"E na epiderme de cada facto contemporâneo cravaremos uma farpa: apenas a porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal."
11 de fevereiro de 2025
E você, a quem compraria um carro usado?
7 de agosto de 2021
A sondagem - e o elefante na sala
A sondagem publicada esta semana pelo Jornal de Leiria é uma amostra bem real do que, muito provavelmente, será o resultado das eleições no concelho de Pombal.
De acordo com o estudo do IPOM - que nos habituou a bater certo, pelos menos no que diz respeito a Pombal - Pedro Pimpão ganha as eleições com 58,6% dos votos, enquanto o PS consegue 29,7% das intenções de voto. Destaque ainda para a Iniciativa Liberal, que entre os pequenos partidos é aquele que granjeia mais apoio: aparece na sondagem com 5,4%. As candidaturas do BE, CDU e Chega estão abaixo da linha de água, o que só é surpreendente para o candidato que Ventura aqui plantou, e que ainda ninguém conhece. Faz lembrar um candidato do CDS (no tempo em que o CDS apresentava candidatura à Câmara), nas autárquicas de 2001, que entre os jornalistas ficou conhecido como "não sei se vá - não sei se fique", e que sem saber distinguir a Brandoa dos Ramalhais ainda teve umas centenas de votos.
Mas o que a sondagem nos diz também é que por cá, o que não tem remédio remediado está. O eleitorado socialista, que fugira para o movimento de Narciso Mota (foi ao PS que ele roubou dois vereadores), regressa à base. A não ser que a campanha inverta este jogo, voltaremos ao que já fomos no passado: um 5-2. Pedia-se mais a Odete Alves, que agarrou no secretariado do partido e distribuiu lugares na lista, sem qualquer rasgo, ousadia ou critério. O único golpe de asa que teve foi chamar João Coelho de volta, enquanto cabeça de lista à Assembleia Municipal - sabendo-se hoje que esse será, simultaneamente, o seu maior dissabor no futuro político.
O que aí vem, contudo, é um tempo de caminhar em areia mais movediça que o Osso da Baleia em época de marés vivas. Na Câmara paira desde há uma semana um estado de alarme, perante a anunciada "equipa" de Pedro Pimpão. À excepção de Catarina Silva, nenhum dos futuros vereadores tem experiência autárquica ou formação política. E o que chega de outras paragens não é bom presságio. A não ser que vivêssemos todos naquele concelho de que fala o cabeça de lista à AM, Paulo Mota Pinto, quando se refere a um Pombal que construiu na sua cabeça, no seu imaginário. Alguém avise o senhor que o concelho desenvolvido de que fala (entregando louros a Narciso Mota, de quem ainda havemos de falar, a seu tempo) é aquele que agora divide com outros cinco o quinhão que ninguém queria: ter menos vereadores, por ter perdido população. E com quem ombreamos, afinal? Vinhais e Mogadouro, no distrito de Bragança; Vila Real (Trás-os-Montes), Fafe, em Braga, e Vendas Novas, em Évora. Se em tempos ficámos conhecidos como a terra da meia vaca, agora podemos fazer um upgrade para a terra da meia dúzia.
E esse é o elefante na sala que todos os candidatos estão a ignorar.
26 de novembro de 2020
A grande sondagem
a) em plena pandemia, uma conceituada empresa de sondagens (como a Pitagórica) manda para a rua equipas que façam inquéritos presenciais, mesmo quando aqui estão aplicadas as medidas mais apertadas do estado de emergência, por sermos um concelho de risco muito elevado.
b) um partido tem dinheiro para gastar nas guerras intestinas, no duelo entre Pedro Pimpão e Diogo Mateus, que bem pode contar com um árbitro como Narciso Mota - que nunca deixou de ser quem é.
A pretexto de "um inquérito sobre as condições de vida na freguesia e no município, nomeadamente durante a pandemia", fui esta manhã abordada por duas simpáticas moças. Quem faz das entrevistas o modo de vida sabe bem como é importante encontrar respostas. E por isso prontamente acedi responder, sem imaginar que tinha pela frente este filet mignon . Para quem a encomendou...uma chatice. É a lei de Murphy, amigos.
Todo o inquérito (com uma amostra de 400 pessoas) é centrado na atuação do presidente da Junta e do presidente da Câmara. É curiosa a forma distintiva como o movimento NMPH é tratado nas perguntas, e é quase desonesta a escolha das fotografias dos possíveis candidatos. Na primeira imagem a ideia é saber se o entrevistado conhece cada uma daquelas figuras. Na segunda, já com os nomes, pede-se que sejam avaliadas as condições que têm (ou teriam) como presidentes da Câmara. Depois, mistura-se o passado e o presente (na medida que interessa), trazendo-nos à memória aqueles de quem já nem nos lembrávamos, como Pascal Rodrigues ou Amilcar Malho, que foram candidatos nas últimas autárquicas.
Quem encomendou o estudo conta que Gonçalo Pessa (que foi candidato do BE em 2017) está arrumado, e que Sidónio Santos também já não conta para este jogo. Ah, e 'ressuscita' para Pombal e para a CDU o nosso camarada farpeiro Adérito Araújo.
E eis que fica escancarada a teoria que vários psd's replicam por aí, sobre possíveis candidatos do PS que (na óptica deles) dariam mais luta que a já anunciada Odete Alves: Eduardo Pinheiro, atual secretário de Estado da mobilidade, cuja ligação a Pombal é quase nula, e João Gouveia, o vizinho de Soure.
As dúvidas sobre a autoria desta proeza só são alimentadas por esta pergunta:
a) Diogo Mateus ganha de certeza a qualquer candidato do PS
b) Diogo Mateus tem uma grande probabilidade de ganhar, seja qual for o candidato do PS
c) Diogo Mateus pode ganhar, dependendo de quem seja o candidato do PS.
d) Diogo Mateus tem poucas probabilidades de ganhar, seja quem for o candidato do PS
e) Diogo Mateus de certeza que vai perder, com qualquer candidato do PS.
Uma nota final para o momento de glória de Pedro Murtinho, nosso estimado vereador das obras tortas, que tem nesta sondagem um lugar de destaque, ao lado do escuteiro João Cordeiro, do Louriçal, ambos do PSD. E também para a cândida Liliana, do CDS. E para o Rodrigo Canoa, esse portento do Chega, agora desavindo com o mentor.

