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16 de setembro de 2024

Não comunicar? Faz P.Art(e)


Há um princípio em comunicação que estabelece uma regra clara: o que não é publicado "não existe". E esse é um mantra antigo, muito antigo, da era pré-digital e redes sociais. É quase tão antigo como o princípio do respeito pelas ideias dos outros, renegando o plágio. Ora, vendo o que aconteceu em Pombal nos últimos dias concluímos que, por cá, juntamos o pior dos dois mundos. 

Não bastava a Câmara ter sido acusada de roubar a ideia de um festival de arte urbana a um punhado de artistas locais, conseguiu ainda fazer o pleno: gastar o (nosso) dinheiro e esforçar-se por não o divulgar, quiçá com vergonha do sucedido.  

O local foi bem pensado, a iniciativa também, e é sabido que em Pombal corre uma cena de Hip-Hop - com vários trabalhos já gravados por malta da terra. Também é sabido que a arte urbana tem não só seguidores como promotores, e por isso fazer um festival dedicado a uma e outra coisa junto à Casa Varela, era mais do que tirar a cultura debaixo da ponte, encimando-a. Mas é preciso que se saiba que as coisas acontecem, sob pena de se fazerem só para quem as executa. Trazer a Pombal nomes sonantes como o lendário Sam The Kid, Nasty factor ou Vludo, limitando-se a um post na página do Município é não só ofensivo para os artistas como para quem lhes paga: nós. 

Ao longo das últimas horas sucederam-se lamentos de quem só soube que cá estiveram depois do evento ter acontecido. Porque o gabinete de comunicação da Câmara funciona como se estivéssemos em 2004 e bastasse enviar uma nota de imprensa para os jornais - que nesse tempo eram vários - duas semanas antes. Ou então em 2008, e o mais ousado fosse um post no facebook. 

É recorrente esta falta de comunicação da autarquia, que o presidente pensa que compensa com a promoção da arte de rotear por aí, nas suas páginas pessoais. De que nos serve que promova os eventos depois de acontecerem?! O que interessa que descarreguem fotos à pázada na página da Câmara se a divulgação não existiu? 

Assim não, Pimpão. Assim não vamos lá. Muito menos cativamos os mais novos para darem de si à terra. A não ser que a ideia seja só chamar os que já estão predestinados, vulgo "jovens autarcas" e quejandos.

O Faz P.Art - Street Art Festival”, tinha tudo para criar público: um festival ligado à arte, ao ar livre, à sustentabilidade e ao meio ambiente.  Mas aqui temos o síndroma invertido de Midas. E não promover...Faz Parte.

31 de julho de 2024

Ainda a sessão sobre o Marquês

O gabinete de comunicação (propaganda) do município, ou o próprio propagandeado, emitiu uma nota sobre o conteúdo da sessão de apresentação pública do 1.º Volume da Obra Completa Pombalina. Gente normal faz coisas normais;… 

O normal – o expectável – seria fazer uma nota sobre o que de mais relevante tinha sido dito na sessão, pelos oradores convidados, os ilustres Guilherme Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (coordenador científico da Obra). Mas não. A nota cita unicamente o longo rol de banalidades debitadas pelo dotor Pimpão, e destaca a mais tonta das suas ideias: construção de um grande Museu alusivo ao Marquês de Pombal. Já não estamos só no domínio da mais indecorosa propaganda; estamos no domínio do delírio. Um delírio que é preciso “matar” rapidamente; senão ele acredita na tonta ilusão, julga-a virtuosa porque não é contestada, e depois teremos mais um problema grave - mais um elefante branco… Que Deus nos acuda e pare este lunático, que nós não somos capazes.



Há muito sabíamos que estes tipos de eventos não se destinam a um qualquer público ou à divulgação da obra ou do pensamento dos convidados. Há muito sabíamos que o único fito destes eventos é a promoção do dotor Pimpão, através de um circuito de retroalimentação bem conhecido, sem qualquer consideração pelo público e pelos  convidados mais ou menos ilustres.  

Às vezes faço (fazemos) um esforço para poupar o Pedro, nomeadamente nos seus momentos de eufórica felicidade, como agora. Por isso, e por respeito às individualidades convidadas para a dita sessão e pela valia das suas intervenções, no post anterior, resolvi ocultar a tola intervenção do Pedro, mas a realidade é a que é e não há como fugir dela.

Decididamente, o maior “inimigo” (político) do Pedro é ele próprio, a sua avidez por cumprir-se. Há pessoas que são assim, vivem nesta sofreguidão, consomem-se e deixam-se consumir pelas suas ilusões. Se não estivesse como presidente da câmara, não vinha mal nenhum ao mundo o Pedro ser assim... 

29 de julho de 2024

Marquês - lérias não adubam choupas

Acabei de assistir à apresentação do Volume I da Obra Completa Pombalina, sobre a figura do Marquês de Pombal, promovida pelo executivo municipal; não por qualquer admiração especial pelo estadista, que não nutro, mas pela oportunidade de ouvir ao vivo, e sobre esta temática, dois intelectuais de grande craveira: Guilherme d’Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (um dos coordenadores científicos da obra) - mais o segundo, por razões ideológicas e intelectuais.



Raramente assisto a este tipo de iniciativas - e pelos vistos não sou o único atendendo à fraca presença de público - pela simples razão de, regra geral, não aportarem grande valor - são pífios desfiles de pequenas vaidades com muito formalismo bacoco. Neste caso, a coisa foi salva pela boa intervenção de Viriato Soromenho-Marques. Guilherme d’Oliveira Martins faltou! 

Julgo conhecer razoavelmente bem o pensamento de Viriato Soromenho-Marques e, por isso, causava-me uma certa curiosidade, e até alguma estranheza, a sua forte ligação a este estudo. Fiquei esclarecido e compreendo a sua admiração pela figura e legado do Marquês, alicerçado no seu forte impulso reformista e construtor. No que se refere ao lado mais tenebroso, a perseguição aos jesuítas, Viriato Soromenho-Marques reparte a culpa pelas duas partes, e afirma que se o conflito tivesse sido evitado Portugal teria avançado um século. Talvez.    

Também conheço – demasiado bem – a afeição milagreira que o poder desta santa terrinha nutre pelo Marquês e como a tenta inculcar na comunidade. Mas sejamos justos e realistas: nada contra o município apoiar estudos credíveis (como parece ser o caso) sobre figuras históricas com ligação à terra; tudo contra a tola fantasia do filão promocional do concelho em torno de figuras históricas, sejam elas Marqueses ou Condes. 

Ou como dizia o pastor: ò malhado (ò Pimpão), lérias não adubam choupas.

Adenda: esta coisa de anunciarem dois oradores, um faltar, e depois aparecerem quatro (!) - cinco se contarmos o presidente - mostra algum amadorismo e grande desprezo pelo público, que parece ser recíproco.

29 de setembro de 2023

Feira do Livro - um sucesso garantido

 



As notícias do verão dão-nos conta de que, apesar de Portugal ser o país que menos lê em toda a Europa, as coisas estão a mudar. 

As imagens da TV mostraram-nos sempre grandes concentrações de pessoas, público avultado e atento, até em pequenos festivais literários. Já passei duas vezes pela nossa (regressada) feira do Livro. Está óptimo para quem prefere ficar longe de multidões. E fica-nos uma certeza: temos um público muito especial. 

13 de junho de 2023

A marcha dos alinhados




Já lá vão muitos anos desde aquele início da década de 90 em que dois amigos recuperaram uma velha tradição de Pombal, as marchas populares, a cobertos dos "Amigos de Santo António". Penso nisso em cada edição, naquela entrevista que fiz à dupla Carlos Silva e Luís Mota, incansáveis nesta resistência. Os arquivos fotográficos e a memória de muitos pombalenses atestam bem como esta terra já foi tão viva a esse nível, num tempo em que - também aqui - as marchas representavam bairros (principalmente), quase sempre associadas a colectividades. Desse tempo tão rico em massa crítica fica o registo de um Pombal que fervilhava de actividade cultural, em que aqui nasceu até uma revista à portuguesa (Está a ouvir?). Não admira, por isso, que as marchas colorissem os santos populares da vila. 

Quando nos anos 90 esses dois amigos recuperaram a tradição, foi uma festa. E vieram tempos de glória, que trouxeram para a cidade os amantes das marchas de todo o concelho, evidenciando aqueles lugares e freguesias que já tinham essa tradição enraizada. A Câmara, através de um pelouro da Cultura  que então dava cartas, experimentou vários locais: o estádio municipal, a avenida - com as bancadas em frente ao Tribunal - o largo da Biblioteca. Recuperei essas imagens por estes dias, quando vi a (renascida) Marcha de Vermoil (quase marcha da Ranha...) usar de uma letra criada pelo cantor Nel Monteiro, que naquele ano foi padrinho. E porque dei pela falta da marcha de Albergaria dos Doze. Como noutros anos já dera pela falta da Machada, ou da Charneca, ou do Louriçal.  

Já eu tinha virado a página quando ontem à noite a transmissão televisiva das marchas de Lisboa me fez reflectir sobre o que mudou por aqui, sem sairmos do mesmo lugar. A cidade que está refém do turismo, que varreu os moradores dos bairros mais emblemáticos - tema que, aliás, domina a letra da marcha da Bica, a vencedora do concurso deste ano, ironicamente despejada da sua sede - consegue ainda manter de pé as colectividades, que organizam e promovem este produto cultural sempre melhorado. E também há lá lugar para as IPSS. E para as crianças das escolas - como aqui acontecia!

Já estivemos muito à frente do (nosso) tempo, é verdade. Já fomos essa terra. Se ainda formos a tempo de debelar o falso associativismo, talvez à Câmara e juntas caiba de novo o papel que lhes compete: o de apoiar, com meios, e incentivar, ao invés de desfilar. 


15 de março de 2023

A Casa que é de todos e não é de ninguém



A nova imagem (gráfica) da Casa Varela foi apresentada no sábado. Era suposto que a revelação da "nova identidade" - como lhe chama a Câmara - fosse acompanhada do anúncio da/das/do/dos responsáveis por este Centro de Experimentação Artística, que tanto tem dado à Cultura da terra, enriquecendo-a cá dentro e projectando-a para fora. Mas a sessão foi aquilo que se viu: um público maioritariamente constituído pelos artistas que frequentam a Casa (em residências artísticas), em que pouco ou nada se disse sobre quem fez a nova imagem e por que a fez. 

Depois da saída de Filipe Eusébio, a Casa tem estado a ser dirigida oficiosamente por Diana Figueiredo, de quem a única coisa que se sabe é que assume a curadoria de algumas exposições. O presidente Pimpão não a nomeou directora, atirando a responsabilidade maior para a Unidade Cultura, dirigida por Sónia Fernandes. E para compor o ramalhete, entregou à vereadora Gina a tarefa de apresentadora da sessão, pois que leu um guião sobre o que aconteceu e o que vai acontecer, à laia de agenda. De permeio, Pimpão focou-se em responder a recados do Facebook. Foi quando disse que a Casa é de todos, e que - pasme-se - não é preciso ser artista para fazer ali alguma coisa. "Apresentem propostas, venham ter connosco com ideias", repetiu até à exaustão, não vá alguma voz dissonante acusar a autarquia de promover ali uma cultura de elite. Lembrei-me então da conversa que tive ali à porta com o Filipe Eusébio, em plena pandemia, e da exigência que queria imprimir. 

A nova imagem é contemporânea, funcional, e tem tudo para ser eficaz em matéria de comunicação visual. Um bom telhado, portanto, por onde se começou. Falta a outra, que é tão importante. E que poderia evitar 'pregos' tão ao lado como denominar uma "sala Sr. Varela". Qual deles?


27 de fevereiro de 2023

Notícias do PS (ou o socialismo na gaveta)

 A imprensa local noticia esta semana algumas alterações aos meandros do contrato para cedência do Café Concerto a privados -  o maior ultraje dos últimos tempos. Mas eis que a peça nos dá conta do improvável: ao contrário do que fora inicialmente apalavrado - e comunicado aos partidos durante o briefing que a vereadora Isabel Marto andou a fazer com (quase) todos - a renda passa de 400 para 750 euros. O desconto (de 50% no primeiro ano, reduzindo nos seguintes) mantém-se, mas o aumento para quase o dobro fica a dever-se à oportuna e abalizada intervenção dos vereadores do PS. 

Andamos a ser governados assim, ao sabor de bitaites. 

Odete Alves - que até tem estado bem na generalidade da sua intervenção nas reuniões de Câmara, nos últimos tempos - deixa cair aqui um prego do tamanho de uma tonelada: "só não concordava com o valor base, tão baixo". "A mesma opinião é partilhada pelo vereador Luís Simões, que acrescenta que o Café Concerto não só não sai prejudicado, como ainda poderá beneficiar com 'uma boa programação cultural'". Jura?


2 de fevereiro de 2023

E o Café Concerto? Privatize-se, dizem eles



 

Apesar de não haver ainda anúncio público dessa decisão, os apaniguados do poder já espalham aos quatro ventos a intenção da autarquia entregar o Café Concerto a privados. 

Até aqui, nada nos surpreende. O Café Concerto sempre esteve sob a alçada de uma empresa municipal (primeiro da Pombal Viva e depois da PMU Gest). Com a chegada à liderança  desta última da ex-vereadora Ana Gonçalves, era trigo-limpo, farinha Amparo - livrar-se do que dá prejuízo. A solução passaria pela assunção de responsabilidades por parte da Câmara, nomeadamente do pelouro da Cultura, se existisse e lhe fosse conhecida acção. Mas há coisas muito chatas, que dão trabalho, e repensar o funcionamento daquele espaço

 pode ser uma delas. Portanto, qual foi a solução do Pedro & amigos? Entregar o espaço (fechado desde 2020, deixando o Teatro-Cine sem bar de apoio) a um privado. 

Mas a esta Câmara foge-lhe sempre o pé para o chinelo, e vai daí decidiu chamar ao gabinete da vereadora Isabel Marto (que toca piano e fala francês, logo, está mais que habilitada a tratar do tema) os responsáveis de todos os partidos políticos que concorreram às eleições, sob o pretexto de recolher a opinião de cada um. Como se algum dia estivesse interessada nela. Pior: como se já não tivesse tomado a decisão, procurando apelas validação do acto. E aqui, não sabemos o que é pior: se chamar os partidos por atacado, juntando alguns na mesma reunião, sem sequer ter a decência de avisar todas as partes de que iriam fazer de ramo de enfeite ao mesmo tempo; se fazer perder tempo a quem ainda dá a cara pelos partidos, sendo certo que este faz-de-conta-que-nos-importamos-com-o-que-pensam faria sentido em muitas temáticas, se fosse sincero. Nesta...é só recreio.

Ainda assim, não deixa de ser estranho que apenas o Bloco de Esquerda tenha ressuscitado para a vida pública assumindo uma posição: é contra. Muitos gostaríamos de saber o que pensa o PS, por exemplo, enquanto representante de uma parte importante do eleitorado. 

E agora a cereja deste bolo: a Câmara vai entregar o Café Concerto por um preço simbólico. Embora o valor do contrato esteja fixado nos 400 euros de renda mensal, no primeiro ano há desconto de 50% por centro. E nos seguintes o desconto vai diminuindo... Mas grosso modo, é isto: há um espaço público para arrendar por 200 euros ao mês, e a Câmara lava dali as suas mãos, como Pilatos. O que esperávamos nós? Que a oposição se manifestasse. Se a houvesse. Porque do poder...o que não tem remédio remediado está. Só falta sabermos qual é o amigo que será o feliz contemplado ;) 


19 de dezembro de 2022

Numa casa pobrezinha, mas toda cheia de luz


Na última reunião da Assembleia Municipal, o eterno jovem social democrata João Antunes dos Santos decidiu perorar sobre Cultura. No meio do laudatório ao desempenho do companheiro Pimpão & seus amigos, em matéria de festas e eventos diversos, levantou-se o rapaz, cheio de pose, para arrasar a intervenção da bancada da oposição - que questionava o prejuízo com as festas do Bodo -  e queria saber onde e, já agora,  em que é que vão ser gastos os 250 mil euros nas festividades de Natal.

Como João Antunes dos Santos confunde cultura com recreio, baralhou-se todo. Naquele dia fez ali falta Manuel Barros - o último a pô-lo no devido lugar. De certeza que lhe explicaria, com prosódia, a diferença entre o que é uma autarquia com política cultural e com agenda de eventos.

Mas ao cabo de tanto saltitar pelo país à boleia da JSD e do partido, JAS tinha obrigação de saber que ver não é só olhar. Concordamos que

“a cultura não é aquilo que muitas vezes cada um de nós acha que é. A cultura é muito mais do que isso”, sim. É mais do que as comédias que enfiamos nos salões das associações, é mais do enfiar um barrete de pai natal e encetar um passeio dos tristes pelas ruas de comércio fechado e lojas abandonadas, é mais do que o baile de verão em noite de inverno.

A pérola que foi a intervenção de JAS na AM sobre a Cultura diz muito da sua cultura, mas diz sobretudo da forma como olha para a Cultura. E não, não é preciso invocar os livros que lemos, os concertos onde vamos ou as viagens que fazemos. Basta não confundir a beira da estrada com a estrada da beira.

Diz ele que trabalha no centro da cidade e tem visto a dinâmica que as iniciativas de natal [lhe] têm trazido. Que bom para ele, que se satisfaz com o movimento de “autocarros e carrinhas” de transporte escolar nos dias de semana, e pelos vistos mora noutra cidade que não a minha, ou então fala com comerciantes tão selecionados, que devem ser considerados no próximo estudo da Câmara. Muito estranho que os comerciantes com quem fala não lhe tenham apontado a desilusão pelo facto de terem passado os dois feriados de Dezembro sem a programação de natal em funcionamento, quando nas cidades à volta já bombava. Ou que lhe apontem o lamento de verem a cidade encolher cada vez mais para a avenida, transformando em ruas-fantasma as do centro histórico. Ah, quis ele fazer comparações! E logo com a capital de distrito, onde as instituições disputam os dias para participar na Aldeia de Natal, porque sabem que dali advirá uma receita importante. Mais ou menos como o que se passa no Cardal, com aquelas barraquinhas, não é JAS? É só passar por lá. A decoração, o espírito, a iniciativa (estou a lembrar-me do Centro Social e Paroquial dos Pousos, que há anos vende vinho quente, o que tem sido um sucesso...fica a ideia para Vila Cã, ou para os Bombeiros. De nada).

“Quantas cidades aqui à volta é que têm a dinâmica cultural que ao dia de hoje o concelho de Pombal tem?”, atirou, por fim, o nosso jovem conservador de direita. Estranhamente, ninguém se atirou para o chão a rir.

Na verdade, Pombal deixou há muito de ombrear com as cidades com que se comparava noutros tempos, como Marinha Grande, Alcobaça ou Caldas da Rainha. Se nos quisermos comparar com o interior - o que faz todo o sentido, em função dos indicadores de perda de população, por exemplo, e por isso talvez se perceba por que razão já nem sequer precisamos de semáforos, estamos outra vez em 1990 - estamos um degrau acima, sim. Devemo-lo às associações (como o TAP, que já conseguiu criar público no teatro), mas falta-nos política cultural. Que os espaços não sejam meras barrigas de aluguer. É comparações que queremos? Mesmo com os mais pequenos? Vamos ali a Ourém? Pois, tem um programador cultural.

Não precisamos todos de ser “arautos de alguma intelectualidade”, não.  Basta não nivelarmos tão por baixo. 

25 de novembro de 2022

Uma estreia a não perder

Não me canso de elogiar o percurso artístico do Teatro Amador de Pombal (TAP). Gosto da  coragem que tem em se desafiar permanentemente, procurando sempre novas e estimulantes parcerias. Desta vez, o convite foi feito ao encenador Miguel Sopas, ilustre pombalense e antigo elemento do grupo, e o resultado dessa parceria poderá ser visto no próximo sábado, dia 26 de Novembro, no Teatro-Cine de Pombal.

A Farsa do Juiz da Beira é a primeira incursão do TAP na obra de Gil Vicente. Parabéns! O processo criativo passou, em larga medida, pela Casa Varela, o que também merece o meu aplauso. Aliás, a Casa Varela está intimamente ligada à génese do Prisma Quintet, o original quinteto de palhetas (clarinete baixo, clarinete soprano, fagote, saxofone alto e oboé) que irá interpretar a música que José Peixoto escreveu para a peça. Se faltassem motivos para, no sábado, encher o Teatro-Cine, fica a nota de que a cenografia e os figurinos estão a cargo da experiente e talentosa Ana Limpinho

Uma palavra para a importância da Casa Varela no processo de profissionalização da actividade artística em Pombal. O trabalho iniciado por Filipe Eusébio, no mandato de Diogo Mateus, e a continuidade que tem sido dada ao projecto no mandato de Pedro Pimpão está, há que reconhecer, a dar frutos. O testemunho do Prisma Quintet, relatado aqui pelos elementos do grupo, é só um exemplo do potencial que a Casa Varela tem como centro de experimentação artística. Mas - e não fossemos nós o Farpas -, o sucesso não pode deixar sem resposta as legítimas dúvidas que muitos têm em relação a este equipamento municipal. Nomeadamente: Qual o seu modelo de gestão? Quem é o responsável pelo projecto artístico? Qual o orçamento anual previsto para o seu financiamento? Todos temos a ganhar com uma Casa Varela pujante, mas gostaríamos de a ver com uma gestão autónoma e transparente, capaz de definir o seu próprio percurso.  


6 de setembro de 2022

O doutor Pimpão e os subsídios

Os subsídios têm sido o principal estratagema de captura e manutenção do poder em Pombal. Narciso Mota atribuía-os sem regra, mas com moderação – com umas centenas de euros adocicava os apaniguados. Diogo Mateus introduziu regras, mas manteve as excepções (muitas), e subiu o patamar – passou das centenas para os milhares de euros. Com o doutor Pimpão é o regabofe completo: sem regra e sem moderação – qualquer criatura ou pequeno grupo de criaturas munidos de uma associação meio-formalizada vai à câmara e saca dezenas de milhares de euros. 

Uma recém-criada associação, designada “Cine Clube de Pombal”, foi presenteada com 18.000 euros para projectar uns filmes; outra, também recente, designada “Costumes e diálogos” – que bela designação - foi presenteada com 18.000 euros, para, vejam bem, “desenvolver esforços para preservação da memória colectiva”; etc.; etc.; etc.



O doutor Pimpão é um crente, um grande divulgador e um grande impulsionador do chamado “empreendedorismo social” – um depauperador de dinheiros públicos. Vai daí, transformou o Salão Nobre numa incubadora social, onde germinam associações como cogumelos em floresta húmida e nutritiva. Há cogumelos associativos tão imberbes e tão precárias que chegam a dar como sede edifícios da câmara. Ao que nós chegámos!

Sempre achei o doutor Pimpão inepto (politicamente), mas julgava-o sensato e aplicado. Não é, nem uma coisa nem outra. A dar subsídios desta forma e a contratar pessoal como se não houvesse amanhã, vai arruinar a câmara e o seu futuro político. 

29 de julho de 2022

O Ti Milha, o festival extra agenda



 O que acontece na Ilha desde 2016 (e de que aqui falei em 2018) é caso único no panorama cultural do concelho de Pombal. Há alguns casos de apontamentos comunitários no distrito de Leiria (a Torre da Magueixa, na Batalha, talvez seja a que mais me faz lembrar, mas há outras, nos concelhos de Alcobaça, Porto de Mós, Caldas da Rainha, etc) ou  que se lhe comparam, mas nada é igual ao que se vive ali, no parque de merendas e lazer daquela terra, em que um grupo de jovens ligado à ARCUPS consegue mobilizar pais e avós em torno de um festival de música, artes e costumes. 

No fim de semana passado, dois anos depois do interregno a que a pandemia obrigou, voltou a acontecer. E aconteceu também um desfile de políticos como nunca tínhamos assistido. Em Pombal, o poder não percebeu o que tem ali. É um problema que vem do passado (lembram-se de quando se esqueceram de convidar esta malta para as conversas da Rede Cultura 2027, quando são eles afinal a pedrada no charco?), mas que agora se agrava, com o pelouro da Cultura em pousio. E agrava-se a este ponto: o festival Ti Milha não figurou sequer na agenda cultural de Julho, distribuída pela autarquia - como bem notou o vereador do PS, Luís Simões, na última reunião de Câmara. 

Pedro Pimpão puxou dos galões para dizer que a Câmara apoiou como nunca a organização do Ti Milha (primeiro eram só seis mil euros, depois a deliberação foi revogada e o apoio dobrado para 12 mil). Já é um passo. Falta agora fazer o caminho. E perceber que é tão longe daqui à Ilha como da Ilha a Pombal. Chamar esta malta para outras coisas. As tais "dinâmicas do território".

*foto da Ana Formigo e do Fábio Silva, que têm muitas e boas imagens dos três dias na página do Ti Milha no Facebook



29 de junho de 2022

A arte(s)emrede, o Louriçal e a esperteza saloia

 O Grupo de Cavaquinhos do Louriçal integrou este ano o projecto Recanto - promovido pela Artemede - uma iniciativa soberba que juntou os rappers Capicua e Nerve, e ainda um grupo Coral de Abrantes. Quem os acompanha há anos não fica espantado, pois sabe que ali está um tesouro do património cultural deste concelho. 

O Grupo de Cavaquinho do Louriçal foi criado pelo Luís Miranda e pela Cristina Diniz, um casal de professores que chegou ao Instituto D. João V no início dos anos 90, como tantos, para fazer do Louriçal aquilo em que se tornou. E o Luís tornou-se louriçalense de coração. Ali construiu uma casa, ali lhe nasceu um filho, ali fundou uma escola de música, ali tocou e cantou com várias gerações. Ali ensinou, também, com o seu exemplo, que um homem não é um rato. Nem uma enguia. Tão pouco é um fantoche. E por isso, muito antes da sangria que mandou para o desemprego dezenas de famílias [de professores] quando o Estado fechou a torneira ao modelo que crescia no privado, o Luís saiu. Contou-me tudo em detalhes, por duas vezes, a última numa noite das festas de Agosto, na esplanada do Sol Dourado, antes das festas serem organizadas pelos donos-daquilo-tudo. 

O Luís morreu a 29 de Agosto de 2019. Deixou um legado imenso à Cultura deste concelho. E ao Louriçal em particular. O Grupo de Cavaquinhos fez o luto, a Cristina e o João também, até que no outono passado pegaram nos instrumentos e continuaram a viagem, como tinha de ser. 

O projecto Recanto integrou também uma componente de "Arte na Rua". Os alunos de Artes da Escola Secundária de Pombal foram desafiados a pintar 12 quadros/painéis, alusivos às 12 músicas que o Grupo apresenta no espectáculo. Mas eis que à última hora, essa sumidade que é o presidente da Junta local, decide "não ferir susceptilidades". E deixa de fora o quadro com a imagem do próprio Luís Miranda. Porquê? Porque o edifício onde os painéis foram afixados é um prédio devoluto, propriedade do grupo GPS, última entidade patronal do Luís, a quem ele ousou afrontar. 

E lá de cima, ele deve ter rido muito: cigarro no canto da boca, abanando a cabeça, e dedilhando o cavaquinho, sem lhes passar cavaco. Porque não é qualquer zé manel que apaga a marca que aqui ficou, para sempre Luís. 

Quanto ao painel...esteve onde tinha de estar, como acontece com o cavaquinho, desde a partida: em palco.


foto: Jorge Pereira/Louriçal





14 de fevereiro de 2022

Cultura de quê?


 


Houve um tempo (no século passado) em que a inauguração de uma exposição de pintura era um acontecimento na terra. Ir à vernissage fazia parte da carta de funções dos autarcas todos, da lista de protocolo, e era uma espécie de cola social, numa terra onde nunca acontecia nada. O que mudou, então? - perguntará o leitor. As pessoas. Os autarcas. A preparação e organização.

Na sexta-feira passada abriu ao público a exposição "José Afonso, seus amigos e outras telas de intervenção" da autoria do pintor José Maria Bustorff, radicado em Pombal há mais de 20 anos. Foi numa exposição dessas que o conheci, há mais tempo ainda. Num tempo em que poder político mudara de mãos e (finalmente, anunciava-se) a cultura ia deixar de ser um caldo de "exposições, bandas e ranchos", porque até então não passava dali: exposições permanentes na galeria municipal (era numa sala que já não existe,  com saída para o Jardim das Tílias), concertos da Banda da Armada ou da Banda do Exército no velho Teatro-Cine, e festivais de folclore. E deixou. No primeiro mandato de Narciso Mota, com o saudoso Gentil Guedes ao leme do pelouro, e um Orçamento ilimitado, a Cultura passou para outra dimensão. Depois veio o novo Teatro-Cine, o Café Concerto, a Pombal-Viva que o geria, e não foi por acaso que a galeria ali ficou. Muitos dos actuais actores políticos não farão a mínima ideia disso, tal vez nem mesmo o presidente da Câmara. Já asneirámos tanto nesta terra (como querer dar o nome de Amália Rodrigues ao Teatro, em vez de António Serrano, por exemplo, só para trazer cá o musical do La Feria durante duas semanas...felizmente passou e nunca mais ninguém se lembrou disso) que às vezes custa crer, não é amigos e amigas?

O que agora custa é perceber é: Porque é que o Café Concerto continua fechado? A inauguração da exposição de JM Bustorff foi quase deprimente, com o espaço morto, ao lado. Contava fazer a pergunta a Pedro Pimpão, mas ele não apareceu. Estará o caso a guardar-se para Ana Gonçalves? (Sim, estou mesmo a ver que fará um dois-em-um, administradora-da PMU-vereadora-da-cultura-oficiosa). 

Vale muito a pena visitar a exposição, mas é preciso saber quando. Sabe-se que estará patente de 11 de fevereiro a 11 de maio. Mas a Galeria não existe de forma autónoma, estava ligada ao Café Concerto...Ora, de acordo com as informações da página municipal, os detalhes do evento são estes: é uma espécie de desafio às capacidades cognitivas do munícipe. Não digam que o pelouro da Cultura não é vosso amigo. Começa logo pelo slogan: Cultura para ser e viver!! (assim, com dois pontos de exclamação, que a malta é moderna, tipo...cenas).

10 de janeiro de 2022

O que (nos) resta da Cultura




 A agenda cultural de Janeiro começa e acaba no Encontro de Teatro, que acontece entre quinta e domingo, por iniciativa do Teatro Amador de Pombal. Chegámos a isto, aqui na terra: agora que se foram os confettis do bosque encantado do Natal e do entretenimento que muitos confundem com programação cultural, percebemos que nem os visionários conseguem mascarar o que não há. Os serviços municipais tentaram preencher então a dita cuja com actividades diversas, workshops e encontros que vão desde informática para idosos (!) até um "círculo de leitura de livro" que está a ganhar um espaço inusitado quer na agenda, quer na Biblioteca (que continua sem responsável)  - um tema a que talvez ainda tenhamos que voltar...

Ah, o TAP. O mesmo que faz parar no Cardal até aqueles que não vão ao Teatro-Cine ver os espetáculos, surpreendendo-nos sempre, em cada encontro, em cada aniversário. E este ano convidou os vizinhos da ADAC. E os amigos da Ajidanha. E ainda Os Gambuzinhos com 1 pé de fora, da Benedita, que trazem a Pombal a peça "Não há assassinos no paraíso” (na foto), com encenação de José Carlos Garcia.  

14 de novembro de 2021

E nós...pimba.



De repente, parecíamos regressados aos anos 80, e das entranhas de uma rua qualquer podia saltar um marialva a entoar a célebre quadra "sou da vila de Pombal/não nego a minha nação/ eu não sou como você/que é de lá e diz que não". O camião da SIC  - que alimenta grande parte do programa televisivo Domingão, - não arrastou apenas para a rua o povo à espera de um pouco de festa e farra, desembocando no Cardal e entupindo uma cidade junto a uma barraca de farturas. Arrastou-nos para o nível zero da cultura popular, para aquele ponto rasteiro que faz corar de vergonha quem tinha alguma esperança de ver Pombal como a tal cidade do futuro, a tal da smart city, sustentável, digital. Ao invés, hoje derretemos uma pipa de massa (que é preciso saber quanto é que isto nos custou) brejeirice de silicone, estupidificando as massas, a rodar pelas estradas do concelho, fazendo crer a Portugal que inteiro que Pombal é uma vila. Que a Ilha é um lugarejo anexo à Guia (!). 
É esta a nova ambição, Pedro? Ou isto era só um sonho de menino, trazer aqui a Floribella? Se foi isso, ok, estás perdoado. Mas agora vê lá se atinas. 

18 de julho de 2021

45º Aniversário do TAP

Termos uma companhia como o TAP em Pombal é um enorme motivo de orgulho. Os anos passam, mas o grupo tem sabido manter viva a inquietação que o encoraja a abraçar as mais exigentes parcerias. As comemorações do 45º aniversário, que terminam hoje, são a prova disso mesmo. E como o melhor vem sempre no fim, o TAP convida-nos para "O Banquete", servido hoje às 21h30, no Teatro-Cine, numa encenação de António Oliveira e Julieta Rodrigues, da Companhia Radar 360º. Muitos parabéns ao TAP!

29 de junho de 2021

A autarquia e a arte pública


A praga das aberrações estéticas que poluem as cidades portuguesas é a prova evidente da falta de gosto (cultura?) dos nossos políticos locais. Pombal, nesse aspecto, não é excepção. 

A forma como a discussão sobre a estética do espaço público tem sido negligenciada só pode ser explicada pela ignorância de que os devaneios artísticos dos autarcas são pagos com o nosso dinheiro. Pior ainda: na maiorias das vezes, os "artistas" são contratados com critérios dúbios, sem qualquer escrutínio, numa teia obscura de amizades pessoais ou partidárias. 

Em Pombal, o consulado de Narciso Mota ficou marcado pela estética realista do escultor José Núncio, responsável por, pelo menos, por três "obras de arte" na cidade. Convenhamos que, para uma cidade que se reivindica como inovadora, as obras do Núncio não são o melhor cartão de visita. 

Com Diogo Mateus, e especialmente com a vinda do Festival Sete Sóis Sete Luas, surgiu a esperança de que a autarquia começasse a dar mais atenção à arte pública. A verdade é que foram feitas em Pombal obras muito interessantes, como o mural "Revolução dos Cravos" do artista italiano Eron, ou a "Janela" da artista (também italiana) Alice Pasquini. 

Mas, como em tudo, a essência das coisas vem sempre à tona. No caso de Diogo Mateus, ela revelou-se no recente Memorial do Bodo e no mural do Alto do Cabaço, feito com o objectivo de "criar um ponto de interesse turístico". Na nota de imprensa de apresentação do mural foi dito: "imagina-se o interesse em tirar fotos à frente do mural e partilhar nas redes sociais, incentivando assim à divulgação da cidade". Agora que, também eu, tenho Facebook, posso afirmar que a encomenda de Diogo Mateus ao ilustrador Sérgio Marques (a quem, imagino, pouco espaço deve ter sido dado à sua criatividade) não tem cumprido o seu propósito: até ao momento, nem uma mísera "selfie" consegui encontrar!

20 de junho de 2021

“Arte” bimba

Hoje, a classe política local entreteve-se em Abiul com a inauguração de um Memorial ao Bodo – “peça criada em colaboração com a Tertúlia Berço da Tauromaquia com a coordenação artística do professor e escultor Fernando Freire” – reparem bem na parceria.


A peça, uma representação realista- démodé - de um bolo ferradura (também designado folar), despida de qualquer simbolismo e de elementos significantes, sem qualquer valor estético, que nada projecta, e por isso não interage nem questiona o observador, rapidamente será ignorada e transformar-se-á num mono urbano que não engradecerá o espaço antes o desqualificará. 

O voluntarismo e a vacuidade atroz que tudo isto representa expõe a pobreza de um povo, pobre, que desbarata recursos sem qualquer benefício que não seja os fugazes momentos de palco dos protagonistas. 

12 de abril de 2021

Enfim, a Casa Varela

 As dores de parto da Casa Varela estão aqui arquivadas neste blogue, há vários anos. Mais do que aqueles em que esteve em obras, a cargo de uma mão cheia de construtores, saltitando de plano em intenção, sem nunca existir para ela um projecto definido. Ou melhor, existiram tantos, avulso, que o edifício parecia saído do conto infantil "Pedro e o Lobo": quando finalmente era verdade, já ninguém acreditava. Afinal, não foi um restaurante, nem um espaço de co-work, nem um hostel, nem uma pousada. É desde há uns meses um Centro de Experimentação Artística e acabou de abrir as portas ao público, ainda que timidamente - como tem de ser, em tempo de pandemia.

Enquanto no andar de cima continuam a acontecer residências artísticas, no de baixo está uma exposição de Nuno Mika. Chama-se "Interactivity" e resulta de duas instalações de arte digital, que podem ser experimentadas até Junho,  de quarta-feira a sexta-feira, das 16h00 às 21h00 e sábado e domingo, das 10h00 às 13h00 (por agora).

Talvez este não seja o destino que cada um de nós imaginou para a Casa Varela. Como falava há dias com o Filipe Eusébio (diretor artístico), cada um tinha uma ideia para ela. Mas vê-la abrir as portas à arte e abrir-se ao público é uma boa notícia. Falta-lhe (mais) autonomia, que lhe permita comunicar por meios próprios e construir a própria identidade, mesmo tratando-se de um equipamento municipal. Mas isso vai-se experimentando, e se esperámos tantos anos para a ver de pé, nada nos impede de acreditar que possa ter autonomia, personalidade, independência. Abrir-se ao mundo e trazer o mundo aqui, através da arte, independentemente da origem dos artistas. Além de tudo, é muito bom ver alguma coisa de novo e alternativo a acontecer numa cidade que está presa ao estigma bafiento do Marquês e parece caminhar só para o passado.