Na
sua luta constante para decidir o que vai parecer; Dom Diogo decidiu que hoje encarnaria
a figura do desordeiro. Não é o que ele vai ser; é simplesmente o que, por momentos,
lhe interessa parecer. Vai daí juntou-se ao beato Ilídio e ao sorumbático
Avelino na marcha lenta no IC2.
Que
o beato Ilídio, que dentro de meses será um zero sem número, coloque a máscara
de arruaceiro para disfarçar a brandura leitosa e a espinha-mole, que condenou
a vila de Vermoil ao maior marasmo que por cá se encontra; aceita-se.
Que
o pobre Avelino arrebite antes do toque a-finados, clamando por meia dúzia de
rotundas, quando andou por cá calado e com o rabo entre as pernas; compreende-se,
também.
Mas
poucos esperavam ver Dom Diogo - figura distinta, grave e majestática – no
papel de prevaricador, de desordeiro, de vilão, de falso virtuoso; num desvaneio
sem grandeza nem alma, e sem povo; montado e executado com uso abusivo de recursos públicos por comadres-homens sem despudor.
Depois,
custa ouvir os protagonistas em directo; cada espírito no seu timbre: Dom Diogo
na pose grave, fala gravemente, como orador e não como pensador, para si e seus
ouvintes; o beato Ilídio, na pele do falso agitador, mais oco que dantes, o que debita sai-lhe
opaco e amortecido, carregado do eco do grande vazio; e o Avelino, que mal crê
em si mesmo, fala porque tem que falar, quer mais rotundas.
Tudo tão pequeno,
tão adulterado, tão insincero, tão azedo. Perdoai-lhes
Senhor; e dai-lhes penitência severa.