou insensatez (política), a usar o surrealista tema da garantia da qualidade da água dos fontanários dispersos pelo concelho, em desuso para fornecimento de água para consumo humano há décadas, para abespinhar o presidente. 



Quando o PS local teve um programa político estruturado, consistente e coerente, coisa rara, colocou em causa a qualidade da água do sistema de abastecimento público, e defendeu uma solução segura que felizmente foi implementada com sucesso. Mas nem nessa altura via nos fontanários arcaicos uma alternativa necessária ou adequada para fornecimento de água para consumo humano – coisa rara, irracional e totalmente desincentivada pela autoridade de Saúde Pública. 

Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe que não é possível garantir a qualidade e a segurança da água nos fontanários, pela simples razão de a Natureza não ser controlável. Mas há criaturas, de cariz antropocêntrico, que julgam que sim! O doutor Coelho é uma delas. Pegou na ideia tonta do controlo da água dos fontanários por duas razões, uma oportunística, outra intrínseca. Oportunística porque tudo lhe servirá para abespinhar o presidente. Intrínseca porque tudo igualmente lhe servirá para passar a imagem do cândido romântico muito sensível aos sonhos revivalistas de algumas pessoas. Os fontanários caem-lhe, aqui, como sopa no mel. Deus lhe perdoe.

14 de novembro de 2025

A breve vida do doutor como vereador




A comissão política concelhia do PS emitiu ontem um comunicado em que dá conta da renúncia de Fernando Matos ao cargo de vereador. Por ironia, o comunicado está datado de 13 de Outubro, um lapsus calami a fazer sentido, por se tratar do dia seguinte às eleições. 
Na verdade, o médico Fernando Matos foi (ao contrário que aqui escrevi, e do que parecia) o maior erro de casting da história do PS local. Percebeu-se, desde cedo, que não tinha qualquer apetência - tão pouco jeito - para a política. O que até hoje me interroga, qual quarto segredo de Fátima, é isto: porque é que este homem aceitou candidatar-se?
Quando esta semana faltou à cerimónia do Dia do Município, depois de ter abandonado a cerimónia da tomada de posse, a meio, senti vergonha alheia. Por ele, pelo partido, pelos mais de 3.500 eleitores que votaram nele. 
Ao contrário do que pensam e dizem alguns socialistas da praça, não me parece que a renúncia de Fernando Matos fragilize o partido. Acredito mesmo que pode ser a tábua de salvação, nomeadamente se o lugar for ocupado pela promessa de João Coelho. 

15 de outubro de 2025

O dia seguinte aqui no aeródromo

 



As eleições passaram e ganharam os do costume. Talvez bastasse esta frase para resumir o que se passa em Pombal, só que não. O que tentamos fazer aqui no Farpas é deixar uma marca, para quem vier depois, e por isso é importante juntar a esse repositório algumas notas sobre este momento que parece inédito. 

1. O PODER.  O PSD continua a fazer bem o seu trabalho,  e a fazê-lo sem oposição. A ideia de "vitória histórica", aplicada às 17 freguesias do concelho, pode colar bem nos que chegaram há pouco, nas redes sociais e no discurso global, mas é preciso ser-se rigoroso: não é a primeira vez que o PSD domina tudo, com as suas pessoas (Carnide, 2001, com um movimento supostamente independente, liderado por Eusébio Rodrigues). A única excepção, nalguns actos eleitorais dos últimos 32 anos (desde que o PS perdeu a Câmara) terá sido o Louriçal, freguesia que ficou aliás conhecida como "a aldeia gaulesa", em duas ocasiões. E mesmo assim, numa delas, aconteceu com um candidato que vinha do PSD. Não haja ilusões: terá sempre bons resultados o poder que se perpetua, tem as suas peças bem distribuídas no xadrez (desafio-vos a olhar para a composição de associações e instituições), enquanto põe a mão no ombro dos que ousam levantar a cabeça.

2. A 'OPOSIÇÃO'. a)O PS continuará a somar derrotas enquanto não tiver coragem de se assumir como oposição. O comunicado divulgado ontem, a prometer "oposição construtiva" (música para os ouvidos de Pedro Pimpão, que logo o aproveitou) mostra bem que ali não há vontade nenhuma de tirar ilacções sobre escolhas e resultados, causas e consequências. Resta saber o que vai fazer com o único lugar na vereação, para o qual Fernando Matos não tem o mínimo de apetência.

b) O movimento Pombal Independentes - criado a reboque do efeito bem sucedido no Oeste, nos últimos anos, deu em quase nada. Apesar de Luís Couto ser eleito há muito como adversário preferencial de PSD e PS (o que indiciava bem o potencial), faltou-lhe coragem - para confrontar, denunciar (o episódio com a direcção da AHBVP, a propósito da cedência de um espaço, é épico) e mensagem. Pode ter o condão de trazer de novo para o espaço público um homem como António Moderno, cujo papel foi relevante na construção do poder local democrático neste concelho.

c) o Chega. Manuel Serra foi eleito sem fazer um único dia de campanha, sem programa, mas também não era preciso. Não é por acaso que André Ventura usou a sua cara em todos os cartazes de todos os concelhos deste país. O antigo presidente da União de Freguesias do Oeste, que até há meses era militante e dirigente do PSD, apanhou boleia do partido que mais rapidamente o levaria ao destino: a cadeira de vereador na Câmara Municipal. Alcança a maior percentagem de votação nas freguesias onde, aposto, nem sequer o conhecem. 

Perante este estado da arte, e sabendo nós que ninguém consegue parar o vento com as mãos, este post é especialmente dirigido àqueles que, vivendo aqui, têm a honestidade de perceber que esta hegemonia não é boa para ninguém. Faz mal à democracia, dissipa a massa crítica, asfixia o ambiente. Mas isso só percebe quem está fora da bolha laranja, que é gigante, e onde cabe sempre mais um. O único caminho é levantar a cabeça e ser cidadão. Na rua, no bairro, na colectividade, num colectivo qualquer. Ir às Assembleias de Freguesia, à Assembleia Municipal, participar nas reuniões da escola e do clube dos filhos. E abrigar-se do vento. 


14 de outubro de 2025

PS de Pombal

Ontem, depois do desastre, o PS de Pombal sussurrou qualquer coisa - sinal de que ainda está vivo! Alguém o ouviu dizer que “felicita o vencedor autárquico e promete oposição construtiva”. 

Se tivesse dito só a primeira frase, e, logo de seguida, se apagasse, mostrava autoconsciência e alguma sensatez. Assim, mostrou que continua a penar, a fazer o que não sabe nem deve tentar fazer - oposição construtiva. 


11 de agosto de 2025

O PS2 vai a votos

Nesta malograda terra, as eleições locais são mero pró-forma que nada decidem. Uns culpam os partidos (da oposição) por este triste fatalismo; outros culpam os eleitores. Estaremos, com certeza, perante um enigma semelhante ao do ovo e da galinha.



O PS participa, novamente. Com a divulgação das listas à Câmara e à Assembleia Municipal confirma-se o que já se sabia: o PS2 – o que resta dele - conseguiu o seu principal objectivo: ir a votos. Pelo meio desenvolveu uma guerrilha fratricida com os resultados conhecidos e agora confirmados: uma fractura interna, completa e profunda, que dinamitou o que restava da estrutura local do partido.

As eleições são o teste de algodão à limpeza de processos e à confiança nos candidatos, mesmo para aqueles que desconsideram as escolhas dos eleitores. Na esfera socialista, só duas coisas ainda suscitam alguma curiosidade: quanto ainda vale o campo socialista? Qual das facções (PS1 ou PS2) vale mais? 

NR: Para não influenciar os resultados, não divulgo o meu prognóstico.


16 de abril de 2025

Autárquicas'25: sobrou pr'a nós o bagaço da laranja


As eleições legislativas que atravessamos vieram refrear qualquer ânimo autárquico, por estas bandas. Vivemos uma espécie de quarta-feira de cinzas prolongada, num jejum de acção política e abstinência participativa. Sem critério nem noção, os partidos mais expressivos vão pingando nomes para as Juntas de Freguesia, ora antes ora depois dos candidatos à Câmara.
Vão longe os tempos em que o trabalho político era levado tão a sério como merece. O que sucede em Pombal é um prolongamento do recreio que este último mandato imprimiu no espaço público, anunciado desde logo naquela tomada de posse de Pedro Pimpão, que de solene teve apenas a toalha de mesa. 
Em Janeiro passado, o PSD resolveu anunciar um candidato à Junta (na Redinha) mesmo antes do (re)candidato à Câmara. Depois seguiram-se outros, que avançam para segundas ou terceiras núpcias. Até agora não sabemos nada do candidato à Assembleia Municipal, se é que Paulo Mota Pinto ainda tem paciência para isto. Por outro lado, sabemos que há no PS um candidato ao cargo um pouco baralhado com as funções, a avaliar pelo caderno de encargos que apresentou na página do partido. Já do candidato à Câmara, não sabemos nada. Depois do estrondo do anúncio, quando era esperado que um estreante na vida pública -  como é o caso do médico Fernando Matos - se fizesse notar, por palavras e actos, do candidato do PS assistimos ao silêncio ensurdecedor. Uma espécie de cabeça de lista fantasma, que paira sobre eventos e reuniões, sem dizer ao que vem. Pensando bem, é um bom contraste com o profeta Pedro, que há-de achar "muito interessante esta partilha e estas dinâmicas".
O tempo está para profetas. Veja-se o caso do anunciado candidato à Junta do Carriço, equivocado no partido que lhe vai dar guarida. Está escrito na sua carta de apresentação que nasceu "numa família humilde, honrada e católica", foi acólito e catequista. O sonho de candidato para o CDS de 1976, se ainda existisse por cá. 
Nesta amálgama que povoa a lista dos candidatos já conhecidos com o símbolo do PS, há ainda o caso do candidato de Vermoil, que garante ter "suspendido" a militância...da Iniciativa Liberal. 
A política sempre se fez disto, da mudança de camisolas. Só que no tempo em que havia algum decoro - e alguma higiene nestas coisas - era fácil encontrar a excepção, porque havia regra. Agora é difícil perceber qual é a regra. 
Para cereja do bolo temos já marcada uma apresentação de candidatura: a de Carla Longo, à Junta de Freguesia de Pombal, em plena campanha para as legislativas. Não deixa de ser irónico que o PSD local, feito de profissionais da política (como é o caso desta recandidata) ainda recorra a almoços e jantares destes, como se tivesse novidades para mostrar. 

Sobra-nos, por estes andar, o bagaço da laranja. 

18 de janeiro de 2025

O médico Fernando Matos é o candidato do PS à Câmara


 

O PS de Pombal aprovou esta tarde, por unanimidade (e presumível aclamação), a escolha do médico Fernando Matos para candidato à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano.

É um nome forte e uma cartada bem jogada, talvez a melhor dos últimos 30 anos. Porque é um nome conhecido e respeitado na praça, porque o efeito surpresa joga sempre a favor nestas coisas.

Fernando Matos viveu na sua bolha da saúde, entre o público e o privado, e chega a esta idade sem qualquer envolvimento político na terra (e fora dela). É sempre estranho quando isso acontece. Mas como vivemos o tempo do sebastianismo - veja-se o caso do Almirante para a presidência da República - pode ter aqui as condições ideais para singrar. Os próximos tempos ditarão até que ponto esta aparição vais ser suficiente para curar o PS, mas tem pelo menos o condão de se fazer respeitar, enquanto candidato, pelo adversário hegemónico que é o PSD. E isso já é bastante. 

Posto isto, abram alas para o senhor doutor. Hoje o PS pode acender os incensos todos, porque este número já ninguém lho tira. 

30 de dezembro de 2024

O PS local e a Saúde

A recente concelhia do PS Pombal "decidiu" fazer da vasta temática da Saúde um cavalo de batalha da sua acção política. A decisão tem tanto de problemática como de desastrada - coisa de fugir…



Há vinte e tal anos, expliquei pormenorizada e - julgo – convincentemente que a temática da Saúde nunca deveria ser um eixo de acção política concelhia. E nos anos seguintes não o foi. Mas a concelhia do PS há muito perdeu a memória e o tino, atributos indispensáveis para poder ter algum sucesso.

O recente comunicado da concelhia sobre a exoneração do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria marca uma posição e um estilo -, um pavoroso ridículo que só acrescenta descrédito. 

6 de dezembro de 2024

Soares, maior que o pensamento



 

Se cá estivesse, Mário Soares faria 100 anos este sábado, 7 de Dezembro. Ainda bem que não está, tal seria o desgosto com o estado a que chegámos, no país, a que chegou o partido que sonhou. Um e outro envoltos num manto de liberdade, com espaço para quem pensa diferente, no respeito pelos valores de Abril. Imagino-o a dar voltas no túmulo sempre que a tv nos mostra as tiradas de Leão ou Sanfona, exemplo claro de quem, sendo do PS, nunca foi socialista. Ou com outros que nunca chegam a ser notícia.

Soares nasceu num berço de ouro, podemos dizê-lo, e fez parte de uma franja que tomou consciência do que era ser privilegiado. De como seria se calçasse outros sapatos, às vezes tamancos, como aqueles que os meus pais calçavam ao domingo para ir à missa, no tempo em que Soares já era preso, ou forçado ao exílio.

Não sei que idade tinha eu quando ouvi falar dele pela primeira vez, mas foi antes daquelas eleições de 1986, em que quase todos os meus amigos da escola gritavam no recreio o slogan ‘Prá Frente, Portugal’, enquanto o meu pai – regressado da tão cinzenta Alemanha – me deixou colar no Kispo vermelho um autocolante a dizer “Soares é Fixe”.

Muitos antes, o meu tio Costa apareceu lá em casa com uma bandeira de tecido e o símbolo do PS bordado. Iam (os meus pais e os meus tios) a um jantar de apoio a uma candidatura qualquer, em que ele era esperado. O meu tio acabara de regressar à aldeia, também, reformado dessa dura profissão de estivador. Sentavam-se na placa do poço, no quintal, e falavam de política. Da guerra, que deixara mazelas em toda(s) a(s) família(s), da pobreza em que cresceram, do país que sonhavam para as filhas. De Soares, falavam sempre com a deferência de quem se refere a um ser maior.

Na primavera de 1994 tive a sorte de o acompanhar, em reportagem para o Região de Leiria, na sua presidência aberta pelo distrito. Soares era imponente, até no trato. A dada altura, reparou em mim, no meu indisfarçável pouco à vontade em tão gigante tarefa, e perguntou-me: “Então? Aguenta?”. Senti-me ainda mais pequena, perante um homem que era enorme.

Dois anos depois, a 8 de Dezembro de 1996, voltei a vê-lo, imponente, na inauguração da Casa-Museu João Soares, nas Cortes, um espaço que todas as crianças e jovens deste país deveriam visitar. Desse dia guardo dois momentos: o Betinho (fotógrafo do Diário de Leiria, prematuramente desaparecido) em cima de um telhado para captar a melhor imagem, e Soares a ralhar com ele: “ó homem saia daí que você ainda cai daí abaixo!’. E mais tarde, o episódio que daria títulos à imprensa nacional: “o meu pai costumava dizer, quando o elogiavam muito, ´sou apenas filho de um vacão do Soutocico´”.

Escrevo estas memórias enquanto a RTP 3 passa em reposição “O caminho faz-se caminhando”, uma conversa sobre o mundo e a História entre Mário Soares e Clara Ferreira Alves, onde fica tão patente a dimensão intelectual de Soares, num tempo em que os políticos eram também seres pensantes, senhores de uma cultura geral avassaladora. Que privilegiava o confronto, a divergência de opinião (como lembrou ainda hoje António Campos), em detrimento do elogio e da bajulação.

Era assim, ele. Socialista, republicano e laico.

 Faz-nos falta todos os dias. 

8 de novembro de 2024

Candidato do PS à câmara - já saiu fumo branco (amarelo)

Há novidades que não o são, ou são como a pescada - aquela coisa que antes de o ser já o era. Contudo, algumas destas novidades merecem ser tratadas como tal... 



O PS local (já) tem candidato à câmara. É o dotor Coelho. (Aquilo do convite/sondagem ao outro foi só para disfarçar o inevitável). E já o comunicou à Federação Distrital, mesmo antes de o ter feito aprovar na Comissão Política e apresentado aos militantes em plenário. Percebe-se: é candidato do PS2. Mas a coisa começou logo a correr mal. Sabendo que o dotor Coelho aprecia coquetismos e gosta de se fazer importante, mandaram rapidamente uma emissária à primeira reunião da nova Comissão Política Distrital com ordem expressa para pedir ao líder distrital – Gonçalo Lopes – que viesse rapidamente a Pombal fazer - simular - um convite ao (auto)designado cabeça de lista à câmara. Mais um passo em falso, ou como diz o povo, as cadelas apressadas parem os cães cegos. Gonçalo Lopes recusou fazer a figura patética – haja alguém com tino.

A pescada tem a especial particularidade de ser popular, mas ninguém verdadeiramente a aprecia – come-se porque, dizem, faz bem ao fígado e às tripas. Mas duas vezes seguidas enjoa.

25 de setembro de 2024

O PS vai alinhar os chakras


 

O PS/Pombal vai a eleições na próxima sexta-feira, com uma lista única, o que quer dizer que o próximo presidente da concelhia será - em teoria - o terapeuta holístico Rui Pinhão. 

Sabemos todos como o partido anda precisado de meditação, de equilíbrio, e por isso é hora de alinhar os chakras. A lista P, que se apresenta a eleições, tem tudo para reunir em constelação tudo o que nos falta. Por isso é hora de ficarmos descansados quanto ao futuro, o mesmo dizer quanto às eleições autárquicas do próximo ano. 

Pinhão - que nasceu em Ansião mas aqui mora há muitos anos - vai acompanhado de um rol de socialistas mais ou menos conhecidos, com o grupo de João Coelho a liderar as hostilidades. Já o grupo de Odete Alves está - em teoria - afastado das lides. 

Como em política nem tudo o que parece é, só a acção futura nos vai mostrar o caminho da verdade e da luz. 

Impermeável à crítica, o novo líder do PS/Pombal diz (no seu sítio da internet) que sempre se sentiu "uma criança diferente das outras, e com uma forte sensação de que um dia iria deixar a minha marca ajudando os outros". Estava escrito nas estrelas. Diz que até chegou a pensar em "ir para padre". Afinal, ficou-se pelos escuteiros. 

Pelo andar da carruagem, o melhor é deixarmo-nos de eleições e fazermos só uma convenção de Baden Powell. Com essa canhota Pimpão não se importa. 

20 de junho de 2024

A bola de sabão rebentou

Ontem abordei, aqui, a formação da última bola de sabão da política pombalense. 

Hoje comunico-vos que a bola de sabão rebentou. Não como a "justificação" apresenta o patético episódio, mas como aqui foi descrito.



Os justificativos soam-nos aos ouvidos como badaladas de um dobre de finados.

Do néscio episódio não virá mal nenhum à terra.  

Enterrem-se as ilusões e as misérias. Paz às suas almas.

19 de junho de 2024

Dotor Coelho – o salvador

O dotor Coelho julga-se, há muito, imbuído do dever supremo de enfrentar e derrotar o dotor Pimpão nas urnas. Nos últimos tempos, o que fez na política pombalense resume-se a esse desígnio, que (só ele) viu escrito nas estrelas.


 

Ontem deu mais um passo para o precipício: reuniu com três almas penadas - um tarólogo e dois anões-políticos - e decidiu, logo ali, apresentar a sua candidatura à presidência do partido (PS) e da câmara municipal, e convocar uma conferência de imprensa para anunciar as “boas-novas”. Do menu faz (ou faria) parte a apresentação do cabeça de lista à Assembleia Municipal (AM). Mas antes de arrancar, dois fortes reveses ocorreram: a primeira escolha rejeitou o convite, e a segunda também. Nada que desanime o dotor Coelho, homem para quem os sonhos e as ilusões políticas são como as bolas de sabão nos lábios de uma criança – fazem-se e desfazem-se continuamente com um pequeno sopro. 

Mas convenhamos: o dotor Coelho não é um joão-ninguém qualquer; é homem decente e respeitado, de boas famílias, de qualidades incomuns e congénitas, bom falante, mas conhecido pelos seus caprichos, altivez e suspicácias. Um bom-cristão que encarna na plenitude o antigo cavaleiro andante, abnegado lutador contra moinhos de vento. Um inconseguido cheio de qualidades. Um profeta sem rebanho.

Que Deus o acompanhe neste sacrifício.

12 de junho de 2024

Comemorar vitórias, enganar derrotas: o que dizem os resultados das eleições em Pombal




No início desta semana lá foi a Câmara para mais um passeio, desta vez na Redinha. E é curioso que a primeira saída do executivo pós eleições europeias (em que o presidente da Câmara e o PSD local tanto se empenharam) tenha acontecido precisamente ao território que menos votos deu ao partido, por mais loas que o presidente da junta lhes teça. 

Esmiuçando o escrutínio, percebemos então que há três freguesias-exemplo, onde o PSD alcança resultados acima dos 50%: Carnide, Abiul e Meirinhas. Ora, nesta última, cujo pavilhão (municipal, portanto tão nosso como lá da terra) se transformou em ninho de vitória laranja, com direito a um parque de estacionamento peculiar...  dá-se o caso paradigmático de ver o PS relegado para um quarto lugar na votação. Ao contrário, na Redinha, o partido (que continua a suportar o autarca local), consegue a sua melhor votação, num empate quase técnico com o PSD, perdão, a AD - o que já acontecera nas legislativas. 

Quanto ao resto, nada de especial a assinalar. É seguirem a comunicação social local nas suas redes sociais, e perceberem o efeito mundo ao contrário, em que os autarcas obedecem aos assessores*, como documenta a parte final deste vídeo, publicado pelo Pombal Jornal. 

*A voz é daquele assessor que, nas vésperas do 25 de abril, reproduziu graçolas sobre atirar comunistas do 7º andar.