2 de maio de 2026

Sobre a reunião da assembleia da “junta”

A assembleia municipal – agora definitivamente no patamar “junta” – reuniu durante cinco longas horas, no último dia do mês. É uma dor de alma ver e ouvir aquilo. No entanto, aquelas criaturas são capazes de passar uma tarde inteira a dizer tolices ou banalidades requentadas sem se cansarem e sem noção do ridículo. 



Na verdade, tudo ali é vulgar, rotineiro, rasteiro e enfastiante. De um lado ao outro, das peças da mobília aos novatos, mais acima ou mais abaixo, nada daquilo anima, cativa ou engrandece.  Todos (ou quase) vão para ali cumprir a sua rotina, ler a sua folhita, sem graça e sem alma. De um lado debitam sermões de escuteiro ou de beata benfeitora, encharcados de sentimentalismo bacoco e de teologia positivista; do outro largam perguntas inconsequentes e críticas repisadas condenadas ao fracasso. Não há ali qualquer rasgo, qualquer improviso bem esgalhado ou uma réplica desarmante do adversário. Do lado da oposição, só o doutor Gonçalves revela alguma desinibição política e capacidade retórica, mas sem conteúdos preparados e enquadramento político perde-se facilmente no fogo fátuo das tiradas despropositadas.  

O presidente da “junta” cansa até ao sorriso repulsivo, só de ouvi-lo na cantilena de trivialidades e elogios sonsos, pontuados sistematicamente com as batidas estrondosas do “extraordinário” e do “notável” no bombo discursivo – parece ter nascido ou enlouquecido com a mania do notável e do extraordinário.

Sobre o grande assunto da agenda – Relatório de Gestão de 2025 – a bancada PS entregou a importante matéria ao inenarrável Conselheiro Acácio, que de gestão e dos seus instrumentos parece saber tanto como boi de palácios. Vai daí, fez o que sabe fazer: leu, cabisbaixo, a sua habitual ladainha de maneirismos e coquetismos discursivos, mas não resistiu à vaidade tola de lhe acrescentar o seu truque de retórica sofista barata: somou o que não é somável (resultados líquidos anuais - dos últimos anos)! A ignorância é muito atrevida. 

Mas as coisas são como são, e nestes jogos de soma nula acabam sempre por se equilibrar. Coube à doutora Catarina, porventura inadvertidamente, traçar o verdadeiro retrato do documento e do desempenho da câmara quando afirmou, e rematou, que “o nível de concretização vai de encontro aos documentos estratégicos e também ao programa eleitoral que foi sufragado”. 

A política é a única farsa onde o farsante acha que faz boa figura se se engrandece com ela. 


2 comentários:

  1. Amigo Malho
    Grandiloquente dissertação sobre a última Assembleia Municipal, onde não é poupada a adjetivação contundente, muito ao estilo “Gaiola Aberta” de outros tempos do saudoso José Vilhena que naquele tempo arriscava o próprio sossego porque lhe batia à porta a polícia do regime.
    Foram tempos de má memória onde a liberdade que hoje lhe permite a si e a todos elaborar sobre ideias próprias, invectivas impróprias e outros dislates que a mente dita e a democracia perdoa, não existiam.
    Como habitualmente a prosa está primorosa e só por isso já vale como momento cultural valioso.
    É que escrever assim caros leitores dá trabalho e exige génio, mesmo que seja a “Malhar” em tudo e todos.
    É óbvio que estas Assembleias autárquicas são sempre só para validar decisões já assumidas pela câmara e o resto é alguma retórica de circunstância, alguma mais eloquente do que outra, uns mais contundentes e outros mais laudatórios, mas todos a cumprir a obrigação legal a que nos submetemos quando vamos em listas políticas e acabamos eleitos.
    A propósito do notável e do extraordinário do léxico habitual do presidente (da junta), se reparar todos nós temos nos nossos habituais discursos um jargão pessoal que, após várias intervenções se nota a repetição… Os anteriores presidentes também as tinham. Quem não se lembra do “também sou engenheiro e tenho dois cursos” do Eng Narciso Mota…
    Vá lá que, talvez inadvertidamente digo eu, acabou dizendo bem da intervenção da Dra Catarina Silva, que talvez “inadvertidamente” acabou dizendo algo que para si até fez sentido…
    Escapou -lhe a intervenção do João Pimpão que a todos surpreendeu pelo registo coloquial e argumentação inteligente a marcar uma outra forma de intervir muito mais eficaz, na minha concepção.
    Mas o meu amigo vê aquela reunião como não mais que um ajuntamento de “burros” onde todos zurram com timbres distintos, mas nenhum sobressai ou tem eficácia… É uma visão humorística que temos de democraticamente aceitar.
    Por outro lado, se reparar todos os que lá estão fazem o seu melhor e dão o corpo às balas, sabendo que são criticados, gozados e alguns até escarnecidos, e só por isso já merecem o respeito de todos nós.
    Na sua conclusão filosófica discordo do alvo porque a política não é uma farsa mas sim uma arte. Já ao teatro aplica -se com toda a propriedade…
    Continue nas suas lucubrações, delirantes visões e inventivas explicações porque nos dá sempre oportunidade para pensar e, vá lá, até rebater ou acrescentar…
    Um abraço deste “membro da junta”.🙋

    ResponderEliminar
  2. A grande verdade sobre isto tudo é que Pombal está assim desde 1993. Umas vezes com gente mais competente nas bancadas da oposição, outras vezes é o PSD a falar sozinho. O PS que devia de ser o grande opositor do regime está cada vez mais definhado. Tem um bom Vereador, mas depois na bancada na AM tem uma liderança totalmente erratica. Continuam a desprezar os poucos eleitos na freguesias (cada vez menos) e em 2029 o resultado não deverá ser muito diferente. Estou a escrever este texto na qualidade de MILITANTE SUSPENSO...provavelmente não irei voltar. Já nada me motiva para ser militante Socialista em Pombal.

    ResponderEliminar

O comentário que vai submeter será moderado (rejeitado ou aceite na integra), tão breve quanto possível, por um dos administradores.
Se o comentário não abordar a temática do post ou o fizer de forma injuriosa ou difamatória não será publicado. Neste caso, aconselhamo-lo a corrigir o conteúdo ou a linguagem.
Bons comentários.