31 de agosto de 2017

Campanhas


Para além de apresentações pífias para as famílias, a campanha eleitoral tem-se resumido, até agora, ao redopio pelas festas&arraiais. De resto, do que é importante, nada. Compreende-se: uns acham que o eleitorado é uma turva néscia que escolhe tão-somente pela vista; outros como não têm nada para mostrar, mostram-se. Mas convinha que tivessem consciência que o nada que isto representa - em termos políticos - beneficia uns e prejudica outros.
Beneficia os que sabem bajular o povinho, porque encontram ali o seu espaço, onde se divertem a falar de coisa nenhuma ou a tagarelar intriga, maledicência e baixezas fáceis de adivinhar.
Não beneficia os desajeitados de espírito, vaidosos ou falsos bondosos, que o povo topa à distância.
E prejudica os pobres-de-espírito, as almas tristes e monótonas, que se arrastam desesperançados naquela rotina para que não nasceram nem foram talhados.
No fundo, vão todos à procura de votantes, e de uma fotos que para mostrar na net. Fotos que na sua maioria são autênticos estereótipos psicológicos.
E desencontram-se por lá, todos, num convívio forçado que se tornou quotidiano; uns, no lufa-lufa para salvar o reino; outros com fome de celebridade ou de alguma sobremesa da vida. 

28 de agosto de 2017

Época de colheitas

A colheita é o resultado da sementeira, ou melhor dito: da forma como se cuidou dela. No limite, quem não semeou não colhe, e quem desmazelou a sementeira pouco colherá.
A arte da semeadura é mais complexa do que parece. É um processo longo: começa na escolha do que, onde e como semear; continua com a preparação do terreno, sementeira propriamente dita e respectivo acompanhamento (limpeza, fertilização, rega, …); e termina, um ano depois (ou vários, no caso das plantações), com a recolha da colheita e o seu usufruto. Esperar colher alguma coisa de terrenos inférteis, abandonados, ou de terrenos férteis, onde nada se semeou, é tontaria. Os agricultores - mesmo os menos instruídos - não acreditam nesse tipo de “milagres”, sabem que nada podem esperar do destino, que a colheita é sempre o resultado de muito trabalho, dedicação e saber-feito no terreno através da tentativa-erro. Mas nos dias que correm, há muita gente que não pensa assim, que acredita que as coisas acontecem por um estalar-de-dedos; não semeia, ou semeia de manhã para colher à tarde; menospreza a natureza das coisas; e, ainda assim, espera resultados! Desconhecem que só no dicionário é que o “R”, de Resultado, vem antes do “T”, de Trabalho; na vida real o Resultado vem sempre depois do Trabalho. Mas trabalho feito com algum fito, algum método, alguma competência e alguma avaliação. 

24 de agosto de 2017

Sobre o político presunçoso

A presunção é ofensiva, e torna-se repugnante quando é maquilhada com falsa humildade. No político, em Democracia, onde o poder advém do povo, ofende ainda mais.
Nietzsche caracterizou muito bem a presunção: “O que mais devemos prevenir é o crescimento dessa erva daninha que se chama presunção, que arruína toda boa colheita dentro de nós; pois há presunção na cordialidade, na demonstração de respeito, na intimidade benévola, no carinho, no conselho amigo, na confissão de erros, na compaixão por outros, e todas essas belas coisas provocam repugnância, quando tal erva cresce entre elas. O presunçoso, ou seja, aquele que quer significar mais do que é ou aquilo por que é tido, faz sempre um cálculo errado. É certo que ele tem um êxito momentâneo, na medida em que as pessoas diante das quais é presunçoso normalmente lhe tributam, por medo ou comodidade, a medida de respeito que ele solicita; mas elas se vingam asperamente, subtraindo, do valor que até então lhe deram, tanto quanto ele solicitou além da medida. Não há nada que os homens façam pagar mais caro que a humilhação. O presunçoso pode tornar o seu mérito real tão suspeito e pequenino aos olhos dos outros, que é pisoteado por eles com pés sujos. — Mesmo uma atitude orgulhosa devemos nos permitir somente quando podemos estar seguros de não ser incompreendidos e vistos como presunçosos, diante de amigos e esposas, por exemplo. Pois nas relações humanas não há tolice maior do que granjear a fama de presunção; é ainda pior do que não ter aprendido a mentir por delicadeza”.

21 de agosto de 2017

O estranho caso da Terra

Se o leitor é daqueles que acompanha  o processo autárquico com alguma atenção, por certo reparou no insólito: o presidente da concelhia do MPT (Movimento Partido da Terra), Álvaro Lopes, faz duplo papel nestas eleições: é líder local de um partido e candidato noutro, pois que integra a lista de Pedro Pimpão à Assembleia de Freguesia de Pombal, pelo PSD. 
Por via das dúvidas, fica a confirmação de que o MPT sempre concorre à Câmara (com Pascoal Oliveira) e à Assembleia Municipal (com Magda Ferreira) e até à data não há indicação de coligação.
Nós avisámos que estas eleições seriam uma caixinha de surpresas, mas a realidade é que não pára de nos surpreender.
Álvaro Lopes, na apresentação do PSD (em cima) e na entrega das listas do MPT (em baixo)

Política prostituta



Por estes dias, os políticos - e os candidatos a sê-lo - disputam a atenção dos transeuntes com as prostitutas; com uma pequena grande diferença, muito bem captada pelo genial F. Pessoa: “nem vejo nunca um lindo sorriso ou um olhar significativo que não medite, de repente, e seja de quem for o olhar ou o sorriso, qual é, no fundo da alma em cujo rosto se sorri ou olha, o político que nos quer comprar ou a prostituta que quer que a compremos. Mas o político que nos compra amou, ao menos, o comprar-nos; e a prostitua, a quem compremos, amou, ao menos, o comprarmo-la”. 


18 de agosto de 2017

Já não há visita em Vermoil?


Estava tudo convidado para a inauguração visita às instalações do novo Pólo Escolar de Vermoil, marcada para amanhã, quando esta tarde fomos surpreendidos com o cancelamento do evento. Ora, como no facebook do Farpas, esta semana, alguém lembrava que poderia a Junta local estar a incorrer no mesmo tipo de irregularidade que a Câmara, no caso do Louriçal, resta-nos saber se a CNE tem alguma coisa a ver com isto. Das duas uma: ou  a Junta recebeu indicações expressas para não fazer (correndo o risco de ser confundido com aproveitamento e propaganda) ou fica-se pela bênção em modo recatado. First ist First.

Aprender com Arouca

Movido pela curiosidade paisagística e técnico-política visitei os Passadiços do Paiva, no feriado.
As belezas do local suplantaram as melhores expectativas e merecem nova visita, no inverno, para ver o rio correr bravo naquela garganta formada por encostas ingremes de rochedos, e as quedas vertiginosas das cascatas, os sons e aromas dessa época do ano. 
O sucesso e a sustentabilidade do projecto entram pelos olhos dentro: fez de Arouca uma atracção turística durante todo o ano, é economicamente sustentável, tem impacto mínimo na Natureza (as visitas estão limitadas a 2500 pessoas por dia), é revertível (facilmente removível e não deixa mazelas na Natureza).

Mais uma vez se comprova que o sucesso de uma terra depende, acima de tudo, de meia dúzia de boas ideias e da capacidade de as colocar em prática; e não de projectos irrealistas (megalómanos), que não agregam valor e (só) sugam recursos. Arouca é um pequeno concelho rural, no interior norte do país, com 22.000 habitantes, com parcos recursos e fracas acessibilidades, mas atrai mais turistas num mês do que Pombal no ano inteiro. Arouca tem - tal como Pombal - uma serra na rede Natura 2000, que preserva e valorizou com os Passadiços do Paiva. Pombal despreza a sua, deixa-a ao abandono e desqualifica-a com o elefante-branco CIMU-Sicó.

17 de agosto de 2017

Religião e Política

A promiscuidade entre a política e a religião é um traço característico das comunidades atrasadas.
Em Pombal, a política e a religião é um submundo viscoso, pernicioso e vicioso; onde favor compra favor ou favor paga favor.
Há uns meses atrás a câmara atribuiu um subsídio à comissão fabriqueira de Abiúl - Ramalhais.
No próximo fim-de-semana, realizam-se as Festas em de Nossa Senhora da Conceição, no Ramalhais.
A comissão fabriqueira incluiu no programa das festas - em pleno cartaz - a presença presidente da câmara e da presidente da junta.
O presidente da câmara e a presidente da junta acordaram, com certeza, a presença no convívio e farão, com certeza, também, os discursos aos crentes onde anunciarão mais umas prebendas.

E assim prosseguirá, na paz dos anjos, o círculo vicioso.

16 de agosto de 2017

Farpas no top

Anteontem, o Farpas (blog) atingiu o recorde de 6918 visualizações num só dia (foi visto por 6918 IP`s diferentes – por muito mais pessoas porque só conta uma visualização por IP). No facebook, no mesmo dia, o post mais visto atingiu 9282 visualizações
O recorde de visualizações coincidiu com a publicação de dois posts sobre o Louriçal.
Somos cada vez mais lidos, e não é só na cidade… 
Estamos em máximos, e com tendência de subida!

14 de agosto de 2017

Afinal, há oposição

A descarada acção de campanha de apresentação das Obras de Construção do Centro Cultural e do Mercado do Peixe do Louriçal, agendada pela Câmara Municipal de Pombal (CMP) e Junta de Freguesia do Louriçal (JFL), deliberadamente para o dia 14 de Agosto, pelas 18h 30 min, dentro do período de campanha (e das festas locais), foi CANCELADA.
A CMP e a JFL foram obrigadas a cancelar o evento porque a Comissão Nacional de Eleições, na sequência de uma queixa apresentada pelo Bloco de Esquerda, considerou que o evento violava a lei eleitoral.
Haja alguém com coragem para por alguma ordem no regabofe que é utilização de recursos públicos para campanha eleitoral.

13 de agosto de 2017

A privatização das festas do Louriçal


A organização das festas do Louriçal (a cargo de uma espécie de associação criada para o efeito pelo magnata António Calvete) tem vindo a progredir a passos largos na transformação das festas num evento privado, com o apoio da Junta e da Câmara (que contribui com dinheiro nosso para aquilo). Este ano a comissão deu um passo maior na prossecução desse objectivo, ao vedar por completo as festividades. Por exemplo, quem quer ir jantar às tasquinhas (a cargo de colectividades que usam o voluntariado dos seus dirigentes e sócios para servir às mesas e ainda pagam uma bela factura à organização) tem de pagar primeiro o respectivo ingresso (por 4 ou 8 euros por dia, conforme o artista) para poder entrar no recinto. O mesmo acontece com quem ir levar as crianças aos carrosséis, comprar uma fartura ou algodão doce. Nem se percebe por que razão foram as ruas enfeitadas, pois que as despiram de festa, privando o povo de a viver.
Para cereja do bolo, resta dizer que, até hoje, nos últimos quatro anos, ninguém prestou contas de qualquer edição das festas. Calvete diverte-se com os amigos nos bares, os políticos desfilam por lá no dia da inauguração, e enchem as mesas ao jantar. Neste domingo, havia espaço livre à hora de almoço nas tasquinhas, e ruas desertas na vila. Talvez a esta hora o presidente José Manuel Marques já tenha percebido que não há almoços grátis. Ou não.

12 de agosto de 2017

As festas&arraiais vão decidir as eleições


Como os candidatos se limitam a explorar a exposição pública nas festas&arraiais, aposto cruzado contra vintém que as festas&arraiais vão decidir as próximas eleições (quem mais participar nas festas&arraiais mais votos terá, e vice-versa).

11 de agosto de 2017

Onde se dá conta da conversa (azeda) do Príncipe com o Pança

O Príncipe, depois de mais uma noite mal dormida, apresentou-se abespinhado no trono. Ao passar pela donzela do serviço ordenou-lhe que chamasse o Pança; ao que a ela respondeu:
- O Pança está de férias, Alteza.
- O Pança não tem direito a férias. Mande-o vir, e rápido… - ordenou o Príncipe.
- Vou tentar, Alteza – respondeu, com reservas, a donzela.
Mal se tinha sentado, estava ainda a digerir as reservas da donzela, e já esta se apresentava à porta para informar Sua Alteza que o Pança estava a banhos no Sul…
- Ligai-lhe, e passai-mo…- ordenou o Príncipe.
- Assim farei, Alteza – retorquiu a donzela.
Daí a pouco estava a donzela a informar que tinha o Pança em linha. O Príncipe atendeu, e começou inquirindo:
- Por onde andas Pança? Porque vos ausentastes neste momento crítico?
Ao que o Pança respondeu, seguro: - estou de férias, Alteza! Também mereço…
- Um escudeiro, fiel e próximo, não tem direito a férias – deve estar sempre disponível para o seu Amo. Fizeste de propósito, malandro? Perguntou o Príncipe em tom provocatório.
- Credo, Alteza! Não sejais assim comigo... Eu dedico o dever, assim como a alma, primeiro a Deus, depois a Vossa Alteza – afirmou, condoído, o Pança. E acrescentou: mas também preciso de uns dias de bom-passadio com a família...
- Ausentastes-vos e deixastes-me sozinho no período mais crítico – afirmou o Príncipe.
- É por pouco tempo, Alteza – contrapôs o Pança. E o Senhor não está sozinho: tem a sua equipa, os mandatários …
- Não me lembreis coisas tristes… – afirmou o Príncipe - Perdi a confiança nos ministros, e eles em mim; se alguma vez a houve…
- Não acredito... Tenho lido - como é minha obrigação (mesmo em ócio) - os boatos que eles inventam ou reproduzem no sítio subversivo, mas não os levei a sério. Aquilo é só para nos destabilizar. Não valorize, Alteza; o povo está sereno e controlado – é muito fiel ao partido do regime - …- contrapôs o Pança.
- Gostava de acreditar no que me dizeis, Pança; mas não posso: estamos rodeados de inimigos...- afirmou o Príncipe.
- Acreditai-me, Majestade; as coisas estão controladas: a oposição está abafada, e o Inimigo será posto na ordem no momento certo. Deixai-o aos cuidados do meu desprazer – contrapôs, novamente, o Pança.
- Não digas sandices, Pança. Como coisas estão, corro sérios riscos de ser derribado do poder por um velho tonto. Dize-me, Pança: haverá maior humilhação...? – perguntou, afirmando, o Príncipe.
- Não gosto nada de o ver tão inseguro…. É mau presságio…- referiu o Pança
- É a realidade, Pança: os inimigos estão no nosso seio. O que designas por Inimigo é só adversário, e previsível…- afirmou o Príncipe. E continuou: - preciso de ti, aqui, no terreno…Há muito trabalho sujo para fazer, e para esse tipo de trabalho não se encontra facilmente quem o saiba ou o aceite fazer.
- Esta fase é de formalidades…E o Senhor está muito bem apoiado por dois correligionários doutos em leis – afirmou o Pança.
- Enganas-te, Pança: o da propaganda já saltou fora; e no Trincaferros não posso confiar…
- O Senhor não confia em ninguém…Como é que quer que as pessoas confiem em si? – perguntou, afirmando, o Pança.
- Já falaste demais, Pança; e estais no mesmo registo dos outros… Entupíeis-me os ouvidos com palavras que de todo me são insuportáveis. Mas devíeis saber – se não o sabes, já - que te despacho mais facilmente do que aos outros. Faço-te voltar para Contador-de-notas - se eles lá te aceitarem -, e acabo-te com a vida boa …- ameaçou o Príncipe.
- Fazei o que entenderdes, Senhor; já estou, também, por tudo…Esta vida de escudeiro é muito desgraçada e pouco agradecida. E com um amo como o Senhor já vi que nunca chegarei a cavaleiro. O que eu quero mesmo é tornar-me governador do meu condado e fazer-me cavaleiro – concluiu o Pança.
                                                                                                                         Miguel Saavedra

10 de agosto de 2017

Abusos dos autarcas-candidatos e uma sugestão para lhes por cobro

Sempre que nos aproximamos de eleições autárquicas a Comissão Nacional de Eleições, órgão que assegura o regular funcionamento das eleições e das (pre-)campanhas, vê o seu volume de trabalho aumentar exponencialmente.
Como assevera Manuel Carvalho no Público, “O número de queixas que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) recebe por esta altura é um bom indicador da mobilização cidadã e, ao mesmo tempo, a prova de como o abuso de poder, o uso de recursos e de funções públicas para funções partidárias, o sectarismo faccioso e o personalismo caudilhista continuam a contaminar o ambiente em que eleitores têm de fazer as suas escolhas”.
Manuel Carvalho acerta na muche. Os órgãos de administração autárquica têm de cumprir com os seus deveres de imparcialidade e de neutralidade e, por isso, não podem incorrer em atividades que beneficiem qualquer partido político nem qualquer candidatura autárquica. Sobre isto a legislação é cristalina e não deixa sombra de dúvida. Por exemplo, no nº 4 do artigo 10.º da Lei n.º 72-A/2015 consta que a partir da publicação do decreto que marca a data das eleições (no caso das autárquicas 2017 a publicação foi a 12 de maio) “é proibida a publicidade institucional por parte dos órgãos do Estado e da Administração Pública de atos, programas, obras ou serviços, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública”.
Se há por todo o país um lado negro de abuso de poder e autoritarismo caciquista nas eleições autárquicas, esse lado negro não podia faltar aos executivos autárquicos do concelho de Pombal. Num período de 10 dias, de 28 de julho a 6 de agosto, podemos encontrar o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Pombal e cabeça de lista pelo PPD-PSD ao mesmo órgão, Diogo Mateus, em 36 fotografias publicadas na página de Facebook do município. Como seria de esperar, nenhum outro munícipe está tão insistentemente representado na página como Diogo Mateus.
Mas, como se o abuso fosse pouco, o PPD-PSD, por via dos executivos autárquicos que controla, decide dar mais um passo no terreno da ilegalidade e do desaforo e convida os munícipes a participarem na “apresentação das Obras de Construção do Centro Cultural e do Mercado do Peixe do Louriçal, a decorrer no próximo dia 14 de Agosto, pelas 18h 30 na Junta de Freguesia do Louriçal”. O que está em causa é uma verdadeira ação de campanha eleitoral do PPD-PSD promovida com a chancela de duas autarquias locais, a Câmara Municipal de Pombal e a Junta de Freguesia do Louriçal.
Esta forma de atuar destes dois órgãos municipais do concelho, ilustrada tanto pela cascata de fotografias de promoção de Diogo Mateus como pelo convite para a apresentação de projetos de obras, tem objetivos eleitorais que são por demais óbvios e viola a lei e os deveres de imparcialidade e neutralidade dos órgãos da administração autárquica. O pior que podemos fazer é olhar para casos como estes e encolher os ombros, pois estaremos a permitir que do opróbrio aos nossos direitos democráticos se faça regra. A participação à CNE é, portanto, algo que devemos encarar como um dever de cidadania. Sobre estes dois casos já fiz seguir a devida participação. Caso o/a leitor(a) se aperceba de outros atropelos semelhantes, incito-o/a a participá-los para cne@cne.pt, preenchendo este formulário ou ligando para o 21 3923800.

NB: Deixo o meu agradecimento ao Farpas por, nas suas próprias palavras, “abrir a porta do blog à opinião de todos os candidatos autárquicos que entendam partilhar artigos”. Num concelho onde escasseiam meios de comunicação, esta é uma forma do Farpas Pombalinas prestar um serviço público à população do concelho. 

Farpas Convidadas: Gonçalo Pessa (Cabeça de Lista do BE à CMP)

9 de agosto de 2017

Vila Cã: o triunfo das mulheres, a derrota do PS

                                                       foto da Ana Tenente in Pombal Jornal

A freguesia de Vila Cã continua pequena no tamanho e grande em disputa autárquica. Em quatro anos, muita coisa mudou. Maria José Marques (PSD) passou de primeira apoiante de Ana Tenente para principal adversária no acto eleitoral que se aproxima. Ana Tenente, actual presidente da junta, perdeu exército mas volta a batalhar como independente, com o apoio de Narciso Mota. O CDS vai a jogo com Liliana Silva - a jovem e dinâmica presidente da associação local, no dizer da JSD. E o PS, que ainda há oito anos alcançou 40% dos votos, fica de fora. A um partido que quer ser levado em conta como alternativa ao poder exige-se mais do que isso, numa terra em que até os independentes formam listas.

Pergunta indiscreta

Nos últimos quatro anos, quem é que construiu mais muros: Benjamin Netanyahu na faixa de Gaza ou D. Diogo em Pombal?

8 de agosto de 2017

Autárquicas 2017: a virtude está nos extremos


Se as eleições autárquicas servissem apenas para trazer jovens dinâmicos e com potencialidades para a vida política pombalense, já valeriam a pena. Este ano temos a sorte de poder contar com Gonçalo Pessa, candidato pelo BE à Câmara Municipal e (apesar de não o conhecer tão bem e, por isso, me abster de comentar mais) Sidónio Santos, candidato à Câmara Municipal pelo CDS-PP. 

O que gostaria de destacar é o empenho com que ambas as candidaturas se apresentam. Mesmo sabendo que os seus objectivos não passam pela conquista do poder, tanto o BE como o CDS-PP mostram ambição de eleger um vereador e lutam por isso. No caso do BE, a eleição de um elemento para a Assembleia Municipal já seria uma vitória eleitoral. Daí que o partido faça muito bem em assumir a estratégia de promover a candidatura de Célia Cavalheiro ao mesmo nível da candidatura de Gonçalo Pessa. 

Uma palavra final para Gonçalo Pessa. Para além de ser um jovem inteligente e muito bem formado, tem conseguido marcar a agenda política local com iniciativas de grande mérito. Para começar, a apresentação da sua candidatura decorreu num evento de âmbito nacional (o Inconformação 2017, realizado na Escola Secundária de Pombal). Depois, conseguiu trazer a Pombal, no Domingo do Bodo, a líder do seu partido para participar numa iniciativa de pré-campanha. Muitos parabéns; nem todas as candidaturas se podem orgulhar desse feito!

7 de agosto de 2017

Fumo laranja (IV), queimado

Depois de muita revolta e ameaças, D. Diogo (lá) consegui formar lista e fazê-la engolir pelo partido e vereação.
Guilherme Domingues cai do lugar do morto e sai da lista. Há quem diga – no partido e fora dele – que é melhor assim: cair já – mais vale cedo do que tarde. Para o seu lugar foi repescado Pedro Murtinho.
Ana Cabral fica em número dois; contra a vontade de uma boa parte do partido. Ana Gonçalves é desgraduada para a quarta posição, atrás da sua funcionária – mais vale isso, do que nada.
A doce Catarina foi mesmo despachada para o decorativo sexto lugar, e engoliu em seco.

Adenda: a lista do Pedro – essa sim – é uma coisa à-séria, e à-primeira. Da do PS não damos notícia – eles não querem que se saiba!