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20 de dezembro de 2019

Traição ou desfaçatez?


Esta manhã, durante a última reunião de Câmara deste ano horribilis na autarquia, Diogo Mateus entregou publicamente um presente de natal a Pedro Martins - acabado de sentar na cadeira da vereação, em substituição de Anabela Neves. Deu-lhe os pelouros que retirou a Pedro Brilhante, e ainda uns que eram de Ana Cabral. E Pedro Martins - que Diogo não quis levar consigo em 2013, quando acabou o reinado de Narciso Mota - aceitou, todo contente.
Diz ele que as motivações são as mesmas que o fizeram aceitar integrar a lista de Narciso Mota, em 2017, e chama-lhe vontade de contribuir para o progresso "da nossa cidade". Pombal é um bocadinho mais que o largo do Cardal, Pedro. Assim como ser vereador é (ou deveria ser) um bocadinho mais que técnico de informática, por mais reputado que se mostre. 
Nesta ocasião ocorre-me uma crónica antiga, de um amigo comum (Daniel Abrunheiro), que enunciava a quantidade de professores dedicados à política local, porque "dar aulas é chato". Sim, deve ser. E será muito mais confortável viver com o ordenado de vereador, convenhamos. Aos poucos, Diogo Mateus vai conseguindo um feito que parecia impensável nas autárquicas de 2017: unir o PSD. Já amaciou os azedumes de Narciso Mota, agora repescou Pedro Martins. Sobra Micael António, orgulhosamente só, a levantar uma bandeira do NMPH. Alguém lhe diga que o movimento acabou, por caridade.
Imagino os milhares de eleitores que votaram naquela "alternativa", que olharam para Narciso Mota e seus muchachos como linha política que queriam para este concelho. É de traição que se trata, sim. E desfaçatez. Mas já se sabe que em política o que hoje é verdade amanhã é mentira. E que, como diz a canção,  "não se pode andar direito quando se tem a espinha torta". Alguém endireite a cadeira a esta gente. 

11 de abril de 2018

Os presidentes (des)alinhados

Nas últimas eleições autárquicas, o PS e o movimento de Narciso Mota (NMPH) só tiveram uma única alegria: vitória na junta da Redinha (PS); vitória na junta do Oeste (NMPH).
Foram vitórias de Pirro. Depois de eleitos, os dois presidentes de junta colaram-se, de imediato, à maioria; e (parece que) Paulo Duarte e Gonçalo Ramos cortaram qualquer alinhamento político com as forças pelas quais foram eleitos. No Oeste, o presidente vai soar as estopinhas para derrubar a oposição que o PSD lhe faz, pelo menos (ou apenas...) localmente, a não ser que Diogo Mateus dê ordens ao nosso lacaio do partido para abrandar.
Tudo isso é bem visível na Assembleia Municipal: alinham sempre com a maioria e contra as forças pelas quais foram eleitos; e fazem-no de forma gratuita, já que, ali, não contam para nada.
Esta postura política ultrapassa, em muito, a quebra (pontual) da indispensável solidariedade política: configura traição política – mudança de campo. 

O caso do CDS em Abíúl, no último mandato, deveria servir de lição. Mas para isso é preciso que a oposição seja capaz de aprender. O resultado está à vista de um cego.

8 de novembro de 2013

Ouro, incenso e mirra

As comemorações do Dia do Município (que este ano ainda se assinala a 11 de Novembro) apresentam-se agora como uma organização conjunta da Câmara Municipal e da Paróquia. Aliás, o programa é claro: Dia do Município/Festas de São Martinho. A notícia (escorreita) da Rádio Clube assinala o facto de, "pela primeira vez" estarem envolvidas algumas instituições locais. Vamos ser claros: Já todos tínhamos percebido que a Igreja (Católica) foi ganhando terreno na causa pública, sobrepondo-se, também por cá, ao Estado Republicano e Laico. O programa de actividades vem desvendar essa escalada.
Ficamos então à espera de um milagre: oxalá os ventos de mudança que parecem soprar (para bem de todos) no modus operandi do executivo municipal, consigam tornar Pombal num palco de mais valores humanos (e cristãos, já agora), e menos cenário de inquisição - sempre pronta a queimar na fogueira quem não se cobre de véu para dizer "ámen" em toda e qualquer circunstância.
Para além das Festas de São Martinho, o programa integra a tradicional distribuição de medalhas, este ano dedicada exclusivamente aos "dinossauros" do poder autárquico. Vai tudo* corrido a prata: 
António Carrasqueira | Abiul
António Fernandes | Mata Mourisca
Carlos Cardoso | Redinha
Carlos Domingues | Ilha
Eusébio Rodrigues | Carnide
Guilherme Domingues | Santiago de Litém
Leovigildo Fernandes | Carriço
Manuel António | Guia
Ouro, só para Narciso Mota.
*Fica a faltar nesta lista o nosso comentador de estimação, engº Rodrigues Marques, último presidente da Junta de Albergaria dos Doze, ainda presidente dos Bombeiros Voluntários de Pombal e da Rádio Clube. Segundo a notícia publicada no FB da mesma, "é a excepção, uma vez que no ano passado recebeu a Medalha de Mérito Associativo Grau Ouro". Trabalho feito não dá cuidados.