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12 de fevereiro de 2018

De besta a bestial...ou de bestial a besta



1. Um dos momentos mais marcantes da última Assembleia Municipal aconteceu quando o ex-presidente da Junta da Guia, Manuel António Santos, usou da palavra a primeira vez, no dia em que encarnou o papel de líder da bancada do PSD, à falta de João Coucelo. Estava eu a assistir em directo àquele episódio e imaginei que iria assistir a uma intervenção de fundo sobre a Educação no concelho. Afinal, Manuel António tem responsabilidades na direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal, e um historial vasto nessa matéria. Mas não. Foi ali fazer a bajulação de Diogo Mateus e dos 100 dias da sua governação.  
É preciso recuar a 2014 para compreender o percurso de Manuel António, um trajecto em que passou de besta a bestial. Nesse que foi o ano de todos os reveses para o antigo autarca, viu-se obrigado a ir à AM explicar as contas da autarquia que acabara de deixar, por limitação de mandatos. Ao mesmo tempo, Diogo Mateus humilhava-o e ridicularizava-o naquele processo de constituição do conselho geral transitório do Agrupamento de Escolas de Pombal. Percebo hoje, com clareza, o que na altura não consegui ver: por vezes vale tudo para segurar um cargo. Assim se percebe que Manuel António tenha aguentado todas as investidas de Diogo Mateus (as queixas formais à Inspecção Geral da Educação foram só a face formal), e que tenha decidido começar fazer a vénia naquele momento em que aceitou integrar a comissão política concelhia do PSD, há dois anos. Isto depois de ter sido um dos que incentivou Narciso Mota ao regresso, atirando a pedra e escondendo a mão. Correu-lhe tudo bem, até agora, e foi já premiado com o lugar na fila da frente, na AM. 

2. Manuel António não falou sobre o ranking das escolas. Quem falou disso foi António Pires, que nesse 2014 era vereador da Educação, número 2 de Diogo Mateus, e que com ele fazia coro nas investidas contra Manuel António. Mas Pires fez o percurso ao contrário, passando de bestial a besta, como é bom de ver na forma como o presidente da Câmara o (des)trata. 
Sobre o ranking e sobre as figuras que o concelho faz nessa listagem, basta assistir a este vídeo. 
Quanto ao resto, a moral da história diz-nos que há sempre mais marés que marinheiros. 

7 de maio de 2015

Em nome do Oscar

Calou-se ontem uma das vozes mais incómodas do jornalismo em Portugal, da liberdade de expressão. Da Liberdade. Oscar Mascarenhas morreu, de ataque cardíaco, aos 65 anos. Deixou muito de si à imprensa portuguesa e um bocadinho também ao Farpas, quando, em Janeiro de 2014, fez o favor de me esclarecer a propósito disto.
Na edição de hoje do DN, o camarada (de sempre) Ferreira Fernandes escreve-lha uma doída homenagem, que vale a pena replicar aqui - afinal, o Oscar travou uma luta contra os anónimos e deles dizia muito do que penso, também: escrever é dar a cara. Por isso mesmo, aqui fica a crónica, para memória futura.

Doeu, mas está tão bem escrito...

Um dia, ele contou-me que o pai, médico, recebera uma carta, que abriu, levou os olhos ao fim do texto e, não tendo encontrado assinatura, rasgou-a e deitou ao lixo. "Uma carta anónima não se lê", ensinou o pai a Oscar Mascarenhas, ensinou-me ele em conversa, como ensinou a muitos, nas redações dos jornais e nas escolas. O Oscar era altivo a falar e quem nisso só visse arrogância perdeu, talvez, boas lições. Perdi algumas, mas aquela, não. A carta anónima não foi mero episódio, era a convicção duma vida: escrever é dar a cara. Aqui, no DN, Oscar Mascarenhas liderou um combate contra a irresponsabilidade (passe o pleonasmo) dos comentários anónimos no online. E não era ver o argueiro nos olhos dos outros: não conheço jornalista português que mais tivesse criticado os seus próprios camaradas. Criticava por amar demasiado o que fazia: "Digam-me uma só profissão que se autocritique em público tanto como a nossa!", desafiava. Um risco, porque ele viveu estes anos em que o jornalismo tarda em renascer. Ele conhecia esse desânimo, o que, por vezes, o levava a usar como arma de espadeirada o florete com que esgrimia a língua portuguesa. Era um polemista temível - de quem o fustigado, se conseguisse ser justo depois de tamanha coça, deveria dizer: "Doeu, mas está tão bem escrito..." Disse-me, ontem, de longe, uma pessoa querida: "Ele deu-me o CD da verdadeira música da pesada quando eu só pensava em rock. Era Wagner."

4 de outubro de 2011

Touradas

Veja-se o que aconteceu em Penela, depois de já ter acontecido em Viana do Castelo (por isso é que votei no Defensor) e em Sintra. Se Pombal fosse o 4º concelho do país a tomar igual medida, eu ficaria orgulhoso. Mas sinceramente, não tenho qualquer expectativa de uma tal audácia. É mais fácil aparecer na festa e saudar os populares, "ajaezados à andaluza".

5 de novembro de 2010

Nas bocas do mundo

Numa semana em que se torna cada vez mais evidente que vivemos num país sem futuro, deparei com três referências à nossa terrinha que gostava de partilhar convosco. Afinal, pode haver "vida para além do deficit".

A primeira foi a da existência de um "Fado Pombal". Sim, tal e qual! O seu autor é o grande José Mário Branco que o escreveu para ser cantado pelo Camané. Este, numa entrevista ao Público, justificou: "a música tem uma terminação que soa um bocado a fado de Coimbra, mas como não é fado de Coimbra nem fado de Lisboa, embora seja inspirado nos dois, ficou intermédio: Pombal."


Esse facto não
parece ter comovido o novo guru português da auto-ajuda, Daniel Sá Nogueira (ele há cada cromo!). Em entrevista ao jornal I confessou que, depois de ter nascido na África do Sul, "enfiaram-me me no Pombal que, se ainda hoje não é uma cidade de referência nacional, há 20 anos era o fim do mundo". Por acaso, fiquei com pena que não o tivessem enfiado noutro lugar qualquer.

Como não há duas sem três, deparei-me com a existência de um mochila portuguesa, de grande qualidade, com a referência "Sicó", numa clara homenagem à nossa região e ao seu potencial turístico.


Com mochila e fado, acho que não precisamos de auto-ajuda para acreditar nas potencialidades da terra. Pena é que os nossos eleitos se esforcem tanto para nos fazer acreditar no contrário.

6 de agosto de 2010

O exemplo de Ansião, II


Ansião já tem um parque verde.

Ansião já tem um parque verde que foi inaugurado esta tarde. E a Câmara tem um Gabinete de Comunicação eficiente, que manda informação ao minuto.

19 de novembro de 2009

Ponto de ordem

Para não estar a usurpar espaço aqui do Farpas deixem-me só, enquanto parte interessada, deixar a ligação para um "ponto de ordem" que fiz sobre a vacinação da Gripe A e as recentes notícias de fetos mortos.