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21 de dezembro de 2023

Redinha: quem nasceu para a forca não morre afogado



Os habitantes da Redinha ainda estão naquela fase em que uma pessoa não sabe se ria ou se chore. À falta de melhor ideia, o (ainda) presidente da junta decidiu criar um motivo de atração na terra: uma forca. Como está bem de ver, o povo é um ingrato e não está a corresponder a tão nobre iniciativa, que evoca qualquer coisa que ele lá saberá, mas ainda não disse. 

O que disse, na última reunião da Assembleia de Freguesia, esta semana, foi que sim, concorreu e foi colocado nas Lajes do Pico. É claro que concorreu porque sim, já que, pasme-se, diz que nunca foi intenção dele aceitar o cargo. Que o seu compromisso é com o povo da Redinha. E por isso, finda a comissão de serviço em Pombal, está de novo no posto de trabalho em...Alcobaça.

Se dúvidas houvessem, saberíamos agora que Paulo Duarte é um rapaz que gosta de testar o sistema, só para ver se funciona. Terá sido essa a razão pela qual indagou, junto de uma figura do PS, o que era preciso para renunciar ao cargo - isto antes de aqui tornarmos pública a colocação nos Açores. Um autarca previdente, é o que é. Ou como diz o povo: "quem nasceu para a forca não morre afogado". 

14 de outubro de 2020

Pobre Câmara rica

                                             foto: Terras de Sicó

As notícias municipais dão conta de que a Câmara vai comprar (ou já comprou?) um terreno na Redinha, pela módica quantia de 98.504 euros, onde a Santa Casa da Misericórdia  local pretende construir uma ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos), a designação pomposa que agora se dá aos lares, quando albergam um três-em-um - concentram-se ali as valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário.

Não está em causa a necessidade premente do sector público ou privado encontrar soluções que respondam à procura da população de uma determinada freguesia, mesmo quando há aqui algumas pequenas nuances, na Redinha: o atual provedor da Santa Casa da Redinha já foi, em tempo, candidato pelo PS à junta local (converteu-se a tempo, para o PSD) e o presidente da Junta está há muito rendido ao poder e à maioria vigente. Aliás, não se percebe por que razão o PS ainda não lhe retirou a confiança política, pois que vota sistematicamente contra o partido que lhe suportou duas candidaturas, ignorando-o descaradamente. Mas adiante.

O que está em causa é a Câmara gastar quase 100 milenas num terreno. Num terreno na Redinha. Junto às escolas de salas vazias e ou fechadas - como é o caso do Colégio Cidade Roda. Ora, aqui cola-se outra particularidade: é voz corrente que o próximo destino daquele edifício bem poderia ser...uma residência para idosos. 

Por último, sobra uma dúvida: o que aconteceu ao benemérito que há anos oferecera um terreno para construir um Lar da Santa Casa na Redinha?

Ficamos todos descansados com a limpidez deste processo, e com a certeza que a Câmara dá: "O Executivo Municipal considera que o envelhecimento é o segundo eixo de intervenção prioritário definido no Plano de Desenvolvimento Social do Concelho de Pombal, sendo objetivo de até 2021 apoiar medidas para o desenvolvimento ativo e saudável no concelho, garantindo os recursos e respostas necessárias à proteção da população sénior". Em residências, portanto.

Agora que sabemos do segundo eixo, só nos falta saber do primeiro. 

11 de abril de 2018

Os presidentes (des)alinhados

Nas últimas eleições autárquicas, o PS e o movimento de Narciso Mota (NMPH) só tiveram uma única alegria: vitória na junta da Redinha (PS); vitória na junta do Oeste (NMPH).
Foram vitórias de Pirro. Depois de eleitos, os dois presidentes de junta colaram-se, de imediato, à maioria; e (parece que) Paulo Duarte e Gonçalo Ramos cortaram qualquer alinhamento político com as forças pelas quais foram eleitos. No Oeste, o presidente vai soar as estopinhas para derrubar a oposição que o PSD lhe faz, pelo menos (ou apenas...) localmente, a não ser que Diogo Mateus dê ordens ao nosso lacaio do partido para abrandar.
Tudo isso é bem visível na Assembleia Municipal: alinham sempre com a maioria e contra as forças pelas quais foram eleitos; e fazem-no de forma gratuita, já que, ali, não contam para nada.
Esta postura política ultrapassa, em muito, a quebra (pontual) da indispensável solidariedade política: configura traição política – mudança de campo. 

O caso do CDS em Abíúl, no último mandato, deveria servir de lição. Mas para isso é preciso que a oposição seja capaz de aprender. O resultado está à vista de um cego.

1 de fevereiro de 2018

Olha que não! Olha que não, Renato

Nota prévia: O Farpas está agradecido ao Renato Guardado pela sua participação no debate sobre os investimentos que a câmara está a realizar nos Poios. Exercer a cidadania, debater a coisa pública com os cidadãos, deveria ser um dever de cidadania, nomeadamente por parte de quem exerce ou exerceu cargos políticos; mas, na ausência de políticos capazes de dar a cara pelo que fazem, transformou-se num favor, que creditamos com gosto. Mas convém lembrar que a participação no debate foi, também, ou acima de tudo, uma oportunidade, para, finalmente, o Renato Guardado, em seu nome, e em nome do poder que representa, informar e esclarecer os residentes nos Poios, na Redinha e em Pombal, sobre o que andam a fazer na serra com o nosso dinheiro. No entanto, a gratidão devida não o isenta ao contraditório, nomeadamente quando opina sobre os d` Casa, ou debita juízos inconsistentes sobre as temáticas em discussão.

Ouvindo as suas intervenções no debate e lendo o post, percebe-se que para o Renato Guardado “tornou-se evidente que a questão apresentada encerra em si uma forte carga negativa sobre o tema”. Não foi isso que achou a ampla plateia - os residentes nos Poios e na Redinha, a quem nunca ninguém passou cartão, informou ou deu explicações - e não é isso que a semântica da frase mostra: a questão é muito neutra; os tempos verbais, “valorizam” ou “estragam”, são antónimos, como seriam, também, os termos “beneficiam” ou “prejudicam” (numa linguagem mais técnica).
O Renato Guardado acusa-nos de procurarmos gerar “um certo alarmismo” e de “manifestação de um mero preconceito e uma tentativa de manipulação da opinião pública”. Discordo totalmente. Procurámos exactamente o contrário: o confronto aberto e livre de duas posições contrárias - a melhor forma de formar opinião -, ouvindo todos. Acho que o conseguimos, mas aceito opinião contrária… Por outro lado, não fomos alarmistas: não dissemos que o CIMU vai deslizar e arrasar a aldeia dos Poios ou que o rabisco da Ponte Suspensa no Vale do Poio vai cair em cima dos caminhantes.
No debate, tivemos mais o Renato Guardado político do que o arquitecto. Nada a opor; foi escolha sua, que respeito. Mas registo e realço que defendeu os investimentos com argumentos políticos pouco consistentes e até demagógicos. Quando afirma que tanto na localização, como no programa, e até mesmo sobre a arquitetura do edifício saliento que houve à época da conceção do projeto um consenso alargado entre os vários parceiros do mesmo” e, agora, se verifica que ninguém ou muito poucos (onde ele talvez se inclua) defende a localização, o programa (já abandonado, em boa parte, pela câmara; digo eu) e a arquitectura, podemos concluir o seguinte: o consenso era aparente, como acontece sempre com poderes autocráticos.
No que se refere à implantação do edifício, afirma o Renato Guardado, que apesar de “parecer não coincidir com o projetado, realço que essa impressão é gerada pelo facto de a obra não estar terminada e faltar fazer a reposição de terras no local”. As terras nas imediações não foram movimentadas; a estrada, única – no lado com maior impacto negativo - está no mesmo sítio. O Renato Guardado defende a subida da cota da estrada, vários metros, para enterrar o edifício? Com este argumento o Renato Guardado reage como o alfaiate que enfrenta o desgosto do cliente com a prova do fato: culpa o cliente por não caber no fato feito à sua medida, e aconselha-o a colocar uns enchumaços.
Relativamente à desvalorização do impacto do(s) empreendimento(s) na paisagem protegida, com base no argumento de que “o edifício é apenas uma ferramenta que virá facilitar a implementação” de uma “estratégia de intervenção no território, julgo ser difícil considerar que a mesma venha estragar a Serra do Sicó”, por respeito ao autor dispenso-me a classificá-lo.
Sobre o investimento da Ponte Suspensa sobre o Vale do Poio Novo, divulgado e programado pela câmara, Renato Guardado agarra-se a uma imagem simples e inócua, criada pelo Farpas, para ilustrar, na ausência de outra, a prevista ponte, para afiançar que “a imagem apresentada no debate é uma ilustração feita pelos “da casa Farpas”, com um propósito de orientar os leitores e os presentes para uma opinião negativa sobre a mesma. Formular esta imagem e esta opinião sem conhecer o verdadeiro projeto, considero ser a manifestação de um mero preconceito e uma tentativa de manipulação da opinião pública”. Demagogia pura. Depois contesta, sem razão, a divulgação, no debate, pelo outro orador, dos 420.000€ programados no Pano de Investimentos para a construção da referida ponte. Quem orçamenta 420.000 € para a construção de um equipamento num local problemático deve ter uma ideia clara do que pretende fazer, deve discuti-la com a comunidade, e ouvir. Convinha que tivessem aprendido alguma coisa com o desastre do CIMU-SICÓ.

23 de janeiro de 2018

Os investimentos na serra em debate no Farpas


Os debates do Farpas prosseguem em 2018, ano em que completamos 10 anos de vida. O próximo acontece já na segunda-feira, 29 de janeiro, pelas 21 horas, no Café Concerto, e traz à discussão um tema polémico: os investimentos anunciados para os Poios, na Redinha, valorizam ou estragam a serra? Dois oradores convidados vão apontar prós e contras, num debate que só faz sentido com a participação de todos os que se interessam e preocupam com o futuro da serra de Sicó. A anunciada ponte suspensa e o reconvertido Explore Sicó (Centro de Interpretação) estão em cima da mesa. Venham daí discuti-los!