6 de maio de 2026

A realidade paralela que alimenta o unanimismo. Quem ganha com isto?


 


A minha costela masoquista levou-me a espreitar a gravação da Assembleia Municipal. A bem da verdade, se cada um de nós soubesse os mínimos do que se passa na coisa pública, talvez não deixássemos que a mesma chegasse a este estado, que o nível baixasse além da indigência. O Adelino Malho já aqui fez um bom resumo do que é aquele ajuntamento, por isso não importa repisar na forma, na deformada forma do órgão que deveria fiscalizar a actividade municipal.  Sendo assim, aqui deixo apenas duas notas para reflexão:

1. Os eleitos do PSD, incluindo os presidentes de junta, encarnam bem o papel da formiga no carreiro - mas nunca ousam ir em sentido contrário, como cantava Zeca Afonso, para nunca correrem o risco de lerpar e trepar às tábuas. Noutros tempos, a defesa da maioria (e do executivo) era feita com pensamento próprio. A excepção era o que agora se tornou regra: o elogio bacoco da actividade municipal, a lambebotice enfadonha. E a oposição? Prepara-se mal, fala a medo, deixou-se tomar pelos bullies que povoam a maioria. 

Olhando para o quadro de miséria que se abre à nossa frente, percebemos que é preciso afagar egos para singrar na vida: as assessoras/adjuntas que conseguiram um lugarzito nos gabinetes de ministros ou secretários de estado, os que ainda não conseguiram mas têm na vida esse objectivo, os que foram penosamente afastados e agora regressam, todos contentes. E voltamos aos presidentes de junta: só aqui é que são tidos como figuras políticas, só aqui têm a veleidade de perorar sobre as posições da oposição. Os que falam, gastam mais tempo a engordar o coro de ataque aos desgraçados do PS e Independentes do que a levantar os problemas - concretos e reais - das suas freguesias. Os que não falam, aprenderam rapidamente a rir, de gozo. Estão ali por inerência. Só para lembrar.

2. Custou-me, nesta assembleia, ver um homem que muito estimo (enquanto médico, mas também enquanto cidadão)  tecer loas a um dos ramos de enfeite do poder: a assembleia municipal sénior. José Grilo Gonçalves tem dedicado uma parte importante da sua vida à gerontologia. E saberá tão bem como eu que todos aqueles planos e estratégias "para o envelhecimento activo" não passam de balelas. Quem está nesta fase da vida sabe que lidar com a velhice dos pais é o verdadeiro desafio da idade adulta. E somos muitos. Não, não é com estes números de folclore (cujo critério de selecção já é, por si, duvidoso) que combatemos o idadismo, o isolamento, os dias dos que definham dentro de suas casas ou nas salas dos lares e centros de dia. Queremos dar visibilidade aos mais velhos? É incluí-los nas listas às juntas, à Câmara, à Assembleia. A intervenção de José Grilo teve o condão de colocar a nu a nossa realidade: por cada 100 jovens temos 261 idosos.

Depois de ouvir uns e outros tecer loas à eleição da jovem autarca, à realização da assembleia sénior e quejandos, uma pessoa fica a pensar que um dia destes ainda replicam os modelos na creche e no infantário; depois hão-de fazer a assembleia das mulheres, dos migrantes, dos canhotos e dos que usam bigode. Tudo serve para a fotografia, que é, afinal, o que lhes importa. 

Uma nota final para os que gostam de embandeirar em arco com "a juventude a discursar no 25 de abril". Que o façam uma vez, percebe-se. Que se torne prática, só se entende na lógica do "olhem para nós, em Pombal, que nos importamos com os jovens e com aquilo que pensam". Balelas. Duas coisas, senhores: o 25 de Abril é uma data política. Os partidos devem indicar para falar sobre ela quem entendem. Isto não é a jotalândia, ao contrário do que pensa o PSD, com anuência do PS - e do resto. 

2 de maio de 2026

Sobre a reunião da assembleia da “junta”

A assembleia municipal – agora definitivamente no patamar “junta” – reuniu durante cinco longas horas, no último dia do mês. É uma dor de alma ver e ouvir aquilo. No entanto, aquelas criaturas são capazes de passar uma tarde inteira a dizer tolices ou banalidades requentadas sem se cansarem e sem noção do ridículo. 



Na verdade, tudo ali é vulgar, rotineiro, rasteiro e enfastiante. De um lado ao outro, das peças da mobília aos novatos, mais acima ou mais abaixo, nada daquilo anima, cativa ou engrandece.  Todos (ou quase) vão para ali cumprir a sua rotina, ler a sua folhita, sem graça e sem alma. De um lado debitam sermões de escuteiro ou de beata benfeitora, encharcados de sentimentalismo bacoco e de teologia positivista; do outro largam perguntas inconsequentes e críticas repisadas condenadas ao fracasso. Não há ali qualquer rasgo, qualquer improviso bem esgalhado ou uma réplica desarmante do adversário. Do lado da oposição, só o doutor Gonçalves revela alguma desinibição política e capacidade retórica, mas sem conteúdos preparados e enquadramento político perde-se facilmente no fogo fátuo das tiradas despropositadas.  

O presidente da “junta” cansa até ao sorriso repulsivo, só de ouvi-lo na cantilena de trivialidades e elogios sonsos, pontuados sistematicamente com as batidas estrondosas do “extraordinário” e do “notável” no bombo discursivo – parece ter nascido ou enlouquecido com a mania do notável e do extraordinário.

Sobre o grande assunto da agenda – Relatório de Gestão de 2025 – a bancada PS entregou a importante matéria ao inenarrável Conselheiro Acácio, que de gestão e dos seus instrumentos parece saber tanto como boi de palácios. Vai daí, fez o que sabe fazer: leu, cabisbaixo, a sua habitual ladainha de maneirismos e coquetismos discursivos, mas não resistiu à vaidade tola de lhe acrescentar o seu truque de retórica sofista barata: somou o que não é somável (resultados líquidos anuais - dos últimos anos)! A ignorância é muito atrevida. 

Mas as coisas são como são, e nestes jogos de soma nula acabam sempre por se equilibrar. Coube à doutora Catarina, porventura inadvertidamente, traçar o verdadeiro retrato do documento e do desempenho da câmara quando afirmou, e rematou, que “o nível de concretização vai de encontro aos documentos estratégicos e também ao programa eleitoral que foi sufragado”. 

A política é a única farsa onde o farsante acha que faz boa figura se se engrandece com ela. 


28 de abril de 2026

Dar tudo a todos? Não. Dar alguma coisa a alguns


*foto do fotojornalista Nelson Garrido, no Público de hoje


Passam hoje três meses ( que nos parecem uma eternidade)  da tempestade Kristin. O que nos fica da resenha feita pelas tv's é que há, ainda, muita gente a passar mal. Muita gente que mal conseguiu repôr as telhas que voaram, que ainda não tem comunicações, que não sabe quando ou se algum dia vai recuperar a vida que tinha. 

Esperei até ao fim do dia porque imaginei Pedro Pimpão a fazer um balanço (como as outras Câmaras de concelhos igualmente afectados) do estado do concelho. Não aconteceu. O povo, na sua imensa sabedoria, lá diz que "quem muitos burros toca algum tem que ficar para trás". Para nosso infortúnio, ficamos nós, munícipes deste condado. Penso no casal da Guia que continua a viver envolto no cheiro a mofo que a humidade trouxe, na célebre casa-embrulho (coberta com plástico, para não chover lá dentro). E em todos aqueles que, como eles, só queriam ter recebido uma visita do poder local, uma palavra de conforto e de ânimo. Mas já se sabe que a vida dos autarcas é uma correria, que não dão vazão a tanta pose para tanta fotografia. Se ao menos tivéssemos nascido todos nas Meirinhas...haveria visitas de ministros e presidentes, e hordas de assessores a atropelarem-se para fazer acontecer. O quê? Selfies. 

Passam hoje três meses e quase não se ouve falar de Pombal, do muito que ficou destruído. Uma excepção à hora de almoço, quando o repórter da RTP entrou em directo do Casal da Clara, a mostrar que os cabos eléctricos continuam no chão do lugar, como se fora 29 de Janeiro. O que sabemos é que a Câmara resolveu fazer de conta que está a poupar em tudo para "ajudar" a colmatar os prejuízos. Cancela-se o Bodo (como o conhecemos), programa-se uma alegoria para o Cardal. Alguém acredita que uma Câmara que passa um mandato inteiro sem apresentar contas das festas vai ser capaz de gerar assim dinheiro para repor edifícios e compor vidas? Não. Para mais, agora que o Governo anunciou resmas de milhões, ninguém pára a dinâmica do território. É por isso de louvar que freguesias como o Louriçal decidam manter as festas, o que faz mais pela saúde mental (e económica) da região que centenas de relatórios elaborados pelas senhoras técnicas. Como é de louvar que o Grupo Desportivo Guiense tenha recuperado para si a organização da FAGO, como dantes. Porque não podemos apagar o 28 de Janeiro nem esperar que carpir mágoas nos leve a algum lado. 

Devíamos esperar pelo apoio do Estado, prometido e devido, mas esse chega a conta-gotas. E quando hoje ouvimos o Primeiro-Ministro dizer que "não pode dar tudo a todos", cresce uma raiva nos dentes: vivesses tu, Luís, sem comunicações; chovesse na tua casa, visses as paredes escurecer de bolor, enfrentasses as respostas lacónicas das seguradoras, e perceberias que bastava dar alguma coisa a alguns, para remediar esta calamidade. 




23 de abril de 2026

O que nasce torto tarde ou nunca se endireita

O vereador não-eleito Manuel Serra, número dois da lista Chega, que assumiu o cargo após a renuncia do cabeça de lista Mithá Ribeiro, anunciou, hoje, na reunião da “junta”, que se desvinculava do partido e passava a vereador independente.

Bastaram seis meses para Manuel Serra despir a camisola que decidiu envergar; o que diz muito, ou tudo, da coerência e da consistência política que actualmente se pratica, em total desrespeito pelos eleitores. Porventura, assume agora o papel que sempre desejou representar, mas sério, correcto e digno seria a renúncia ao triste papel que continua a representar. 




12 de abril de 2026

Ditadura Democrática em Pombal – a suprema tontice do PS local

Na ausência de melhor apreciação, o PS local, nomeadamente pela voz do seu líder na Assembleia Municipal (dotor Manuel Gonçalves), acusa o dotor Pimpão de exercer uma Ditadura Democrática em Pombal!



A acusação tem tanto de inverosímil como de contraditória. Por isso, só pode advir de quem perdeu, há muito, o tino (político). Se por um lado, a expressão é uma contradição nos termos, porque não se pode ser uma coisa e a outra em simultâneo, por outro, o classificativo “Ditadura”, ao estar bem estabelecido pela História e pela Ciência Política, e por estar bem presente, de forma traumática, na nossa memória colectiva, não deveria ser usado corriqueiramente, nomeadamente pelos ditos democratas. Mas o pior nem está na dimensão contraditória da imputação, já de si muito relevante e reveladora; está na total e absoluta inverosimilhança da mesma. Se há faceta que o dotor Pimpão não tem – mesmo - é de ditador. E digo mais: é a sua antítese.

A crítica política, para ser eficaz, tem de cumprir, no mínimo, duas condições: ser minimamente verosímil e ser bem-apresentada e explicada. Regras que o PS local parece desconhecer ou é incapaz de implementar. Mas pior: parece desconhecer totalmente a terra onde vive e a forma como é exercido o poder. Os problemas do concelho, ao nível do exercício do poder, não estão, de certeza, nos supostos abusos de poder do presidente da câmara para condicionar os outros poderes, nomeadamente da oposição; estão, acima de tudo, na impotência da dita oposição para exercer o poder que lhe compete – o contrapoder.

Sobre o exercício do poder que se faz, ou não faz, por cá, convinha que os actores políticos metessem uma coisa muito simples nas cabeças: o dotor Pimpão só se preocupa com uma coisa aparentemente muito simples e ao mesmo tempo complexa: ser amado. Se para isso for necessário abdicar do exercício do poder, abdica (abdicou). É isso que ele tem feito, com sucesso, sem contrapoder.

9 de abril de 2026

Tozé no país das Meirinhas

https://youtu.be/Hnywooh9VTs?si=IXkcCxt-Qk5QCLDm

 Quando António José Seguro começou esta presidência aberta, parecia mesmo que estava a virar uma página na política portuguesa: guardo a imagem do presidente em Ourém, a fazer o que ainda nenhum outro tinha feito – a visita ao povo afectado pela tempestade, o contacto directo com pessoas sem tecto, longe dos ambientes controlados que têm almofadado as visitas sucessivas de ministros, o desfile obsceno a que temos assistido, sem que daí resulte nada, nicles, zero.

Mas bastaram os dias seguintes para percebermos que foi ledo engano. Seguro está, afinal, a trabalhar para a reeleição, versão 2.0 de Marcelo, a distribuir beijos, selfies e abraços com um afinco tal que nos sufoca. Não há esperança para isto. Desde a Junta ao topo da República, 99% por centro dos políticos só está preocupado com a sua própria sobrevivência no cargo.

A sua passagem pelas Meirinhas, durante o dia de hoje, rivaliza com qualquer filme de Kusturica.

Poupo-vos aos pormenores, deixo à curiosidade de cada um as imagens (algumas em vídeo, que mostram bem o ar de deboche de vários protagonistas), e permito-me soltar uma gargalhada, só. Eu havia de viver para isto: ver uma terra onde ser socialista está ao nível da extrema esquerda, rendida a Tozé Seguro. E ver Tozé Seguro rendido ao poder laranja, levado em ombros por aqueles que a vida toda apoucam, desprezam e ridicularizam os que vêm da mesma família política, fez-me lembrar uma procissão de Senhor dos Passos fora de prazo. Mas serviu para conhecermos, todos nós, o que (lhes) importa.

Seguro passou, Meirinhas soma e segue (não esquecer que ali os prejuízos se contam aos milhões, não é aos milhares), quem ainda não tem telhado que espere. Pelo dinheiro do seguro, do Estado, ou tão só por uma visita de alguém da Câmara.

Uma nota final para o desfile de assessores, uns moiros de trabalho a saltar de fotografia em fotografia. Alguém que lhes arranje um banco corrido, que isto cansa. Não acreditas? Estudasses!

Foto do dia

 

Para macacadas, prefiro os caretos de Podence.

1 de abril de 2026

Reunião da “junta”

A “junta” reuniu, ontem. Cumpriu-se mais uma formalidade, sem chama e sem relevo, num registo uniforme e indolente mais digno de final de ciclo.



O vereador não-eleito (doutor Coelho), que rapidamente e compreensivelmente se tornou insubstituível, descarregou, sem força e sem animo, qual Diácono Remédios, o volumoso saco de preocupações e minudências que colecta nas conversas mundanas e arrasta consigo. Carrega, coitado, com a sua circunstância e a consciência das próprias fragilidades. Com o outro vereador não-eleito não vale a pena gastar muito latim, continua agarrado à Guia e a distribuir umas loas pelos companheiros/as, sempre no registo assembleia de freguesia.

O doutor Pimpão despachou bem todas as preocupações dos vereadores não-eleitos – são uma das suas especialidades; a outra é a felicidade. Mas sentiu-se entalado com as intervenções do público, do senhor Amadeu e da senhora Durvalina, que esperam, há longo tempo, por uma solução para os seus problemas: um projecto parado há mais de meia dúzia de anos; e uma obra torta que incomoda sem solução por igual período. Chutou as batatas quentes para a tarefeira-mor, que, coitada, só teve para oferecer a voz e o tom meloso, que só serve para embalar camelo. No entanto, as duas questões do público tiveram o mérito de fazer luz sobre as razões por que rodam tanto os vereadores, sobretudo no urbanismo e obras.

26 de março de 2026

Sobre o malfadado território

Há autarcas que andam sempre com o território na boca, mas desprezam-no olimpicamente. Pior: nalguns casos nem é por má vontade, é por simples ignorância - não têm, sequer, noção das facadas que lhe dão.

A profissionais da engenharia industrial sabem que o lay-out determina a produtividade. Os autarcas deveriam saber que o ordenamento do território determina a qualidade de vida das populações e a eficiência económica. Mas não sabem, nem querem saber; preferem uma benfeitoria aqui, outra ali, e muita propaganda. O ordenamento do território exige estudo, planeamento, critérios e perspectivadas em horizontes temporais suficientemente largos para garantirem eficácia, equilíbrio e estabilidade. Tudo o que nos falta, e eles (autarcas) não valorizam.

Bastou passar por cá um “estrangeiro” – um tipo do Fundão (Paulo Fernandes - coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro) - para constatar e expor o óbvio: o eixo Leiria-Pombal apresenta uma flagrante falta de ordenamento do território. Venho alertado para isso há décadas...

Por cá o nosso autarca prefere debitar falácias sobre a eficácia do poder local. 


24 de março de 2026

O cata-vento laranja



Tenho acompanhado com atenção a atuação do presidente da Câmara Municipal de Pombal, que acumula funções como presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, e não posso deixar de assinalar aquilo que considero ser um verdadeiro malabarismo de palavras — e de realidades.

Nos últimos meses, tenho visto coexistirem dois discursos que dificilmente se conciliam.

Por um lado, a nível local, é-nos apresentada a imagem de um concelho em recuperação, funcional, com capacidade de investimento e resposta. A comunicação municipal insiste numa narrativa de estabilidade, eficácia e mobilização de recursos, transmitindo confiança à população.

Por outro lado, a nível nacional, o mesmo responsável político surge repetidamente na comunicação social a alertar para a falta de meios dos municípios, defendendo a necessidade urgente de reforço financeiro e chegando a pedir um “pacote financeiro robusto” para o poder local.

O que me preocupa não é a existência destes dois planos — local e nacional —, mas sim o facto de estes discursos acontecerem ao mesmo tempo. Não estamos a falar de momentos diferentes ou de contextos distintos no tempo. Estamos a falar de declarações paralelas, feitas no mesmo período, que transmitem mensagens claramente divergentes.

E é aqui que coloco uma questão simples: afinal, em que ficamos?

Se o concelho tem capacidade de resposta, se consegue investir e apoiar a população, como é que se sustenta ao mesmo tempo a ideia de que os municípios estão estruturalmente sem meios? E se essa falta de meios é real e tão grave como se afirma, como se explica a narrativa de normalidade e sucesso a nível local?

Não estou a dizer que uma das versões é necessariamente falsa. O que afirmo é que esta dualidade cria confusão e levanta dúvidas legítimas sobre a coerência do discurso político.

Enquanto cidadão e enquanto alguém atento à vida pública, não posso deixar de questionar este malabarismo de realidades. A população merece clareza. Merece saber qual é, afinal, a verdadeira situação — sem discursos ajustados ao palco ou ao momento.

Porque a política, para ser credível, não pode viver de narrativas paralelas. Tem de assentar na coerência, na transparência e na verdade.


Emanuel Rocha 
#farpasconvidadas

18 de março de 2026

Onde se dá conta dos preparativos para a apresentação do livro que narra as façanhas e as desventuras do Pança contra as rajadas e os estragos da tempestade

- Dai-me licença, Excelência – pediu o Pança; e acrescentou, com invulgar cortesia: - mui agradecido por me receber, e por me conceder um pouco do vosso precioso tempo. 

- Que queredes? Dizei-o rápido – ordenou o Príncipe.



- Venho endereçar-vos um modesto convite. Mas antes que Vossa Mercê mo relembre, confesso o meu profundo desgosto pelos nossos recentes desencontros. Mas queira acreditar-me: em nada diminuíram a estima e consideração que este sempre fiel escudeiro continuará a sentir pelo Senhor.

- Adiantai, Pança, que nesta fase da minha vida dispenso esses colóquios – observou o Príncipe já meio agastado.

- Que assim seja…. Vossemecê já deve saber que vou apresentar o meu livro, onde narro as minhas façanhas contra a tempestade – anunciou o Pança.

- Como…?! Repete-me, Pança, escreveste um livro? Mas vós não sabeis escrever! – Retorquiu o Príncipe, deveras surpreso.

- Mas quem disse a Vossa Excelência que é preciso saber escrever para fazer um livro?! – Perguntou o Pança agastado. E logo acrescentou: - que eu saiba, para se fazer um livro, um livro que as pessoas leiam com gosto, só é preciso ter uma boa história na cabeça e saber narrá-la ao escriba, que isso de desenhar letras e palavras e de colocar as vírgulas e os pontos nos locais devidos, é coisa que qualquer escriba faz. 

- Para que te metes tu nessas andanças, Pança? 

- Para quê? Meto-me, porque me posso meter, porque sou um escudeiro que aprendeu e tomou o gosto das artes do poder e quer deixar rasto – afiançou o Pança, determinado. 

- Continuais igual, Pança, com pouco siso e muita vaidade. 

- Ouça vossemecê — proferiu o Pança: isto da governação não pode ser só dar ao cabedal e fazer obra. Como o Senhor bem sabe, se não a registarmos em livro as nossas conquistas todas as esquecem, e uma pessoa passa a esquecido. Pratiquei tamanhas façanhas que não poderia deixá-las em silêncio.

- E quem escolhestes para escrever essas tuas façanhas? – Perguntou o Príncipe.

- Um Senhor das Letras… Mas não um poeta, que canta as coisas não como foram, mas como deviam ser; mas sim um historiador, para escrevê-las, não como deviam ser, mas como foram, sem acrescentar nem tirar à verdade a mínima coisa – afiançou o Pança com orgulho.

- Mas quem? Dize-me… - insistiu o Príncipe.

- É segredo até à apresentação, mas ao Senhor digo: a mais ilustre figura das Letras do Reino - bacharel Sanção Carrasco.

- Muito bem… E que reacções tendes tido ao manuscrito? – Perguntou o Príncipe, curioso.

- O bacharel Carrasco considerou a história grandiloquente, magnífica, mui sentida e verdadeira. Narrei-lha com esta voz de trovão e de tambor; mas também o avisei: não ponha a troche e moche quanto me vem à cabeça, mas só o que é o mais saboroso e menos prejudicial ao entretenimento.

- E das pessoas que já o leram? – insistiu o Príncipe.

- Dizem que é uma história mui clara e divertida, que não oferece dificuldades, onde se não encontra nem por sombras uma palavra desonesta, ou um pensamento menos católico. E acredite-me, meu Amo e farol, muito ficou por dizer de mim.

- Jeito para a gabarolice não te falta, Pança – sentenciou o Príncipe.

- Mas dizei-me: posso contar com Vossa Excelência na apresentação? – Perguntou, inquieto, o Pança.

- Vou pensar… Tenho de pensar se tão modesto cerimonial justifica a quebra do meu afastamento.

- Até à vista.

- Deus vos guarde.

                                                                                Miguel Saavedra

                                                                                        (Ficção)

16 de março de 2026

A feira dos hamburgueres, o chouriço e o porco




Pedro Pimpão levou hoje à reunião de Câmara a boa-nova: afinal a organização do "evento solidário" tinha para dar a Pombal mais de 10 mil euros!

Ora, como o presidente continua a enrolar, voltamos a perguntar: Que relação de custo-benefício teve para Pombal? 

Para a empresa privada, foi realmente espectacular (como não se cansou de dizer o empresário, em declarações à web rádio Onda Certa). Horas depois do mega sucesso que devolveu a luz, som e festa ao Cardal, a empresa anunciava nas suas redes sociais um passatempo no valor de...10 mil euros. Está bem de ver que o que aqui "deixaram" são trocos. O equivalente a um chouriço, numa terra de onde levaram o equivalente a mais do que um porco.

Depois disto, por que foi mesmo que a Câmara cancelou a feira do livro, o mercado medieval, e anunciou um Bodo mais comedido?


15 de março de 2026

Evento solidário? A Câmara explica.

 



Ao segundo dia da feira dos hambúrgueres no Jardim do Cardal, a Câmara veio a público "responder" às perguntas do Farpas, que são também as dúvidas legitimamente levantadas por muitos cidadãos. 

Numa publicação nas redes sociais, dizem-nos que "Pombal foi escolhido" para acolher o evento. Foi, depois de outros municípios o terem recusado. Ora, como meias tintas é meio caminho andado para troca-tintas, lá se arranjou à pressa quem vai gerir o dinheiro - os donativos que são feitos num quiosque, onde, ao primeiro dia, uma jovem universitária estava sozinha, com duas máquinas de multibanco, à espera das doações "para as vítimas da tempestade". Perguntámos como é que se processava a coisa, quem geria os donativos, pois que não sabia. A super-organização do evento não teve sequer o cuidado de fazer um briefing aos que vieram "ganhar uns trocos". 

Foi então que a Câmara teve uma ideia de génio: passar essa batata quente às duas organizações com estatuto, juntando nesta demanda Rotários e Lions. Amanhã o executivo leva a reunião de Câmara um protocolo, que rabisca a forma em que deve ser gerido o dinheiro. A doutora Ana Carolina vereadora deve ter explicado à Ana Carolina presidente do Lions Clube os termos da coisa. Aguardemos então por novidades desta novela, depois de um fim de semana em cheio, a cheirar a esturro no Cardal.

12 de março de 2026

Solidário para quem?

 


Vai um frenesim pelo largo do Cardal com a montagem de palco e barraquinhas, uma espécie de Bodo em edição de bolso, com algumas nuances. O evento chama-se Pombal Solidário, acontece este fim de semana, e tem entrada livre, porque o móbil é a reconstrução e as vítimas da tempestade. Qualquer coisa aqui não bate certo. Ou melhor, várias coisas aqui não batem certo. 

Primeiro a Câmara vem fazer um choradinho piedoso e cancela o mercado medieval e a feira do livro (como se a feira do livro fosse um evento de larga escala), e diz que vai cortar 200 mil euros nas festas do Bodo, porque é preciso aplicar o dinheiro na reconstrução. Até aqui compreendemos, mesmo com dúvidas sobre o real impacto dos cortes. Mas de repente a Câmara predispõe-se a gastar o que não tem, e financia um evento privado: a Portugal Burger Cup. Nisto, não há ventania que nos varra. Continuamos a ser a presa fácil para o chico-espertismo. A Câmara monta o evento, suporta os custos, alinha na parolada do cartaz (e não, não estou a falar da escolha musical, apenas do mau gosto gerado através de IA, que faz escorrer a gordura pelo castelo abaixo) e no fim pagamos todos. 

Porque este não é um evento solidário como os demais, nos outros concelhos, em que se organiza um espectáculo, os artistas contribuem com o seu trabalho, e o público contribui com a entrada. Simples. Foi assim que aconteceu na Marinha Grande, em Coimbra, em Leiria, em vários concelhos afectados. Aqui é preciso irmos à página do evento para saber que, no local, "haverá um quiosque solidário para fazer donativos e apoiar as pessoas afectadas pelas tempestades". Diz também a organização que "parte das receitas do evento também será destinada a esta causa".

Vamos lá por partes:

1. Quem gere o quiosque solidário? E vai fazer chegar o dinheiro a quem, com base em que critérios? 

2. Que parte das receitas é destinada à causa? E se o evento der prejuízo? 

Numa terra em que há vários anos deixámos de saber quanto custam, de facto, os eventos, uma coisa destas só pode soar a fraude. Que haja uns chico-espertos privados que tentem ludibriar o público, é da vida. Que o poder autárquico embarque no logro, é preocupante. 

4 de março de 2026

Estratégia? Não. Propaganda barata

O doutor Pimpão levou à última Assembleia Municipal três Planos Estratégicos para responder à recente calamidade – três cardápios mal-amanhados de intenções, migalhas e miudezas, elaborados à pressa, sem método (juntando palpites), sem critério e sem consonância, destinados à exibição e frenesim mediático. Para amanhã, está marcada a sua apresentação pública!



O doutor Pimpão é, com certeza, o autarca que mais Planos Estratégicos apresentou e fez aprovar. O que atesta o contrário daquilo que ele quer afirmar: a ausência de Estratégia, porque quando tudo é estratégico nada é estratégico. E porventura não precisaria de uma qualquer estratégia, bastar-lhe-ia fazer o óbvio - o que num contexto de calamidade se torna indispensável. Mas não, a vaidade da encenação e da subordinação de toda a acção à propaganda está-lhe na epiderme, é o seu oxigénio político. 

Para alguns autarcas, a recente calamidade é uma oportunidade com bons potenciais proveitos… Mas para quê enfastiar os infortunados com a banal mediocridade da teologia evangélica do renascer se as pessoas só precisam de (o regular) viver?

1 de março de 2026

Pombal já voou. Agora segurem-se.




Se algum dos estimados leitores tiver paciência para ver o vídeo da Assembleia Municipal, comece pelo fim. Pode ser pela intervenção da antiga vereadora e deputada Ofélia Moleiro - que depois do corte com o partido, à conta do apoio ao amigo Narciso Mota, voltou em ombros (tal como ele), e é agora uma espécie de padroeira dos eleitos e dos heróis de capa azul e amarela, vulgo trabalhadores. Aqueles a quem pagamos, tu e eu, todos nós, para fazerem o seu trabalho. Pasme-se: não são voluntários. 

Comece pois pela intervenção da doutora Ofélia, incumbida de fazer um laudatório que incluiu até o "importante troféu" que o doutor Nelson Pedrosa recebeu, na BTL (aquele evento onde os nossos autarcas vão pavonear-se, e tirar muitas fotos e publicar nas redes), por causa do seu desempenho nos dias que se seguiram à catástrofe. Em contraponto, não gostou do pedido de uma comissão de inquérito à resposta da Protecção Civil, em Pombal, aos acontecimentos de 28 de Janeiro. "Isto é criar um circo dentro desta assembleia", disse ela, sem se dar conta de que, com essa imagem, só estaria a ofender os palhaços e os malabaristas. Não é bonito, doutora Ofélia. Mesmo quando nos dedicamos ao contorcionismo. Assim como não é bonito ver os seus companheiros tornarem a Assembleia Municipal numa taberna. Não acredito que se reveja na chafarica em se tornou o órgão. Quem chegou agora à política e nunca conheceu outra coisa, até pode achar normal. Mas não é. 

Foi o que aconteceu neste sábado, num salão a que chamamos Nobre. Tenho o maior respeito pelo trabalho de João Pimpão, enquanto presidente de Junta, mas perco-o totalmente quando entramos na intervenção político-partidária. Nos últimos quatro anos foi travado pela mão firme de Paulo Mota Pinto, que nunca permitiu a escalada, mas agora, com João Coucelo, faz o que quer, diz o que quer, e sobra-lhe tempo. Destrata os pares da bancada do PS, e tem um coro ao lado e atrás de si: Daniel Ferreira, de Vermoil (melhor fora que aplicasse energias no tanto que falta fazer na sua freguesia), Fernando Neves, de Albergaria (é melhor não falarmos desta freguesia, por agora...) e outros que tais. Tem também uma voz afinada do outro lado, o ex-presidente Eusébio Rodrigues, de Carnide (que finalmente conseguiu voltar à ribalta) com pérolas do nível "se não quer ouvir, tape os ouvidos". Pese embora os que, igualmente do PSD, também sentiram vergonha do estado a que chegou a AM, o que fica desta primeira sessão pós calamidade é uma luta na lama.

Podemos discutir se os eleitos do PS têm moral para falar do que se passa terreno. Mas ali representam cada um dos eleitores que votou neles. E desrespeitar isso é desrespeitar a democracia. Para mais, têm tanta moral como certos eleitos do PSD, que saberão da realidade nas aldeias (e nos subúrbios da cidade, onde só houve luz na semana passada e ainda não há internet nem televisão) pelo ecrã do telemóvel ou pelas imagens da TV. 

"Nos tempos que correm, o que o povo quer saber é quando e quem lhes resolve os problemas". A frase de Manuel Gonçalves terá sido das mais acertadas que ali se disseram. Mas o PSD - a quem não basta ganhar e ter tudo, precisa de espezinhar - gosta pouco que o questionem. Onde é que já se viu questionar a actuação do socorro na tempestade? Quem é que tem o topete de não estar agradecido e embevecido com o exército dos coletes e dos casacos amarelos ou laranja? Quem ousa viver sem encher a boca com a palavra resiliência, e com o jargão "juntos somos mais fortes"?

O Pedro acredita convictamente que os serviços que lidera conseguiram proteger as pessoas.  Diz que tem dificuldade em perceber as críticas, ou mesmo o "tribunal das redes sociais", onde mora a maior parte do tempo, como sabemos. Não compreende ele que o confrontem com a pouca visibilidade de Pombal nos media nacionais, porque depois dizem que é só propaganda. Esse é o ponto, meu caro Pedro. Chama-se comunicação.

Posto isto, se o estimado leitor for daqueles a quem ainda ninguém foi perguntar se estava vivo, se precisa de alguma coisa, ou não encontrou nenhum dos membros das equipas multidisciplinares que os autarcas asseguram que andam no terreno, é porque teve azar. E livre-se de perguntar pelo Plano de Acção Climática, que deveria ter sido aprovado até Dezembro do ano passado. Leiria já tinha. "E então? Em Leiria aconteceu pior que em Pombal!" - atirou João Pimpão. Vamos mesmo comparar a resposta?Claro que assim não discutimos o elefante na sala: o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil. E o serviço que o sustenta. Da parte dos presidentes de Junta, só Sandra Mendes, da Guia, pôs o dedo nessa ferida.

Portanto, agora que foi aprovado o plano tridimensional Pombal avalia, Pombal Protege, Pombal Renasce, nada temam. Pombal está bem arrumado. Já voou mais alto.

21 de fevereiro de 2026

A governação baseada nos títulos

Como medida de compensação aos prejuízos da recente calamidade, consta que o governo desta desgovernada república vai renomear o Instituto Politécnico de Leiria em Universidade de Leiria e do Oeste – ou seja, vai criar mais uma Universidade por decreto. Os pimpões desta vida já lançam foguetes de contentes, porque sentem que esta operação de cosmética os beneficia – e porventura beneficia.



Se há coisa de que o país não precisa, mesmo, é de mais Universidades e Institutos, pelo que, ajuizado seria reduzi-las, por fusão, por exemplo. Mas não. Neste pobre território à-beira-mar-plantado continua-se a governar como dantes, como desde os primórdios, quando os reis abusavam dos forais para estenderem o seu poder e o dos senhores feudais, ignorando os usos e costumes legítimos; ou no final da monarquia, quando os reis distribuíam títulos à-resga-frangalho, comprando apoios para preservarem o regime caduco; o que levou Garret a parodiar o desvario com brilhante sarcasmo quando escreveu: foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde.

Na verdade, foi quase sempre assim: quando não se tem nada de virtuoso para oferecer ao povo, distribuem-se títulos e honrarias. Porque haveria de ser assim com um Montenegro desta vida?

13 de fevereiro de 2026

Reunião da “junta”

A “junta” reuniu, ontem, com a calamidade sempre sobre a mesa…



Como vem sendo hábito, o vereador não-eleito, doutor Coelho, monopolizou a sessão, com um sermão mui bem urdido, sempre meloso, com nuances alternadas e melodiosas entre o piedoso e o severo moderado, que embalam os espíritos sensíveis. A sua pregação atingiu o clímax quando pediu a demissão do responsável pela Protecção Civil Municipal; e o anticlímax quando, num acto de contrição antecipado, assumiu que se retrataria publicamente se não fossem apuradas falhas graves. Quem diria que o rapaz que entrou na política pombalense com uma campanha anónima de bandeiras-negras se transformaria num verdadeiro “bom-cristão”?

Os outros vereadores – do PSD – estiveram discretos e muito complacentes.

12 de fevereiro de 2026

Quando não se tem cu para duas cadeiras…

Pouquííísimas pessoas têm cu para duas cadeiras. E em momentos de crise não conheço nenhuma.

Que a câmara de Pombal e as juntas não estavam minimamente preparadas para a calamidade que se abateu sobre o concelho, não restam grandes dúvidas – na verdade, ninguém estava preparado para o que aconteceu. Mas que era possível e expectável que a resposta tivesse sido mais rápida e efectiva, também é evidente…

Mas não houve a resposta que deveria ter havido. Nem poderia haver - por múltiplas razões. À cabeça porque se ignoraram os riscos; não se fez a sua correcta avaliação; logo, não se definiram ações concretas a tomar. Depois, ou ao mesmo nível, faltou liderança e articulação entre as diferentes entidades que deveriam ter actuado imediatamente, com missões perfeitamente definidas e enquadradas.

Em Pombal, o responsável operacional pela Protecção Civil Municipal, Hugo Gonçalves (o efectivo é o presidente da câmara), acumula o cargo com o cargo de comandante dos Bombeiros Voluntários. As duas funções e entidades partilham algumas atribuições e responsabilidades complementares, mas são distintas em muitas outras. Daí que a acumulação de funções tão diversas e com tão amplas responsabilidades seja uma coisa descabida e comprometedora da capacidade de ambas as estruturas. Disfunção que já era amplamente comentada no corpo de bombeiros, mas que agora ficou amplamente exposta na Proteção Civil da Câmara.



A Câmara de Pombal sempre padeceu do pecado grave de entregar os tachos aos amigos que podem ajudar a manter o poder, porque o que interessa não é buscar respostas robustas para os problemas reais ou potenciais, mas tão somente ir enganando a perdigota. Com o doutor Pimpão a coisa agravou-se.

Quando o responsável pela Protecção Civil Municipal, Hugo Gonçalves, confessa publicamente que “o que se está a passar agora” é que há locais onde se desconhecia que “eram suscetíveis de ter cheias”, estamos conversados sobre o desleixo e a impreparação reinante. É muito bonito andar com a palavra território sempre na boca, mas conhecê-lo, estudá-lo e fortalecê-lo dá muito trabalho.

Hoje, na reunião da “junta”, o vereador João Coelho pediu a sua demissão responsável pela Protecção Civil Municipal – uma exigência lógica. Se o rapaz não conhece as cartas do risco hidrográfico, nem os leitos de cheia, nem as linhas de água do concelho, o que é que está a fazer no cargo que ocupa? É libertá-lo das múltiplas funções e mandá-lo percorrer o concelho. Agora os leitos de cheia e as linhas de água estão bem visíveis.

10 de fevereiro de 2026

Pobres de nós

 



Passam nas próximas horas duas semanas da noite em que o vento nos atravessou, e para muitos de nós não há meio de ver o tempo e o modo a melhorar. Dos milhares que, no distrito de Leiria, continuam sem electricidade e sem comunicações, uma boa parte está no concelho de Pombal. Para maior infortúnio, a maioria não sabe sequer a dimensão da catástrofe, porque lhes falta comunicação, acesso à informação. Dei comigo estes dias quase a bendizer esse buraco negro, ao imaginar os meus pais a carregarem ainda mais esse fardo, se vissem imagens do que a tempestade provocou em muitos lugares à nossa volta. Mas por outro lado, o quanto lhes faz falta (a eles e a tantos) a companhia da TV. O quanto lhes faz falta, a eles e a tantos, a electricidade que permite o básico: ver o caminho, de noite, até à cama, encher o depósito de água, conservar alimentos, gestos que tomamos como banais até nos serem tirados. Talvez agora já dê para imaginar um pequeno laivo do que é viver na Ucrânia ou na Palestina, ou em tantos lugares do mundo. Aqui as nossas bombas são agora naturais: o vento e a água, depois do fogo.

Deixei passar este tempo para poder olhar com discernimento para o quadro que temos à frente. Apesar da nossa parca presença na TV (acabaram-se aqui os directos mal os rios e as cheias nos ganharam, em mediatismo), as imagens que nos chegaram (aos privilegiados que por estes dias têm luz, água e comunicações) mostram a pobreza em que vive tanta gente. Talvez este temporal tenha destapado definitivamente o que andamos a mascarar há demasiado tempo. Na semana passada, um grupo de bombeiros de Oeiras que encontrei numa pastelaria da cidade confirmava isso mesmo. Logo a eles, de carros novos e bem equipados, calhou a reposição de telhados entre Vermoil e Albergaria dos Doze. “O problema é que muitos telhados estão todos podres”, diziam. Por isso o problema não vai resolver-se com telhas ou lonas, será muito mais complexo.

No meio da desgraça, em Pombal também esta não veio só. Tivemos o azar de não ter presidente da Câmara nesta altura. E por mais diligente que a vice Isabel Marto tenha parecido, percebe-se que foi talhada para números e gabinetes, nada para comunicar e liderar. O que aqueles briefings nos mostraram foi uma “equipa” deslaçada, cada um para seu lado, sem qualquer coesão muito menos liderança. Só assim se compreende que o chefe da Unidade de Turismo tenha vindo a público prestar declarações, como se ainda fosse chefe de gabinete do presidente da Câmara.

Nas Juntas, foi mais ou menos “a cada cor seu paladar”. Houve de tudo: a falta de noção e de empatia com quem estava sem luz, a comer o que calhava e de chapéu aberto dentro de casa, enquanto decorriam jantaradas ao som do acordeão com bombeiros e demais voluntários. Chama-se decoro, e também se aprende. Houve o empenho e rapidez em reparar telhados de igrejas enquanto chovia na cama de fregueses, ou tão só o acto de ignorar as pessoas. Sobram porém alguns bons exemplos. A saber: na Redinha, a Junta distribuiu panfletos quando percebeu que só acede às redes sociais quem tem electricidade ou comunicações; no Louriçal, o presidente Célio Dias tem posto a sua experiência militar e formação em psicologia ao de cima. A procura da população para lhe explicar de viva voz o que está a acontecer é fundamental, e deveria fazer parte do manual de procedimentos em catástrofe. Assim como um cidadão deve ter um rádio de pilhas e uma lanterna, as autarquias deveriam ter um megafone para falar às pessoas, quando não há outra comunicação. E imprimir panfletos físicos, com informação. Impressiona como é que o PSD é capaz de imprimir jornais de campanha num estalar de dedos e agora não replicou o modelo.

[Já que falamos em jornais e em campanha(s), sentiu-se como nunca a falta das rádios locais. Da básica reportagem, de dar voz às pessoas. Temos um problema sério aqui, que é confundir jornalismo com comunicação, servindo de pé de microfone aos autarcas ou replicar comunicados da Câmara, esquecendo (ou desconhecendo) que são apenas uma parte das fontes. Em contraponto, boa cobertura por parte do Pombal Jornal, que já está nas bancas.]

Numa breve pesquisa pelo que disseram e fizeram estes dias os vários presidentes de Junta, não é possível passar ao lado de João Pimpão. No seu estilo próprio, agora numa cruzada contra a E-Redes, tornou-se (para o bem e para o mal) a figura desta depressão. No meio do barulho (que às vezes é preciso fazer, como aconteceu em São Simão de Litém, com a brava Isabel Costa), mobilizou tudo o que podia. E uma coisa é certa: na tarde de 30 de Janeiro,  quando fui às Meirinhas em reportagem, havia mais equipas de limpeza naquela freguesia do que nalgumas sedes de concelho onde estive.

Não conheço Ricardo Grilo, do Carriço, mas o que vi, através da web rádio Onda Certa, deu para perceber a lucidez e clareza do presidente do Carriço. Mas conheço outros, de quem esperava mais, no meio de uma catástrofe.

E antes de tudo, esperava mais, esperava alguma coisa do Governo do meu país. A sensação de abandono e desamparo não nos vai largar, durante muito tempo. É o Estado que tem obrigação de responder, a montante e a juzante. Falhou em tudo, a começar pela Protecção Civil, que cada vez mais nos parece uma falácia.

Passaram 14 dias e há milhares de familiares, amigos, vizinhos e conhecidos nossos que não têm luz, que não têm televisão, que às vezes não têm água. Que ainda não viram o grau de destruição nas aldeias e cidades à sua volta. Mas que estão, muitos deles, destruídos. Desde logo os idosos, cuja saúde mental está francamente debilitada depois do trauma. A esses, era preciso, primeiro que tudo, olhar nos olhos e dar uma palavra. Não eram precisos cabazes alimentares, nem podemos estar à espera que vejam as publicações da Câmara no Facebook.

O que nos valeu, afinal? Nós mesmos, uns e outros, a entreajuda por vezes comovente que chegou de longe, amiúde. Mas vai acabar. E vai ser precisa muita energia para reconstruir esta região. Para já, dava jeito a elétrica. A outra pode vir depois.

9 de fevereiro de 2026

Um alerta, contra a irresponsabilidade

A acção política do doutor Pimpão é um jorro dissipador de recursos como se não houvesse amanhã. O que nos vai valendo é a sua (in)capacidade de realização não dar vazão ao rol de desvarios. Há vários, mas um, pela sua dimensão, irresponsabilidade e oportunidade, ressalta, e talvez faça tocar o alarme: o prometido Parque Verde. Teve início da construção prometido para o primeiro semestre de 2025, na Quinta do Emporão, entre o rio Arouca e o IC2, com vários equipamentos caros: piscina ao ar livre, equipamentos desportivos e lúdicos, mini-anfiteatro, cafetaria, casa do ambiente e sustentabilidade, etc. A classe política local aprovou e aplaudiu. E o cidadão comum, que julga não pagar estes desmandos, aceitou a coisa passivamente.



Convém recordar que os proprietários da Quinta do Emporão tentaram, ao longo de décadas, construir naqueles terrenos, ou pelo menos na faixa adjacente à IC2; mas os diferentes executivos rejeitaram porque os terrenos estão em leito de cheia. Coisa de somenos, disse o doutor Pimpão&C.ª, que desconhece o risco hidrográfico (risco de inundações, cheias rápidas, inundações fluviais) ou julga que é coisa que só se aplica aos privados. 

Agora, quando os cidadãos desta região ainda sofrem os efeitos devastadores e as dores da tempestade e das inundações, não era tempo de pôr a mão na consciência e arrepiar caminho? Não era tempo de assumir que se deve respeitar a Natureza, porque ela não é só bela, é também violenta e destruidora?  

Desbaratar recursos públicos em benfeitorias caras em leito de cheia é de uma irresponsabilidade atroz. O Parque Verde, com os equipamentos que para lá se projectam, ficará um dia destes para a história, como o maior atentado urbanístico alguma vez erguido no concelho. 

6 de fevereiro de 2026

Pombal até nas manifestações é pífio

Pombal até nas manifestações é pífio. E ridículo.

Anda por aí um pimpão, destravado, a tentar fazer uma cruzada contra a e-redes (empresa distribuidora de energia em Portugal), devido há falta energia na sua freguesia e em muitas localidades do concelho. A ignorância é a ânsia de protagonismo são muito atrevidas.



Para ter energia num qualquer local é preciso reunir duas condições básicas: haver energia e ter rede (fios). Energia não falta, nem falta de vontade de a vender. Mas em muitas localidades não há rede, nem vai haver tão cedo (como todos desejariam) porque a queda de árvores a desfez por completo em muitas localidades, na alta, na média e fundamentalmente na baixa tensão. Qualquer pessoa com dois neurónios a funcionar em série percebe que é impossível refazer a rede no imediato, que a empreitada é gigantesca e vai demorar várias semanas, como a ministra Graça Carvalho – doutorada em Energia – explicou muito bem nas televisões e quando passou pela região.  

Há bocado realizou-se ali junto câmara uma coisa deveras insólita: uma manifestação (coisa raríssima nesta terra), e, vejam bem, de políticos!

Deus lhes perdoe.

Um dia a casa vem abaixo

 



O poder caiu na rua, por estes dias, e a nossa má-sorte conheceu hoje novos episódios. Enquanto Pedro Pimpão permanece em convalescença, o vazio de poder vai encontrando quem o agarre aos bocados, aqui e ali. Nas freguesias, há presidentes de Junta para todos os (des)gostos e feitios. Na Câmara, ficou evidente a incapacidade de liderança. Ora, ao 10º dia deste comboio de tempestades, eis que aparece um imediato a tentar emergir. A meio da tarde, a Câmara publicou nas redes o anúncio de que amanhã acontece a demolição da casa Mota Pinto, aquela que ia ser um museu, um centro de interpretação, qualquer coisa que em 30 anos nunca saiu do papel. E nunca vai sair, soubemos hoje.

Curiosidade: como documenta este print da publicação, a ordem foi dada por essa entidade que é o director municipal, achando-se agora presidente em exercício. Mais tarde, alguém terá tido um rasgo de bom-senso, e a publicação foi eliminada, como se fosse possível apagar esse rasto atrevido.

Pombal à deriva

A tatear e a improvisar, sem liderança, sem rumo, sem critério.

Avança. Recua. Expõe-se à chacota.

Deus lhes perdoe.

5 de fevereiro de 2026

A “junta” reuniu

A “junta” reuniu, ontem, para cumprir as formalidades e permitir as solenidades habituais nestes momentos.



A vice Marto conduziu os trabalhos com a descrição habitual.

O vereador não-eleito (doutor Coelho) monopolizou novamente a sessão com um sermão mui bem entoado, cheio de reparos, conselhos e preocupações, sempre no tom meloso, cheio de compaixão e até de piedade, como era conveniente, onde não faltou a indignação, como também era obrigatório, nomeadamente com os insensíveis governantes; e até a raiva, mas não a raiva que vem do ódio, mas sim a pura, a cristã, aquela que avigora sempre o lado humano.

O Conde do Oeste apresentou as suas curiosidades, e fez as suas observações.

O ausente que se ausentou sem dizer nada a ninguém também esteve presente – podia ele faltar nesta imperdível ocasião?! Não. Não podia. Mandou ler uma prédica laudatória dirigida aos destinatários habituais. 

2 de fevereiro de 2026

A resposta da “junta” à tempestade

A “junta”, com a doutora Marto atrás da (des)coordenação da resposta e na dianteira da comunicação - domínio em que é especialista, e dá lições -, tem respondido “muito bem” à calamidade provocada pela tempestade, na linha do modelo governamental – quem sai aos seus não degenera.



Mas há um reparo/questão que tem que ser aqui deixado: por que razão (ou razões) não aceitaram a colaboração dos ascetas/escuteiros do PS? Eles gostavam tanto de participar…

26 de janeiro de 2026

Do negócio de porcos à porca da política

O assunto parecia encerrado, desde há vários anos, mas eis que renasceu: a Câmara de Pombal equaciona aprovar a exploração de uma suinicultura na renascida freguesia da Mata Mourisca, que vai afectar pelo menos oito localidades de duas freguesias. Não há como dourar a pílula - quem mora na Mourisca de Baixo, nas Biqueiras, nas Castelhanas, na Moita de Boi e outros lugares limítrofes corre o risco de passar a viver infestado pelos cheiros e pela merda. Vamos dizer isto com todas as letras, para ver se os senhores e senhoras autarcas percebem bem. 
Está em marcha uma petição - que pode e deve ser assinada por qualquer um, seja ou não morador, pois que numa terra que aceita tudo é melhor todos porem as barbas de molho - mas é preciso endurecer esta luta. É preciso ir à reunião de Câmara, ir à Assembleia Municipal, ir a todo o lado expor o que não era suposto: a mesma Câmara que entre 2019 e 2021 travou a criação de porcos no meio das pessoas, à beira de uma ribeira, está agora a vacilar e pondera aprovar o que vai ser - não duvidem - um atentado ambiental. 
Na aldeia onde nasci e onde moram os meus já há meses que se sabe disto. Nas outras também se foi anunciando, a partir do momento em que o dono da Suinijanardo (empresa proprietária da pocilga, ofereceu uns porcos assados para um torneio de cartas. Com pés de lã, foi avançando. Na semana passada convidou os presidentes das junta das freguesias afectadas e uma comitiva da Câmara para visitar a pocilga-modelo, na freguesia de Colmeias, concelho de Leiria. Lá foi uma comitiva liderada pela vice-presidente Isabel Marto e a super-vereadora Ana Carolina Jesus ver como é, supondo que a ideia é contar como é que foi. 
Ficámos a saber disso na sexta-feira passada, numa reunião com a população na Associação de moradores da Mourisca de Baixo (na foto), onde o presidente da junta da Mata Mourisca - o estreante Nelson Matias - informou os presentes desse e outros pormenores. Por exemplo, de como andou de fita métrica na mão a medir as estradas circundantes, para concluir que dificilmente ali passariam os camiões a que o negócio obriga. Seria cómico, se não fosse trágico. O problema não é a estrada nem o piso. O problema é o cheiro, o problema é a merda. O problema é travar o licenciamento de uma indústria que não vai criar sequer postos de trabalho quanto mais riqueza (a não ser para o proprietário), ou qualquer bem-estar, antes pelo contrário. Vai comprometer a qualidade de vida dos que ali moram, agora e no futuro.
E por isso é preciso firmeza nesse parecer que as autarquias são chamadas a dar. "Ah, porque se não licenciar a Câmara tem que indemnizar o proprietário". Das duas uma: ou usa a sua litigância para o que importa, ou usa o dinheiro para bons fins. O que não pode é usar o poder que o povo lhe conferiu para comprometer o futuro.
Na assembleia popular de sexta-feira ficou uma nota positiva para o presidente da Junta do Louriçal, Célio Dias, que se mostrou frontalmente contra a engorda de porcos. Pessoalmente tenho zero simpatia pela figura, mas pode bem vir a ganhar a minha admiração. Diz ele que as únicas botas que engraxa são as suas, por isso cá estaremos para ver. Igualmente curiosa foi a aparição/participação dos senhores do PS (mesmo que a esmagadora maioria dos presentes não soubesse quem eram, e nem eles tenham tido o bom senso de se apresentar), que ali foram misturar alhos com bugalhos.



19 de janeiro de 2026

O Processo

O Processo chegou ao fim (na Justiça Nacional): o ex-Director de Recursos Humanos da CMP (Miguel Ribeirinho) foi absolvido do crime por cuja prática foi acusado, por violação do princípio “ne bis in idem” – art. 29º, n.º 5, da Constituição da República Portuguesa. As outras duas “acusadas” também foram absolvidas - por arrasto, contra a sua vontade expressa.

Tão diferentes, e tão iguais - na litigância compulsiva

O tribunal concluiu que “o Ministério Público não podia, como fez, criar outro processo, idêntico a um já definitivamente decidido, com o único objetivo de corrigir erros na elaboração da acusação, contornando desta forma, ilicitamente, as limitações legalmente previstas à modificação dos factos descritos na acusação e o efeito preclusivo de uma decisão de não pronúncia transitada em julgado”.

Convém recordar que o Processo foi desencadeado e conduzido pelo ex-presidente da câmara (Diogo Mateus), na sequência de um processo disciplinar ardiloso, conduzido pelo actual Director Municipal, que teve igual desfecho na Justiça, e prosseguido pela mão do actual presidente com requintes persecutórios verdadeiramente kafkianos. Tudo com a participação de muitos persecutores activos e/ou coniventes/colaborantes.

O regime chegou a este ponto. Chegou ao ponto em que usa e abusa dos amplos poderes administrativos para perseguir pessoas que julga inconvenientes; e quando não o consegue pela via administrativa, usa e abusa da via judicial com todos os artifícios da litigância compulsiva, porque sabem que não suportam qualquer custo e sabem que o desprotegido cidadão tem que arcar com os enormes custos do Sistema de Justiça. 

Se Kafka ainda fosse vivo, e se lhe contassem o enredo deste Processo, e de todos os que lhe antecederam, deixar-nos-ia, com certeza, o Processo II; agora não sobre a lógica opressora do sistema de justiça, mas sobre a lógica opressora dos sistemas administrativos. 

Eis a prometida felicidade no seu esplendor.

18 de janeiro de 2026

Somos estes, e aqui Ventura é o maior


 


O concelho de Pombal votou maioritariamente em André Ventura para as eleições presidenciais. Seguiu-se Seguro, e só depois Marques Mendes, o único candidato que afinal aqui veio, em campanha. De pouco valeu o apelo público do presidente da Câmara e de todo o séquito do PSD local, nomeadamente do presidente-deputado João Antunes dos Santos. 

Os resultados destas eleições no país - e particularmente no concelho de Pombal - deviam também servir para o PS local aprender alguma coisa, nomeadamente sobre respeitar em vez de culpabilizar o eleitorado. Mesmo quando não agrada, mesmo quando preferíamos ter outro resultado.

17 de janeiro de 2026

Sai um recheado pacote de bónus para os médicos

 O presidente mandou levar à reunião da “junta” um regulamento sobre a atribuição de incentivos à fixação de médicos no concelho, que lhe permite atribuir todo o tipo de bónus (casa, deslocações, despesas, impostos, etc.) aos novos deuses na terra (os médicos). Por ser uma medida reclamada, há muito, pela dita oposição e é agora do agrado do poder, provocou de imediato um aguerrido despique pela paternidade da excrescência política, na reunião e publicamente.



A medida tem tanto de depravada como de perigosa. Depravada porque na administração da coisa pública não pode valer tudo - os fins, por mais nobres que sejam, não podem justificar que se abuse dos meios. Perigosa porque não resolve, nem ameniza, nenhum problema do SNS; antes pelo contrário, só os agrava. Para quem anda todos os dias com a defesa do SNS na boca não deixa de ser bizarro, mas é o que temos…

Temos uma “classe” política populista e inepta que só conhece uma forma de resolver os problemas, despejar dinheiro sobre eles, gerando mais despesa e problema maior, qual marceneiro que, só conhecendo a ferramenta martelo, julga, no seu fraco pensar, que resolve todos os problemas pregando pregos. E desconhece, ou manda às urtigas, o princípio básico de toda a arquitectura do Estado: a clara delimitação de atribuições e responsabilidades entre os diferentes níveis e estruturas, a fim de evitar sobreposições, desperdícios e injustiças.