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15 de maio de 2026

Até na propaganda, Pedro!

Por desinteresse não acompanho a realidade política de Ansião, mas pessoa amiga fez-me chegar o vídeo da celebração do Dia do Município. 

Por enfartamento (forçado), fiquei avesso à propaganda política, que actualmente é só imagem, forma e embrulho plástico dos poderes instalados. Mas há bons e maus embrulhos. E mesmo onde só há forma, ou só há embrulho, pode-se - deve-se - aportar nível (conteúdo).

Ansião – uma “freguesia” ali do meio-interior - mostra a Pombal como se faz comunicação institucional (propaganda), simples - sem nada de notável ou extraordinário - e com algum nível.

Custa acreditar que até nisto estejamos a ficar para trás – e para trás dos supostamente mais desfavorecidos! Até nisto Pedro; até no teu “métier” nos serves zurrapa.   

https://www.facebook.com/reel/956167063921576

4 de março de 2026

Estratégia? Não. Propaganda barata

O doutor Pimpão levou à última Assembleia Municipal três Planos Estratégicos para responder à recente calamidade – três cardápios mal-amanhados de intenções, migalhas e miudezas, elaborados à pressa, sem método (juntando palpites), sem critério e sem consonância, destinados à exibição e frenesim mediático. Para amanhã, está marcada a sua apresentação pública!



O doutor Pimpão é, com certeza, o autarca que mais Planos Estratégicos apresentou e fez aprovar. O que atesta o contrário daquilo que ele quer afirmar: a ausência de Estratégia, porque quando tudo é estratégico nada é estratégico. E porventura não precisaria de uma qualquer estratégia, bastar-lhe-ia fazer o óbvio - o que num contexto de calamidade se torna indispensável. Mas não, a vaidade da encenação e da subordinação de toda a acção à propaganda está-lhe na epiderme, é o seu oxigénio político. 

Para alguns autarcas, a recente calamidade é uma oportunidade com bons potenciais proveitos… Mas para quê enfastiar os infortunados com a banal mediocridade da teologia evangélica do renascer se as pessoas só precisam de (o regular) viver?

9 de janeiro de 2026

Câmara internaliza Manuela Frias

O doutor Pimpão decidiu “internalizar” os préstimos da escriba Manuela Frias, diretora-dona do jornaleco da terra. É um bom-acto de gestão, para ele, e para ela, em todas as dimensões…



Para o munícipio seria coisa neutra se a “internalização” implicasse, como sempre acontece nestes movimentos, o cancelamento da anterior prestação de serviços. Mas isso não acontecerá, porque há mais bocas a alimentar, e o doutor Pimpão não é menino para deixar gente útil insatisfeita ou insaciada.

Assim, no final deste movimento de peças, alguns invejosos e algumas madalenas-arrependidas carpirão injustiça, imoralidade, falta de ética e de carácter, mas rapidamente tudo retomará a normalidade reinante, típica do borbulhar da fermentação pestilenta.  

24 de dezembro de 2025

Um “belíssimo” retrato

Para ilustrar a última reunião da “junta”, os profissionais da propaganda municipal (presidente e ajudantes) resolveram tirar e publicar um retrato que ilustrasse a reunião e a realidade subjacente (aos seus desígnios).

Sim senhora! Revelam surpreendente habilidade. 



31 de julho de 2024

Ainda a sessão sobre o Marquês

O gabinete de comunicação (propaganda) do município, ou o próprio propagandeado, emitiu uma nota sobre o conteúdo da sessão de apresentação pública do 1.º Volume da Obra Completa Pombalina. Gente normal faz coisas normais;… 

O normal – o expectável – seria fazer uma nota sobre o que de mais relevante tinha sido dito na sessão, pelos oradores convidados, os ilustres Guilherme Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (coordenador científico da Obra). Mas não. A nota cita unicamente o longo rol de banalidades debitadas pelo dotor Pimpão, e destaca a mais tonta das suas ideias: construção de um grande Museu alusivo ao Marquês de Pombal. Já não estamos só no domínio da mais indecorosa propaganda; estamos no domínio do delírio. Um delírio que é preciso “matar” rapidamente; senão ele acredita na tonta ilusão, julga-a virtuosa porque não é contestada, e depois teremos mais um problema grave - mais um elefante branco… Que Deus nos acuda e pare este lunático, que nós não somos capazes.



Há muito sabíamos que estes tipos de eventos não se destinam a um qualquer público ou à divulgação da obra ou do pensamento dos convidados. Há muito sabíamos que o único fito destes eventos é a promoção do dotor Pimpão, através de um circuito de retroalimentação bem conhecido, sem qualquer consideração pelo público e pelos  convidados mais ou menos ilustres.  

Às vezes faço (fazemos) um esforço para poupar o Pedro, nomeadamente nos seus momentos de eufórica felicidade, como agora. Por isso, e por respeito às individualidades convidadas para a dita sessão e pela valia das suas intervenções, no post anterior, resolvi ocultar a tola intervenção do Pedro, mas a realidade é a que é e não há como fugir dela.

Decididamente, o maior “inimigo” (político) do Pedro é ele próprio, a sua avidez por cumprir-se. Há pessoas que são assim, vivem nesta sofreguidão, consomem-se e deixam-se consumir pelas suas ilusões. Se não estivesse como presidente da câmara, não vinha mal nenhum ao mundo o Pedro ser assim... 

13 de dezembro de 2023

Episódio da burlesca ilusão

A Associação Portuguesa de Imprensa atribuiu ao Município de Pombal – ao dotor Pimpão - o Prémio Promoção da Imprensa. No caso, Promoção na Imprensa. 

No mundo da burlesca ilusão (da mentira) tudo o que a serve vende-se (e compra-se) sem freio. Mas não há nada mais enternecedor que um náufrago agarrado a uma bóia furada em águas revoltosas.

29 de junho de 2020

Pés-de-micro


Todos sabemos que a imprensa regional é muito vulnerável face ao poder político. O facto das Câmaras Municipais serem os principais anunciantes locais tem favorecido relações de subserviência que em nada prestigiam jornalistas e políticos. No caso de Pombal, esta situação é particularmente grave e o Farpas, em 2012, colocou à discussão o tema “Imprensa de Pombal: morreu ou mataram-na?” num dos seus primeiros debates públicos. 

Não vou repetir o que já dissemos aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui. É triste constatar que, com o passar dos anos, nada se tenha aprendido. Mas, depois da recente entrevista de Diogo Mateus à Rádio Cardal, não posso deixar de voltar ao tema. Por muito respeito que me mereçam os profissionais da rádio, aquilo a que assistimos não foi a uma peça jornalística; foi um exercício de auto-promoção do presidente da Câmara com a conivência do seu entrevistador. 

Um presidente da Câmara que use a comunicação social a seu bel-prazer,  fazendo uso da sua posição dominante para aniquilar o jornalismo livre, não respeita a democracia. É um déspota. Um jornalista subserviente, que não confronte os seus entrevistados, permitindo sistematicamente que eles digam o que bem lhes apetece, não cumpre o seu papel. É um pé-de-micro. 

6 de abril de 2020

Pornografia mediática


Vivemos - uns mais, outros menos - tempos de angústia, medo, tristeza e dor. Tempos que deveriam exigir a todos contenção, descrição, pudor e decência. O cidadão comum tem sabido levar a coisa. O que destoa mesmo é a sistemática pornográfica mediática dos nossos políticos - em fotos, vídeos, reportagens, entrevistas, comunicados, aparições, etc.
Ainda a publicidade e a propaganda política davam os primeiros, já Abraham Lincoln – esse enorme político – afirmava que “o que mata uma doninha é a publicidade que faz a si própria”, e um grande publicitário afirmava que “uma grande campanha publicitária fará um mau produto fracassar mais rapidamente”. 
Se se escrever direito por linhas tortas, do mal o menos!

23 de fevereiro de 2020

CMP entrou para Guinness

O gabinete de propaganda da CMP publicou na página do município no Facebook 81 fotografias dos vereadores&afins, no desfile de Carnaval. Não é engano, caro leitor; não são 8 nem é 1, são mesmo 81! É recorde mundial!

Agora diga-nos, caro leitor: há vereadores mais risíveis que os da CMP? E qual lhe parece o mais risível? E a mais fofinha?



23 de novembro de 2017

A insustentável leveza da transparência


A Câmara de Pombal faz um brilharete no todo regional (e nacional) no que respeita à transmissão, em vídeo, das reuniões públicas. O Farpas agradece, a população também deveria agradecer, tal como os media locais, que poderiam fazer grande número com o feito, bastando que trabalhassem o que resulta desta plataforma. E é muito. Diogo fá-lo porque sabe que joga em vantagem, que é dono e senhor da estratégia, da táctica, do exercício retórico, e - mais importante de tudo - da forma como comunica, fazendo uso certeiro de todo o tipo de expressão, mais ao menos a antítese do que acontece no filme 'O Discurso do Rei'. Aqui, o nosso monarca é muito mais razão do que emoção. E é dessa sua característica que decorre a escolha dos ajudantes. São escolhas à partida incompreensíveis para quem analisa a postura superior, acima da plebe. Mas basta descascar essa laranja para alcançar a explicação: há trabalho que tem de ser feito, preferencialmente pelos outros. Assim se percebe a tentação de serem, quase todos, mais papistas que o papa, tentando agradar para receber um louvor, um afago. Assim se explica que um falso avençado - com as funções de assessoria na área da comunicação - seja lesto a dar ordem à prestadora de serviços que é a  Pombaltv, ordenando que cesse a transmissão, como aconteceu naquela primeira reunião do executivo. 
Há colheres de chá que saem caras.

25 de outubro de 2017

Ode aos mensageiros da propaganda


"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade". A frase é normalmente atribuída a George Orwell por essa internet fora, mas terá sido dita por William Randolph Earst, proprietário de vários jornais e revistas, que de resto inspirou o filme "Citizen Kane", de Orson Welles. Elevar o nível é o mínimo que podemos fazer quando vamos citar o discurso de Diogo Mateus na sua tomada de posse, em que dedicou um minuto e dez segundos "aos órgãos de comunicação social" que acompanharam o último mandato.
Da ascensão e queda dos media em Pombal já reza a história, e Diogo Mateus tem capítulos reservados. Mas, por ora, não é desses que importa falar. Importa antes sublinhar como interpreta o papel dos órgãos de comunicação no exercício da democracia. Na verdade, tem a imprensa que lhe dá jeito, que não levanta ondas nem questiona, que não publica uma linha que belisque ou comprometa o "bom relacionamento", que prefere desempenhar o papel de mensageira, porque é muito mais cómodo. Ou alguém se lembra, nos últimos quatro anos, de qualquer "notícia" que não seja transmissão do que a Câmara disse, fez, ou pensa fazer, à laia de caixa de ressonância?
Retrocedemos muito, sim. Desde o tempo de Orwell ou Earst, quando Pombal ombreava com o resto do país, pela diversidade de jornais, isto para não irmos ao tempo do célebre "Cão de Fila". 
Diogo tem razões para agradecer, sim. Muitas. E o povo? Tem aquilo que merece, claro.

Adenda: Com uma imprensa desta, Diogo Mateus pôde dar-se ao luxo de promover a secretária Andreia Marques a Adjunta, e de mandar embora a adjunta para a comunicação, Alexandra Serôdio.

17 de outubro de 2017

O salvador da Pátria


Fotos da publicação "Notícias da sua Terra"

À hora em que o Primeiro Ministro falava ao país sobre a catástrofe que nos assolou a todos, já se apagara o fogo em Nasce Água, ali ao Grou, na União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca. Também já se apagara o outro, que consumiu a Mata do Urso, na freguesia do Carriço, mais umas casas de habitação. Estava igualmente extinta a maioria dos fogos que tornaram o dia 15 de outubro como o mais negro da história dos incêndios neste país. E enquanto António Costa e a sua ministra ardiam com mais intensidade na fogueira das tv's e das redes sociais - por considerar que o Governo não tem uma "solução mágica"para evitar novas tragédias - Diogo Mateus era elevado à categoria de salvador, em várias páginas, pois que se deixou fotografar assim, no meio da mata, em camisa branca e mocassins, no combate às chamas. 
Costa, a solução está aqui.

28 de setembro de 2017

O céu é o limite


A dois dias do final da campanha, eis que chegou hoje à estrada mais um camião - o de Narciso Mota. Afinal, é a ele que se deve esse símbolo maior das Meirinhas, que entrou pela primeira vez em acção nas eleições de 1993, quando um desconhecido aqui chegou e ganhou a Câmara para o PSD. Custa a crer que nessa altura o PS reinava com maioria folgada (de 5-2); que a sede de campanha de Armindo Carolino ocupava um andar no edifício dos Arcos, que havia brindes diversos, caravanas a fazer lembrar as que hoje conhecemos como "onda laranja". Tudo isso foi há muito tempo. Depois, o PS definhou e Narciso deu cinco maiorias absolutas ao PSD, pintando de laranja todo o concelho. Até que ficou azul, como agora se apresenta ao eleitorado, numa campanha que vive dele e para ele. Que não tinha necessidade nenhuma de fazer estes números deprimentes, de entrar no jogo infantil de contar cabeças e espingardas. Para isso já basta o regabofe de outdoors, as lonas que crescem de dia para dia, os carros a reproduzirem-se por toda a parte. Não haja dúvidas: há aqui dinheiro que nunca mais acaba. 
Talvez no meio da obsessão pela maioria absoluta - que tomou conta do exército laranja - não haja espaço para ver a linha que separa a comunicação da poluição, de como se revela obscena a quantidade de propaganda que todos os dias cresce e se multiplica. E depois há os manjares de Pedro Pimpão, as festarolas nas aldeias com febras e pinga, abrilhantadas não por Graciano Ricardo (o artista é um verdadeiro artista...) mas por outro ícone da cultura show business - Vânia Marisa.
Pobre povo o nosso, que em 2017 se sujeita a isto, embalado por duas cantigas.
Pobre povo o nosso, que veste a camisola conforme a situação, todo contente por ser figurante deste espectáculo. 
Daqui por uns anos, quando a história contar como se gastaram milhares nesta campanha, em que Pombal tem uma fatia curiosa, ficará o registo: não aprenderam nada com o Marcelo. E por isso, o resultado será outro...

13 de agosto de 2017

A privatização das festas do Louriçal


A organização das festas do Louriçal (a cargo de uma espécie de associação criada para o efeito pelo magnata António Calvete) tem vindo a progredir a passos largos na transformação das festas num evento privado, com o apoio da Junta e da Câmara (que contribui com dinheiro nosso para aquilo). Este ano a comissão deu um passo maior na prossecução desse objectivo, ao vedar por completo as festividades. Por exemplo, quem quer ir jantar às tasquinhas (a cargo de colectividades que usam o voluntariado dos seus dirigentes e sócios para servir às mesas e ainda pagam uma bela factura à organização) tem de pagar primeiro o respectivo ingresso (por 4 ou 8 euros por dia, conforme o artista) para poder entrar no recinto. O mesmo acontece com quem ir levar as crianças aos carrosséis, comprar uma fartura ou algodão doce. Nem se percebe por que razão foram as ruas enfeitadas, pois que as despiram de festa, privando o povo de a viver.
Para cereja do bolo, resta dizer que, até hoje, nos últimos quatro anos, ninguém prestou contas de qualquer edição das festas. Calvete diverte-se com os amigos nos bares, os políticos desfilam por lá no dia da inauguração, e enchem as mesas ao jantar. Neste domingo, havia espaço livre à hora de almoço nas tasquinhas, e ruas desertas na vila. Talvez a esta hora o presidente José Manuel Marques já tenha percebido que não há almoços grátis. Ou não.

1 de março de 2017

Que trata da reprimenda do Príncipe ao Pança

O Pança nunca remoeu a perda da pasta da propaganda. Vai daí, tratou de fazer a vida negra à escriba Serôdia e mostrar serviço na praça pública. Rivaliza aí com a primeira-dama pela láurea da defesa do Príncipe. Mas, como é destravado e talhado para a asneirola, quando se empolga, espalha-se; e, em vez de ajudar, prejudica. Informado disso, o Príncipe sentiu necessidade de conter os danos nesta fase crítica. Chamou o Pança para o admoestar.
- Senta-se, Pança – ordenou o Príncipe. Temos que ter uma conversa séria sobre o papel de um fiel escudeiro. Reconheço que tens sido um bom companheiro nos bons e maus momentos; e um servente empenhado no trabalho sujo de preparo das armas, na ajuda no campo de batalha e no enterro das vítimas. Mas, nos últimos tempos, usurpastes funções com pendências desnecessárias e penalizantes no campo da propaganda e da governação. Dize-me Pança: quem te manda meter nessas pendências, para as quais não estais preparado?
- Faço aquilo a que sou obrigado como fiel escudeiro: defender Vossa Mercê dos ataques dos inimigos – respondeu, magoado, o Pança.
- Hás-de compreender, Pança – avisou o Príncipe –; que as pendências que de onde não se pode sair bem delas, não se deve entrar, porque a valentia que entra por temeridade é mais loucura que fortaleza.
- Percebo, Senhor – anuiu o Pança. Mas o exercício de proteger Vossa Mercê, que abracei com paixão, não me deixa ficar quedo, não sou capaz de ver Sua Alteza ser atacado e não dar na cabeça a essa gente.
- Não percebeis – alertou o Príncipe – que andais a dar troco a gente plebeia e ordinária, que deve ser ignorada ou desterrada deste condado cristão.
- É verdade o que dizeis, Senhor meu Amo. Mas a vossa Dulcineia também o faz – observou o Pança.
- Cala-te, Pança – sentenciou o Príncipe, com voz muito desmaiada —; cala-te, repito, e não digas blasfémias, e não te compares a uma Senhora letrada e distinta que sabe como conduzir uma polémica com astucia e eficácia - rematou o Príncipe.
- Não estou para responder, nem para ofender — tornou o Pança. Estou só a observar o que os meus olhos vêem todos os dias…
— Ó homem que tens mais de bruto que de pessoa de juízo, cala-te — tornou o Príncipe, exaltado. Não vedes que para te meteres em polémicas com letras é preciso ter caneta. Não reparas, desgraçado, que se virem que és um vilão grosseiro, ou um mentecapto divertido, pensarão que eu sou algum ichacorvos ou algum Príncipe de empréstimo? Irra; que não percebes!
-Não se agonie Vossa Mercê comigo — tornou o Pança — que me não criei na corte, nem estudei em Coimbra, para saber se aumento ou tiro alguma letra aos meus vocábulos. Valha-me Deus! Parece que falo com o rabo…
- Com a boca ou o rabo, é o mesmo… Quando a cólera se apodera de ti, não há quem te segure a língua, nem há freio que a corrija – disse o Príncipe.
- O senhor aí não me dá exemplos – contrapôs o Pança.
- Andais a pôr-te a jeito, Pança. Mas olha que ainda agora, por muito menos do que fazeis e me dizeis, despedi um mandatário. Se não ganhais juízo, ponho-te a andar…- rematou o Príncipe em tom de ameaça.
O Pança, com a raiva a subir-lhe do coração à cabeça, pensou mas não o disse: - desventurado escudeiro que serve fidalgo vicioso com alma de cântaro. E saiu amachucado e cabisbaixo.

                                                                                                                        Miguel Saavedra

8 de abril de 2016

O rastreio das crianças

foto: EPIS

Passou ontem na TSF esta reportagem sobre o programa EPIS (da homónima associação de empresários para a inclusão social). Já aqui falei sobre o tema, já disse publicamente aos senhores coordenadores e autarcas o que acho daquilo, da invasão de privacidade expressa naqueles inquéritos.No ano passado a coisa correu mal na cidade. Na EB1, entre a centena e meia de alunos, apenas dez pais acederam ao desafio da autarquia, no resto do concelho a adesão passou pouco dos 60%. Ora, se o programa é assim tão bom, se os resultados são tão espectaculares, fico sempre intrigada com o facto de apenas os municípios de Pombal, Figueira da Foz e Pampilhosa da Serra aderirem ao dito. Há pelo país uns 360 que ainda não descobriram esta pólvora. Outros há que apostam numa política de criação de actividades desportivas e lúdicas, que asseguram a igualdade de oportunidades que a escola pública nem sempre dá. O outro Diogo desta história (director-geral da EPIS), diz que ainda estão à procura "do grande resultado quantitativo e estatiscamente relevante".
Ouvi com toda a atenção aqueles minutos de rádio, gravados há coisa de um mês. Martelam-me na cabeça as palavras "rastrear" e "sinalizar". Parece que a Câmara de Pombal (através da equipa que criou para assegurar o EPIS) já "rastreou 1070 crianças". Diz o presidente que a ideia é chegar "aos que são mais pobres, mais vulneráveis". E depois "trabalhar os jovens e a sua capacitação para o futuro". O conceito é este, e quanto a isso estamos conversados. 
São os princípios que me incomodam, os meios que tão-pouco sabemos se vão justificar os fins. nessa óptica da caridadezinha aplicada à escola, que só tem paralelo no que se anda a passar em alguns estabelecimentos da cidade, onde a percentagem de crianças carenciadas é elevadíssima. Num gesto caridoso,  há pão para "os meninos pobres". E isto é dito assim, a todos.
Ora aí um bom tema para reportagem, para quem ousar fazer "caminho paralelo".