31 de janeiro de 2025

A “Junta

 A “Junta” voltou a reunir, ontem. Do que falaram? De ninharias, de queixas de comadres, e de banalidades. Ah! E aprovaram uns subsídios - muitos…



Não há nada mais aborrecido que ver gente comum, absolutamente comum, sem nenhuma ideia pessoal, sem nenhum talento e sem nenhuma faculdade especial a cumprir rotineiramente uma tarefa naturalmente exigente, sem brio e sem espírito.

Por conseguinte, é difícil trasladar aquilo para palavras. Como é difícil perceber o que vão para ali fazer certas criaturas. Há coisas sobre as quais não só não se pode falar com inteligência, mas é até falta de inteligência falar sobre elas. Seria melhor acabar com aquilo, apagar a luz ou não dar a ver aquele espectáculo fastidioso – nada mostrar.

As circunstâncias não fazem o indivíduo, apenas o revelam no seu esplendor. Por comparação, o que melhor ali surgiu foram as três intervenções do público.

29 de janeiro de 2025

Chega aposta forte em Pombal

Gabriel Mithá Ribeiro, militante e deputado do Chega, eleito pelo círculo eleitoral de Leiria, será o cabeça de lista do partido à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano. A decisão ainda não foi divulgada pelo partido, mas o próprio já deu conhecimento da sua candidatura a algumas forças vivas do concelho.



A escolha desta figura nacional, sem laços à terra, mostra que o partido aposta forte em Pombal e que não possui uma figura local capaz de fazer um bom resultado.

É um desafio para o próprio, e uma ameaça para as outras candidaturas.   

24 de janeiro de 2025

É o progresso, estúpido!




Um corte com o passado marcou o arranque desta semana numa das ruas mais movimentadas de Pombal. Não, não foi só um corte com o passado. Quando as máquinas entraram pela antiga propriedade da família Vieira, encostada à unidade de saúde do São Francisco, arrasaram com uma parte importante do património arquitectónico da terra. Para os vizinhos, foi uma dor de alma. Talvez não tão grande como aquela que terão quando começar a erguer-se o edifício multifamiliar constituído por 43 (!) fogos, um condomínio fechado. Por ora, quem passa na rua Carlos Alberto Mota Pinto apenas pode admirar o lixo. 
A propriedade é grande. Quando olhamos para a floresta à procura da árvore (que é como quem diz para as imagens do Google), há (havia) um pulmão verde naquele nº 120, contrastando com o betão que cresce e se multiplica. 
Quando nos abeiramos da futura obra, só há máquinas e entulho. Aguardamos a todo o momento que lá seja colocado o respectivo aviso, para que toda a gente saiba aquilo que a Câmara decidiu, a escassos dias do Natal passado: um despacho que o vereador Pedro Navega assinou, em nome do presidente Pimpão, em consonância com o parecer de outro arquitecto, o chefe da Divisão de Obras Particulares, Júlio Freitas. Como Pombal é uma terra pequena e isto anda sempre tudo ligado, o promotor do empreendimento é também um velho conhecido dos meandros autárquicos: o engenheiro Sérgio Leal, ao leme da empresa B30 - Construção Civil e Obras Públicas, Lda. 
Ora, se há coisa de que Pombal precisa é de prédios. De prédios novos, de preferência deitando abaixo casas antigas. 
Nos anos 90 esta cidade tinha uma Associação de Defesa do Património (Cultural), que nestas alturas bem falta nos faz. Mas o progresso não se compadece com lérias, tão pouco com saudosistas. 
Esta é a era das smart cities, da dinâmica do território, e de quem tiver as unhas mais compridas para tocar guitarra. Avancemos, sem pudor. 

23 de janeiro de 2025

Crónica de uma reunião meio encoberta

A “Junta” reuniu na passada quinta-feira. Mas nem o presidente nem gabinete da propaganda divulgaram a dita. Perdemos há muito o interesse pelas reuniões da  “Junta”, mas a ausência de propaganda acicatou a curiosidade…



Na dita reunião, não transmitida, o Pedro fez aprovar um empréstimo bancário no montante de 9 854 000 €  - o dobro da dívida bancária de longo prazo herdada dos seus antecessores. O Pedro justificou o avultado empréstimo com a necessidade de realizar investimentos, nomeadamente nas descabidas promessas eleitorais (por exemplo, nos parques verdes nas freguesias). Mas percebe-se que se destina a dar asas ao seu despesismo, em ano de eleições.

O concelho precisa de muita coisa, mas não pode nem deve desbaratar recursos, sempre escassos, em benfeitorias de fachada que só dissipam meios e geram despesa (re)corrente. Para estas deveriam chegar os abusos que se cometem no acesso indevido aos fundos comunitários, recorrentemente desbaratados sem propósito e sem critério.  O crédito bancário - sempre oneroso – é uma decisão complexa e de último recurso, justificável quando não se dispõe de meios próprios para responder a uma necessidade premente ou a uma oportunidade (rentável), após rigorosa e ponderada avaliação da relação custo-benefício. Esporadicamente, também se justifica/impõe para resolver problemas ou rupturas de tesouraria, como parece ser o caso... A acção política do Pedro é um jorro dissipador de recursos como se não houvesse amanhã, que seria, em grande parte, inócua se lhe retirassem a capacidade de contrair dívida e de fazer despesa extraordinária. Como actualmente isso não parece possível, restará a possibilidade de tirá-lo do poder. Mas parece que amanhã ainda não será a véspera desse dia… 

Convém, no entanto, recordar que o Pedro recebeu a câmara numa situação económico-financeira invejável, fruto de abordagens prudentes, centradas no essencial e no controlo da despesa, geradoras de resultados sempre positivos. Mas bastou comutar para o modo despesista, focado no acessório e no folclórico (festas e diversão), para se passar de explorações positivas para um resultado líquido negativo de 3 600 mil euros, em 2023 - último conhecido.

O Pedro é um bom-rapaz, mas muito impreparado e insensato para este campeonato, porque não distingue o acessório do essencial, confunde despesa com investimento, acção com estratégia, prioridades com desejos. O que o leva a fazer escolas onde não há crianças, e a não as fazer onde as há (crianças); o que o leva a plantar árvores onde as há a mais (somos um dos concelhos com a maior mancha florestal), porque acha que assim se liga à natureza, quando o esforço deveria ser colocado no seu desbaste; o que o leva a fazer parques verdes onde não falta verde - verde do melhor, verde natural -, em vez de cuidar dos pequenos núcleos urbanos das freguesias, etc. etc., etc.

Com o Pedro & C.ª esta terra nunca encontrará seu ideal. Salva-se quem gosta do natural.

18 de janeiro de 2025

O médico Fernando Matos é o candidato do PS à Câmara


 

O PS de Pombal aprovou esta tarde, por unanimidade (e presumível aclamação), a escolha do médico Fernando Matos para candidato à Câmara Municipal de Pombal, nas eleições autárquicas deste ano.

É um nome forte e uma cartada bem jogada, talvez a melhor dos últimos 30 anos. Porque é um nome conhecido e respeitado na praça, porque o efeito surpresa joga sempre a favor nestas coisas.

Fernando Matos viveu na sua bolha da saúde, entre o público e o privado, e chega a esta idade sem qualquer envolvimento político na terra (e fora dela). É sempre estranho quando isso acontece. Mas como vivemos o tempo do sebastianismo - veja-se o caso do Almirante para a presidência da República - pode ter aqui as condições ideais para singrar. Os próximos tempos ditarão até que ponto esta aparição vais ser suficiente para curar o PS, mas tem pelo menos o condão de se fazer respeitar, enquanto candidato, pelo adversário hegemónico que é o PSD. E isso já é bastante. 

Posto isto, abram alas para o senhor doutor. Hoje o PS pode acender os incensos todos, porque este número já ninguém lho tira. 

15 de janeiro de 2025

Coisas de Pimpão, coisas de Rabadão

Consta que o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) quer deslocalizar os cursos de formação superior em Desporto para Pombal. Se há coisa de que o país não precisa é de mais escolas superiores. Mas continuamos a ser desgovernados por políticos e dirigentes que não sabem estudar os problemas nem priorizar a acção, uns por desconhecimento, outros por falta de seriedade.



Sabe-se que num país pequeno e pobre, como este, com variada e difusa oferta educativa de nível superior, é muito difícil e custoso erguer e consolidar uma nova escola de ensino superior. Nas últimas décadas surgiram pelo país escolas superiores como cogumelos no Outono, sem obedecer a qualquer critério racional de utilidade ou viabilidade. A maioria vegeta pelo país, sem passado que as recomende, sem presente que as justifique e sem futuro algum, sorvendo recursos públicos, sempre escassos, sem retorno palpável.

Apesar de tudo, Leiria é uma honrosa excepção; conseguiu com o esforço e a dedicação de muitos erguer um instituto que oferece alguma formação de reconhecida qualidade e com valor para a região e país. Mas o trabalho não está concluído nem consolidado em várias áreas/cursos. Por conseguinte, fragmentar a escola sem a consolidar, não por razões de necessidade de expansão ou de interesse público, mas por simples motivações e interesses particulares - arranjos políticos – desligados de qualquer política ou resposta educativa é um péssimo serviço que se presta ao IPL, à região e ao país.

Estamos perante um devaneio ignóbil, que desbarata avultados recursos públicos e compromete a consolidação do IPL, na forma de favor político destinado a satisfazer a vã glória do “nice to have”. 

8 de janeiro de 2025

Novos protagonistas, velhos hábitos


 Na última reunião da Assembleia Municipal, o JAS (vulgo João Antunes dos Santos, que se gerou há 9 meses deputado da nação) personificou aquilo que o PSD local tem de pior: aquele prazer sobranceiro de menosprezar os adversários, típico de quem prefere ser forte com os fracos e fraco com os fortes. 

Julgava eu que esse era um método passado. E sendo o nosso deputado um rapaz moderno (mesmo que disfarçado de velho), que acompanha com quem defende a igualdade e outros valores, era de esperar que tivesse outros princípios. Só que não. Num rasgo de pedantismo bacoco, decidiu entrar a pés juntos com a representante do Oeste Independentes, Liliana Oliveira, que pela primeira vez participava numa AM. Seria de esperar, pois, que - até por uma questão de educação - fosse (bem) acolhida pelos seus pares. Mas um jovem deslumbrado é sempre um jovem deslumbrado até crescer. E assim se explica a intervenção de JAS (ensaiada tantas vezes com as mulheres da bancada do PS, e outrora com a do Bloco de Esquerda), com o aval do resto da sua bancada, que acha uma certa piada a este tipo de desconsideração. 

Atente-se que o argumento "político" assentava no facto de Liliana (que preside à Assembleia de Freguesia do Oeste, e já provou várias vezes não ter medo de quem rosna) levar uma intervenção escrita, supostamente feita por outro(s). Está bem de ver que Joãozinho se viu ali ao espelho: quantas vezes foi para a AM com cábulas da concelhia, quantas vezes terá feito cábulas para os outros. Lembramo-nos todos das intervenções de tantos eleitos do PSD (mal lidas, por serem alheias), elogiosas do sexo dos anjos e da plantação de orquídeas na Amazónia. 

É o que temos. E é com isto que vamos ter de lidar no futuro. 

Os jogos de rabo de saia dão gozo próprio, mas fazem estragos

Os códigos de conduta das grandes empresas, nomeadamente das cotadas em Bolsa, prevêem regras apertadas para os relacionamentos entre administradores e subordinados(as).

Na GALP, na semana passada, uma denúncia anónima fez chegar à Comissão Ética e Conduta um relacionamento íntimo e encoberto entre o Presidente do Conselho de Administração – Filipe Silva - e uma directora. A comissão chamou o Administrador para ser ouvido com urgência. A audição ocorreu ontem, com o administrador a assumir o caso e a apresentar a demissão.

As organizações confiáveis, que se preocupam com a ética e o ambiente saudável, cortam pela raiz os vícios de conduta que geram promiscuidades, conflitos de interesses e estragos de vária ordem. As autarquias, onde estes vícios proliferam e medram com facilidade redobrada, deveriam prevenir e tratar estes vícios de forma exemplar. Mas não o farão. O poder é afrodisíaco e o deslumbramento é leviano.

30 de dezembro de 2024

O PS local e a Saúde

A recente concelhia do PS Pombal "decidiu" fazer da vasta temática da Saúde um cavalo de batalha da sua acção política. A decisão tem tanto de problemática como de desastrada - coisa de fugir…



Há vinte e tal anos, expliquei pormenorizada e - julgo – convincentemente que a temática da Saúde nunca deveria ser um eixo de acção política concelhia. E nos anos seguintes não o foi. Mas a concelhia do PS há muito perdeu a memória e o tino, atributos indispensáveis para poder ter algum sucesso.

O recente comunicado da concelhia sobre a exoneração do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria marca uma posição e um estilo -, um pavoroso ridículo que só acrescenta descrédito. 

20 de dezembro de 2024

AM, que balanço?

Em boa hora o Professor aceitou presidir à Mesa da Assembleia Municipal de Pombal. E ainda bem que a sua entrada na política pombalense coincidiu com a ascensão dos Pimpões ao poder. Se tal não tivesse acontecido, a política local ter-se-ia degradado ainda mais, talvez irreversivelmente, e não se perceberia que a acção política exige preparação e decência. Quem quiser assistir às 8 horas da última reunião da AM, ontem realizada, perceberá ao ponto que chegámos, e poderá imaginar o que seria daquela assembleia magna sem Mota Pinto naquele lugar.



Nos fenómenos sociais é sempre difícil perceber se um determinado estado, ou estágio, é causa ou consequência de outro. Na política pombalense poderá ser difícil perceber se a classe política que por cá vegeta é causa ou consequência da estagnação e do declínio do município e da paralisia da câmara (se exceptuarmos as festas e eventos). Mas colando os múltiplos actos e papelinhos da longa reunião, a maioria das pessoas poderá formar uma opinião fundamentada sobre o estado a que chegámos. Da minha parte direi só que me continua a intrigar como foi possível os Pimpões ascenderam ao poder e tornarem-se figuras proeminentes da política local.

Se um Pimpão faz muito mal à Política, dois Pimpões fazem muito pior. Até porque são duas faces da mesma moeda: muito diferentes e muito iguais.

O João julga-se um tribuno, mas é um tambor - uma coisa cilíndrica que faz muito barulho, mas é vazio por dentro. Fala, fala, fala, mas não sabe o que falar quer dizer… Quando diz sandices e obscenidades, como as que disse sobre as representantes do PS, não o faz por amor à palavra indecente, não o faz pelo prazer de dizer obscenidades, mas simplesmente por um costume desprezível que se tornou quase uma necessidade. Mas o pior nem é o que diz, é a insuportável grosseria e os modos brejeiros que exibe quando alguém do PS fala antes ou a seguir a ele. Ostenta uma incontinência físico-mental que nem o presidente da mesa consegue conter, apesar das constantes repreensões.  Pega-se frequentemente com o dotor Coelho por tudo e por nada. Já era tempo de este lhe responder como respondeu Cícero a Catilina, “Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?”

Mas apesar de tudo, o caso do Pedro é mais preocupante porque provoca mais danos. Os danos da cultura de mediocridade perdurarão, por muito tempo, na urbe. Não se consegue vislumbrar um acto de excelência ou uma expressão galvanizadora no Pedro. É um pregador do optimismo vazio, da fantasia pimpona e da lisonja fácil, que abusa sistematicamente do superlativo e do pomposo, que abastarda a linguagem e contrafaz o discernimento em benefício próprio. A exaltação que fez dos méritos (capacidade organização e gestão) do Director Municipal ultrapassou o ridículo. Aplica-se aqui bem o célebre raciocínio de Freud, quando sabiamente disse, “quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo (Agostinho, neste caso). Na verdade, não ficámos a saber mais de Agostinho, porque já sabíamos tudo o que interessava saber: é tão bom gestor que nem a sua vida conseguiu gerir, ao ponto de ter de se apresentar no tribunal, com uma corda ao pescoço, para que este o declarasse falido, devido às avultadas dívidas contraídas. Mas do Pedro ficámos a saber mais qualquer coisa; reforçámos a ideia do bom-profeta capaz de forjar mentiras em que posteriormente acredita, como esta sobre o Agostinho, e as outras sobre o desagravamento fiscal e os 23 milhões de despesa fiscal entregues aos munícipes. Penso até que foram cozinhadas pelos mesmos impostores.

E a “oposição”? A "oposição" esteve igual a si própria, frágil e descrente. O dotor Coelho falou bem e expeditamente, mas é de seu natural inconsequente. No entanto, deixou a ideia que é melhor a rebater propostas/recomendações que a defendê-las. Percebe-se - e ele já deve ter percebido porque não é parvo - que está sozinho. A desistência pode estar já ao virar da esquina.

16 de dezembro de 2024

O despesismo castiga sempre alguém

Na penúltima reunião da “Junta”, o dotor Pimpão deixou, en passant (sem ser questionado), um aviso que traz consigo um castigo: a factura da água vai ter de aumentar. Como não gosta de assumir as más decisões, desculpou-se com as recomendações/obrigações do novo quadro legal. Um município que explora um serviço de tão grande proximidade, como o abastecimento de água, em total autonomia e de forma rentável, sem nenhuma concorrência desleal em relação a outros municípios ou empresas públicas, não deve seguir recomendações ou obrigações gerais.



Em boa hora Narciso Mota manteve todo o sistema de abastecimento de água na posse do município, assegurando receitas próprias consistentemente rentáveis e uma boa autonomia estratégica e funcional para a câmara. Tanto assim foi que durante muitos anos as receitas do abastecimento de água cobriam a maior fatia da despesa corrente: encargos com pessoal.

Mas a partir do momento em que a despesa no acessório (festas, folclore e eventos) se tornou forma de vida as contas começaram a andar rapadas e o passo seguinte será, inevitavelmente, cobrar mais.

Não há diversão grátis.   

13 de dezembro de 2024

12 de dezembro de 2024

A mentira como arma política

A mentira, mais ao menos implícita ou dissimulada, foi muitas vezes usada como arma política, nomeadamente pelos políticos fantasiosos. O dotor Pimpão usa-a frequentemente; umas vezes de forma descarada e internacional, outras por simples desconhecimento da matéria ou do significado da linguagem usada.

Depois de se apresentar como grande benemérito das famílias e empresas, com a aldrabice da concessão de 23 milhões de despesa fiscal, vem agora apregoar o desagravamento doel IMI para 2025, quando a taxa simplesmente se mantém.Bem sei que todo o esbanjador gosta de se apresentar como poupador. Mas há limites para a trapaça.

Para agravar a coisa, temos o “jornalismo” de favor, sempre ávido do papel de pombo-de-correio.




11 de dezembro de 2024

Tal pastor tal rebanho

Ontem, o dotor Pimpão  e a sorridente Gina reuniram com a rapaziada eleita para o dito Conselho Municipal da Juventude, que de jovem e de municipal pouco tem, e de aconselhamento ainda menos. Mas adiante, que o que interessa é cumprir a agenda e publicar qualquer coisa.



E o que saiu de lá? Perguntarão, com certeza, os leitores. Saiu um parecer. Um parecer ao Orçamento de 2025 e às Grandes Opções do Plano 2025/29, aprovado por unanimidade. Como dizia o Nelson, toda a unanimidade é burra. E toda a associação que não eleva rebaixa - acrescento eu, que o li algures. 

O dotor Pimpão encarna na perfeição o virtuoso profeta da mediocridade, vulgar e rotineiro. Acredita, coitado, que concilia todo o mundo, com falsas promessas e consensos vazios, e que esse é seu papel. Depois refugia-se no simbólico e procura na exaltação mediática de magnificências reles a ilusão de estar a agir e a realizar, convencido de que nisto da política, tal como na vida, tudo corre por graça divina e resultará bem. É uma criatura imprudente, e carente, que precisa de consolação constante para não cair em desespero.  Mas já dizia Macbeth, na tragédia com o seu nome, que nada se ganha, e tudo se perde, quando nosso desejo fica satisfeito sem contentamento.

Já se pode afirmar com alguma segurança que legado do dotor Pimpão, como presidente da câmara, não será avaliado pelas opções que tomou ou pelas realizações materiais mais ou menos conseguidas, como sucedeu com os seus antecessores, mas pelo traço inconfundível de frivolidade narcisista e mediocridade conformista que perdurará por muito tempo. 


Adenda: deste dito CMJ faz parte, entre outros, um membro da Assembleia Municipal de cada partido ou grupo de cidadãos eleitores representados na Assembleia Municipal e um representante de cada organização de juventude partidária com representação nos órgãos do Município ou na Assembleia da República.

6 de dezembro de 2024

Soares, maior que o pensamento



 

Se cá estivesse, Mário Soares faria 100 anos este sábado, 7 de Dezembro. Ainda bem que não está, tal seria o desgosto com o estado a que chegámos, no país, a que chegou o partido que sonhou. Um e outro envoltos num manto de liberdade, com espaço para quem pensa diferente, no respeito pelos valores de Abril. Imagino-o a dar voltas no túmulo sempre que a tv nos mostra as tiradas de Leão ou Sanfona, exemplo claro de quem, sendo do PS, nunca foi socialista. Ou com outros que nunca chegam a ser notícia.

Soares nasceu num berço de ouro, podemos dizê-lo, e fez parte de uma franja que tomou consciência do que era ser privilegiado. De como seria se calçasse outros sapatos, às vezes tamancos, como aqueles que os meus pais calçavam ao domingo para ir à missa, no tempo em que Soares já era preso, ou forçado ao exílio.

Não sei que idade tinha eu quando ouvi falar dele pela primeira vez, mas foi antes daquelas eleições de 1986, em que quase todos os meus amigos da escola gritavam no recreio o slogan ‘Prá Frente, Portugal’, enquanto o meu pai – regressado da tão cinzenta Alemanha – me deixou colar no Kispo vermelho um autocolante a dizer “Soares é Fixe”.

Muitos antes, o meu tio Costa apareceu lá em casa com uma bandeira de tecido e o símbolo do PS bordado. Iam (os meus pais e os meus tios) a um jantar de apoio a uma candidatura qualquer, em que ele era esperado. O meu tio acabara de regressar à aldeia, também, reformado dessa dura profissão de estivador. Sentavam-se na placa do poço, no quintal, e falavam de política. Da guerra, que deixara mazelas em toda(s) a(s) família(s), da pobreza em que cresceram, do país que sonhavam para as filhas. De Soares, falavam sempre com a deferência de quem se refere a um ser maior.

Na primavera de 1994 tive a sorte de o acompanhar, em reportagem para o Região de Leiria, na sua presidência aberta pelo distrito. Soares era imponente, até no trato. A dada altura, reparou em mim, no meu indisfarçável pouco à vontade em tão gigante tarefa, e perguntou-me: “Então? Aguenta?”. Senti-me ainda mais pequena, perante um homem que era enorme.

Dois anos depois, a 8 de Dezembro de 1996, voltei a vê-lo, imponente, na inauguração da Casa-Museu João Soares, nas Cortes, um espaço que todas as crianças e jovens deste país deveriam visitar. Desse dia guardo dois momentos: o Betinho (fotógrafo do Diário de Leiria, prematuramente desaparecido) em cima de um telhado para captar a melhor imagem, e Soares a ralhar com ele: “ó homem saia daí que você ainda cai daí abaixo!’. E mais tarde, o episódio que daria títulos à imprensa nacional: “o meu pai costumava dizer, quando o elogiavam muito, ´sou apenas filho de um vacão do Soutocico´”.

Escrevo estas memórias enquanto a RTP 3 passa em reposição “O caminho faz-se caminhando”, uma conversa sobre o mundo e a História entre Mário Soares e Clara Ferreira Alves, onde fica tão patente a dimensão intelectual de Soares, num tempo em que os políticos eram também seres pensantes, senhores de uma cultura geral avassaladora. Que privilegiava o confronto, a divergência de opinião (como lembrou ainda hoje António Campos), em detrimento do elogio e da bajulação.

Era assim, ele. Socialista, republicano e laico.

 Faz-nos falta todos os dias. 

29 de novembro de 2024

Reunião da “Junta” – a paródia continua

Da reunião da Junta, de ontem, ressaltaram dois assuntos: Trabalhos Complementares na Empreitada do Centro Escolar Conde Castelo Melhor e Orçamento Municipal para 2025 e respectivas taxas de impostos municipais. E também as intervenções do público.



Como já aqui expliquei, o Centro Escolar Conde Castelo Melhor vai-nos custar os olhos da cara, e não vai resolver, ou vai resolver mal, o problema de falta de salas de aula adequadas na cidade. Porquê? Por duas simples razões: falta de planeamento e más opções urbanísticas e arquitectónicas. Agora, somos confrontados com esta desastrosa realidade: a câmara fez escolas onde não havia alunos, e não as fez onde os havia. Mas adiante, que agora o problema é outro. Ou é mesmo: gastar sem norte e sem rigor. Senão vejamos: ainda a construção do Centro Escolar Conde Castelo Melhor não tinha começado – estava-se ainda na fase de demolição - e já o empreiteiro pedia e recebia um avultado acréscimo por trabalhos complementares! Uns módicos 25.000 euros pela colocação de uma lona na fachada virada para a avenida! O Pedro é isto – o que é que s lhe pode fazer?!

Depois veio a discussão do Orçamento Municipal para 2025 e respectivas taxas. O orçamento é a repetição de um conjunto de boas medidas que vêm do passado, nomeadamente as taxas dos impostos municipais, e o prolongamento de um conjunto de obras a que se juntaram um conjunto de intenções desejavelmente não concretizáveis (Casa Mota Pinto, Centro Cívico, Pólo de Inovação e Conhecimento, etc.). 

O dotor Pimpão é o típico político que promete muito porque sabe que faz pouco. Mas esse não é o seu pior defeito. O seu pior defeito é o voluntarismo febril, é não estudar, é dar aval a coisas que nunca deveriam ser feitas. Depois, por ignorância ou simples excentricidade, forja mentiras em que posteriormente acredita, como aquela com que pretendeu endeusar o orçamento, afirmando que este “contemplava uma despesa fiscal de 23 milhões de euros”, que era concedida “por uma questão de responsabilidade social” … de forma  “libertar meios para o desenvolvimento económico-social da nossa comunidade”. A mentira era tão grande, mas tão grande, que não conseguia sair, e ia engasgando irremediavelmente o falacioso. Felizmente a coisa compôs-se, e a “oposição” engoliu a mentira sem dificuldade - está no mesmo patamar de inconsciência política. 

 Notas de rodapé:

(1) Três munícipes foram à reunião do executivo expor problemas e situações preocupantes. Quando as formas de democracia representativa esmorecem, irrompem formas de democracia directa.    

(2) Uma pessoa minimamente esclarecida sabe que o dotor Pimpão não distribui os milhões do orçamento com os munícipes, excepto o milhão referente à comparticipação no IRS (este sim, é despesa fiscal).

(3) A “oposição” votou contra o orçamento por este não contemplar as suas medidas. Ao que o dotor Pimpão respondeu que poderiam ter sido incluídas, como no passado, se tivessem participado na reunião preparatória. A “oposição” contrapôs que “não foi convidada”. E o dotor Pimpão contrapôs que enviou o convite para o PS e recebeu uma “missiva onde afirmavam que não participavam porque não era importante (participar)”.

27 de novembro de 2024

Campeões à moda de Pombal

 


Uma pessoa vai passando pelas fotos daquele momento importante de campanha que foi a Gala do Desporto e não percebe bem se:

a) é a organização do evento 

b) a equipa da Junta de Freguesia de eventos passados 

c) nomeados e/ou galardoados

Agora você decide, como dizia o outro. 

26 de novembro de 2024

É a (má) economia, estúpido

Nesta terra (Pombal) poucos comem do que gostam; a maioria come a merda que lhe colocam no prato: uma chusma de aviários e pocilgas que infestam o ar, os solos e os rios; explorações de barros, argilas e areias que esburacam o solo, destroem habitats, fauna e flora e nada estabilizam e ou recuperam; pedreiras que esventram e dinamitam a serra, poluem o ar e a água e desfeiam o espaço e a panorâmica (o postal da terra); explorações de caulinos que de esporádicas se multiplicam pelo concelho, destruindo solos, lençóis freáticos e cursos de água; matadouros e indústrias de processamento de carnes com seus inevitáveis impactos ambientais.



Agora são os do lugar da Pipa e arredores a sentir as dores de uma nova exploração de caulinos que está prestes a entrar-lhes pelas terras adentro. Umas dores que ninguém vai ouvir, e só os poucos que ainda lá vivem vão sentir. Passar-se-á tudo como de costume: os de Albergaria e de Santiago estão-se nas tintas para as dores dos do Barrocal ou do Chão do Ulmeiro, tal como os das Meirinhas se estão nas tintas para as dores dos da Guia, e vice-versa, e por aí adiante. Pessoa bem dizia que a humanidade (a sociedade) só sente a chuva quando ela lhe cai em cima. 

A exploração dos Recursos Naturais e a preservação do Ambiente são naturalmente conflituantes, mas devem e podem ser harmonizados através de uma correcta avaliação dos custos das externalidades e dos benefícios económicos e através de um plano de acompanhamento regular da exploração, coisa nunca feita. O governo central e organismos regionais limitam-se a licenciar as explorações, seguindo os planos de ordenamento do território, nacionais e locais, e depois é o tradicional deixa-andar. O executivo municipal escuda-se no argumento da competência do licenciamento para fugir às suas responsabilidades na permissão para licenciamento e no acompanhamento dos impactos, porque não quer desagradar a ninguém - comportam-se como criados de quarto do capital explorador, disponíveis para todo o tipo de serviço à espera da subvenção para a campanha. Mas como fugir dos problemas nunca deu bom resultado para o mexilhão, estamos “condenados” a aceitar o inaceitável, a viver nesta triste sina de tudo o que é mau nos calhar e só nos calhar o que é mau.

Vamos de mal a pior: éramos pobres em riqueza material mas ricos em riqueza natural. Agora temos o pior dos dois mundos: condenados a viver pobres em espaços imundos e repulsivamente feios. Mas com a fanfarra sempre a tocar e o arraial sempre a girar. Bem-vindos ao reino da felicidade tola.

22 de novembro de 2024

"Isto vai ficar assim?" Não, senhora ministra. É para desfazer.

 



Em Portugal há centenas de associações ambientais. Só na Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA), são mais de 120 associações. Pombal não é exceção e também conta com várias organizações que zelam pela natureza, ambiente, ecologia e bem estar animal.

Para muitos, esta é uma expressão de envolvimento social, de ativismo comunitário, do empenho popular em criar mais e melhores condições. Nunca entendi isto desta forma.

A necessidade de existir associativismo reenvidicativo nesta e noutras áreas é principalmente uma forma de expressão popular -  pelo fracasso das muitas leis e diretivas que a governação nacional e local se demitem de cumprir.

Na área ambiental o Grupo Proteção Sicó não substitui o ICNF, Os Amigos do Arunca não substituem a ARH-APA, a Ajuda Animal não substitui o Canil Municipal.

Existem apenas e só, porque aquilo que devia ser feito pelas entidades públicas é insuficiente ou pura e simplesmente não funciona.

Por toda a Europa, vários são os casos em que a governança se vai sobrepondo à gestão pública.

A governança é a capacidade das sociedades humanas para se dotarem de sistemas de representação, de instituições e processos e de corpos sociais, capazes de gerir localmente num movimento voluntário apoiado pelo poder local.

Se há coisa que aprendi nestes últimos anos, é que Pombal tem conhecimento, gente capaz, especialistas e investigadores, malta que representa internacionalmente o país e publica artigos científicos cá e por esse mundo fora.

Só que Pombal não os ouve, não quer saber, não quer aprender e teima em fazer mal só porque "é disto que o meu povo gosta".

Para quem nos governa, é muito mais fácil contratar o supra-sumo dos rios, pagar uma bela maquia e encher o peito para chamar ministros e secretários de estado, para ver o trabalho que eles pagaram com o que nós produzimos.

"Isto vai ficar assim?", perguntava a ministra ao ver aquele prejuízo ambiental e financeiro.

Só que o engenheiro que cá trouxeram joga noutro campeonato. Não anda à espera que lhe apresentem projetos.

Ele está noutra divisão que não a dos voluntários que só querem ajudar! Traz o financiamento, (que já acordou com quem manda nisto tudo), faz o que é ‘chapa cinco’ em todo o lado, tem os seus próprios empreiteiros e comem tudo sozinhos.

Os 600 mil euros que arranjou para Pombal, Leiria e Batalha vão ser gastos. E daqui a pouco estará tudo igual, se não lhe pagarem todos os anos para cá vir dar um ar da sua graça.

Só que como nós já cá andamos há muitos anos (e ele também), lembramo-nos que depois do que fez na primeira vez que cá andou, o Dr. Diogo Mateus mandou-o ir pregar para outra freguesia.

Podiam ter-nos ouvido antes de fazer, podiam... mas não era a mesma coisa.

Agora a destroçadora operada por um imigrante que não fala português (nem inglês, e por isso não há comunicação) já cortou o que não devia, já desapareceram os marcos dos terrenos, já não há dinheiro para mais e aquilo que era importante fazer e se calhar já não se faz.

Uma coisa é certa: aquela escadaria no centro de Pombal vai ter que ser refeita. Não tem as medidas que devia. A vala que abriram não dura um inverno, os Amieiros, Freixos e Salgueiros que foram crescendo nos últimos anos desapareceram e o dinheiro também.

Com 600 mil euros, contratavam-se 6 pessoas durante 5 ou 6 anos, o Rio Arunca tinha quem cuidasse dele e com o apoio dos pombalenses que gostam e sabem, fazia-se muito mais e melhor.

Emanuel Rocha

Ativista ambiental, membro d'Os Amigos do Arunca