Esta manhã, durante a última reunião de Câmara deste ano horribilis na autarquia, Diogo Mateus entregou publicamente um presente de natal a Pedro Martins - acabado de sentar na cadeira da vereação, em substituição de Anabela Neves. Deu-lhe os pelouros que retirou a Pedro Brilhante, e ainda uns que eram de Ana Cabral. E Pedro Martins - que Diogo não quis levar consigo em 2013, quando acabou o reinado de Narciso Mota - aceitou, todo contente.
Diz ele que as motivações são as mesmas que o fizeram aceitar integrar a lista de Narciso Mota, em 2017, e chama-lhe vontade de contribuir para o progresso "da nossa cidade". Pombal é um bocadinho mais que o largo do Cardal, Pedro. Assim como ser vereador é (ou deveria ser) um bocadinho mais que técnico de informática, por mais reputado que se mostre.
Nesta ocasião ocorre-me uma crónica antiga, de um amigo comum (Daniel Abrunheiro), que enunciava a quantidade de professores dedicados à política local, porque "dar aulas é chato". Sim, deve ser. E será muito mais confortável viver com o ordenado de vereador, convenhamos. Aos poucos, Diogo Mateus vai conseguindo um feito que parecia impensável nas autárquicas de 2017: unir o PSD. Já amaciou os azedumes de Narciso Mota, agora repescou Pedro Martins. Sobra Micael António, orgulhosamente só, a levantar uma bandeira do NMPH. Alguém lhe diga que o movimento acabou, por caridade.
Imagino os milhares de eleitores que votaram naquela "alternativa", que olharam para Narciso Mota e seus muchachos como linha política que queriam para este concelho. É de traição que se trata, sim. E desfaçatez. Mas já se sabe que em política o que hoje é verdade amanhã é mentira. E que, como diz a canção, "não se pode andar direito quando se tem a espinha torta". Alguém endireite a cadeira a esta gente.
