O mercado dos agricultores morreu. Ainda restam por ali duas ou três bancas, dispersas e estáticas, que mais parecem estatuetas de um qualquer museu etnográfico. Mas o destino está traçado: lenta agonia no total abandono, sem um apoio, sem um conforto, sem uma palavra.
Quem, nas últimas três décadas, ali se abasteceu regularmente de produtos frescos, saídos da terra, com os aromas e os sabores que ficaram gravados durante a infância na aldeia, sente uma dor de alma ao ver aquele definhamento irreversível, aquelas caras tristes e conformadas.
Morre ali uma boa parte da nossa memória colectiva, porque desaparecem do espaço público os fiéis representantes da nossa arte de sobrevivência – o cultivo da terra. Nada que incomode uma classe política dominante, e ignara, que enche a boca todos os dias com sustentabilidade, empreendedorismo, start-ups, smat-cities, e outras tretas que não enchem bocas; e despreza o que é importante preservar, e o que dá sentido à vida.
Como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita… Nas coisas frágeis não se podem cometer erros. A construção daquele espaço comercial foi muito criticada na altura. A oposição prognosticou o desenlace daquilo. Ei-lo confirmado.










