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21 de fevereiro de 2026

A governação baseada nos títulos

Como medida de compensação aos prejuízos da recente calamidade, consta que o governo desta desgovernada república vai renomear o Instituto Politécnico de Leiria em Universidade de Leiria e do Oeste – ou seja, vai criar mais uma Universidade por decreto. Os pimpões desta vida já lançam foguetes de contentes, porque sentem que esta operação de cosmética os beneficia – e porventura beneficia.



Se há coisa de que o país não precisa, mesmo, é de mais Universidades e Institutos, pelo que, ajuizado seria reduzi-las, por fusão, por exemplo. Mas não. Neste pobre território à-beira-mar-plantado continua-se a governar como dantes, como desde os primórdios, quando os reis abusavam dos forais para estenderem o seu poder e o dos senhores feudais, ignorando os usos e costumes legítimos; ou no final da monarquia, quando os reis distribuíam títulos à-resga-frangalho, comprando apoios para preservarem o regime caduco; o que levou Garret a parodiar o desvario com brilhante sarcasmo quando escreveu: foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde.

Na verdade, foi quase sempre assim: quando não se tem nada de virtuoso para oferecer ao povo, distribuem-se títulos e honrarias. Porque haveria de ser assim com um Montenegro desta vida?

30 de abril de 2025

O inenarrável livro sobre o Externato da Guia - que todos pagámos


 

Tive a sorte de nascer na fase final da ditadura, e por isso de crescer em liberdade. Isso quer dizer que, ao contrário do que o destino traçava, antes do 25 de Abril de 1974, não fora a madrugada do dia inicial, inteiro e limpo, a minha caminhada na escola terminaria, muito provavelmente, na escola primária da Moita do Boi. A minha e a da esmagadora maioria dos que nasceram como eu: numa aldeia, no seio de uma família sem posses, onde a porta de saída era a emigração clandestina. Entre os 10 filhos da avó Leontina e do avô Zé Maria, nos Antões, nenhum foi além da quarta classe. Entre os 13 da avó Maria da Luz e do avô António, alguns não foram sequer à escola, outros mal aprenderam a ler e escrever. A minha prima Rita foi a primeira a licenciar-se. Tem agora 60 anos. Lá na minha aldeia os dedos de uma mão chegam para contar os que frequentaram a universidade, ao tempo dos meus pais. Eram todos da mesma casa.

Foi nesse oeste de pobreza, no início da década de 1960, que nasceu o Externato da Guia. Olho para a listagem dos 13 alunos que abriram o primeiro ano lectivo, todos da idade da minha mãe (agora com 75 anos) e imagino que também ela ali poderia estar. Tinha 10 anos. Nessa altura já cuidava de um rancho de irmãos, ela e as outras lá da terra, e deste país. A educação, os estudos, eram privilégio de muito poucos.

Mas as fábricas de serração de madeiras e resina conferiam àquela região algum poder económico, pela mão de meia dúzia de proprietários. Depois havia a localização, excelente, com a qual o professor Armindo Moreira (que há décadas emigrou para o Brasil) convenceu o seu colega António Ramos de Almeida (o Dr Almeida, de que gerações inteiras e seguintes ouviram falar) a investir ali, num colégio privado, em vez de Montemor-o-Velho. O trio de fundadores ficaria completo com um dos poucos conhecidos resistentes anti-fascistas deste concelho, o farmacêutico Amilcar Pinho. 

Uma das portas que Abril abriu foi o acesso à Escola Pública. Quando no ano lectivo de 1983-84 ingressei no então 1º ano do ciclo, o Estado já adquirira o Externato da Guia. A minha documentação era da nova C+S, apesar dos resquícios de colégio particular. Ali fiquei até à abertura do Instituto D. João V, no Louriçal. À medida que me fui cruzando com personalidades e histórias, ao longo da minha vida profissional, fui sabendo alguma coisa sobre a fundação "do Colégio", embora sem um fio condutor que me parecesse seguro. Havia (e há) muitas pontas soltas. E foi por isso que pedi a mão amiga um exemplar do livro que acaba de ser publicado, e lançado, com a chancela da Câmara Municipal de Pombal. 

São mais de 240 páginas impressas em papel couché semi-mate, escritas pela pena do fundador António Ramos de Almeida, agora com 94 anos. São vários capítulos da sua versão dos factos: o registo é muitas vezes agoniante, numa espécie de vendetta contra várias coisas e pessoas, num saudosismo reaccionário. 

O Dr. Almeida tem todo o direito de escrever as suas memórias e lavar a sua alma. No tempo que vivemos, pode até achar-se no direito de vilipendiar o quanto custou a Liberdade, pois que "a anarquia e a instabilidade governativa vieram colocar um ponto de interrogação na continuidade do Ensino Particular", levando-o a vender o colégio ao Estado. E sem o Colégio, muitos dos que lá ingressaram "não teriam passado de simples labregos ou marchantes", sic.

Mas quando isso é pago com o dinheiro dos nossos impostos, o caso muda de figura. Este agrado que Pedro Pimpão fez à família Almeida (e seus interlocutores) custou-nos a módica quantia de 5.299 euros mais IVA, perfazendo um total  € 5.616,94 (cinco mil, seiscentos e dezasseis euros e noventa e quatro cêntimos). Isto para 300 exemplares. Que no dia do lançamento - por piada de mau gosto integrado nas comemorações do 25 de Abril - estavam a ser comercializados pelo doutor Né, ao serviço da Câmara, a 20 euros cada exemplar. Foi um ajuste directo, este agrado. Uma bela cama que Pimpão anda a fazer.

Não em meu nome. 

15 de janeiro de 2025

Coisas de Pimpão, coisas de Rabadão

Consta que o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) quer deslocalizar os cursos de formação superior em Desporto para Pombal. Se há coisa de que o país não precisa é de mais escolas superiores. Mas continuamos a ser desgovernados por políticos e dirigentes que não sabem estudar os problemas nem priorizar a acção, uns por desconhecimento, outros por falta de seriedade.



Sabe-se que num país pequeno e pobre, como este, com variada e difusa oferta educativa de nível superior, é muito difícil e custoso erguer e consolidar uma nova escola de ensino superior. Nas últimas décadas surgiram pelo país escolas superiores como cogumelos no Outono, sem obedecer a qualquer critério racional de utilidade ou viabilidade. A maioria vegeta pelo país, sem passado que as recomende, sem presente que as justifique e sem futuro algum, sorvendo recursos públicos, sempre escassos, sem retorno palpável.

Apesar de tudo, Leiria é uma honrosa excepção; conseguiu com o esforço e a dedicação de muitos erguer um instituto que oferece alguma formação de reconhecida qualidade e com valor para a região e país. Mas o trabalho não está concluído nem consolidado em várias áreas/cursos. Por conseguinte, fragmentar a escola sem a consolidar, não por razões de necessidade de expansão ou de interesse público, mas por simples motivações e interesses particulares - arranjos políticos – desligados de qualquer política ou resposta educativa é um péssimo serviço que se presta ao IPL, à região e ao país.

Estamos perante um devaneio ignóbil, que desbarata avultados recursos públicos e compromete a consolidação do IPL, na forma de favor político destinado a satisfazer a vã glória do “nice to have”. 

29 de novembro de 2024

Reunião da “Junta” – a paródia continua

Da reunião da Junta, de ontem, ressaltaram dois assuntos: Trabalhos Complementares na Empreitada do Centro Escolar Conde Castelo Melhor e Orçamento Municipal para 2025 e respectivas taxas de impostos municipais. E também as intervenções do público.



Como já aqui expliquei, o Centro Escolar Conde Castelo Melhor vai-nos custar os olhos da cara, e não vai resolver, ou vai resolver mal, o problema de falta de salas de aula adequadas na cidade. Porquê? Por duas simples razões: falta de planeamento e más opções urbanísticas e arquitectónicas. Agora, somos confrontados com esta desastrosa realidade: a câmara fez escolas onde não havia alunos, e não as fez onde os havia. Mas adiante, que agora o problema é outro. Ou é mesmo: gastar sem norte e sem rigor. Senão vejamos: ainda a construção do Centro Escolar Conde Castelo Melhor não tinha começado – estava-se ainda na fase de demolição - e já o empreiteiro pedia e recebia um avultado acréscimo por trabalhos complementares! Uns módicos 25.000 euros pela colocação de uma lona na fachada virada para a avenida! O Pedro é isto – o que é que s lhe pode fazer?!

Depois veio a discussão do Orçamento Municipal para 2025 e respectivas taxas. O orçamento é a repetição de um conjunto de boas medidas que vêm do passado, nomeadamente as taxas dos impostos municipais, e o prolongamento de um conjunto de obras a que se juntaram um conjunto de intenções desejavelmente não concretizáveis (Casa Mota Pinto, Centro Cívico, Pólo de Inovação e Conhecimento, etc.). 

O dotor Pimpão é o típico político que promete muito porque sabe que faz pouco. Mas esse não é o seu pior defeito. O seu pior defeito é o voluntarismo febril, é não estudar, é dar aval a coisas que nunca deveriam ser feitas. Depois, por ignorância ou simples excentricidade, forja mentiras em que posteriormente acredita, como aquela com que pretendeu endeusar o orçamento, afirmando que este “contemplava uma despesa fiscal de 23 milhões de euros”, que era concedida “por uma questão de responsabilidade social” … de forma  “libertar meios para o desenvolvimento económico-social da nossa comunidade”. A mentira era tão grande, mas tão grande, que não conseguia sair, e ia engasgando irremediavelmente o falacioso. Felizmente a coisa compôs-se, e a “oposição” engoliu a mentira sem dificuldade - está no mesmo patamar de inconsciência política. 

 Notas de rodapé:

(1) Três munícipes foram à reunião do executivo expor problemas e situações preocupantes. Quando as formas de democracia representativa esmorecem, irrompem formas de democracia directa.    

(2) Uma pessoa minimamente esclarecida sabe que o dotor Pimpão não distribui os milhões do orçamento com os munícipes, excepto o milhão referente à comparticipação no IRS (este sim, é despesa fiscal).

(3) A “oposição” votou contra o orçamento por este não contemplar as suas medidas. Ao que o dotor Pimpão respondeu que poderiam ter sido incluídas, como no passado, se tivessem participado na reunião preparatória. A “oposição” contrapôs que “não foi convidada”. E o dotor Pimpão contrapôs que enviou o convite para o PS e recebeu uma “missiva onde afirmavam que não participavam porque não era importante (participar)”.

14 de outubro de 2024

Ensino Superior em Contentores – já era tempo de acabar com a fantochada

Há uns anos, uma tontice colectiva fez instalar uns contentores no Parque Industrial da Formiga para, vejam bem, ministrar uns “cursos” enjeitados – TeSP. Quando se percebeu que quase ninguém queria aquilo, o profeta Pimpão prometeu o irrealizável (nas nossas vidas): uma Escola/Departamento Superior do IPL a ministrar ensino superior graduado e pós-graduado. 

Até agora, a tontice pariu um rato. Nenhum ser pensante, com dois neurónios a funcionar em série, vê utilidade palpável no que agora se faz, para os escassos alunos, para o Ensino Superior, para o desenvolvimento da IPL ou desta terra. Nem pode ver factibilidade na ilusória promessa. Mas parece que o doutor Pimpão e os doutores do IPL acreditam que uma tontice pode gerar uma conquista. Perdoai-lhes Senhor. São políticos.

A hipocrisia, para ser útil, deve ocultar-se. Mas nesta terra tornou-se pomposo expor as próprias misérias fazendo-as passar por grandezas. Sexta-feira passada o doutor Pimpão resolveu entreter-se com mais uma iniciativa ao seu nível: uma sessão pública de recepção dos alunos do chamado Núcleo de Formação de Pombal do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) no Salão Nobre da câmara. Para o pomposo e risível evento convidou a meia dúzia de alunos que se inscreveu nos ditos cursos e meia dúzia de figurões da região: os doutores Batista Santos (CIRL), Fonseca-Pinto (ESS), Pedo Morouço (ESCS) e outros docentes.



Não haja dúvida que vivemos tempos de artificialidade e embuste onde o que conta é mostrar que se está a fazer qualquer coisa, acredite-se ou não no que se está a fazer. Mas convém não esquecer que as acções dos homens são danosas quer pela ignorância, quer pelos maus desejos. Esta tontice mal-enjorcada, sem presente e sem futuro, só serve para desbaratar recursos e queimar tempo. Quanto mais tempo durar, mais prejuízo gerará.

8 de agosto de 2024

Passeio a Lisboa, atrás de uma ilusão

O Pedro anda feliz e contente como um cuco, com as suas iniciativas e realizações para a fotografia - canta de noite e de dia. Anteontem, partiu para a capital - acompanhado pela vereadora Catarina e pelo vereador oficioso Marco Ferreira – onde reuniu com o Ministro da Educação e tentou vender-lhe a ilusão da construção de um Polo de Inovação e Conhecimento para albergar uma nova Escola Superior em Pombal. Já antes tinha tentado vender a tolice - não necessariamente de um tolo mas de alguém que vive dois patamares acima da realidade e julga que basta desejar uma coisa para que ela se realize e produza resultados - ao presidente do IPL através de um dossiê a manifestar essa vontade. Mas Carlos Rabadão temporizou o impulso - criou um grupo de trabalho para avaliar a (in)viabilidade…



O Pedro é um escravo da vontade, e da empatia, que promete e faz o que não deve. Consequentemente destrói recursos como ninguém. Mas diverte-se, e diverte.

23 de julho de 2024

Escola Conde Castelo Melhor – o desgoverno total

São os investimentos públicos (bem feitos) que asseguram a sustentabilidade e a qualidade de vida das populações. Em Pombal, têm sido desastrosos ou desproporcionais. A área da Educação é paradigmática deste funesto quadro, mas não é a pior...

Quando um governo central - do PS - avançou, no início deste século, com o modelo dos pólos escolares e respectivo financiamento, alternativos às obsoletas escolinhas do Estado Novo, Narciso Mota e seus apoiantes recusaram o modelo optando bacocamente pela recuperação das humildes e isoladas escolinhas de aldeia. Resultado: desperdiçaram dinheiro e ficaram sem escolas (dignas). Mais tarde, renderam-se à evidência e às exigências do progresso. Mas não o fizeram numa lógica de utilidade, de resposta prioritária às necessidades; antes pelo contrário, construíram Centros Escolares onde não havia alunos, e deixaram a cidade sem escolas do 1.º ciclo dignas. Só mais tarde responderam - mal - à crescente procura, sem planeamento e já sem apoios.  Por exemplo, a situação mais premente, a Escola Conde Castelo Melhor, sobrelotada e sem condições mínimas para uma efectiva aprendizagem, ficou para o fim! Mas finalmente decidiram avançar para a requalificação...



Como a escola não era do município, resolveram comprá-la. Pagaram 719.000 euros, e acharam que fizeram um bom negócio. Com o edifício em sua posse, decidiram avançar para a requalificação das instalações. Mas nas primeiras vistorias perceberam, tarde demais, que a estrutura do edifício não oferecia condições mínimas de segurança. Vai daí, resolveram não requalificar o edifício mas construir um novo Centro Escolar, com 10 salas de aula, enfurnando mais uma escola num emaranhado de prédios e no centro da cidade. Uma opção démodé, própria de quem não integra no seu pensar critérios de planeamento urbanístico actuais e de adequabilidade dos equipamentos ao seu fim.

Lançado o concurso, entregaram a empreitada por uns módicos 4.400.000 euros!, suportados totalmente pelo orçamento municipal (que não chega para tudo). Como pela boa expectativa preveem que a construção demore dois anos (os prazos para esta gente é coisa meramente indicativa), e porque o município não dispõe de alternativa na cidade, resolveram alugar uma dúzia de salas a uma escola privada, pagando a módica quantia de 312.000 euros, mais obras de requalificação das salas (umas boas dezenas de milhares de euros). 

Tudo somado, e admitindo nenhuma derrapagem nos custos - coisa improvável - cada sala vai ficar acima de 600.000 euros! E assim teremos um Centro Escolar inadequado e caríssimo, que ganhará, com certeza, o título de escola com as salas de aula mais caras do país e arredores. Porque é que isto acontece? Porque temos uma classe política impreparada, que não planeia nem faz contas.

De desvario e de comédia em comédia, assim vai esta santa terrinha.

14 de setembro de 2023

Explorando a parvoíce

Porventura por ter concluído recentemente alguma graduação em Finanças para Totós, o distinto presidente da junta das Meirinhas resolveu inovar (como agora se chama à tontice): introduziu uma nova Atividade de Enriquecimento Curricular, no Centro Escolar de Meirinhas, designada “Explorando o Mundo do Dinheiro”. Nela, diz o agora doutor João Pimpão, os miúdos “irão trabalhar conteúdos relacionados com o dinheiro, com especial atenção à sua origem, utilização e poupança”.



Já que o doutor João Pimpão não fez esta importante actividade curricular antes de entrar na câmara como Chefe de Gabinete do Presidente e gestor do fundo de maneio, o que teria evitado muito desvarios, aproveitamentos ilícitos e chatices, recomendamos-lhe, daqui, que a frequente agora. Mais vale tarde que nunca; e em grupos homogéneos a aprendizagem é muito mais eficaz e niveladora.

21 de junho de 2023

Educação – a maior fragilidade do concelho charneira

Saiu recentemente o Ranking das Escolas de 2022. Para quem acredita que é necessário e indispensável fazer muito melhor, os resultados das nossas escolas não poderiam ser mais desanimadores: apesar de ocuparem, ao longo dos anos, posições muito modestas, em 2022 derraparam fortemente.

No ranking referente às notas dos exames nacionais do secundário – o que verdadeiramente interessa -, o Colégio João de Barros ficou na 167.ª posição (4.ª no distrito), desceu 66 posições face a 2021; a Escola Básica e Secundária da Guia ficou na 313.ª posição (11.ª no distrito), desceu 182 posições face a 2021; a Escola Secundária de Pombal ficou na 429.ª posição (17.ª no distrito), desceu 102 posições face a 2021.

Muitos  desvalorizam o Rankings das Escolas porque abominam avaliações e comparações - condições básicas para melhorar. Mas os dados falam por si. E pior: são consequentes... As escolas que pior formam penalizam os estudantes, no acesso aos melhores cursos e no processo formativo. 

Os políticos e os dirigentes educativos locais prometem-nos reiteradamente, a cada começo de um novo ano, um grande compromisso com a Educação e com o sucesso escolar, e, agora, também, com a felicidade na terra; seja com programas de potenciação do sucesso escolar, seja com o EPIS, seja com eventos e seminários sobre educação e parentalidade responsável... Mas uma coisa é certa: a receita não está a funcionar, não se está a trabalhar bem, estamos cada vez piores. 

A verdade é áspera. Porém, negar a realidade é não dar resposta.  


7 de junho de 2023

Pombal já tem Jornadas Académicas

Pombal não tem Academia, nem Ensino Superior, mas já tem Jornadas Académicas! Haja festa! Que o resto arranja-se - dizem eles e elas!



O Pedro prometeu-nos a felicidade na terra, quando ela nem no Céu existe, mas fez da felicidade um assunto ordinário, medíocre até, feito de pompa e vaidade para seu contentamento olímpico. E em pouco tempo, moldou a terra à sua imagem e semelhança: um arraial contínuo de farras e fanfarras.

Na acção política - como em tudo na vida - nada é mais nefasto que os errados incentivos e os maus exemplos. A política do Pedro é só isto: uma comédia e uma comedoria sem fim e sem regra, uma burlesca e infantil ilusão que faz da câmara uma Central de Eventos e da terra um poiso de cigarras.

Para as pessoas normais as farras são momentos de corte e descanso. Para o Pedro & C.ª são um propósito e uma missão, por onde doudejam demasiadas ficções e criaturas que só pensam em dar ao rabo e em fazer gala dos seus atavios, numa volúpia e numa embriaguez que alegra e afoga mágoas. 

Aqui chegados, a esta comédia e a esta comedoria, custa perceber o que surgiu primeiro: a farra ou o bobo (da farra). E como é que se vai sair disto.

16 de maio de 2023

Sai mais uma pimpalhada…

Vivemos um tempo em que toda a criatura quer ser a primeira de qualquer coisa. Nem que essa qualquer coisa seja coisa nenhuma.

Já tivemos o concurso do “Melhor Mascarado", e do “Melhor Acendedor de Isqueiros”, só para dar alguns exemplos dos mais aberrantes. Porque não ter, então, o “Concurso do Melhor Professor”, ou do “Melhor Contínuo", ou do “Melhor Cantoneiro”, ou do “Melhor Coveiro” – onde teríamos um fortíssimo candidato (o Coveiro-mor, de Albergaria, e outro em estágio acelerado, Pedro Pimpão).



Neste pátio de comédia, que é a política local, ficámos a saber que uma professora da ETAP é finalista do Global Teacher Prize Portugal. E que a “junta” logo aproveitou a coisa para um dia de festejos e bebedeira mediática. “Um dia feliz” e “um orgulho para toda a comunidade”, afirmou o doutor PimPão. Talvez seja. Para o doutor Pimpão e C.ª uma felicidade tola é, com certeza, preferível a uma infelicidade (realidade) consciente. 

Se os pais da Democracia e os arquitectos da Escola Pública vissem esta futilidade extrema e este regozijo público da mediocridade fartar-se-iam de dar voltas no túmulo. Que o doutor Pimpão e C.ª não façam nada, do mal o menos – não estragam -, mas não atrapalhem quem tem que trabalhar.   

9 de novembro de 2022

Ensino Superior em Pombal? Sim ou não? Como?

Vai em três décadas o desejo do município de Pombal ter uma escola ou polo de ensino superior na sua capital. Legítimo. Como legítimas são todas as opiniões sobre este projeto que deverá continuar a ser discutido, por políticos, professores, estudantes, suas famílias, empresários, forças vivas... como foi, sem filtros, no “café concerto” do passado dia 7 de novembro de 2022, no último piso do cineteatro.



Que ensino superior? Uma réplica de cursos que o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) tem já em funcionamento nas suas escolas que estão a menos de 30 km de distância? Não! Não pode ser essa a via. Urge buscar, construir, coletivamente, em rede, um diagnóstico socioeducativo para encontrar o tema gerador e focalizador da que poderá ser a nova escola do IPL, futura Universidade de Leiria e Oeste (ULO).

Dito isto, uma nova escola com a centralidade necessária ao desenvolvimento da cidade, mas, também, dos concelhos mais a norte do distrito (Alvaiázere, Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande) que não deverão ficar fora desta equação de mediação comunitária para servir um território que deverá extravasar o do município.

Mas não num casulo; não num contentor, não de forma precária e a replicar outros cursos do IPL e de suas escolas que estão já devidamente apetrechadas para o efeito. É preciso pensar grande. Em termos de região e de país. É preciso criar, inovar e não repetir.

A resposta mais pessoal e local ao título desta minha “Farpa” é sim! Pombal precisa de se desenvolver e não apenas crescer. Precisa de fixar e de atrair estudantes que se venham a interessar pelos cursos a criar para o desenvolvimento do município e região envolvente e o ensino superior pode ser essa alavanca de rejuvenescimento e criação cultural, em parceria com as escolas secundária, tecnológica, empresas, organizações e instituições.

A minha resposta mais científica, mas não menos política, e mais centrada na região de Leria e Oeste, é que é o próprio IPL que precisa de uma escola em Pombal [como precisa duma em Torres Vedras] para poder afirmar-se no contexto nacional e internacional como a única grande região que não possui, ainda, uma Universidade. O IPL, e todo o país, que tem de proceder rapidamente à reorganização da sua rede de oferta de Ensino Superior, precisa dessa universidade multipolar; multicampi, entre Torres Vedras e Pombal (ULO).

Nesse contexto, Pombal seria um nó dessa rede universitária com a sua escola (não um polo) a desenvolver-se em torno do estudo potenciado por Luciano de Almeida (quando criou a escola de Peniche (ESTM), já no século passado) em torno das “Ciências Agrárias e Florestais de Pombal”. Em 2018, o anterior presidente da CMP, Diogo Mateus idealizou a criação uma “Escola Superior de Ciências Agro-Industriais e Florestais”. O atual presidente, Pedro Pimpão, tem sublinhado esta necessidade e lutado pelo ensino superior em Pombal. Mas creio que importa construir, conjuntamente, com escuta ativa da população e seus agentes culturais e socioeconómicos, e a mediação comunitária necessária, um projeto diferenciador das restantes escolas do IPL, assegurando a diversidade na unidade do IPL que assim ganharia ainda mais trunfos para conseguir o Estatuto de Universidade (“conhecimento universal”, com uma gama epistemológica que vai do mais global ao mais local e do mais teórico ao mais prático).

Termino deixando alguns exemplos de possibilidade de cursos/áreas para pensarmos (desde os CTeSP aos mestrados, passando pelas licenciaturas e pós-graduações): Sustentabilidade ambiental; Desenvolvimento sustentável; Inovação e sustentabilidade; Valorização do território e sustentabilidade; Ambiente, sustentabilidade e educação; Economia circular, com vista à utilização eficiente e sustentável dos recursos, integrando vários atores a trabalhar em rede, entre os quais município(s), empresas, associações, Escolas, Instituições Sociais... 

É tempo de passarmos do crescimento ao desenvolvimento (sustentável, integrado, endógeno, circular). Jogarmos pela antecipação e construirmos a diferença com a aposta numa nova escola para Pombal. Mas tudo isto tem de ser dialogado com toda a rede social e económica (mediação comunitária). Não pode, portanto, ser uma decisão imposta de cima para baixo.

Farpa Convidada

Ricardo Vieira - Professor no IPL  

30 de setembro de 2022

Sobre o voto patético e o associado

Os membros da Assembleia Municipal continuam a ocupar tardes e noites com discussões estéreis e propostas patéticas. Discutem até, se é melhor gastar o tempo naquilo que costumam fazer ou a beber uns copos numa taberna. 

Na reunião da noite passada, o PSD teve a patética ideia de apresentar e votar um voto de congratulação por, afirmam eles, “o IPL ter a visão de reconhecer Pombal como um território dinâmico e privilegiado para a sua dinâmica de crescimento e progresso, contribuindo certamente para a sua tão desejada afirmação como universidade politécnica de Leiria”  - a vacuidade no seu esplendor. E entregou, sem surpresa, a súplica ao jota Antunes do Santos. Escolha acertada: o patético nele é deveras natural.

Como aqui tenho repetidamente afirmado, o voluntarismo político tem perna curta. Impera em Pombal desde Narciso Mota – seu principal artífice -, e é exactamente por isso que o concelho continua a marcar passo, a destruir valor, a adiar o presente e a comprometer o futuro. Achar que esta terra tem condições e necessidade de um pólo ou de um instituto de ensino superior é uma tolice própria de quem decide sem avaliar oportunidade, custo e utilidade – sem se preocupar com a racional aplicação dos dinheiros públicos.

Bastou a eleição de uma nova direcção no IPL para a espécie de ensino superior em Pombal ser posta em causa, para tudo ruir. Não por esta direcção do IPL se apresentar com orientações estratégicas relativamente diferentes - como o doutor Pimpão e outros pensam -, mas por a realidade ser muito abusadora para os voluntaristas. 

A artificialidade não agrega valor, destrói. O IPL deve rapidamente inverter a direcção que erradamente vinha seguindo: deve abandonar a dispersão (formativa, territorial, etc) e especializar-se numa oferta educativa de qualidade, nomeadamente nas áreas científicas. A dispersão que vinha fazendo não acrescenta valor para a instituição nem para os concelhos para onde se dispersou, ao contrário do que muitos dirigentes políticos locais pensam e dizem.     



18 de setembro de 2022

A hora do recreio




 Se a Câmara tivesse usado para o início do ano lectivo - pelo menos em matéria de comunicação, já que não vai passar disso - um décimo do esforço que está a fazer com o folclore à volta da semana da mobilidade, estávamos bem. Mas as escolas retomaram as actividades com muitos e novos problemas, e isso não interessa. É chato. Essas dinâmicas não contribuem para a felicidade, a não ser que acabem por dar nome às AEC's, quando as houver. Sim: há escolas que arrancaram sem essas actividades, normalmente entregues às autarquias locais. Pombal (freguesia) é um desses casos. 

Já sabíamos que este não iria ser um ano qualquer, no concelho de Pombal. Seria o primeiro da descentralização de competências na área da Educação,  e por isso era suposto que se trabalhasse mais, e mais cedo, para garantir que as coisas iriam começar - e correr - bem. Mas nesta nova era em que tudo se faz com meia-bola-e-força, chegamos a meio de setembro e ao início do novo ano escolar com um retrato muito pouco colorido, muito pouco colado ao estilo Pimpão & amigos. É que não adianta nada fazer jornadas e conferências com temas bonitos, passear uma comitiva entre o Teatro-Cine  a Casa Varela, e fazer de conta que  a realidade não está lá fora. E essa começa em casos como o das crianças da Moita do Boi, que por causa do sucesso da creche (à conta de uma associação que se transformou em IPSS) de repente não têm lugar na sua aldeia e têm de ocupar as salas vazias num centro escolar da Mata Mourisca (Lembram-se dos anos em que aqui escrevemos sobre isso, caros leitores? De como os executivos de Narciso Mota andavam a construir escolas com salas que nunca iriam abrir?) - e termina na Escola Secundária de Pombal, requalificada há uma dúzia de anos, mas agora insuficiente para acolher os alunos que vêm de toda a parte, e não só as dezenas (centenas?) de imigrantes que estão a chegar todos os dias, mas logo à partida os alunos do Louriçal, da Redinha e de Albergaria dos Doze, findo o financiamento dos colégios privados. Não sei se ainda se mantém na Câmara aquele projecto do EPIS, mas talvez haja por lá alguma daquela meia dúzia de técnicas que possa pensar um pouco  em como é que é possível uma criança/adolescente ter alguma rentabilidade na escola quando se levanta às 6h30 da manhã para apanhar um autocarro, e depois passa uma manhã na escola até à hora das aulas. Foi o melhor que se conseguiu em muitos horários, na Secundária de Pombal. Nesta altura vão saltar meia dúzia de professores e falar-me dessa outra invenção - contra a qual lutei, com outros pais, sem sucesso, no Agrupamento de Escolas de Pombal - que é a Ocupação Plena dos Tempos Escolares. Tanto especialista que já veio a esta terra falar sobre isto, tanta tese sobre o assunto, e continuamos na mesma. A grande preocupação é enfiar os miúdos dentro de uma sala, de preferência caladinhos, de modo a que não chateiem. 

Na apresentação de mais um ano, não pude deixar de me espantar com o mimetismo do modelo. As décadas passam, mas no AEP o registo cristalizou. Para espanto de quem chega de novo, nem uma palavra sobre a Associação de Pais, nem um folheto. nada. É verdade que também não se fez notar. Esperamos que ainda exista, para lá da reprodução de frases feitas no Facebook. 

Perante este caldo, era de esperar que um Município que passeia automóveis por aí com a propaganda da Educação e do Sucesso Escolar 100%, mais a nova ambição da parentalidade positiva, tivesse um pelouro da Educação preocupado em desfazer estes nós. Se Pimpão tivesse colocado o amigo Marco Ferreira num lugar elegível, teria esse problema resolvido. Assim, continuamos em modo Junta, à espera que alguém da Câmara resolva. Quando acabar o recreio. 


13 de junho de 2022

De roteiro em roteiro até à “boxe”

O Pedro fez anunciar que esta semana vai fazer mais um roteiro pelas escolas do concelho; como se as escolas não tivessem mais nada que fazer senão entretê-lo, soltando com ele e os seus ajudantes cânticos e homenagens catitas.

O Pedro precisa de roteiros, de ocupação e distração, que o afastem do calvário que é - para ele – administrar a câmara. Os roteiros estão para o Pedro como o voar está para a mosca… - são a sua razão de existência. Alimenta-se desta volúpia sem se dar conta do enfado que tanto rotear provoca.

O Pedro é um hipocondríaco da empatia que tem como único desejo de vida (política) ser conhecido e amado; um imprevidente e bom rapaz pavorosamente desorientado pelas mais confusas e contraditórias teorias da felicidade, que faz da política um espetáculo pueril e de mau-gosto que não interessa a mais ninguém do que a ele próprio - e por pouco tempo.


PS: às escolas exige-se foco contínuo no processo educativo e discrição; o que implica blindagem à politiquice

3 de junho de 2022

A nova ilusão do Pedro

A nova ambição - do Pedro – para Pombal são as prometidas pós-graduações do Instituto Politécnico de Leiria (IPL). Não é uma coisa para o próximo ano – explicou ele, depois – nem para os próximos. É simplesmente uma ilusão para iludir papalvos. Melhor dito: uma tontice.

Pombal não tem ensino graduado nem o terá nos próximos anos - e é muito duvidoso que o deva ter (mais vale não ter que ter do mau), mas quer ter ensino pós-graduado! É típico dos pobres-de-espírito começarem a casa pelo telhado.

O Pedro é o verdadeiro profeta da boa vontade, um pregador do optimismo vazio que acredita que basta desejar uma coisa para que ela aconteça, incapaz de distinguir o essencial do acessório, o virtuoso do ilusório, o realizável do irrealizável. Resultado: malbarata o tempo, os escassos recursos e a pouca energia na fanfurrice - em nadas. É um D. Quixote iludido pelos moinhos de vento, que navega no ar animado pela paixão de voar e sentindo em si que voar é o centro do mundo. 

PS: * Mas os responsáveis do IPL não fazem melhor figura. Em vez de se centrarem na espinhosa missão de credibilizar o instituto, desbaratam tempo e energias com estas tontices de onde nada tirarão.  

29 de maio de 2022

Conversa de charlatão

Perguntado sobre os anunciados novos “cursos” do IPL em Pombal, o Pedro abrilhantou a coisa, e a néscia oposição, com esta peça de retórica. Vivemos numa terra onde cegos conduzem cegos, e onde quem não se deixa conduzir afasta-se. 

O Pedro até pode acreditar no que diz – no que um profeta não acredita! -, mas ninguém minimamente instruído e com dois neurónios a funcionar compra esta banha-da-cobra. Decididamente é inútil ir procurar num profeta uma mentira mais certa que ele mesmo.

Depois, é isto: cegos conduzem cegos: o IPL prestar-se a este serviço: enganar os nossos adolescentes e uns “pretinhos” que vão buscar a África (que são os menos enganados, já que só o vir para a Europa já é um grande ganho). Ao que estas escolas se prestam para arranjar turmas e adolescentes.

Desgraçadamente, nesta terra o número dos alunos diminuiu ao mesmo tempo que as escolas aumentam. Para esta espécie de “cursos” já cá tínhamos a ETAP e ETP Sicó. Mas o problema não está nas escolas, está nos cursos. 

Fujam disto (filho meu não entrava nisto).



11 de março de 2022

A Felicidade do Pedro

O Pedro é um rapaz imaginoso. Sabe divertir-se. E diverte.

É um deleite para os garotos. E também para os crescidos. 

Ei-lo a recrear-se no jardim-escola.

Do site do município

28 de fevereiro de 2022

O Pedro e a Educação

O Pedro - e o seu vereador oficioso da Educação – saiu para “trabalhar “ na Educação.

Ei-lo em acção. Haja Educação.

Foto do site do município


17 de dezembro de 2021

Profecias

Já tivemos o que queria fazer disto uma Central Alfandegária com um grande Centro Logístico.

E o que queria fazer disto um Centro Aeroportuário com Aeroporto no Casalinho.

E o que queria por isto no mapa com mamarrachos na Sicó.

Agora temos o iludido com o Campus Universitário.

Tudo criaturas que não sabem nem percebem que ideias/projectos que não acrescentam valor, destroem valor.

A desgraça maior desta terra é ser conduzida por criaturas que acreditam em milagres.