Vai em três décadas o desejo do município de Pombal ter uma escola ou polo de ensino superior na sua capital. Legítimo. Como legítimas são todas as opiniões sobre este projeto que deverá continuar a ser discutido, por políticos, professores, estudantes, suas famílias, empresários, forças vivas... como foi, sem filtros, no “café concerto” do passado dia 7 de novembro de 2022, no último piso do cineteatro.
Que ensino superior? Uma réplica de cursos que o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) tem já em funcionamento nas suas escolas que estão a menos de 30 km de distância? Não! Não pode ser essa a via. Urge buscar, construir, coletivamente, em rede, um diagnóstico socioeducativo para encontrar o tema gerador e focalizador da que poderá ser a nova escola do IPL, futura Universidade de Leiria e Oeste (ULO).
Dito isto, uma nova escola com a centralidade necessária ao desenvolvimento da cidade, mas, também, dos concelhos mais a norte do distrito (Alvaiázere, Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande) que não deverão ficar fora desta equação de mediação comunitária para servir um território que deverá extravasar o do município.
Mas não num casulo; não num contentor, não de forma precária e a replicar outros cursos do IPL e de suas escolas que estão já devidamente apetrechadas para o efeito. É preciso pensar grande. Em termos de região e de país. É preciso criar, inovar e não repetir.
A resposta mais pessoal e local ao título desta minha “Farpa” é sim! Pombal precisa de se desenvolver e não apenas crescer. Precisa de fixar e de atrair estudantes que se venham a interessar pelos cursos a criar para o desenvolvimento do município e região envolvente e o ensino superior pode ser essa alavanca de rejuvenescimento e criação cultural, em parceria com as escolas secundária, tecnológica, empresas, organizações e instituições.
A minha resposta mais científica, mas não menos política, e mais centrada na região de Leria e Oeste, é que é o próprio IPL que precisa de uma escola em Pombal [como precisa duma em Torres Vedras] para poder afirmar-se no contexto nacional e internacional como a única grande região que não possui, ainda, uma Universidade. O IPL, e todo o país, que tem de proceder rapidamente à reorganização da sua rede de oferta de Ensino Superior, precisa dessa universidade multipolar; multicampi, entre Torres Vedras e Pombal (ULO).
Nesse contexto, Pombal seria um nó dessa rede universitária com a sua escola (não um polo) a desenvolver-se em torno do estudo potenciado por Luciano de Almeida (quando criou a escola de Peniche (ESTM), já no século passado) em torno das “Ciências Agrárias e Florestais de Pombal”. Em 2018, o anterior presidente da CMP, Diogo Mateus idealizou a criação uma “Escola Superior de Ciências Agro-Industriais e Florestais”. O atual presidente, Pedro Pimpão, tem sublinhado esta necessidade e lutado pelo ensino superior em Pombal. Mas creio que importa construir, conjuntamente, com escuta ativa da população e seus agentes culturais e socioeconómicos, e a mediação comunitária necessária, um projeto diferenciador das restantes escolas do IPL, assegurando a diversidade na unidade do IPL que assim ganharia ainda mais trunfos para conseguir o Estatuto de Universidade (“conhecimento universal”, com uma gama epistemológica que vai do mais global ao mais local e do mais teórico ao mais prático).
Termino deixando alguns exemplos de possibilidade de cursos/áreas para pensarmos (desde os CTeSP aos mestrados, passando pelas licenciaturas e pós-graduações): Sustentabilidade ambiental; Desenvolvimento sustentável; Inovação e sustentabilidade; Valorização do território e sustentabilidade; Ambiente, sustentabilidade e educação; Economia circular, com vista à utilização eficiente e sustentável dos recursos, integrando vários atores a trabalhar em rede, entre os quais município(s), empresas, associações, Escolas, Instituições Sociais...
É tempo de passarmos do crescimento ao desenvolvimento (sustentável, integrado, endógeno, circular). Jogarmos pela antecipação e construirmos a diferença com a aposta numa nova escola para Pombal. Mas tudo isto tem de ser dialogado com toda a rede social e económica (mediação comunitária). Não pode, portanto, ser uma decisão imposta de cima para baixo.
Farpa Convidada
Ricardo Vieira - Professor no IPL