29 de outubro de 2016

O sangue-azul do Cardal

                                          Foto: Forum Pombal. Quando tudo corria bem. Ou parecia que sim.

Foi um ar que se lhe deu. Num dia Narciso anuncia uma conferência de imprensa para se apresentar como candidato - e convida meio mundo a comparecer, entre autarcas e dirigentes de todos os partidos - noutro cancela-a. "Lamentando e por motivos alheios à minha vontade, serve o presente para cancelar a data prevista da conferência de imprensa, até nova data a informar". 
O E-mail chegou às caixas de correio já passava da uma da manhã de hoje, e foi escrito depois uma discussão acalorada que o ex-presidente da Câmara manteve com Pedro Pimpão, à saída do jantar de inauguração do Bodo das Castanhas, em Vermoil. O mesmo jantar onde se esqueceram de guardar lugar para ele, na mesa das entidades oficiais. 
Da conversa entre ambos pouco se sabe pode contar, ainda,  que o povo é bem educado e não se abeira de uma discussão tão séria, com implicações tão grandes para a vida de ambos - e do concelho que é nosso. Mas as ondas de choque não se fizeram sentir. Quem saiu em defesa de D. Diogo (o mesmo é dizer contra Narciso) foi o doutor João Coucelo, que respondeu ao mail de Narciso, enviando a resposta para todos os mortais da mailling list O médico - ex-vereador de Narciso, ex-mandatário de Narciso, ex-presidente da Assembleia Municipal, sempre pelo PSD, sempre próximo de D. Diogo - arregaçou o punho de renda e fez o favor de dizer ao meio mundo convidado de Narciso aquilo que a estrutura local do partido ainda não tivera coragem de escrever:
"Caro Narciso
Devias cancelar as tuas intenções de candidatura que eticamente são condenáveis nos moldes em que o fizeste.Se persistes tens de te demitir das funções na A.M o que é o mínimo de decência que te resta nesta farsa.
Sempre fui solidário contigo nos momentos mais difíceis e nem sempre tive igual tratamento,mas mantive a discrição que se exige a quem na política só pretende o bem publico.
Não alinho em lutas pessoais e cruzadas de mau gosto.
O que está feito, feito está mas trata de desfazer males maiores".
A parte melhor desse e-mail vem no fim. É quando Coucelo se despede de Narciso "com amizade", qual Sousa Veloso aos agricultores que o viam, com respeito, aos domingos de manhã.
Isto promete ser uma campanha de avanços e recuos. E não apenas por parte de Narciso. Na comissão política concelhia, "recuo" passou a ser o nome do meio. Não é Pedro?

27 de outubro de 2016

Narciso, o renegado



Narciso Mota vai fazer uma fuga para a frente, no próximo dia 4 de novembro, no auditório da Caixa de Crédito Agrícola, e apresentar-se à imprensa como candidato à Câmara de Pombal. Sendo certo que o PSD já deu mostras várias de não o querer - as eleições hão-de confirmar uma evolução na continuidade, com Diogo Mateus - o mais certo é assumir-se já como independente, para não passar a vergonha de ser desmentido publicamente. Consta até que o próprio presidente do partido em Pombal já lho disse, na cara, depois de meses com as mãos a escaldar de tamanha batata quente. Quem conhece o Pedro Pimpão imagina-o a dizer a sentença a Narciso Mota enquanto engole as vísceras e segura as entranhas. Tal como a esmagadora maioria dos que vivem da política em Pombal, deve a Narciso Mota muito do ganha-pão. Mas isso são contas de outro rosário. Também Diogo as engoliu, por mera questão de sobrevivência política, ao longo de 20 anos.
É certo que o PSD não tinha grande saída, e mesmo não sendo D. Diogo o candidato ideal para um partido vincadamente populista, não havia como não o apoiar.
O problema nesta equação chama-se povo. É esse que vai contribuir ainda mais para partir o partido, é essa a grande base de apoio de Narciso Mota - porque o reconhece como parte integrante e não precisa de tirar o chapéu para lhe falar. Mesmo que neste tempo já não baste a empatia para ganhar eleições, a era Marcelo é esta, a dos afectos. Melhor fora que Narciso tivesse escolhido as Meirinhas para se apresentar. Se na quinta-feira aparecer sozinho, não se iludam. Até ao dia das eleições, o cenário será aquele aqui descrito: um exército que com uma mão segura a bandeira do partido e dá passagem a Diogo, e com a outra abre a porta a Narciso. Isto vai ser imperdível...

Teremos sempre Paris


O João Melo Alvim é desde esta semana Cônsul-Geral Adjunto de Portugal em Paris. Aqui na casa ficamos de peito cheio pela conquista do camarada Alvim, que sonhou connosco o Farpas e lhe deu corpo durante vários anos. 
É um orgulho para nós e para a comunidade emigrante, ver um pombalense ali destacado. A terra perdeu mais um dos seus melhores, mas ganhou-o o mundo - e todos nós, de certa forma.

22 de outubro de 2016

Partido

Os partidos são como a pescada: antes de o serem já o eram. Uns escondem-no, outros assumem-no. Nisto, o PPD/PSD é exemplar, e expressa-o bem.
O PPD/PSD local está partido. Nas próximas eleições autárquicas vai ter dois candidatos: Diogo Mateus pelo Partido e Narciso Mota como independente. Mas a divisão das hostes é tão profunda que se justificava que fosse um pelo PPD e outro pelo PSD.  

No fundo, a surpresa nem é tanto a divisão (natural), mas a forma dissimulada e determinada como se está a processar; o persistente jogo duplo de dirigentes e autarcas, que subscrevem um candidato e trabalham para outro. Por este andar, os resultados eleitorais vão ser uma caixinha de surpresas. 
É a política...

18 de outubro de 2016

Agora, até o turismo espanhol mama…

A CMP aprovou, por maioria com 3 votos contra dos vereadores do PS – Uff, acordaram! – um subsídio de 4.592,50 €, à Banda Filarmónica Ilhense, para esta participar no XII Encontro de Bandas de Música na Comunidade Valenciana - Valência – Espanha, entre 30 de Setembro a 2 de Outubro.
Este era um subsídio que até o Farpas ignoraria - é daqueles que o senso comum nos diz que é virtuoso. Mas não o é. Na verdade, é emblemático do conluio de interesses que a subsidiodependência gerou, e do estratagema de geração de poder que engendrou.
A vereadora da cultura, ávida de agradar e de captar agradecimentos para o príncipe, esmerou-se a pincelar a informação com as todas as cores do arco-íris. Mas fê-lo numa tela com fundo negro. O esquema parecia perfeito, se do outro lado não estivesse um ex-inspector, conhecedor profundo dos esquemas avançados dos espanhóis, na captação de excursionistas para as suas instâncias turísticas, na época baixa, preferencialmente junto de grupos financiados com dinheiro público.
Aqui, a oposição – nomeadamente o vereador Jorge Claro – esteve bem: foi oposição - mostrou, até aos mais cépticos, que o papel da oposição é indispensável à prossecução da boa governance, mesmo nos assuntos julgadas menores, ou politicamente inconvenientes. Segundo ele, “o encontro de bandas da comunidade valenciana foi em Julho”, e não entre 30 de Setembro a 2 de Outubro, como a informação refere; “o local previsto para a realização do evento dista 100 km de Valência, é uma estância balnear composta por edifícios turísticos, não há qualquer outra actividade económica a não ser o turismo, existem mais de 100 hotéis, é uma zona dedicada apenas ao turismo.” “Quem promove este evento é uma agência de viagens, com sede em Barcelona, e que tem uma delegação na zona”. A banda actuou num jardim em frente da unidade hoteleira Marina d’Or, perto da praia, - um complexo turístico com cinco unidades hoteleiras.
Falta saber quem tem maior responsabilidade no desvario: a vereadora que quer agradar ou o príncipe que precisa de agradecimentos. 
OH MEU POMBAL, que até o turismo espanhol subsidia! Se o teu castelo falasse mais vezes, tanta coisa que se saberia!

17 de outubro de 2016

O estranho caso da sondagem, ou a sondagem mais estranha


Poucos dias antes da notícia oferecida aos leitores do Pombal Jornal, na sua última edição, duas figuras do PSD perguntaram-me o que achava daquilo. "Então e a sondagem, que tal?"
Ora, como a última notícia que tivera de qualquer sondagem, foi quando Narciso Mota voltou de Lisboa - do encontro com Pedro Passos Coelho, onde alegadamente o líder lhe terá dito que o partido "ia fazer uma sondagem para ver se era ele ou Diogo Mateus o candidato à Câmara" - pensei que estávamos a falar dessa. Ficou-me sempre um punhado de dúvidas, caros leitores, agora agravadas:
1. Sendo vencedor absoluto na Câmara, o que raio iria o PSD fazer a Diogo Mateus, e voltar atrás, com Narciso Mota?
2. A haver sondagem, quem é que a fazia? O PSD nacional? O PSD local?
3.O que ganhava o PS em trazer à liça uma figura como o vizinho João Gouveia? 
4. O que ganhava João Gouveia em mudar-se para Pombal? A que propósito?
Por este andar, escrevemos um livro e fazemos um filme, no final de 2017. Poucas terras teriam um guião tão atractivo.

9 de outubro de 2016

O candidato que veio do...Bombarral

''Desejo um Portugal moderno, livre, em que o Estado — que deveríamos ser todos nós — garanta o direito universal à educação mas não obrigue os menos favorecidos a obtê-la em estabelecimentos públicos.''
Ó senhor Deputado do PSD, Licenciado, Mestre, Doutorando em Direito e Presidente da Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, o que seria deste país com gente ''menos favorecida'' a estudar em estabelecimentos públicos?
Medo.
Tenham muito medo.

8 de outubro de 2016

Os vícios repetem-se


Ana Gonçalves e sua equipa, ávidos por mostrar serviço, continuam a evidenciar uma enorme falta de respeito pelos artistas que convidam. Tal como aconteceu com as Montras Poéticas ou o Taleguinho, o nome de quem leva a cena a ópera "A flauta mágica", de Mozart, é omitido ou não é referido de forma clara (parece ser a Escola de Música de Abiul). Amadorismo, ingenuidade, esquecimento? Não: egoísmo, leviandade e desrespeito! Mais do que promover a cultura e os seus agentes, a vereação da cultura da Câmara Municipal de Pombal pretende apenas promover-se a si própria.

Mas alguém se importa? Aparentemente, não. A comunicação social (97FM, Pombal Jornal), que tão prontamente carimba o nome da autarquia em todos eventos que esta promove, não revela qualquer curiosidade em saber quem lhes dá corpo e voz. Será que iremos ver Ana Gonçalves subir a palco amanhã, no Teatro-Cine, como a Rainha da Noite? 

6 de outubro de 2016

Importa-se de repetir, senhor presidente?

Disse mesmo que "não há uma delas que não tenha uma parque infantil decente..."? Quando é que marcamos uma visita guiada à EB1 de Pombal, a funcionar desde o ano passado no edifício Conde Castelo Melhor? Não é decente. Pela simples razão de que não existe.

5 de outubro de 2016

Um tiro certeiro

Na última AM, Ricardo Ferreira, do CDS, fez uma intervenção certeira (uma excepção em toda a assembleia). Escolheu bem o assunto e os argumentos (enquadrados com a realidade circundante, incisivos e inquiridores). Por outro lado, mostrou astúcia táctica: no aparte inicial, na condução da intervenção e no remake à mesa da AM (esteve bem Narciso Mota e mal o sec(re)tário) e a Diogo Mateus.
Dos outros, foi tudo tiros na água, ou “deixas” para o presidente brilhar. 



4 de outubro de 2016

Quixotescamente

A escolha do tema e a forma como o PS tem conduzido a polémica sobre a Unidade de Saúde Familiar do Oeste é um tratado de inabilidade política, como bem o desmontou Diogo Mateus, na assembleia municipal (ver vídeo, minuto 47).
Mas quem manda o PS trocar a sua postura mansa e pacifica por contendas arriscadas sem nenhum potencial de ganho?
Resultado: caíram logo na boca do lobo… É o que se chama, sair de casa para ir à procura de lã e vir de lá tosquiado.

3 de outubro de 2016

Megalomania

Megalomania é um transtorno psicológico caracterizado por delírios e fantasias de poder, relevância ou (até) omnipotência. Segundo Freud, pode engendrar uma paranóia.
Os delírios e fantasias da rapaziada politizada cá da terra foram sempre considerados excessos de uma adolescência retardada; tolerados porque, supostamente, seriam corrigidos pelo amadurecimento e não traziam nada de mau ao mundo. O pior foi quando lhes começaram a dar ouvidos; e o transtorno, no lugar de regredir, agravou-se.
Agora sim, o potencial de dano é real - dano colectivo, pago por todos nós. Ora vejam!

A propósito de populismo

Fala o roto do mal remendado...


2 de outubro de 2016

Pedro vai à escola


Pedro é um menino muito espertinho que adora a escola. Nos primeiros dias de Setembro a ansiedade é grande. Para não se esquecer de nada, os papás ajudam-no a preparar a mochila de véspera e, na manhã seguinte, é vê-lo saltitar de alegria, com vontade de chegar cedinho, antes dos outros meninos todos. 

O nosso Pedrocas é querido de toda a gente. Para além de muito simpático e bonito, o mocito não enjeita o trabalho e as responsabilidades. Daí que os papás, muito orgulhosos, aceitaram com agrado a sua vontade de visitar todas as escolas do país. Brilhante ideia! - disseram. Assim podes ajudar os outros meninos a ser como tu. 

Vai daí, abriram os cordões à bolsa e pagaram-lhe uma viagem por todo o país (incluindo as Ilhas). Afinal, o dinheiro que se gasta até pode ser um bom investimento. Quem sabe se, no futuro, não poderemos vir a ter uma geração de meninos bonitos como o Pedrinho? Não seria tão bom? Aposto que as más-línguas vão dizer o contrário.

30 de setembro de 2016

Estádio II

A história é simples:
Em Leiria um Plano de Mobilidade incendiou a cidade este ano. (itálico, note-se, significa que é uma força de expressão...)
Um grupo de cidadãos organizou-se e constituiu um Movimento de Cidadãos por Leiria, para contestar alguns aspectos desse Plano. Recolheram-se mais de 6000 assinaturas.
A Autarquia decidiu constituir um Grupo de Trabalho, integrando todas as forças partidárias e este Movimento, para produzir um relatório.
Democrático, não?
Só que o relatório, afinal, não traduz o que se passou nas muitas reuniões de trabalho.
Hoje à noite, em Monte Real, na Assembleia Municipal, a entrega deste pseudo-relatório (itálico, note-se) está agendada para o fim da sessão, que começa às vinte e uma horas no auditório do Cine-Teatro.
Mas a vida é muito mais que este relato a seco, não acham?
Na verdade, o futuro de Leiria e a forma como nos vamos, ou não, poder deslocar, viver e circular está em jogo. A discussão faz-se, convenientemente, longe dos holofotes, em Monte Real, hoje.
E pergunto-vos, a todos os que vivem em Leiria:
se pudessem ter participado em algum momento, no destino da vossa cidade e ter impedido o erro histórico que foi e continua a ser o estádio, teriam saído de casa a uma sexta-feira à noite?
Pois bem, têm agora a oportunidade de poder fazer alguma coisa de realmente importante pelo futuro de Leiria:
estejam presentes hoje na reunião da Assembleia Municipal de Leiria em Monte Real.
Vejam com os vossos olhos o destino de Leiria a desenhar-se.
Sejam parte activa na construção da democracia.
Ou então não.
Mas depois, se tiverem de viver numa cidade onde a mobilidade será uma miragem, calem-se.
Para sempre.

P.S. e sim também tenho filhos pequenos em casa, tarefas domésticas, mais que fazer à sexta à noite, mas tenho de viver com a consciência que me diz diariamente que se não fazemos alguma coisa pelo mundo que queremos ele não se construirá sozinho por milagre.
Partidas às 8,30 em frente ao Teatro José Lúcio da Silva e boleias partilhadas. Divulguem...

Mais e melhores farpas


Setembro despede-se do Farpas em grande, com a entrada de um novo membro no blogue. A partir de agora junta-se aos da casa Alexandra Azambuja, que traz com ela a realidade de Leiria - onde passamos a cravar farpas, na porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal.
Sabemos que chegamos a milhares de pessoas todos os dias, nos quatro cantos do mundo. Há muita gente interessada em saber tudo sobre os interesses instalados. Cá estaremos para o contar, como sempre.

27 de setembro de 2016

De como o príncipe está a sentir o cerco a apertar-se

Depois de uma semana laboriosa e de um fim-de-semana longo, cheio de eventos e ajuntamentos, de onde era esperado retorno muito proveitoso que invertesse o derribamento para infortúnio, o príncipe iniciou a semanada subindo pesarosamente a longa escadaria até ao trono. Tinha passado uma noite mal dormida, com pequenos apagamentos intervalados por sonhos sobressaltados com assombrações de fantasmas furibundos – confessou-o na abertura da reunião com o seu escudeiro.
O príncipe entrou no gabinete, deixou a porta aberta, e sentou-se no cadeirão. Sentia-se cansado: corpo dorido e cabeça pesarosa. Chamou o fiel escudeiro:
- Pança, vinde cá…
O escudeiro entrou e perguntou: - o que deseja Vossa Mercê?
- Senta-te, Pança, precisamos de falar, e eu de te ouvir. Sabes bem que te considero um fiel escudeiro, sempre pronto para todo o serviço. Tens-me ajudado nas muitas pendências em que me tenho metido, reconheço-o, por isso tenho sido generoso contigo… Mas, como sabes, as coisas estão complicadas, e por mais que me esforce para ser o que não sou, não se descomplicam. Dize-me, tu que te mexes bem no meio do povo, o que preciso de fazer mais, para ter povo.
- Quem sou eu para dar conselhos a Sua Alteza. É verdade que Vossa Mercê mudou muito nos últimos tempos, e tem usado todo o cardápio de afabilidades: sorrisos, simpatias e beijos; e abusado de esmolas, prebendas, feitorias, … Mas concordo com Vossa Mercê: a mesinha não está a resultar…
- Interrompeu o príncipe, ansioso: - dize-me Pança, por que não está a resultar, se eu me tenho esforçado tanto; e não sabes tu o quanto me tem custado, que isto de forçar o corpo, custa; mas contrariar a nossa natureza, violenta.
- Pois o problema pode estar aí mesmo; mais no curador do que na doença. A doença é muito ruim…
Atalhou logo o príncipe: - De que doença me estás a falar, Pança?
- Calma, calma, Senhor. Eu vou tentar explicar; e faltando-me doutas palavras, pego num exemplo conhecido, que se aplica bem ao (seu) caso. A sua maleza é uma espécie de tuberculose. E ocorre aqui como no caso do tuberculoso: no princípio é fácil a cura e difícil o diagnóstico, mas com o decorrer do tempo, se a enfermidade não foi conhecida nem tratada, torna-se fácil o diagnóstico e difícil a cura. Sua Alteza estará, com certeza, a aplicar a receita correcta; mas começou tarde, e talvez não vá a tempo da cura.
- E dizeis-me só agora, isso, Pança? O que dizem os meus ministros? Também eles, pensam como tu?
- Desculpe-me Alteza, mas entre príncipe e ministros não se deve escudeiro meter.
- Mas dize-me, dize-me, Pança? – inquiriu o príncipe marfado - sabes bem que te ordenei que os vigiasses.
- Quer mesmo saber a verdade, Senhor? Quer?
- Fala, Pança…Evita-me este penar.
- Acho que estão mais descrentes do que eu. Dizem-no à boca cheia pelos corredores, e lá por fora.
- Mas sabes bem, Pança; que estamos todos no mesmo barco, e se formos ao fundo…
- Eu não… Eu regresso aonde saí…
- Enganas-te, Pança. Ajuda-me a salvar-me, que te salvas também a ti.
- O que está feito, feito está; agora paciência e fé em Deus, e na Sr.ª do Cardal (minha querida Senhora). Da minha lavra, não sei o que se pode usar mais. Mas já agora, porque não se mexe Sua Alteza, junto de quem controla as forças divinas, onde se movimenta muito bem. Eu não o faço porque a minha condição não mo permite, mas continuo a assistir à missinha e faço as minhas orações, regularmente.
- Pobre terra - exclamou o príncipe - que nem tem com quem se possa tomar conselho nas incertezas, alívio nos queixumes, nem remédio na desgraça.
                                                                                                                                                                                                          Miguel Saavedra      

26 de setembro de 2016

Acto de contrição





Nada como agradecer e nomear a todos em geral e a cada um em particular. Foi há três dias, como poderia ter sido no século XIX.

O arranque da campanha

                                Foto publicada por António Sales
Falta exactamente um ano para as eleições autárquicas, e como não está marcado o dia, a única certeza que temos é que será a última edição organizada por este executivo de Diogo Mateus. Por isso mesmo, o arranque da campanha eleitoral aconteceu no evento que ontem terminou - e que voltou a ser um sucesso, se o medirmos em gente, movimento, e desta vez até em animação musical, bastante melhorada. 
Já se sabe que o PSD não precisa de fazer grande coisa para se fazer notar, pois que a presença do partido, organizado, nas festas e romarias, é uma certeza tão grande como o Natal em Dezembro. Também já percebemos que o CDS está apostado em ocupar o espaço da oposição, com uma pequena nuance: comporta-se como se fosse poder, trazendo figuras diversas e contribuindo para o êxito das feiras. Afinal, a herança de Portas ainda está para durar...
Ora acontece que foi o PS quem levou às tasquinhas esse arranque da campanha eleitoral. Se dúvidas houvesse, bastou a febre de sábado à noite, com mais de 50 militantes, quadros locais e distritais do partido, uma espécie de Perdoa-me dos nossos dias com a presença de António Sales e o regresso de Adelino Mendes (O registo de dinâmica continuará hoje à noite, com um plenário distrital em...Pombal). Observando ao pormenor, destacam-se ali os três vereadores do PS e a sua mudança de estilo na oposição. Já todos reparámos que perderam as peneiras e já votam contra, quando se justifica, como apontam o dedo e abandonaram o registo unanimista e morno que caracterizava Marlene Matias, Aníbal Cardona e Jorge Claro. É este quem está a dar a cara à estratégia.
Temos candidato.