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19 de maio de 2025

Chega? Ainda não.




Quem se senta numa qualquer esplanada de Pombal e ouve as conversas, quem anda na rua, quem entra no comércio, quem aqui vive, não acordou hoje surpreendido com estes resultados. Estamos (finalmente) em linha com a média nacional no que toca aos votantes no Chega, embora aqui tenhamos começado com avanço. Estão em todo o lado, em todas as comunidades, em todas as famílias. Juntos, formam um bolo que cresce à custa de vários ingredientes: há os saudosistas do fascismo e das colónias, admiradores de Salazar, mas há também muitos que não sabem sequer o que é a ideologia. São apenas revoltados com a vida que lhes calhou em sorte, gente que noutro tempo encontrava em partidos de esquerda uma âncora, que votava neles em protesto contra aquilo que - achávamos nós - era a Direita. Juntemos ainda os desiludidos com outras ideologias. É desses todos que o astuto Ventura se alimenta e cresce, falando-lhes ao jeito, dando corpo àquilo que o escritor Vicente Valentim chamou em livro "O Fim da Vergonha". Porque até há pouco tempo, tinham vergonha de dizer que pensavam assim. Mas isso acabou. Da próxima vez, não haverá pudor em dizer às empresas de sondagens o verdadeiro sentido de voto. E nessa altura o partido terá de arranjar novo bode expiatório. Por agora, descansem: o Chega diz que não vai atrás de ninguém. Isso será depois. 

A ironia desse voto de protesto num partido de extrema direita que, afinal, normalizámos, é que está assente naquilo que condena: o 25 de Abril, a Constituição, a liberdade. Ao mesmo tempo, vão desaparecendo do mundo dos vivos os que sofreram às mãos da ditadura. A escola falhou em toda a linha quando não explicou o que era e como aqui chegámos, e escusam de pensar nas famílias porque essas estavam muito ocupadas a ganhar dinheiro, umas para enriquecer, outras, muitas mais, para pagar a casa, o carro, as contas do supermercado. Não sobrou espaço para nada, tão pouco para o envolvimento cívico, muitas vezes sequer para votar. A maioria nunca foi a uma assembleia de freguesia, ou mesmo a uma assembleia geral da associação da terra. Alguns nunca tinham votado. Chegados a 2019, eis que um homem se anuncia como o Messias para salvar Portugal. Nessa noite eleitoral em que foi eleito pela primeira vez, André Ventura profetizou que em oito anos seria Primeiro-Ministro. E esse é o próximo passo. Talvez não seja má ideia que isso aconteça rapidamente. Às vezes o povo precisa de terapias de choque. As primeiras vão surgir já nas eleições autárquicas.

Mas voltemos a Pombal. Sem surpresa, o PSD (ok, chamam-lhe AD) ganha, com ligeiro aumento de percentagem e número de votos. Mas está longe da supremacia de outros tempos na maior parte das freguesias, com o Chega a morder-lhe não só os calcanhares como a disputar eleitorado. Há pouco mais de uma década o PSD ganhava em diversas freguesias entre os 70 e os 80% dos votos. Agora, restam-lhe as freguesias de Abiul (54%), Carnide (56%) e Meirinhas (50%) para brilharete. O Chega atinge ou supera os 25% de votação em várias (Meirinhas, Vila Cã, Carriço) e no resto anda entre os 20 e os 25%, números que, aqui, o PS deixou de alcançar há muito. O PS: já nas eleições de 2024 ficara atrás do Chega, mas desta vez ficou reduzido a menos de 15% dos votantes. Pouco mais de 4.200 votos. O mal menor acontece na malha urbana (freguesia de Pombal), onde a AD tem a sua vitória mais magra. 

Uma nota final para a realidade paralela em que parecem viver os nossos actores políticos: Pedro Pimpão veio às redes dizer ao povo que faça "a sua análise", "as suas reflexões" e que tire "as respectivas conclusões". Partimos do princípio que também vai fazer as suas. 

Porque o Chega não é o companheiro fofinho que o PS foi para o poder nos últimos anos. 

11 de março de 2024

Eleições Legislativas – resultados e consequências

1 – A AD (o PSD) ganhou

A AD ganhou porque tinha de ganhar… Os astros (PSD, PR, PGR, PS, Media, e CDS…) alinharam-se para esse fim. Não é uma vitória com sabor a derrota porque sabe bem à maioria conjuntural o afastamento do PS do poder. Mas é uma vitória forçada, arrancada-a-ferros, que pelas suas contradições e frágeis condições políticas dificilmente corporizará uma alteração significativa dos status e responderá às expectativas dos descontentes.


 

2 – O PS perdeu

O PS perdeu porque tinha de perder… - cumpriu-se o que estava escrito nas estrelas. Mas no final da noite eleitoral chegou a pairar o improvável: a vitória do PS. Teria sido um mau fim para este ciclo político, tanto para o PS como para o Regime. O PS precisa de uma cura de oposição, de fazer mea-culpa dos seus erros e a síntese dos seus importantes sucessos, a fim de reassumir rapidamente o seu preponderante papel na política nacional.

3 – O Chega triunfou

O Chega triunfou, e provocou um pequeno terramoto que abalou todos, de uma ponta a outra do Regime, com fortes ondas de choque no centro-direita, e na esquerda.

Ao contrário do que muitos afirmam, o Chega não é um verdadeiro partido de extrema-direita, falta-lhe substrato ideológico, é essencialmente um partido populista, de protesto, que é muito eficaz a aglutinar descontentamento, mas sem perfil de poder – é de contra-poder. Até há pouco, foi um problema eleitoral e de poder para o centro-direita; nestas eleições foi um problema eleitoral para a esquerda, comeu eleitorado tradicional da esquerda a sul. Enquanto for liderado por A. Ventura – um demagogo extremo -, e a conjuntura lhe for favorável, vai ter sucesso eleitoral e mediático. 

4 – A IL e o BE falharam

Dois opostos que, numa conjuntura que lhes era favorável, falharam: a IL falhou a afirmação; o BE falhou o renascimento. Enfrentarão ambos tempos difíceis. Nos próximos tempos, a IL jogará a sua sobrevivência, tenderá para a desagregação. O BE resumir-se-á ao nicho onde se acantonou (Ideologia de Género e LGBT).

5 – O PCP mumificou  

O PCP secou e mumificou, por erros próprios e pelos ventos dos novos tempos. Custa ver o partido de Cunhal entregue a estas fracas figuras. Mas as coisas são como são: o igualitarismo levado ao extremo leva à mediocridade completa.

6 – O Livre brotou

O Livre é um epifenómeno metropolitano programaticamente inócuo que não resistirá à próxima intempérie.

7 – O PAN

O PAN não adianta nem atrasa - irrelevante.

8 – O Regime

Nestas eleições, todo o Regime foi a jogo e saiu combalido. Diria, até, que foi derrotado pelo povo. Os partidos de poder (PS e PSD) perderam influência e poder. A Presidência da República perdeu poder e legitimidade (se Marcelo tivesse a dignidade de Sampaio, perante a situação política criada, renunciava). A Justiça fragilizou-se ainda mais… O dito quarto poder (media) perdeu por simpatia e má figura.

9 – O populismo

O populismo medrou muito, mais à direita que à esquerda. E vai continuar a medrar porque a realidade socioeconómica de toda a EU é terreno fértil para o discurso demagógico e de protesto.

10 – Líderes partidários – vencedores e perdedores

Destas eleições (só) saiu um vencedor: André Ventura (facto que não carece de explicação). A globalidade perdeu. Uns mais que outros, uns pelos resultados (em termos absolutos ou em função das expectativas), outros pelo enfraquecimento das suas condições políticas.

Luís Montenegro conseguiu uma vitória tangencial, mas o resultado e o quadro parlamentar saído das eleições deixam-no com poucos graus de liberdade para exercer os cargos de primeiro-ministro e de presidente do PSD. Em princípio, é líder a prazo. O “não é não” foi a sua mais ousada cartada política, que, ao contrário do que muitos laranjas pensam, pode ser muito valiosa para ele e para a coesão do próprio partido.

Pedro Nunes Santos perdeu, mas manteve intactas as condições políticas para liderar o PS e a oposição. Tem o perfil apropriado para líder da oposição - na noite eleitoral já o mostrou.

Rui Rocha perdeu nas urnas (em função das expectativas e circunstâncias) e perdeu capital político para se afirmar. Abusou no discurso neoliberal. E pior: levou uma cabazada do discurso conservador e corporativista. É líder a prazo.  

Mariana Mortágua perdeu nas urnas (em função das expectativas e circunstâncias) mas não perdeu as poucas condições políticas que dispõe para fazer crescer o partido. Manter-se-á à frente do Bloco.

Rui Tavares ganhou nas urnas mais três deputados, mas não passará de grilo falante de uma sociedade unipessoal inócua. 

Paulo Raimundo perdeu nas urnas e perdeu as condições para fazer política no parlamento – na verdade o PCP já as tinha perdido no último mandato com aquela fraquíssima bancada.   

Nuno Melo ganhou um balão de oxigénio para se manter ligado à máquina mais uns meses.

Inês Sousa Real não ganhou nem perdeu nada. Manteve o que tinha: o ordenado e as respectivas mordomias.

16 de fevereiro de 2024

Coisas de deslumbrado

Por princípio, não gostamos de publicitar nulidades ou excrescências, mas regra é regra e excepção é excepção.

Bem isto a propósito de uma criatura deslumbrada, João Antunes dos Santos (JAS), quarto na lista do PSD/AD às próximas legislativas,  que tem andado a solo num rodopio bacoco e inútil a incomodar instituições respeitáveis e a abusar da boa-vontade dos seus dirigentes; e que, vejam só, não saciado com os tais desvarios, resolveu fazer uma apresentação pública da “sua candidatura”, no Cine-Teatro. Não se enxerga. Nem o insofrido Pedro se prestou a tamanho ridículo!


O provável deputado é uma criatura difícil de caracterizar e descrever. É pedante. E medíocre (politicamente). Dos seus talentos ressalta a capacidade de sorrir sem cessar e piar como o pintassilgo.  Mas já se vê como grande entre os grandes da política e do regime. Não tem noção, coitado, que é simples figurante da romaria, que não acrescenta nem retira nada (nem um voto), tal a sua insignificância. É  uma criatura talhada para nos envergonhar, não para nos representar.

Adenda: aqui no Farpas, depois de rebolarmos uma pedra, repetimos frequentemente entre nós: a realidade (local) ultrapassa sempre a ficção. E cá temos o deslumbrado para o confirmar: não satisfeito com o patético acto da apresentação da “sua candidatura, resolveu lançar uma lista de apoio à sua candidatura! Aonde pode chegar o delírio!

31 de janeiro de 2022

Pombal ainda é laranja?




São muitos anos, muitas noites eleitorais a adormecer e acordar com os gritos de vitória que a ruidosa Jota tem na ponta da língua e solta aos megafones, abafando tudo à sua volta. E são muitos anos em que a estratégia resulta, veja-se como o poder se alimenta dela, e ela do poder, de Diogo Mateus a Pedro Pimpão. Nestas eleições legislativas, pressenti que alguma coisa estava fora do lugar. Isolada - como um milhão e 200 mil portugueses - acompanhei como espectadora atenta o final da campanha. Aqui no burgo, estranhava o silêncio e a falta de empenho na campanha, embora justificada à partida pela aversão a Rui Rio - que o eterno jovem João Antunes dos Santos lá disfarçou, em voltinhas várias (fora daqui), "o candidato da JSD".

 

Quando as sondagens - ah, as sondagens...esse elixir de bonomia para um líder que ontem à noite deixou cair a máscara - mostraram que o país podia virar à direita, que o PSD poderia regressar ao poder, então foi tempo de alguns se mostrarem, ainda que timidamente. Foi quando Pedro Pimpão se anunciou mandatário concelhio de Rio, revelando integrar a comissão de honra da lista de candidatos do PSD por Leiria, encabeçada por Paulo Mota Pinto, nosso ilustre presidente da Assembleia Municipal (agora eleito deputado por Leiria). Aconteceu a 26 de janeiro. Quatro dias antes das eleições.

 

No PS, estas eleições abriram mais uma fractura. Alguns membros da concelhia prometeram (e cumpriram) nem sequer fazer campanha, incomodados com a atribuição do lugar de "suplente" nas listas dado a Pombal. Uma nota para o deputado Joelito, que defendeu o seu posto de trabalho até ao fim, e por isso se apresentou todos os dias para fazer campanha, ao lado da candidata Carla Mariza Pereira, que não encontrou apoio na estrutura local.

 

Feito o enquadramento, o que nos dizem os números? Há três notas relevantes que vale a pena destacar:

 

1. O PS foi o partido mais votado nas freguesias de Pombal e na Redinha. Quando os dados foram revelados na Escola Secundária de Pombal (onde a Junta de Freguesia revolucionou a organização das mesas de voto, parabéns à presidente Carla Longo e à sua equipa), percebeu-se que seria uma tendência. Aliás, o PS cresce em todas as freguesias, correspondendo ao fenómeno nacional: perante a hipótese de ver a direita chegar ao poder, o eleitorado mobilizou-se para votar em António Costa e no PS, sacrificando o BE e a CDU. No Louriçal, onde o PS tem um dos seus melhores resultados (ficou a 50 votos do PSD), o Bloco ainda consegue ir ao 4º lugar. E ali, o Chega ainda pia fino - tem a mais baixa percentagem de todo o concelho, enquanto a CDU (PCP/PEV) tem a melhor percentagem, mesmo que isso signifique apenas 2.23% dos votos.

 

2. Carnide, Abiul e Meirinhas são os últimos bastiões do PSD - acima dos 50%, mas longe dos 80 que escrevi em muitas noites eleitorais. Porquê? Porque é aqui também que o Chega consegue as suas melhores votações, logo seguido da Iniciativa Liberal. E depois sobra ainda qualquer coisa residual para o CDS-que-Deus-tem. Vale a pena lembrar que, em Pombal, o partido ainda alcançou mais de 500 votos. Curiosamente, em Vila Cã, terra natal da presidente, Liliana Silva, quedou-se por expressivas 22 cruzes.

 

3. O distrito de Leiria pintou-se de rosa pela primeira vez. Era um bastião laranja. Pessoalmente, não acredito que a escolha dos cabeças de lista influencie grande coisa o resultado das eleições legislativas. Defendo antes que os eleitores escolhem nesta contenda o partido que melhor os representa, e mais, quem querem ver como Primeiro-Ministro. Desta vez, foi gritante. Ainda assim, António Sales foi uma boa aposta.

Lamento que Leiria tenha perdido um deputado como Ricardo Vicente, empenhado até à medula em diversas causas, em detrimento de um negacionista do colonialismo, e outros demónios. Felizmente, o Governo não precisará dele(s) para nada.

 E agora? Será que o PS/Pombal já percebeu que o eleitorado sabe votar? Ou continuará a atirar-lhe culpas em cada derrota?

 

10 de dezembro de 2021

As listas de deputados - do concelho charneira a Pombal feito num 8


 


O PS distrital aprovou ontem à noite a lista à Assembleia da República, que - sem surpresas - será encabeçada por António Lacerda Sales, Secretário de Estado da Saúde. Dias antes, já o PSD anunciara como cabeça de lista pelo distrito de Leiria um dos homens de Rio - Paulo Mota Pinto, que agora é o nosso presidente da Assembleia Municipal. Ora, como aqui vaticinou o Adelino Malho em post anterior, era de crer que o PSD local tinha tudo para se espalhar ao comprido, ao apostar numa infantil cartada como aquela de fazer anunciar a promessa João Antunes dos Santos: foi como a pescada - antes de ser, já o era. O que lhe sobrou foi, afinal, um 8º lugar na lista de deputados. Ora, seria preciso recuar ao tempo do Cavaquistão para sonhar com uma hipotética eleição. 

Do lado do PS, foi esse o lugar oferecido a Joel Gomes, o nosso Joelito, que deu uma de Pedro Pimpão em seu orgulho ferido (lembram-se das últimas eleições?) e recusou ir naquele lugar. De maneira que não vai em lugar nenhum. É claro que, à boa maneira do PS, a lista aprovada era apenas uma das três que apareceram. E em cada uma delas havia um nome de Pombal entre os suplentes, "à revelia" da concelhia. Uma chatice que doutora Odete considerou deslealdade, quando subiu ao palanque, na noite passada. Alguém lhe acuda, que está tudo contra ela...

Feitas as contas, estamos feitos num 8. Um oitavo lugar nas listas. Se no caso do PS é compreensível, pois que os resultados eleitorais não merecem mais do que isso nem podem reclamá-lo, já no caso do PSD é no mínimo estranho chegarmos a este estado. Não há memória disto nos ter acontecido na história da democracia em eleições livres. Vai-se a ver, o concelho charneira foi-se, de vez. 

ps: A excepção destas eleições em Pombal é Lina Oliveira, do BE, que ocupa o 2º lugar na lista de deputados por Leiria. 



8 de dezembro de 2021

Um PSD cada vez menos de todos e cada vez mais de Rio

A noite das facas longas chegou e aquilo que Rio gostaria de ter feito há 2 anos teve agora a liberdade para o fazer: escolher quem quer para posições elegíveis. Já o tinha começado nas últimas autárquicas, fecha agora com força a porta a quem não for yes-man.

Com isto, seca a oposição interna, os outros, porque os tira da política profissional e terão que se dedicar a outras profissões, visto que autárquicas só são daqui a 4 anos e não há grandes alternativas porque não é poder. Não sendo políticos profissionais deixam de poder fazer oposição de forma profissional e consistente. Vamos seguramente ouvir vozes de alerta aqui e ali, mas a falta de consistência dificilmente conseguirá mobilização alternativa.


Rodeia-se de uma geração mais velha, mais conservadora, e portanto com maior propensão para se segurar no poder do partido e disposta a aceitar benesses do partido no poder, desde que mantenha benefícios para este grupo. Comissão aqui e ali, mais uma nomeação etc. 


O partido ideológico, de massas, da social democracia desaparece definitivamente. Passa a dar lugar à estratégia política, à capacidade de negociação. Mais ainda, esvaindo-se a ideologia, cresce a importância da representação autárquica - quem irá mandar no partido serão os filiados autarcas, porque serão a única garantia de trabalho eleitoral e mobilizadora de votos.


A geração nascida na década de 80 é praticamente dizimada da lista para a Assembleia. Cristóvão Norte, Duarte Marques, Rui Cristina entre outros. Geração qualificada mas indicadora também do corte geracional.


Rio perdurará na liderança, tal como Portas no CDS. E todos sabemos o que aconteceu quando finalmente se cansou de ser o centro de decisão. Caso não consiga ser primeiro ministro manter-se-á na liderança por muitos anos reforçando a sua estratégia. Se conseguir ser eleito o “partido partido”, como diz Alberto Joäo Jardim, irá tolerar estas mudanças de centralização.


Por Leiria Paulo Mota Pinto substitui Margarida Balseiro Lopes (que apoiou Paulo Rangel depois de nas anteriores eleições ter apoiado Rio e a mudança paga-se caro). Troca-se a juventude e a paixão pela lealdade e senioridade. 


Esta mudança é positiva a Pedro Pimpão, que ganhou com grande expressão em Pombal e permite-lhe reforçar influência a nível nacional dentro do partido. Mesmo que na campanha autárquica tenha convidado Paulo Rangel para a “festa da ribeira” no vale da Sobreira, terá agora em Paulo Mota Pinto uma ligação directa à Assembleia da Republica e a Rio, que manda em absoluto no partido. Estrategicamente é bom para atração de investimento público para Pombal (mesmo que Rio não seja primeiro ministro porque vai conseguir negociar orçamento e a autarquização do partido trará assuntos desses para a mesa). Será desta que o estado investirá num centro logístico rodoviário? Um grande investimento do sistema permitiria garantir um legado sério para além da felicidade.


A simpática Margarido Balseiro Lopes sai. 


Como último acto enquanto deputada escolhe uma reunião de trabalho com: Aurélio Ferreira, o independente agora Presidente da Câmara  da Marinha Grande, o herói dos autarcas independentes, e deixa uma mensagem clara sobre o seu posicionamento. 


Margarida refere na sua mensagem de despedida: “Quem achar que a política se divide entre os bons e os maus presta um péssimo serviço à democracia.” Pois é, mas quem pensa assim é que manda agora.




11 de janeiro de 2020

Das eleições em Pombal


Quando muitos dos nossos autarcas menosprezam o valor da crítica e a nossa imprensa local mais parece um caniche inofensivo, vale a pena recordar o Cão de Fila

6 de outubro de 2019

Minha laranja amarga e doce

Os resultados eleitorais desta noite mostram que, afinal, não há muralhas de aço. Nem para o PSD. O partido continua vencedor por estas paragens, mas perde aqui alguns milhares de votos. Paradoxalmente, o PS - que ganha as eleições no país, mas perde no distrito de Leiria - não consegue capitalizar essa derrapagem: sobe mais de 7 pontos percentuais, mas isso significa apenas mais 1365 votos. Para onde fugiram, então, os mais de 4.200 votos perdidos (assumindo, generosamente, que há quatro anos, o CDS valia mais ou menos os 1200 votos de agora)? Uma boa parte há-de ter ido parar ao CHEGA - que tem em Pombal a mais expressiva votação do distrito: 1,82%, 431 votos, apenas menos 9 que a CDU. Já sabíamos que eles existiam. Mostram-se por aí, todos os dias, com os seus discursos de perigoso ódio. Mas vê-los vertidos nas urnas é outra coisa. Depois há o PAN. O que dizer, senhores?
O Bloco de Esquerda perde cerca de 100 votos no concelho. A coligação PCP/PEV também. Vale a pena assinalar aqui o resultado do partido no Louriçal (9,3%) onde João Pedro Domingues faz trabalho político constante, tirando do sério os poderes instalados. A nível distrital, Ricardo Vicente garantiu a sua eleição. O CDS desaparece. 
A penúltima nota é para os votos brancos e nulos: juntos chegam aos 6%. Um sinal curioso.
E a última é para o Pedro Pimpão: precipitou-se quando não aceitou ser o número 5 da lista do PSD por Leiria. Afinal, continuava deputado. 
Com este cenário, temos garantida a animação no reino laranja para os próximos tempos.

30 de setembro de 2019

Santo dia na câmara, maculado na ETAP

Hoje, foi um santo dia para os funcionários da CMP: a trupe dos políticos e assessores fez gazeta - foi trabalhar para o partido.
E maculado na ETAP, que foi politizada como nunca se viu, com a colaboração activa do director que se dizia anti-politização da escola; mas, agora, até para a fotografia de família posa!
Ao que nós chegámos!


6 de agosto de 2019

Política do eucalipto


A Concelhia de Pombal do PSD – Pedro Pimpão – veio, num longo comunicado, agradecer o que Pedro tem dado ao partido (localmente) e repudiar veementemente a sua exclusão (pela direcção nacional) da lista de candidatos às próximas eleições legislativas.
A concelhia de Pombal do PSD está cada vez mais igual à do PS: o mesmo (falso) unanimismo, a mesma política do eucalipto, a mesma canibalização.

PS: e o mesmo truque manhoso: não publica, na sua página, o comunicado, publica uma "notícia" do seu comunicado.

19 de julho de 2019

E a abstenção, estúpidos?

Que o regime (democrático) está doente poucos o negam; e ninguém o quer tratar. O afastamento das pessoas dos partidos e da participação política confirmam-no, nomeadamente nas eleições .
Há muito que os partidos deixaram de representar a sociedade, as profissões e as pessoas - as suas expectativas e interesses -; transformaram-se num charco onde só sobrevivem os aparelhistas (jotas e caciques) à espera de tachos ou honrarias, um ou outro predador de fraco gosto, e meia-dúzia de pobres de espírito.
O retrato local é deprimente, o do país não é diferente. Os mesmos aboletados do poder e os mesmos rufiões de espírito, cujo traço comum é a superficialidade, o oportunismo e a destreza para tecer as teias de aranha que os nutrem. Falta-nos uma classe política dotada da ousadia própria da consciência, capaz de afirmar ideias, de se ligar às pessoas e à sociedade.
A cegueira é muito rara nos indivíduos, mas nos partidos é regra. As listas de candidatos a deputados da Nação, que os principais partidos nos apresentam, em Leiria, ilustram-no: Cavaleiros(as) da Triste Figura com fome de celebridade ou das sobremesas da vida, que não representam nada nem ninguém; de que não se pode esperar nada, porque é perfeitamente inútil esperar.
Perante isto, em quem votar?
- No camaleão próximo do lusco-fusco mental? Na paraquedista feminista? No vaidoso cobiçoso? No dizedor de graçolas sem coragem para a libertinagem? Na noviça de retórica oca? No ex-jota aparelhista insaciável? No profeta do amor, da vontade e do optimismo vazio? Na aparelhista feminista? Na mensageira da mensagem beata? No controleiro que só serve para dar recados? Na esganiçada requentada sempre envolta em virilidades? No mal menor: no partido que provavelmente menos comprometa as suas condições de vida.


12 de julho de 2019

Afinal, qual é o verdadeiro amor do Pedro?


Nas últimas autárquicas, o Pedro fez repetidas declarações de amor a Pombal, aos pombalenses, aos amigos, à família, etc.; convenceu-nos (à maioria) que a sua paixão era sincera. Mas quando decidiu ficar por Lisboa a dúvida instalou-se… Ficámos agora a saber que a verdadeira paixão do Pedro – o seu interesse – é Lisboa (o Parlamento) e não Pombal: fez-se designar elegível por Leiria, em lugar seguro (3.º)! As opções do Pedro não são fruto das circunstâncias; são uma forma de vida. 
O Pedro é uma criatura amorosa - um polígamo político que ama todos por si - a quem se tolera uma traiçãozita. Se Rui Rio não o cortar – razões não lhe faltam - o Pedro ficará bem lá por Lisboa, junto da senhora luxuriosa, rica e majestosa, durante mais quatro anos, à espera de melhores dias. Talvez gostasse de ficar por cá, com os seus, mas esta terra não gera oportunidades, nem para rapazes como o Pedro. Ficará sempre com o consolo da amante provinciana para os escapes de fim-de-semana.
O Pedro está feito político: surpreendentemente saiu (parece ter saído) vitorioso deste jogo, jogando em dois tabuleiros, com muita manha e jogo de cintura.
Força Pedro, és um dos nossos, o Farpas está contigo.

5 de outubro de 2015

Síndrome do Estocolmo à moda de Pombal


Contados os votos, enquanto o país acorda para esta açorda em que está metido, olhemos então para o distrito de Leiria e para o concelho de Pombal.
Não admira que a galeria de fotos da PàF, na noite eleitoral de Leiria, seja dominada pelo híper-mega deputado Pedro Pimpão e todos aqueles que querem ser como ele, quando crescerem. Este é um concelho às direitas.
Porém, contudo...
A grande negociata eleitoral foi feita pelo CDS. Há quatro anos contabilizou 3.270 votos, enquanto o PSD somou, sozinho, 15.300 votos. Agora, os dois juntos convenceram (ainda assim...) 15.235 votos. É fazer as contas...
O Bloco de Esquerda - que nem sequer está organizado em Pombal, e que vê regressar à AR um grande deputado, por Leiria, que é Heitor de Sousa - consegue chegar também aqui ao lugar de terceira força política no concelho, duplicando os votos, enquanto a CDU se mantém na mesma, com os seus 500 votos, mais coisa menos coisa.
Quanto à abstenção, continuamos para bingo: somos os maiores, pois mais de metade não vota. E isso contribui para a leitura certeira que fazia, na rede, um dos milhares de pombalenses que teve de embalar a trouxa e zarpar, nos útimos quatro anos: Coligação 1 - Portugal 0.
E o PS? - perguntam vocês.
O PS local (e distrital) está mais ou menos como o nacional, para pior. Um artigo de Ana Sá Lopes, no jornal i, poucos dias antes das eleições, sintetizava muito bem aquilo de que o povo gosta, aquilo que o povo vê: "Quem vê as televisões, vê em Passos Coelho essa criatura radiosa, com as rugas disfarçadas. Quase que se poderia dizer que a coligação não se contentou com a maquilhagem: foi directa ao cirurgião plástico e tirou daqui e pôs ali. Pedro e Paulo, jovens e bonitos e amigos, são um prodígio por estes dias. António Costa está demasiadamente gordo, baralha-se com a maquilhagem e não sabe escolher os casacos."
Os números dizem que o eleitorado do PS mal mexeu, contribuindo apenas com cerca de 80 votos (a mais, em relação a 2011) para a subida dos 7.600 no todo distrital. Adelino Mendes falha a eleição para deputado. O que é pena. Conheço poucos com a sua capacidade de trabalho, e acredito que Pombal e o distrito perdem, também.
Eu bem dizia, no último post, que as sondagens não eram forjadas. Em Portugal sofremos de síndrome de Estocolmo. E só uma união da esquerda poderia contrariar este cenário a que chegámos. Mas, para isso, é preciso que o PS perceba primeiro se ainda é um partido de esquerda. 
Quando olhamos para as fotos da noite eleitoral em Leiria, custa a acreditar que o PSD/CDS tenham perdido 33.238 votos. Como questionava Rui Correia, resistente socialista das Caldas da Rainha, riem exactamente de quê?


2 de outubro de 2015

Aos que cá ficaram

Ao contrário do que dizem muitos dos que conheço, eu não acho que estas sondagens sejam forjadas. Acredito que a onda foi profissionalmente fabricada, numa campanha em que se chegou ao cúmulo de julgar as propostas do programa do PS (useiro e vezeiro em asneirar, nesta campanha) enquanto a coligação que nos (des)governou nos últimos anos passou entre os pingos da chuva. Ninguém melhor do que Pedro Marques Lopes traduziu tão bem o que nos aconteceu, desgraçamente, neste tempo eleitoral: "A coligação passou o tempo a anunciar que agora é que vai ser bom e confiou que as pessoas acreditam, mesmo sem lhes explicar qual é o plano. Escondeu o mais que pôde Passos Coelho (deve ser a primeira campanha em que não há cartazes com um candidato a primeiro-ministro) e concentrou-se no ataque ao PS. 
O Público de hoje retratou bem, num título e num texto, muito do que penso desde há quinze dias: "Coligação levada ao colo pelas sondagens mas sem onda na rua". E eu continuo a achar que as sondagens não foram forjadas. Há uma franja do país a quem a vida correu muito bem nestes últimos quatro anos, tão bem que fez engordar as estatísticas da riqueza de alguns em prol da miséria de muitos. Desses, tantos partiram. O cantar da emigração levou-me família e amigos como nunca pensei ser possível. Passados dois ou três anos, há meninos que perguntam todos os dias aos pais quando é que voltam para casa. Não voltam, mas ainda não sabem. Vejo todos os dias crescerem ao ritmo das sondagens as rugas na cara das avós, as mesmas que nunca verão os netos crescer, dizer a primeira palavra, perder o primeiro dente, ler as primeiras letras. Há colo que nunca terão pelo skype. Os que foram, revoltados com o país, com esta dolorosa separação, ainda não fizeram o luto. Acredito, por isso, que nem sequer votem. E por isso não entram nas sondagens. 
E os que ficaram? Olhemos à nossa volta: floresceram empreendedores como cogumelos. Gente bem sucedida, que usa roupas de marca e se passeia de copo de gin pelos bares, que fala das férias e das viagens, partilha imagens bonitas no facebook, e é todo um reflexo de como se viveu bem em Portugal, depois da Troika. Tudo muito tendry. A crise, essa senhora de costas muito largas, serviu na perfeição para asiatizar o trabalho e as condições em que se faz. Os gestores "cortaram as gorduras" das empresas, numa operação-limpeza que dispensou "os que eram mais caros" e conseguiu convencer as franjas de que era preciso reduzir, reduzir, reduzir. Muitos continuam ao leme das mesmas empresas, com uma folha de salário que totaliza, sozinha, o mesmo que o conjunto dos que ficaram. Dos que sobrevivem entre os 500 e os 700 euros (que luxo), em média, cujos filhos integram agora as listas da Acção Social Escolar, como nunca acontecera. 
Dos que perderam o emprego, dos muitos que conheço, conto pelos dedos de uma mão os que voltaram a conseguir um emprego por conta de outrém, e sempre para pior. Sobram-me dedos. Muitos voltaram a trabalhar em total precariedade. Mal poderão sustentar uma casa, quanto mais um sistema de segurança social. Quanto mais um país. Com o tempo, cansámo-nos todos de dar murros em pontas de faca. As manifestações de 2012 tornaram-se uma doce memória revolucionária, cada um tentou virar-se como pôde. Sobreviver. É mais uma etapa dessas que se joga na roleta das eleições, domingo próximo. A escolha é muito simples: entre os que estão bem assim e os que sonham com um país melhor, que esperam ainda viver, e não apenas sobreviver. Os que estão bem assim, continuarão a dar esmola aos pobrezinhos uma vez por ano, a vociferar contra os que recebem abono de família, contra os que não singraram na vida por incompetência nata. Ou como dizia um jovem quadro político de Pombal, aqui há dois anos, precisamente, "quem tem unhas é que toca viola". Pode ser à conta do aparelho, que a música até soa melhor. 
Olhemos à nossa volta. A operação-limpeza conseguiu afastar daqui muito desse empecilho que é gente sem trabalho, e ainda por cima a reclamar. Com tempo para pensar. Nos dois últimos anos, de acordo com o Observatório da Emigração, saíram do país pelo menos 220 mil compatriotas, maioritariamente jovens e com formação superior. "Uma debandada só tem paralelo com as décadas de 60 e 70, quando Portugal estava sob a mais longa e mesquinha ditadura da Europa. Agora, membro da União Europeia e em democracia (ou melhor, numa partidocracia minada e dominada pela predadora voragem neoliberal), o país continua a ver abalar os seus mais fortes braços e os seus melhores cérebros", citava um camarada jornalista, residente numa cidade da região centro, com a frase mais verdadeira, a resumir tudo: "Muitos dos que ficam desesperam para ganhar o pão de cada dia. E travam um combate doloroso para não perder a dignidade. O emprego, esse bem precioso, acaba de registar uma das maiores quebras dos últimos 30 meses". E por isso faz todo o sentido perguntar, ao país das sondagens:
Ainda haverá gente para votar no próximo domingo?

Prognósticos

As pessoas têm a enorme capacidade de nos surpreender. Nas democracias consolidadas era comummente aceite que as oposições não ganham eleições, são os partidos no poder que as perdem. Mas, pelos vistos, nas próximas eleições, não será bem assim! Provavelmente, será mais PS que perderá as eleições e não a coligação de direita ganhá-las. E mostrarão outra coisa ainda e mais surpreendente: o PS perderá as eleições à esquerda e não ao centro, ao contrário do que comummente se regrou. Esta surpresa acontecerá por duas razões: o PS perderá votos para a esquerda (CDU, BE e novos partidos) e não cativará o eleitorado flutuante ao centro, descontente com a coligação de direita. Porquê? Porque o PS nunca apresentou uma alternativa consistente e de centro-esquerda. Ziguezagueou entre o centro e a esquerda, e perdeu nas duas faixas nas suas margens que, em circunstâncias normais, lhe assegurariam uma vitória robusta.
Falta ao PS coerência e consistência ideológica e sobrou-lhe tecnocracia. O PS, com Seguro, cedeu em áreas onde não podia ceder – Legislação Laboral (estruturante da sociedade), Pacto de Estabilidade … - e com Costa colocou, novamente, a revisão da legislação laboral na agenda política sem qualquer necessidade - nem a direita a reclama - e sem qualquer vantagem, antes pelo contrário, já para não falar da arriscada redução da TSU.
Há erros que se pagam caro. As pessoas estão mais atentas aos sinais do que os políticos pensam.

29 de setembro de 2015

Vestir ou não vestir a camisola


Em momentos como este, lembro-me sempre das palavras de um velho camarada, que me dizia, na Redacção: "nunca devemos vestir demasiado uma camisola. Porque se algum dia ela encolhe na lavagem, depois fica-nos um bocado ridícula". Os jovens em causa são alunos de um curso profissional da Escola Secundária de Pombal, recrutados à pressa  (e devidamente remunerados, pois claro) pela Quinta da Concha, que serviu o repasto na Expocentro.
Do jantar: Quase duas mil cabeças para contar e para as tv's mostrarem. É muito? É. É surpreendente? Não. Primeiro porque estamos em Pombal. Depois, só quem ainda acredita no Pai Natal não sabe como é que se mobilizam pessoas para jantares, em qualquer partido. E foi por saber disso, certamente, que o par da coligação mandou retirar a entusiasta faixa "Em Pombal começa a luta pela maioria absoluta". Não vá o diabo tecê-las.
E lá foi a faixa para o lixo. O que também não é problema, porque dinheiro para estoirar é coisa que não falta à Coligação PáF, como bem lembra neste artigo o clarividente Pacheco Pereira.

25 de setembro de 2015

O PS não apanhou a onda

O PS corre sérios riscos de perder as eleições, quando deveria estar, nesta altura, perto da maioria absoluta. Tudo por culpa dos erros cometidos por António Costa e pela direcção do partido. Mas com o Seguro seria pior: a coligação de Direita estaria próxima da maioria absoluta. António Costa deveria ter ouvido mais o Pacheco Pereira e menos os tecnocratas da economia. O combate deveria ser político e não económico. Ao aceitar as premissas da EU e, por conseguinte, da Direita, ficou politicamente manietado. O PS quis fazer as coisas correctamente - cenário macroeconómico (visão redutora da política), programa eleitoral e medidas do programa de governo – quando deveria fazer as coisas correctas. Em política, nomeadamente na oposição, não é necessário fazer as coisas bonitas, mas fazer as coisas certas, não perder tempo (cartuchos) com os meios, mas centrar o discurso político nos fins, fazer o desgaste do governo antes da pré-campanha e um discurso afirmativo, pela positiva, durante a campanha. Infelizmente, o PS tem feito as coisas ao contrário. Perdeu muito tempo a acusar a coligação de Direita de não ter programa, quando ninguém se importa com isso, porque toda a gente, apoiantes e opositores, sabe com o que conta da Direita: a mesma política. A Direita tem uma coisa mais forte do que um programa eleitoral: uma praxis política e uma agenda política consistente, aplicada sem grandes hesitações (se exceptuarmos a falhada redução da TSU) e nenhuma inflexão. O PS deveria ter combatido, empenhadamente, a praxis governamental – e havia muito por onde o fazer - em vez de esperar o seu desgaste. Não o fez e, pior do que isso, desgastou-se no debate público das propostas emblemáticas do seu programa eleitoral – Redução da TSU, Financiamento da Segurança Social, Impostos (Iva da Restauração), Contrato Trabalho Único, etc. – que se mostraram ininteligíveis pelo cidadão de instrução média e/ou de duvidosa eficácia política, económica ou orçamental. 
Sendo expectável que as sondagens não estão a captar a realidade submersa, pode haver surpresas, mas não resta tempo para o PS apanhar a onda.

7 de setembro de 2015

Por que não fazem duas listas?



Normalmente, a agregação cria sinergias.
Mas há casos em que a separação aumenta o resultado das partes.

É o caso da lista do PS no distrito de Leiria.

6 de junho de 2011

Ah esta terra ainda vai cumprir seu ideal...

PPD/PSD 55,54% 15.300 votos
PS 18,03% 4.967 votos
CDS-PP 11,87% 3.270 votos
B.E. 3,80% 1.046 votos
PCP-PEV 2% 551 votos
PAN 0,99% 274 votos
PCTP/MRPP 0,73% 202 votos
MPT 0,29% 81 votos
MEP 0,27% 74 votos
PTP 0,24% 66 votos
PNR 0,24% 66 votos
PPV 0,24% 66 votos
PPM 0,19% 51 votos
POUS 0,17% 48 votos

EM BRANCO 3,76%1.037 votos
NULOS 1,64%451 votos
Inscritos: 55.451
Votantes: 27.550O que quer dizer que a abstenção é de quase 51 por cento. Logo, mais de metade não quer saber disto para nada.


Os dados podem ser conferidos aqui, no site da CNE. Ora vamos lá, então, à interpretação.
Aqui a derrota do PS é ainda mais humilhante do que a nível nacional. Na verdade, há freguesias em que o CDS-PP já ultrapassou os socialistas. Mas isso também não quer dizer que os democratas-cristãos tenham grande razão para sorrir. Mesmo com uma estrutura montada (o que em 2009 não sucedeu) não representa mais do que 11,87% dos votos.
Em boa verdade, acho que está na altura do engº Rodrigues Marques ver o que é que se passou em freguesias como Abiul, Ilha, Carnide ou Meirinhas, onde desta vez a votação no PSD ficou aquém dos 80%. Alguma coisa está a ficar, engenheiro.
Registo também com particular apreço a votação no PAN (Partido pelos animais e pela natureza): 274 votos no concelho. Vai-se a ver e a velha máxima de que "até um burro com um chapéu ganhava" não está de todo errada. O Poly da minha avó daria um excelente deputado, estou certa. E a Zizi que todos nós estimamos uma belíssima chefe de gabinete. Está tudo doido, não está?
E porque ainda é de pessoas que se trata aqui, atente-se:
1. Pedro Pimpão foi legitimamente eleito. Levado em ombros pela Jota, na sede do partido em Leiria. Estavam lá a ver a cena os companheiros Diogo Mateus e Micael António**. Julguei que não deixasse escapar esta oportunidade para se livrar rapidamente de Narciso Mota, que logo chamaria para a vereação a senhora que se segue, na lista: Elisabete João. Mas pelos vistos o Pimpão tem mais encanto na hora da despedida, e o presidente já fez saber que não abdica do vereador, mesmo sem pelouros. É bonito.
2. Adelino Mendes regressará a Pombal e aos quadros do Instituto D.João V? Ui. Pode ser que assim se dedique mais ao partido, por cá.
3. Não vi Jão Coelho em Leiria na noite da derrota. É certo que ia em nono lugar na lista e que só três deputados foram eleitos. Mas perder ou ganhar tudo é desporto. Desporto.

Para mais informações, podemos sempre sintonizar a Rádio Clube de Pombal, que pelos vistos ganhou a sonorização das festas do Bodo. Uma lição para Rui Benzinho e sua equipa. Não é engenheiro?

**também lá estava Ana Gonçalves. As minhas fontes não a reconheceram, mas vislumbrei-a nas fotos da festa ;)

(...Ainda vai tornar-se um imenso laranjal)

Parabéns, senhor deputado!