30 de abril de 2023

APRAP – a subsídio-dependência extrema

No ano passado, o doutor Pimpão deu um subsídio à APRAP – Associação de Pensionistas Reformados e Aposentados Pombal para esta pagar as dívidas!

Na reunião da “junta” da passada semana, o doutor Pimpão fez aprovar um subsídio, camuflado na forma de protocolo, para a APRAP contratar um(a) administrativo(a).


O subsídio-dependência já chegou a este ponto - a este descaramento. É altura de chamar a "polícia". 

28 de abril de 2023

Os elefantes na sala

A reunião da Assembleia Municipal, de ontem, teve dois elefantes na sala. Um frágil, enfraquecido e envergonhado; outro bufão, convencido e desavergonhado. Como a política é uma selva, ganhou o elefante selvagem e perdeu, por KO, o elefante enfraquecido. Na luta entre elefantes ganha sempre o mais forte. Mas se naquela “selva” política estivessem verdadeiros políticos teria perdido o elefante bufão. Mas a história é como é e não como deveria ser.

Os animais selvagens sabem pisar o terreno - a sua sobrevivência depende da forma como o pisam. Os elefantes (ou os leões) conhecem e têm consciência do seu destino depois da derrota. Os humanos nem por isso.

PS: O árbitro, isento e rigoroso, ainda procurou equilibrar a refrega removendo as armadilhas e os truques baixos da maioria, mas o destino estava definitivamente traçado depois da péssima escolha do terreno de combate e da enorme desproporção de forças.


27 de abril de 2023

Renuncia João

João Pimpão, presidente da junta das Meirinhas e ex-chefe de gabinete do ex-presidente da câmara Diogo Mateus, foi acusado, pelo Ministério Público, de ter cometido crimes no uso indevido de dinheiros públicos, enquanto responsável pela gestão do fundo de maneio do Gabinete de Apoio à Presidência (GAP).



Tais irregularidades foram amplamente apontadas e discutidas nas reuniões da câmara, pelo ex-vereador Pedro Brilhante, e amplamente divulgadas pelo Farpas.

Sabia-se que o(s) caso(s) tinha(m) seguido para o Ministério Público; aguardavam-se, a todo o momento, decisões sobre o(s) processo(s). Diz-se que há mais acusados, o que é normal – este tipo de irregularidade não envolve uma única pessoa.

João Pimpão comunicou o delicado caso ao partido e informou os seus dirigentes que comunicaria o caso, hoje, à Assembleia Municipal. Mas perante a gravidade dos factos não basta comunicar o caso, é preciso retirar consequências. E a consequência óbvia é a renúncia - João Pimpão não tem condições nenhumas para se manter presidente de junta.

Pensamento do dia

 

26 de abril de 2023

Por que morrem os jornais em Pombal?


créditos: Município de Pombal 



 O Alfredo Faustino - Jornalista de excelência, com quem tive a sorte de trabalhar uma parte da minha vida - publicou neste 25 de Abril uma retrospectiva da Imprensa no Concelho de Pombal, que compreende os últimos 150 anos. A obra foi editada pelo Município de Pombal e deveria fazer parte do espólio de todas as escolas deste concelho, das Bibliotecas, das Colectividades. Mas para isso era preciso que os pelouros da Educação e Cultura pensassem sobre a causa das coisas e quisessem, de facto, inverter o sentido. Que se olhasse para os jornais, rádios e outras plataformas como um instrumento de desenvolvimento, pensamento e Liberdade, e não apenas de propaganda, daquela que "divulga o território". Adiante. 

Durante a apresentação, a ex-jornalista Dina Sebastião (actualmente investigadora da Universidade de Coimbra) deixou a pista que ninguém quer seguir: como é que uma terra que há 150 anos começou por ser berço de um "jornalismo de militância"  chegou ao fim do século XX reduzida à luta pela sobrevivência. O autor, Alfredo Faustino, traça um retrato nu e cru do que foi a ascensão e queda da imprensa local em Pombal, que ainda no final dos anos 90 acolhia quatro semanários, em simultâneo. E que hoje está reduzida a um quinzenário.

Por decoro, talvez, ou uma réstia do desencanto que a fez abandonar o jornalismo, a Dina foi cautelosa nas palavras, no diagnóstico e no retrato actual. 

Aqui no Farpas - que ao pé do 'Cão de Fila', o jornal burlesco publicado no século XIX, é um menino - já por diversas vezes o dissemos (e até fizemos um debate sobre o tema): a imprensa em Pombal sucumbiu às mãos do poder político, numa agonia amparada pelo poder económico. 

Enche-nos o peito ler este "da Imprensa do Concelho de Pombal", mas fica aquele nó pelo actual estado da arte. E não, não é igual em todo o lado. Há territórios que entendem bem a imprensa como um investimento e não como uma esmola de onde ainda se pode tirar algum consolo. Aqui, a causa das coisas chama-se declínio: social, económico e político. 

PS: chega a ser comovente o olhar paternalista de Luís Marques (antigo jornalista que terminou a carreira como administrador, lá na capital) sobre a imprensa regional, expresso no final da sessão de apresentação do livro. É contra essa moralidade benevolente que ando aqui há lutar há anos, porque acredito que o jornalista tem os mesmos direitos e deveres aqui, como em qualquer lugar. Foi uma das coisas que me ensinou o Alfredo A. Faustino, que fazia com a mesma determinação a notícia da rua ou a notícia do mundo. Auguramos, pois, tudo de bom para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, de que Luís Marques é comissário...

21 de abril de 2023

Pombal - do concelho charneira ao concelho desfavorecido

O diretor do Centro Distrital de Leiria da Segurança Social, João Paulo Pedrosa, não sai de Pombal. Compreende-se: uma terra desfavorecida precisa de muito apoio. 

Já houve um tempo em que esta terra viveu a ilusão da grandeza; agora vive da pecanez do assistencialismo do Estado e da caridade da cistandade. Pelo meio sonha com a felicidade; mas caminha para a calamidade. 



Este evangelho dos fracos, este culto da esmola e da compaixão, não é a favor dos desfavorecidos, é a favor do(s) profeta(s). 

Desgraçada terra que derrete o que tem e o que não tem em “capelinhas”. 

16 de abril de 2023

Operação resgate da decência (III)

Toda a gente sabe a razão que leva ao penoso(?) acto de pedir a insolvência pessoal: livrar-se definitivamente do pesado fardo de dívidas que não se consegue pagar. Também toda a gente conhece as consequências do subterfúgio para os vigaristas que a ele recorrem: perda de credibiliade e de reputação.

Em 2015 (outubro), o doutor Agostinho Lopes e a esposa requereram ao Tribunal de Comércio de Leiria a insolvência pessoal. E a 22-04-2016, o tribunal proferiu sentença sobre o consequente Processo Especial de Revitalização dos devedores: homologou o acordo de revitalização e mandou citar os credores e outros interessados nos autos. Da lista de credores constava o Município de Pombal.



Com o veredicto da insolvência pessoal, o tribunal retirou ao doutor Agostinho os poderes de administração do seu património (massa insolvente) passando tais poderes para o administrador da insolvência. E determinou que, durante os três anos subsequentes ao encerramento do processo de insolvência (período da cessão), o rendimento disponível que o devedor viesse a auferir fosse cedido ao fiduciário, excepto o que fosse razoavelmente necessário para o sustento minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar. Durante o período da cessão, o doutor Agostinho ficou ainda obrigado a: 

(i) “Não ocultar ou dissimular quaisquer rendimentos que aufira…; 

(ii) “Exercer uma profissão remunerada…; 

(iii) Entregar imediatamente ao fiduciário, quando por si recebida, a parte dos seus rendimentos objeto de cessão; 

(iv) Informar o tribunal e o fiduciário de qualquer mudança de domicílio ou de condições de emprego…; 

(v) Não fazer quaisquer pagamentos aos credores da insolvência a não ser através do fiduciário…”.

Percebe-se agora melhor as razões por detrás dos pagamentos indevidos ordenados pelo doutor Agostinho a si próprio quando foi director administrativo no Município de Pombal. Mas não se percebe que alguém já manifestamente ou declarado insolvente pague dívidas a uma entidade pública(!) quando recorreu ao expediente da insolvência pessoal para se libertar delas! Assim, perante tão estranha situação, temos direito a saber se a dívida ao município foi paga à socapa - como parece - ou de forma legal e transparente (com conhecimento e autorização do tribunal). Temos direito a saber até onde pode ir o topete e a boa ou a má-fé da câmara (dos seus responsáveis).

Explique-se doutor Agostinho. Explique-se doutor Pimpão. Os deveres da transparência e da legalidade assim obrigam. E os da decência também.  

14 de abril de 2023

O turistaa acidental



Foi inaugurado esta manhã o (novo) posto de turismo cá do burgo, que volta a funcionar dentro da Câmara, como no tempo da maria cachucha. Que um secretário de Estado se preste ao papel, até percebemos: os últimos dias mostraram-nos que podemos esperar tudo da função. 

Mas o insólito está sempre à espreita. Quem foi que se apressou a fazer propaganda do acto, todo contente? Joelito, o presidente do PS local. Não lhe bastava ser ramo de enfeite, ainda precisou de exibir a proeza. 

Já sabíamos que tentava disputar a categoria de inepto com o Pedro. Mas como em tudo na vida, lá diz o povo que é preciso ter corpinho para a mania. Nesta publicação do PS local é tudo mau, a começar pela ideia de o fazer e a acabar nos atropelos ao português, pobre língua...

O pior de tudo? A mensagem. A sério que o PS defende isto? Alguém diga a este candidato a boy que foi um presidente socialista que percebeu a importância de retirar o posto de turismo de dentro da Câmara. E que recentemente o PS, nomeadamente na AM, clamou contra esta asneira. Ah, espera...ele quis demarcar-se desse PS. O resto não lhe interessa. Ou simplesmente não sabe, qual turista acidental.

5 de abril de 2023

A longa marcha para a Igualdade

 Pombal, 05 de Abril de 2023

 

Meu caro pombalense, espero-te bem. Escrevo hoje para ti que nos acompanhas do outro lado do mundo e do outro lado da rua. Para ti que emigraste nos anos 60 ou 70 para França, para a Alemanha ou para o Luxemburgo; nos anos 80 para a Suíça ou para o Canadá, e nos anos 2000 para toda a parte. Sabes que depois das camionetas passarem para o outro lado, junto ao rio, o Cardal mudou muito. Ainda lhe chamam jardim  mas já é uma praça. As lojas da rua Direita fecharam, as da zona histórica também, ali junto à praça das galinhas que ajudava a movimentar o comércio à volta. À medida que fomos definhando, fecharam-se as portas. Até das casas. O que talvez não saibas é que muitas delas voltaram a abrir-se, por estes dias, arrendadas agora a cidadãos que chegam em catadupa do Brasil, mas também da Índia ou do Paquistão, da Colômbia. Muitas já não estão em condições de habitabilidade mas olha, foi o que se pôde arranjar.  Vê tu a ironia: Pombal, este concelho que sempre foi porta-estandarte da emigração, conhece agora o outro lado da moeda, a imigração. E é o que nos tem valido, acredita. Nos restaurantes são eles e elas que nos servem, nos supermercados carregam as caixas, nos lares dão banho aos nossos pais e avós, e até nas escolas amparam as quedas dos nossos filhos e dos deles, limpam o recreio, levam a comida. Vou falar-te de uma dessas mulheres, que vi na rua um dia destes. Era sábado, o dia da semana em que ela aproveita para fazer limpezas em casa das vizinhas. Ia com uma delas, entre a Rua Professor Gonçalves Figueira e a avenida. Do lado de lá, uma colega da escola chamou-a, alto e bom som, até se ouvir no Mercado.

 

 - Ó Brasileira!

 

A rapariga é discreta. Ficou incomodada. Ao lado, uma das “patroas” indignou-se. Chamou à atenção. Lembrou que também é emigrante, noutro país. Que o filho também é. Que isto é descriminação. Xenofia e Racismo estrutural. Que, como tu, ninguém gosta de ser apontado. Contava-me uma prima que, nos anos 80, numa escola dos arredores de Paris, sofreu muito por ser apontada como “a portuguesa”, “a bacalhau”, mais tarde “a tuga”.  Como agora fazemos aos “zucas”.

 

Tu sabes como isso magoa, diminui, apouca. Mesmo que quem tem golpe-de-asa brinque com a piada. Que não tem piada.

 

O último relatório do SEF mostra que Portugal registou, no final do ano passado, 757.252 estrangeiros com residência, um aumento verificado pelo sétimo ano consecutivo, correspondendo amais 58.365 (8,3%) do que em 2021. Ao mesmo tempo, parece que perdemos a memória. Esquecemo-nos de quem somos, de onde viemos. Como os teus pais, que viviam num quarto primeiro, depois naquela minúscula casinha, quando a tua mãe conseguiu um emprego de concierge. E que agora no café da aldeia clamam contra “essa raça”. Que devíamos era “ajudar os nossos”. Por falar nos nossos, olha só o que aconteceu esta semana. O Moisés, cigano nascido e criado em Pombal, foi deitado borda-fora de um trabalho como segurança no Pombal Fashion. Ia começar, através de uma empresa de trabalho temporário (lembras-te quando a malta dizia que eles não queriam trabalhar?), mas o administrador não quer cá misturas.

Imagino que tudo isto te espante e faça confusão. Afinal, tu recebeste aí o jornal da terra e leste no facebook as publicações do Município de Pombal a falar de integração, de um plano municipal para a Igualdade. Viste as fotos dos concertos no Cardal? Do presidente e vereadoras em selfies com a comunidade? Pois, parece que não passou daí.  

E viste as imagens da Feira de Nanterre? Somos nós, ali, a comprar ‘beijinhos’ (como os do João das Cavacas), a matar saudades. Como essas que te afogam o peito tantas vezes, porque tudo o que querias era uma bica, um abraço da avó, uma sopa da mãe.

 

Recebe um abraço pombalense, desta que tanto vos quer, mas às vezes tem vergonha alheia

 

Paula Sofia Luz 


* Foto da inauguração do CLAIM (Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes),  Janeiro de 2023


4 de abril de 2023

Operação resgate da decência (II)

Porque a nomeação de titulares de altos cargos públicos deve respeitar rigorosos critérios legais e éticos, e porque a suposta oposição não se preocupa com estas coisas – prefere o devaneio dos muros de pedra e afins -, resolvi requerer à câmara documentos que respondessem a um conjunto de perguntas que permitissem, por um lado, avaliar se o recém-nomeado Director Municipal tem condições ético-legais para exercer o cargo; e, por outro, clarificar os critérios ético-políticos que norteiam a conduta do presidente Pimpão.



Recebi documentos que permitem responder com segurança às perguntas colocadas. Assim, eis as respostas e os factos:

Pergunta 1: Em que data e por quem foi detectada e comunicada a irregularidade (pagamentos indevidos)?

Resposta 1: A irregularidade foi detectada pela DRH e comunicada superiormente a 8 de novembro de 2010. 

Pergunta 2: Qual o fundamento da irregularidade que deu origem ao processo?

Resposta 2: O fundamento da irregularidade foi o (auto)-pagamento indevido de emolumentos notariais.

Pergunta 3: Que montante de pagamento indevido foi apurado?

Resposta 3: Foi apurado o montante indevido de 26.505, 39 €; a que, erradamente, não foram imputados juros.

Pergunta 4: Em que data o devedor foi notificado da dívida e da obrigação de saldar?

Resposta 4: O devedor (Agostinho Lopes) foi notificado a 1 de fevereiro de 2011 da obrigação de reposição dos valores cobrados. 

Pergunta 5: Qual foi a resposta do devedor à notificação?

Resposta 5: A 15 fevereiro de 2011, o devedor contestou o valor da dívida (alegou a contabilização pela categoria final e a contagem dos emolumentos de 2009 – ambos rejeitados) e o pagamento do montante residual numa única tranche. 

Pergunta 6: A dívida foi saldada ou não?

Resposta 6: A dívida foi saldada. 

Pergunta 7: Se foi saldada, foi-o de uma só vez ou em prestações?

Resposta 7: A dívida foi saldada em 53 prestações.

Pergunta 8: Se foi paga em prestações, qual o montante e a frequência das prestações, bem assim a data da primeira prestação e a data da última prestação?

Resposta 8: Prestações de 500 € mensais, com alguma irregularidade, com início a 30-4-2014 e término a 30-1-2019.

Pergunta 9: Qual a forma de pagamento (cheque, transferência bancária, numerário ou outra)? 

Resposta 9: A forma de pagamento foi por transferência bancária. 

Perante estes factos, que para os mortais alinhados com poder são normais, mas encerram muita anormalidade, novas questões se levantam…

29 de março de 2023

A malta é jovem. Não pensa?


 
O feed mostrou-me fotos várias do Pedro e sua tropa: Pimpão cumprimenta bombeiros, Pimpão sorri para o exército, Pimpão faz piadas com a GNR, Pimpão entusiasma-se com os escuteiros, a sua gente, e dá ânimo à Jornada Mundial da Juventude - que também está plantada no Cardal, por estes dias. É a Semana da Juventude e a malta está a divertir-se bué, como documentam as fotos e o vídeo municipais. 

Da escola chega-me uma comunicação a anunciar visitas ao Jardim e parece-me bem: tudo o que mostre a rua às crianças e adolescentes é bom, já se sabe. 

Mas depois uma pessoa fala com os jovens. E pergunta-lhe o que acham deste programa. E percebe que foi "feito por boomer's", que das duas uma: ou não têm filhos ou não falam com eles. 

Vai-se a ver isto está bom para a JS, que em vez de mostrar o outro lado da realidade, se apressa a fazer de ramo de enfeite na propapanda. Em tempos de estio na JSD, é o que sobra. 


*A foto é um apontamento de "reportagem" da Rádio Cardal. 

28 de março de 2023

Câmara, Orçamento Participativo, PARA & C.ª (II)

Para além da irregularidade grave de a câmara, em parceria com o PARA, prestar cuidados de saúde sem estar licenciado para o efeito, a ERS emitiu, a 22 de dezembro de 2022, uma Instrução obrigando o Município de Pombal a:



(i) “Respeitar o direito de pleno acesso dos utentes aos respectivos processos clínicos e informação de saúde, seja por consulta ou reprodução, nos termos previstos legislação em vigor; 

(ii) Assegurar que todos os profissionais ao seu serviço respeitam as regras de acesso dos utentes aos respeitos processos clínicos e informação de saúde; 

 (iii) Proceder à criação de um procedimento interno escrito que regule o acesso dos utentes ao processo clínico e informação de saúde, em conformidade com a legislação em vigor;

(iv) Proceder à revisão, da secção dedicada à área da Psicologia, do “Programa Municipal de Potenciação do Sucesso Escolar – Intervenção da Equipa Multidisciplinar”, de modo a prever que, sempre que o processo do utente termine por algum dos motivos aí elencados, fique assegurado um plano de transição de cuidados de saúde para os utentes; 

(v) Dar cumprimento imediato à presente instrução e deve dar conhecimento à ERS, no prazo máximo de 30 (trinta) dias úteis após a notificação da deliberação final, dos procedimentos adotados para cumprimento da mesma.”

Refere, ainda, que “a Instrução configura como contraordenação punível, in casu com coima de 1000,00 € a 44 891,81 €. 

Nesta santa terrinha, onde é tudo por Deus e pelo Venha-a-Nós, usa-se e abusa-se do dinheiro público para estes arranjinhos irregulares. 

PS: se nesta terra existisse oposição, há muito tinha sido pedida uma inspecção à aplicação dos Orçamentos Participativos, nomeadamente o do PARA.

27 de março de 2023

O Melodrama Socialista

Acto XXV – Sai & Fica

Enquanto o Pedro se diverte feliz no Reino das Maravilhas, qual borboleta saltitante de flor em flor, os (des)Socialistas representam, daqui a pouco, numa adega da terra, o próximo acto do seu melodrama intitulado “Sai & Fica”.



Este requentado melodrama é um folhetim de cenas da vida real que entrelaça intrigas e zangas de comadres num registo angustiante sem fim à vista; que há muito deixou de ser político (não interessava a ninguém a não ser aos próprios intérpretes), mas parece psicótico (com perda de ligação à realidade e alguns delírios). 

Daí se perceba a escolha de uma adega para a representação do próximo acto: é sempre melhor afogar as mágoas com bom vinho que a seco no divã do psiquiatra. Mas para que a coisa saia menos risível recomendo que bebam metade antes da representação e a outra metade depois.  

A Política é alta competição - mesmo a amadora. Não há papel mais tonto que (tentar) jogar um jogo de que se desconhece as regras. Quando criaturas com fome de celebridade se atiram para a arena pública sem saber quando avançar e quando parar, confundindo derrotas com vitórias (morais), ou afrontando regras sem poder para tal, o caminho para o desastre fica traçado. Uns merecem-no; outros nem tanto.

23 de março de 2023

Câmara, Orçamento Participativo, PARA & C.ª

A 6 de Março de 2019, publicámos um pequeno post que divulgava os titulares dos órgãos sociais da recém-criada associação PARA – Projecto de Apoio e Recursos para o Autismo. A ousadia de expor as figuras, do bem-fazer e do bem-aproveitar, valeu-me um processo judicial – morreu à nascença, com custos para a/o queixosa/o.



A oportunista associação cresceu ligada umbilicalmente à câmara, com os vícios e as fragilidades amplamente reconhecidas pelo ex-executivo. Com o amigo Pedro no poder a esperança, de futuro radioso, renasceu…

Mas bastou uma simples queixa, junto da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), apresentada pela mãe de uma criança a quem foi recusada a entrega do processo clínico do filho, para a subsequente averiguação mostrar um rol de irregularidades e de promiscuidades que merecem averiguações por outro tipo de entidades (IGF, Tribunal de Contas, Ministério Público, ...).

Por agora, ficámos a saber que o “consórcio” Câmara – PARA prestava cuidados de saúde sem estar licenciado para o efeito junto da ERS. E que por esta irregularidade a ERS condenou, a 29 de setembro de obrigou 2022, a Câmara de Pombal na coima de 1.500,00 EUR, e não só - o resto fica para depois.

PS: a coima foi aplicada à câmara, e não ao PARA (!), porque a psicóloga que prestava a terapêutica estava vinculada à câmara e não ao PARA.

22 de março de 2023

A felicidade e o luto

Enquanto a câmara celebra a felicidade, a junta está de luto. São as duas faces da mesma teologia.



Nesta terra, onde o que mais conta é saber fazer figura, passámos num ápice do mais irritante despotismo para o mais estéril desportivismo dos regozijos e comoções públicas. Pelo meio, perdeu-se decência e respeitabilidade: a simples distinção entre o institucional e o pessoal; e a discrição que o verdadeiro exercício do poder exige.

Esta pomposa mediocridade, que confunde agitação com acção, fez da felicidade um propósito e da política um assunto ordinário, uma comédia e uma comedoria, feita para vaidade e contentamento olímpico dos eleitos, que nos vai sair cara. 

Era difícil imaginar uma alegoria mais deplorável, mais banal, mais inepta e insípida do que a que é exibida, todos os dias, nesta santa terrinha. Já nem se pode antecipar o fracasso, que exige arrojo e grandeza de espírito, atributos que manifestamente não existem, mas tão-somente a vacuidade e a banalização da acção política. Mas o pior deste mandato - que só pode ser curto – serão os estragos que perdurarão por muito tempo… 

15 de março de 2023

A Casa que é de todos e não é de ninguém



A nova imagem (gráfica) da Casa Varela foi apresentada no sábado. Era suposto que a revelação da "nova identidade" - como lhe chama a Câmara - fosse acompanhada do anúncio da/das/do/dos responsáveis por este Centro de Experimentação Artística, que tanto tem dado à Cultura da terra, enriquecendo-a cá dentro e projectando-a para fora. Mas a sessão foi aquilo que se viu: um público maioritariamente constituído pelos artistas que frequentam a Casa (em residências artísticas), em que pouco ou nada se disse sobre quem fez a nova imagem e por que a fez. 

Depois da saída de Filipe Eusébio, a Casa tem estado a ser dirigida oficiosamente por Diana Figueiredo, de quem a única coisa que se sabe é que assume a curadoria de algumas exposições. O presidente Pimpão não a nomeou directora, atirando a responsabilidade maior para a Unidade Cultura, dirigida por Sónia Fernandes. E para compor o ramalhete, entregou à vereadora Gina a tarefa de apresentadora da sessão, pois que leu um guião sobre o que aconteceu e o que vai acontecer, à laia de agenda. De permeio, Pimpão focou-se em responder a recados do Facebook. Foi quando disse que a Casa é de todos, e que - pasme-se - não é preciso ser artista para fazer ali alguma coisa. "Apresentem propostas, venham ter connosco com ideias", repetiu até à exaustão, não vá alguma voz dissonante acusar a autarquia de promover ali uma cultura de elite. Lembrei-me então da conversa que tive ali à porta com o Filipe Eusébio, em plena pandemia, e da exigência que queria imprimir. 

A nova imagem é contemporânea, funcional, e tem tudo para ser eficaz em matéria de comunicação visual. Um bom telhado, portanto, por onde se começou. Falta a outra, que é tão importante. E que poderia evitar 'pregos' tão ao lado como denominar uma "sala Sr. Varela". Qual deles?


7 de março de 2023

Sobre a noite das facas longas no PS

 

O resultado foi aquele que se esperava: Na reunião [extraordinária] a concelhia do PS local retirou a confiança política ao líder do grupo municipal, João Coelho. O motivo é aquele que já aqui avancei na semana passada, por mais improvável que possa parecer ao cidadão comum - o voto de censura às declarações do presidente da junta de Meirinhas, João Pimpão. 

E foi o que se esperava porque já era previsível que um dia a corda partisse, na relação tóxica  do PS1 com o PS2, o mesmo é dizer entre o grupo de doutora Odete (é disso que se trata) - aqui personalizado por Joelito, esse ponta de lança do partido, e apoiado pelo grupo da JS, liderado pela sua edição de bolso - e o grupo de João Coelho.  

O que daí se retira é uma frase batida: vai-se a ver e nada. Ou melhor, o PS consegue com isto enfraquecer-se, afastar mais gente, aumentar o sentimento de descrença no partido que deveria ser a alternativa cá na terra. 

Sobre as verdadeiras razões que levaram a esta inusitada tomada de posição por parte de um bocado do partido, elas poderão ser mais profundas. E ter por base qualquer coisa que os dirigentes do PS normalmente desconhecem: a solidariedade. Atentemos, pois, na coincidência dos slogans usados nas últimas eleições, como as fotos documentam. Mesmo que nem todos contem  no PS, Joelito contou com João Pimpão durante a campanha: foi o então chefe de gabinete de Diogo Mateus que aconselhou o jovem Joel a usar luvas de pelica com o Farpas, oferecendo uma caneta por si raspada, ao autor do post que contava a saga de "Joelito, el raspador". 

E em política, tudo se paga. 




6 de março de 2023

PS local - zanga de rúfias e comadres desavindas

Daqui a pouco, o PS local cumpre mais um auto de fé, onde procurará expiar os pecados e afastar os infiéis. Não conseguirá nem uma coisa nem outra. 



O problema do PS local não é de fé nem de confiança. É mais profundo: é de vazio identitário e programático. O partido padece de suas fraquezas terríveis: infertilidade programática e histerismo dissociativo. Esta nova crise, que logo à noite terá o seu clímax com a discussão e votação da retirada da confiança política a João Coelho (líder da bancada na AM), nada resolve… É mais um episódio da luta de rúfias e da abespinhada zanga de comadres desavindas, há muito instalada. O que há de novo, agora, é o amadorismo, a imaturidade e a histeria reinante na concelhia e, pasme-se, na federação... 

Se ali houvesse ainda alguma lucidez perceberiam que vale mais morrer de vez do que se estiolar aos poucos persistindo em intermináveis e inúteis rixas. Mas de um partido sem memória e de dirigentes e protagonistas toldadas por estados de espírito iriçados não se pode esperar nada de bom.