Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições Autárquicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições Autárquicas. Mostrar todas as mensagens

12 de outubro de 2025

Autárquicas 2025 em Pombal – tudo na mesma

O PSD voltou a ganhar; e os outros a perder. Por conseguinte, o doutor Pimpão continuará a presidir à “junta” e às juntas, acompanhado por criaturas ainda mais imberbes que ele. E os outros continuarão a assistir, ou a desistir. E assim tudo continuará na mesma, devagar e devagarinho, como a lesma. É uma vitória que tem tanto de plena – arrebanhou todos os “tachos” - como de pequena, que não traz nada de novo, só estragos no dia seguinte. 

O resto é só derrotados. Todos iguais (na fatalidade), e todos diferentes (no estado de espírito momentâneo:  uns felizes, com pequenos nadas; outros desiludidos, com o estilhaço das ilusões ocas; e outros simplesmente aliviados do martírio a que inutilmente se submeteram).  

A “história” eleitoral repete-se demasiado por aqui. A repetição, como diz a psicanálise, protege da agitação da vida individual, impõe a paz mortal de uma cultura que bane a surpresa, é “morte”. Os resultados mostram o declínio da confiança dos cidadãos nos políticos locais, nos partidos e no poder local, uma orfandade colectiva e uma falta de sentido de colectividade e de comunidade assente numa representatividade justa e plural. 

Em Democracia é a oposição que determina o exercício do poder. Deixaremos de ter oposição, papel reservado simbolicamente a um ou outro ramo de enfeite. Na verdade, já não a tínhamos; e daí vem, com certeza, uma das explicações para este desastre da dita oposição. 

O PS não conseguiu nada (relevante), nem poderia conseguir, míngua para o mínimo absoluto. Só mentes muito etéreas poderam crer em coisa diferente… Nas coisas dos humanos, a essência precede sempre a existência. E como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. É um resultado que deixa marcas no partido e em quem deu a cara pela aventura. Mas sejamos justos: a responsabilidade maior não deve ser assacada aos que deram a cara pela desventura, mas a quem traçou todo o guião e, depois, perante o evidente desastre, se escondeu na toca.

O Chega participou e mostrou o que é... Pelo meio e no final, proporcionou o cumprimento do desejo de Manuel Serra: chegar a vereador.  

O Independente Luís Couto cumpriu com brio o desafio inglório de tentar chegar a vereador. Jogava nestas eleições a afirmação do seu movimento político e o seu destino político. Falhou. A política nunca é só um desafio pessoal. Falhou o objectivo. 

Do resto não vale a pena falar - o nada é nada. 


10 de outubro de 2025

Debate entre os candidatos à câmara - remake

Decorreu ontem à noite o segundo debate entre os candidatos (participantes) à câmara, organizado e moderado pelos órgãos de “informação” locais (Pombal Jornal, Rádio Clube de Pombal e Rádio Cardal).



O debate foi melhor que o anterior - já teve laivos de debate - por três razões: (i) era muito difícil fazerem pior que no anterior; (ii) foi melhor preparado e moderado pelos moderadores; e (iii) alguns candidatos estiveram melhor. Só uma coisa piorou: a assistência – a rapaziada do PPD/PSD, juvenil e adulta, com o deputado da nação em particular realce. Mas a coisa continua pobre: continua-se a afunilar o debate para temas de política geral (Saúde, Educação, Habitação, Ambiente, Economia, Turismo, Segurança, etc.), onde só se debitam banalidades, e a passar-se ao lado da discussão das   competências, desempenho, insuficiências e organização da câmara.

De entre os candidatos com maior responsabilidade política-eleitoral – Pedro Pimpão (PSD) e Fernando Matos (PS) - ficou no ar uma dúvida porventura insolúvel: qual deles é o mais lunático: o que quer voar sobre Pombal ou o que quer(eria) subir de elevador para o castelo? Mas quem anda com os pés assentes na terra e se preocupa com coisas realmente importantes, como a liberdade individual e a privacidade, tem que ficar alarmado quando sete daquelas alminhas defendem a criação de uma política municipal e a colocação de câmaras de vigilância nos espaços públicos. Aqui, palmas para o candidato da IL (Ricardo Santos) que quebrou o unanimismo.

Uma nota final para os candidatos do CDS (Telmo Lopes) e dos Independentes (Luís Couto), que estiveram francamente melhor que os restantes e melhor que no debate anterior. 

6 de outubro de 2025

Breves notas sobre o debate (III)

Quem já passou por um processo de recrutamento minimamente estruturado sabe que há um momento que pode ser decisivo; é quando, no final da última entrevista, o recrutador faz a pergunta da praxe: “para terminar, num minuto, convença-me que é a pessoa indicada para a função?”

Perante este desafio, imaginem que um qualquer imberbe, sabendo que a pergunta lhe iria ser colocada, levava de casa um papelinho com a resposta preparada e, no momento certo, sacava-a do bolso, colocava-a em cima da mesa, ferrava os olhos nele e lia-o o melhor que sabia. Estão a ver a cena? E o resultado?

No famigerado “debate” entre os “candidatos/participantes” na eleição para a CM Pombal, o moderador deu a inevitável deixa final: um minuto para cada candidato fazer o apelo ao voto na sua candidatura. Os OITO candidatos limitaram-se a cumprir a formalidade. A maioria comportou-se como o imberbe candidato ao emprego: sacou da cábula que levava no bolso e leu-a com o jeito que Deus Nosso Senhor lhe deu!

Querem o melhor retrato da pobreza franciscana que nos colocaram na rifa? Ei-lo.   



5 de outubro de 2025

Breves notas sobre o debate (II)

O debate – se isso se pode chamar a banalidades debitadas sem jeito e sem qualquer contraditório - foi uma verdadeira enfiada de vulgaridades e sandices. Mas uma, pela clareza e respectiva quantificação, destacou-se e fica para posteridade. 

A emblemática proposta saiu, logo a abrir, da boca do candidato da CDU – Egídio Farinha: 1% do orçamento municipal para a Cultura, e a criação de uma Escola de Artes! Logo o alertaram que a câmara já gasta mais de 3% do orçamento nessa área. Mas ele manteve-se impávido – já tinha deixado o seu número.  

O nada não comporta superioridade, nem inferioridade, nem comparação. Caímos nisto.


4 de outubro de 2025

Breves notas sobre o debate (I)

O debate entre os candidatos (participantes) à CM Pombal, organizado pelo Jornal de Leiria, foi o evento político mais enfadonho e insipiente a que já assisti. Mas numa coisa estavam todos alinhados: enfastiar o assistente - o moderador deu o exemplo e os candidatos seguiram o mote. Foi um verdadeiro jogo perde-perde: os candidatos perderam algum eleitor ainda indeciso, o jornal perdeu leitores (ali e no após).



Durante o debate veio-me à cabeça uma dúvida que frequentemente me surge: será que a política emburrece as pessoas que a exercem? É uma dúvida legítima porque grande parte das pessoas que a exercitam já provaram que possuem alguma inteligência e sensatez.

Custa a aceitar que gente que supostamente sabe estar e pensar represente cenas que roçam o ridículo, se limite a debitar raciocínios que não valem um ovo quebrado e intenções irrealizáveis ou ruinosas se porventura alguém as tentasse implementar.

3 de outubro de 2025

Pedro - o entertainer

 A Política já foi uma coisa séria, respeitável e respeitadora dos representados. Agora é uma coisa fútil - uma diversão, um espectáculo, uma armadilha para captar atenções e apanhar vontades tolas. 

No início da desventura do Pedro, como presidente da câmara (da junta), escrevi por aqui que política está para o Pedro como o voar está para a mosca. Com o tempo percebemos que o Pedro é e encarnou a configuração da mosca voadora, predestinada ao ócio, ao vício e à voluptuosidade. Uma criança, alegre e frívola, que brinca à política, em campanha ou fora dela. 


9 de setembro de 2025

Debates sobre as Autárquicas – candidatos afastados ou afastaram-se?

O novo canal televisivo “Conta Lá”, que se propõe a fazer uma ampla cobertura das próximas eleições autárquicas, gravou hoje, em Leiria, o debate com os candidatos à Câmara Municipal de Pombal, que será oportunamente transmitido, onde participaram unicamente Pedro Pimpão, candidato do PSD, e Luis Couto, candidato do movimento independente.

Pergunta-se: os outros candidatos não foram convidados, faltaram ou não quiseram participar? Como é óbvio, os eleitores gostavam de saber…


Adenda: perguntar “ofende”? Parece que sim…

Já sabíamos, há muito, que nesta malfadada terra vegeta uma “classe política” que abomina a crítica, ignorando que ela é a essência e a massa da própria política em Democracia. Mas parece que também não tolera a simples pergunta, neutra e óbvia. Deus nos livre de tamanha fragilidade.

18 de agosto de 2025

A Liga dos Últimos à moda de Pombal

 Sabemos que até ao lavar dos cestos ainda é vindima, e por isso não estranhámos a correria desenfreada que aconteceu esta tarde no Tribunal de Pombal, no dia - e hora - limite para a entrega das listas candidatas às eleições autárquicas de 2025, marcadas para 12 de Outubro próximo. 

Na verdade, só esse formalismo legal ainda nos faz acreditar num acto sério. Porque tudo o resto nos leva a crer que as eleições em Pombal são uma espécie de Liga dos Últimos, tal o amadorismo. 

Estas serão umas das eleições mais concorridas em termos de candidaturas (desta vez são 8candidatos, tal como em 2017), o que não quer dizer disputadas. Pimpão vai embalado pelo PSD, na frente da corrida. De cada vez que o vejo partilhar coisas sobre "voar mais alto" não consigo evitar a imagem: a equipa "de excelência" (que faz arrepiar muito social-democrata) é como uma tripulação dentro do cokpit de um avião de passageiros, mas com carta de mota - aplicada também por estes dias ao PM e seu (des)governo. A paz laranja vai ser abalada aqui pelo Chega, que apresentou (em segredo) as listas, já na semana passada. Quem as viu, garante que a da Assembleia Municipal (encabeçada por Paulo Costa, um imigrante radicado nas Meirinhas) é a mais representativa de todo o concelho, por incluir gente de todas as freguesias. Já a lista à Câmara, encabeçada pelo doutor Mithá Ribeiro, deixamos para o (e)leitor descobrir a origem/residência dos que a integram, à excepção do dissidente Manuel Serra. Chegou a estar marcada uma apresentação, mas foi "adiada", não se sabe para quando. Não é que isso interesse, que a maioria do eleitorado do CH vota no senhor que aparece em todos os cartazes, em todos os concelhos. E isso assegura votos, muitos votos. A nós calhou-nos o (único) ideólogo do partido, que de tanto querer regredir ao antigo regime esta semana ilustrou um post com o símbolo da vila de Pombal. Alguém o avise que isto se tornou cidade em 1991.

Também o Movimento Pombal Independente já tinha entregue as listas na semana passada. É ululante a disputa entre João Coelho e João Pimpão, que elegeram Luís Couto como ódio de estimação. Podem trazer as pipocas. Para esse filme e para outros que se anunciam, nomeadamente no PS: afinal a candidata a São Simão de Litém desistiu da corrida; há meia dúzia de freguesias sem candidatura socialista, e continuamos sem saber nada do candidato à Câmara. Seria cómico, se não fosse trágico. 

Feitas as contas ao elenco, temos Pedro Pimpão (PSD), Gabriel Mithá Ribeiro (CH),  Fernando Matos (PS), Luís Couto (MPI), Ricardo Santos (IL), Telmo Lopes (CDS), Egídio Farinha (CDU) e Célia Cavalheiro (BE). Agora escolha.

Adenda: Afixadas as listas no Tribunal de Pombal, constatamos que houve trocas de última hora e algumas surpresas. A mais relevante: o Chega apresentou uma outra lista à AM, encabeçada por um tal Sebastião Ferreira Fartaria, com residência em...Amor. De resto, em toda a lista, procurar um natural ou residente no concelho é como encontrar uma agulha no palheiro. Esta troca resulta das guerras fraticidas (que já existem) dentro do CH.O líder da distrital, deputado na AR e candidato à Câmara de Leiria, Luís Paulo Fernandes, não se cruza com Gabriel Mithá Ribeiro. Ora, o último desautorizou o primeiro (que ajudou no processo autárquico por todo o distrito, à excepção de Pombal), para espanto dos funcionários judiciais que receberam as listas. Por outro lado, o partido de Ventura candidata-se também à Junta de Freguesia de Pombal (com Patrício Accoto Martins) à Junta de Carnide e à de Vermoil. Isto promete.





14 de agosto de 2025

O Pedro insiste no erro – o Pedro é um erro

Ontem, o PSD divulgou a lista à câmara que o Pedro escolheu para o acompanhar em mais quatro anos da sua comédia folclórica. Nos lugares potencialmente elegíveis aparecem a repetente Isabel Marto, o professor-primário Marco Ferreira, a tarefeira Ana Carolina e a enfermeira Patrícia Rolo! Pelo caminho ficaram a Catarina Silva e o Pedro Navega - e a Gina Domingues. Fica só uma dúvida no ar: se o Pedro sabe mesmo escolher, ou se não tem mesmo por onde escolher - serão com certeza as duas faces da mesma moeda (da má moeda). 



Um dos maiores vultos da cultura e do pensamento europeu, Goethe, afirmou: diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Com esta "escolha", que se segue à anterior, o Pedro confirmou o que já se sabia: é um inepto (político) - criatura destituída de capacidade de aprendizagem e de avaliação daquilo a que se propõe. 

Desgraçadamente, nesta malfadada terra, o PSD - meia-dúzia obstinados, alheados da realidade, escolhidos ou controlados pelo Pedro - continua a dar-lhe carta branca para ele cometer barbaridades políticas que nos sairão muito caras. Perdeu-se definitivamente o sentido da responsabilidade e a noção de causa e serviço público. Isto já não é Política; é uma farsa, uma comédia ofensiva, ruim e indigna, representada por péssimos actores. Mas se o povo gosta, siga a festa.

11 de agosto de 2025

O PS2 vai a votos

Nesta malograda terra, as eleições locais são mero pró-forma que nada decidem. Uns culpam os partidos (da oposição) por este triste fatalismo; outros culpam os eleitores. Estaremos, com certeza, perante um enigma semelhante ao do ovo e da galinha.



O PS participa, novamente. Com a divulgação das listas à Câmara e à Assembleia Municipal confirma-se o que já se sabia: o PS2 – o que resta dele - conseguiu o seu principal objectivo: ir a votos. Pelo meio desenvolveu uma guerrilha fratricida com os resultados conhecidos e agora confirmados: uma fractura interna, completa e profunda, que dinamitou o que restava da estrutura local do partido.

As eleições são o teste de algodão à limpeza de processos e à confiança nos candidatos, mesmo para aqueles que desconsideram as escolhas dos eleitores. Na esfera socialista, só duas coisas ainda suscitam alguma curiosidade: quanto ainda vale o campo socialista? Qual das facções (PS1 ou PS2) vale mais? 

NR: Para não influenciar os resultados, não divulgo o meu prognóstico.


26 de julho de 2025

Sobre o candidato a candidato

Por norma não ligo a coisas sem importância ou que ainda não o são. Mas há circunstâncias e desejos (não meus) em que a excepção se impõe. 

Hoje, por mero acaso - quando me encontrava na fila do peixeiro - cruzei-me com o candidato a candidato independente à câmara – Luis Couto. Deixámos de falar, ou melhor ele deixou de me falar, quando abandonou repentinamente esta “Casa”, sem dizer sequer um simples adeus, por uma simples divergência de opinião sobre um investimento privado. 



Hoje, quando me dirigi à fila do peixeiro no mercado municipal, reparei que o candidato a candidato andava na rotina de pedidos de subscrição da sua candidatura à câmara. Estranhamente, dirigiu-me cumprimento e eu estendi-lhe a mão – não de deixa uma pessoa sem resposta ao cumprimento em público, a não ser que seja uma criatura muito desprezível, o que não é claramente o caso. Depois, a seco, pediu-me que subscrevesse a sua candidatura à câmara. Respondi ‘Não”. Condidero o poder de encaixe à crítica, e consequente capacidade de separação da esfera política da esfera pessoal um atributo essencial de um político ou candidato a político. Por isso, jamais subscreveria uma candidatura que, para além de revelar uma total falta de poder de encaixe à crítica - e temos muitos nesta terra, senão a esmagadora maioria - vai mais longe: não suporta opiniões contrárias, e até sobre assuntos meramente políticos e tão banais como a localização de um investimento privado.

Os que me lêem conhecem bem a minha opinião sobre o presidente e candidato Pedro Pimpão. Mas por uma questão de honestidade intelectual, aproveito este insólito episódio para dizer uma coisa que, neste momento de pré-campanha autárquica, tem que ser dita: em poder de encaixe à crítica, e na consequente separação da esfera política da esfera pessoal, o Pedro dá dez-a-zero à generalidade dos seus adversários políticos, e em baixa rotação.

25 de julho de 2025

Quem quer ser presidente da “Junta”?

Quem quer ser presidente da “Junta”? NINGUÉM!

Nos primórdios do Regime Democrático as eleições autárquicas eram disputadas pelos partidos, pelas figuras da comunidade e pelas pessoas comuns arreigadas a causas, crenças, propósitos ou projectos. Com o tempo tudo se foi esfumando até à descrença geral. Primeiro caiu-se na falta de escolha, com tudo o que isso implica. Depois no inimaginável de ninguém querer ser escolhido. Acreditem que não estou a efabular sobre a temática; é a realidade pura e dura, que é e é e não é sensível a estados de espírito nem a argumentos.

Sobre o doutor Matos e o doutor Mithá não vale a pena discorrer muito. As suas posturas e comportamentos políticos não deixam margem para duplas interpretações, e é até “crime” incomodá-los.

Já o doutor Pimpão é caso ligeiramente diferente: também não quer ser presidente da “Junta” – sabe lá ele o que quer fazer. Mas precisa muito do cargo.

Eis a nossa triste sina. 


NR: Há enigmas por detrás de certas movimentações políticas que só a antropologia, a sociologia e as ciências da mente conseguirão explicar.

20 de julho de 2025

Mota Pinto “out”

No dia em que Pedro Pimpão apresenta a recandidatura à câmara, fonte bem colocada no partido fez-nos chegar a informação que Mota Pinto está fora.

Há quatro anos, quando o Pedro anunciou a candidatura do Professor à Assembleia Municipal regozijámo-nos com escolha, porque era imperioso elevar o nível. Não nos enganámos: o Professor fez um bom mandato.

Mas a realidade política actual é o que é: a boa moeda acaba sempre “out”.

23 de junho de 2025

A oeste, algo de novo: os cavaleiros do apocalipse



As próximas eleições autárquicas vão mostrar, de forma inequívoca, as mudanças estruturais da sociedade portuguesa. Não são apenas as freguesias (de novo muitas, mas agora sem serviços, pois desengane-se quem julga que volta a ter o Centro de Saúde à porta, os correios e a farmácia) em grande número onde haverá apenas um candidato. Não é só por aí que a Democracia vai sofrer um duro golpe de desaparecimento. É também pela qualidade dos candidatos, numa derrocada que começa a notar-se há vários anos.  Agora que o processo está em marcha, que a maioria dos partidos (até o PSD, imagine-se) está em sérias dificuldades para encontrar cidadãos dispostos a dar cara por eles, e pelas terras, começa a levantar-se o drama maior: quem nos vai representar?

 No espaço de poucas horas, durante o dia de ontem, atravessaram-se no meu caminho vários exemplos que explicam a transferência de voto do PS para o Chega, nas últimas eleições legislativas. É sabido que, por aqui, onde o PSD tudo domina, o voto de protesto está há 30 anos associado às listas socialistas. Ou estava. Quando à nossa volta se acumulam antigos candidatos do PS que agora se arvoram defensores do Chega, custa perceber, mas aceitamos. O que já custa a aceitar é que o partido de Mário Soares dê guarida aos que, em funções autárquicas, eleitos com a bandeira do PS, enchem a boca com o respeitinho, difundem as mensagens que os vários grupos de extrema-direita vão multiplicando pelas redes, e até exibem, na pele, tatuada a esfera armilar. Ninguém me contou. Eu vi, no meio de um recinto de festa.

 Aos partidos sempre foi parar tudo, e a sede de fechar listas foi muitas vezes permissiva em relação aos que nem sequer partilhavam valores de liberdade, tolerância e fraternidade. Mas os mínimos de higiene e salubridade da vida pública obrigavam a usar os mecanismos ao dispor, nomeadamente retirando a confiança política a quem não a merece.

 Aqui chegados, resta-nos perceber como vai o eleitorado do PSD comportar-se, face a esta nova realidade que vai semear pelas várias freguesias candidatos inusitados. Um dirigente com responsabilidades locais gabava-se há dias de ter "tudo controlado". Será? O exemplo de Manuel Serra, até há dois meses dirigente social-democrata, antigo presidente da Junta do Oeste (derrotado em 2017 pelo independente Gonçalo Ramos) deixa antever que o paraíso laranja pode ter os dias contados. Renunciou ao mandato na AM, e agora será número dois da lista à Câmara, secundando Gabriel Mithá Ribeiro, o cabeça de lista do CH.

No futuro, das duas uma: ou o PSD ainda vai ter muitas saudades do PS, ou vamos todos nós, aqui no burgo, chegar à conclusão de que são troncos da mesma raiz -  como Ventura, como Passos, como tantos. 

16 de abril de 2025

Autárquicas'25: sobrou pr'a nós o bagaço da laranja


As eleições legislativas que atravessamos vieram refrear qualquer ânimo autárquico, por estas bandas. Vivemos uma espécie de quarta-feira de cinzas prolongada, num jejum de acção política e abstinência participativa. Sem critério nem noção, os partidos mais expressivos vão pingando nomes para as Juntas de Freguesia, ora antes ora depois dos candidatos à Câmara.
Vão longe os tempos em que o trabalho político era levado tão a sério como merece. O que sucede em Pombal é um prolongamento do recreio que este último mandato imprimiu no espaço público, anunciado desde logo naquela tomada de posse de Pedro Pimpão, que de solene teve apenas a toalha de mesa. 
Em Janeiro passado, o PSD resolveu anunciar um candidato à Junta (na Redinha) mesmo antes do (re)candidato à Câmara. Depois seguiram-se outros, que avançam para segundas ou terceiras núpcias. Até agora não sabemos nada do candidato à Assembleia Municipal, se é que Paulo Mota Pinto ainda tem paciência para isto. Por outro lado, sabemos que há no PS um candidato ao cargo um pouco baralhado com as funções, a avaliar pelo caderno de encargos que apresentou na página do partido. Já do candidato à Câmara, não sabemos nada. Depois do estrondo do anúncio, quando era esperado que um estreante na vida pública -  como é o caso do médico Fernando Matos - se fizesse notar, por palavras e actos, do candidato do PS assistimos ao silêncio ensurdecedor. Uma espécie de cabeça de lista fantasma, que paira sobre eventos e reuniões, sem dizer ao que vem. Pensando bem, é um bom contraste com o profeta Pedro, que há-de achar "muito interessante esta partilha e estas dinâmicas".
O tempo está para profetas. Veja-se o caso do anunciado candidato à Junta do Carriço, equivocado no partido que lhe vai dar guarida. Está escrito na sua carta de apresentação que nasceu "numa família humilde, honrada e católica", foi acólito e catequista. O sonho de candidato para o CDS de 1976, se ainda existisse por cá. 
Nesta amálgama que povoa a lista dos candidatos já conhecidos com o símbolo do PS, há ainda o caso do candidato de Vermoil, que garante ter "suspendido" a militância...da Iniciativa Liberal. 
A política sempre se fez disto, da mudança de camisolas. Só que no tempo em que havia algum decoro - e alguma higiene nestas coisas - era fácil encontrar a excepção, porque havia regra. Agora é difícil perceber qual é a regra. 
Para cereja do bolo temos já marcada uma apresentação de candidatura: a de Carla Longo, à Junta de Freguesia de Pombal, em plena campanha para as legislativas. Não deixa de ser irónico que o PSD local, feito de profissionais da política (como é o caso desta recandidata) ainda recorra a almoços e jantares destes, como se tivesse novidades para mostrar. 

Sobra-nos, por estes andar, o bagaço da laranja. 

27 de março de 2025

Eleições Autárquicas – Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto (II)

O designado “processo autárquico” já arrancou nas principais forças políticas, sem fulgor e sem novidades. Para nossa triste sina, vamos ter que gramar com o doutor Pimpão por mais quatro anos, cheios de diversão e despesismo.



Por cá, a política é uma farsa, um faz de conta que não conta p`ra nada, nem para trocar umas ideias sobre o assunto.. As campanhas eleitorais degeneraram para uma espécie de jogos entre solteiros e casados, e não como aquilo que deveriam ser: disputas aguerridas, entre os melhores, pelo melhor - para todos. Mas são coisas diametralmente distintas. Nos jogos entre solteiros e casados todos podem participar, mesmo aqueles que não sabem dar um pontapé-na-bola, porque o propósito é a diversão não a competição, e ali o episódio caricato conta tanto, ou mais, que os golos marcados. Na disputa política tudo é diferente: é preciso saber jogar o jogo: conhecer as regras, dominar as técnicas, analisar e avaliar o contexto e os meios, definir as tácticas e as estratégias, escolher os protagonistas certos, conceber um plano e um programa sólidos, criar um discurso coerente e consistente e saber comunicá-lo. Tudo o que tem faltado à pobre oposição, e, pelo que se vai vendo, continuará a faltar no presente “processo autárquico”.

Não existirá - ao cimo da terra - actividade humana mais periclitante que a política, devido ao nível de exigência técnico-político e à sistemática exposição e escrutínio público. Por conseguinte, causa perplexidade e estranheza ver pessoas sem nenhuma preparação política atirarem-se para esta tórrida arena, como cavalos atreladas a uma carroça, largados por uma colina abaixo, sem saberem se puxam ou são puxados, numa correria desenfreada sem tempo para ponderarem aonde aquele movimento vai levar. E ainda há quem considere os gladiadores dos circos romanos loucos!

26 de março de 2025

Eleições Autárquicas – Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto (I)

“Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto” é o título de um livro de Mário de Carvalho, publicado em 1995, que li em 2005, e que agora, no prelúdio de novo “processo autárquico”, resolvi revisitar, porque nada como a boa ficção para compreender a triste realidade.

A narrativa, romanesca e em tom galhofeiro, plena de fina ironia e mordaz sarcasmo, gira em torno de um burocrata da pequena burguesia do funcionalismo, Joel Strosse, que sempre viveu de aparências e da posição adquirida, mas desiludido e frustrado com a vida (os novos tempos) decide ingressar no PCP. Aí encontra Vera Quitério, diligente e astuta funcionária do partido, que antes de lhe entregar a ficha de inscrição dispara a frase-cliché, que sempre usava naquelas circunstâncias: “Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”.

A beleza da frase, e a cuidadosa condução da conversa, nunca mais me saiu da memória. Daí que, neste periclitante contexto, tenha revisitado o livro. Com a premência que a situação exige, recomendo aos meus camaradas de partido - e aos outros, porque não - a sua leitura. Recebam-na como uma modesta contribuição para minorar desilusões, desgostos e desastres colectivos e individuais.


26 de fevereiro de 2025

Centro Natural da Propaganda

 

Não há nada pior que tomarem-nos por parvos. É mais ou menos o que anda a fazer Pedro Pimpão nestes primeiros meses do ano, em que alimenta uma espécie de tabu sobre a sua (obrigatória) recandidatura à Câmara, ao mesmo tempo que utiliza os meios públicos como forma de - descarada - propaganda, esbatendo as linhas vermelhas entre o que é partidário, pessoal, e público. 

Há dias os habitantes deste concelho foram surpreendidos por um panfleto na caixa de correio sob o título "Em Pombal, 2025 é sinónimo de investimento". O infomail é do PSD, Pimpão usa-o como slogan, coadjuvado por outro: "Pombal pela Positiva". Centro Natural da Felicidade, lá está, sem críticas nem farpas. 

O que aqui se condena é este registo de meias-tintas, que, como sabemos, é meio caminho andado para os troca-tintas. 

Para quem diz que ama Pombal, o mínimo que se esperava era a frontalidade. A hombridade de dizer "amigos, sou candidato outra vez, quero manter-me aqui neste lugar e só vocês me podem garantir isso". 

Mas Pimpão prefere dar uma no cravo e outra na ferradadura. Como diz um dirigente do partido que o conhece desde sempre, não abdica de ficar em cima do muro, a meio da ponte. 

O que fez esta manhã, porém, ultrapassa os níveis da decência: usou a página do Município para mais um laudatório seu, à espera de confettis. Uma publicação nas redes sociais da Câmara - onde, não raras vezes, os comentários que não são pela positiva acabam ocultados. 

Pedro Pimpão baralha-se muito, nesta ânsia de se manter omnipresente e conectado a toda a hora. Se esta fosse a sua página pessoal, poderia fazê-lo, claro. Mas as páginas do Município não são dele, mesmo que pareçam. 

E se houvesse oposição, já o tinha posto no sítio. Porque mesmo que a realidade paralela onde vive lho diga, não vale tudo.

Nos próximos meses, que são de pré-campanha, isto promete, senhores leitores. 

29 de janeiro de 2025

Chega aposta forte em Pombal

Gabriel Mithá Ribeiro, militante e deputado do Chega, eleito pelo círculo eleitoral de Leiria, será o cabeça de lista do partido à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano. A decisão ainda não foi divulgada pelo partido, mas o próprio já deu conhecimento da sua candidatura a algumas forças vivas do concelho.



A escolha desta figura nacional, sem laços à terra, mostra que o partido aposta forte em Pombal e que não possui uma figura local capaz de fazer um bom resultado.

É um desafio para o próprio, e uma ameaça para as outras candidaturas.   

18 de janeiro de 2025

O médico Fernando Matos é o candidato do PS à Câmara


 

O PS de Pombal aprovou esta tarde, por unanimidade (e presumível aclamação), a escolha do médico Fernando Matos para candidato à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano.

É um nome forte e uma cartada bem jogada, talvez a melhor dos últimos 30 anos. Porque é um nome conhecido e respeitado na praça, porque o efeito surpresa joga sempre a favor nestas coisas.

Fernando Matos viveu na sua bolha da saúde, entre o público e o privado, e chega a esta idade sem qualquer envolvimento político na terra (e fora dela). É sempre estranho quando isso acontece. Mas como vivemos o tempo do sebastianismo - veja-se o caso do Almirante para a presidência da República - pode ter aqui as condições ideais para singrar. Os próximos tempos ditarão até que ponto esta aparição vais ser suficiente para curar o PS, mas tem pelo menos o condão de se fazer respeitar, enquanto candidato, pelo adversário hegemónico que é o PSD. E isso já é bastante. 

Posto isto, abram alas para o senhor doutor. Hoje o PS pode acender os incensos todos, porque este número já ninguém lho tira.