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23 de setembro de 2021

Agora vote!



Esta campanha eleitoral chegou-nos simultaneamente vazia de ideias ou projectos e marcada por tiques pseudomodernos de fazer política, visíveis nos estrangeirismos da linguagem ou na utilização abusiva de termos que o cidadão comum não sabe o que querem dizer. Nestas alturas faz falta a imprensa, a crítica, por ser parte fundamental do sistema democrático e ajudar a pensar. A parar para pensar. Não é a imprensa côr-de-rosa de que o poder laranja gosta (e que se voltasse a ser [poder]rosa também gostaria, de tal modo o PS se tem mostrado impermeável à opinião adversa). É aquela que escrutina. Mas adiante, que o tema está gasto, e o que não tem remédio remediado está. 

Uma das inovações desta campanha centra-se no apelo ao voto. No arquivo das campanhas políticas dos últimos 48 anos é possível perceber as diferenças ideológicas também a esse nível. Quem havia de imaginar que, chegados a 2021, o PS em Pombal iria tratar os eleitores por "você"? O PSD começou a fazê-lo há anos, acompanhando a metamorfose que foi ocorrendo internamente. Não, não é só a música que está desajustada...

A verdade é que não é uma questão de semântica, isto da maneira como o partido trata o eleitor. A ignorância atrevida de alguns pode apressar-se a considerar "uma questão de respeito". Não, amigos. É uma questão de igualdade, de proximidade. Ou da falta dela. 


ps: A foto regista os panfletos que chegaram à minha caixa de correio. 

30 de agosto de 2021

Jornal de Campanha #3 - Pimpão Resolve e...aconteceu no Oeste

1. É inédito o que está a acontecer a oeste do concelho de Pombal, na freguesia da Guia, Ilha e Mata Mourisca: não é só a (única) candidatura independente à Junta de Freguesia. Desta vez há uma candidatura à Assembleia Municipal. Talvez tenha sido preciso que o órgão caísse na lama - como aconteceu no último mandato - para se perceber que é importante resgatá-lo. Não é preciso cair no despropósito de o confundir com a Câmara, como às vezes parece acontecer. Mas a candidatura encabeçada pelo Luís Couto tem o condão de nos fazer olhar para lá dos partidos, e de nos reposicionar em relação às terras, às despovoadas terras deste concelho. Bem pode a candidatura de Pedro Pimpão tapar o sol com a peneira, ou a de Odete Alves fazer de conta que não se passada nada: se nas últimas três décadas este concelho definhou desta maneira, o poder local tem culpas no cartório. De que valem as acessibilidades e a centralidade, se as vias de comunicação só servem para levar e não para trazer gente?

Na zona oeste concentra-se 30% da população que nos resta. E é em nome desses que um grupo de cidadãos - na sua maioria politizados - se levanta para dizer que está ali e quer ter representação na Assembleia Municipal. Não me admirava nada se nas próximas eleições ali nascer uma candidatura à Câmara. A apresentação, porém, não aconteceu no Oeste. Aconteceu no Cardal, que afinal é de todos. 

2. Super-Pimpão (que agora já fala na terceira pessoa) está a dar tudo nas apresentações intra-listas, sobretudo naquelas duas freguesias que escaparam ao PSD nas últimas autárquicas. E por isso até manda emissárias paras as sessões de esclarecimento do oeste. Não se faz, Pedro. Não se atira às feras quem não é lobo e tão-pouco lhe veste a pele.

A cereja do bolo deste fim de semana foi, porém, a Redinha, em que o dinossauro Carlos Cardoso insiste... Foi lá que Pimpão se superou, com menos pinças do que aquelas que usou no oeste, mas como se estivesse a falar com o subconsciente, ao enaltecer os séniores, porque - disse ele - a experiência é muito importante. Também achamos, Pedro. É por isso que vamos ter problemas sérios a partir do dia 26. Mas até lá...siga a festa! 

16 de agosto de 2021

Jornal de campanha #1 PSD - 1 Amor - 0



No fim de semana que seria de grandes caravanas nas festas populares (embora as da Charneca sejam de má memória para alguns), o PSD fez os seus próprios eventos e alimentou a sua própria festa.
O programa oficial começou no sábado, em Vermoil, passou pela Guia, e terminou nesse exemplo maior do lazer, cheio de sombra e frescura, que é o bioparque da Charneca.
Vistos das redes sociais, os programas das festas parecem muito mais ambiciosos do que o são, na realidade. Tropecei num deles, sábado à tarde. A máquina do PSD monta todo um cenário, leva músca, chama os pesos pesados que já prestaram serviço ao partido, e ocupa as cadeiras entre si. Depois Pedro Pimpão repete os mesmos chavões da sustentabilidade e do digital e do território, faz a sua oração motivacional e está feito. O povo não vai. Na melhor das hipóteses, vão lá aqueles que integram as listas.
Se no caso de Vermoil não há muito a dizer - a freguesia permanece assim, imóvel, há pelo menos um quarto de século, desde que a conheço - já na Guia o momento revelou-se de algum desacerto interno. Pedro Pimpão fez um discurso com pinças, como se fosse pisar um tapete de ovos. Há o caso Lusiaves, há a derrota nas últimas autárquicas, há o jogo de sedução a Gonçalo Ramos, há a demissão de Manuel António da concelhia. E por isso fez um discurso ao seu melhor estilo, qual profeta da boa-vontade, apelando à união e ao bem comum. Já o candidato à Junta, fez o que pôde.
A apresentação da Guia teve dois momentos que merecem destaque: a aparição de Mota Carvalho, a quem Magina da Silva trocou as voltas e por isso ainda não foi desta que pôde ser candidato, sobrando-lhe o lugar de apresentador; e o discurso enraivecido de Rui Acácio, presidente do Núcleo do PSD no Oeste. Gastou quase todo o tempo a atacar a lista de independentes. Pimpão bem pode clamar pela paz, que para aquelas bandas estão mais prontos a agarrar nas forquilhas. 

Mas muito importante foi também o programa oficioso. A lista à Câmara está a ver se consegue apresentar um programa eleitoral. Convém. E então chamou representantes de algumas IPSS's para saber o que há-de fazer. E o pior é que eles foram (triste concelho este onde os dirigentes confundem responsabilidades públicas com participações partidárias). Foi uma pena que não tenha sido transmitido. Teria sido muito bom ouvir para o que estamos guardados. 

Por mim, o barómetro do amor que Pimpão desencantou estes dias. Introduziu no discurso uma conversa sobre o amor à terra, com uma teoria de ir às lágrimas: quem anda nisto, como eles, é pelos outros e é porque tem esta paixão pela sua terra. Alguém lhe diga que, de uma maneira geral, quem anda nisto (da política profissional) é porque faz disto vida. Quem não é funcionário público, advogado ou empresário, tem muita dificuldade em dedicar-se à causa pública. Mas entre esses há muitos que amam as suas terras e que as mantêm vivas, vivendo-as. Só que para ganhar a vida precisam de trabalhar. Chato. Assim dificilmente ganharão eleições. 

28 de julho de 2021

Nós, os desfalcados

Uma notícia da agência Lusa nesta quarta-feira, 28 de julho, coloca a nu aquilo que os censos de 2021 revelaram, aquilo de que há muito suspeitávamos e temos vindo a dizer, aqui no Farpas: estamos sem gente, estamos a perder população a todo o vapor. De tal ordem que somos o único concelho do distrito de Leiria que perde mandatos. "Abusaram tanto deles, que perdemos dois", disse-me esta manhã um camarada, quando comentávamos esta triste realidade. 

Partimos para as eleições autárquicas assim. Desfalcados. Por isso é um tanto risível ouvir os chavões que o putativo próximo presidente utiliza, no modo campanha, prometendo mundos e fundos do digital, da sustentabilidade, como se só agora tivesse descoberto o buraco em que estamos. Nós, que temos aqui tudo à porta, que enchemos a boca com a centralidade, com as vias de comunicação, como aludia um secretário de Estado que aqui veio há poucos dias apresentar a candidata do PS. 

Começa a ser ofensivo, para quem cá ficou, ouvir esse chorrilho de palavras ocas. Quando falo do caso da terra aos camaradas da imprensa regional que resistem, no país, enquadro o nosso empobrecimento: os jornais fecharam porque o tecido empresarial definhou, porque o poder não gosta de verdades incómodas. Ouçam-se as rádios e atente-se no que é a publicidade: a oficina, a tasca, a mercearia. Ou nem precisamos de tanto: uma volta pelo coração da cidade, por estes dias (em que até temos mais gente, graças aos que vêm à terra visitar a família, depois de terem partido à procura do que aqui não tinham) ilustra bem o estado a que chegámos, com as lojas vazias. Pombal é nada menos que uma cidade em agonia, graças a essa insuficiência cardíaca. Foi bom para o Pimpão [Pedro], que assim conseguiu um espaço catita para sede de candidatura. Ate setembro, é menos uma loja fechada.

Todo esse estado comatoso com que partimos para as eleições autárquicas é uma espécie de pescadinha de rabo na boca - Sem gente não há movimento, sem dinâmica não há crescimento; assim se explica tão facilmente a descredibilização da política e a dificuldade que os partidos tiveram em fechar listas. Deixou de ser atractivo integrar um órgão autárquico. Aqui chegados, talvez não fosse pior que as candidaturas repensassem o que dizem nos programas - se os houvesse. Que experimentassem uma espécie de back to basics - para sermos modernos. Deixem-se lá da conversa de atrair mundos e fundos, e preocupem-se em segurar os que ainda cá estão. Em dar alguma qualidade de vida aos mais velhos (foi a parte que fixei do discurso de Odete Alves), que são a esmagadora maioria. O tempo já não é o dos Lares, Centros de Dia e Apoio Domiciliário. É outro. 

E nós que passámos a vida a apresentarmo-nos como um concelho do litoral, estamos desgraçadamente no plano do Interior, só que sem oferta turística, sequer. Somos então 48.966 eleitores, menos 3.216 do que há quatro anos. 



7 de junho de 2021

Vamos a isto, Pombal?

O meu feed está a ser bombardeado por anúncios patrocinados, ultimamente. A era digital é uma coisa que cola bem com o candidato Pedro Pimpão, ele próprio um produto de marketing social e digital. Não há mal nenhum nisso. Assim como não há mal nenhum em ser ambicioso, em amar a terra, em querer o melhor para ela. Assim, de repente, tenho para a troca muitas e muitos que desejam com a mesma (ou maior) intensidade que Pombal cresça, desenvolva, que aqui haja emprego para nós e para os nossos filhos. Porque nem todos nascemos em berço de ouro e para pagar contas é preciso trabalhar. Depois é preciso o resto. E é para isso que faz falta o rasgo, o golpe de asa, as vistas longas. Não sabemos o que isso é em Pombal há mais de 30 anos. São desse tempo as zonas industriais, o viaduto que desviou a cidade do meio da linha do norte. A ousadia. 

De modo que foi com toda a atenção que assisti ao vídeo de apresentação de Pedro Pimpão: quase nos faz crer que o PSD chegou agora a Pombal - e ele também. Só que não. 

Porém, há 20 anos o Pedro devia andar muito entretido a colar cartazes, a engrossar o coro de vozes da Jota que levava Narciso ao colo. Só isso (ou a impreparação da equipa que o rodeia, o que nada augura de bom) pode justificar que se tenha apoderado de um slogan usado pela candidatura do PS às eleições autárquicas de 2001.

António José Rodrigues já cá não está para os por no devido lugar. Lá, onde estiver, imagino-o a abanar a cabeça. E a dizer-me, outra vez, o que me disse à porta do tribunal, a meio de um julgamento (quando eu lhe contava de como um vereador da época tinha ludibriado uma decisão judicial, manipulando o pedido de desculpas que (me) deveria ter feito: "não se pode facilitar. Esta gente não é séria". 


22 de maio de 2020

Uma questão de desconfiança

Diogo Mateus confirmou esta manhã na reunião de câmara o que já se comentava em surdina nos meandros da Câmara: vai (finalmente) dar emprego ao (jornalista) Orlando Cardoso. Mas ao contrário do que era suposto (imoral, mas admissível), não é para o Gabinete der Comunicação. É para o gabinete de apoio aos vereadores. 
Nesta hora vem-me à memória a opinião que Diogo tinha, em tempos passados, sobre a figura - o ser humano mais mal formado que já conheci em toda a minha vida, sem réstia de escrúpulos, nem qualquer pejo em morder a mão que lhe dá de comer. E a quem agora vou ter de pagar, também eu (duplamente, pelos vistos), como cada um de vós, enquanto secretário dos vereadores do meu município. 
Acredito que Diogo está a cumprir uma espécie de penitência. Não consigo conceber tantos dos seus actos, nos tempos recentes, mas este até consigo: estará certamente a fazer um agrado ao seu chefe de gabinete, João Pimpão - que andou anos zangado com o mensageiro Orlando, mas retomou essa amizade antiga num putativo jogo de interesses. 
Os dois zangaram-se nas eleições autárquicas de 1993, à minha frente. Trabalhávamos todos no finado Correio de Pombal. O episódio levaria Orlando Cardoso a demitir-se do jornal, só regressando para ocupar o lugar que entretanto eu deixara vago, em Março de 1994, quando ingressei nos quadros do Região de Leiria. 
Pensando bem, o amanuense Orlando regressa, assim, à profissão que desempenhava antes de se tornar paginador/jornalista/ director de jornais. Quando entrou pela primeira vez no Correio de Pombal, foi para pôr um anúncio de emprego: "oferece-se empregado de escritório". Como trazia alguma experiência na paginação do Pombal Oeste, foi fácil a metamorfose. 
"Não és do Porto, nem és do PSD...", costumava ele dizer nesses idos de 1992, como se fossem essas as condições para se ser pessoa e ser digno. Mas depois, num assomo de ética, certa vez indignou-se com o facto de ver "o chefe de Redacção (João Pimpão) na rua a colar cartazes". Só que a vida dá muitas voltas. Tantas que perdi a conta às artimanhas da figura. E porque era um camarada de profissão, defendi-o sempre, quando soube dos ataques de que foi alvo, nomeadamente por parte do presidente da Câmara, Narciso Mota (tantas vezes instigado pelo próprio Diogo Mateus). Nos anos 2000, quando deixou o jornalismo para ser responsável pelo gabinete de comunicação e maketing da empresa Derovo, não resistiu a criar um blogue, anónimo, para criticar. A graça terminou com o despedimento, por justa causa, pois que o fazia nas horas de serviço. Fora esse pecado, também aí o defendi publicamente, por considerar deplorável a maneira como um presidente de câmara tentava silenciar a opinião dos outros. Muitas vezes erramos na vida. Essa foi uma delas. Outra foi muito mais tarde, quando o soube sem trabalho, e pedi para lhe abrirem portas. Adiante.


Nas autárquicas de 2013, estava eu desempregada, aceitei integrar, como independente, uma lista do PS à Junta de Freguesia desta terra. Foi quando acordei o monstro. Nessa altura Orlando Cardoso já era militante do PS, na ânsia de conseguir uma espécie de tacho no partido, para fazer uma espécie de assessoria. Imagino que, naquela cabeça, tenha pensado que eu seria uma ameaça. 
Porque as pessoas que fazem tudo por interesse próprio nunca compreenderão o interesse colectivo. 
E então decidiu começar a desferir contra mim todo o ataque nas redes sociais - com ajuda de um coro desafinado de jotas, que hoje me fazem sorrir. Só. 
Decidi definitivamente riscá-lo da minha vida quando um dia acusou publicamente o meu filho de ser o autor de uns escritos na parede da escola Marquês de Pombal. Essa é a minha linha vermelha. E nunca mais me lembrei dele. 
Nem me lembraria, não fora o facto de, a partir de agora, também eu ter de contribuir para o seu sustento.
Até esta manhã, estava convencida de que tinha chegado a um acordo com Narciso Mota, por causa dos processos em Tribunal. Afinal não. Ficámos hoje a saber que ficou de pagar uma indemnização à Câmara, e que nunca pagou, por piedade de presidente e vereadores. Isso não são assuntos privados -  senhores vereadores, que agora vão provar da competência do seu trabalho de secretariado, e das suas qualidades humanas. São assuntos públicos. 
Diogo justifica-lhe o emprego como "um cargo de nomeação e confiança política".
Tirem-nos deste filme barato. E agora chamem o Zappa para vereador da cultura, para dar alguma normalidade a isto tudo.




2 de outubro de 2015

Aos que cá ficaram

Ao contrário do que dizem muitos dos que conheço, eu não acho que estas sondagens sejam forjadas. Acredito que a onda foi profissionalmente fabricada, numa campanha em que se chegou ao cúmulo de julgar as propostas do programa do PS (useiro e vezeiro em asneirar, nesta campanha) enquanto a coligação que nos (des)governou nos últimos anos passou entre os pingos da chuva. Ninguém melhor do que Pedro Marques Lopes traduziu tão bem o que nos aconteceu, desgraçamente, neste tempo eleitoral: "A coligação passou o tempo a anunciar que agora é que vai ser bom e confiou que as pessoas acreditam, mesmo sem lhes explicar qual é o plano. Escondeu o mais que pôde Passos Coelho (deve ser a primeira campanha em que não há cartazes com um candidato a primeiro-ministro) e concentrou-se no ataque ao PS. 
O Público de hoje retratou bem, num título e num texto, muito do que penso desde há quinze dias: "Coligação levada ao colo pelas sondagens mas sem onda na rua". E eu continuo a achar que as sondagens não foram forjadas. Há uma franja do país a quem a vida correu muito bem nestes últimos quatro anos, tão bem que fez engordar as estatísticas da riqueza de alguns em prol da miséria de muitos. Desses, tantos partiram. O cantar da emigração levou-me família e amigos como nunca pensei ser possível. Passados dois ou três anos, há meninos que perguntam todos os dias aos pais quando é que voltam para casa. Não voltam, mas ainda não sabem. Vejo todos os dias crescerem ao ritmo das sondagens as rugas na cara das avós, as mesmas que nunca verão os netos crescer, dizer a primeira palavra, perder o primeiro dente, ler as primeiras letras. Há colo que nunca terão pelo skype. Os que foram, revoltados com o país, com esta dolorosa separação, ainda não fizeram o luto. Acredito, por isso, que nem sequer votem. E por isso não entram nas sondagens. 
E os que ficaram? Olhemos à nossa volta: floresceram empreendedores como cogumelos. Gente bem sucedida, que usa roupas de marca e se passeia de copo de gin pelos bares, que fala das férias e das viagens, partilha imagens bonitas no facebook, e é todo um reflexo de como se viveu bem em Portugal, depois da Troika. Tudo muito tendry. A crise, essa senhora de costas muito largas, serviu na perfeição para asiatizar o trabalho e as condições em que se faz. Os gestores "cortaram as gorduras" das empresas, numa operação-limpeza que dispensou "os que eram mais caros" e conseguiu convencer as franjas de que era preciso reduzir, reduzir, reduzir. Muitos continuam ao leme das mesmas empresas, com uma folha de salário que totaliza, sozinha, o mesmo que o conjunto dos que ficaram. Dos que sobrevivem entre os 500 e os 700 euros (que luxo), em média, cujos filhos integram agora as listas da Acção Social Escolar, como nunca acontecera. 
Dos que perderam o emprego, dos muitos que conheço, conto pelos dedos de uma mão os que voltaram a conseguir um emprego por conta de outrém, e sempre para pior. Sobram-me dedos. Muitos voltaram a trabalhar em total precariedade. Mal poderão sustentar uma casa, quanto mais um sistema de segurança social. Quanto mais um país. Com o tempo, cansámo-nos todos de dar murros em pontas de faca. As manifestações de 2012 tornaram-se uma doce memória revolucionária, cada um tentou virar-se como pôde. Sobreviver. É mais uma etapa dessas que se joga na roleta das eleições, domingo próximo. A escolha é muito simples: entre os que estão bem assim e os que sonham com um país melhor, que esperam ainda viver, e não apenas sobreviver. Os que estão bem assim, continuarão a dar esmola aos pobrezinhos uma vez por ano, a vociferar contra os que recebem abono de família, contra os que não singraram na vida por incompetência nata. Ou como dizia um jovem quadro político de Pombal, aqui há dois anos, precisamente, "quem tem unhas é que toca viola". Pode ser à conta do aparelho, que a música até soa melhor. 
Olhemos à nossa volta. A operação-limpeza conseguiu afastar daqui muito desse empecilho que é gente sem trabalho, e ainda por cima a reclamar. Com tempo para pensar. Nos dois últimos anos, de acordo com o Observatório da Emigração, saíram do país pelo menos 220 mil compatriotas, maioritariamente jovens e com formação superior. "Uma debandada só tem paralelo com as décadas de 60 e 70, quando Portugal estava sob a mais longa e mesquinha ditadura da Europa. Agora, membro da União Europeia e em democracia (ou melhor, numa partidocracia minada e dominada pela predadora voragem neoliberal), o país continua a ver abalar os seus mais fortes braços e os seus melhores cérebros", citava um camarada jornalista, residente numa cidade da região centro, com a frase mais verdadeira, a resumir tudo: "Muitos dos que ficam desesperam para ganhar o pão de cada dia. E travam um combate doloroso para não perder a dignidade. O emprego, esse bem precioso, acaba de registar uma das maiores quebras dos últimos 30 meses". E por isso faz todo o sentido perguntar, ao país das sondagens:
Ainda haverá gente para votar no próximo domingo?

29 de setembro de 2015

Vestir ou não vestir a camisola


Em momentos como este, lembro-me sempre das palavras de um velho camarada, que me dizia, na Redacção: "nunca devemos vestir demasiado uma camisola. Porque se algum dia ela encolhe na lavagem, depois fica-nos um bocado ridícula". Os jovens em causa são alunos de um curso profissional da Escola Secundária de Pombal, recrutados à pressa  (e devidamente remunerados, pois claro) pela Quinta da Concha, que serviu o repasto na Expocentro.
Do jantar: Quase duas mil cabeças para contar e para as tv's mostrarem. É muito? É. É surpreendente? Não. Primeiro porque estamos em Pombal. Depois, só quem ainda acredita no Pai Natal não sabe como é que se mobilizam pessoas para jantares, em qualquer partido. E foi por saber disso, certamente, que o par da coligação mandou retirar a entusiasta faixa "Em Pombal começa a luta pela maioria absoluta". Não vá o diabo tecê-las.
E lá foi a faixa para o lixo. O que também não é problema, porque dinheiro para estoirar é coisa que não falta à Coligação PáF, como bem lembra neste artigo o clarividente Pacheco Pereira.

28 de setembro de 2015

Pombal à Frente



Foi um corropio, esta noite, na Expocentro, para varrer dali rapidamente a Feira de Artesanato e Tasquinhas. Os funcionários municipais trabalharam afincadamente para a coligação Câmara, noite dentro, de forma a deixar pronta a sala onde, logo à noite, Passos e Portas renovam votos. São esperadas duas mil almas vindas de todo o distrito - e como está bem de ver, dificilmente caberiam na Quinta da Concha, local inicialmente escolhido para a boda. Sendo assim, é melhor não arriscar.
Pombal é um ninho de vitória tradicional para o PSD, por isso faz todo o sentido que seja daqui que as televisões mostrem ao país o entusiasmo com a coligação. Imagino também que o Município tenha quantificado o que valem os directos - a única justificação possível para, desta vez, haver dinheiro para pagar horas extraordinárias aos funcionários.
Dinheiro é coisa que não falta nesta campanha, como está à vista de todos. Por isso, devem estar descansados os alunos do curso de restauração da Secundária de Pombal, que vão ajudar a servir o repasto: alguém lhes há-de pagar alguma coisa. E siga a campanha - que desde manhã traz pelo distrito os líderes da PàF, acompanhados até do reaparecido Marco António Costa, como mostram as fotos do facebook. Todos juntos para comprovar aquilo que escreveu, em livro, aqui há uns anos, o número dois da lista da coligação, Feliciano Barreiras Duarte.

21 de maio de 2014

Olh'a selfie fresquinha!

Foi tirada pelo nosso Pedro Pimpão numa fábrica de congelados em Peniche, esta manhã. E popularizada pelo 31 da Armanda. A campanha é uma festa. Plim!

22 de julho de 2013

Antologia do non sensu (político)

Na sua intervenção, perante cerca de 1.300 apoiantes, Diogo Mateus dirigiu-se aos seus, ainda, colegas de vereação Paula Silva e Michael da Mota António. “A vossa não inclusão na lista à Câmara não é uma expulsão, nem uma repreensão, nem um acto de desagrado, nem de desprezo, nem de antipatia”.
In Noticias do Centro

21 de julho de 2013

Propostas fabulosas


Os candidatos à CMP têm mimoseado os pombalenses com propostas fabulosas:
- Diogo Mateus promete Investimento na Formação Humana e Competências dos Pombalenses;
 - Adelino Mendes promete mais Emprego.
Entre trufas e caviar, escolho o quê?

30 de abril de 2013

Sai um bolo com 39 velas para a mesa do senhor Coelho, sff

De maneira que vai haver festa em Pombal. Esta malta não brinca em serviço, não senhor. Vão montar arraiais no Expocentro, sábado, ao almoço. Mesmo sem oposição (externa) o tempo não está para descuidos...

14 de setembro de 2010

Eu voto Bárbara!


Nos últmos meses, O Correio de Pombal tem andado muito empenhado na divulgação da edição de 2010 do concurso “Modelo O Correio de Pombal”. Prova disso, é o constante destaque do evento, tanto na edição impressa como na edição on-line. Aliás, quem consultar a página do jornal na internet, fica convencido que em Pombal não se fala noutra coisa. Quem vai ser a próxima Modelo OCP? A avaliar pelos resultados da votação on-line (o jornal adverte que o “processo de votação sera meramente sugestivo devido ao uso indevido por parte de algumas pessoas.”) a jovem Sónia Silva já ganhou, com 27080 votos, apesar de ser seguida, por muito perto por Diana Paixão, com 22009 votos.


Como tenho tendência a tomar partido dos mais fracos e não quero ficar ao lado deste grande evento que tem mobilizado todos os pombalenses, também exerci o meu direito de voto, colocando a minha cruz na candidata Bárbara Cordeiro (na foto) que tinha apenas 53 votos.

6 de outubro de 2009

O papel do porco

Os politólogos hão-de estudar o fenómeno num futuro próximo. Enquanto esse tempo não chega, podemos - cada um de nós, cidadãos/eleitores - reflectir sobre a política do porco-no-espeto, cujas bases foram lançadas nas autárquicas de 2001 pela mega campanha de António José Rodrigues (nesse ano candidato do PS), mas só agora, oito anos depois, viria a atingir o auge, nos "convívios" do PSD. O cheiro a porco assado entranhou-se de tal forma que, ao percorrer a distância (ainda razoável) entre dois extremos do concelho, é possível sentir o cheiro no ar de forma contínua e persistente.
De modo que estranhei, quando me contaram, domingo à tarde, que a candidatura do camarada Alvim não tinha para vender (sim, é verdade, ainda há campanhas que precisam de vender os comes e bebes e não têm papas e bolos para dar) umas bifanas na Praça Marquês de Pombal. Está bem de ver que todo esse incómodo era escusado se o repasto fosse porco no espeto. Para a próxima aprendam meninos. E pensem grande!
(Afinal diz que não, que não há crise, que até nunca houve tanto dinheiro. Mas isso devem ser os ressabiados do PSD que são más-línguas, ao ponto de a dobrarem com jeitinho, antes que a mordam e morram envenenados)

2 de outubro de 2009

A obra do senhor engenheiro

O engenheiro Narciso Mota, no seu site de campanha, usa as imagens e o grafismo do Boletim Municipal para ilustrar a obra feita durante o seu mandato. Apesar da referência “Fotografias e dados cedidos pela Câmara Municipal de Pombal” considero que o seu uso é completamente abusivo.

O Boletim Municipal de Pombal é um documento caríssimo, pago com o dinheiro de todos os munícipes. Quem, como eu, sempre questionou a sua utilidade, tem agora a resposta evidente: o boletim serve apenas para promover a imagem do senhor presidente da câmara!

Por isso, senhor engenheiro, em nome da decência e de todos os pombalenses que não lhe deram autorização para tal abuso, peço-lhe que retire essas imagens do seu site.

Debate cancelado

Por indisponibilidade manifestada pelo recandidato do PSD, que sugeriu mandar em seu lugar o nº dois da lista, e consequente recusa por parte do candidato do PS, o debate agendado para hoje, numa organzação do REGIÃO DE LEIRIA, foi cancelado. É uma pena. Fica provado o que já se sabia: os jantares são menos indigestos que os debates.

Para cabal esclarecimento, aqui fica a nota informativa do RL ao leitores.

19 de janeiro de 2009

CMP aprova medidas de ... crise (IV)

Nomeadamente, o “fornecimento de manuais escolares para todos os alunos do 1.º ciclo do ensino básico”. in NC
Porque não os deste ano? Não é agora que estamos em crise?
Para o ano, em cima da campanha. Belo material de propaganda. E de borla!