17 de março de 2020

Tudo vai ficar bem!



Estamos a menos de 24 horas de saber se é decretado o Estado de Emergência no nosso país. Calculo que muito poucos saberão, no concreto, o que isso representa para cada um de nós. Nem eu!

Estando em isolamento social, tenho tido tempo. Tempo para pensar em tanta coisa. Tempo para olhar à minha volta. Equacionar tantas coisas, que eu até aqui, considerava como importantes na minha vida. Continuam a ser, mas deixaram de ser tão importantes.
Uns acham que DEUS nos está a por à prova, outros acham que é a própria Mãe Natureza a falar… não contesto nem uma ou outra teoria, cada um crê no que quiser. De uma coisa eu sei, um “inimigo invisível” fez-nos parar a todos. Pôs o Mundo em alerta e no geral, está a modificar o comportamento das pessoas. Há um sentimento de união, de entreajuda, de solidariedade e de comunidade.


Estamos em “guerra” dizem os nossos responsáveis políticos e o mundo uniu-se contra o inimigo.
Não é tempo de exigir do Estado tudo e mais alguma coisa - e aqui refiro-me a todos os órgãos desde o governo até às juntas de freguesia - porque o Estado somos nós e portanto, cada um terá que ter a sua quota de participação de responsabilidade. Enquanto cidadãos devemos olhar pelos nossos semelhantes, desde os nossos familiares até aos nossos vizinhos, porque todos precisamos uns dos outros.

Sou eternamente grata àqueles que não estão em casa, continuam a trabalhar, desde os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos TSD….) até ao padeiro que não deixa que o pão nos falte na mesa. A solidariedade dos minimercados das aldeias que se mantém abertos e que fazem entregas ao domicílio aos idosos e doentes e tantos, tantos outros…isto é ESTADO, porque ninguém se pode demitir da sua obrigação, até enquanto ser humano.

Acho (e espero) que toda esta crise profunda em que vivemos, nos faça reequacionar as verdadeiras prioridades da VIDA. Porque ninguém vive numa ilha isolada.

Todo o ser capaz de viver isoladamente, ou é um Deus ou uma besta, mas não um ser humano” (Aristóteles)

16 de março de 2020

Última hora

O Convento do Cardal foi, supostamente, invadido por um VÍRUS*. A Polícia Científica foi chamada e esteve no local durante o fim-de-semana.

Aguardam-se informações do presidente da câmara, a todo o momento.

* Adenda: VÍRUS (Hacker; Intruso, ...)

15 de março de 2020

COVID-19 (nós por cá)

À hora a que vos escrevo ninguém sabe quantas pessoas em Portugal serão já portadoras do novo coronavírus. Sabemos o número de casos confirmados, os que estão a aguardar resultado aos testes, os casos suspeitos e os que estão sob vigilância. 
Mas há quem, entre nós, neste pequeno mundinho, acha que sabe tudo. De repente vemo-nos rodeados de especialistas em Saúde Pública, mas também em gestão do território, administração interna, gestão hospitalar, tudo e um par de botas.
Entre os que pedem o fecho imediato das fronteiras e os que apontam o dedo ao Governo 'porque devia tê-las fechado há várias semanas', ficam aqueles que apontam o dedo a tudo. Menos aos medicamentos que hoje estão a tomar e são fabricados na China. Menos ao avião que trouxe o filho de regresso a casa, interrompido o programa Erasmus em Itália. Apontam o mesmo dedo que ainda há dias contava notas aos molhos, sem o lavarem a seguir. O mesmo que deslizavam no ecrã do telemóvel a escolher o destino da próxima viagem. O mesmo que ainda há poucos dias carregava malas nos aeroportos, nas estâncias da neve, nos hotéis e alojamentos, esquecendo-se que, nessa altura, o vírus já se passeava também pelo mundo. 
Entre o chorrilho de disparates que leio nas redes sociais, perdoo quase tudo. Até àquela enfermeira que ontem, na caixa do LIDL, espalhava o pânico nos olhos das duas funcionárias que a ouviam. Sendo até uma questão ética, compreendo que nem todos conseguem ter o discernimento de gerir o seu próprio medo.
Sucedem-se há dias as pérolas como:
"Já há um caso em Almagreira!"
"Não, é na Pelariga".
"Ouvi dizer que é um camionista"
"Há vários casos na Marquês e na Secundária"
"No centro de saúde já foram atendidos vários casos, no hospital também"
"Estão a esconder tudo".
Normalmente são os mesmos que nos mandam áudios apocalípticos via messenger - em que se percebe ao primeiro segundo que é fake. 
Perdoo tudo, mas não a todos. Os políticos desta terra têm obrigação de ter juízo. Ser eleito local não é só ir à Assembleia, dizer umas balelas e levar para casa uma senha de presença na ordem dos 70 euros. É ter  noção do que é causa pública, a responsabilidade social. Encarnar a ordem e a serenidade num momento da vida como nunca a conhecemos. Objetivamente, o que é que ganhamos em agitar bandeirinhas políticas num tempo destes? 
Vamos lá atinar, e começar pelo básico: o Município de Pombal ainda não percebeu que é preciso comunicar com os munícipes, de forma simples e eficaz, em vez de os obrigar a ler um plano de contingência de várias páginas. É certo que está sem gabinete de comunicação há algum tempo, ultimamente transformado em gabinete de propaganda do presidente. Mas o mesmo trio que tem disparado notas à imprensa com apoios e subsídios também poderia comunicar com o público, como estão a fazer as outras câmaras da região, todos os dias e a toda a hora. Informações básicas, curtas, claras e concisas. 
Tudo é mais útil do que espalhar previsões aos milhares no facebook. É a esses que me dirijo em particular, com uma reflexão do Paulo Querido, esta manhã: "Agora imaginem por 5 segundos que o desgoverno de Passos/Portas tinha desmantelado por completo o serviço nacional de saúde, como queriam, com o aplauso daquilo que são hoje a IL e o Chega. Pronto, já passaram os 5 segundos de terror. Só espero que tenham deixado lastro duradouro até às próximas eleições (se o sistema aceitar manter esse luxo)".
À hora a que vos escrevo não há nenhuma cadeia de transmissão em Pombal, nem casos diagnosticados no distrito de Leiria. Não sabemos até quando, pois que todos circulámos por aí nos últimos tempos. Chama-se globalização, e este é um dos preços a pagar. 
Acredito que as autoridades estão a fazer o melhor que podem e conseguem. Que os meus amigos médicos e enfermeiros se vão desdobrar para garantir que o SNS do nosso pequeno país vai dar tudo nesta cruzada. E que cada um de nós, por uma vez, faça o esforço de proteger os outros, protegendo-se. Que o sentido de colectivo é maior que a ganância individual.
Uma nota para os outros pombalenses proprietários de cafés, restaurantes e outros serviços por este concelho fora que preferiram prevenir para não remediar. Há coisas que não deveria ser preciso um Governo dizer-nos, há outras em que - sendo da sua responsabilidade - é inevitável. Ninguém está livre. Mas o medo e o pânico não podem tomar conta de nós, em nome da sanidade mental - da nossa e dos nossos filhos.

13 de março de 2020

Conversa de marretas

A discussão da proposta de apoio ao pedido de atribuição do 3.º ciclo (12.º ano) ao Colégio de Albergaria-dos-Doze, mandada agendar, em cima da hora, por Diogo Mateus, logo aceite e dispensada pela mesa da votação para admissão à discussão (quem pode, pode; e deve ser obedecido), expõe até ao tutano a desonestidade (intelectual), a insensatez, a hipocrisia e a ignorância reinante.  

A assembleia deveria ser constituída por pessoas sensatas, que soubessem raciocinar, e, pelo menos, distinguir o essencial do trivial (do desnecessário, do prejudicial, do nefasto). Mas infelizmente não é isso que acontece. A assembleia está cheia de criaturas entorpecidas de cabeça e joelhos, incapazes de distinguir o realizável da mais extravagante toleima, sempre disponíveis para alinhar com a mais jocosa tontice, e sempre prontos a debitar vulgaridades e senilidades. 

Só criaturas sem dois pingos de honestidade (intelectual), sem meio olho para observar o que as rodeia e sem um neurónio a funcionar em pleno podem defender que Albergaria-dos-Doze e o seu Colégio têm condições mínimas para ter 12.º Ano. Valeu, pelo menos, para ficarmos a saber que estas criaturas acham que os requisitos para leccionar uma turma de 12.º Ano são idênticos aos de (mais) uma turma do 1.º ou 2.º Ciclo. Mas não servem para nos governar. 

Depois, que dizer mais:

- Do presidente, manipulador profissional, que usou a proposta simplesmente como arma de arremesso político para rebaixar ainda mais o PS;

- Do pobre PS que continua sem qualquer pensamento ou orientação sobre as matérias fundamentais - dançou do início ao fim, com evidentes divergências internas, entre a rejeição por razões formais e a concordância com o conteúdo da proposta - acabou destroçado;

- Do ex-deputado, demagogo profissional, semi-teólogo de crenças incredíveis, sempre com a boca cheia de unção, que já tinha obrigação de saber distinguir o exequível do lírico;

- Daquele presidente da junta que só dever ter ido à escola para poder tirar a carta de condução, mas teve o descaramento de amesquinhar o doutor afirmando que o colégio onde estudou se deve ter enganado a dar a notas;

- Do Coveiro-mor do reino que só vai à assembleia para ajavardar aquilo;

- E daquela representante do CDS que parece empenhada em fazer recuar o mundo, que apoiou tudo com o lirismo habitual, e até sugeriu cursos de pastorice como alternativa ao 12.º Ano.

Valha-nos N.ª Senhora da Agonia


E a lei, Diogo?!

Na última reunião do executivo municipal (27-2-2020), Diogo Mateus submeteu à aprovação um vasto conjunto de subsídios às juntas de freguesia, de que destaca, pelo montante e finalidade, um subsídio de 82.600 € à Junta de Freguesia de Carnide.
Como o orçamento municipal não contemplava verba para este(s) subsídio(s) o presidente da câmara pode ter cometido uma irregularidade grave.
Na última reunião  da AM (28-2-2020), Diogo Mateus submeteu uma alteração ao orçamento para reforço de verbas para fazer face aos subsídios já aprovados; desrespeitando a assembleia e forçando-a a aprovar factos já consumados.
Mais grave ainda: os presidentes da junta – parte interessada nos subsídios – aprovaram a proposta, numa clara violação do princípio da independência, que fere de nulidade o acto praticado.
E a oposição alinha com isto tudo, engole e não refila.
Estamos nisto! Num regime sem regra e sem oposição.

12 de março de 2020

Hasta Pública das Escolas – Trabalhar para “Show” ou para aquecer?

A CMP – Diogo Mateus – realizou, no curto espaço de uma semana, duas apresentações públicas da Hasta Pública de Arrendamento de 14 Antigos Edifícios Escolares para Fins de Utilização Turística (alojamento local). 

Depois de conhecido o conteúdo das apresentações, o público presente e convidado, e o conteúdo do procedimento do concurso, custa a compreender o que é que a câmara pretende com isto: simples propaganda ou trabalho para aquecer?

Nas apresentações estiveram os presidentes de junta, meia dúzia de funcionários da autarquia e meia dúzia de curiosos, que saíram de lá mais desiludidos do que entraram.  

O procedimento do concurso é uma teia burocrática digna de quem está leiloar a última maravilha na Terra. Para serem admitidos a concurso os candidatos terão que apresentar um vasto conjunto de documentos (registos criminais, registo comercial, certidões comprovativas da situação tributária e com a segurança social) e licitar um valor igual ou superior ao valor mínimo definido para cada edifício (50 €/mês para edifícios com uma sala; 75 €/mês para edifícios com duas salas; 100 €/mês para edifícios com três salas). Isto tudo, só para ser admitido à Hasta Pública. Depois, os candidatos admitidos poderão participar na hasta pública com a licitação a iniciar-se pelo mais elevado dos valores apresentado nas propostas dos candidatos admitidos, sendo os lanços subsequentes no valor mínimo de 10,00 €. O edifício será arrematado pelo proponente que haja licitado o valor mais elevado. O contrato de arrendamento de cada um dos imóveis será celebrado no prazo máximo de 30 dias a contar da data da adjudicação definitiva, pelo período de 25 anos, automaticamente renovável por períodos sucessivos de 5 anos.

O adjudicatário deverá prestar caução equivalente a 2 rendas mensais correspondentes a cada um dos imóveis a arrendar. E terá que suportar os custos das obras necessárias; o que exige investimento avultado devido à realocação a uma actividade totalmente diferente e ao elevado estado de degradação dos edifícios. 

Por outro lado, os edifícios situam-se em lugares com atractividade turística nula, ou menos que nula (Carvalhal, Zambujais, Gesteira, Almezinha, Tissuaria, Barreiras, Cavadas, Torneira, Outeiro, Silveirinha Pequena, Alhais, Ladeira, Barrosa, Roubã).

Dificilmente a câmara atrairá mais candidatos do que o número de sessões de apresentação que realizou. Bem sabemos que ideia, atendendo à realidade local (fraco dinamismo económico, fraca atractividade turística, fraco apoio da autarquia, etc.), tinha pouca viabilidade. Mas a câmara – Diogo Mateus - parece teimosamente empenhada em matar à nascença ideias que bem encubadas e apoiadas poderiam resultar. Nunca desta maneira.

PS: Uns recebem escolas de borla, a câmara faz as obras e atribui subsídios regularmente para a manutenção e almoços; outros são aliciados para um investimento elevado sem potencial de retorno).

7 de março de 2020

A paridade e a cultura à moda de Pombal



Já sabíamos de como D. Diogo gosta de nivelar por cima, nas suas escolhas. E por isso foi sem surpresa que o ouvimos anunciar o elenco para a comissão de honra da rede cultura 2027, também conhecida pelo povo como candidatura e Leiria a Capital Europeia da Cultura - que para ter coro juntou à festa outros 25 municípios. Se é para fazer número, eis-nos aqui.
De modo que as escolhas de Diogo Mateus não poderiam ser mais abalizadas, depois de (mui democraticamente) ouvida a Câmara. É tudo gente de reconhecido mérito cultural, profundamente conhecedora do que se faz por cá (pelo país e pelo mundo, também) a esse nível. A média de idades estraga-se ali pelo guitarrista João Silva, mas isso é compensado pela partilha de saber que os restantes pares serão capazes de lhe assegurar. 
Já a paridade...que maçada, Fernanda Domingos. Ouça o sábio presidente, que felizmente  nesta sessão de comédia municipal soube dispor-bem todas as senhoras de sua corte. Ele não disse, mas dizemos-lhe nós: ele já tinha na manga a compensação para esse ligeiro deslize mundano: a Câmara (em parceria com a Junta) vai apoiar uma sessão organizada pela APEPI, ao serão de segunda-feira, subordinada ao tema "A Mulher e a Cultura", no Café  Concerto, no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Vê? Está resolvido. 

4 de março de 2020

Onde se dá conta da hasta pública das escolas do reino, e de outras coisas

Ontem, ao final do dia, o Príncipe entrou na sala grande dos paços, meio composta, com algum atraso, e com cara mais de desgovernado, que de governador, para fazer a apresentação da hasta pública das escolas do reino, mandadas construir pelo estadista de Santa Comba Dão.

A sala encontrava-se meio composta, ou menos de meia, o que desagradou ao Príncipe, o que se percebia pelo nervoso miudinho do Pança. Mas que quer ele, deve ter pensado o Pança, com tanta baixa nos serviços, e no seu gabinete - sem ovos não se podem fazer omeletes.

Eram esperados representantes de diversas entidades, figuras mui principais, fidalgos galantes, burgueses abastados, escribas de cá e de fora. Mas não apareceram. Marcaram presença a marquesa Prada e o ministro (des)Humano, os regedores do reino, um ou outro escrivão da casa, um ou outro mordomo, a porteira e este mal-visto escriba. O Pança recebeu todos com a honra e a cortesia que lhe é característica. 

O Príncipe, depois de obsequiar os presentes com votos de boas-vindas, embalou para uma arenga mui elaborada sobre as miudezas em causa e sobre as potencialidades do reino para atrair visitantes e capitalistas. A seguir, interveio um pajem da corte, rapaz mui sabedor e de muito crédito na arte de atrair pés-descalços, que se esforçou, com o jeito que o Senhor lhe deu, para insuflar esperança e confiança num futuro risonho aos que se quisessem aventurar a viver da riqueza dos ditos. 

Apesar do grande fastio e vagar da coisa, os regedores do reino aparentavam contentamento, talvez por verem nesta cartada a solução milagrosa para o ressurgimento dos seus condados. Um ou outra curiosa quis saber quem suportaria o investimento em edifícios muito degradados; coisa de somenos para o potencial da coisa, atestaram o perito e o Príncipe, e apontaram um ou outro caso de sucesso em condados vizinhos.

À parte do evento propriamente dito, muito estranhou este pobre escriba, que segue com muita curiosidade e interesse as intrigas, as invejas, as traições, os jogos de poder e de saias, deste malfadado reino, e as leva quentes aos seus leitores, que a marquesa Prada, ministra do reino com o pelouro do Turismo e afins, senhora licenciada e de muito bom saber nas matérias da atracção de visitantes, da cultura e das técnicas de venda, não tenha participado na apresentação da referida hasta, e tivesse sido remetida para um indigno lugar no meio do público. 

No final do evento, quando todos trocavam comprimentos e se despediam, este pobre escriba abeirou-se discretamente do Pança, e, por entre os dentes, perguntou-lhe: “já foram retirados os pelouros à marquesa?”. Ao que o Pança respondeu, também por entre os dentes: “que eu saiba ainda não”. Por onde vai partir a coisa?
                                                                                                  Miguel Saavedra

2 de março de 2020

O (falso) democrata

Na última sessão da AM, o Pedro puxou pelo seu talento eminentemente retórico para, num exercício de hipocrisia política, induzir a assembleia a tomar a sua (do PSD) tramoia (validade da sua moção e a rejeição da admissão das outras) por boa acção.

Surpreendentemente ou talvez não, o Pedro não interveio na polémica discussão sobre a admissibilidade das moções nem da sua própria moção, porque sabia que o sucesso da tramoia estava garantido - contava com o seu “rebanho” e com o fanatismo da presidente da assembleia. Por isso, o Pedro resguardou-se para a honrosa tarefa de dissimular a tramoia e capitalizar o sucesso. A outros podemos desculpar o desconhecimento de princípios democráticos elementares, mas ao Pedro, que estudou Direito e estagiou uma década na Casa da Democracia, não. O Pedro tem obrigação de saber que a democracia não é o poder da maioria, não é o desrespeito pelas regras e pelos acordos, não é o esmagamento da oposição pela maioria.

Bem sabemos que em Pombal está instalada uma ditadura da maioria, que se aprofundou com a eleição dos actuais presidentes da câmara e da assembleia, mas vir defender atropelos às regras e a princípios democráticos elementares com o argumento do poder da maioria é um exercício de hipocrisia política, próprio de ditadores mascarados de democratas.

1 de março de 2020

Vergonha alheia





A presidente da Assembleia Municipal de Pombal há-de chegar ao fim do mandato sem os mínimos olímpicos para o desempenho da função. Fernanda Guardado é um caso perdido na política: confunde a nobreza do órgão com uma reunião do partido, é sectária militante, usando sempre dois pesos e duas medidas - quer se trate do PSD ou de outro partido qualquer. Só não destoa mais porque a maioria que constitui aquela Assembleia acompanha-a na perfeição - também não sabe muito bem o que está ali a fazer. 
Há, no entanto, noções básicas de respeito pelos outros que não existem para uns quantos. A forma como o vereador Pedro Murtinho goza com a deputada Célia Cavalheiro (BE), servindo de batuta para  a bancada do seu partido, é gritante. Para quem transpira cera por todos os poros exigia-se um bocadinho mais no tratamento do próximo. 
Acresce que o voto de repúdio era sobre os actos racistas que ocorreram recentemente no futebol português. Estando ali um campeão da felicidade (e dos relvados) como Pedro Pimpão, era expectável que ao menos fizesse de conta. Para quem cita Nelson Mandela mais adiante...é pouco. Até se compreende que nalguns deputados (como aquela sumidade política do oeste que se chama Rui Acácio, a jovem-promessa-do-CDS-Chicão Liliana Silva, mais um ou outro personagem) não dê para mais. Para quem anda na linha da frente...é poucochinho.

Mas voltemos às questões práticas de funcionamento de uma assembleia. 

1. A mesa não tem que opinar sobre a natureza dos votos, propostas ou moções. Na versão integral do vídeo vemos Fernanda Guardado desvalorizar o voto de repúdio ao racismo, dizendo mesmo "aqui todos condenamos esses actos". Pois, pois. Viu-se. 

2. O facto da dúzia de mulheres que integra a AM não querer, sequer, discutir a importância da greve feminista de 8 de Março, é reveladora do ponto em que estamos, em Pombal. Ah esperem...a proposta não veio (como não poderia vir) do PSD. 
Sobre a segurança, a demagogia de uns e outros, falarei mais tarde, em post próprio.

3. É perfeitamente discutível a pertinência de cada um dos temas, e a consequente inclusão das moções  na ordem de trabalhos, em cima da hora. Carlos Lopes (PS) recordou uma reunião de há um ano, de que pelos vistos todos se esqueceram. Até o PS, em reuniões passadas, quando alinhou com o PSD em moções de defesa do dono (dos colégios, quero dizer).   
De resto, as imagens falam por si. Servirão para memória futura, e para que tantos e tantas que elevaram em sucessivos mandatos o nível da Assembleia Municipal de Pombal...dêem voltas no túmulo.

Liberalização da ignorância


O que leva Diogo Mateus afirmar, até de uma forma reiterada, de que o consumo de drogas foi liberalizado? Mais, reforça que isso se deve por culpa da esquerda.  Será por desconhecimento da lei, ou haverá aqui uma intencionalidade política ao continuamente proferir inverdades? Seja qual o motivo, é grave. É grave que um licenciado em direito desconheça a lei; é grave porque é o próprio Presidente da Câmara que tem como umas das suas bandeiras a Educação, que insiste em afirmar que o consumo de drogas foi liberalizado! Não foi liberalizado, foi descriminalizado! Ou seja, perante a lei deixou de ser crime, mas não deixou de ser ilegal e portanto sujeito a pena. Por outro lado, o tráfico continua a ser crime e todas as questões de (in)segurança e denuncias das situações que ocorrem à porta das escolas tem a ver com tráfico e aliciamento a consumo.
Para alguém que gosta sempre de se dirigir aos outros como impreparados, que não estudam as matérias, em que é que ficamos?

29 de fevereiro de 2020

Mais renúncias

Manuel Barros, eleito pelo NMPH, e Ricardo Ferreira, eleito pelo CDS, renunciaram ao mandato.
Em Pombal, a degradação da Política é evidente - as reuniões do executivo e da assembleia municipal atestam-no. O nível é já sofrível. Estas renúncias rebaixam-no ainda mais.

PS: a falta de nível da presidente da AM até nestes pormenores (por maiores) se vê.


28 de fevereiro de 2020

Alerta CMP: o coronavírus e o 'delegado' de Saúde



Pára tudo, que o doutor Micael está atento a esses irresponsáveis do Ministério da Saúde e da DGS. 

Ele não quer ser alarmista mas está alarmado.

Ele não quer meter política nisto mas tudo lhe serve para tentar a aproximação à maioria, e ao PSD.

Ele tinha 'outros assuntos' mas o que importam as miudezas do concelho quando o país precisa dele?

A doutora Odete e as suas questõezinhas

O senhor presidente tinha acabado de responder à questãozinha sobre os migrantes, e de agradecer à doutora Odete a questãozinha por ela colocada numa anterior reunião; para, logo de seguida, a doutora Odete apresentar mais três questõezinhas, e agradecer, no final, a resposta do sr. presidente à questãozinha sobre os migrantes. 
Definitivamente, a doutora Odete é o bombom do doutor Diogo.


23 de fevereiro de 2020

CMP entrou para Guinness

O gabinete de propaganda da CMP publicou na página do município no Facebook 81 fotografias dos vereadores&afins, no desfile de Carnaval. Não é engano, caro leitor; não são 8 nem é 1, são mesmo 81! É recorde mundial!

Agora diga-nos, caro leitor: há vereadores mais risíveis que os da CMP? E qual lhe parece o mais risível? E a mais fofinha?



22 de fevereiro de 2020

Siga a folia

Que a política são dois dias e o Carnaval três! E vale mais votos que obras.


PS: Pelo menos, os funcionários da câmara tiveram, finalmente, um dia de sossego!

20 de fevereiro de 2020

Negócios

A Câmara Municipal de Leiria (CML) convidou Carlos André, ex-Professor de Letras (na UC) e ex-governador Civil de Leiria (pelo PS), para elaborar a Estratégia 2030 de Leiria. O documento custará 35.000 € à autarquia; e ajudará esta, supostamente, a “resolver problemas instalados e tendências verificadas”, “prevenindo o impacto das mudanças disruptivas” como “as exigências decorrentes das grandes alterações tecnológicas em curso e as provenientes das alterações climáticas” – in RL. 

Independentemente da reconhecida competência de Carlos André como professor de letras, não lhe é reconhecido conhecimento técnico, experiência e competência na área do planeamento estratégico territorial. Por conseguinte, é estranho - ou talvez não - que se entregue, tão levianamente, tarefa tão exigente e complexa a uma pessoa sem provas dadas na matéria, nomeadamente quando na terra existem empresas especializadas na matéria e o Instituto Politécnico de Leiria, que todos o políticos gabam, com grupos de estudo na área e com metodologia e técnicos habilitados para o efeito.

Marcelo Caetano definiu – bem - o seu mandato como “evolução na continuidade”. Na verdade, o país da falsa moral, do caciquismo e do clientelismo político, retratado pelo Eça e pelo Ramalho nas Farpas, nunca nos abandonou. O regime pode mudar profundamente, de monarquia absolutista para monarquia constitucional, de república para ditadura, e de ditadura para democracia, que a instrumentalização e a veniaga política não mudam. E a ética republicana, passado um século, continua ausente.

18 de fevereiro de 2020

AOS SEUS LUGARES…PREPARAR…


O atletismo é cruel para com os atletas que se antecipam aos seus adversários. Uma falsa partida é punida com a desclassificação do atleta que a protagoniza. Na política acontece exactamente o contrário. Quem se deixa antecipar, em norma, perde a corrida.
Na corrida para as eleições autárquicas de 2021, um dos “atletas” não necessita de se antecipar aos demais para levar vantagem: O poder vigorante. Quer seja um ou outro candidato, a sua supremacia é por demais evidente: O nosso concelho é congenitamente laranja e o “doce aroma” do poder facilita a constituição das diversas listas.
Em contraponto, os “pretenders” têm uma missão duplamente espinhosa: Enfrentam a natural resistência à mudança e a (também natural) indisposição de muitos para “dar a cara” contra o “status quo” instalado.
Talvez uma jogada de antecipação pudesse produzir resultados. Já sabemos o desfecho das candidaturas apresentadas “em cima da hora”. Será que desta teremos gente a avançar corajosamente antes do próximo Verão e assim organizar condignamente o combate? Ou assistiremos ao tradicional (e conivente) comportamento “cábula” de estudar na véspera do exame?
Aos seus lugares...preparar…AO TRABALHO!!!

15 de fevereiro de 2020

Se a Greta Thumberg visitasse Pombal...


Se a Greta Thumberg visitasse Pombal naturalmente seria consistente com as suas afirmações com a necessidade de investir em energia renovável.

Provavelmente iria sorrir ao olhar para o parque e
ólico da Serra do Sicó, possivelmente o maior investimento em energias renováveis no Concelho e também porque esse investimento não obedeceu às regras de mercado mas por uma aposta nas energias renováveis que justifica em parte a nossa conta de electricidade elevada. 

Iria talvez questionar sobre o reforço da frota de transportes do Município, nomeadamente o orçamento aprovado para o novo autocarro para substituir o actual já com 16 anos e o reforço de 5 novas viaturas para a rede POMBUS com o valor previsto de 450.000. Franziria o sobrolho e questionaria se não seriam eléctricos ou a hidrogénio.

Iria certamente perguntar sobre as 100 bicicletas anunciadas em 2011 para que pudessem ser usadas na ciclovia então inaugurada.

Mas em 2020 não iria questionar certamente sobre os recursos hidrográficos. Claro que não. Claro que 2020 a questão da poluição do rio Arunca e das ribeiras do Concelho nem seria um assunto... mas é...

A ausência de fiscalização e de saneamento básico na grande maioria das habitações faz com que esgotos de empresas e domésticos lá vão parar. 

É que alguém convence o Sr. José (nome fictício) que tem que pagar 60 para o camião da PMUGEST ir lá a casa vazar a fossa? É que fica mais barato ligar ao tractor que não se sabe bem onde vai descarregar... Ou então usar a bomba eléctrica e mandar para a terra... mais fácil ainda é abrir uma ligação directa ao ribeiro e quando chove mais... ninguém nota...

Facto é que aquelas memórias de dar um mergulho no ribeiro eram bonitas... mas agora nem o pé lá mete... e não deixa que os netos o façam...

Como a Greta se preocupa com questões estruturais, valham-nos os nossos "Gretas" como o Sr. Ramiro Silva que denunciou mais uma situação deixando esta foto no parque de merendas da Ilha no ano passado... Até à data não se conhecem consequências...

Num ano em que se anunciaram 6,4 Milhões de Euros para saneamento básico é bom lembrar que o saneamento básico é considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como direito humano universal desde 2015. Seria de bom tom que, enquanto não existisse saneamento básico, o serviço de limpeza das fossas domésticas fosse gratuito e garantido pelo município.