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12 de junho de 2026

A lenta morte do mercado dos agricultores

O mercado dos agricultores morreu. Ainda restam por ali duas ou três bancas, dispersas e estáticas, que mais parecem estatuetas de um qualquer museu etnográfico. Mas o destino está traçado: lenta agonia no total abandono, sem um apoio, sem um conforto, sem uma palavra. 



Quem, nas últimas três décadas, ali se abasteceu regularmente de produtos frescos, saídos da terra, com os aromas e os sabores que ficaram gravados durante a infância na aldeia, sente uma dor de alma ao ver aquele definhamento irreversível, aquelas caras tristes e conformadas. 

Morre ali uma boa parte da nossa memória colectiva, porque desaparecem do espaço público os fiéis representantes da nossa arte de sobrevivência – o cultivo da terra. Nada que incomode uma classe política dominante, e ignara, que enche a boca todos os dias com sustentabilidade, empreendedorismo, start-ups, smat-cities, e outras tretas que não enchem bocas; e despreza o que é importante preservar, e o que dá sentido à vida.

Como diz o povo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita… Nas coisas frágeis não se podem cometer erros. A construção daquele espaço comercial foi muito criticada na altura. A oposição prognosticou o desenlace daquilo. Ei-lo confirmado.

22 de novembro de 2025

Pombal e o Poder de Compra dos pombalenses

O Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, referente a 2023, recentemente publicado pelo INE, disponibiliza três indicadores de síntese que traduzem o poder de compra manifestado em cada região e por concelho. O Indicador per Capita do poder de compra (IpC) é o mais relevante porque traduz o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, tendo por referência o valor nacional.

Para nós, interessa-nos perceber como se comportou o nosso Pombal, no último ano e no último quadriénio, em termos absolutos e comparativamente aos concelhos da sua região. A Região de Leiria (NUTS III) obteve um IpC (92,73) abaixo da média nacional, com Leiria (103,52) a superar a média nacional. Os restantes concelhos ficaram abaixo da média nacional; mas Pombal, com IpC de 84,18, ficou não só abaixo da média nacional como bem abaixo da média da sua região (92,73). E mais preocupante que o baixo valor de IpC é o fraco ritmo de aproximação do concelho aos valores médios. No último quadriénio, Pombal cresceu unicamente 1,46 pp, ao rimo de 0,37 pp/ano. Decididamente os números confirmam aquilo que já sabíamos há muito: as festarolas e a diversão podem distrair momentaneamente, mas não trazem riqueza e bem-estar.  

Mas interessa igualmente dar nota do crescimento significativo dos concelhos de Figueiró dos Vinhos (6,39 pp), Alvaiázere (5,81 pp), Castanheira de Pêra (4,93 pp) e Ansião (3,90 pp) no último quadriénio; e Ourém, um concelho vizinho e já meio do interior, com IpC de 87,63, afastou-se definitivamente de Pombal. 

Siga a festa.



NR: As descidas dos valores da Marinha Grande devem estar associadas a uma causa especial, provavelmente metodológica, que não consegui apurar.

10 de novembro de 2023

Paradoxos

Em Sines obstaculizam um investimento de 3,5 Mil Milhões de Euros de emprego qualificado ou altamente qualificado - recusam ceder 70 metros de zona dita protegida à zona industrial.


Em Pombal não temos um investimento de meia dúzia de milhões de euros há décadas nem a criação de um único emprego altamente qualificado.

O mundo é muito desigual e ingrato.


8 de fevereiro de 2023

A Lusiaves deu mais um passo

Pé-ante-pé, a Lusiaves deu um passo importante na viabilização da instalação de uma grande unidade de processamento de carnes na periferia da área urbana da Guia: aprovação do Pedido de Informação Prévia. Não é um passo decisivo, mas consolida direitos.



Se houvesse vontade política e respeito pelas legítimas preocupações da população o avanço do processo poderia ter sido travado. Mas o executivo municipal não o quis fazer, não mexeu uma palha para harmonizar interesses divergentes perfeitamente harmonizáveis, reduziu a sua acção ao papel meramente burocrático-administrativo de reunir os pareceres e despachar a coisa. A postura do Pedro, neste caso e noutros parecidos, soa profundamente estranha. Correm duas teorias explicativas distintas, mas complementares, para esta forma de actuar: o Pedro é isto; há “eminência-parda” por detrás dele.

Para além da contestação pública, o processo está cheio de engulhos jurídicos que deveriam ditar outro tipo de postura e responsabilidade dos decisores políticos. Mas de onde não há não se pode tirar – como já dizem, à boca cheia, os correligionários.

Esperam-se novos desenvolvimentos. "A Guia aos guienses".

6 de julho de 2022

Câmara compra sede da AICP

Na reunião de anteontem, a câmara – a “junta” – aprovou a aquisição das instalações da Associação de Industriais do Concelho de Pombal (AICP), no valor de 350.000 euros, com base no sempre badalado argumento da salvaguarda do interesse público – quando o decisor público recorre a este vago argumento podemos dar por certo que não existe qualquer interesse público em causa.


Na verdade, nunca existiu uma verdadeira associação dos industriais de Pombal. O que existiu naquela sede, oferecida pela câmara e pelos fundos comunitários, foi uma coisa abjecta - o exemplar maior do Falso Associativismo - que nunca serviu os poucos industriais que por cá existem ou existiram; serviu unicamente para uns quantos figurões e oportunistas tratarem da sua vidinha enquanto os fundos jorravam sem grande controlo para quem se dizia criador de riqueza. Formos por aqui dando conta dos escândalos que por lá iam acontecendo, mas os poderes instalados foram fazendo ouvidos de mercador. Até que a coisa foi liquidada, sem que nenhum dos supostamente interessados (industriais) tivesse mostrado incómodo ou mexido uma palha - que se visse.

Agora, o doutor Pimpão (& C.ª) diz-nos - e julga que nos convence - que vai afectar as instalações à “captação de investimento nacional e estrangeiro; … bem assim à criação de uma eventual incubadora de empresas e ao alargamento de formação e apoio a novos empresários”.

Já vem dos tempos de Narciso Mota a construção do Centro de Negócios para os fins que agora se enunciam, que nunca conseguiram concretizar. Perante o fracasso entregaram aquilo às finanças e a associações com pouca ou nenhuma actividade. O fadário desta terra tem sido e continuará a ser criação destes castelos de areia, este fazer e comprar edifícios sem saber o que lá fazer. Estas criaturas que nos (des)governam não sabem fazer coisa que se aproveite. Esta terra só tem um ideal: gastar/desperdiçar dinheiro para servir as clientelas e mostrar que se está a fazer qualquer coisa.    

Eis mais um negócio ruinoso. Como a Quinta de Sant`Ana, o Celeiro, a Casa da Guarda Norte, a casa do Mota Pinto, a Casa Varela, etc. 

Quem não sabe mais, quem não sabe o que fazer, compra, gasta, desperdiça.

23 de junho de 2022

O investimento de 12 milhões que não veio para Pombal e foi para a Figueira




 Soubemos por estes dias que a Figueira da Foz vai receber um investimento (inicial)de 12 milhões de euros - coisa pouca - alusivo a uma unidade de combustíveis avançados. Trata-se de uma unidade industrial que vai ser construída junto ao porto marítimo, e que promete ser das mais desenvolvidas no mundo na produção de combustíveis avançados, com poupanças estimadas entre 92 e 98% das emissões de CO2 (dióxido de carbono) comparativamente aos combustíveis fósseis usados no setor rodoviário.

Ora, e o que nos interessa isto? - perguntam os leitores do Farpas?

É que segundo o presidente da Câmara da Figueira da Foz, "a nova unidade estava inicialmente projetada para o concelho de Pombal". Mas Santana Lopes mexe-se bem. 

Segundo as notícias, numa primeira fase serão criados 36 postos de trabalho, dos quais 18 altamente qualificados e, no final, prevê-se que a empresa crie mais de 100 .  Dentro de dois anos, o investimento projetado será de 47 milhões de euros, tornando-se num dos grandes operadores europeus na produção de combustíveis avançados.

E é isto. Tomem lá mais um bocadinho da nova ambição, oferecida de bandeja aos municípios vizinhos. 

15 de abril de 2022

Caso Lusiaves – uma verdadeira frigideira

Como já por aqui afirmei, o caso Lusiaves vai fazer vítimas nesta desnorteada e impreparada classe política local. Seja pela avidez pelo protagonismo – pelo desastre –, seja pela simples canalhice de empurrar o outro antes seja o próprio a cair. 



A frigideira arde há muito tempo, hora em lume brando ora em lume intenso - que o digam os anteriores protagonistas políticos. Até há poucos dias, a coisa corria em lume brando. Mas eis que o inábil Navega decide atirar um dos seus para a frigideira, e dar-lhe fogo. Estava dado o mote perfeito para a entrada em cena dos precipitados mandatários do PS neste caso – sempre ávidos de protagonismo e incapazes de desperdiçar uma ruindade. 

Agora agarrem-nos!    

9 de abril de 2022

O Caso Lusiaves

O investimento da Lusiaves na Guia é o elefante na sala da paroquial política local, que ninguém sabe arrumar e todos usam como arma de arremesso político e pessoal.  

Há muito que, por cá, a política local está circunscrita ao mero hábito da intriga, que dissolve e enfraquece o sentido de comunidade e desenvolve todas as fraquezas que são com ela solidárias: a falsidade, a canalhice e a traição… 

Criaram uma comissão para ajudar a remover o elefante da sala, mas os seus membros não se entendem nem sequer sobre o funcionamento da dita, quanto mais sobre o problema. Ninguém quer uma solução; todos - ou quase - querem jogar o jogo perde-perde da canalhice.

Do outro lado, temos um poder fraco e cada vez mais enfraquecido que não ajuda nem se deixa ajudar. Limita-se a fomentar a canalhice. A política é uma actividade que não é para qualquer um – é para muito poucos, porque poucos são capazes de a exercer e de permanecerem imunes aos seus vícios. Até pessoas estruturalmente honestas perdem por completo o sentido da honra, fazem sacanices sem saber que as fazem, ou, pior, fazem-nas sabendo que as fazem ou pelo prazer de as fazer. No caso Lusiaves já estamos no último patamar. 

O caso Lusiaves tem uma forte dimensão técnica e uma forte dimensão política. Não é para meninos de coro armados em rufias. Já contribuiu fortemente para enterrar o anterior poder. Vai ser o primeiro grande teste a este fraco e inábil poder. Vai fazer vítimas - mais do que muitos imaginam. 

7 de abril de 2022

Tripoli, a febre do 'ouro branco' no Louriçal


De repente, descobriu-se que aqueles terrenos do Casal da Rola e dos Casais do Porto são ricos em Tripoli, um mineral usado pelas empresas de cerâmica. Há uma empresa que quer explorar até ao tutano o que puder dali, e há um grupo de populares pronto a dar luta, a virar a lei do avesso para se defender. Porque a Câmara - já se sabe - anda 'aos papeis', e diz que sim a tudo. E a Junta, que fica sempre bem nas fotografias (sobretudo na capa do jornal da terra) também não pode beliscar-se com o poder económico.
Ora atente-se no esclarecimento esclarecido do vereador Pedro Navega, esclarecendo o muito que há para esclarecer...

18 de março de 2022

O investimento que teima em chegar

Um concelho do Distrito de Coimbra, aqui perto, com cerca de 30 mil habitantes e com cerca de 400 kms2 (Pombal tem cerca de 640 quilómetros quadrados), que também se estende do “interior” ao mar, conseguiu no último ano e meio atrair mais de quarenta novas empresas, garantindo cerca de 350 milhões de euros de investimento privado e cerca de 3 mil novos postos de trabalho, concentradas nas sua 4 zonas industriais.

Há três dias, o executivo divulgou através da imprensa local (mais) uma das suas grandes prioridades: ampliar e beneficiar oito zonas industriais, com base no reforço do orçamento de cerca de 7 milhões para 2022.

Não vai. Ou pelo menos não da dimensão desejada.

Para 2022, com base na alteração do Plano Plurianual de Investimentos (PPI) aprovado na última Assembleia Municipal, desses 7 milhões de reforço, a dotação apenas passou de 60 mil euros para 265 mil euros, com especial ênfase de 150 mil euros para a beneficiação da Zona Industrial da Formiga.

Para 2023 estão previstos 240 mil euros, sendo 100 mil ainda para a Zona Industrial da Formiga.

Os valores superiores aparecem em 2025 (ano de eleições) e 2026.

A aquisição de terrenos e infraestruturação para ampliação de Zonas industriais junto de nós de comunicação, como é o caso da A1/IC2/IC8, A17/N109/IC8 e quiçá a nova variante da A1 das Meirinhas, têm-se revelado uma excelente fonte de receita para os municípios, que se posicionam com uma perspetiva de crescimento e atração de população.

São, por norma, negócios rentáveis que mesmo sem financiamento permitem ter lucro para o município que até permitem o exemplo da Tocha, em que 40% da venda dos lotes reverte inteiramente para a Junta de Freguesia.

A opção para outras rúbricas no PPI e Plano de Atividades são opções deste executivo. 

Faltam indicadores públicos que quantifique a performance de atração de investimento e número de postos de trabalho previstos para Pombal. 

     Foto: Região de Leiria


13 de março de 2022

A Felicidade do Pedro

O imaginoso Pedro não pára de rotear. Agora pelas empresas (indústrias) a - diz ele - promover “Desenvolvimento Económico”.

O Pedro não se move por propósitos úteis. Move-se unicamente pela obsessão de aparecer. É uma criatura destituída de foco e de sentido de priorização da acção. É um moinho em giro e sem grão, moendo-se a si mesmo, no vazio.

Que o Pedro se entretenha e entretenha escuteiros, párocos e afins; aceita-se – vivem para o mesmo. Despropositado é estorvar quem trabalha e produz riqueza. 

Do site do município

9 de janeiro de 2022

Para desenfastiar do arroz de tomate falemos de nabos e nabiças

Percebi, finalmente, o sucesso do arroz de tomate: a malta devora-o até ao enfartamento. Mas como o que enfarta enfastia, falemos de nabos e nabiças – excelentes antídotos contra o enfastiamento por arroz de tomate.



Até porque não somos famosos unicamente pelo arroz de tomate. Somo-lo igualmente pelos belos nabos e pelas belas nabiças. Dão-se bem por cá. O terreno é-lhes fértil. Crescem em sobretudo – como diz o povo. Quis o destino, ou a natureza, que assim fosse, que esta sina nos calhasse. E, pelos vistos, teremos que nos haver com ela. 

Mas se isto dá felicidade, siga a festa.

26 de novembro de 2021

Entre vendilhões e ineptos alguém se deve salvar

A sede da Associação de Indústrias do Concelho de Pombal (AICP) esteve em hasta pública e, pelo que correu, foi arrematada por uma empresa da Batalha, que se dedica à Construção Civil e Obras Públicas, por 350.000 €.



A câmara cedeu gratuitamente (ou lá perto) o terreno e o edifício à AICP, com argumento do sempre badalado interesse público. Fê-lo com tanto facilitismo e promiscuidade que até lá deixou, contra todas as regras da boa administração da coisa pública, uns reservatórios de água que, diz agora, são seus.

Só por estes dois enunciados já os estimados leitores devem ter percebido que estamos perante dois problemas: a defunta AICP, e a desgovernada câmara.

A defunta AICP é um esqueleto já sem carne que ninguém sabe e quer enterrar. Ficará para a história como o exemplo maior do falso associativismo. Nunca foi o que prometeu ser; foi rapidamente tomada por oportunistas e “vendilhões do templo” que a usaram para benefício próprio, carregando-a de dívidas até ao último suspiro. Demos conta, por aqui, da desvergonha, mas toda a gente com responsabilidade fez ouvidos-moucos.   

A câmara – agora transformada em Junta – quer comprar o imóvel, para, dizem aquelas alminhas TODAS, salvaguardar o interesse público e instalar ali um espaço de apoio ao sector empresarial e ao empreendedorismo (a banha-da-cobra da moda para a política económica).

O que não faltam à câmara são imóveis às moscas ou subaproveitados. Tem, até, um Centro de Negócios desocupado que nunca serviu para a finalidade subjacente à sua construção.

Porquê, então, a compra de mais e mais património imobiliário?

Somos - e temos sido - (des)governados por políticos que julgam que basta colocar dinheiro numa ideia tonta para ela se tornar virtuosa. Na área privada, estas aventuras têm perna curta, porque o dinheiro tem dono; na esfera pública são um desastre completo, porque o dinheiro não tem dono e os políticos são incapazes de assumir os logros.


PS: é por estas e por muitas outras que temos que continuar a andar por cá…, a dizer estas coisas feias!

10 de novembro de 2021

Poder de Compra – evolução de uma década

O INE divulgou recentemente o Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio (EPCC) que integra informação estatística reportada ao ano de 2019, relativo à população residente em 31 de dezembro de 2019.

A partir de 16 variáveis socioeconómicas o estudo disponibiliza três indicadores: o IpC, Indicador per Capita do poder de compra (primeiro fator extraído da análise), que pretende traduzir o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, nos diferentes municípios ou regiões, tendo por referência o valor nacional; a PPC, Percentagem de Poder de Compra (indicador derivado do primeiro fator), que reflete a importância do poder de compra manifestado quotidianamente em cada município ou região no total do país para o qual a PPC assume o valor de 100%; o FDR, Fator Dinamismo Relativo, que pretende refletir o poder de compra, de manifestação irregular e, geralmente, sazonal, associado à dinâmica que persiste na informação de base para além da refletida no Indicador per Capita, relacionada com os fluxos populacionais induzidos pela atividade turística.

O estudo revela que Área Metropolitana de Lisboa (121,8) e o Algarve (100,8) constituíam as duas regiões com valor de IpC acima do nacional. As três restantes regiões do Continente — Norte, Alentejo e Centro— registavam IpC relativamente próximos: 93,0 para a região Norte, 90,8 para a região Alentejo e 88,7 para a região Centro

A região de Leiria registava IpC de 91,98, abaixo da média nacional mas acima do valor da Região Centro (88,7).

Dentro da região de Leiria, Pombal registava o valor de 82,72, abaixo da Região Centro e ainda bastante abaixo da Região de Leiria. Contudo, regista uma recuperação significativa (9,29 pp), tal como Porto de Mós (12,47 pp), Pedrogão Grande (9,87 pp), Ansião (9,13 pp), Alvaiázere (9,09 pp), Figueiró dos Vinhos (8.94) ou mesmo Castanheira de Pêra (6,65). No entanto, convém referir que a recuperação é mais fácil quando se parte de um valor baixo.

No que se refere ao PPC, Pombal não regista nenhuma melhoria. Já no que se refere ao FDR evidencia uma melhoria significativa (de -0,152 em 2009 para 0,169 em 2019) que estará relacionado com algum incremento da actividade turística.   

1 de agosto de 2021

Censos – apontam para copo meio cheio ou copo meio vazio?

Os dados preliminares dos Censos de 2021 monopolizaram a discussão durante o PAOD na última reunião do executivo da CMP. O tema é relevante, por revelar muito do estado do concelho. Mas a discussão foi de uma pobreza e de uma desonestidade intelectual chocante.

O assunto foi introduzido pelo doutor coiso com conjunto de dados onde misturava alhos com bugalhos, regados com a habitual retórica opinativa oca e enganadora, que entrelaça tudo e não acrescenta nada que não seja autoelogio; pelo meio teve o topete de se apresentar como um paladino da meritocracia e da lisura e muito crítico dos tachos por via do cartão partidário (com exemplos que mostram desconhecimento e falta de seriedade gritante).

A doutora Odete mostrou - mais uma vez - que sobre esta e outras matérias relevantes não tem nada para dizer para além de meia dúzia de vulgaridades e uma ou outra intenção desajustada ou sem valor (veja-se a proposta de aposta forte no turismo como solução para a obtenção de rendimentos elevados).

O Pedro Brilhante responsabilizou unicamente o actual presidente da câmara pela calamidade (desfalecimento do concelho) com muita agressividade e pouca consistência (taxa de desemprego, o desemprego sistémico, eleitores / população activa…).

O presidente da câmara tentou tapar o sol (a intempérie) com a peneira, num esforço retórico inglório. Contudo, tem razão em dois pontos: o problema desfalecimento do concelho é estrutural e é preciso saber ler os dados.

Actualmente, não é preciso ser muito sério e esclarecido para reconhecer que Pombal nunca foi o concelho charneira, pujante, de que o poder instalado tanto se foi vangloriando ao longo de duas décadas. No mandato 2006-2009, a bancada do PS na AM foi alertando repetidamente o executivo e a maioria que o suportava para o desfalecimento do concelho e para necessidade de inflectir o rumo - a deriva. Sem sucesso. Nem sequer ouviam; preferiam gozar com a mensagem e com o mensageiro (não é um tique recente deste poder) - eis uma das razões de criação do Farpas.

Quem olha com olhos de ver para a realidade local percebe que o concelho nunca teve tecido económico robusto e com capacidade para gerar valor e rendimentos elevados. O tecido económico foi disfarçando as fraquezas, e a comunidade vivendo de forma desenrascada, muito à custa do sector da construção civil. Mas a crise económica de 2003, a que se seguiu a de 2008, expôs as fragilidades.

Pombal desfaleceu porque os executivos municipais nunca procuraram atenuar as fraquezas evidentes: uma agricultura de subsistência rudimentar incapaz de gerar rendimentos; um comércio obsoleto de cariz familiar; uma indústria difusa, sem cadeia de valor e sem um cluster que funcionasse como âncora de competências centrais. Houve dois momentos/períodos em que poder político poderia ter invertido a situação, se tivesse feito um esforço para apanhar os dois últimos comboios da industrialização, o que passou no início da década de oitenta (primeiro PEDIP) e o do final da década de noventa, do século passado, períodos de forte expensão industrial, nomeadamente na região onde o concelho está inserido, mas nem sequer tentou. Nessa altura teria sido possível recuperar boa parte do atraso económico, como o fizeram Leira e Marinha Grande. Mas o poder político tinha outra prioridade: a obsessão pela manutenção e aprofundamento do poder. E nessa empreitada desperdiçou recursos e energias que bem usadas teriam invertido a situação. Um povo, uma comunidade, um poder que não se foca no essencial está condenado à estagnação e ao retrocesso.

A queda da população residente não é um fenómeno recente, como alguns dizem; começou por volta de 2001-2003, e não se tornou logo visível porque foi camuflada pelo forte aumento do número de eleitores entre 2009-2011, por via administrativa (recenseamento automático com a renovação do Cartão do Cidadão).

Os indicadores demográficos são essenciais para avaliar a realidade socioeconómica por que são relativamente fiáveis e bons predictores, mas têm o inconveniente do retardo no tempo - medem o que já aconteceu há algum tempo. Por isso, quando se discute estas questões publicamente, nomeadamente no exercício de funções públicas, convém saber do que se fala e com base no que se fala; ou seja, não abusar da desonestidade intelectual.

 PS: A perda de população não é – em si – um problema, até porque temos população a mais. Geralmente, o problema (essencial) é o que gera a perda. 

18 de maio de 2021

A Oeste, as posições estão marcadas

Depois de muitas hesitações, avanços e recuos, o presidente da UFIGMM - o independente Gonçalo Ramos - tomou posição pública de apoio ao Investimento da Lusiaves na Guia. E deu os passos seguintes: mobilizou o seu “exército” e começou a fazer campanha pela causa. Posições claras são sempre de louvar, nomeadamente em Política. 

Nas últimas autárquicas, foi o posicionamento sobre a agregação das freguesias que definiu o vencedor. Agora, será o posicionamento sobre o caso Lusiaves a fazer a diferença – independentemente dos méritos ou deméritos da governação. Até porque, o Investimento da Lusiaves na Guia tem - em si - tudo o que é necessário para ser fracturante; a que se junta um contexto já muito fracturado: rivalidade entre freguesias; ou melhor: rivalidade com a Guia.

Um investimento da dimensão do da Lusiaves na Guia tem inevitavelmente impacto relevante naquela faixa de território (UFGIMM). Muitos chamar-lhe-ão, e defendê-lo-ão, como um investimento estruturante. Considero-o anti-estruturante porque não reforça o potencial daquela região, enfraquece-o, nomeadamente da Guia, a freguesia com maior potencial de crescimento, mas também de todo o Oeste. 

A politização do Investimento da Lusiaves na Guia é natural e desejável. Mas se assentar unicamente nos potenciais dividendos eleitorais, como parece, é redutor. Daí que não se perceba, também, a posição fortemente contestatária do núcleo de PSD no Oeste, que se limite a defender a deslocação da indústria alimentar (matadouro e processamento de carnes) para umas centenas de metros da periferia do núcleo urbano, como se, ao afastá-la ligeiramente da vista, deixasse de senti-la.

Por agora, não dou palite sobre qual a posição vencedora nas urnas. Mas sei qual é a posição virtuosa no médio e longo prazo, para a Guia e para a UFIGMM.

Em política, o verdadeiramente pernicioso não é tanto um político enganar-se numa ou noutra opção relevante; é ser somente tacticista ou desconhecer o potencial do seu território.

30 de março de 2021

Com a (meia) verdade vos engano

Há cerca de um ano, o presidente da câmara anunciou e publicitou o Investimento da Lusiaves na Guia como o verdadeiro “el dourado” para o Oeste e para o Concelho. Talvez tivesse sido mais avisado, para o curso do negócio, menos pompa. O povo não é todo burro, e quando a esmola é grande desconfia.

Com o passar do tempo e o esmiuçar da coisa, as dúvidas sobre o negócio cresceram com a névoa lançada sobre os seus impactos. A chegada do Pedido de Informação Pérvia (PIP) deveria clarificar a coisa, ofuscou-a ainda mais. A Oeste, onde foi distribuído aos bocados, acicatou desconfianças e “obrigou” o poder instalado a convocar a contragosto uma assembleia de freguesia extraordinária par
a discutir o caso. Nos passos do concelho, foi o assunto principal da última reunião do executivo.

Surpreendentemente, ou talvez não, coube ao vereador Murtinho, e não ao presidente da câmara que tem o pelouro do Desenvolvimento Económico, a defesa do negócio com informação até essa altura não divulgada – um esclarecimento sobre o PIP entretanto pedido, disse ele. Por alguma razão, não foi D. Diogo a revelar, e a usar, aquela informação supostamente relevante; e talvez pela mesma razão, coube, desta vez, ao vereador Murtinho o papel de ilusionista – fazer o truque de mostrar uma coisa para esconder outra. Falou da gama de produtos mas ignorou (escondeu) o que importa, o que esclarece tudo: o PROCESSO, mais concretamente o MATADOURO.

Nisto da política, o vereador Murtinho pode considerar-se já um feiticeiro, mas não passa de um simples aprendiz (do métier). Já percebemos que já aprendeu que meia-verdade é a melhor das mentiras, mas ainda não sabe mentir.


25 de março de 2021

A Oeste as coisas aquecem…

... Entre os defensores e os opositores ao Investimento da Lusiaves na Zona Industrial da Guia.

Com a chegada do Pedido de Informação Prévia (PIP), à câmara e à junta, ficou mais claro que a empresa pretende instalar um matadouro e processamento de carne(s) – “uma unidade industrial (tipo I) de processamento alimentar”, num complexo industrial com de 160 m de frente, 190 m de profundidade e blocos com 14 m de altura – um monstro -, junto à vila da Guia, com todos os impactos ambientais conhecidos.

Perante isto, a contestação da oposição (núcleo do PSD do Oeste), da associação de melhoramentos da Guia – Amago, que avançou com um Providencia Cautelar contra o Hasta Pública e o Investimento/Unidade, e de uma boa parte da população, a junta joga à defesa, queima tempo, esconde o jogo, e faz trapalhadas – convocou a contra-gosto uma assembleia de freguesia para discutir o PIP, por videoconferência, que não conseguiu(?) realizar.

Resultado: de um problema fez dois. Em política, os problemas desconhecidos abafam-se (e resolvem-se); os públicos enfrentam-se e matam-se o mais rápido possível.

Quem não tem posições claras sobre questões estruturantes pode servir para muita coisa, não serve para governar.

10 de março de 2021

ADN236 - Propaganda barata

O PSD local – Pedro Pimpão – resolveu fazer uns Webinar a que resolveu chamar ADN236. Pela amostra, o ADN é fraco. Tão fraco que o primeiro, sobre “O Conhecimento ao Serviço do Desenvolvimento”, não se pode deixar passar em claro, por aqui.

Que os provincianos de cá não dominem “o Conhecimento”, “o Desenvolvimento” e a relação entre ambos, compreende-se e aceita-se; que Académicos, peritos na matéria, não tenham nada para dizer sobre a temática para além de simples banalidades (orador dixit) mal ataviadas, não…

Que a província - esta - se regule pela pobreza franciscana, aceita-te; da Academia (e afins) espera-se um poucachinho mais.


4 de novembro de 2020

Pombal Industrial

Pombal Industrial é isto – o que o vídeo mostra. Bem sei que não é só isto, que também há o resto, os bons exemplos, a outra parte. Mas esta, o Pombal Industrial que existiu e morreu, mostra-nos o percurso, os erros, o desleixo - a forma como o poder político nunca cuidou dele.

A história do desfalecimento de Pombal é a história do falhanço da industrialização do concelho (de que me fartei de falar aquando da passagem pela AM). Bem sabemos que as empresas têm um ciclo de vida, que há as que morrem e as que nascem. Mas esses processos têm que ser geridos. Aqui, nem um nem outro o têm sido. O estado deplorável do Parque Industrial da Formiga, mesmo no centro da cidade, mostra o profundo desprezo do poder político pela economia do concelho. 

Cada um é para o que é – este poder político é para ganhar eleições. Sabe que as ganha fazendo a via-sacra pelas capelinhas, comissões fabriqueiras e associações.