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16 de março de 2026

A feira dos hamburgueres, o chouriço e o porco




Pedro Pimpão levou hoje à reunião de Câmara a boa-nova: afinal a organização do "evento solidário" tinha para dar a Pombal mais de 10 mil euros!

Ora, como o presidente continua a enrolar, voltamos a perguntar: Que relação de custo-benefício teve para Pombal? 

Para a empresa privada, foi realmente espectacular (como não se cansou de dizer o empresário, em declarações à web rádio Onda Certa). Horas depois do mega sucesso que devolveu a luz, som e festa ao Cardal, a empresa anunciava nas suas redes sociais um passatempo no valor de...10 mil euros. Está bem de ver que o que aqui "deixaram" são trocos. O equivalente a um chouriço, numa terra de onde levaram o equivalente a mais do que um porco.

Depois disto, por que foi mesmo que a Câmara cancelou a feira do livro, o mercado medieval, e anunciou um Bodo mais comedido?


15 de março de 2026

Evento solidário? A Câmara explica.

 



Ao segundo dia da feira dos hambúrgueres no Jardim do Cardal, a Câmara veio a público "responder" às perguntas do Farpas, que são também as dúvidas legitimamente levantadas por muitos cidadãos. 

Numa publicação nas redes sociais, dizem-nos que "Pombal foi escolhido" para acolher o evento. Foi, depois de outros municípios o terem recusado. Ora, como meias tintas é meio caminho andado para troca-tintas, lá se arranjou à pressa quem vai gerir o dinheiro - os donativos que são feitos num quiosque, onde, ao primeiro dia, uma jovem universitária estava sozinha, com duas máquinas de multibanco, à espera das doações "para as vítimas da tempestade". Perguntámos como é que se processava a coisa, quem geria os donativos, pois que não sabia. A super-organização do evento não teve sequer o cuidado de fazer um briefing aos que vieram "ganhar uns trocos". 

Foi então que a Câmara teve uma ideia de génio: passar essa batata quente às duas organizações com estatuto, juntando nesta demanda Rotários e Lions. Amanhã o executivo leva a reunião de Câmara um protocolo, que rabisca a forma em que deve ser gerido o dinheiro. A doutora Ana Carolina vereadora deve ter explicado à Ana Carolina presidente do Lions Clube os termos da coisa. Aguardemos então por novidades desta novela, depois de um fim de semana em cheio, a cheirar a esturro no Cardal.

12 de novembro de 2025

Almoço e festa, paga o pagode

Ontem, o doutor Pimpão ofereceu grande almoço e festa aos funcionários da câmara e equiparados, aos políticos e às outras figuras do ramalhete, e às respectivas famílias. No mês que vem, repete a façanha… 



Estes desmandos, obscenos, praticados com o nosso dinheiro sem o nosso consentimento, ascendem a muitas dezenas de milhares de euros - porventura centena! 

Isto já não é só a fanfarronice das festas e bolos; isto é gozar com o pagode, com o que é nosso e deveria ser usado para o que é essencial e justo. 

E o que faz a dita oposição? Enche a mula e cala-se.


27 de julho de 2025

Bons pombalenses & pombalenses de bem

 Por estes dias qualquer time line é farta em manifestações de amor a Pombal. Não é só o regresso dos "autóctones" - como lhe chama uma amiga - ou dos emigrantes que voltam às pressas para chegar a tempo do Bodo. É a (legítima) assunção de quem (como eu) gosta da festa, vibra mais com os reencontros em cada esquina do que com os concertos, sabe que pouco importa o cartaz, porque a festa é nossa e faz-se seja lá com quem for. 
Moro aqui há mais anos do que morei na aldeia onde nasci, e tenho a forte convicção de que a nossa terra é aquela onde vivemos. E por isso estas ruas são tão minhas quanto daqueles que acham correr-lhe nas veias sangue azul do Cardal, sinto como meus os versos de Costa Pereira. Podia passar os dias apenas Cardal acima, Cardal abaixo, descer ao Arnado sem me importar com o programa, viver o Bodo, só, com o privilégio de lhe conhecer a história, de ter privado com as histórias de António Serrano, de quando contava (sempre com o mesmo entusiasmo) como ele viu o homem entrar no forno e dar três voltas, saindo ileso. Com a memória de ter visto a festa a ser (re)pensada por vários autarcas; a meia maratona a evoluir para prova do bodo, o bodo dos pequeninos a nascer, as mudanças de palcos, a vida a acontecer. 
Há, no Bodo, várias dimensões. E de cada vez que o presidente da Câmara as confunde ou esbate, uma borboleta da felicidade estatela-se contra o vidro. A dimensão institucional é tão importante (ou mais) do que cada uma das outras. Mas isso é um caso perdido. Passemos à frente.
Ora, no meio desse orgulho pombalense que começa na quinta-feira à noite e só acaba na madrugada de terça para quarta, há a realidade. E essa é como o teste do algodão: não engana. Mostrou-se em todo o seu esplendor logo a abrir, quando, na noite de quinta, vários restaurantes desta cidade fecharam a porta à hora de jantar. Porquê? Porque não queriam servir ciganos, temendo uma invasão com o concerto de Nininho Vaz Maia. Assumiram-no, de viva voz, aos fornecedores. Esta foi a terra que pensou há muitos anos em criar condições dignas de habitação para a maior comunidade cigana do distrito, mas não deixa de ser a terra que coloca o sapo à porta do café. E onde se ergue uma barreira chamada IC2 para os deixar lá, nas margens do Arunca, num bairro sem quaisquer infraestruturas, quase 20 anos depois de criado. Onde se celebram os dias da inclusão (seja lá isso o que for) com espectáculos de ciganos para ciganos. Quase exótico. 
Como as modas demoram mas também chegam aqui, agora há novos ódios de estimação. Foi sem espanto que li comentários  - como os que aqui reproduzo - sobre os desgraçados que instalam tendas na outra margem do Arunca para ganhar a vida, durante uns dias. Podem fazer as sandes de porco no espeto ou os kebab com que te lambuzas de madrugada, podem trabalhar por tuta e meia na fábrica da cerveja que emborcas desde o recinto às imediações, mas isso de venderem coisas nas tendas já é outra história! 
Escrevo no domingo do Bodo, quase à hora em que se celebra a missa e procissão em honra de Nossa Senhora do Cardal, padroeira desta terra. Muitos dos que querem escorraçar daqui os indianos, paquistaneses e demais vendedores hão-de estar lá por baixo, ora a bater com a mão no peito, ora a ajudar as obras sociais. Brinquemos, então, à caridadezinha. 



7 de julho de 2024

Coisas de cidade de província perdida no tempo

Não tinha que ser assim, mas infelizmente é: Pombal - cidade província – tem uma propensão natural para a parolagem. Mas se já nos chegava e sobrava a nossa, porquê atrair e fomentar a alheia?!


27 de março de 2024

O irreal social


 *créditos do fotógrafo Mário Cantarinha

Este ano a excursão à feira de Nanterre voltou a ser uma ocasião de grande convívio, desta vez alargado a meia dúzia de presidentes de junta. Estou em crer que foi a forma que o Pedro arranjou de zelar pela felicidade de seus autarcas, proporcionando-lhes uma visita à cidade-luz. Alguns dos autarcas exibiram, contentes (pois claro) as suas fotos nas ruas de Paris, by night. 

Estranhamente, nas redes sociais do presidente e da Câmara - que são a mesma coisa - nem um sinal da presença na feira/festa da comunidade emigrante. Talvez porque esta visita foi demasiado relâmpago: Pimpão arrancou mesmo antes da sessão de encerramento, deixando o stand entregue a Ana Fernandes, técnica da Adilpom que já está habituada a estas lides.

Diz-se na Câmara que este presidente governa a autarquia a partir do facebook. Aqui no Farpas acreditamos que era perfeitamente dispensável aquele alargado gabinete de comunicação, pois que ele mesmo escreve, fotografa, filma e partilha as coisas mais inusitadas. Se a realidade fosse o Instagram ou o Facebook, estaríamos perante um caso de dedicação e trabalho árduo. O problema é que as obras e os projetos ainda não acontecem a partir do ecrã. Mas não percamos a esperança. A página do Município de Pombal já responde às pessoas, quando sujeita a críticas. É preciso acreditar. De resto, isto é mais ou menos como o refrão que cantavam os Ban, no final dos anos 80 : "Não me dês moral, dá-me um ideal irreal social popular"

22 de março de 2024

A paródia pousou arraiais nas Meirinhas

Nos últimos dias, o dotor Pimpão prosseguiu e reforçou a sua desenfreada empreitada de festas, eventos e conferências. E não se prevê abrandamento. 



Anteontem esteve nas Meirinhas (e em mais uma enfiada de eventos), com a rapaziada, a dar posse a outro presidente da junta! Se fosse para substituir o que lá meteram, e que há muito perdeu todas as condições para se manter no cargo, vá-que-não-vá; mas não, foi só para se entreter, e entreter a rapaziada.

Gabo-lhe a fértil imaginação e a frivolidade festiva que consegue colocar nesta contínua paródia. Vai conseguir terminar o mandato sem queimar um único neurónio. É obra. 

No início do mandato, a dita oposição exigiu-lhe participação oficial em todos os eventos organizados pela câmara. A sua ambição sempre foi ser ramo de enfeite do poder; da qual, a evidente concertação política com o Pimpão é a mais escabrosa amostra. Mas como até neste frágil ponto falharam, mereciam um valente castigo: ser obrigados a acompanhar o dotor Pimpão na sua desmesurada empreitada de festas, eventos e conferências. Talvez assim nos víssemos livres dos pimpões e das oposições.

15 de março de 2024

Pombal - Exposições e Feiras para encher agenda (II)

O cenário em redor da tenda que acolhe a “Feira de Formação e Orientação Vocacional” (belo nome para coisa nenhuma), integrada na Semana da Juventude, mais parece uma exposição das forças de segurança e bombeiros que coisa ligada à juventude. E do recheio (da tenda) pode dizer-se com segurança que é coerente com o embrulho (com a face). É coisa para espantar juventude – autêntico espantalho.

Reconheço que tenho uma certa aversão às polícias (às forças de segurança em geral), que atribuo às memórias de infância - ao medo que os meus avós e vizinhos me transmitiram quando ordenaram reclusão imediata e trancas na porta quando o boca-a-boca anunciava a entrada da GNR a cavalo na aldeia - e ao comportamento autoritário das polícias, mesmo em Democracia. Porventura por estas experiências, mas também pelo sentir de alguns jovens, não vejo sentido e préstimo na presença das Polícias neste tipo de evento,  nenhuma afinidade na associação das polícias à juventude num evento cujo propósito, dizem, é a formação e orientação vocacional dos jovens. Mas o equívoco maior nem será a monopolização do evento pelas forças de segurança e afins, é todo o cenário e enredo do evento: uma mimetização pobre (de mau-gosto) e infrutífera dos eventos organizados pela União Nacional e pela Mocidade Portuguesa, mas sem o rigor, o foco e qualidade cénica que o antigo regime colocava na coisa.  



Lá dentro, encontrei meia dúzia de “gatos-pingados” e “barracas” abandonadas; e uma tentativa, meio-falhada, de interagir com os jovens, em que, a muito pedido, participei por misericórdia. No final, tive uma curta conversa com o jota assalariado na câmara que supervisiona a coisa, onde apontei a obsolescência do modelo, o peso dado às polícias e afins, e a descabida presença da JSD. Ao que ele me respondeu, com uma sinceridade cativante, que os jovens têm mostrado algum interesse e até já tinham várias adesões. 

Não há nada mais enternecedor que a confissão de um bom-cristão tenrinho. Perdoai-lhes Senhor…

14 de março de 2024

Pombal - Exposições e Feiras para encher agenda (I)

Por norma não participo nas iniciativas da câmara. Considero-as desinteressantes – destinadas simplesmente a preencher agenda – e, vezes demais, de grande mau-gosto. Evito, assim, o desprazer pessoal e mais reacções críticas.   



Ontem, alertado por amigos/as e desafiado pelo presidente da “junta”, fui ver a exposição “50 anos, 50+5 rostos – as marcas do tempo”, integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 Abril 74, patente nos Claustros dos Paços do Concelho. E, aproveitando a passada, visitei a “Feira de Formação e Orientação Vocacional” (belo nome para coisa nenhuma), integrada na Semana da Juventude, a decorrer no Jardim do Cardal. Com esta dose dupla fiquei imunizado por um longo período. Contava ir a uma palestra que me pareceu interessante e se realiza hoje, integrada nas Comemorações do 25 Abril de 74, mas perdi o interesse - não posso arriscar uma terceira dose seguida.

A exposição “50 anos, 50+5 rostos – as marcas do tempo”, é coisa sem critério e sem trambelhos, sem propósito e sem lógica que se perceba, mais digna do 24 Abril que do 25 Abril, com rostos do passado (alguns já desaparecidos) e sem passado ligado ao 25 Abril – salvo raríssimas excepções.

O curador – desconhecido! - diz-nos que a amostra “é um exercício que nos mostra o passado, o presente e o futuro através do olhar dos pombalenses e pela objectiva de Victor Freitas”. Do passado vá-que-não-vá, mas do presente e do futuro cruzes canhoto e Deus nos livre destes apóstolos e destas apologias.

Custa a aceitar que o comissário das comemorações, Luís Marques (pessoa culta e com forte vivência do período), tenha dado aval a isto! Agora, já só se pede que não levem pela frente a ideia peregrina de distribuir o vídeo realizado pelas escolas, para ser utilizado como instrumento formativo sobre tão importante período da nossa História recente.