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4 de março de 2022

Lucidez em tempos de cólera

O editorial do jornal O Público de hoje é assinado pela jovem pombalense Catarina Mota. Numa altura em que o mundo parece ter perdido toda a racionalidade, Catarina lembra-nos que o futuro do planeta depende da lucidez das nossas pequenas decisões quotidianas. 

A luta da Catarina é pelo direito à vida. Uma luta maior que abraçou com mais cinco jovens - André, Sofia, Cláudia, Martim e Mariana - ao entregar no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos um processo contra 33 estados (incluindo Portugal), por causa das alterações climáticas. O que pretendem dos estados é simples: cumpram o prometido e ponham em prática as medidas necessárias para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa por forma a que se atinjam os objectivos do Acordo de Paris

Catarina mostra-nos que é possível ser-se altruísta num mundo competitivo. A sua causa é pela defesa do que nos é comum. A ameaça de uma catástrofe ecológica só pode ser evitada se todos nós perdemos um minuto do nosso tempo para ouvir o que nos tem a dizer.

10 de novembro de 2018

O que é que nos distingue, afinal?



Andei dias para escrever um post sobre uma intervenção de um jota na última Assembleia Municipal, que tecia loas à fabulosa aposta da Câmara em matéria cultural. Acabei por não escrever, com aquela sensação que não devíamos ter, de bater em mortos. Bem sei que a culpa é nossa, dos que não acompanhamos a extraordinária actividade municipal em matéria cultural: não vislumbramos uma programação no Teatro-Cine, não apreciamos a qualidade das exposições que passam pela galeria do mesmo edifício  (a última, de escultura, era demasiado para nós...), ou dos espectáculos que animam o Café Concerto. Não compreendemos que o público vai ali para rir alto e falar muito, que tanto faz ser um duo como os Terylene, ou um organista qualquer.
A culpa é nossa, pois, que não damos o devido valor ao investimento municipal na cultura, à programação que o pelouro organiza e desenvolve, nem nos comovemos com a afirmação "Pombal é Cultura", que perpassa pelo facebook de cada vez que acontece algum entretenimento. Como naquela tarde de sábado em que um grupo de gaiteiros desfilava pela cidade, com o director da Biblioteca à frente e o fotógrafo municipal atrás, mais uma funcionária que entregava panfletos. Eram os 20 anos da Biblioteca Municipal e aqueles que "são do contra", os mal-agradecidos, portanto, não foram lá "marcar presença". Porque - para o caso de não saberem - é isso que distingue um pombalense de gema, interessado e que ama a sua terra: fazer número.
É nossa, a culpa. Não sabemos de cor a letra do "ai meu Pombal", não valorizamos esse espaço ao serviço da cultura que é a Casa Varela, ou o Auditório Municipal, ou o Centro Cultural (ainda se chama assim) instalado no Celeiro do Marquês. Não sabemos aproveitar as oportunidades que a terra nos dá, e por isso é só curioso que dois dos técnicos de sonoplastia do Teatro Miguel Franco, em Leiria, sejam pombalenses. Que ainda na semana passada  deram cartas num concerto de um grupo de Pombal - o projecto Jazz - que esgotou a sala. E que sentiu a diferença de tratamento entre a cidade-natal e a que os acolheu.
A culpa é nossa, que permitimos o alastrar da (subsidio)dependência da Câmara, nos 20 anos em que Narciso Mota reinou, e nos conformámos com a displicência de Diogo Mateus. Pior: resignámo-nos, quase todos, contentado-nos com o poucochinho, demitindo-nos de qualquer papel na sociedade civil. O sucesso do Farpas - visível e palpável nas visualizações e na interacção com os leitores, sobretudo nas redes sociais, no último ano - resulta dessa consciência que temos vindo a tomar, no colectivo. Até há um ano, nas últimas eleições, por exemplo, o cidadão comum não se manifestava, lia tudo mas não comentava nada. 
Se há algum caminho que vale a pena ter percorrido é este, o de acordar consciências. Mas não basta. De que nos serve isso tudo se não houver uma alternativa ao poder em exercício? Falta-nos a bolha, não raras vezes. E aproveitarmos essa onda para valorizar o pouco que vai aparecendo, fora da caixa municipal, fora da esfera comissão-de-eventos-freguesia-de-Pombal, que acena com jantares aos participantes em iniciativas (válidas, pois) como o Ó da Praça. Não é muito, mas há gente a fazer coisas, de Abiul a Vermoil. Da Charneca a Londres, com raízes aqui presas. Há a Ideias Ousadas, sempre menosprezada. A Orquestra Marquês de Pombal. É uma lista de gente a insistir na terra, a dar-lhe nome, e a receber indiferença. Às vezes chego a duvidar que 2014 tenha existido, que aquele Bodo tenha sido real. E custa a crer que tenhamos deitado tudo fora: a pintura, a música, a dança, os debates, a homenagem à emigração que trouxe até Gérald Bloncourt, há poucos dias desaparecido. 
Falo nisto agora porque amanhã é Dia do Município, com o qual o concelho se identifica muito pouco, para lá do feriado.
Falta-nos sentimento de pertença, identidade. Não admira por isso que a lista de homenageados com medalhas seja o que é, todos os anos: um item a cumprir, uma obrigação municipal, a arte de andar à pressa a convidar clubes, figuras, empresas. E desta vez não se arranjou nada na área cultural, para cúmulo.
Somos a soma dessa resignação, desse desalento, dessa "política do enfeite" que embandeira em arco com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma: autarcas em modo Pimpão que destilam adjectivos no facebook, onde é tudo "notável e extraordinário". E que por isso nunca precisará de ser melhorado, repensado, povoado de alguma coisa que nos acrescente em vez de nos enfeitar, só. 
A culpa é nossa, que os elegemos no exacto momento em que engordamos os números da abstenção (convém lembrar que metade dos eleitores de Pombal não vota), na medida em que nos demitimos de intervir. Porque não basta encher a boca a dizer que "o meu amor é Pombal", é preciso pô-lo em prática. Se os nossos autarcas o fizessem, importavam-se com o desmazelo a que está votada a cidade, e algumas freguesias. Mas para isso é preciso percorrê-la, andar a pé em vez de correr para a fotografia. Ver para além de olhar. É preciso morar aqui, de facto, ter os filhos na escola pública, ir ao Centro de Saúde, acompanhá-los nas actividades. E depois olhar à volta, e perceber as diferenças entre as cidades e vilas vizinhas, o empenho no espaço público.
Vivemos a cultura do bem-parecer, perpetrada pelas rádios e pelo jornal, que redunda nos dias iguais, porque está tudo bem, é tudo gratificante. Nunca equacionamos discutir a sério, debater de verdade, ouvir opiniões contrárias, porque não interessa. Quem ousa fazê-lo é uma espécie de belzebu da terra, com quem não nos devemos cruzar nem virtualmente! Só ver o que diz, enviar aos correlegionários, à socapa, em mensagem privada, evitar o contágio. 
Não é uma escolha fácil ficar em Pombal, viver para contá-la, como escreveu sobre a (sua) vida Gabriel Garcia Marques. Levantar o tapete e sacudir a poeira é uma forma de zelar por ela. Discuti-la também. 
Digam lá o que disserem, essa é a nossa medalha mais brilhante. Não nos pesa, não enferruja, e está ao alcance de todos. 
Façam muitos magustos por aí. É uma forma de tirar o bafio às salas das colectividades, e dinamizar as comunidades sem ser em épocas eleitorais. Se começarmos agora, ainda vemos a tempo.
Vivam Pombal. 

16 de julho de 2018

Defesa da floresta e do mundo rural


Os trágicos acontecimentos do ano passado vieram mostrar que as questões relacionadas com a floresta e o mundo rural a todos dizem respeito. O paradigma da nação urbana e desenvolvida, onde a relação do português com a natureza era encarada como uma saudade na geração dos mais velhos e uma ficção de que ouvem falar os mais novos, revelou-se desadequado e o insistir na ideia de que a ruralidade já pouco faz parte da substância da identidade portuguesa um erro que pode custar caro.

É urgente que Portugal se reencontre com a sua matriz rural. A perspectiva não é saudosista, nem corresponde a um regresso ao passado. As potencialidades do mundo rural, da pequena agricultura familiar e da floresta são muitas e a forma de nos relacionarmos com essas realidades deve ser reinventada e projectada no futuro. Acredito que um Portugal moderno só faz sentido se conseguir cimentar a sua identidade nacional, dando corpo e espaço à nossa cultura tradicional. 

Por tudo isto decidi participar na recém formada Comissão de Populares para a Defesa da Floresta e do Mundo Rural de Pombal e Pinhal Interior Norte do distrito de Leiria. De entre os objectivos dessa comissão destaco o da mobilização da população em geral e todos os interessados - nomeadamente pequenos produtores florestais e de agricultura familiar desta região - para defender a floresta, o mundo rural e a agricultura de subsistência. 

Fica o convite a todos os que queiram conhecer melhor os objectivos desta comissão ou associar-se a esta iniciativa para comparecer no acto público de apresentação que irá decorrer amanhã, dia 17 de Julho de 2018 (terça-feira), pelas 21h, no edifício da COPOMBAL. A apresentação pública contará ainda com a participação e intervenção de Isménio de Oliveira, membro do Executivo da Direcção da CNA (Confederação Nacional da Agricultura). 

20 de junho de 2017

TAP solidário


No próximo dia 23 de Junho, sexta-feira, pelas 22h00, no Teatro-Cine de Pombal, o Teatro Amador de Pombal apresenta o espectáculo «Lusíadas?», uma iniciativa de apoio de às vítimas do incêndio que assolou a região Centro, em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera. Os bilhetes de ingresso não têm valor definido - é o espectador quem define o preço do bilhete e dá o que entender, de acordo com as suas possibilidades - e a totalidade da bilheteira reverterá para a ajuda às vítimas do trágico incêndio. Parabéns pela iniciativa.

25 de abril de 2017

Nove anos de Farpas


O Farpas comemora hoje o seu nono aniversário. A ideia de criar um weblog, um diário digital, onde pudéssemos partilhar convosco textos mordazes, irónicos, justos, nasceu no dia em que tomámos consciência de alguns contornos do perfil do nosso tempo.

Em 2008, Pombal era um concelho totalmente pintado de laranja: todas as 17 freguesias eram geridas por autarcas sociais democratas e a Câmara era liderada pelo Engenheiro Narciso Mota que, em 2005, tinha conseguido 63,08% dos votos. A avassaladora hegemonia política e eleitoral do PSD, por mais que agradasse aos sociais democratas, não era salutar para a democracia. Por todo o concelho proliferava uma classe política pouco culta onde os laços de consanguinidade e os interesses obscuros eram mais fortes que os vínculos ideológicos. O polvo cor-de-laranja era como uma doença que fragilizava a cidadania. 

Aquilo a que se acordou chamar "espaço público" era praticamente inexistente. A onde laranja foi engolindo contestações, comprando favores, mantendo uma imagem caricatural de pluralismo em rádios e jornais que se comportavam como meras caixa de ressonância do poder e recusavam o papel de despertadores de consciências. Era urgente romper com a indiferença generalizada perante esta situação, criando espaços de intervenção cívica e de aprofundamento da cidadania. Foi isso o que pretendemos fazer com o Farpas. Correndo o risco de ser pretensioso, afirmo que o Farpas veio trazer uma lufada de ar fresco ao panorama opinativo pombalense, contribuindo para a construção de uma sociedade civil mais pujante e participativa.

Desde o início que nos assumimos como um blogue político de cariz eminentemente regional. Nascemos com o intuito de farpear os interesses e os poderes instalados e, goste-se ou não, é o que temos feito ao longo destes nove anos. Perdemos muitas das batalhas. Um ano após temos surgido, o PSD aumentou a sua votação de 63,08% dos votos para uns históricos 65,79%. Ganhámos inimigos, ódios de estimação e, muitas vezes, questionámos a nossa existência. Mas enquanto os poderes instituídos se recusarem a admitir que o Farpas é também uma forma de participação cívica e os "da casa" forem vistos como "forças do mal", a nossa tarefa continua a fazer sentido. 

Obviamente que somos lidos por autarcas e políticos. Neste momento somos a voz mais crítica em Pombal, o que permite ao poder aferir o resultado da sua actuação. Mas também somos lidos por muitos pombalenses que nos vêm como fonte de informação, mesmo sabendo que não somos isentos e recusarmos o rótulo de meio de comunicação social. É por eles que prometemos continuar a cravar as nossas pequenas farpas nos oportunistas, nos manhosos, nos servis, nos obscenos. 

13 de março de 2016

Para memória futura

Sexta-feira, 11 de Março de de 2016.
Passam agora dois anos desde aquele dia em que os poderes instituídos declararam guerra às peças soltas da engrenagem, naquele que se haveria de tornar o mais famoso conselho geral de sempre num agrupamento escolar, por nunca ter sido empossado. Há momentos em que uma pessoa quase se cansa de dar murros em pontas de faca, há que dizê-lo. Mas depois vem a realidade e percebemos que não há alternativa: é isso ou o costume. Contei a história tantas vezes a tanta gente - incluindo aos nossos deputados da nação, eleitos por Leiria, que da esquerda à direita mexeram zero palhas para desbloquear o imbróglio - que me convenci estar a relatar qualquer coisa do imaginário.
Dois anos depois, a senhora directora regional de Educação é a mesma. Mas precisou desses dois anos e - quiçá - de uma mudança de governo para mandar fazer aquilo que devia ter sido feito de imediato: convocar uma assembleia geral de pais, eleger uma mesa eleitoral e uma comissão que elabore um regulamento, com regras claras e definidas, que garanta a qualquer pai/mãe/encarregado de educação a liberdade de encabeçar uma lista, sem estar preso a qualquer associação - por mais real que ela fosse, ou se existisse. O que se espera, agora, é que seja reposta a ordem natural das coisas. 
Dos cerca de três mil encarregados de educação, apenas uns 50 responderam à chamada do Agrupamento, na sexta-feira. É mais fácil destilar queixas no facebook do que sair do sofá e ir à escola, perceber em que mundo vivem os nossos filhos. Mas isso é o que temos, ou talvez seja o que sobrou. Nunca me hei-de esquecer do átrio cheio de pais para votar naquele 17 de janeiro de 2013, de como foram abandonando o local à medida que passavam as horas e aumentava a pressão para não se aceitarem listas "independentes", de "pais iluminados".
O tempo passou. A associação de pais declarou-se inactiva, em comunicado afixado. O vereador da educação da época renunciou ao mandato. Os estudantes que representavam os alunos já deixaram a escola, alguns professores também. O presidente da Câmara cumpriu o prometido: nunca tomou posse, vieram as inspecções. Amarfanhou-se a pessoa do presidente do conselho-geral cessante, obrigou-se a presidente da assembleia geral da associação de pais a demitir-se, numa noite de inverno, no edifício da Câmara. Nos tribunais corre ainda uma acção alusiva a um ilegítimo acto eleitoral, tentado há um ano atrás, noutro espaço municipal - a Biblioteca. Ora, se isto é assim quando a Escola ainda é do Estado, imagine-se o que seria se a municipalização da educação fosse assumida e implementada neste concelho...
O que aconteceu com este processo é o que se passa em todo o lado, habitualmente, neste Pombal: há um controlo implícito, que assegura o funcionamento da máquina, sem peças soltas na engrenagem. Se mais vezes ousássemos agitar essas águas paradas, respirava-se muito melhor. É sabido que isso tem custos, desgasta, cria tantos inimigos como ter opinião. Mas liberta.
Nem eu nem a Odete Alves (as duas mães que o poder não quis no conselho geral) tencionamos candidatar-nos no acto eleitoral que aí vem. Mas vamos ajudar a concluir esse processo e abrir caminho a quem vier. Para memória futura.



6 de agosto de 2015

Da cidadania

Chegou hoje pelo correio um desdobrável enviado pelo Município, que me fica no rol de boas acções. É sobre o Orçamento Participativo - exemplo maior de abertura, por parte de uma Câmara, à sua comunidade. Espero, sinceramente, que o processo de escolha das propostas e respectiva votação acompanhe, com isenção, o sinal de boas práticas que está a chegar a casa de todos os pombalenses - comunicar está muito para além de postar umas fotos no facebook e divulgar no site municipal...
Nota positiva, para já, nesta fase de arranque, através de um folheto simples, com informação clara e concisa. Agora está nas nossas mãos encher a caixa de correio do pombalparticipa@cm-pombal.pt, com propostas que mudem os nossos dias. A Câmara tem 100 mil euros para gastar com isto. A proposta mais votada será concretizada pelo Município de Pombal, ao longo do próximo ano. Está tudo aqui
Afinal, nem sempre tudo é normal em Pombal ocidental.

27 de abril de 2015

O estritamente necessário para deixar pendente um sinal


Obrigado a todos os que fizeram do nosso 25 de Abril uma festa de aniversário do Farpas Pombalinas, um debate vivo e acutilante. Estamos cá para farpear. E para o que der e vier!

25 de abril de 2015

Sete anos de Farpas


Por feliz coincidência, o Farpas nasceu no dia em que se comemora a liberdade. E tem sido sob o signo da liberdade que, desde 2008, cultivamos neste espaço o exercício da cidadania. Desengane-se quem aqui procura isenção e independência. Sentimos que a nossa democracia, mais do que opiniões consensuais, precisa do confronto leal de ideias, do contraditório. O nosso compromisso com a liberdade é a promessa de continuarmos a ser, como sempre fomos, totalmente comprometidos e tendenciosos. 

25 de abril de 2014

Seis anos de Farpas - Viva a Liberdade!


Faz hoje seis anos que o Farpas viu a luz dos computadores. Um brinde e um cravo a toda a "comunidade Farpas" - designação criada pelos próprios leitores e comentadores - que abriu a janela desta casa para sacudir a poeira que anda por baixo dos tapetes.

Adelino Malho
Paula Sofia Luz
Adérito Araújo
José Gomes Fernandes
Daniel Abrunheiro

"E depois de Abril? Viemos nós, os que nos habituámos a pouco valorizar a liberdade, porque nela crescemos. Os que fomos, aos poucos, cedendo tanto, sem, às vezes, disso nos apercebermos. Os que aceitámos a premeditada censura, ou a auto-censura, como se fosse uma necessária moderação feita à medida e fomos abdicando de falar, de escrever, de pensar, de estar. Mas é tempo de assumir outra atitude. É tempo de afirmar a liberdade, a diferença, a cidadania. É tempo de reflectir, de criticar e de denunciar “progresso da decadência”.
Passados 30 anos, o nosso mundo divide-se – outra vez – por uma cortina de liberdade: entre os que têm a coragem de afirmar a liberdade e os outros, que se escondem atrás do ecrã, no anonimato, à espera da benesse.
Nesta esquina colectiva em que nos juntámos, só há lugar para os primeiros.
Viva a liberdade!"
25 de Abril de 2008

4 de junho de 2013

A destruição dos CTT


Vivemos uma época onde muitos comentam mas poucos agem. Uma época onde há cada vez mais quem pense que o exercício de cidadania se esgota num post num like no FB. Por isso não posso deixar de louvar a população de Albergaria dos Doze que tem lutado, corajosamente, contra o fecho da sua estação dos Correios. Os CTT são uma empresa pública com quase 500 anos de história, que presta um serviço exemplar às populações e que, como se não bastasse, dá lucro! Só nos últimos quatro anos o estado arrecadou 438 milhões de euros. Lutar pela manutenção da empresa no sector empresarial do estado é, pois, defender o país. Evitar a destruição deste e doutros serviços de proximidade é pugnar pela coesão nacional.

6 de fevereiro de 2013

Os sanitários, ou o ex-libris da regeneração urbana


A notícia bem que podia ser a manchete desse periódico que sai hoje à rua pela primeira vez. Não sendo, está tratada aqui, no sítio do costume.
Antes de ir embora, Narciso Mota está apostado em não deixar pedra sobre pedra no centro da cidade. Vão arrancá-las todas, as da calçada portuguesa, e substituí-las pelo granito, tão típico da nossa região, como sabemos.
Na semana passada o presidente, mais o vereador do pelouro e um arquitecto que sabe muito chamaram ao salão nobre os moradores e os comerciantes que restam. Não, não era para discutir ideias nem chamar os intervenientes a pronunciarem-se. Era mesmo para mostrar o facto consumado: O Cardal e todo o centro da cidade vão ser virados do avesso, ao preço de três milhões de euros. No centro, o nosso cartão de visitas passará a ser um sanitário público. Até pode ser dourado. É um sanitário. E vão arrancar os plátanos.
O que chegou ao Farpas nos dias que se seguiram foi um lamento constante e uma revolta incontida. Quem aqui nasceu e escolheu esta terra para viver não pode ficar sentado a aplaudir que nos arranquem o passado, a troco de qualquer coisa que ainda não percebemos que proveito terá. Mas a avaliar pela amostra do que tem sido a intervenção urbana desta gente, está-se mesmo a ver o que será o centro de Pombal em breve. Basta pôr os olhos na zona histórica: uma Praça às moscas, um parque de estacionamento subterrâneo cuja rentabilidade é nula, um comércio que sucumbiu ao fim do estacionamento, primeiro, e ao resto.
É claro que a fava sobrará para quem  suceder, no poder, a este presidente. Daqui até Outubro a cidade ficará transformada em estaleiro, a fazer lembrar os tempos de Joaquim de Almeida, de má memória para o PSD. Se ao menos houvesse oposição, sempre haveria esperança.

18 de dezembro de 2012

Isto aos bocadinhos vai lá

Nos concelhos à volta, quando não há verba para contratar iluminações de Natal (sempre gostava de ver essa poupança traduzida nalguma coisa de verdadeiramente útil...), as Câmaras lançam desafios à comunidade para que a criatividade passe pelas ruas. Mas para que isso aconteça é preciso que o executivo não saiba tudo, não possa tudo, e tenha algum interesse em alegrar a vista e a alma da terra. Ou então, nos casos em que os comerciantes ainda mandam alguma coisa, eles próprios se organizam entre si para trazer algum brilho às cidades já tão ensombradas por estes dias.
Acontece que nem tudo é normal em Pombal ocidental, nem oriental. E por isso, num ano em que é preciso poupar para obras grandiosas como o estádio das Meirinhas (já adjudicado, a propósito...) e para os subsídios (ahhhh, os subsídios!) quase não sobrava um tostão para pendurar uma gambiarra numa árvore. Ou então...isto faz parte de um jogo natalício para aguçar a felicidade das crianças, em que cada dia se vai acendendo uma luzinha: primeiro foi o edifício da Câmara, depois a Pérgola, agora uma palmeira onde chovem pontos de luz. Moral da história: nem toda a Luz desaparece para sempre ;)

18 de maio de 2011

Onde está o Wally?


No passado domingo decorreu, em Alvaiázere, o X Capítulo da Confraria do Queijo Rabaçal, onde foram entronizados vários confrades, alguns bem conhecidos destas paragens. Presumo que, no próximo Domingo, esta e outras confrarias congéneres irão ter um lugar de destaque na Expo Sicó 2011.


Portuga que se preze tem que ser confrade e ter perfil no facebook. Num país onde há quase mais confrarias que população, há cada vez mais dificuldade em descobrir espaço para novas propostas. Nas gastronómicas, por exemplo, só falta mesmo a Confraria do Prato do Dia.


Não gosto de confrarias. Não sei se é por causa do folclore dos desfiles, se pelo mau gosto das fardas, se pelo ar solene dos confrades, se pelas bandeiras, se pelo facto de terem evoluído de associações religiosas. O que é certo é a “confrarite” nacional me causa alguma comichão.


Apesar das más línguas me garantirem que a confraria é mais um pretexto para os confrades saírem de casa, eu reconheço que muitas delas fazem um trabalho meritório (quem sou eu para julgar as confrarias). Mas agora esclareçam-me: é impressão minha ou o Bodo tem vindo a piorar desde que alguém lhe inventou uma confraria?

9 de março de 2011

Homens na luta


Segundo o presidente da Junta de Freguesia da Redinha, as comemorações do bicentenário da Guerra Peninsular e em particular a recriação da Batalha da Redinha, que terão lugar no próximo fim-de-semana, constituem um evento “histórico”. Concordo que a iniciativa é muito interessante tanto para a freguesia como para o concelho mas, nesse mesmo fim-de-semana, histórico, histórico, poderá ser a manifestação da “Geração à Rasca”. Esta geração de “desempregados, trabalhadores subcontratados e estagiários tem aqui uma oportunidade para mostrar o seu descontentamento e calar quem os quer rotular de passivos e resignados. Entre o marasmo caricaturado pelos Da Weasel e a força dos (fantásticos) Homens da Luta, espero que, no dia 12, saibamos ser como os segundos e, tal como há 200 anos, voltar a vencer “os franceses”.

17 de maio de 2010

EDP




Já por aqui se tinha falado no assunto: fruto do péssimo serviço que a EDP tem vindo a prestar no Louriçal, enviou-se à empresa um abaixo-assinado. O Pedro Santos (o maior dinamizador da iniciativa) recebeu a resposta, que é (nas palavras dele), uma resposta a todos os que assinaram o documento. Aqui fica o registo:














22 de fevereiro de 2010

Solidariedade


Já existem várias contas disponíveis para quem estiver disposto a colaborar na campanha de solidariedade para com as vítimas do temporal da Madeira. Esta violenta catástrofe vem lembrar que as intervenções irresponsáveis sobre o meio ambiente se pagam caras. Por muito que os políticos, como o Dr. Alberto João, o possam querer esconder...

18 de fevereiro de 2010

Eu, abaixo-assinado...

... tenho a concluir que isto de abaixo-assinados tende a não dar em nada. Mesmo assim, lá vou teimosamente assinando e divulgando. No Louriçal, corre no momento um que visa exigir à EDP um trato diferente à população desta freguesia. Sem motivo aparente (em dias de bom tempo, sem chuva ou vento forte), chegam a haver 15 cortes de energia num dia (e mais!), causando incómodo e estragos nos aparelhos eléctricos.
Antes disso houve um outro abaixo-assinado que eu assinei e procurei divulgar o mais que me foi possivel. Por causa da estrada (chamar-lhe "estrada" não será correcto...) que liga o Louriçal às Cavadas. São 3 kms que deviam ser cortados, já que se teima em não se reparar aquele troço. Já por lá houve de tudo: mortes, despistes com carros mandados para a sucata, três acidentes na mesma semana... o abaixo-assinado seguiu para Junta de Freguesia e Câmara Municipal. Resultado? Nenhum. Continuam os acidentes, as queixas da população que não se sente ouvida, as frases já costumeiras "fulano-tal é que havia de lá partir os queixos"...
Se nem os que estão aqui perto, e que são eleitos pelo povo, ligam aos abaixo-assinados, serão os "senhores engravatados" da EDP, lá na capital, que nos vão dar ouvidos? Ainda assim, assino e divulgo. Teimosamente!

21 de novembro de 2009

Um bom exemplo!

Segundo o Notícias do Centro, a Assembleia Municipal de Ansião, hoje, será transmitida pela internet, através do portal Ansiao.tv. Vai passar-se às 18 horas, e mesmo não sendo o meu concelho, vou tentar ver.
Este tipo de medidas é particularmente relevante numa altura em que o eleitorado se mostra divorciado dos seus representantes. Bem sei que poderíamos ter maior participação, assistindo às Assembleias de Freguesia, por exemplo... mas aquilo que se puder fazer para que a relação entre as instituições políticas e o povo que as elege seja cada vez mais íntima, com mais canais de comuniação (não apenas durante a campanha, como é costumeiro), penso que deve ser estimulado.