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6 de maio de 2026

A realidade paralela que alimenta o unanimismo. Quem ganha com isto?


 


A minha costela masoquista levou-me a espreitar a gravação da Assembleia Municipal. A bem da verdade, se cada um de nós soubesse os mínimos do que se passa na coisa pública, talvez não deixássemos que a mesma chegasse a este estado, que o nível baixasse além da indigência. O Adelino Malho já aqui fez um bom resumo do que é aquele ajuntamento, por isso não importa repisar na forma, na deformada forma do órgão que deveria fiscalizar a actividade municipal.  Sendo assim, aqui deixo apenas duas notas para reflexão:

1. Os eleitos do PSD, incluindo os presidentes de junta, encarnam bem o papel da formiga no carreiro - mas nunca ousam ir em sentido contrário, como cantava Zeca Afonso, para nunca correrem o risco de lerpar e trepar às tábuas. Noutros tempos, a defesa da maioria (e do executivo) era feita com pensamento próprio. A excepção era o que agora se tornou regra: o elogio bacoco da actividade municipal, a lambebotice enfadonha. E a oposição? Prepara-se mal, fala a medo, deixou-se tomar pelos bullies que povoam a maioria. 

Olhando para o quadro de miséria que se abre à nossa frente, percebemos que é preciso afagar egos para singrar na vida: as assessoras/adjuntas que conseguiram um lugarzito nos gabinetes de ministros ou secretários de estado, os que ainda não conseguiram mas têm na vida esse objectivo, os que foram penosamente afastados e agora regressam, todos contentes. E voltamos aos presidentes de junta: só aqui é que são tidos como figuras políticas, só aqui têm a veleidade de perorar sobre as posições da oposição. Os que falam, gastam mais tempo a engordar o coro de ataque aos desgraçados do PS e Independentes do que a levantar os problemas - concretos e reais - das suas freguesias. Os que não falam, aprenderam rapidamente a rir, de gozo. Estão ali por inerência. Só para lembrar.

2. Custou-me, nesta assembleia, ver um homem que muito estimo (enquanto médico, mas também enquanto cidadão)  tecer loas a um dos ramos de enfeite do poder: a assembleia municipal sénior. José Grilo Gonçalves tem dedicado uma parte importante da sua vida à gerontologia. E saberá tão bem como eu que todos aqueles planos e estratégias "para o envelhecimento activo" não passam de balelas. Quem está nesta fase da vida sabe que lidar com a velhice dos pais é o verdadeiro desafio da idade adulta. E somos muitos. Não, não é com estes números de folclore (cujo critério de selecção já é, por si, duvidoso) que combatemos o idadismo, o isolamento, os dias dos que definham dentro de suas casas ou nas salas dos lares e centros de dia. Queremos dar visibilidade aos mais velhos? É incluí-los nas listas às juntas, à Câmara, à Assembleia. A intervenção de José Grilo teve o condão de colocar a nu a nossa realidade: por cada 100 jovens temos 261 idosos.

Depois de ouvir uns e outros tecer loas à eleição da jovem autarca, à realização da assembleia sénior e quejandos, uma pessoa fica a pensar que um dia destes ainda replicam os modelos na creche e no infantário; depois hão-de fazer a assembleia das mulheres, dos migrantes, dos canhotos e dos que usam bigode. Tudo serve para a fotografia, que é, afinal, o que lhes importa. 

Uma nota final para os que gostam de embandeirar em arco com "a juventude a discursar no 25 de abril". Que o façam uma vez, percebe-se. Que se torne prática, só se entende na lógica do "olhem para nós, em Pombal, que nos importamos com os jovens e com aquilo que pensam". Balelas. Duas coisas, senhores: o 25 de Abril é uma data política. Os partidos devem indicar para falar sobre ela quem entendem. Isto não é a jotalândia, ao contrário do que pensa o PSD, com anuência do PS - e do resto. 

1 de março de 2026

Pombal já voou. Agora segurem-se.




Se algum dos estimados leitores tiver paciência para ver o vídeo da Assembleia Municipal, comece pelo fim. Pode ser pela intervenção da antiga vereadora e deputada Ofélia Moleiro - que depois do corte com o partido, à conta do apoio ao amigo Narciso Mota, voltou em ombros (tal como ele), e é agora uma espécie de padroeira dos eleitos e dos heróis de capa azul e amarela, vulgo trabalhadores. Aqueles a quem pagamos, tu e eu, todos nós, para fazerem o seu trabalho. Pasme-se: não são voluntários. 

Comece pois pela intervenção da doutora Ofélia, incumbida de fazer um laudatório que incluiu até o "importante troféu" que o doutor Nelson Pedrosa recebeu, na BTL (aquele evento onde os nossos autarcas vão pavonear-se, e tirar muitas fotos e publicar nas redes), por causa do seu desempenho nos dias que se seguiram à catástrofe. Em contraponto, não gostou do pedido de uma comissão de inquérito à resposta da Protecção Civil, em Pombal, aos acontecimentos de 28 de Janeiro. "Isto é criar um circo dentro desta assembleia", disse ela, sem se dar conta de que, com essa imagem, só estaria a ofender os palhaços e os malabaristas. Não é bonito, doutora Ofélia. Mesmo quando nos dedicamos ao contorcionismo. Assim como não é bonito ver os seus companheiros tornarem a Assembleia Municipal numa taberna. Não acredito que se reveja na chafarica em se tornou o órgão. Quem chegou agora à política e nunca conheceu outra coisa, até pode achar normal. Mas não é. 

Foi o que aconteceu neste sábado, num salão a que chamamos Nobre. Tenho o maior respeito pelo trabalho de João Pimpão, enquanto presidente de Junta, mas perco-o totalmente quando entramos na intervenção político-partidária. Nos últimos quatro anos foi travado pela mão firme de Paulo Mota Pinto, que nunca permitiu a escalada, mas agora, com João Coucelo, faz o que quer, diz o que quer, e sobra-lhe tempo. Destrata os pares da bancada do PS, e tem um coro ao lado e atrás de si: Daniel Ferreira, de Vermoil (melhor fora que aplicasse energias no tanto que falta fazer na sua freguesia), Fernando Neves, de Albergaria (é melhor não falarmos desta freguesia, por agora...) e outros que tais. Tem também uma voz afinada do outro lado, o ex-presidente Eusébio Rodrigues, de Carnide (que finalmente conseguiu voltar à ribalta) com pérolas do nível "se não quer ouvir, tape os ouvidos". Pese embora os que, igualmente do PSD, também sentiram vergonha do estado a que chegou a AM, o que fica desta primeira sessão pós calamidade é uma luta na lama.

Podemos discutir se os eleitos do PS têm moral para falar do que se passa terreno. Mas ali representam cada um dos eleitores que votou neles. E desrespeitar isso é desrespeitar a democracia. Para mais, têm tanta moral como certos eleitos do PSD, que saberão da realidade nas aldeias (e nos subúrbios da cidade, onde só houve luz na semana passada e ainda não há internet nem televisão) pelo ecrã do telemóvel ou pelas imagens da TV. 

"Nos tempos que correm, o que o povo quer saber é quando e quem lhes resolve os problemas". A frase de Manuel Gonçalves terá sido das mais acertadas que ali se disseram. Mas o PSD - a quem não basta ganhar e ter tudo, precisa de espezinhar - gosta pouco que o questionem. Onde é que já se viu questionar a actuação do socorro na tempestade? Quem é que tem o topete de não estar agradecido e embevecido com o exército dos coletes e dos casacos amarelos ou laranja? Quem ousa viver sem encher a boca com a palavra resiliência, e com o jargão "juntos somos mais fortes"?

O Pedro acredita convictamente que os serviços que lidera conseguiram proteger as pessoas.  Diz que tem dificuldade em perceber as críticas, ou mesmo o "tribunal das redes sociais", onde mora a maior parte do tempo, como sabemos. Não compreende ele que o confrontem com a pouca visibilidade de Pombal nos media nacionais, porque depois dizem que é só propaganda. Esse é o ponto, meu caro Pedro. Chama-se comunicação.

Posto isto, se o estimado leitor for daqueles a quem ainda ninguém foi perguntar se estava vivo, se precisa de alguma coisa, ou não encontrou nenhum dos membros das equipas multidisciplinares que os autarcas asseguram que andam no terreno, é porque teve azar. E livre-se de perguntar pelo Plano de Acção Climática, que deveria ter sido aprovado até Dezembro do ano passado. Leiria já tinha. "E então? Em Leiria aconteceu pior que em Pombal!" - atirou João Pimpão. Vamos mesmo comparar a resposta?Claro que assim não discutimos o elefante na sala: o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil. E o serviço que o sustenta. Da parte dos presidentes de Junta, só Sandra Mendes, da Guia, pôs o dedo nessa ferida.

Portanto, agora que foi aprovado o plano tridimensional Pombal avalia, Pombal Protege, Pombal Renasce, nada temam. Pombal está bem arrumado. Já voou mais alto.

28 de fevereiro de 2024

Uma tourada em Abiul

 



A ideia peregrina de levar as reuniões magnas da Câmara- e agora da Assembleia Municipal -  para as freguesias, conheceu ontem novo capítulo, em Abiul. Ora, como está bem de ver, eram resmas de cidadãos daquela freguesia a assistir à reunião...o que diz muito da eficácia desta falaciosa iniciativa. Valeu a clarividência da presidente da Junta de Pombal, Carla Longo, que logo ao início deu a nota importante: isto é tudo muito bonito mas não há condições. Condições de trabalho. É claro que só quem trabalha consegue compreender a falta que faz uma mesa de apoio para consultar documentos, em papel ou no computador. Quem olha para a atividade política e para o exercício das funções públicas como um roteiro de vaidades, uma forma de passar o tempo e ainda ser pago por isso, nem sequer se lembra desses "pormenores". No melhor dos casos, a coisa serve para acicatar as vontades de outros presidentes da junta, como se viu bem intervenção de Gonçalo Ramos, que, pois claro, também queria um auditório. 

O mandato vai a mais de meio e já não tenho grande esperança que Paulo Mota Pinto consiga passar ao resto da sua tropa do partido algumas noções básicas de como saber estar. Ontem, em Abiul, mais uma vez Pedro Pimpão deu mostras de quem dignifica muito pouco o lugar de presidente da Câmara, num chorrilhos de à partes, bocas e risadas que lhe podiam ficar bem quando era um jota em ascensão, mas lhe ficam mal, tendo em conta o cargo que ocupa. Foi várias vezes advertido pelo presidente da AM, mas estou em crer que o que não tem remédio remediado está. 

Como isto é dos Pimpões, o auditório voltou a estar por conta do irmão João, que se permitia falar da sala, falar do corredor, falar como e quando lhe apetece.

Toda este quadro que está a acontecer tem o condão de desprestigiar o órgão AM, que todos prometaram dignificar, em juramento solene, pelas funções que lhe são confiadas. Vem-me à memória o que me disse há muitos anos o já falecido Pimpão dos Santos, na primeira reunião da Assembleia a que me mandou assistir: "é o órgão mais importante do município". E era.

Em resumo, quando perguntei sobre como tinha corrido a sessão que só hoje espreitei, aqui, a resposta não podia ser mais clara: 

- uma tourada!

30 de abril de 2022

Ir à lã e ser tosquiado


Enganaram-se redondamente os que julgaram que José Gomes Fernandes não voltaria à Assembleia Municipal, depois dos episódios de fevereiro. Em nome da verdade, confesso: também eu o julgava de espinha mais direita, perante a sua bancada, que o deixou a falar sozinho. Mas quem anda aqui há 30 anos a destilar fel político deve ter alguma dificuldade em recolher a viola. E por isso voltou. Voltou à fila da frente, para enfrentar os "farisaicos" do PS - como lhe chamou. A JGF  não lhe basta que o PSD seja maioria; é preciso que seja supremacia. O justiceiro líder (?) só tem uma vantagem relativamente a muitos sabujos da sua bancada: di-lo de caras*, com toda a raiva, sem as falinhas mansas que tanto o incomodam. 

Desta vez, Marlene Matias respondeu-lhe à letra. O que o PS precisa de entender é que JGF só percebe aquela linguagem. Não se pode usar de outra.

*veremos, nos próximos tempos, se essa frontalidade se aplica/ou a todas as bancadas da AM.

24 de fevereiro de 2022

Sessão da meia noite com velhos actores


A noite de ontem foi aquela em que o auditório municipal matou saudades do tempo em ali havia sessões de cinema. Só que, surpreendentemente, os actores não estavam na tela. A Assembleia Municipal não é um teatro (nem uma feira de vaidades, mesmo que nem todos o percebam), mas ontem terminou num clima tenso, e escreveu-se uma página vergonhosa  para a história da política local. A reunião durou quase 10 horas. O grupo municipal do PS ameaçou abandonar não apenas a sessão (começa a ser um clássico), mas a própria Assembleia Municipal, como forma de repúdio ao ataque de carácter feito a pelo menos dois membros da bancada, por parte de um velho conhecido: José Gomes Fernandes, o líder da bancada do PSD.

JGF, que tanto gosta de se fazer valer das suas origens humildes, tinha obrigação de saber que "tantas vezes o cântaro vai à fonte que algum dia lá deixa a asa". Anda há 30 anos na Assembleia a fazer ataques a torto e a direito, sem calcular que um algum dia isto havia de acontecer. Sem dar conta de que[o seu] tempo passou; a pele de enfant terrible do PSD já não lhe assenta bem e falta-lhe exército. Ficou claro ontem, se dúvidas houvesse. O desconforto na bancada 

do PSD foi tal, que dali mesmo emergiu a figura improvável desta AM: Ilídio Manuel da Mota, ex-presidente da Junta de Vermoil, um homem discreto, que "obrigou" o actual líder da bancada e ex-presidente do partido, JGF, a pedir desculpa aos membros da bancada do PS, mesmo que a contragosto, sob pena de ele próprio abandonar também a sala...

Quem estivesse a assistir a toda aquela cena burlesca estranharia, por certo, a postura do presidente da Assembleia, que deixou correr a fita até ao fim. A dada altura comparou-se ao árbitro num jogo de futebol. Se houvesse público, ouvir-se-iam apupos naquela hora. Um "fora o árbitro" nunca fez mal a ninguém...

Depois disto, fica claro que o PSD tem (mais) um problema em mãos. Porque um homem rijo quando verga, normalmente parte. 

18 de outubro de 2021

O primeiro dia do resto da vida do PS




 Ainda no andar de cima se arrumavam os restos da festarola que demos para receber como deve ser Pedro Pimpão & sua banda (vereadora Isabel Marto ao piano, exímia em Yann Tiersen e La Valse D’Amelie, pouco consentânea com o show dançante), e já no andar de baixo a meia dúzia de eleitos do PS para a Assembleia Municipal fazia aquilo que em 28 anos ninguém se lembrou de fazer: ouvir a sociedade civil, o que resta dela.

Num domingo à noite, João Coelho e os cinco que o acompanham conseguiram dar esse pequeno passo que é trazer à cidade gente de todo o concelho (e de vários quadrantes políticos) para saber o que espera o povo destes que agora se vão sentar na AM. É claro que a conversa descambou para uma catarse por parte de quem não consegue - por defeito, claro está - vislumbrar unicórnios ao virar da esquina da pastelaria Mota, estrelas cadentes na Várzea ou bolas de sabão multicolores no Cardal. Gente que viu os filhos partir, as fábricas e as lojas fechar, que pede mais do que os acordes do ‘ai meu Pombal’ para se sentir feliz, que gostava de ver de novo alegria nas ruas [não confundir com isso da felicidade, como bem lembrou Francisco Faro]; que esperava mais de uma Oposição, estes anos todos, como apontava Jaime Portela, candidato da CDU nestas autárquicas. E que oposição será esta na Assembleia? - quis saber (e bem) Célia Cavalheiro, última (e única) eleita do Bloco de Esquerda. Terá a mesma posição sobre os contratos de associação dos colégios? Pois. Faz-nos muita falta falar. Discutir. Perceber o concelho onde vivemos e quem o habita, o que pensa, por que o pensa. Nem todos estão dispostos a fazer esse exercício, como ficou claro na noite (que não das facas longas, apenas de uma nova ambição). A começar pela própria estrutura do PS. 

É sintomático que num encontro como este nenhum dos vereadores eleitos se tenha dignado lá por os pés. Quem sabe tudo, não precisa de aprender nada, muito menos de perceber, quanto mais de ouvir.

Jorge Claro fez na sua intervenção a síntese perfeita do estado da arte.

Depois queixem-se do eleitorado. 

29 de setembro de 2021

Um concelho abstencionista, notável e extraordinário


 

Nas eleições de domingo, o PSD conseguiu no concelho de Pombal o seu melhor resultado em todo o distrito de Leiria - que em tempos foi um impenetrável bastião laranja. Um orgulho partidário: o concelho onde apenas 46,77% dos eleitores foi votar, o único que perdeu vereadores e eleitos na Assembleia Municipal, pode continuar a abanar a bandeirinha, que aqui ninguém nos bate. Sobre a vitória anunciada de Pedro Pimpão já aqui falámos, no dia das eleições; sobre a derrota do PS e da Odete Alves também. Por isso falta perceber que Câmara e Juntas vamos ter.

Dentro de 15 dias tomará posse a ilustre desconhecida equipa do Pedro: Isabel Marto, Gina Domingues, Pedro Navega e Catarina Silva compõem o naipe de vereadores eleitos pelo PSD. Esperamos pela tomada de posse e pela distribuição de pelouros para mais pormenores acerca deste quarteto, onde apenas a última tem experiência autárquica. Nos lugares do PS vão sentar-se Odete Alves e Luís Simões. 

Ao fim de dois mandatos com uma Assembleia Municipal mais plural, com a presença do CDS, do PCP e do Bloco de Esquerda, voltamos (quase) ao antigamente: o PSD elegeu 14 dos 21 lugares. Além de Paulo Mota Pinto - que fará o obséquio de vir a Pombal, cinco vezes por ano, presidir a estas reuniões - foram eleitos João Coucelo, Adelaide Conceição, José Gomes Fernandes, Renato Guardado, Elisabete João, João Antunes dos Santos, Henrique Mota, Andreia Marques, Ilídio da Mota, Manuel Serra, Nicolle Lourenço, Fernando Matias e Alexandre Santos. 

O PS conseguiu recuperar dois lugares na AM. Neste regresso de João Coelho juntam-se a ele Aníbal Cardona, Carla Mariza Pereira, Leandro Siopa, Nuno Gabriel Oliveira e Marlene Matias.

A única novidade chama-se Oeste Independentes. O Luís Couto encabeçou uma lista a partir da sua região (Ilha, Guia e Mata Mourisca) e conseguiu ser eleito, contra todos os prognósticos.

Nas freguesias, pouca coisa mexe. Começa agora o último mandato da maioria de uma geração de autarcas. Mas é melhor vermos caso a caso:

Abiul. A campeã da abstenção (60%). Sandra Barros começou por ganhar a Junta há 8 anos para o CDS. Mudou-se para o PSD há 4. Perde um membro na assembleia de freguesia (7-2) para o PS, através do resistente Manuel Silva, na sua terceira tentativa. Ainda assim, o PSD ganha com 71.79% dos votos.

Almagreira. Humberto Lopes chegou a ser dado como certo na equipa de Pedro Pimpão para a Câmara, mas acabou por ir a jogo para um segundo mandato. É dele a segunda maior vitória para o PSD numa freguesia (73.25%). O PS também cresce, mas pouco. Não é alheio aqui o facto do CDS - que nas últimas duas eleições fora a segunda força política mais votada - ter desaparecido.

Carnide. Uma estreia, e uma das três mulheres que vão liderar autarquias no concelho. Sofia Gonçalves ganhou confortavelmente a Junta para o PSD (67.14%), mas é aqui que - surpreendentemente - o PS consegue a segunda melhor percentagem numa freguesia. Vítor Morgado conseguiu uma votação bastante superior à do partido para a Câmara, por exemplo. Elegeu dois membros para a Assembleia de Freguesia, de onde o PS fora varrido nas últimas eleições.

Carriço. Pedro Silva vai pegar ao serviço na Câmara com a mesma tranquilidade com que ganha a Junta, em cada mandato. Não se dá por ele, mas está sempre lá. O PS fez-lhe o favor de nem sequer concorrer. Ali, só o CDS lhe roubou cerca de 200 votos para não ser uma coisa muito aborrecida. Ganhou as eleições com 74.75% dos votos. 

Louriçal. Devoto de Diogo Mateus, estamos curiosos em ver como é que José Manuel Marques vai adaptar o estilo. Perde votos, mas continua absolutíssimo (8-1), com uma vitória de 68.37% dos votos. O candidato do PS - que num debate reconheceu ter sido "empurrado" para ali, foi o único eleito. João Pedro Domingues, do Bloco de Esquerda, subiu a votação mas falhou a eleição. E anunciou a retirada da vida política. Um descanso para o Zé Manel. 

Meirinhas. João Pimpão é o segundo "achadiço" (adoro a palavra e aprendi-a em Vermoil) a ganhar a Junta. É a vitória mais pequena em percentagem (56.35%) para o PSD, mas era aqui que se concentrava o maior número de candidaturas. Será a Assembleia de Freguesia mais plural, com representantes do PS (que sobe ligeiramente a votação e por isso elege dois membros) e um da Iniciativa Liberal. 

Pelariga. Nelson Pereira perde votos e um membro na Assembleia de Freguesia (6-3). É aqui que o PS consegue o seu melhor resultado numa freguesia - mesmo que sejam só 29.39% dos votos - com a persistência de Raul Bruno, que voltou lá, pela segunda vez. 

Pombal. Carla Longo é a primeira mulher a presidir [oficialmente] à Junta de freguesia. Na verdade, foi ela a presidente nos últimos quatros anos. Conseguiu recuperar eleitorado que fugira para o Movimento NMPH há quatro anos e apesar da vitória com 56.41% dos votos, passa de 7 para 9 membros na Assembleia de Freguesia. O PS, através de Elisabete Alves, também sobe em número de votos, percentagem e eleitos, recuperando um (9-4).

UF Santiago, São Simão de Litém e Albergaria dos Doze. Manuel Henriques Nogueira Matos (um dos mais antigos autarcas em funções no distrito e talvez no país) arrecadou mais uma vitória para o PSD, mas desta vez não foi sem espinhas: a eleição de Maria José Anastácio, da CDU, é a nota dominante aqui, acompanhada da subida do PS, que praticamente duplica a votação e elege dois membros para a AF. 

Vermoil. Parada no tempo e no espaço, a freguesia ainda consegue reforçar a vitória no PSD (7-2), para quem Daniel Ferreira consegue mais de 60% dos votos. O PS tinha ali um dos seus melhores candidatos, Luís Fernandes, mas o povo é soberano: se está bem assim, está bem assim. Fixemos antes atenções no que se passa ali internamente, pois que ontem mesmo, na reunião da assembleia de freguesia (transmitida em directo no facebook) o presidente da assembleia, Ilídio Mota (ex-presidente da junta) foi mais incómodo que qualquer oposição. Um caso a acompanhar.

Vila Cã. Finalmente o PSD respira de alívio. Ana Tenente não se recandidatou, e através de Rogério Santos, o partido recupera a Junta com maioria absoluta. Liliana Silva, a líder local do CDS, que tinha um pé na candidatura à Assembleia Municipal e outro na da Freguesia, foi a segunda mais votada. 

Redinha. Teoricamente esta é a (única) freguesia do PS (46.38% dos votos), uma vitória suada de Paulo "Silas" Duarte em 2017, por apenas 7 votos, começada em 2013. Mas pelas razões que já aqui contámos várias vezes, a vitória é dele e pronto. o PS que continue refém dele. Desta vez conseguiu maioria, o que lhe facilita a vida. E com isto, talvez Carlos Cardoso perceba, finalmente, que a água não passa duas vezes debaixo da ponte. Nem na Redinha. 

ps: uma nota digna de registo - é aqui que a abstenção é mais baixa, no universo concelhio, 38%.

União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca. Por um voto se ganha e por um voto se perde. No oeste, cada voto foi contado como se fora ouro garimpado. A campanha fez-se com a raiva nos dentes, como se estivéssemos em pleno PREC. No final, Gonçalo Ramos venceu as eleições por escassos 64 votos, mesmo que tenha subido a votação face à sua primeira eleição, então sob a capa de Narciso Mota. Não tem maioria, de novo, e o PS - repetindo a escolha de Hugo Silva - conseguiu ainda descer a votação. Os eleitos do CDS desta vez aliaram-se ao PSD, que também subiu. No oeste, aquilo não foi uma campanha. Foi uma guerra. E ainda há quem não tenha percebido que as eleições acabaram no dia 26. A esses, recordo aqui as palavras de Manuel Serra, em setembro de 2017, quando assumiu a derrota: "aquilo que se constrói em cima de indignações e revoltas tem sempre os dias contados, porque essas, felizmente, são passageiras". 

12 de setembro de 2021

Rei morto, rei posto

A última reunião da Assembleia Municipal deste mandato foi (quase) aquilo que se esperava: uma bajulação colectiva a Diogo Mateus, que soa a falso na maioria dos casos. Toda a agente sabe que Diogo foi empurrado borda-fora, que Pedro Pimpão faz de conta que o (seu) PSD não está no poder há três décadas, e pior, que D. Diogo nunca existiu. Por isso chegou a ser degradante vê-lo(s) dizer em público o contrário do que dizem em privado, destilando ao microfone a teoria do agradecimento que a prática não acompanha. 

Diogo sabe disso. E não o esquecerá. 

Mas a mais hilariante intervenção coube a José Gomes Fernandes - já na fila da frente, já a preparar-se para novo regresso a porta-voz da bancada do PSD, pois que do seu arqui-inimigo João Coucelo espera-se que esteja sempre pronto a substituir o professor, na presidência da próxima Assembleia Municipal. O partido deu um duplo tiro no pé ao incumbi-lo de fazer aquele papel. Primeiro porque toda a gente sabe que JGF (outrora conhecido como enfant terrible ou taliban do PSD local) tem o mesmo jeito para o elogio que um elefante a movimentar-se numa loja de porcelana. Depois porque não resistiu a deixar ali a sua velada farpa ao Pedro, apontando a Diogo as qualidades que sabe serem  defeitos do sucessor. A coragem, sempre a coragem, a preparação e o conhecimento.

Diogo sabe disso. E por isso lhe devolveu com a mesma moeda, agradeceu as palavras, sabendo que eram simpáticas, embora "nem todas verdadeiras". Afinal, foram muitos anos lado a lado a espezinhar os adversários, a maquinar estratégias - como aquela de fazer cair Luís Garcia, presidente da AM - a mexer as peças. Porque são raras as que tombam sozinhas. Aqui ou em qualquer lugar, Diogo não o esquecerá.

30 de junho de 2020

A democracia volta dentro de momentos. Será?



A pandemia obrigou a maioria das autarquias locais a reinventarem formas de comunicar com os munícipes, reorganizando reuniões de Câmara e de Assembleia Municipal: reduziram o número de presenças físicas, mudaram-se para espaços maiores (que permitissem o distanciamento físico), permitiram a deputados e presidentes de junta que acompanhassem a partir de casa, sem prejuízo de intervenção. 
Mas aqui resolveu-se a questão em dois tempos, no que à Assembleia Municipal diz respeito: não houve reunião em Abril. Cortado o mal pela raiz, hoje é hora de retomar a actividade da AM, sem direito à presença do público. Estou bastante curiosa em perceber como é que a senhora presidente vai resolver essas questões sanitárias, e o que mudou agora relativamente a Abril. Se eu acreditasse em milagres, já tinha a resposta.

9 de dezembro de 2019

A pecuária da Mata Mourisca, o 'modus operandi' e o carro-vassoura

No registo certo (afinal, mais vale tarde que nunca), o presidente da União de Freguesias da Ilha, Guia e Mata Mourisca levantou finalmente na Assembleia Municipal a questão da pecuária que ameaça abrir portas e cheiros naquela região - como aqui foi alertado, em Outubro último.
Depois disso, já o assunto se espalhou nas notícias.
Gonçalo Ramos percebeu, enfim, como deve ser o modus operandi: de forma clara e concisa partilhou com todos a preocupação e questionou a Câmara. Estava feito. Mas o presidente da Junta do Louriçal (que lida mal com a democracia, como facilmente se percebe, pelo desagrado manifestado com a falta de unanimidade noutros assuntos) achou que tinha alguma coisa a acrescentar. Mais: estava a achar-se tanto, que quase parecia a entidade máxima da autarquia. Ora, perante a resposta de Diogo Mateus - que, pasme-se, garantiu que a Câmara vai procurar 'compatibilizar, se for compatibilizável, a convivência humana sobre a convivência animal', percebe-se bem o desconforto causado. O poder não gosta de ser importunado, e José Manuel Marques arriscou-se muito...

ps1:  Gostei muito de ouvir D. Diogo  dizer  que governa para as pessoas. Ele não tem dúvidas. Eu às vezes tenho. Mas isso sou eu, que não fui tocada pela sabedoria de Cavaco, ao tempo da hegemonia laranja no todo nacional. 

ps2: que deleite, aquela conversa acompanhada das mais belas expressões, entre Manuel António e José Gomes Fernandes - este último regressado à linha da frente do partido. Que deleite. 

28 de fevereiro de 2019

O regresso do 'enfant terrible' do PSD

José Gomes Fernandes já foi líder da bancada do PSD, no tempo em que a Assembleia Municipal era um órgão que exalava nobreza e dignidade. Também já foi presidente do partido, num tempo em que isso contava para alguma coisa. Não deixa de ser estranho vê-lo sentado ao fundo da sala, na cauda da bancada, conferindo ao cenário uma espécie de 'mundo ao contrário'.
Mas a prova de que não é o hábito que faz o monge é ele: do fundo da sala, fez aquilo que dantes se chamava 'um ponto de ordem à mesa', no tempo em que o regimento era cumprido. Não admira que uma certa franja do PSD o preferisse para presidente da mesa da AM: sabe de leis, tem experiência naquele órgão, e não fora os maus-fígados que lhe soltam a língua teria condições para um bom desempenho.
Porém, JGF é muito mais do combate que do consenso. E é nesse papel que se sente como peixe na água, envergonhando qualquer um dos jotas - que preferem alinhar na lambebotice, talhados para puxar o lustro ao presidente da Câmara: João Antunes dos Santos, João Matias, Nicole Lourenço...a sério que isso não dá para mais? 
Foi ele quem expôs ao ridículo o lado gabarolas reinante, ao chamar para a conversa a humildade. Excedeu-se na linguagem, é certo (para quem acusava outros, noutro tempo, de usar linguagem de tasca num blogue...fez grande caminho). E como a presidente tão-pouco o advertiu...continuamos para bingo. 



2 de julho de 2018

Quando o CDS aponta o dedo


Ricardo Ferreira é - já aqui o dissemos - um dos melhores na actual composição da Assembleia Municipal. Para infortúnio nosso e da terra, está cá pouco tempo. Ainda assim, deixa sempre uma marca em cada sessão, a contrastar com o silêncio ensurdecedor do companheiro de bancada, Henrique Falcão, que quando intervém é para elogiar - claro - o que faz o executivo. Um fala em AM outro em FM, pelo que assim é difícil perceber a mensagem do partido. Ainda assim, fica o exemplo, a ironia e o tacto político do jovem Ricardo, a fazer aquilo que o PS (já) não sabe, ou não quer: denunciar o job for the girl criado pela própria Catarina Silva, quando era vereadora.  

6 de abril de 2018

Guia prático para utilizadores da Assembleia Municipal



foto: Diário de Leiria

Reúne amanhã o órgão máximo do município, num ambiente propício a uma boa discussão política. Senão vejamos:
1. O PSD está sem liderança desde há duas semanas (Pedro Pimpão despediu-se do mandato no facebook), pelo que a reunião da AM será não apenas um teste como um palco para o novo líder, que há-de ser eleito em Maio, "quando o sangue novo atiça" - lá dizia o poeta. 
1.1. Espera-se uma entrada em pleno de José Gomes Fernandes.
1.2. É reservar lugar para assistir a esse desfile de líderes-de-bancada na primeira fila. Juntar João Coucelo e JGF do mesmo lado da barricada tem tudo para correr bem.


2. O PS está motivadíssimo depois do "congresso histórico", pelo que os quatro magníficos (alô dr. Célio, é amanhã. Se não puder avise. Não faça essa desfeita a quem o convidou com tanto empenho) deverão levar preparado um naipe de intervenções políticas como a ocasião merece. 


3. Do CDS e do PP esperam-se intervenções várias.
a) Henrique Falcão estará a elencar o conjunto de elogios possíveis ao executivo.
b) Ricardo Ferreira (ou Pedro Pinto) estarão a fazer todo um trabalho de casa. Apostamos em como o tema das florestas e das responsabilidades que o município não assumiu virão à baila? E bombeiros...a talho de foice.


4. O NMPH...pois o NMPH é um problema. Assumir o papel de oposição é tão estimulante como comprometedor. Com a ausência anunciada de Manuel Barros (as melhoras, daqui lhe desejamos) vamos ver quantos galos cabem naquele poleiro.


5. Finalmente, o Bloco de Esquerda. É exótico achar piada às propostas do BE. Mas desde que uma única deputada conseguiu fazer aprovar uma medida - não obstante a ameaça por parte de certo dirigente do PSD de que isso nunca mais aconteceria - que a maioria tem cautelas e caldos de galinha. Mas não lhe basta. A presidente-em-modo-secretária viu-se obrigada a enviar duas versões da ordem de trabalhos aos deputados, pois que insistia em deixar de fora as quatro propostas adiadas na última sessão. Vamos ver que bancadas têm coragem de denunciar que o rei vai nu, que não é o presidente da Câmara que decide o que a presidente da AM deve ou não incluir na agenda. Não é bom para ninguém, nem sequer para a auto-estima da senhora. Para a democracia, pois.

16 de janeiro de 2018

Impreparada, disse ele

Mesmo sendo assertivas, não são as declarações de Michael António que mais importam. É a resposta de D. Diogo. Atentemos neste ligeiro e elegante puxar do tapete.

28 de dezembro de 2017

Quanto vale um voto?


O episódio mais caricato da hilariante reunião da Assembleia Municipal aconteceu quando a única deputada do Bloco de Esquerda , Célia Cavalheiro, propôs ao plenário uma recomendação "por uma autarquia com precariedade zero", sugerindo a aplicação, também em Pombal, do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública. 
E se a discussão mostrou bem de que massa é feita a larga maioria que compõe a AM, o momento da votação parecia captado para um programa de 'Apanhados' na TV. A bancada do PS - que se diz de esquerda - escapou ao tema como os outros: entre os pingos da chuva. E então assistimos a este momento raro: uma proposta é aprovada com um único voto, pois que PSD, PS, CDS e NMPH decidiram alinhar na abstenção. Ora, já se sabe que a abstenção não é carne nem peixe, mesmo que, pelo PS, Carlos Lopes tenha vindo querer dizer que até era tofu. E naquele instante, a presidente da Assembleia revela mais uma vez que não desconhece apenas o funcionamento interno do órgão, como da própria democracia. Chegou a anunciar a rejeição da proposta, até alguém lhe apontar que acabara de ser aprovada a recomendação, com um único voto a favor. Uma lição para quem persegue a ideia das maiorias totalitárias. 

7 de dezembro de 2017

Mas...mas...

Acham que isso se faz aos senhores deputados?


O estranho caso do deputado que suspendeu o mandato sem tomar posse...

... e do substituto que também foi substituído.

Um dos casos que fica para os anais da vida política e dos órgãos autárquicos pombalenses é o do pedido de suspensão de mandato de José Gomes Fernandes (PSD), sem chegar sequer a tomar posse. 
Manuel Barros e Carlos Lopes (ambos advogados) das bancadas de NMPH e PS, respectivamente, bem questionaram sobre a legalidade desse sair sem entrar, mas a presidente parecia ter engolido um disco riscado: 'não dei posse a ninguém e não vou responder a essa questão'. Como se percebe pelo vídeo, Fernanda Guardado atira a responsabilidade para Narciso Mota - que na qualidade de presidente cessante dirigia a AM, na sua instalação. Devidamente instruída pelo partido, passou à frente, sem apelo nem agravo, partindo para um mandato ferido de legalidade. Mais ou menos como se tivesse ocupado uma cadeira partida, e - irresponsavelmente -  continuasse sentada nela, à espera que ceda, ao estilo 'não é nada comigo...não é nada comigo...' Depois há a implacável lei de Murphy: Nuno Carrasqueira tomou posse indevidamente, e não chegou sequer a aquecer o lugar, pois que agora é fiel escudeiro do companheiro Pedro Brilhante, na vereação. Em seu lugar sentou-se o jovem João Matias, que aparece no vídeo logo atrás do jovem João Antunes dos Santos.
Bem vistas as coisas, houve pelo menos uma coisa que a presidente fez bem, naquela assembleia: decorou a lição e declamou-a. Para memória futura: impediu uma declaração, fazendo crer (por desconhecimento ou não) que entregar um texto escrito ou ditá-lo, em voz alta, para a acta, seria a mesma coisa. Talvez seja importante que a revisão do regimento (em curso) tenha em conta algumas noções básicas da língua portuguesa e dos  direitos, liberdades e garantias.



3 de dezembro de 2017

A presidente c'est moi



A primeira reunião da Assembleia Municipal tinha tudo para ser cordial e simultâneamente inócua, atendendo à ordem de trabalhos, dominada pela eleição dos diversos membros para representar a AM (e a todos nós) em vários organismos. Já se sabe que, na sua maioria, aquilo servirá de muito pouco, mas já que é assim há tanto tempo (não é dr João Coucelo?) seria uma chatice mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma.
Ora acontece que esta nova AM começa mal, partindo da (des)orientação dos trabalhos e da postura da nova presidente, Fernanda Guardado: bem sabemos que a tentação de imitar D. Diogo é grande, mas...como em tudo na vida, é preciso ter corpo para a mania. 
Foi arrogante ao mostrar uma enorme inflexibilidade na atribuição do uso da palavra aos membros da assembleia, nomeadamente  nas interpelações à mesa, colando-se aos tiques autoritários do presidente da Câmara. 
Fica-nos a dúvida: se o desempenho a que assistimos foi porque quis, ou porque não sabe mais.
É verdade que acordou tarde para a vida política, ainda assim já anda nas lides autárquicas há anos suficientes para perceber como se faz, como se honra o legado de Menezes Falcão, António Rocha Quaresma, Luís Garcia ou José Grilo Gonçalves, num passado recente. Fernanda Guardado foi parcial, porque tratou com toda a parcimónia a bancada do seu partido, e usou de toda a prodigalidade para com as bancadas da oposição.
O mais grave foi quando propôs – e foi aceite – a dispensa da votação de uma lista conjunta com o argumento de que, se era conjunta, seria aprovada por unanimidade. A votação de pessoas é sempre nominal e por voto em urna. Os partidos podem acordar uma lista conjunta, mas o voto é sempre nominal e secreto. E o resultado da votação só é considerado válido após a contagem dos votos em urna.
Em suma: mostrou que não sabe conduzir a assembleia. Tendo em conta que esta reunião (extraordinária) se limitava a cumprir formalidades habituais, o que será no futuro, quando a actividade política for a sério? 
Há ainda a manifesta insensatez na forma como tratou o caso JGF e inerentes ocupações desse lugar, mas esse é um caso que merece um post, de tão rico que é. 

29 de setembro de 2017

Então, Fernanda?


A Rádio Clube de Pombal emite amanhã à noite o último dos debates, mas nem por isso menos importante: o dos candidatos à Assembleia Municipal, gravado esta noite, nos estúdios da rádio. Ora acontece que o debate ficou coxo, pois que a cabeça de lista do PSD não apareceu. Tanta expectativa que tínhamos em saber como é que a potencial vencedora lida com o debate político, e afinal ficamos na mesma. Já sabíamos, porém, que Fernanda Guardado lida mal com os rivais em campanha... mas era esperado que, no único debate entre os oito candidatos àquele órgão máximo do município - metade dos quais são mulheres - mostrasse algumas das capacidades exigidas a quem o pretende liderar. Das duas, três: ou Fernanda não quis ir ou o partido não deixou. Ou aquilo em Vila Cã está mesmo tremido, de modo que todos são poucos para vestir a camisola e fazer número...

2 de maio de 2017

Uma vergonha

Segundo Artigo 32º do Regimento da Assembleia Municipal de Pombal, encerrada a ordem do dia, há um período para intervenção do público. Os interessados em intervir deverão manifestar a sua intenção junto da Mesa da Assembleia Municipal, antecipadamente, até ao início do período da ordem do dia. Resumindo: os cidadãos aguentam, pacientemente, 7 horas a ouvir a verborreia dos nossos deputados municipais para, no final, serem tratados com total desprezo. 

Este triste espectáculo revela também um enorme desrespeito dos eleitos para com a Assembleia Municipal. Ao tratar desta forma este importante órgão colegial do município, os deputados não dignificam a democracia e, por isso mesmo, são indignos do lugar que ocupam.