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8 de outubro de 2025

Breve história de um debate que era da Junta mas os candidatos não sabiam


 

Na foto, da esquerda para a direita: João Gonçalves (CDS), Carla Longo (PSD), António Costa (CDU), António Sintra (Pombal Independentes), Patrício Martins (Chega) e Clara Pascoal (PS)

Sou eleitora da Junta de Freguesia de Pombal há mais de 20 anos, já integrei uma lista que lhe queria dar outra vida mas não aconteceu, também fiz parte da Assembleia de Freguesia - um tempo que me permitiu, entre outras coisas, conhecer melhor como funciona (politicamente falando) o Pedro, actual presidente da Câmara. 

Ao contrário do que muitos pensam - e dizem, incluindo candidatos - a Junta de Pombal não é uma área de descanso na hierarquia municipal. É certo que ocupa um espaço privilegiado na sede de concelho, mas desengane-se quem pensa que tem tudo feito, à conta da Câmara. Primeiro porque é uma freguesia muito mais rural do que se imagina. Não apenas porque a cidade se ruralizou nos últimos anos, mas também porque os 700 km de estradas de que fala a presidente da Junta ligam aldeias e lugares que parecem ter ficado nos anos 60. Nunca recuperámos das diversas vagas de emigração, e não fora a imigração (que serve, nesta campanha, para mascarar o desfalecimento, nomeadamente a plena ocupação das escolas), muitas aldeias desta freguesia estavam já quase abandonadas. 

Ora, o debate de ontem - com seis candidatos e mais de duas horas e meia de duração - tinha muito terreno para palmilhar. Só que uma confusão generalizada (que começou nos temas propostos para discussão e acabou no equívoco de vários candidatos) não contribuiu em nada para o esclarecimento. Há candidatos , que não perceberam ao que se estão a candidatar. Há outros para quem afinal está tudo bem, e isto só precisava de mais um pózinhos, qual comissão de melhoramentos. O único momento que se assemelhou a um debate foi breve, entre a actual presidente da Junta, Carla Longo (PSD), e a candidata do PS, Clara Pascoal. 

Terminada a conversa, abri os desdobráveis que me deixaram na caixa do correio. Só tinha da Carla Longo e do António Sintra. São programas cheios de boas intenções, ao estilo "agora é que vai". E numa coisa ela já ganhou: calou uma certa oposição, arregimentando para a sua lista uma panóplia de gente que sempre combateu aquela forma de fazer política - até perceber que era melhor fazer parte do ramalhete. Juntaram-se vários presidentes de clubes, que assim sossegam. É mais ou menos como diz o seu mentor Pimpão: "até os comemos!"

4 de outubro de 2025

Uma espécie de debate, numa espécie de eleições



Pela primeira vez nestas eleições juntaram-se os oito candidatos à Câmara num debate, promovido - como vem sendo hábito - pelo Jornal de Leiria. Foram duas horas de angústia (como podem ler aqui), muito pior do que este, em 2017, que reunia o mesmo número de candidatos, ainda na era pré-Chega. Um retrato do nosso desfalecimento enquanto concelho - onde só as máquinas dos candidatos (cada uma à sua dimensão) parecem dar conta das eleições autárquicas. Estamos mesmo prontos para levantar voo e desaparecer no éter.

29 de outubro de 2022



O Farpas regressa novamente aos debates no Café Concerto, retomando a iniciativa "Um Café e uma Farpa", já no próximo dia 7 de Novembro. O tema não poderia ser mais actual, a poucos dias do arranque oficial do ano lectivo.

A criação precepitada de um núcleo, nestes moldes, (não é um pólo nem uma escola superior) sempre dividiu opiniões em Pombal, nomeadamente quanto à sua necessidade e viabilidade. É hora de fazermos esse debate. Para tal convidamos os professores Ricardo Vieira, do IPL, e Adérito Araújo, da Universidade de Coimbra.
A discussão far-se-á com todos os que se juntarem a nós, dia 7, pelas 21 horas.

6 de fevereiro de 2020

A tua cidade...é minha e é nossa

“O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” 
Leonardo Boff

Todos os dias os lugares por onde passamos, vão sendo usados por uns e por outros. Como eu, são visitantes, moradores e vizinhos, pessoas do próprio concelho ou vindas de fora, que de um lugar para o outro, se deslocam, permanecem, brincam ou fazem compras. Tudo isso, acontece todos os dias, numa multiplicidade de atividades que se acumulam, num constante pisar e repisar dos lugares públicos da cidade de Pombal, que goza de uma centralidade que remonta à sua fundação e que nos dias de hoje mantém e conserva. 
Assim nos relacionamos com os lugares que valorizamos…
Existem também um sem número de agentes que se preocupam com o bom funcionamento da cidade de Pombal. Todos juntos, estão encarregues de garantir o bom funcionamento de todos estes espaços urbanos e procuram perceber como podem melhorar o seu desempenho e tornar a cidade de Pombal mais resiliente.
Seguramente foi com esse propósito, que se aprovou a Operação de Reabilitação Urbana da zona central de Pombal, delimitada por uma área de 54,3 hectares. Através dela justificaram-se, um conjunto de investimentos para realizar na “Área de reabilitação urbana: a área territorialmente delimitada que, em virtude da insuficiência, degradação ou obsolescência dos edifícios, das infraestruturas, dos equipamentos de utilização coletiva e dos espaços urbanos e verdes de utilização coletiva, designadamente no que se refere às suas condições de uso, solidez, segurança, estética ou salubridade, justifique uma intervenção integrada, através de uma operação de reabilitação urbana aprovada em instrumento próprio ou em plano de pormenor de reabilitação urbana” ORU - memória descritiva, pág 02. 
A noção de intervenção integrada cumpre-se aqui pela concentração e a proximidade das intervenções urbanísticas, ao invés de outras operações do género, que reconhecem nas obras apenas um efeito catalisador, quando na verdade a transformação dos espaços publicas dá-se através de um conjunto de medidas sociais e económicas claramente identificadas e incrementadas, durante um período de tempo que idealmente vai para além de um mandato. Nesse clima as obras são um fator de indução de novas dinâmicas económicas e sociais dentro da cidade e quando bem acompanhadas, transformam e mobilizam um concelho e uma região.
Para o centro de Pombal: Que imagem queremos? …O que é que pretendemos? …Quem serão os futuros moradores? …Que atividades económicas e sociais serão necessárias? …Que função poderá desempenhar, no quadro mais alargado do concelho? São apenas algumas das questões que terão que ser respondidas. Mas antes, urge re-conhecer a atual realidade de Pombal, contextualizar e refletir sobre ela.
Para os investimentos previstos serem potenciadores de mudança é necessária uma ampla e profunda reflexão ao longo de todas as fases de incrementação deste projeto, a ser liderado pela Câmara Municipal de Pombal em estreita delegação/participação dos agentes que atuam dentro deste perímetro (IEFP, Associações empresarial e comercial, Misericórdia, Bombeiros, IPSS, Igreja, CNEs etc…) e a uma comunidade organizada em torno de associações de moradores pronta a participar construtivamente. 
É num clima de partilha sincera e de apresentação das motivações de cada parte, que se constrói uma comunidade resiliente, fortemente identificada com os seus espaços urbanos e seus equipamentos públicos. Um centro urbano construído a pensar nas necessidades das suas estruturas civis, capaz de dar respostas aos múltiplos usos e contribuir para valorizar, cuidar e proteger os valores do concelho de Pombal, no seu contexto regional.

Carlos Vitorino
Arquiteto, orador no debate sobre Urbanismo, a cidade e o espaço público, promovido pelo Farpas a 27 de Janeiro

20 de janeiro de 2020

A cidade e o espaço público: o regresso dos debates do Farpas

Que cidade e espaço público queremos?

Pombal está em obras. Por estes dias a cidade sofre uma mudança sem precedentes, ao abrigo de um plano de reabilitação urbana que avança desde o ano passado, atravessa o Jardim do Cardal e reinventa-o, tal como o das Laranjeiras, caminhando em breve para a Várzea. As decisões do poder sobre o (nosso) espaço público fizeram-se à margem do debate. É nesse ponto que o Farpas que recentrar a discussão: envolver a cidade na sua própria vida.
No plano que traçou para Pombal, chamado PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano), a Câmara reclama uma cidade mais atrativa, ativa e inclusiva. Será que estamos a caminhar para lá? Ou a descaracterizar o que é nosso?
É este o tema do nosso primeiro debate de 2020. Venham daí para mais um café e uma farpa, dia 27 de janeiro, às 21 horas, no Café Concerto.
Para começo de conversa convidámos os arquitectos Carlos Vitorino e Tânia Ventura, cada qual com a sua visão sobre o tema. A discussão é para todos ;)


14 de novembro de 2019

Que cultura é esta? - o debate visto pela Rita Leitão

Na opinião de muitos Pombalenses, a adesão (e não aderência!) às comemorações do Dia do Município sempre deixou um pouco a desejar. Nem tanto porque chove e está frio ou porque é feriado e querem aproveitar para descansar, mas mais porque simplesmente o programa não puxa… Este ano, graças ao BlogueFarpas Pombalinas, o dia do município foi fechado com chave de ouro. 
“Discutiu-se” a cultura, e é entre aspas, porque foi mais uma troca de ideias, lamentos e projetos, do que propriamente uma discussão. Porque se há algo de que nos apercebemos, naquele Café Concerto cheio (pasme-se!!) é que todos queremos o melhor para Pombal. Mais e melhor Cultura. Com subsídios? Sem subsídios? Com salas cheias? Com pouco público? Façamos! E cada vez façamos mais! Vamos tentar combater o fenómeno da “Cultura do Entretenimento”… uma programação sem conteúdo, pensada para agradar às massas e sem uma contextualização ou enquadramento adequado. As pessoas certas, nos lugares certos, programando as coisas certas – penso que o caminho também passa por aí. 
Vimos uma sala cheia de agentes culturais que podem e devem unir-se mais em projectos, em parcerias, em intercâmbios, mas devem também, na minha opinião, ser os primeiros da fila a comprar bilhetes para ver os outros Agentes, divulgar os que os “outros” fazem, ajudar a criar públicos para si mesmos. Não somos só agentes, também somos público! 
Cada vez mais me convenço de que devíamos desculpabilizarmo-nos menos pela falta de divulgação ou falhas na comunicação de eventos e iniciativas (não digo que não haja, atenção!). Mas há que procurar, malta! Gostas de música? Gostas de dança? Gostas de Teatro? Gostas de exposições de arte? Procura saber o que se faz, onde se faz e por quem se faz. Ninguém te vai buscar à porta de casa… e as tuas séries e o sofá ainda lá estarão à tua espera quando voltares.

Rita Leitão

Licenciada em Animação Sociocultural, desde cedo se sentiu atraída pelo humor e pelo teatro. Elemento do Teatro Amador de Pombal desde 1999 e Stand Up Comedian desde 2011. A entrada no mundo da Stand Up Comedy surgiu quase por brincadeira, num bar "clandestino" de uns amigos, actualmente a Galeria Cabaret em Abiul. No bar de uma amiga em Pombal criou a "Meia Dose de Leitão", espectáculo mensal de 30 minutos que durou 2 anos naquele espaço até sair para "o mundo".

12 de novembro de 2019

Que Cultura é esta? O debate (e o Farpas) visto pelo Pedro Miguel

As Farpas Pombalinas são isso mesmo. Cenas que espetam e é uma chatice tirar. O poder local irrita-se e isso, como todos sabemos, não é cadastro, é currículo. Oportunidades falhadas, quem as não tem? Pedras no caminho? Guardam-se todas e um dia faz-se uma instalação ali na praça. Há que admitir que esta coisa de ter vergonha de falhar, enerva. Assim como assim, prefiro o Beckett e falhar melhor.  O que as Farpas Pombalinas vêm demonstrar é que há igualmente um outro País, fora dos grandes centros, que pulsa e que sempre foi contemporâneo, mesmo em ambientes mais adversos.  Vai nisto, a realidade entra em acção. Com que então a malta quer cultura? Mais ou menos. Se der jeito. It's complicated, como se dizia nas definições pessoais das redes sociais. Ainda assim, faz-se o que a cada um tem na veneta, em perfeita anarquia. Tem tudo para correr mal... e é tão bom.
Nunca foi crime trocar uma ida ao teatro, museu, concerto, por ficar enterrado numa poltrona fofinha, comprada em promoção na loja da JOM à beira da Estrada Nacional nº1 (true story). Mas esta nossa tradição Católica Apostólica Romana, do ai-meu-deus-o-que-é-que-as-pessoas-vão-pensar, não deixa que as coisas fiquem assim. Com jeitinho, a malta ainda acredita que mantém a face e que os outros pensam que isto é só gente culta. Só que não. Uma pesquisa rápida pelos dados do Eurobarómetro, sobre a participação cultural em Portugal, indicava que, não sendo novidade, oficializou-se o declínio na maioria das práticas culturais. Por outras palavras, em termos genéricos e que englobam todas as artes, a malta não vai às cenas e a que vai é pouca. Não há dinheiro para usufruir de muita coisa, mas também é certo que há falta de interesse. Os casos de iliteracia são gritantes e a falta de exigência é tal que, só por se ler um livro ou um jornal já se é quase considerado 'intelectual'. Credo. O problema da cultura em Portugal também é, portanto, cultural.
O compromisso com o território e com as pessoas que nele habitam - como vem nos livros - tenta-se cumprir à risca. Sim, há propostas, mas não se gosta de tudo (com direito a unlikes como consequência, um clássico). Já agora: também anda por aí muita coisa que não tem qualidade e estranho seria se assim não fosse. Muitos que nas suas mais variadas profissões apregoam o mérito e a exigência, de repente, para a cultura querem que seja um saco de gatos, sem filtros, sem critério. Não pode ser. Já se disse que a questão da cultura é cultural e a maneira como se olha para estas questões é sintomática. Depois há o direito fundamental de não gostar... para ambas as partes.
A estupidez humana é uma coisa fascinante e há momentos de um fascínio arrebatador. Faz parte. Apesar das honrosas excepções que fazem a regra, o interesse por coisas novas vai tendo alguma resistência. Acho eu e é uma posição muito pessoal mas já sentida na pele. Trocado por miúdos, ao invés da curiosidade, a validação dos seus próprios gostos costuma mostrar-se mais eficaz. É uma faca de dois legumes, ou lá como se diz isso. A certa altura é como ter um amor platónico, sem aquelo bafo quente na nuca.
Como diz a outra: "Que fazer?" isto da cultura dá uma trabalheira do caraças, as pessoas têm a sua vida. Por exemplo, este texto está a ser adaptado de um outro que escrevi há uns anos mas não faz mal. Desde que faça sentido está tudo bem, certo?  Jon Stewart (apesar deste ter tido qualidade até ao fim), nos últimos dias como apresentador do seu Daily Show, exorcizou no programa algo que já lhe deveria estar atravessado há muito tempo: "Entram à borla e fartam-se de criticar". "Já passaram 30 segundos, faz-me rir, rapaz-macaco!", exemplificou o apresentador. "Estão a borrifar-se para as nossas famílias, as nossas vidas. São cruéis. (…) "Isto parece o Coliseu", momento em que se levanta e abre os braços. "NÃO ESTÃO ENTRETIDOS?", grita. "Não querem saber. Querem-nos deixar sem sangue", diz com ironia. Nisto, alguém do público grita: "We love you!". Jon Stewart, sempre bem disposto, responde: "Isso não é amor. Se fosse amor, traziam uma sopinha, perguntavam se estavas bem. Amor não é "faz mais programas! Entretém-me!", concluiu.

Mas são estes momentos que ninguém nos tira e que poderemos contar aos netos. Se for possível é para fazer tudo outra vez. E em pior. As Farpas Pombalinas merecem uma medalha. São como aquele senhor que mantém o carvão on fire com um secador. Quem não tem cão caça com gato. Longa vida para as Farpas Pombalinas.


Pedro Miguel

*44 anos,  nasceu em Viseu mas vive em Leiria desde que se lembra. Está ligado a Associações Culturais desde 1995, com passagens pelo Nariz Teatro de Grupo e Fade In . Paralelamente foi DJ durante 20 anos e fez rádio durante meia década. Foi membro fundador e editor do projecto de media online, Preguiça Magazine, colaborou com o Omnichord Records (Surma, First Breath After Coma) e acompanhou de perto os principais eventos culturais não só da cidade de Leiria como da região centro dos últimos 25 anos.  Licenciado em Comunicação Social, tem o mestrado em Comunicação e Media e actualmente está no 2º ano do doutoramento em Discursos: Cultura, História e Sociedade na Universidade de Coimbra. Profissionalmente (e sem ordem cronológica)  foi actor, Dj residente em duas discotecas, jornalista cultural, roadie dos Silence 4, mas a grande aventura foi ter trabalhado durante mais de 10 anos com o coreógrafo Rui Horta, com o qual fez diversas tournées europeias. Actualmente pode dizer-se que é investigador, tem participado em alguns congressos na área da sociologia e estudos culturais, e trabalha também na livraria Arquivo, em Leiria. Tem três livros publicados, dois de ficção, sendo o último, Uma Cena ao Centro, um apanhado histórico da cena musical da região centro entre  1990 e 1999. Toca teclados, pandeireta, aspirador e berbequim no grupo Ayamonte Cidade Rodrigo. Adora um bom frango no churrasco e tem uma panca saudável pela banda industrial alemã Einsturzende Neubauten

24 de outubro de 2019

E agora a Cultura



O Farpas arranjou uma forma de todos poderem participar nas comemorações do 11 de Novembro, feriado municipal. Não, não vamos dar medalhas nem discursos. Vamos lançar o debate: Que Cultura é Esta? É hora de discutirmos quem faz o quê, como e com que apoios. Que modelo temos e qual gostaríamos de ter, se é que este não nos serve. O convite é para todos os agentes culturais e para o público em geral, sem o qual nada disto faz sentido. 
 Temos um painel de quatro convidados para abrir o debate, de áreas tão diversas como o teatro, a música, o cinema, a literatura - com visões diversas sobre a realidade cultural de Pombal, de Leiria e da região. Além do Calika (que é da casa e defende o cinema e a música), vão abrir este debate a Rita Leitão (ligada ao Teatro Amador de Pombal, à Galeria Cabaret e à stand up), o David Gomes (da ARCUPS, Ilha, onde acontece um dos eventos mais marcantes do concelho, o Ti Milha) e ainda o Pedro Miguel, músico e investigador de Leiria, que tem integrado a organização de diversas iniciativas culturais aqui ao lado. 
 Esperamos por todos no dia 11, às 21 horas, no Café Concerto!

2 de fevereiro de 2018

Síntese da intervenção inicial do GPS no debate

O GPS – GRUPO PROTECÇÃO SICÓ foi convidado pelo Farpas, por email, a participar num debate sobre: “(...) os projectos já anunciados pelo poder autárquico, nomeadamente a ponte suspensa. Gostaríamos de centrar a questão na pergunta: melhorar ou estragar?". Os promotores do debate também referiram: "temos todo interesse em contar com a vossa participação, assumindo o que é a vossa posição sobre as anunciadas obras.”

O GPS aceitou participar, enviando a seguinte resposta: “Desde já aceitem o nosso agradecimento pelo vosso convite encetado, inclusive sobre a escolha do tema em causa o que muito honra o GPS. Referente à posição expectável a defender do GPS, em qualquer debate, sobre a temática em questão, "ponte suspensa" a construir no(s) vale(s) do poio (novo e/ou velho) na freguesia da Redinha-Pombal, a mesma só poderá ser a de pugnar pelo seu indeferimento, ou seja, o GPS afirmará sempre publicamente o seu repúdio a tal intenção, descabida, desproporcional, disfuncional, e atentatória de paisagem protegida que encerram tais geomonumentos naturais. Neste âmbito, confirma-se que aceitamos o convite e que podem contar connosco para o debate.”

Mais ainda se informou, no decurso do debate, que o interveniente/orador e aqui ora infra signatário, ali se encontrava na representação do GPS na qualidade de Coordenador do Grupo de Trabalho de Denúncias de Atentados Ambientais e de Participação nas Discussões Públicas de Planos e de Projectos Públicos e Privados (AIA), e que, nesse sentido, passaria a ler o seguinte comunicado público, o qual em 23/01/2018, foi enviado a várias entidades com competências públicas materiais sobre a temática, e, tendo também sido elaborado com a colaboração do Doutor João Forte, referente ao projecto CIMU SICÓ/EXPLORE SICÓ localizado em Poios/Redinha – Município de Pombal para o que se solicitou a leitura/discussão no âmbito da próxima reunião do respectivo órgão a que preside (cada um dos destinatários), com o objectivo de serem tomadas todas as diligências havidas enquanto necessárias no cumprimento do conteúdo do que aí consta exigido e requerido:

COMUNICADO PÚBLICO

O GPS – GRUPO PROTECÇÃO SICÓ vem comunicar publicamente que:
– Exige às respectivas entidades públicas que tomem as diligências havidas como necessárias para procederem e executarem à demolição do 1º andar do edifício ainda em construção referente ao projecto do CIMU SICÓ/EXPLORE SICÓ (pelo menos do edifício do lado norte localizado junto à Rua Principal – a estrada que vai para a Capela da Senhora da Estrela), por este apresentar uma altura e dimensão muito exagerada e constituir um autêntico MONO na paisagem, totalmente desproporcional e descaracterizador da Paisagem Protegida de Interesse Municipal (omissa de classificação). Nesta paisagem de interesse municipal e regional, destacam-se a falésia da Senhora da Estrela, que constitui um geossítio (omisso de classificação) e que representa, conjuntamente com os geossítios do Vale do Poio Novo e do Vale do Poio Velho (omissos de classificação), uma área passível de classificação enquanto unidade de gestão única. Mais requer e exige que sejam tomadas as respectivas medidas para as imediatas e respectivas classificações supra mencionadas, através do Decreto-Lei nº 142/2008, de 24 de Julho, e, da Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro, por parte da(s) respectiva(s) autarquia(s) e demais entidades e, inerente elaboração a sujeitar à discussão pública dos respectivos Planos de Gestão.
– Exige a integração da população local no projecto, principalmente dos habitantes da localidade dos Poios e inclusive da Estrela Poiense – Associação Cultural e Recreativa.

Citando Gro Harlem Brundtland, “O ambiente é o local onde todos nós vivemos, e o desenvolvimento é aquilo que todos nós fazemos na tentativa de melhorar o nosso lote dentro desse meio”.

Hugo Silva Neves, pelo Grupo de Trabalho de Denúncias de Atentados Ambientais e de Participação nas Discussões Públicas de Planos e de Projectos Públicos e Privados (AIA) do GPS

31 de janeiro de 2018

A importância e a estratégia do CIMU (Explore) Sicó


Os investimentos anunciados para os Poios, na Redinha, valorizam ou estragam a serra? (CIMU/Explore Sicó e Ponte no Vale do Poio)

Percebendo pela “linha editorial do blog” e pelo facto da construção do edifício do CIMU Sicó ter sido suspensa, pelo alarmismo criado à volta da intenção de construção de uma ponte (que ainda pouco ou nada se sabe sobre a mesma), e conhecendo os interlocutores, torna-se evidente que a questão aqui apresentada encerra em si uma forte carga negativa sobre o tema.
A minha presença no debate tem exatamente a ver com esse facto, e por considerar importante realçar e recordar, os prós dos investimentos na Serra de Sicó, procurando refutar um certo alarmismo, ou perspetivas de “copo meio vazio” que encontram terreno fértil sempre que se intervém em zonas ambientalmente sensíveis.
1.       Relativamente ao “CIMU Sicó”
Para que seja possível organizarmos ideias e para que o debate seja claro considero que a discussão deve ser colocada em 2 níveis distintos. Por um lado, a temática do edifício e a sua arquitetura, por outro lado a estratégia de promoção, desenvolvimento e proteção da Serra de Sicó.
1º Nível: O Edifício
Uma coisa é o edifício do CIMU Sicó, a sua localização, o seu programa funcional, o seu aspeto e volumetria, ou seja, um nível de discussão relacionado com a sua arquitetura.
Sobre a localização, importa relembrar que esta foi inicialmente escolhida para este local, uma vez que onde está a ser construído existia um grande desaterro ilegal que constituía uma “ferida” na paisagem. Para além disso existiam também todas as razões naturais na implantação deste tipo de infraestrutura, uma localização próxima dos vales dos poios, próximo das grandes vias de comunicação, etc. etc.
Relativamente ao programa funcional, para além dos espaços expositivos existem também um conjunto de valências que irão servir para a potenciação do território para além do edifício, um espaço de loja, um auditório, gabinetes para investigação, refeitório, zonas de dormidas e balneários.
Tanto na localização, como no programa, e até mesmo sobre a arquitetura do edifício saliento que houve à época da conceção do projeto um consenso alargado entre os vários parceiros do mesmo.
Não me parecendo que alguma destas premissas iniciais estejam em causa, e com a frontalidade que impera, importa referir aqui também as razões pelas quais a obra teve de ser interrompida. Identificaram-se no decurso da obra alguns pontos a rever no projeto, sendo que a maior parte deles esta relacionada com o facto deste ter já alguns anos. Elenco então de uma forma muito breve os principais pontos a rever.
- Necessidade de ajustamentos interiores – Prever a possibilidade de autonomização da zona de dormidas e gabinetes, da zona de exposição, bem como a adaptação de alguns espaços a novas ferramentas expositivas que, entretanto, surgiram.
Necessidade de ajustamento dos projetos de especialidades (elétrica, AVAC, etc) fruto da evolução tecnológica.
E por fim o ponto que gera mais preocupação à população, a altura acima do solo do 1º volume (o mais próximo da estrada). Apesar de parecer não coincidir com o projetado, realço que essa impressão é gerada pelo facto de a obra não estar terminada e faltar fazer a reposição de terras no local. A orientação neste ponto é a de se respeitar o projeto original. 
(consulta do projeto original - https://www.cm-pombal.pt/obras-e-projetos/cimu-sico-centro-de-interpretacao-e-museu-da-serra-de-sico/)
Face ao exposto parece-me francamente redutor concluir por aqui se o edifício em si vai valorizar ou “estragar” a Serra do Sicó.
Considero que, da mesma forma que uma escola nova por si só não valoriza/melhora a educação das crianças, apenas cria condições para que isso aconteça, o mesmo acontece neste caso, apesar de o edifício não valorizar por si a serra, parece-me evidente que virá criar condições para que isso possa acontecer.
2º Nível – A estratégia
Debate diferente e muito mais importante, é a estratégia de intervenção no território que este investimento irá potenciar, e aí há muitíssima mais matéria a discutir, uma vez que a Serra do Sicó tem como todos conhecemos um enorme potencial por promover, explorar e preservar.
Neste nível mais do que um edifício, estamos a debater um plano estratégico, que parte do Centro Interpretativo e da forma como será feita a sua gestão, mas que terá de ter uma intervenção em todo o território de Sicó.
Se repararem a alteração do nome significa em si mesmo essa abordagem. Passar de CIMU Sicó (Centro interpretativo e Museu) para Explore Sicó (Intenção de exploração de um território) significa que o enfoque da revisão agora em curso é reforçar a importância da intervenção no território de Sicó. E isso poderá ser visível ao nível de:
Programação de atividades – Tanto as públicas, como as promovidas pelos diferentes parceiros do território, numa estratégia de divulgação articulada.
Aproveitar a importância crescente dos desportos e do Turismo de Natureza dando-lhes melhores condições - desportos de montanha, pedestrianismo, orientação (geocaching), birdwatching, escalada, rapel, espeleologia, BTT, etc.
Inclusão da Sicó nas várias redes nacionais e internacionais da área (Bike Hotel, Centro de BTT, natura.pt, etc.)
Promoção de parcerias – envolver os diferentes atores do território (associações, clubes, privados, restaurantes, alojamento local, empresas de turismo de natureza, etc.)
Criação de um Conselho de Comunidade – A gestão deste edifício terá, para além dos recursos humanos alocados, um conselho de comunidade que represente a população nas opções a tomar.
Recursos humanos – Afetar a este território técnicos que terão como função/desígnio, pensar e “Puxar” especificamente por este território.
Proporcionar uma maior atenção à conservação da biodiversidade e Geodiversidade de Sicó.
Efeito no mundo cientifico, gerando melhores condições para que os especialistas investiguem o nosso território, incentivando a obtenção do conhecimento cientifico e cultural (elaboração de parcerias com universidades, com a fundação do Coa, com investigadores como Helena Moura, Thierry Aubry, Lúcio Cunha, GPS, etc.)

Relativamente a esta estratégia de intervenção no território, para a qual o edifício é apenas uma ferramenta que virá facilitar a sua implementação, julgo ser difícil considerar que a mesma venha estragar a Serra do Sicó.

2.       Relativamente à Ponte no Vale do Poio
Não conheço o processo (é bastante recente portanto), a imagem apresentada no debate é uma ilustração feita pelos “da casa Farpas”, com um propósito de orientar os leitores e os presentes para uma opinião negativa sobre a mesma. Formular esta imagem e esta opinião sem conhecer o verdadeiro projeto, considero ser a manifestação de um mero preconceito e uma tentativa de manipulação da opinião pública. Uma intervenção por ser feita no meio da natureza não tem necessariamente que ser má, há variadíssimos exemplos do contrário (Casa da Cascata, Passadiços do Paiva, a própria capela da senhora da Estrela, etc.), e portanto, até se conhecer o verdadeiro projeto, as suas intenções o seu aspeto e o seu enquadramento, julgo que é completamente prematuro fazer essa discussão. Importa realçar que ao contrário do que terá sido veiculado, tive oportunidade de confirmar no orçamento municipal para 2018 que o valor previsto são 20 000€ (que correspondem normalmente a uma verba para o estudo/projeto) e não os 420 000€ referentes à construção como erradamente aqui foi veiculado.

Em jeito de conclusão e para lançar o debate, tenho a forte convicção de que estes investimentos e os que se seguirão irão valorizar imenso a Serra do Sicó. Afirmo-o na plena certeza de que mais do que infraestruturas, estes investimentos trarão consigo recursos humanos, parcerias com privados, associações locais, construindo sinergias que beneficiarão todos, e que a nós enquanto comunidade nos obrigará a colocar o nosso empenho na valorização e promoção de uma das maiores riquezas do nosso território que é a Serra de Sicó.
Renato Guardado (arquitecto, ex-vereador da CMP)

30 de janeiro de 2018

O debate que faltava


O debate de ontem à noite foi um êxito - do Farpas, que sempre acreditou ser necessário promover a discussão na nossa terra - mas sobretudo de Pombal. Provou-se, uma vez mais mais, que o Café Concerto pode e deve servir para acolher iniciativas como esta. Que em boa hora a Câmara emendou a mão e abriu as portas a uma casa que é pública, mesmo que nem sempre todos os agentes municipais o percebam. 
Aqui fica um agradecimento especial aos oradores convidados: o Renato Guardado, ex-vereador com responsabilidades no CIMU Sicó, e o Hugo Neves, em nome do GPS (Grupo Protecção Sicó). Entretanto ficarão disponíveis em post, aqui no blogue, ambas as intervenções. Também aos habitantes dos Poios e de outras aldeias e concelhos limítrofes, que vieram enriquecer o debate, bem como todos os que gostam da serra, o nosso agradecimento. Quase dez anos depois de criarmos o Farpas, é bom saber que valeu a pena a travessia. Bem hajam!

22 de setembro de 2017

Meirinhas: O verdadeiro debate

Ontem à noite pudemos assistir a um verdadeiro debate - pode ver e ouvir aqui - , o dos quatro candidatos à Junta de Meirinhas. Todas as freguesias deveriam ter a sorte de escolher assim, entre gente bem preparada e conhecedora da freguesia. Talvez o PS tenha ali um dos seus melhores candidatos (senão o melhor, pelo concelho) a uma junta de freguesia: Fernando Parreira, enfermeiro de profissão, é reincidente. Há quatro anos disputou a junta contra Avelino António, perdeu por pouco mais de 100 votos, e ontem mostrou aquilo que falta à maioria dos candidatos derrotados noutras freguesias: determinação. Em contraponto, o PSD  revelou ter ali um dos seus piores candidatos. De todos, era o menos preparado. Não vai ser fácil para os 1500 eleitores de Meirinhas escolher o futuro presidente, pois que tanto Artur Brás (CDS) como Daniel Mota (Narciso Mota/PH) estão igualmente aptos para desempenhar o cargo. 
Duas notas finais para desmitificar alguns preconceitos: 
1. o eleitorado de Meirinhas sabe escolher. Há quatro anos uma percentagem considerável de eleitores votou no candidato do PSD para a Câmara e no do PS para a Junta, caindo por terra a ideia da partidirite aguda. 
2. O que a Rádio Clube de Pombal está a fazer é verdadeiro serviço público, numas circunstâncias também diferentes, nestas eleições: os cidadãos estão mais politizados, mais esclarecidos, e mais disponíveis para participar na acção política, como se comprova. Estes debates estão a ser transmitidos no facebook e assim são vistos por milhares de pessoas, num processo de democratização louvável. É verdade que isso tanto pode desaguar numa maior participação nas urnas como num aumento da abstenção. Quero acreditar na primeira hipótese.
E hoje o debate é com os candidatos à Junta do Louriçal. Promete.

20 de setembro de 2017

Era um debate?



O que deveria ter sido um debate entre os candidatos à Câmara, ontem à noite, foi um sofrimento. O mais fácil seria discorrer sobre a prestação dos oito candidatos e concluir que, quem cá mora, tem razões sérias para ficar preocupado com o futuro, ganhe quem ganhar. O óbvio seria apontar  a pose arrogante de Diogo Mateus (PSD), a inabilidade crónica de Narciso Mota (agora independente), a insegurança de Gonçalo Pessa (BE), a assertividade de Sidónio Santos (CDS), a insistência de Fernando Domingues (CDU) a vontade de Pascoal Oliveira (MPT), a desadequação de Amilcar Malho (independente), a condescendência de Jorge Claro(PS). Para mal dos nossos pecados, a iniciativa (louvável, nos tempos que correm, perante a debilidade em que vivem as rádios e os media, em geral) não chegou lá. E é doloroso constatar a forma como regredimos, tão bem espelhada no Teatro-Cine, ontem à noite, a começar pelo palco e a a acabar na assistência: os mesmos, com as mesmas camisolas, que durante 20 anos aplaudiram aquele mesmo discurso de Narciso e seu concelho-charneira, são agora os que o apupam, que se riem do que diz. É bom que Diogo ponha as barbas de molho. Se eu não tivesse assistido aos últimos 24 anos da vida política local, nunca acreditaria nisto. 
Sendo assim, o que sobra? um concelho envelhecido, sem qualquer estratégia de renascimento, refém do caciquismo, agora dividido entre aqueles que querem segurar (ou alcançar) qualquer interesse e os anseiam recuperar o que perderam, seja isso poder ou emprego. 
Não houve um único momento de debate ao longo da fastidiosa noite. Diogo Mateus sentiu-lhe especialmente a falta. Tanto que abriu o microfone as vezes que lhe apeteceu (sem nunca ser advertido por isso).
Por último, mas nem por isso menos importante,  uma nota para os milhares que assistiram, partilharam e comentaram o debate, organizado pela 97FM Rádio Clube de Pombal e transmitido em directo pela Pombaltv. Isso diz bem do interesse que estas eleições - especialmente o duelo entre Narciso Mota e Diogo Mateus - despertaram no eleitorado. Temo que, depois de ontem, a maioria se remeta ao desprezo pela acção política. Para nós, aqui na terra, é como dizia o poeta Manuel António Pina: "Ainda não é o fim nem o princípio do mundo. Calma, é apenas um pouco tarde".

30 de junho de 2015

O estranho caso dos rapazes que querem mudar o feriado municipal para a segunda-feira do Bodo

foto: Pombal Jornal

Diz a imprensa local que a JSD apresentou ontem, em plena Assembleia Municipal, uma proposta tão bizzara quanto a exposição dos burros: mudar o feriado municipal, de 11 de Novembro, para a segunda-feira do Bodo. 
Tenho resistido a comentar tonterias. Mas a Assembleia Municipal ainda me parece um órgão sério - e pese embora todo o meu desencanto, por ter esperado 20 anos pela mudança que afinal não chegou - quero acreditar que prevalece uma réstia de bom senso. 
A mim não me choca que os rapazes sejam irreverentes, desde que não confundam a mesa do Red Line, da Cervejália, da Capital ou de outro qualquer com a bancada da Assembleia Municipal. 
O Bodo não é - nem nunca foi - uma festa concelhia. A maioria das freguesias não se revê nela.
Mas para tirarmos as teimas - e acabar com este episódio de manifesto umbiguismo, em que se confunde a árvore com a floresta - eu voto a favor de um referendo, já que chegámos aqui. Já que o presidente da Câmara propõe um amplo debate.
De resto, vale a pena perceber o que diz o povo, nas redes sociais...

29 de junho de 2013

O mapa judiciário em debate

Apesar de a minha opinião não ser isenta, quero salientar a pertinência do debate “Mapa judiciário e acesso dos cidadãos à justiça”, promovido pela CDU/Pombal e que decorrerá hoje, pelas 16h30, no Mini-Auditório do Teatro-Cine. O tema está na ordem do dia e Pombal tem tudo a perder com a proposta que o governo tem em cima da mesa. A drástica diminuição de competências do tribunal de Pombal tem como consequência directa o reforço do sentimento dos cidadãos quanto ao afastamento da Justiça e contribui, a curto prazo, para o esvaziamento demográfico do concelho.

Narciso Mota está convencido que, no futuro, será lembrado pela quantidade de betão que gastou nas suas obras. Ilusão! Mantenha-se ele à margem das questões que, de facto, têm relevância estratégica para o nosso concelho e a História encarregar-se-á de o lembrar como Narciso I, o despovoador.

11 de dezembro de 2012

Síntese do debate

Na sexta-feira passada o Hotel Cardal acolheu, simpaticamente, mais um debate da série "Um café e uma farpa". Para a sua gerência, as primeiras palavras de agradecimento.

A nossa proposta consistiu em colocar à discussão do tema “Imprensa de Pombal: morreu ou mataram-na?”. Com o desaparecimento de “O Correio de Pombal”, essa discussão tornou-se pertinente pois, pela primeira vez em 100 anos, Pombal deixou de contar com um jornal de âmbito concelhio.  

As intervenções iniciais (de 5 minutos) ficaram a cargo de Alfredo Faustino, a quem coube defender a tese do “morreu”, e de Paula Sofia Luz,  que assumiu a defesa do “mataram-na”. Percebeu-se imediatamente que o tema proposto, mais do que potenciar conflitos, foi gerador de consensos.  Tanto os defensores da “morte matada” como os da “morte falecida”, para citar o Daniel Abrunheiro, concordaram no essencial. A prova disso foi que, já o debate ia longo, a Sofia – uma jovem aluna de Comunicação Social – iniciou a sua intervenção com “concordo com tudo o que foi dito até agora”. Mas tal não significa que a discussão tivesse sido morna ou desinteressante. Antes pelo contrário. Puseram-se os “nomes aos bois” e debateu-se com profundidade.

Durante  hora e meia de discussão, foi caracterizado o cenário e identificados os protagonistas do enredo. E foram várias as causas apontadas para o infeliz desenlace. Destaco as que me pareceram mais consensuais: a falta de profissionalismo na imprensa local; a pouca disponibilidade das empresas para apoiar financeiramente um projecto jornalístico; uma classe política com sérios problemas em lidar com a crítica; um crescente desinteresse dos cidadãos, especialmente dos mais novos, pelos jornais locais, privilegiando novas formas de acesso à informação. Tudo isto num cenário de um país em forte crise económica e num concelho com pouca massa crítica.

Mas a riqueza do debate não esteve na constatação da tragédia mas sim nos tópicos que convocaram a reflexão. Este período de nojo em que vivemos, para usar as palavras de Carlos Camponez, deve fazer-nos pensar na grande importância que pode ter a imprensa local. O nosso sentimento de pertença à comunidade necessita de um espaço que dê eco às pequenas notícias, às festas populares, aos resultados desportivos, para já não falar nas secções de necrologia, dos aniversários, do cartaz do cinema e das farmácias de serviço.

Precisamos de uma imprensa regional de qualidade, comprometida com as causas sociais da comunidade em que vive e que saiba recuperar as redes locais de identidade. Uma imprensa regional gerida com rigor, que aprenda com a experiência e erros do passado e não se deixe deslumbrar com cintilantes modelos de gestão, muitas vezes desadequados. E, já agora, com jornalistas na redacção.

7 de dezembro de 2012

Hoje à noite

Pouco importa se os rumores de renascimento são verdadeiros ou falsos. Oxalá sejam verdadeiros, a coberto de boas intenções. Para já, importa discutir isto: